Viagem ao Uruguai.
Nossa primeira viagem, exclusivamente no exterior, nos leva ao vizinho
Uruguai. Bela escolha, muitas belezas e cordialidade por 31 dias.
Saímos no dia 28/02/2017 de nossa linda
Imbituba-SC em direção à
Caxias do Sul - RS. Lá faremos uma parada para fazer a revisão da nossa casa rodante,
A Branquela Viajante, antes de pegar a estrada com segurança.Tudo revisado e em dia, é hora de pegar a estrada (BR 116) novamente.
Nossa primeira parada foi em
Tapes-RS, onde fizemos o almoço junto à bela
Lagoa dos Patos. De lá seguimos até
Arambaré-RS, a capital das figueiras. A cidade é banhada pela majestosa lagoa dos patos e esta combinação, figueiras e lagoa, formam um conjunto de encher os olhos.
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| Figueira da Paz. Arambaré -RS. |
Passeamos pela cidade e tomamos nosso tradicional mate à sombra da famosa
Figueira da Paz, símbolo da cidade e patrimônio do RS, por ser considerada a maior figueira do estado, com seus 141 m de perímetro. Eu amei o lugar, talvez influenciada pelo fato de achar estas árvores as mais bonita das que eu conheço.
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| Lagoa dos Patos. Arambaré-RS |
Final de tarde... é hora de buscar onde dormir. O Camping municipal, que tínhamos como indicação, foi terceirizado, mas para quem deseja ficar na cidade ele é uma opção. Como nós iríamos ficar apenas uma noite e adoramos pernoitar em lugares alternativos, próximo à natureza, decidimos dormir no estacionamento público, na beira da lagoa. Foi uma ótima escolha, tranquilo, arborizado e de presente nos damos o prazer de ver o sol nascer na lagoa dos patos. Foi um espetáculo para ficar para sempre na memória. Pela manhã, antes de partir, aproveitamos a beira da lagoa para uma caminhada e depois uma rodada de chimarrão, bem sentados em nossas cadeiras de praia, com os pés na água.
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| Lagoa dos Patos. |
Depois foi seguir para a estrada-BR 471- para atravessar a
Estação Ecológica do Taim, popularmente conhecida como reserva do Taim. É uma área de preservação que está localizada entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico, sendo um rico ecossistema que abriga diversas espécies de animais (aves, capivaras, tartarugas, lontras...) e de flora (figueiras, aguapés, bromélias...). Sugiro sempre uma parada para apreciar as belas paisagens e os animais, com cuidado, eles podem atravessar a rodovia.
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| Nascer do sol na Lagoa dos Patos |
Nosso final do dia foi na
Praia do Hermenegildo, que pertence ao Município de
Santa Vitória do Palmar-RS e se distancia 20 km dele. Escolhemos o Hermenegildo por ser uma praia (amamos o mar); por ser um local pequeno e tranquilo; estar próximo à fronteira e, ao mesmo tempo, longe dos riscos da mesma. O pernoite foi tranquilo e mais uma vez em local privilegiado, na calçada central à beira mar, ao lado do bar do Uruguaio zé, que gentilmente nos convidou para ficar ali.
A praia é conhecida como a "praia dos uruguaios" devido ao grande número de hermanos que no passado compraram imóveis no balneário e hoje ai residem. Também virou manchete, em 2016, devido a uma forte ressaca que destruiu várias casas, irregularmente construídas nas dunas à beira mar. A natureza é mais sábia que os homens, o cenário é desolador, as casas invadem o mar e ele as bota a baixo.
Pela manhã tomamos nosso café na beira mar, estacionados em meio a este cenário, refletindo sobre quanto precisamos evoluir. Despedimo-nos do zé do bar, agradecemos e seguimos para a cidade que faz fronteira com o Uruguai,
Chui-RS. Foi um dia cansativo, com um tour de pesquisa de preço e produtos pelas lojas do lado Brasileiro e Uruguaio na avenida que os separa. Uma curiosidade é que a avenida tem um canteiro central que separa as pistas. Do lado brasileiro se chama Avenida Uruguai e no lado uruguaio se chama Avenida Brasil. Almoçamos em um restaurante a kg, simples e gostoso no lado brasileiro. Como ficou tarde decidimos não atravessar a fronteira e voltamos para a praia, agora na
Barra do Chui, outro balneário pequeno e tranquilo próximo à cidade.
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| Barra do Chui-RS |
Mais um pernoite à beira mar, em área de estacionamento público, ao lado da estátua de Iemanjá. Super tranquilo e tendo o mar e as estrelas como companhia. Pela manhã, da janela do quarto da BV, olhando o mar, vimos o dia nascer, lindo e ensolarado. Uma dica: Antes de ficar em um local aberto procuramos informações de segurança com a polícia ou moradores locais.
Tomamos café e voltamos para a cidade para mais uma olhada nas lojas. Como o dólar está alto, então não nos animamos nas compras. Por necessidade acabamos comprando um rádio novo para a Branquela no Chuy-UR e aproveitamos para já o instalar, no Chui-BR, e usar na viagem. Ainda levamos algumas bebidas para garantir os brindes do caminho e da volta.
Para atravessar a fronteira para o Uruguai é obrigatório fazer a
CARTA VERDE, que é um seguro contra terceiros. Pode ser contratado por diferentes períodos (3,7, 15, 30 dias), nós fizemos o de 15 dias, pagamos R$ 146,00 o contato é com o Reinaldo tel. (51) 3231019.
Passamos a Aduana da fronteira
Chui-BR com
Chuy-UR sem problemas. É preciso parar para fazer um documento de entrada e passar por uma vistoria no carro, que no nosso caso, foi bem superficial, não pediram para abrir nada. Este documento de entrada é obrigatório, no retorno, dar também a saída, caso contrário terá problemas futuros se retornar ao país.
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| Fortaleza de Santa Tereza-UR |
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| Fortaleza de Santa Tereza- UR |
Rodamos até o
Parque Nacional de Santa Tereza - Departamento de Rocha. O lugar, fica logo depois da fronteira, tem praias lindíssimas e é ótimo para pernoite. Nós entramos no parque pela
Fortaleza de Santa Tereza, cuja construção data de 1762 e passou pela ocupação de diferentes nações, conforme vencedores e tratados nas disputas do território. Vale muito um passeio pelo interior da fortaleza, por suas muralhas e sua história. No interior do parque tem área para acampamento, com pontos de luz e água, mercadinho, caixa eletrônico, restaurante e principalmente trilhas para caminhar e conhecer a farta vegetação, nos seus 3.000 hectares. No interior do parque se encontram algumas das praias mais bonitas do país vizinho:
La Moza, Las Achiras, El Barco e Praia Grande.
Depois de conhecer o forte, por orientação do guarda de plantão, entramos no parque por um acesso lateral à fortaleza e fomos direto para a área de camping. Ele nos disse que o responsável iria nos contatar, o que não ocorreu. Passados dois dias descobrimos que tinha outra entrada (principal) onde se faz um cadastro. Montamos acampamento em baixo de uma árvore e fizemos nosso primeiro almoço em terras vizinhas.
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| Camping dentro do Parque Nacional Santa Tereza. |
Passamos o dia aproveitando as belezas do lugar. Caminhamos até a
Praia Del Barco onde os surfistas fazem a festa nas suas grandes ondas e depois
Las Anchivas com seu cenário de areias brancas. No final da tarde nos deslocamos de Branquela pelas estradinhas internas do parque e paramos para o chimarrão de final de tarde na Praia
El Barco, quase deserta, não fora uma família árabe estar desfrutando de um banho de mar, vestidos de burca. Nós não entramos na água, que estava bem fria, só molhamos os pés e caminhamos nos rochedos. Voltamos para a área de camping para jantar, jogar uma canastra e ir dormir, já que não temos internet nem sinal da tv.
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| Uma das praias dentro do Parque. |
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| Punta Del Diabo - UR |
No dia seguinte - já é 11 de Março - saímos cedo do parque em direção ao nosso próximo destino,
Punta Del Diablo, uma das praias mais conhecidas do Uruguai e frequentadas principalmente por jovens.
É uma praia muito charmosa, mistura o rústico com o descolado, criando um alto astral em suas ruelas cheias de bares e artesanatos. Caminhamos pela beira mar da vila dos pecadores até a enseada onde há um monumento à Artigas e Bolívar e lá ficamos a admirar a paisagem, curtindo aquele cenário e clima gostoso. Os brasileiros, acostumados às praias do nordeste, de areia branca e coqueiros, irão achar estas bem diferente. Aqui o que faz a beleza é o conjunto mar/rochedos, eu pessoalmente amo. Almoçamos em um dos pequenos e charmosos, restaurantes da avenida principal que fica à beira mar. Comemos um delicioso peixe com batata a um preço razoável.
A tarde mais uma caminhada pelas lojinhas de artesanato, e são muitas, com coisas bem variadas e interessantes. Punta é famosa por suas baladas noturnas. Durante o dia ela é pacata, à noite se transforma, mas nós decidimos não conferir esta fama e optamos por voltar e pernoitar no Parque Santa Tereza. Tranquilo, com estrutura, em meio a muito verde, e uma melhor opção para quem já passou a fase das festas noturnas. Desta vez entramos pela entrada principal que, alias, é bem bonita.
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| Entrada do Parque Nacional Cabo Polônio. |
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| Centrinho de Cabo Polônio |
No dia seguinte acordamos cedo, fizemos nosso café e partimos em direção a nossa próxima parada, a isolada e peculiar
Cabo Polônio, ainda no Departamento de Rocha. Chegar ao pequeno povoado à beira mar já é uma aventura, o acesso até lá se dá somente por veículos 4x4, cavalo ou charrete. É na sede do
Parque Nacional Cabo Polônio - a 7 km do povoado - que se deixa os carros estacionados. O local conta com infraestrutura de banheiros, bar e quiche onde se compra os ingressos para o parque. A diária do estacionamento custa R$ 25,00 e o ingresso, R$ 50,00 por pessoa
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Vista do Farol Cabo Polônio.
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| Caminhões de transporte. |
Hora de pegar um dos caminhões tipo militar ou "fora de estrada", subir na carroceria aberta, torcer para pegar uma das primeiras acomodações para sentir o vento no rosto, e seguir admirando a paisagem entre dunas, vegetações típicas e o mar ao lado, até o pequeno povoado.
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| Farol de Cabo Polônio |
Além das belezas naturais e a preservação do lugar, outro atrativo é o próprio isolamento. Não há água, nem luz regular. A eletricidade vem de geradores particulares e a água de poços artesianos, mas pasmem, tem internet e wifi gratuito na praça central. O número de moradores fixos é pequeno, a maioria são donos das pousadas, dos pequenos restaurantes e alguns pescadores, mas durante o dia a vila fica repleta de turistas encantados com todo este pitoresco cenário.
O lugar é surpreendente, dá para caminhar pelas rochas até o farol, passando próximo aos descansados lobos e leões marinhos deitados ao sol, sem se aproximar, para não perturbá-los. Segundo as placas informativas, dependendo da época, também é possível avistar golfinhos e baleias, nós não tivemos esta sorte. Subir no farol é outra dica que dou. O ingresso é baratinho, R$ 3,00 e a vista é linda, dá para ver grande parte da orla e toda a vila.
Os turistas são em grande parte estrangeiros, de várias partes do mundo, e nos grupinhos a língua predominante é o inglês. Tem também muitos mochileiros rodando pelas Américas que vem para este cantinho do Uruguai, em busca de natureza e paz, e descobrem que aqui não existe nem mesmo barulho de carro circulando. É o máximo.
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Beira mar charmosa. Cabo Polonio.
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Para o almoço fomos até o centrinho e lá comemos o tradicional
chivítus (pão, bife, ovo, pimentão e tomate), com fritas, por R$ 68,00 os dois. Alimentados foi voltar para a beira mar e tirar uma soneca deitados na areia quentinha. Ainda aproveitamos o final da tarde para mais uma caminhada nas rochas à beira mar e para assistir o pôr do sol antes de pegar o último caminhão para voltar para a sede. Dependendo do fluxo de turistas os horários e frequências dos caminhões mudam, então, é bom se informar antes do se deslocar até lá.
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Praia La Pedreira - UR
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Chegamos à sede do parque no último caminhão, já era tarde, estava anoitecendo (aqui anoitece tarde, depois das 20h). Falamos com o guarda do estacionamento se poderíamos pernoitar ali mesmo. Foi muito gentil, nos orientou onde estacionar, até que horário poderíamos usar os banheiros, e que teria um guarda à noite. Foi mais uma noite free e tranquila, longe da civilização, com um céu lindo, tendo como luz apenas as estrelas.

Agradecidos por mais esta experiência encantadora, partimos pela manhã ao próximo destino, a outra punta uruguaia, a famosa Punta Del Este. Optamos de seguir pelo litoral para no caminho ir conhecendo as outras praias. Fizemos uma parada em
La Pedreira, linda, cheia de rochedos e surfistas se arriscando entre eles. Devíamos ter ficado mais tempo, estávamos estacionados em um local com uma visão privilegiada do mar, mas acabamos indo até à praia vizinha,
La Paloma, para o almoço (são muito próximas). Antes, passamos no centro para comprar a maravilhosa carne uruguaia. Estacionamos no Farol Cabo Santa Maria e ali preparamos nosso macio filé uruguaio à moda gaúcha.
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| La Paloma - UR |
Ainda demos uma caminhada à beira mar, curtindo a areia cheia de pequenas conchinhas que fazem massagem nos pés. Isso até ser atacados pelos mosquitos que nos fizeram correr. Apesar de ambas serem praias pequenas, La Pedreira é bem menor que La Paloma, então, se você quer beleza, vá até os paredões de rochedos de La Pedreira e se procura mais estrutura e movimento vá para sua vizinha La Paloma
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| Monumento "Los Dedos" Punta Del'Este. |
De volta para a estrada seguimos rumo a
Punta
Del Leste, Departamento de Maldonado, onde queríamos chegar antes de anoitecer. Não tínhamos local certo para ficar, então resolvemos iniciar nosso reconhecimento por um dos cartões postais do balneário, o
Monumento Los Dedos. Estacionamos em frente a ele, no estacionamento público da própria via, fomos falar com o policial que fazia ronda e ai recebemos a boa notícia: Diz ele que podemos ficar ali mesmo, que é seguro, tem um sistema de monitoramento por câmeras 360 graus, imagem super top e on line com a central, então foi só comemorar, agradecer e parabenizá-lo.
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| Rambla em Punta Del' Este. |
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| Pôr do sol + chima em Punta. |
Punta Del Este já foi considerado o balneário mais chique da América Latina, e abriga muitas mansões, inclusive vários famosos têm seus casarões por lá. Seu nome faz referência a sua geografia. A área mais central é a ponta da península que separa a
Playa Mansa, de águas calmas, banhada pelo Rio da Prata e do outro lado, a
Playa Brava, de ondas e banhada pelo Oceano Atlântico Sul. O monumento Los dedo, literalmente dedos surgindo da areia, é de um artista chileno e uma referência ao homem surgindo à vida. Fica na parada 1 da Praia Brava e dali é fácil se deslocar por toda a ponta da península caminhando.
Muito bem instalados, foi hora de curtir a praia.Tiramos as tradicionais fotos nos dedos e depois fomos colocar o pé na água gelada em uma caminhada à beira mar. Antes do final da tarde optamos por dar uma volta de Branquela pela orla, passando pelo porto, com seus caríssimos barcos e iates e paramos quase em frente ao famoso Cassino Conrad, na Praia Mansa. Ali assistimos o pôr do sol, sentados em nossas cadeiras de praia, na Rambla, tomando chimarrão, conversando e admirando o momento. Esta cena se repete, não por falta de opção, é por paixão mesmo.
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| Prainha chique. |
Antes de retornar para nosso estacionamento vip caminhamos pela Rambla e pelas ruas centrais, com suas vitrines chiques, que pelas etiquetas expostas nos convidam apenas a olhar. Passamos na feirinha de artesanato (mais nossa vibe), mas também não encontramos nada que fosse especial para levar. A última parada é no mercado, para abastecer a cozinha, garantir o café da noite e as próximas refeições. Hora de dormir tranquilamente, bem no coração do balneário mais famoso do Uruguai.
Acordamos cedo, tomamos café na branquela e fomos para a praia em frente ao estacionamento.
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| Branquela em frente Los Dedos. |
Ficamos ali, sentados, de papo, curtindo o tímido sol até ao meio dia. Para almoçar, caminhamos até às ruas próximas, na ponta da península, onde tem grande concentração de restaurantes, e boas opções para diferentes bolsos e gostos. Optamos pelo "Rústicos" e escolhemos um prato leve, peixe, arroz e batata, uma comidinha gostosa e a preço justo. Depois de mais uma caminhadazinha pelo centro, entre as lojas de grifes internacionais, com seus preços exibidos em dólar, foi hora de seguir para outro ponto turístico imperdível em Punta, a
Casa Pueblo. A
Casa Pueblo fica na verdade na vizinha Punta Ballena, saíndo de Punta Del' Este em direção a Montevideu, passando pela Playa Mansa. O deslocamento já é um belo tour.
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| Casa Pueblo. Uruguai. |
A atração é um misto de museu, galeria de arte, hotel, bar, mirante e moradia. É uma criação do arquiteto e artista Carlos Villaró, que a construiu para ser sua casa de veraneio. Fica a beira de um penhasco, com vista para a Bacia do Prata. Foi feita pelas mãos do artista com a ajuda de moradores locais e levou cerca de 36 anos para ser concluída. É conhecida como "escultura para habitar" e realmente sua arquitetura única faz parecer que a habitação foi esculpida. Lembra aqueles cenários das ilhas gregas à beira do mediterrâneo, com suas casas brancas, com formatos arredondados. Eu me apaixonei tanto pelo visual externo como internamente. Recomendo muito.
Ficamos até o final da tarde porque o pôr do sol lá é famoso, e realmente o conjunto do sol descendo na Bacia do Prata, emoldurando o penhasco e o terraço da lindíssima construção é para guardar para sempre na memória. Mas nem tudo são flores e ai veio a surpresa. Ao sair do estacionamento nossa Branquela apresentou um problema no volante, estava totalmente duro, não girava. Abrindo o capô vimos que "jorrava" óleo de um parafuso próximo ao motor.
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| Casa Pueblo e eu. |
Estava escurecendo, o local é bem no alto e o acesso é estreito, não seria fácil sair dali com este problema. Com dificuldade e habilidade, José conseguiu tirar o carro do estacionamento e descer até um posto de gasolina na cidade. Recolocaram óleo e melhorou o suficiente para chegar até um mecânico, o que só buscamos no dia seguinte. Para terminar o dia mais tranquilos, voltamos para dormir no mesmo local, em frente "los dedos".
No dia seguinte a prioridade era arrumar a Branquela. Seguindo dica do pessoal da região fomos até
Maldonado porque lá os serviços são mais baratos. Como um presente do universo achamos o mecânico Horácio, que adora viajar para o Brasil, conhece Imbituba e, de quebra, é filho de campistas (os pais tem Motorhome). O conserto foi só apertar novamente o parafuso onde vazou o óleo e recolocar mais, da forma correta. Nós compramos o óleo no posto de combustível e ele nem quis nos cobrar o conserto, ainda fizemos mais um amigo das estradas. Valeuuuuu Horácio!
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| Museu Ralli. Punta Del Este. |
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| Ponte Ondulada - Punta Del Este. |
Voltamos para a estrada e fomos conhecer outro ponto turístico da cidade, a
Ponte Ondulada, que fica no Balneário de La Barra e é literalmente ondulada. Aproveitamos para passar no shopping para comprar comida no mercado e usar o wifi. Acabamos voltando para a ponte ondulada e ali, nas margens do Arroio Maldonado, fizemos nosso almoço do dia. À tarde fomos conhecer o
Museu Ralli, cuja entrada é gratuita e na visitação é possível conhecer um acervo de belas obras, incluindo nomes famosos como Salvador Dali. O museu fica no bairro chiquérrimo até no nome, Beverly Hills. Suas mansões e Jardins são de encher os olhos de beleza e a cabeça de questionamentos sobre a grande desigualdade social. Muitos famosos do mundo tem mansão ali.
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| Cassino Conrad. Punta Del Este. |
E mais uma vez voltamos para o estacionamento da parada 1 para pernoitar e aproveitar o lugar super central. Dali fomos caminhando, à noite, até o majestoso
Cassino Conrad. Também não dá para ir a Punta Del'Este sem uma passada no famoso cassino, mesmo não se arriscando na jogatina. Foi o que fizemos, preferimos assistir a um show de tango no salão principal.
No dia seguinte nos despedimos da cidade de Punta Del'Este e rumamos para nosso próximo destino,
Piriápolis. Chegamos cedo e iniciamos o reconhecimento percorrendo a bonita Rambla Argentina, construída em 1916, inspirada na Riviera Francesa, e que se estende por boa parte da orla. Foi recentemente remodelada e seus bancos nos convidam a sentar e apreciar a paisagem da Bacia do Prata.
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| Cerro San Antonio. Piriápolis-UR |
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| Branquela no alto de Piriápolis. |
Decidimos logo de início subir até o popularmente denominado,
Cerro San Antonio, cujo nome oficial é Cerro Del Inglês. Lá do alto dos seus 135 m, junto à pequena capela de Santo Antonio, é possível ter uma vista panorâmica da cidade. O acesso pode ser por carro, a pé (para os peregrinos e atletas) e o mais legal, pelo teleférico. Olhando as cadeirinhas balançando lá no alto, presas nos cabos, nos pareceu que seria uma boa aventura, mas estava fechado, então não deu para experimentar e o jeito foi subir com a Branquela. O caminho é tranquilo, todo calçado, mas bem íngreme.
A história da fundação da cidade de Piriápolis é interessante. Foi pioneiramente planejada por Francisco Piria (daí sua denominação) seu mentor, que vendeu e executou seu projeto, principalmente para estrangeiros. Ele foi um socialista, alquimista, escritor e visionário, reconhecido como um homem a frente de seu tempo. Ainda assim, quando foi candidato a prefeito, fez apenas 680 votos.
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| Castelo de Piria. |
Nosso almoço do dia foi feito no parque La Cascada onde fica a sede da Fundação Piria e o Museu da La Fauna. O lugar tem um ajardinamento criativo e uma construção que forma uma cascata em "degraus", envolta por muita vegetação. Deve ter sido bem bonito, mas está prejudicado pelo tempo e descuido. Interessante que tem um quiosque de vigilância e banheiros públicos, bem simples, mas muito limpos. Mais uma vez nosso cardápio foi a gostosa e macia carne uruguaia, feita na grelha, acompanhada de batata doce, arroz e salada.
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| Pôr do Sol visto do Cerro San Antonio. |
À tarde foi a hora de visitar o
Castillo de Piria, antiga residência do fundador da cidade, Francisco Piria e hoje transformada em um museu, aberto à visitação gratuita. A construção tem estilo medieval e o seu acervo, além de recriar alguns ambientes da época em que era residência da família, tem documentos sobre a história da criação da cidade, que, alias, se confunde com a do criador. Tanto o Castelo de Piria como o
Parque La Cascada ficam na Rodovia 37, próximos à entrada da cidade. Seguindo no mesmo sentido tem o
Cerro Pan de Azuçar mas, como estava tarde, resolvemos não subir.

Final de tarde, optamos em voltar para o centro. Compramos
meialuna uruguaia, uma espécie de massa frita com recheio, deliciosa, uma cerveja Patrícia e fomos fazer um pic nic na bela Rambla Argentina e depois caminhar por seu entorno, nas lojas de artesanato e artigos regionais.
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| Hotel Argentino.Piriápolis. |
No pernoite estacionamos ao lado de um dos cartões postais da cidade, também idealizado e construído por Francisco Piria na fundação da cidade, o
Hotel Argentino. Além de ainda funcionar como hotel, em seus salões com vista para a praia, tem refeições e um famoso café, aberto ao público.
Apesar de ser um estacionamento aberto, público, nos sentimos bem seguros. De nossa janela víamos a cabine de vigilância do hotel, que conta com vigilância 24 h e, talvez por ser março, já ter acabado o verão, tinha pouco movimento o que nos proporcionou uma noite muito tranquila.
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| Praça Independência. Montevidéu. |
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| "Puerta de la Ciudadela" e nós. |
Saímos de Piriápolis antes das 8h:30m em direção à
Montevidéu, seguindo sempre pela rodovia costeira. Antes de entrarmos na área urbana, paramos em um shopping às margens da rodovia, para acessar internet e olhar melhor o mapa da cidade, afinal agora estamos entrando em uma metrópoles, com mais de um milhão de habitantes, a capital do Uruguai. Montevidéu já foi considerada, pela consultoria Mercer, a melhor cidade da América Latina em qualidade de vida, de 2005 até este ano. Este dado já apresenta o que vamos encontrar nos próximos dias.
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| Teatro Solis. Montevidéu |
Depois de darmos noticias para a família, organizarmos um roteiro básico e pesquisarmos como estão os preços por aqui seguimos para o
Parque Roosevelt, onde paramos para almoçar. O parque estava cheio de famílias,
casais, grupos de amigos, todos reunidos festejando algo em meio à natureza. Ao terminar os encontros vimos as pessoas limpando todo o seu entorno, bonito de ver um povo culto. Nós também entramos no clima, fizemos ali nosso almoço, lavamos a louça e demos uma caminhada pelo bonito parque. Nele tem banheiros limpos, um lago e muita arborização, vale uma visita.
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| Parque Rodo. Montevidéu. |
Dali rumamos para o centro, demos uma volta de reconhecimento na orla, com suas várias Ramblas, que somadas, contornam o
Rio da Prata, um dos cartões postais de Montevidéu. Ao todo somam mais de 13 km de Rambla que conforme o bairro vai trocando de nome, mas todos com referência a um país: Argentina, Armênia, Chile, Peru... ou uma personalidade Mahatma Gandhi, Luis Herrera... Fizemos a primeira parada no Estádio Nacional Centenário, onde só o José entrou para visitação.
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| Parque Rodo. |
Na sequência paramos em outro ponto de encontro do povo local, o
Parque Rodo, que fica em frente à Playa Ramirez. Mais um lugar impossível de não parar para fazer nada além de sentar na grama ou em um dos seus bancos, tomar um mate e simplesmente curtir o dia. Era um sábado e o parque estava repleto de pessoas, tanto no parque de diversão, como nas áreas de esportes, bares e cafés ali instalados. Espalhamos nossa manta no gramado, em frente ao Rio da Prata e ali tomamos nosso chimarrão, assistindo mais um espetáculo magnífico do sol se pondo na imensidão de água a nossa frente.
Nosso projeto era dormir no próprio parque, mas depois de estacionarmos atrás do
Cassino Municipal e conversarmos com os funcionários dele, desistimos da ideia. Ficamos com a sensação que não seria tão seguro, pois nos alertaram que há muitas pessoas circulando no parque durante a noite. Aí foi uma correria para encontrar outro local antes de anoitecer. A dica que fomos conferir foi o Estacionamento do
Farol Punta Carretas. Chegando lá encontramos um local deserto, sem iluminação e, talvez por já ter anoitecido, não tínhamos boa visão do local e também ali não nos sentimos seguros.
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| Rambla em Montevidéu. |
Seguimos em frente pela Rambla Presidente Willson, paramos em um posto de gasolina e um policial nos indicou ir até o estacionamento do
Museu Naval. Lá fomos nós, à noite, sem ter endereço ou localização exata e de repente saímos da Rambla, por instinto, e quando vimos estávamos em frente ao local indicado. Mais uma vez tivemos certeza que nossos anjinhos nos guiaram.
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| Palácio Legislativo. |
Para pernoitar no local precisa-se da autorização da diretoria; como era final de semana e noite, obviamente não tivemos como entrar. Sem problema, falamos com os guardas da guarita do Iate Club que nos autorizaram a dormir em frente à mesma. Os funcionários foram muito atenciosos e pelo que entendemos o estacionamento é usado pelos sócios do
Iate Club. A rua é tranquila, apesar de bem estreita, e o pernoite, depois do sufoco, foi bem bom.
Pela manhã que vimos como estávamos em um local bonito. Fica na "ponta" de uma enseada, próximo a playa de Pocitos, onde tem um píer com embarcações e área de pesca. Cedo já começa o movimento do pessoal fazendo caminhadas, pescando, usando a estrutura de esporte do Clube.
Neste dia escolhemos fazer um
City Tour pela cidade, com aqueles charmosos ônibus de turismo de dois andares abertos. Não é muito nosso estilo, mas queríamos aproveitar para conhecer a cidade com um roteiro e informações mais orientadas. Apesar do som dos fones de ouvido estar ruim foi uma boa escolha para ter uma noção panorâmica da capital. Os Tickets são comprados em vários pontos da cidade, nós compramos e saímos no Shopping. O custo é de R$ 150,00, por pessoa, e o legal é que dá para descer conhecer uma área e depois retomar o roteiro em qualquer parada.
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| Em torno do Mercado do Porto |
Optamos em fazer uma parada do tour no
Mercado do Porto, lugar obrigatório para se curtir em Montevidéu, especialmente para degustar as comidas locais. São vários restaurantes que disputam na abordagem e no visual os turistas que se amontoam nos corredores. As famosas parrillas são as grandes estrelas da maioria dos restaurantes. Nós dedicimos provar, e depois comprar, a bebida típica daqui chamada
medio y medio, feito de champanhe e vinho branco. Ao sairmos do mercado descobrimos que na rua vendem muuuuito mais barato, fica a dica. O entorno do mercado do porto também vale ficar de boa curtindo. Neste dia, tinha bandas, teatro de rua, um clima festivo e gostoso. Ainda ao lado do mercado tem um centro de atendimento ao turista-CAT onde dá para pegar mapas e dicas da cidade. Ali nos deram a boa dica para a noite: ver e participar de uma noite de tango.
Retomamos o ônibus do Tour e passamos por um bairros que nos lembrou a Cidade Baixa de POA , muito arborizado e charmoso. Retornamos à parada inicial onde tínhamos deixado a Branquela e dali seguimos para o
Letreiro de Montevideo, na Rambla do Peru, Praya de Pocitos, mais um lugar de parada obrigatória para a foto clássica que marcaria a passagem pela cidade.
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| Letreiro da cidade. Em espanhol Montevideo. |
Feito a tradicional foto foi seguir para a Rambla Argentina para o final de tarde com mais um pôr do sol de encher os olhos e novamente agradecer por mais um dia abençoado. À noite seguindo a dica do atencioso funcionário do turismo, fomos conhecer a casa noturna
Jovem Tango, uma sociedade voltada para aulas e práticas de tangos e milongas. Os bailarinos nos deixaram encantados e até me arrisquei em um tango com um dos professores. Fica no centro da cidade, e na hora da saída haviam flanelinhas e jovens pedindo dinheiro, ficamos um pouco assustados, mas foi tudo bem.
Dali voltamos para a frente do Iate Club e nesta noite dormimos dentro do estacionamento do clube. Pela manhã tivemos uma surpresa desagradável. A bateria tínha descarregado e tínhamos combinado com o guarda de sair cedo, antes dos sócios chegarem para usar o estacionamento. Foi uma correria até conseguir uma tomada para conectar na energia e carregar o suficiente para dar partida, mas deu tudo certo, e somos agradecidos pela ajuda de nossos hermanos.
O dia seguinte, antes de fazer turismo tivemos que priorizar resolver o problema da bateria. Saímos a procura de uma oficina e, sem indicação, paramos em uma próxima da rodovia. Testaram e disseram estar pifada, mas não tinham a pronta entrega a que queríamos. Resolvemos procurar a revenda das baterias Moura, pelo Google, o que nos levou ao centro da cidade. Lá nos informaram que não tem venda direta e nos indicaram um posto de gasolina próximo que vendia, lá fomos nós.
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| Nosso novo amigo- Martin. |
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| Mercado Agrícula. Montevidéu. |
O responsável pelo posto, Martin, foi ver o problema, fez uns testes, mexeu nos cabos e veio a surpresa. Não estava pifada e sim com problema de contato nos cabos. Economizamos não comprando a bateria e ganhamos um amigo. Problema resolvido, fomos almoçar com Martin, que nos levou no próprio carro, até o
Mercado Agrícola, para saborear uma farta e gostosa
Parrillada. O lugar é antigo, foi restaurado e ficou bem bonito, recomendo também como um bom local para compras, tanto de alimentos como de artesanato, a preços mais acessíveis.
Aproveitamos que estávamos perto e a Branquela bem estacionada no posto de gasolina e fomos caminhando conhecer o
Palácio Legislativo, outra atração da capital do Uruguai. O Palácio, uma das construções mais grandiosa e imponente de Montevidéu, é a sede da Câmara dos deputados e do senado. Tem visitação interna guiada (paga) que dizem ser interessante. Como já tinha iniciado quando chegamos, não foi possível fazer e vai ficar para a próxima viagem.
Dali pegamos a Branquela e fomos para uma das áreas mais visitadas e a mais antiga, a
Cidade Velha ou Ciudad Vieja, para eles. Lá se concentram vários pontos de visitação, a
Praça Independência;
A Puerta de La Ciudadela (antigo portal de acesso à cidade); O
Teatro Solis; O
Palácio Salvo; A
Catedral Metropolitana; O Palácio Municipal (sede do Governo) entre tantos outros atrativos. Dá para passar uma tarde só visitando estes pontos, entrando nos museus, sentando em uma das praças, tomando um delicioso café nos vários bares e cafés da região, caminhando pelas charmosas ruas só de pedestres, enfim, conhecendo a história e sentindo como é a vida urbana na capital do Uruguai. Depois passar a tarde nos deliciando, e também cansados de tanto caminhar por esta área histórica, fomos descansar. E mais uma vez escolhemos o lindo visual do Rio da La Plata, desta vez entre as Ramblas França e Argentina, onde estacionamos a Branquela e fizemos nosso chimarrão gaúcho, enquanto nos despedíamos do maravilhoso pôr do sol de Montevidéu.
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| Parque Del Prado. Montevidéu. |
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| Jardim Botânico. Montevidéu. |
Acordamos, mais uma vez no estacionamento do Iate Club, nos despedimos, agradecemos os funcionários da portaria do Clube e nos preparamos para partir. Antes de sair deste cantinho tão especial fizemos um delicioso café da manhã à beira dos molhes, vendo o pessoal colocar os barcos na água. Dali saímos para o último passeio antes de partir para o nosso próximo destino, Colonia de Sacramento. Fomos conhecer mais um dos vários parques de Montevideu, o
Parque Del Prado. Ele é o maior com seus 106 hectares, tem muita vegetação, incluindo o
Jardim Botânico que fica no seu interior. Um dos lugares mais visitados do parque é o
Rosedal, jardim de rosas, iniciado em 1910 com mudas trazidas da França e que hoje abriga mais de 300 exemplares da flor. Ainda no interior do parque é possível visitar o
Museu Blanes, Castilo Soneira, Monumento dos Últimos Charruas e a
Residência Presidencial. É um local para ir sem pressa, transitar por seu interior, se deliciar com a abundante vegetação, curtir as atrações que ocorrem por lá como feiras, exposições...
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| Chegada em Colônia Del Sacramento. |
Próximo do meio dia pegamos a estrada em direção a
Colônia de Sacramento, optamos por uma parada, na beira da Ruta 1, para fazer um almoço rápido, e logo seguimos direto até nosso destino.
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| Muralha- Colônia Del Sacramento. |
Chegamos à cidade ainda a tempo de fazer alguns passeios de reconhecimento antes do final da tarde. A cidade é pequena, tem 26 mil habitantes, e uma riquíssima história, inclusive, este território já foi brasileiro. Para entender melhor recomendo fazer a visita guiada, e logo ao chegar. Foi o que fizemos. Os guias locais saem com os grupos do Centro de Atendimento ao Turista, cobram 300 pesos, por pessoa, e o roteiro dura em torno de uma hora, caminhando pelos principais pontos históricos da cidade.
A cidade foi uma rota de entrada, nas várias invasões por disputas de território e, como era comum na época, contava com uma
muralha e um fosso que protegia a entrada. As ruínas desta fortificação é um dos pontos altos do turismo local. É possível andar pelas antigas muralhas e atravessar o
Portão de Armas, construído no Séc.XVIII pelos portugueses. Ali as marcas das invasões e dominações de espanhoís e portugueses estão entrelaçadas por toda a parte. A área era tão cobiçada que " Colônia" trocou de domínio muitas vezes.
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| Vista do farol a Branquela no estacionamento. |
Outro local imperdível é o farol. Ele fica na parte histórica, bem centralizado. Por um valor super acessível é possível subir no farol e obter uma privilegiada vista da cidade e do grandioso Rio da Prata.
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| Pôr do sol no Rio da Prata |
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| Pôr do Sol 2 |
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| casa colonial. Colonia De Sacramento. |
O Tour passa ainda na famosa
Calle de Los Suspiros, que corre paralela a muralha da
Praça Maior. Existe mais de uma versão para o nome, uma delas diz que era uma rua de prostituição, outra que era um local de castigo dos escravos. Ali é possível observar as influências e as características das tradições portuguesas e espanholas nas casas: As com paredes de pedras maciças e telhados de duas ou quatro águas (Portuguesas) e as de paredes de tijolo com teto plano (Espanholas); No formato das ruas: Com caimento para o centro (portuguesas) e com caimento para as laterais (espanholas); No tipo do calçamento, enfim, é a rica história exposta por todos os cantos da cidade.
Os prédios históricos e os museus são muitos. Recomendo não deixar de fora de uma visita o
museu dos azulejos antigos, com exemplares de vários países. Tem também muitas lojinhas de artesanatos que vendem lindas peças, principalmente em azulejo português.
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| Portão de Armas. Colonia Del Sacramento. |
Por este conjunto Colonia de Sacramento é considerada Patrimônio da Humanidade desde 1955 e vale muito ficar alguns dias, explorar toda esta riqueza histórica, curtir o charme do lugar e a boa gastronomia. Como referência Colônia nos lembrou a cidade de Paraty-RJ no Brasil
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| Acampamento a beira do Rio do Prata. |
Depois do tour foi hora de procurar lugar para dormir. Fomos em busca do local que tínhamos como indicação, seria uma área definida para CRVs pelo município. Chegando lá achamos o lugar muito abandonado, sem estrutura (área aberta), escuro, afastado. Falamos com um comerciante local que nos indicou ficar na Rambla, à beira do Rio da Prata, próximo a uma área com quiosques. Lá fomos nós. Não sabemos se havia restrição, mas ficamos duas noites ali, com banheiro público, chuveiro e tanque, sem problemas. Na primeira noite parou ao nosso lado outro MH, com um casal de Argentinos. Conversamos, trocamos contatos e combinamos de pernoitar lado a lado para maior segurança.
Como o local é próximo do centro e nosso carro é fácil para se locomover (motivo principal de nossa escolha por este modelo), depois de um final de tarde tomando chimarrão e assistindo o pôr do sol no Rio da Prata, a noite fomos novamente até o centro para conhecer a vida noturna. Andamos pelas ruas, tomamos uma cerveja Uruguaia e retornamos para o ponto de pernoite.
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| Cantinho pitoresco no centro histórico |
No dia seguinte fomos conhecer a
"Praça de Touros" uma ruína parcialmente preservada de um antigo complexo turístico, datado de 1908. No local ocorriam touradas, uma tradição da cultura espanhola que felizmente foi proibida. O local foi uma construção imponente e sua arquitetura vale uma visita.
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| Praça de Touros. Colonia Del sacramento |
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| Branquela na praça |
Na sequencia fomos conhecer o local de onde saem as embarcações para Buenos Aires, que fica a apenas 100 km de distância, e é visível na outra margem do rio. Existem mais de uma companhia que faz a travessia, sugiro pesquisar o preço, lá na hora, antes de comprar. Também sugiro pesquisar antes porque os preços não são fixos, mudam constantemente, conforme a procura. Dependendo do dia e da hora tem diferenças consideráveis. Neste dia estava muito barato, trinta por cento do valor médio que gira em torno de 1.300 por pessoa, sem o carro. O mais famoso,
Buquebus, estava um pouco mais caro.
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| Um brinde especial aos nossos hermanos. |
Estávamos vendo onde deixar a Branquela (iríamos para um hotel para sair mais barato) quando um senhor na fila nos alerta que terá um feriadão em Buenos Aires nos próximos dias e talvez tivéssemos problema para retornar. Fomos conferir e bah! por isso estava tão barato! não tinha passagem de volta para os dois próximos dias. Mais uma vez nosso anjinho vem nos socorrer através de uma pessoa desconhecida.
Abortamos o plano, não será desta vez que vamos rever a capital portenha, que tanto gosto.
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| Mais um presente no final do dia. |
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| Carros antigos decorando a cidade de Colonia. |
Voltamos para a cidade para almoçar, comemos no restaurante
SOS Tango, gostoso e com bom preço e de brinde bons tangos de fundo musical, recomendo. Depois fizemos mais uma caminhada pelas ruas do centro histórico, admirando os casarios históricos e uma outra peculiaridade uruguaia, os
carros antigos. Eles estão por toda parte, decorando bares e restaurantes, adaptados como cafés, ponto de foto para turistas e alguns ainda rodando. São uma charmosa atração de nosso pais vizinho.
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| Granja Colonia Arenas. Coleção lápis. |
Mesmo sem necessidade de apoio fomos conhecer a
Granja Colonia Arenas, do Sr. Emílio, onde tínhamos planejado deixar nossa Branquela enquanto estivéssemos na capital portenha. Ele é conhecido de muitos caravanistas por sua hospitalidade, sua peculiar coleção de lápis (está no guinness book), e os deliciosos produtos, produzidos e comercializados na granja. Não deixem de comprar a geleia de cebola, maravilhosa e os famosos queijos de colônia.
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| Nossos parceiros de acampamento" setentões aventureiros" |
Final da tarde retornamos para nosso ponto de pernoite. Foi novamente na Rambla e desta vez tivemos a companhia de um casal local. Ele, Felipe, 71 anos e ela, Elizabet, 70. Eles moram próximo e decidiram colocar um colchão na carroceria da camioneta e ir dormir a beira do rio para uma noite romântica. Lógico que me apaixonei pelo espírito aventureiro deles. Passamos horas batendo papo, cantando tangos, tomando vinho e nosso licor de folhas de figo. Na madrugada começou uma chuva com vento, e nossos amigos aventureiros desistiram da noite romântica e partiram. Espero que um dia reencontremo-nos.
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| Estância El Terruno. |

Pela manhã demos uma geral na casa rodante, arrumamos roupas, alimentos, nos despedimos do imponente Rio da Prata e partimos em direção a
Rivera. No caminho paramos em uma estância que é aberta ao público, chamada
El Terruno. O local é lindo, funciona para eventos e hospedagem. Nós só visitamos, mas seria interessante ficar um dia e cavalgar pelos pampas uruguaios.
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| Balneário Municipal Durazon; |
A próxima parada foi para fazer almoço e o local, encontrado por um acaso, não poderia ser melhor. Entre Trindade e Durazon, ao lado da rodovia, encontramos o
Balneário Municipal, com estrutura de banhos, chuveiros, quiosques bem arborizados e luz. Fica a beira de um rio e neste dia estava impecavelmente limpo e organizado, tinha equipes do município fazendo a manutenção. Fizemos uma gostosa macarronada, seguida de uma "siesta" para descanso.Parabenizamos os funcionários e partimos para a estrada novamente. Ainda antes de Rivera passamos por outro balneário público, com boa estrutura, onde paramos brevemente, só para fazer um chima e esticar as pernas.
O pernoite foi 40 km próximo a fronteira, em um posto de pesagem de cargas. O gerente gentilmente ofereceu para ficarmos em um local mais protegido, sem o tráfego dos caminhões. Apesar do barro (chovia muito) foi tranquilo.
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| Só na boléia. |
Chegamos à Rivera e fomos direto pesquisar preços, está tudo bem caro, devido alta do dólar. Mas mesmo assim deu para fazer boas compras de bebidas (Freixenet) para o final do ano, conaproli, vinhos, eletros e até roupa. À noite dormimos no estacionamento do
shopping melancia, que fica mais afastado, tem câmeras e vigilância 24h. Recomendo muito, falamos com o responsável da segurança e ele nos orientou onde ficar e avisou os guardas do nosso pernoite. Ainda de brinde dá para fazer compras até 22h e jantar no local.
Decidimos ficar em Rivera durante o dia seguinte para finalizar as compras, e no final da tarde com tudo pronto, partimos para o sul do BR. Paramos para dormir em um posto de gasolina a beira da rodovia, na cidade de
Teotônia-RS, já próximo a serra gaúcha. Ali José encontrou um lojista que ele atendia como representante comercial, antes de se aposentar. Ele nos apresentou o dono do posto que nos ofereceu luz, banheiros e indicou um local nos fundo para estacionarmos mais tranquilos.
É dia 26 de Março, saímos pela manhã e antes do meio dia chegamos na nossa segunda cidade sede,
Caxias do Sul. Dai partimos dia 31 de março, cedinho, para pararmos no Balneário Gaivotas para um almoço e matar saudades da minha mãe. A tarde seguimos para chegar em nossa querida Imbituba no final do dia às 20:45h. Mais uma vez
Obrigada Senhor!
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| IMBITUBA |

Dias de viagem: 31 dias ( Saída Imbituba 28/02/2017 chegada Imbituba 31 março 2017)
Km rodado: 4.420
Gastos:
-Combustível: R$ 1.393,58
-Alimentação: R$ 1.059,12
-Passeios: R$ 331,30
- Pedágios :R$ 144,05
- Camping: zero
- Carta Verde: R$ 146,00 ( 15 dias)
CUSTO VIAGEM: 2.928,05
- Gastos Extras de compras 3.807,84
Perrengues:
- Vazamento óleo de motor da Branquela em Punta Del´Leste
- Cabo da bateria em Montevidéu.
Colaboração: Professora Tânia Mara Brandalise.
Bônus:
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| Assim curtimos nossa praia. |
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| Cabo Polonio |
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| Montevidéo. |