quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Minas Gerais, Goiás, Bahia e Espírito Santo, que prazer estar na estrada! parte 1 MG e ES


Lá vamos nós novamente!

Minas Gerais, Goiás, Bahia e Espírito Santo, que prazer estar na estrada!
parte1

Para facilitar a leitura vamos dividir esta aventura em duas postagem. A primeira com o roteiro feito em Minas Gerais e Goiás, a segunda Bahia e Espírito Santo.
Destes quatro estados, eu já havia visitado MG e GO. Para o José e a filha Gabriela, nossa fiel parceira, são novas paisagem a serem descobertas.

A Branquela Viajante em Imbituba-SC
É dia 17/10/2016 e o ponto de partida: a linda Imbituba-SC, nosso porto seguro desde 2015. Logo que saímos, já temos que retornar para checar se está tudo bem, pois ocorreu um grande temporal na cidade e não conseguimos comunicação com o síndico do prédio em que moramos.Tudo certo por lá, hora de retornar para a estrada.

O segundo contratempo vem da mecânica da Branquela Viajante. Antes de Curitiba, na BR-101, pegamos um engarrafamento de duas horas na serra que nos obriga a subir em primeira. Resultado: as luzes do painel avisam de um aquecimento e não há acostamento. Por sorte, e habilidade do piloto José, conseguimos chegar ao topo e sair para um estacionamento para aguardar o resfriamento. Dali fomos até um posto de gasolina em Tijucas do Sul, antes de Curitiba, onde tomamos banho, fizemos um bom café na BV e dormimos.
Bah! Em um dia de estrada fizemos apenas 260 km e já passamos dois perrengues. Não iniciamos muito bem.
Como a BV não deu mais sinal de problema, seguimos viagem logo cedo. Em Registro-SP, decidimos mudar a rota e sair da BR-101 para seguir por uma estrada do interior entre Juquiá e Sorocaba. Caminho lindo, com bananeiras, palmito pupunha, rios e a serra de Paranapiacaba a 1700 m de altitude. Recomendo muito, mas alerto, por ser uma estrada com muitas curvas não se pode ter pressa. E aí ocorre mais um perrengue: A BV começa a apagar em movimento. Simplesmente, sem dar qualquer sinal, o motor apaga, ocorreu duas vezes com a Gabi dirigindo. Foi um susto e tanto, volta o José para a boleia.
Estufas de Holambra
A próxima parada não estava no roteiro, foi um brinde, é Holambra-SP, cidade das flores. Eu e a Gabi visitamos as plantações e estufas de flores e o moinho, réplica dos moinhos holandeses. Fomos com um guia a um custo de R$ 30,00 cada uma. O pernoite foi no clube e restaurante Ribeiro, dica da amiga Graça Soares, através do aplicativo Camping RVs, que é um apoio maravilhoso para motorhomeiros e campistas. Para quem está se preparando para colocar o pé na estrada sugiro visitar seu blog. Obrigada e abraços, amiga Gracita!
Saímos cedo, dia 19/10 em direção a MG. No caminho, mais duas vezes a BV dá pane e apaga geral, de repente e sem aviso. Com os nossos anjinhos sempre nos protegendo, conseguimos sair da pista sem maiores problemas, mas com muita tensão, chegamos em Cássia-MG. Agora é passar a balsa para Delfinópolis.
Já estamos na região da Serra da Canastra, nosso primeiro destino. Em Delfinópolis- MGsaímos à procura de um mecânico, mas o atendimento fica para o dia seguinte, pois estavam sem o scanner para avaliar. Decidimos ir até um camping fora da cidade para passar a noite, mas voltamos porque já estava escuro e as estradas são de chão, super estreitas, com passagens por "mata-burros". Mais uma vez nossos anjinhos nos protegem, porque ao entrarmos novamente na cidade a BV fica sem Freio. (não sei o que  aconteceria se isso tivesse ocorrido nas estradas de chão onde estávamos circulando). Mais um perrengue na lista. Ufa! Está desafiador.
Para a janta compramos saladas e verduras orgânicas direto do Sr. Sebastião, simpático morador local a R$4,00 a "sacola" com muuuuuito verde dentro, aí já começo a me apaixonar pela simpatia e gentileza do povo mineiro. O pernoite é no posto de gasolina do centro da cidade com direito a  tomada de luz, mas não seria tão tranquilo assim. José, por acidente, aciona a caixa de detritos da BV (para quem não conhece é  onde ficam armazenados todas as descargas do banheiro, diluídos em um desinfetante azul intenso-eca). Resultado: meia noite e nós lavando o piso do posto de gasolina.
No dia seguinte acordamos na porta da mecânica, mas nada de resolver, não encontram o defeito e o freio volta a funcionar por conta, está previsto, será uma viagem tensa


Uma das dez cachoeiras do Camping e Complexo do Claro-Delfinópolis - MG


Seguimos em busca do Complexo do Claro, local com camping, cachoeiras, trilhas. O acesso é difícil, mas vale a pena. Ao subir ao rio vamos descobrindo o complexo de  seis cachoeiras, todas lindas; a que mais gostei foi a do" tenebroso". O camping tem boa estrutura e preço razoável R$30,00 a diária por pessoa.
Lá conhecemos a Marcia e o Alexandre que decidiram fazer uma mudança radical de vida e moram em seu motor home já a alguns anos. Compram e vendem diversas mercadorias para se manter e relatam estar muito felizes, para nós foi inspirador. Neste dia também conhecemos e cozinhamos pupunha. O Zé fez na grelha com dicas de vizinhos de barraca. Nota 7.
Ainda em Delfinópolis MG, resolvemos ir para outro camping, conhecer um  novo complexo de cachoeiras, o Camping do Ezio. Mais uma boa surpresa, para quem tiver a coragem de se aventurar em estradas arriscadas. Seu Ezio é um mineirinho muito simpático, tocador de moda de viola, que mantém o local muito simples com jeito aconchegante. O banheiro tem uma curiosidade que não quero deixar de registrar, limpíssimo, com tapetinhos bordados  e um galho de árvore como cabideiro. É mais uma área repleta de cachoeiras (10 no total), em meio a trilha surge, a cada curva ou descampado, um poço de água límpida, formado por uma queda d'água. Quer um lugar para estar em paz  e integrado totalmente na natureza, vai lá. O preço também convida, R$ 20,00 a diária por pessoa.
peixinhos fazendo massagem em nós.
O próximo destino é São João Batista da Glória-MG , SJBG (havia uma indicações de caminho por estrada de chão bem mais curto e ruim, optamos por fazer uma volta e ir pelo asfalto, depois soubemos que  foi uma boa escolha, estrada quase intransitável). Acabamos só indo na Cachoeira Maria Augusta, linda, mas  distante e a estrada é muito perigosa. Deixamos a Branquela na sede da fazenda e fizemos uma caminhada de 40 minutos em estrada de terra, sol forte, sem sombra, uma subida forte, para chegar até a cachoeira. O cenário é a  recompensa e o banho, o grande presente. Desistimos de saborear o almoço com a típica comida mineira e retornamos com medo da estrada. Por não encontrarmos um bom local para pernoitar na cidade, (dormimos estacionados na praça mesmo), optamos por não explorar mais a cidade e rumamos em direção à Furnas MG.
Tínhamos  pesquisado para passar, ainda em SJBG,  no balneário Paraíso Perdido, no caminho para Capitólio MG. Mas lá chegando desistimos devido ao preço alto e uma boa dica de uma pousada, que dividimos agora com os leitores. Logo acima do Balneário Paraíso Perdido tem o Camping e Pousada pé da Serra, da Dna Maria, simples, comida caseira, com preço bem melhor e com acesso ao mesmo trajeto do Ribeirão quebra Anzol.
Ribeirão Quebra Anzol.


Ribeirão Quebra Anzol.Camping pé da Serra.

O que muda é  que de um local sobe a trilha e do outro desce. O lugar é maravilhoso. O trajeto leva em torno uma hora e meia rio abaixo, em um vale, passando por cachoeiras, poços, cânions, piscinas naturais, tudo com uma água totalmente límpida. É possível ver o fundo dos poços mais profundos. A paisagem é lindíssima e a sensação é mesmo de estar em u paraíso perdido.
Ultimo dos muitos poços do Ribeirão Quebra Anzol no Camping pé da Serra.

Ficamos três dias na região, sendo que pernoitamos também do camping do Sr. José, irmão de Dna Maria, na parte mais baixa do Ribeirão Quebra Anzol, com estrutura quase inexistente, totalmente rústico e bem barato. Lá seu Zé nos contou que todas aquelas terras eram do pai deles e que quando morreu foram divididas entre os irmãos. Ele também nos apresentou o pé e a fruta marolo, nosso primeiro contato com as várias frutas regionais que iríamos conhecer nesta viagem.

Estacionamento restaurante do Turvo.
Mirante lago de Furnas Capitólio MG
 Na chegada a Capitólio-MG, pela rodovia MG-50, tentamos conhecer  o local conhecido como pedreira, já próximo ao lago de  Furnas, mas a estrada simplesmente era intransitável, então voltamos do meio de caminho. Ainda nas margens da rodovia conhecemos as Corredeiras do Freixo e o Mirante do lago de Furnas. A vista do mirante merece mesmo ser o cartão postal da região. É deslumbrante.
O pernoite em Capitólio, com uma boa recepção e fornecimento de luz, foi no Balneário Municipal. Mais uma "prainha artificial" às margens do lago de Furnas (como as que tem no lago do mesmo nome no Estado do  PR). Recomendo, especialmente, para os motorhomeiros de passagem. É uma ótima opção para um pernoite.

Passeio de barco no lago de Furnas. Capitólio.MG

No dia seguinte fomos fazer o passeio de barco no lago de Furnas. Nossa guia foi a Silvani,  e o barco o "Cachoeira dos Canyos". Foi ótimo, fizemos o passeio só nós três e o piloto, com um valor bem razoável. O tempo estava nublado o que prejudicou um pouco o visual, sem sol  as águas não ficam tão transparentes e com aquela coloração azulada, linda. Passear de barco pelos desfiladeiros é para ficar para sempre na memória e tomar um o banho de cachoeira, sem sair do barco é demais. O lugar mais apreciado no percurso do barco é a  Lagoa Azul, neste dia, achei que estava  menos bonito que nas fotos. Ficou devendo.
No local onde saem os passeios, tem o restaurante do Turvo onde se come uma maravilhosa traira desossada e de sobremesa  não deixem de experimentar as balas embaladas na  palhas, simplesmente "dos deuses".
Uma volta pelas Escarpas do lago também é obrigatório para quem quer conhecer Capitólio. É um bairro as margens do lago de Furnas povoado de mansões que parecem disputar beleza e devem servir para inflar o ego dos donos.
Mergulho duplo em um das cachoeiras da trilha do Sol. Capitólio MG
Cachoeira do Grito na Trilha do Sol.
Poço Dourado na Trilha do Sol.Capitólio MG
Outra opção que recomendo é a "trilha do sol". Na chegada a recepção já é acolhedora, super agradável (cheio de redes para soneca), bonito, organizado, passam filminho sobre o local e região e tem guia para acompanhar. A trilha é toda com identificação das plantas, limpas, e as paradas lindas. Tem a cachoeira "no limite"; a "Cachoeira do Grito" que desce 94 degraus para acessar e uma cachoeira para se refrescar; e o "poço dourado" um dos lugares que mais me tocou na viagem. Parece pairar um ar de mistério e simplicidade que encanta, no riacho raso, transparente e  envolto em vegetação. As pessoas usam as pedras do fundo do riacho e sobrepondo-as fazem esculturas nos paredões por toda a margem. Diz a lenda que se não cair o que foi desejado se realiza. Pode ser só uma brincadeira, mas o resultado é um caminho encantador. Existe ainda a opção de pernoitar com o Motorhome no estacionamento.
No final da tarde fomos novamente para a estrada. Passamos por Piumhi e paramos para pernoite em Vargem bonita-MG, uma pequena cidadezinha de 7500 habitantes. Dormimos ao lado do posto de gasolina, super tranquilo. Pela manhã seguimos em direção a nosso próximo destino o Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas-MG.
Parque Nacional da Serra da Canastra-.MG

Portaria 1 da Serra da Canastra. 
No caminho para uma das cascatas mais famosa do parque a "Casca D'antas" paramos no Camping Crioula. Super recomendo, bonito, atendimento de primeira, ainda nos ajudaram a ver onde justificar o voto pois é dia do segundo turno das eleições.
Antes de entrar na parte baixa do parque, próximo à portaria 4, tem várias portarias no parque, é possível fazer uma boa refeição, tipicamente mineira, no restaurante Dois Irmãos a  R$ 30,00 por pessoa.Também é possível pernoitar com o MH no local, com o valor de R$ 30,00 a diária por pessoa.


Parte baixa da Casca D'antas. Serra da Canastra- MG

Hora de conhecer a famosa Cachoeira Casca D'antas! É possível ir de carro até o estacionamento da portaria. Da entrada até a cascata é uma caminhada de 30 minutos, por uma trilha leve, em meio de farta vegetação. A trilha é bonita, mas é a cascata que toma conta do cenário. É algo meio assustador seu tamanho e imponência, é para deixar claro a força e o quanto devemos respeitar a natureza.
O pernoite deste dia foi muito especial. Por indicação da proprietária do Camping Crioula subimos até o mirante do morro do carvão, uma subida bem íngreme, só para os fortes, mas a Branquela Viajante e seu fiel condutor, Zé, foram valentes. Do alto do morro se tem uma visão 360 graus da serra e lá, bem no topo, tem apenas um restaurante e uma capela. Dormimos ao lado do restaurante com a sensação de total liberdade sob um céu lindamente estrelado.  A experiência de ver o sol se pôr e nascer, no alto de um descampado, quase que isolados, foi muito especial.
Pela manhã ainda tivemos o prêmio de comprar pão de queijo quentinho, delicioso e super barato para o café da manhã, no Restaurante Mirante da Natureza.
parte alta da casca D'antas com o guia Elossandro.
Seguimos, pela manhã, para São Roque de Minas para conhecer a parte alta da Casca'Dantas. Antes, fizemos um tour nos produtores do famoso e delicioso  queijo canastra. Conhecemos o Sr.José Mario, um dos premiados no setor e de uma simplicidade cativante. Tem produtor que oferece degustação de queijo, com diferentes maturações, doce de leite, geleias maravilhosas. Aproveitamos para comprar de tudo um pouco. Outra dica de compra na região é o café, igualmente delicioso, pena que só descobrimos quanto já estávamos em casa ao abrir para usar.
À noite dormimos no estacionamento da Pousada Barcelos, de propriedade do Sr.Luis,  campista das antigas. Outra opção de pernoite, que acabamos não usando, é o estacionamento do Restaurante e Camping Surubim, com direito a uma comidinha deliciosa.
A parte alta do parque é de difícil acesso, então optamos por deixar a Branquela no estacionamento da pousada e ir com um guia em carro 4x4. Nosso guia foi o experiente Elossandro Coelho, do Caminhos da Canastra, em sua Land Rover Defender a um custo de R$ 100,00 por pessoa. O passeio dura o dia todo e a entrada se faz pela portaria 1 do parque e é preciso levar lanche e água, pois não tem comércio no trajeto.



Parque Nacional  da Serra da Canastra.Nascente do velho Chico
Rio São Fco.  nasce aqui.
Alto da cachoeira Casca D'Antas
A primeira parada é na nascente do velho chico (existe um processo que questiona e troca o local da nascente, segundo o guia é por interesses nos diamantes da região) onde há uma imagem de São Fco. Na sequência, fizemos uma parada no "curral de pedra", ruínas das antigas construções usadas como moradia provisória dos fazendeiros, enquanto o pasto se refazia. Em seguida rumamos para a parte alta da Casca'Dantas. Um local para se admirar a natureza, porque a altura e força das águas não permite muita aventura. O cenário é lindo e antes da queda tem o rio, onde tomamos um delicioso banho e fizemos nosso picnic. No retorno para a portaria paramos para admirar um lobo guará e um tamanduá bandeira, ao longe, além de pássaros e plantas típicas do cerrado.
Trilha na serra da Canastra.
  O pernoite foi no Camping Picareta (o nome é porque existe uma picareta encravada em um dos paredões provavelmente de povos mais antigos) onde também lavamos roupa e fizemos aquela faxina na Branquela. Depois de conhecer o rio e andar em trilhas na propriedade, chega a hora de partir rumo à capital do Estado, Belo Horizonte. O pernoite no caminho, mais uma vez tranquilo, foi em um posto de gasolina, desta vez em Pimhui. Ao chegarmos em BH fomos na hípica, que era uma referência para pernoite de motorhome e lá descobrimos que não permitem mais. Resolvemos então seguir direto para Ouro Preto-MG. No CCB, Ouro Preto mais uma decepção, tudo meio  abandonado. Chamamos, buzinamos, esperamos e nada. Seguimos então para a sede dos guias turísticos, onde, apesar de ficarmos estacionamos na rua, ao  lado da sede, tínhamos luz cedida e com ótimo mercado bem próximo. Nos sentimos prontamente acolhidos pelos guias.
O dia seguinte foi para um tour por Ouro Preto, parte de Branquela e parte a pé, pelas belas ladeiras de pedras irregulares, com seus lindos casarios. Visitamos as principais igrejas: Das Mercedes, Nossa Senhora do Rosário Branco, Santa Efigênia ou Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (não frequentavam a mesma igreja), Matriz Nossa Senhora do Pilar, Museu e Igreja São Francisco de Assis (onde Aleijadinho fez a fachada e altar mor e Ataídes, as pinturas). Também conhecemos a Ponte dos Suspiros, Museu da Inconfidência, Casa Vira Saia (dedo duro da época), Casa de Contos (casa da moeda da época) nela se visita o local que foi uma senzala, e a famosa feirinha de rua de peças de pedra sabão. Cansativo sim, mas impossível vir à Ouro Preto e não fazer esta maratona. É a  história viva nos convidando a olhar e refletir sobre nosso passado.
Ouro Preto-MG. Nós a Branquela e uma das tantas igrejas

No dia seguinte optamos por um passeio livre, conhecemos a mina a céu aberto, compramos panela e tábua de pizza de pedra sabão, comemos a boa comida mineira feita em fogão a lenha, curtimos a papeamos na Praça Tiradentes no centro histórico. O pernoite foi em um estacionamento próximo a sede dos guias, em frente ao mercado da cooperativa a R$ 30 reais, uma boa opção para não ficar na rua. Final da tarde decidimos que era a hora de partir para Mariana.
Chegamos em Mariana-MG no dia que se completava um ano do rompimento da barragem do Fundão, da mineradora Samarco. O rompimento  ocasionou várias mortes, além de uma das maiores tragédias ambientais do Brasil, marcando a vida das pessoas da região para sempre. O clima estava tenso, a população dividida, um grupo pedindo o retorno das atividades da Samarco (composto principalmente de comerciantes e pessoas ligadas ao turismo) e outro denunciando a descaso com os atingidos e as consequências ambientais. Ficamos na cidade, assistimos manifestações, conversamos com moradores, nos solidarizamos com os manifestantes reunidos no ginásio de esporte local.
Por indicação da guarda municipal de Mariana pernoitamos no estacionamento do centro de informações turísticas ao lado da central de  monitoramento  da guarda, inclusive com direito a tomada de luz. O café da manhã foi  onde fica a Igreja São Pedro dos Clérigos, exuberante e inacabada e com  uma visão geral da cidade.

Ouro Preto MG
Mina a Céu Aberto. Ouro Preto -MG

 Próxima parada será em Congonhas-MG para visitar uma das obras mais famosas  de Aleijadinho, Os Doze Profetas, esculpidas em tamanho natural em pedra-sabão. O conjunto de sua obra no Santuário Bom Jesus do Matosinho, inclui ainda imagens esculpidas em cedro que fazem parte da via sacra em frente ao santuário.Valeu a passagem pelo local, ali se encontra um dos mais ricos conjuntos arquitetônico do Brasil. De Congonhas seguimos rumo a Belo Horizonte-MG.
Pampulha-BH
Feira-BH
Em BH, aliás como em  quase todas as capitais e cidades grandes, é mais difícil um local seguro para pernoitar. Não há campings, a hípica não permite mais, então saímos à procura, conversando e seguindo dicas das pessoas. Acabamos dormindo no local mais inusitado da viagem. Dentro de um lava jato de um posto de gasolina no centro da cidade. Foi engraçado e ao final, deu tudo certo.
Museu de Arte da Pampulha. Belo Horizonte-MG
Em BH não dá para deixar de ir à famosa feira de rua que ocorre aos domingos. Reserve tempo e vá de calçado confortável porque tem muita variedade de artigos, estilos e preços. Compramos roupas, calçados, biju, decoração...amei. Já à famosa "moda mineira" de que tanto gostamos, não conseguimos  ter acesso. A venda é só para lojistas e olha que batemos perna tentando um local com venda direta ao consumidor.
O tour tradicional de BH também não poderia faltar: Complexo da Pampulha, incluindo Igreja da Pampulha, Museu de Niemeyer, Casa de Baile e Casa de JK, com direito a um bom chimarrão à beira da lagoa no final da tarde. Não recomendo dar a volta em toda a lagoa, o trajeto é muito longo.
O local do próximo pernoite foi outra novela porque bis de lava jato era demais. Tentamos estacionamento do aeroporto, mas não era 24h, então nos indicaram um próximo dali com funcionamento  24 h, com luz, banheiro, atenciosos a um preço de  R$ 35,00 a diária. Dali nos deslocamos a pé até mercado e padaria, e de uber até o centro, onde conhecemos o Mercado Público e compramos goiabada cascão e a famosa cachaça mineira. Hora de mudar de cidade e ao final da tarde, partimos em direção a Brumadinho-MG.
Instituto Inhotim-Arte ao ar livre-Brumadinho MG
Nosso pernoite foi no estacionamento da Pousada Nova Fazendinha, próximo ao Parque Inhotim, onde estamos programando passar o dia seguinte. Junto à pousada (que cedeu luz) tem um ótimo restaurante, lá saboreamos caldos deliciosos.
O Parque Inhotim, que fica na cidade de Brumadinho MG é lindo e diferente. O parque fica em  uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, que abriga um grande Museu de Arte Contemporânea a céu aberto e um Jardim Botânico. O paisagismo, as espécies raras de plantas  e os bancos de Hugo França formam um conjunto incrível. A área conta com 35 espaços fechados, galerias, cada um concebida por um artista e também obras incrustadas na paisagem, em vários ramos da arte. Sugiro entrar ao abrir o parque porque mesmo passando o dia vai faltar tempo de conhecer e principalmente curtir o local. A obra da artista Janet Cardiff, que apresenta sua arte através do som e o quiosque dos espelhos, junto com o conjunto paisagístico, foram meus preferidos. Para quem  passar por MG recomendo muito. Ah! Se o guia não falar sobre o curioso nome do parque não deixe de perguntar. Outra dica, fique tranquilo, o ingresso é acessível. O pernoite neste dia foi no estacionamento de outra  pousada, na saída de Brumadinho.
Brasília-DF vista da torre de TV
Itamaraty

Próxima parada, Brasília-DF, e no caminho, pela BR 040, uma surpresa nada agradável. Oito praças de pedágios, em um curto trecho,  sentimo-nos assaltados. Mas ao final fomos compensados com um belo  almoço às margens da Barragem Três Maria.
Em Brasília ficamos no estacionamento do André que recomendo muito. Próximo ao metrô, mercados, restaurantes, comércio em geral, oferece água e luz. Ele é uma pessoa muito gentil, super atenciosa, e o local bem seguro. Lá também  conhecemos o Mauricio, que deixa seu MH no estacionamento e foi muito atencioso com nós. (contato do André em Brasília para quem quiser pernoitar tel (61) 981711333).
Branquela estacionou no Palácio do Planalto.
Do estacionamento nos deslocamos de metrô para o centro político/administrativo de Brasília para fazer o tradicional giro pela Esplanada dos Ministérios, Biblioteca Nacional, Catedral, Congresso, Palácio do Planalto e Alvorada, Supremo Tribunal federal, Museu Nacional... Na volta para o estacionamento uma chuva "torrencial" alagou muitas ruas e nós tomamos um banho de chuva refrescante.
No dia seguinte mais visitações. Passeamos pelo Parque da Cidade, memorial JK e subimos na antena para ver Brasília do alto. Passamos pelo Palácio Buriti onde Temer estava residindo (não faltou nossa foto com o "Fora Temer" em frente ao Palácio, tomado a golpe por ele). No Lago Paranoá fizemos toda a volta na orla, de Branquela, e paramos em um dos paradouros para tomar um chima e curtir a natureza. Em meio a tanto concreto e cheiro de falcatruas, este local,  para nós, trás esperança que nosso pais pode ser diferente.

FORA TEMER em frente sua moradia temporária. Foi Golpe.
Agora é rumar para o aeroporto para buscar nosso novo companheiro de viagem, Henrique, o genro parceiro de todas as paradas. Pegamos Henrique e saímos em direção a Alto paraíso de Goias, é noite, trânsito congestionado, muita chuva e sem local para parar e comer. Foi tenso, mas enfim 2h da manhã e com muita chuva, chegamos em Alto Paraíso de Goias-GO, nosso ponto de apoio para conhecer a Chapada dos Veadeiros-GO.
 Portaria da Chapada dos Veadeiros- São Jorge-GO
Preparação para a trilha.
A recepção não foi das melhores.  A Pousada/Camping  Mirante do Sol, que reservamos pela internet não tinha espaço  de estacionamento suficiente para a Branquela, mesmo tendo fornecido os dados de tamanho previamente. Acabamos dormindo ali naquela noite devido ao horário, e no dia seguinte, após pagar noventa reais pelo pernoite fomos procurar outra opção. (fica a dica:cuidado com as combinações na internet. Neste camping só de barraca e, na verdade, é o pátio da casa deles).
Saímos pela manhã para nossos primeiros passeios. Fomos até às Cachoeiras de Almécegas I, II e III. Na primeira, começou a chover novamente. Zé, Gabi e Ike tomaram banho de cachoeira, mesmo com chuva, afinal estamos a 24h no local das cachoeiras e até agora só calor e pó. A última, que tem a tirolesa foi fechada antes de chegarmos nela devido à chuva, então, sem tirolesa. Nossa avaliação do lugar ficou prejudicada pelo clima, mas são belas cachoeiras, lugar indicado para passar o dia, pois paga um ingresso e se desloca entre elas.
Voltamos para Alto Paraíso para buscar um local para ficar, ainda sem almoço. Acabamos achando  um kitnet, com lugar para a Branquela ficar estacionada bem na porta, funcionando como nossa cozinha. Tudo certo quando se tem flexibilidade e bons companheiros. Almoço/janta às 18h feito na Branquela e uma boa noite de sono na "Suíte do toquinho." ( R$ 140,00 para os quatro, cama de casal, beliche, banheiro, pia. Ainda lavamos roupa e usamos seu tanque e varal).
Na manhã seguinte acordamos fomos direto  para a entrada do Parque da Chapada dos Veadeiros, localidade de São Jorge-GOChegamos às 10:30 h e não tinha mais ingresso  (o acesso é limitado então sugiro programar antes, o que não fizemos). Então partimos para o plano B, conhecer o Abismo e a janela.


Meditação na Chapada, ao som da canhoeira.
Trilha dos Canions
Parque da Chapada dos Veadeiros.




 Logo na saída da trilha que dá acesso aos dois locais, baixa novamente uma chuva forte. A trilha é bem longa e como ficamos muito molhados, desistimos. Voltamos para a Branquela tentar se secar um pouco. Nova adaptação de planos, agora é partir para conhecer o vale da lua.




Vale da Lua. Alto paraíso de Goias

Churras na Suite do Toquinho-  hahahahah

O lugar é muito lindo, único, parecem crateras lunares desenhadas nas rochas, com as águas do rio São Miguel, fazendo caminhos entre elas. Amei, quem estiver na região não deixem de conhecer.
Final da tarde voltamos para a "suíte do toquinho" (nova negociação de preço, baixou pra R$120), abrimos o toldo da Branquela e fizemos aquele churrasco, como todo gaúcho que se preze.

Almoço típico da comunidade Kalunga
No dia seguinte acordamos de madrugada, às 5h, confesso que  por um erro de cálculo, tomamos café e seguimos para o Município de Cavalcante-GO. O objetivo é conhecer o maior território quilombola do brasil, mais especificamente  a  comunidade de Engenho. O local é habitado pelo povo Kalunga,
descendentes de escravos que até o final do século passado viviam isolados. O complexo é todo administrado pelos Kalunga que  tem no turismo ecológico e na agricultura sustentável seu sustento.
Nossa guia, uma descendente de escravo fundadores do quilombola, acompanhou o grupo de oito pessoas pelas trilhas e cachoeiras do lugar. Fomos  nas cachoeiras da Capivara e Santa Bárbara, esta última, a mais famosa e bonita da região. As águas são cristalinas e as trilhas (em torno de 3 km, média dificuldade) são uma atração à parte para quem ama estar em contato com  a natureza.
O almoço foi no restaurante dentro da  comunidade quilombola com comida típica e produção própria. Feijão, arroz, mandioca, galinha e farofa. No suco que acompanhava o almoço conhecemos as primeiras frutas locais a mangaba e o araticum. Bommm.
Cachoeira da Capivara. Comunidade Quilombola. Cavalcante- GO
Trilha para a cachoeira Sta Bárbara.

Final da tarde retornamos para Alto Paraíso e aí foi hora de uma caminhada  pela pequena e charmosa cidade, entrar nas lojinhas cheias de peças alternativas, bonitas e também  um pouco caras. Mais um pernoite e janta no Toquinho, e com nova negociação, R$ 100,00.
Cachoeira da Carioca na Chapada dos Veadeiros.
O dia seguinte é destinado a conhecer o Parque Nacional da Chapadas dos Veadeiros, em São jorge a 36 km de Alto Paraíso, uma vila super charmosa, rústica, com um astral muito bom. O café da manhã foi estacionados na portaria do parque. Antes de iniciar as trilhas assistimos a um vídeo com bastante informações sobre o parque  (tem áreas de antigos garimpos), os atrativos, fauna, flora (basicamente cerrado) o que auxilia na escolha do que fazer- não é possível fazer todas as trilhas no mesmo dia-. São quatro opções de trilhas, inclui caminhadas leve, moderada e difícil. Tudo muito bem sinalizado, organizado, nota dez ao ICMBio

Optamos pela trilha dos Cânions, de dificuldade "moderado superior", com duração média de 5 h de caminhada.Valeu muito a escolha. A Cachoeira da Carioca se divide em duas quedas, é linda e permite um banho refrescante. Tem um local onde se atravessa o rio por pedras gigantescas, acompanhado de um forte barulho das corredeiras que avisam sobre o perigo, especialmente se chover, a travessia é para os mais destemidos, como nós. Na sequencia fomos até os  cânions  que formam verdadeiros paredões esculpidos pela ação da natureza e por onde as águas fazem caminhos incríveis.  O lugar ao mesmo tempo passa uma sensação de força e serenidade.

família reunida  curtindo a natureza.
Na volta para a portaria uma chuvinha refrescante e pequenos animais desconhecidos para nós, como uma pequena  rã colorida, que emitia uma espécie de canto. E para finalizar Henrique caiu após dar com a cabeça em um galho de árvore, sem maiores consequências, além de boas risadas.
Na GO 239, que liga São Jorge  a Alto Paraíso mais duas paradas. Uma para almoçar no Rancho do Valdomiro e provar uma comida típica da Chapada dos Veadeiros, chamada matula, comida a base de feijão e vários tipos de carnes, era a marmita levada pelos  tropeiros que desbravaram a região. Boa pedida. A outra no Jardim de Maytrea, um lugar intrigante. Tem uma beleza diferente porque a beleza  não parece  estar na paisagem em si,  mas em como ela  toca a sensibilidade de quem tem olhos de ver. Eu só gostaria de ter apreciado o pôr do sol neste mágico cenário. Dali também se vê o Morro da Baleia, outra atração nesta paisagem.


Jardim de Maytrea. Alto Paraíso de Goias- GO
À noite decidimos mudar de endereço e pernoitar no Camping Cristal, onde tem um complexo de oito cachoeiras. A principal é a cristal. O local é bem bonito, com redes, mirantes, espreguiçadeiras, bar e uma bela trilha entre as cachoeiras. Acordei às 6 h para ver o nascer do sol no cerrado e foi lindo. Depois dos banhos de cachoeiras e um bom descanso nas redes e almofadas foi hora de fazer o almoço, preparar a branquela e partir rumo à Brasília.
Lago Paranoá, Brasília-DF
Chegamos em Brasília-DF e tivemos tempo de tomar um chimarrão no Lago Paranoá, antes de levar nossos companheiros, Henrique e Gabriela, até o aeroporto, para pegar o voo para Florianópolis- SC. Eles partem,  afinal os aposentados somos nós, eles têm uma vida de compromissos para dar conta.Valeuuu a parceria, amados.
Dormimos mais uma vez no estacionamento do André e de lá, com suas preciosa dicas, mudamos nosso roteiro. Decidimos passar pela Bahia antes de ir ao Espírito Santo, nosso destino inicial. Como estávamos com problema na câmara de ré resolvemos passar na "feira dos importados" de Brasília. Que fria, uma muvuca, pessoas quase "atacando" nós para entrar nas pequenas "oficinas". Passamos medo e saímos o mais rápido possível, com a câmera de ré resolvido pela oficina, mais fora da muvuca.
São trinta dias de estrada até agora, é hora de continuar. BA e ES lá vamos nós. Para facilitar a leitura vamos dividir a viagem em duas postagem, esta encerramos aqui,  não deixem de acompanhar a sequencia da nossa aventura na próxima.


Alguns dados da viagem:
Km: 5200
Dias: 17 de outubro a 16 de novembro
gastos:
           alimentação R$ 1.989,00
           combustível R$ 1.340,00
           passeios       R$ 1.,00244
           pernoites      R$ 1 175,00
           pedágio        R$    141,00
          Total:    R$ 5.647,00


Gratidão por tudo!


Agradecimento especial: Professora Tânia Mara Brandalise que de forma gentil e amorosa colaborou na revisão.




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