segunda-feira, 15 de julho de 2019

Parte 2 ... Bahia e Espírito Santo


 Parte 2 da viagem... Bahia e Espírito Santo.

Depois de deixar nossos companheiros de viagem, a filha Gabi e seu noivo Henrique no aeroporto de Brasília para o retornarem a SC, nós seguimos viagem. Afinal vida de aposentado é assim, sem data de retorno.



Bahia e Espírito santo


Partimos, agora sozinhos novamente, rumo à Bahia. Ao passar pelo município de Formosa-GO, vimos uma placa de um evento no Centro de Tradições Gaúchas-CTG da cidade. Como gaúchos lá fomos nós procurar possíveis conterrâneos. A recepção foi muito boa. Marco, o patrão do CTG, nos convidou a pernoitar ali, com direito à água, luz, banheiro com chuveiro, bar, lavagem de  roupa  e, de lambuja, à noite uma partida de bocha com as mulheres da comunidade. Foi realmente uma acolhida especial, e uma alegria ver as tradições gaúchas preservadas em terras distantes. Nosso muito obrigada.

Ainda em Formosa fomos conhecer o Parque Municipal do Itiquira.
 Muito bonito o lugar, com trilhas  para caminhada e locais de descanso em meio a uma belíssima vegetação e, no final  uma queda d'água de 168 m, o salto de Itiquira. Alguns pontos do rio, após o salto, é possível se banhar. Ganhamos semente de tamboril,  que segundo a pessoa que nos doou é usado pelos índios como remédio para articulações. O local tem ainda restaurantes, estacionamento, banheiros, tudo bem cuidado e administrado pela Prefeitura de Formosa. Parabéns aos gestores. 



Bolão em Formosa-


Rumamos depois para o Buraco das Araras. O local é uma dolina de colapso, na real uma grande cratera no meio do descampado, com uma grande  profundidade, destacandon-se  as  samambaias gigantes na vegetação. O local é  bem frequentado pelos amantes de rapel que descem os paredões e chegam até a gruta e o lago  subterrâneo. No dia que fomos a porteira de entrada estava aberta, sem pessoas na recepção ( é uma propriedade privada). Entramos, olhamos, saímos sem nenhuma companhia. Nos sentimos inseguros de entrar, sem nenhuma referência/autorização mas o sangue  aventureiro falou mais alto. As araras não vimos e pesquisando depois, descobrimos que não frequentam o local, apesar do nome buraco das araras. Mesmo assim vale conhecer. Dali rodamos  até um posto da rede siga bem, onde pernoitamos no meio de caminhoneiros.
Próxima parada, agora na Bahia, é no  Santuário de Bom  Jesus da Lapa, no município do mesmo nome, localizado no sertão baiano, às margens do rio São Francisco. O santuário é simplesmente lindo. Construído no interior de uma montanha de calcário, recortada por  grutas e galerias, onde os religiosos e romeiros foram erguendo  espaços de oração. Na gruta maior  fica a igreja,  mas são várias capelas e salões, todas espalhadas pelas galerias subterrâneas. É assim que  imagino  que seria  um templo de orações, conforme pregado por Jesus de Nazaré. Simples, lindamente integrado  à       natureza, repleto de pessoas, cada uma com suas crenças. Que contraste com as igrejas de Ouro Preto- MG, cheias de ouro e do sangue  dos escravos.

Santuário Bom  Jesus da Lapa

Saindo do santuário paramos para almoçar em um pequeno restaurante, às margens do Rio São Francisco. Neste trecho, barrento e cheio de dragas retirando areia, fico chateada em presenciar  a cena.
Agora é rumar para  Porto seguro. No trajeto pela  BR 430  até Caetité que atravessa o sertão da   Bahia, o cenário é triste: jegues mortos, corvos e lixo na beira do asfalto e o  povo, sentados em frente a bares, com o  semblante sofrido. Os cercados de "varas" com cabritos, cabras e cactos ao lado das casinhas de barro, com caixas d'água enterradas no solo, além de uma beleza singular, parecem ser o sinal de vida na região. O cenário muda completamente na sequência, na serra em direção ao litoral. A vegetação agora  é verde, abundante, com pastagens cheias de  gado, belas casas e sem  pessoas à vista.
Ainda na rota fizemos uma passagem rápida por Vitória da Conquista, conhecemos a praça Tancredo Neves ( bonita) e tivemos  sorte de estarmos em uma cidade maior porque a Branquela avisou problema com o óleo do motor. Completamos o óleo em um posto de gasolina e, bora  seguir viagem. Em Itagimirim -BA, fizemos a troca do óleo em uma oficina especializada, para maior segurança.
Camping mutary-Porto Seguro
Chegamos em Porto Seguro em 21/11/2017, antes do meio  dia. Fizemos um tour de Branquela  pela orla, até Santa Cruz de Cabrália, para um primeiro reconhecimento. Passamos em algumas opções de parada e decidimos pelo Camping Mutary Bech, na Praia Vermelha, ótimo preço, diária de  R$ 20,00 por pessoa, pé na areia, acesso fácil a outras praias e centro, tranquilo, recomendo muito.
No Camping conhecemos o  motorhomeiro Dirceu, que mapeia todos os locais onde passa e deu belas dicas de viagem, e um  pescador nativo de quem  José  se tornou parceiro de pesca por dois dias.
Porto Seguro-BA
Como não poderia deixar de ser, à noite fomos na passarela do descobrimento, onde estacionamos a Branquela e tomamos aquele chimarrão gaudério. Depois foi comer tapioca baiana e passear pela passarela lotada de turistas.
No dia seguinte, depois de uma noite mal dormida, às 4:30 h fui ver o sol nascer à beira mar. (Um Camping beira mar proporciona esta maravilha) e foi um espetáculo para ficar para sempre na lembrança, era só eu, o mar e o sol no pedaço. A tarde foi para recuperar o sono, dar uma volta na feirinha próxima  e depois conhecer a famosa barraca  TOA TOA, na praia de Taperapuan.
Sta Cruz de Cabrália. Parque Coroa Alta
A próxima saída do camping foi no dia seguinte para conhecer Santa Cruz de Cabrália.  O Município fica a 23 km de Porto Seguro, e foi um  dos locais do desembarque dos portugueses em 1500. Um dos pontos turístico é a cruz fixada onde foi rezada a primeira missa do Brasil. Do mirante da Coroa Vermelha se tem uma vista ampla e privilegiada do lugar e se pode  visitar a Igreja da Nossa Senhora da Conceição, do Séc. XVIII, a Casa de Câmara e Cadeia e ruínas de um colégio jesuíta.
Uma bela opção de passeio por aqui é pegar uma das muitas escunas  e navegar pelo Parque Marinho da Coroa Alta, descer em alto mar em um banco de  resíduos de corais, nos manguezais de Rio João do Tiba, desembarcar na ilha do Sol (ilha dos doces e do banho de lama) e na ilha Santo André para um delicioso almoço de frutos do mar. Valor médio do passeio R$ 100,00 e duração em torno de 8h. Uma curiosidade: O barco inflável que  leva em torno de 10  pessoas da escuna até os recifes e ilha é literalmente "puxado", a nado, pelo marinheiro Júlio. Um verdadeiro monstro do mar, apesar dos seus  cabelos brancos. Final da tarde retornamos para o Camping Mutary para mais um pernoite. Ainda em Porto Seguro,  escolhemos fazer um passeio até a Reserva Indígena Jaqueira.  Infelizmente chegamos depois do horário de visita  e só foi possivel dar uma volta pela aldeia, sem participar das atividades abertas aos turistas.
Arraial D'Ajuda
Arraial D'Ajuda
Passeio de barco
cervejinha vai bem.
O dia seguinte foi para conhecer Arraial  D'Ajuda. De Porto seguro se atravessa de balsa ( R$18,40 por carro). Estacionamos próximo da Praia de Mucugê e caminhamos pela beira mar, tomamos cerveja em uma das barracas e batemos papo com pessoal do lugar. Como as ruas são bem estreitas foi difícil ficar circulando com a Branquela, então nossa experiência foi breve e não muito positiva


Camping mundai.Porto Seguro BA
Decidimos retornar para Porto Seguro no final da tarde e ficar no Hotel Mundai Praia Camping , na praia de Mundai, um dos queridinhos dos motorhomeros. Realmente o camping tem uma estrutura e localização ótima, é  bonito e tem preço razoável R$ 30,00 por pessoa a diária. Nós temos perfil mais para o camping Mutary por sua simplicidade e ser literalmente à beira mar, verdadeiro pé na areia, questão de gosto pessoal. Durante o dia caminhamos na orla e paramos para  almoçar na famosa barraca Toa Toa (totalmente voltada para o turistas, com aqueles tradicionais show de humor e animação, o que alias  não nos agrada muito) para entrar no clima baiano. À noite, não menos tradicional, foi nosso segundo  passeio pela passarela do álcool, com a Branquela estacionada no meio da muvuca.
Camping Mundai. Porto Seguro -BA




Trancoso -BA

Trancoso
Hora de mudar de endereço novamente e então partimos para Trancoso, distrito de Porto Seguro. Depois de rodar pela praia dos nativos e  centrinho, falar com policial e nativos sobre a segurança de dormir nos estacionamentos à beira mar, optamos por pernoitar em um estacionamento privado, quase  junto ao charmoso Quadrado ( R$ 25,00 o pernoite, com um banheiro, luz e água). Em Trancoso, no rio dos Frades, segundo os historiadores, seria  o local onde Pedro Álvares Cabral teria desembarcado em 22 de Abril de 1500.
Quadrado- Trancoso
Pé de jaca-Bahia
O quadrado, que na verdade é a Praça São João, é um local para ir à noite. Ficamos apaixonados pelo clima criado no local. Ele  é iluminado unicamente pelas luzes dos bares, restaurantes, pousadas e lojas de artesanatos ali instalados nas antigas casinhas do centro histórico. As luzes, que se estendem  pelas árvores da praça, e são um convite para uma parada, dão um toque super romântico. Durante o dia, da igrejinha histórica do quadrado, tem-se uma visão panorâmica da praia, recomendo não deixar de visitar e fazer belas fotos.
Praia do Espelho -Trancoso
Igrejinha colonial Tracoso

No dia seguinte bem cedo fomos até à beira mar para conhecer a praia dos coqueiros. Fizemos café da manhã no estacionamento dos nativos, onde deixamos a Branquela e saímos a caminhar. Caminhamos até Coqueiros e veio uma chuva nos acompanhar. Ao procurar abrigo da chuva tivemos a sorte de entrar no Café de La Music de Trancoso. Começamos a conversar com o segurança da famosa rede internacional e... bah! mais um amigo para a coleção. Resumo do dia, pernoitamos no estacionamento do lindíssimo local, com um jantar especial feito para três, regado a muito papo e cerveja. Obrigadaaaa amigo .( Acho que só foi assim porque não era temporada, estava tudo muito deserto por lá).
 Ainda em trancoso outra dica para quem está viajando de MH é passar na pousada  do francês, ele nos ofereceu para estacionar em frente a pousada com luz e água,  uma simpatia, ( não ficamos porque já tínhamos combinado lá no Café de La Music) e também  para não circular após a chuva, pois as ruas ficas com barro e muito  lisas.Tivemos que fazer desvios fugindo de locais que não passaríamos com a van.
Estacionamento seu Santo.
Seguindo viajem, pela manhã, rumamos para a Praia do Espelho, também em Trancoso. No caminho paramos em uma região de aldeias indígenas e recebemos um grupo de crianças indígenas, da Tribo Pataxó,  como convidados na Branquela. Eles entraram, comeram, tiraram fotos, foi uma alegria só.
Praia do espelho
Foi complicado achar local para ficar na espelho . Não conseguimos chegar de carro na beira mar e os estacionamentos eram longes e caros. Anda, pergunta, procura como todo bom campista faz e, surge seu  Santo. É um estacionamento arborizado, com banheiros, luz, água, acesso à praia por uma escadaria, tudo negociado a R$20,00 o pernoite com  diária até dia o seguinte. Fizemos uma caminhada até a praia,  tomamos banho, andamos até as falésias e recifes, uma delícia, praia linda.
À noite, na branquela, jantamos um duque- do que sobrou ontem- e dormimos muito tranquilos, porque éramos nós e a casa/família do seu Santo no amplo e arborizado estacionamento.
Pela manhã saímos para mais um passeio na praia, tomamos um chima bem sentados nas varandas dos restaurantes fechados, nos sentindo em uma praia particular. Para nós, um paraíso.
Daí partimos em direção a Prado-BA, com uma passadinha rápida por Eunápolis para consertar o  farol  e o  retrovisor. Chegando em Prado demos uma volta pelo centro, conversamos com moradores que nos deram dicas de onde comer, pernoitar, contaram um pouco da história da cidade, tivemos uma bela impressão. Decidimos seguir pela
Prado -B
beira mar para explorar o  lugar. Mais umas informações e outros 70 km percorridos em

Prado- BA
Centro histórico Prado BA
estradas de chão e  fomos parar em Curumuxatiba, uma pequena e sossegada vila do Município de Prado. As referências eram de um local muito bonito, mas nós indicaríamos mais para quem quer o  quesito tranquilidade. Paramos ao lado da delegacia para esperar terminar uma reunião da comunidade e falar com os policiais, buscando com eles a indicação de local seguro para estacionar a branquela e dormir. Enquanto aguardávamos veio até nós se apresentar o morador e motorhomero Atílio, que travado um bom papo  nos convida para estacionar em seu pátio com luz e água a disposição. E mais uma vez bah! um novo parceiro de estrada. Ele e sua mulher Sandra são de uma gentileza admirável. Eles que nos dão a dica de ir conhecer a Praia de Japara Mirim que, segundo seus critérios, é mais bonita de Curumuxatiba. Como não conhecemos todas, não opinamos, mas realmente é  bem bonita e neste dia estava totalmente deserta o que nos deixou um pouco receosos de ficar muito tempo.
Voltando para Prado uma ponte estava em manutenção e tivemos que fazer uma super volta por outra estrada, também  de chão, caminho  mais longo, mas  em melhores condições. Acabou sendo mais um passeio, pois passamos próximo ao Monte Pascoal, aquele das aulas de história, lá do início da vida escolar, que aprendemos ter sido  o primeiro local avistado por Cabral.
Chegamos de volta em Prado antes do meio dia e fomos procurar o restaurante do Capitão onde tínhamos indicação, inclusive para pernoite, mas  ele está fechado com divulgação de venda. Fizemos almoço na Branquela,  ali mesmo, e depois fui caminhar pelo centrinho de Prado, conhecer o cais de onde saem os catamarãs, os restaurantes da beira do rio, os casarios históricos, tudo bem bonito.
De Prado rumamos para  Alcobaça com a intenção de dormir por lá, falamos com um morador que nos disse ser seguro dormir próximo ao cais, mas não nos sentimos seguros e  fomos até a Prefeitura em busca de informações. Ficamos 15 minutos na recepção  e ninguém aparece, então, partiuuu.
Casa do Adilson-Caravelas BA
Nosso próximo objetivo era conhecer o Parque Nacional Marinho de Abrolhos e isso nos leva ao Município de  Caravelas de onde saem atualmente as embarcações que fazem este passeio. Depois de passar em três agências descobrimos que é caro,  tem poucas opções de dias e horários, e  ainda  estavam sem previsão de saída no dia seguinte. Então optamos em ir até barra de caravelas, uma comunidade pequena, a 8 km da cidade, bem tranquila e  segura. Estacionamos a Branquela ao lado do restaurante Tio Belmiro, família super simpática e gentil. Nos convidaram para pernoitar ali ao lado, cederam luz e os banheiros externos.
Catamaram do Adilson
 No dia seguinte, saímos para conhecer a comunidade, fomos em direção à praia de Iemanjá, estrada de areia, mas aí começa a chover, ficamos com medo de atolar e optamos por voltamos para restaurante do Tio Belmiro para comer uma deliciosa muqueca e de sobremesa  doce de caju. Lá conhecemos Adilson, catarina, mas morador da comunidade há muitos anos e que construiu um catamarã. Usa o barco mais para navegar em  alto mar, em geral, com grupo de pessoas para pescar. Os pais dele, que moram em SC, também  têm motorhome e, na sua casa tem estrutura preparada para três equipamentos.
Farol de Sta Bárbara-Abrolhos
Adilson nos convida para ficar em sua casa e lá vamos nós, novos parceiros à vista. No dia seguinte pensamos em desistir do Arquipélago de  Abrolhos, chegamos a sair da cidade, mas decidimos voltar, afinal estávamos tão perto de um destino da nossa  lista de desejos.Voltamos para a casa do Adilson e fechamos com ele para nos levar no seu catamarã, foi carinho ( R$2.000,00) mas valeu muito. Antes de embarcar rumo ao arquipélago fizemos uma visita à sede do parque, onde se assiste a um filme educativo e dá para fazer uma trilha repleta de pitangas, uma delícia.
Saímos muito cedo, 5h da manhã, eu, José, Adilson e sua companheira, Rita, como apoio. Não deu para ver o sol nascer devido o céu estar nublado e logo começou uma leve chuva. José  e Rita ficaram  mariado na ida, eu de boa. Na travessia, José e Adilson colocaram carretilhas para fazer a  pesca em movimento e pegaram o peixe que virou nosso almoço, feito em uma churrasqueira, no barco, na chegada ao arquipélago. Ás 16h a marinha nos autoriza a desembarcar em uma  das cinco  ilhas do arquipélago, a Santa Bárbara, onde fica a sede da marinha, o farol,  a casa dos pesquisadores e a capela.
Ilha de Sta Bárbara.Arquipélago de Abrolhos

mar de Abrolhos. Sonho.
Mar de Abrolhos.
 Lá visitamos as instalações da marinha e subimos o farol junto com outro grupo de pesca esportiva e, do grupo de turistas, fui brindada com a honra de acender o farol. Experiência única e gratificante.
A noite foi emocionante. A sensação de dormir em alto mar (trinta e seis milhas náuticas ou aproximadamente 75 km, da costa de Caravelas) tendo unicamente a lua e as estrelas a iluminar a imensidão do mar foi demais, por isso resisti muito  a entrar para dormir no quarto. O catamarã era novo, muito confortável, top.
O amanhecer foi outro presente. Acordei  4:30 h e fui para o convés ver o sol nascer no mar, entre as ilhas, em meio aos atobás, fragatas e outros pássaros. Lindo, para ficar para sempre na lembrança. Depois  do café  no barco, às 7h , foi hora de se largar naquela água maravilhosamente azul. Usamos snokel e pé de pato para flutuar e observar o fundo do mar, ver passar os peixes e tartarugas  bem próximos.

Pôr do sol no Arquipélago de Abrolhos.
Como o tempo começou a ventar, Adilson decidiu sair mais cedo do Arquipélago em direção a costa e novamente pescando durante o trajeto. Passamos por altas ondas, gerando momentos de fortes emoções. Eu adorei, José ficou bem enjoado, está desculpado,  afinal foram  quatro horas navegando em mar agitado. Chegamos ao cais em torno das 16h e depois de chegar na Branquela tomar  um banho, fazer um soninho, à noites saímos para comer pizza com Adilson e sua turma.
Nascer do sol no Arquipélago de Abrolhos
Dia seguinte, agradecidos pela experiência vivida, nos arrumamos para pegar a estrada novamente. Nosso destino? O  Estado vizinho, Espírito Santo.
A primeira parada foi em Itaúnas, a capital do forró. Uma curiosidade  é que  o vilarejo já trocou de lugar devido o movimento das dunas,  dá para caminhar em trilhas, por onde ficavam as antigas casas. E foi o que mais gostamos, as dunas, então decidimos pernoitar estacionados na praça e sair pela manhã. Foi conhecer e seguir.

Itaúnas
Itaúnas
Passamos ainda pela lagoa de Juparanã, em Linhares-ES, onde tomamos banho  e fizemos almoço. Por indicação de um caminhoneiro não pernoitamos no lugar, só durante o dia dá para curtir o lugar, fica como  opção para uma parada diurna para descansar. A outra tentativa do dia foi a Barra do Ipiranga que não recomendo porque a estrada estava péssima, puro barro e areia, pensei que íamos ficar atolados.Voltamos até o distrito de Pontal do Ipiranga-Linhares e dormimos em um Camping a R$ 30,00 o pernoite, para  conhecer a região é uma opção de pernoite.
Sta Tereza

entre Itaúnas e Vitória ES
Saímos de Linhares em direção à Vitória, capital do ES, mas no caminho resolvemos mudar a rota e passar na região da serra. Fomos a Santa Tereza, a beija flor do Espírito Santo, título alusivo a seu filho ilustre, o cientista Augusto Ruschi, pesquisador da espécie.
Foi uma ótima escolha a nossa. A região é linda, montanhosa, de colonização italiana, onde se produz vinho e se come boa comida. Lembrou muito nossa serra gaúcha, nos sentimos em casa, com uma novidade, o vinho de jabuticaba, delicioso. Uma parada obrigatória é nos famosos biscoitos Claid's, dá para fazer degustação e ver a cozinha onde são  fabricados os biscoitos ( amei o de pimenta). Outro local para um relax em meio a natureza  é no espaço do beija flor, no Museu de Biologia, onde vc senta em charmosos bancos e fica rodeado de beija flor. Depois do descanso é hora de se despedir e ir para a estrada novamente.
Chegamos em Vitória-ES em torno de 15h e fomos procurar lugar para ficar. Nos dirigimos até a sede da  AABB que tínhamos indicação como ponto de pernoite. De início o guarda disse que não autorizam mais, pois mudou o presidente e a política da entidade. Depois de um bom papo conseguimos autorização do presidente para pernoitar. Cobraram R$ 30,00 por pessoa. O local tinha cinco motor home estacionados e, segundo o guarda, este é um dos motivos da mudança. Alguns destes carros foram  abandonados  já há muitos anos e os proprietários não os retiram, mesmo a entidade solicitando.
O primeiro dia em Vitória foi para conhecer o centro histórico. Deixamos a Branquela em um posto de gasolina (estacionar no centro é tarefa difícil) e fomos caminhando por várias ruas, escadarias, conhecendo o comércio,  o Parque Moscoso, até chegar ao Palácio Anchieta que é sede do Governo Estadual e aberto à visitação (parte).
Vitória-ES
Vitória-ES



Vila Velha-ES

O prédio do Palácio Anchieta já foi um  convento, igreja e colégio. Se destaca no centro histórico por sua beleza e importância. Entre 2004 e 2009 passou pela última das restaurações feitas e atualmente  conta com ala de exposições e eventos.Vale uma visita. Também visitamos o Convento São Francisco e a catedral metropolitana e o Teatro Carlos Gomes, todos próximos e parte integrantes do Centro histórico.
Para pernoitar decidimos não voltar para a AABB e sim ir até a uma outra indicação do aplicativo das amigas Graça/Luciana. Um estacionamento em Vila Velha. Foi ótima escolha, fica à beira mar na Praia da Costa, de frente para a pedra da sereia e do calçadão onde ocorre a feirinha à noite, além de  ficar perto de comércio, bares, restaurantes, mercado...O proprietário, Cristiano, vulgo índio, (contato tel 999321232) nos deu a chave assim ficamos à vontade para nos movimentar, sendo o único problema do lugar a falta de banheiro, portanto, só é bom  para quem tem autonomia nesta área. No estacionamento  conhecemos mais dois parceiros, o Cleber, gaúcho de Santa Maria que ficava lá de  papo com o José e o  Paulo, dono de um caminhão 4x4 transformado em motorhome, e que conhece vários países viajando de  veleiro, barco, camper e agora de MH.
vila velha

Vila velha

Vila Velha- ES Convento
Do estacionamento do Cristiano saímos com a Branquela para os passeios. Rodamos toda  a orla e fomos parando em algumas praias, todas muito bonitas. Já o Convento Nossa Senhora da Penha é imperdível, e de preferência para ficar lá no alto curtindo o lindo visual da cidade a seus pés e do entorno. Fica a uma altura de 154 metros, incrustado nas rochas e rodeado da Mata Atlântica. Seu interior é  rico e  a arquitetura colonial  singela e imponente, testemunha  séculos de história.
Ainda no estacionamento do Cristiano tiramos um turno para reparos na Branquela pois estragou a bomba d'água e o trinco da porta traseira. Foram  as habilidades de José, que conserta tudo, que nos salvou.
No próximo dia acordamos com chuva e aí optamos por ir de Branquela para Vitória. Fizemos um tour pelas praias com a ideia de finalizar na ilha das caieiras, famosa pela muqueca capixaba, servida nos restaurantes localizados na beira do rio. Mas não deu certo, o acesso próximo ao píer é por ruelas estreitas, com as  pessoas abordando os carros na rua, de moto,  sem local para estacionar, o que nos deixou inseguros de parar. Passamos direto, depois pesquisando e conversando penso que nos assustamos sem motivos, então,  ficamos devendo para uma próxima ida à Vitória.
pedra azul

É 10 de dezembro e está na hora de pegar a estrada novamente. Para fugir das cidades grandes seguimos para Domingos Martins a 45 km de Vitória e mais um trecho de serra no Espírito Santo. A paisagem na BR 242  é bem bonita, rota montanhosa, com restaurantes, pousadas com mirantes, casas em meio a plantações e  a cidadezinha  muito aconchegante. A colonização  foi de alemães e italianos e a cidade está marcada por estas influências europeias. (lembrou Nova Petrópolis- RS, na serra gaúcha).
 A principal atração da cidade é  a Pedra Azul, uma formação de granito com mais de 1800 MT de altitude, que muda de cor várias vezes durante o dia e, conforme muda o tempo, fica azul, verde,cinza...Está situada dentro do Parque Estadual da Pedra Azul e tem trilhas com piscinas naturais que dizem ser bem bonito fazer, nós não fomos porque já estava tarde.
Depois de conversar com moradores, extremamente gentis e acolhedores, decidimos dormir ao lado de uma pequena praça, chamada  praça da bica, bem próximo ao centrinho. A noite tinha uma festa na cidade, com banquinhas, palco ao ar livre, iluminação  natalina decorando o entorno, show de viola  e nós fomos prestigiar. Comemos a comida típica da festa o "pela égua", uma espécie de canjica, muuuuito quente, e deliciosos doces de frutas cristalizadas. A música e a dança correram soltas na festa e foi divertido participar. Ficar dormindo na praça foi tranquilo apesar da festa ser  próxima a ela e pela manhã depois de um bom café na Branquela  é hora de partir novamente.
Nossa próxima parada é novamente no litoral, agora em Guarapari. Vamos direto procurar o local que temos indicação de ficar, o Clube Setiba. Acertamos para pernoitar sem saber o valor porque o responsável não se encontra, mas no momento estáva tendo a festa de final de anos dos sócios e fomos convidados a participar. Esqueceram de nos avisar que a noite teria uma festa funk no clube e daí foi fechar a Branquela e ficar torcendo para nada dar errado e conseguirmos dormir. Tudo deu certo, apesar do barulho e movimento de carros dormimos bem, o problema foi a sujeira do local no dia seguinte. Impossível usar o banheiro até uma limpeza de parede ao chão, de lava jato.
O clube  fica  em uma enseada linda, de propriedade da marinha, cedida ao clube para uso dos sócios  há muitos anos. Apesar de estar mal conservado é uma opção para ficar localizado em área  bem central, mas achamos o  preço caro, nos cobraram R$ 80,00 o pernoite.
Guarapari -ES
Guarapari Adventistas

No dia seguinte fomos conhecer a orla e já em  busca de outra opção para pernoite. Fomos na Praia dos Namorados, das Virtudes, no Poço dos Jesuítas e, seguindo uma dica da dona do restaurante onde almoçamos, até a Unidade de Conservação  Parque Municipal Morro do Pescador. O lugar é bem cuidado, lindo, com trilhas que levam a cantinhos especiais, além de boa estrutura. Uma bela pedida.
Guarapari

Praia 1 das 3 praias.Guarapari - ES
Para opções de pernoite fomos  conhecer o CCB de Guarapari, o Camping Sol e Mar e por último  a colônia de férias  da igreja  adventista, na Praia do mesmo nome e onde ficamos. O lugar é para lazer e formação dos adeptos da igreja e conta com cabanas, refeitório, salão  de convivência, tudo cercado e à beira mar. Mas o local não é camping, para ficar só com autorização do pastor e com restrições ao uso de bebida, som , pet, biquíni, então, é válido  para um pernoite seguro mesmo. De manhã um cafezinho básico na Branquela e uma caminhada pela beira mar em frente à praia dos Adventistas. que é parte  das  três praias. A paisagem é linda com uma passarela por cima das pedras, contornando um condomínio de mansões e ladeada de enseadas. Na praia 1 conversamos com pescadores e os vimos retirar do mar enormes lagostas que quiseram nos vender, não deu certo, não somos do ramo (hahaha), também nos aconselharam a não pernoitar à beira mar ou caminhar sozinhos muito longe.

Camping Cação-Marataizes ES
À  tarde fomos conhecer o outro lado da cidade, a nova Guarapari. Região mais chique, organizada e também com lindas praias. Estacionamos a Branquela em uma enseada, fizemos  um gostoso café rodeados pelo mar de Guarapari. E foi a despedida porque daí seguimos para Marataízes. Chegamos na cidade e fomos  abastecer de comida nossa casa, para seguir para um camping. Passamos   no Camping do Siri, bem conhecido, boa estrutura, mas o preço pouco convidativo. Como iríamos passar apenas uma noite e  tínhamos uma indicação do Paulo, de Vila Velha, que logo após o Siri tinha uma outra opção seguimos adiante. Boa escolha,  logo chegamos no camping cação que neste dia estava vazio e meio abandonado no cuidado. Mas o proprietário, super gentil, justificou o estado devido à baixa temporada e melhorias em andamento, nos convidou para pernoitar e não cobraria, pois, o local não estava preparado para abrir ao público naqueles dias. O lugar é simples, pé na areia, barato. Ficamos e foi ótimo, fizemos churrasco, lavamos roupa, limpamos a casa, caminhamos na praia, tomamos banho de mar, tudo de bom. À noite aproveitamos para olhar o mapa do RJ para programar a nossa volta.
Na manhã seguinte partimos rumo ao sul. Passamos por Macaé, com suas plataformas de petróleo, pela RJ 106 que atravessa a cidade com sua muvuca  e sujeira na rua e aí foi seguir direto sem parada até a região de Cabo Frio. Tentamos pernoite no clube militar, onde tínhamos indicação, porém mas mais uma vez o valor pedido (R$ 113,00) nos fez desistir.
Pontal do Atalai-Arraial do cabo
Rumamos para Arraial do Cabo até o camping amendoeiras, telefone (22)999616330,  onde já ficamos em  outra viagem e recomendo para quem desejar ficar na região. O local é simples, mas tem toda estrutura básica e principalmente é de fácil acesso para as praias da região. O valor é razoável,  R$ 30,00 por pessoa a diária. No final da tarde fomos até Pontal do Atalaia para assistir  novamente um dos mais lindos  pôr do sol que já tínhamos visto. Como no dia tinha havido chuva e o calçamento ainda  estava molhado a subida foi bem difícil, com a  Branquela patinando muito. E o sol, encoberto pelas nuvens, nos frustrou o espetáculo esperado. O pôr do sol  ficou para uma próxima vez,  mas o visual já vale muito a subida. Se for a Arraial do cabo, este é um lugar, e mais especialmente  neste horário,  imperdível. Retornamos ao camping Amendoeiras, fizemos um café e fomos dormir, mas foi uma noite de chuva e vento que fazia a Branquela sacudir, agradecemos estar em um lugar bem seguro.
Saímos pela manhã e fomos pela beira mar até próximo a BR 101. Pegamos trecho de uma estrada péssima, com engarrafamento, muito tráfego, horrível. A parte boa foi passar por  São Pedro da Aldeia e conhecer, mesmo que só por fora, pois estava fechada, a casa da flor, um encanto.
Casa da Flor- São Pedro da Aldeia
 Como não queríamos passar por dentro da cidade do  Rio de Janeiro ( fizemos isso em 2016 e não queríamos repetir)  resolvemos contornar por Magé, pela BR 493, ótima estrada, nova, bem sinalizada, pouco movimento. Contornamos a cidade maravilhosa (que triste) retornando depois para a BR101 próximo a Itaguaí. Dai foi curtir as lindas paisagens até Paraty.
Chegando à Paraty tarde, mais de 17h, fomos pesquisar um lugar seguro para dormir já que seria só um pernoite. Na outra viagem ficamos no Camping portal de Paraty e é ótimo, mas agora, como é só uma passagem, decidimos ousar e dormimos na beira do cais, ao lado da igreja Nossa Senhora dos Remédios. Foi muito bom, dali caminhamos todo o centro histórico, comemos peixe ao molho de camarão em um dos tantos restaurantes charmosos e fomos para Branquela dormir tranquilos até o amanhecer. Acordamos cedo e em plena  beira do cais, fizemos café e, ainda de pijama, registramos com fotos este  momento único que só um motorhome poderia proporcionar. Amo e sou grata por ter feito esta opção na vida.

a Branquela Viajante no Cais do Porto em Paraty

Paraty-RJ
Abastecidos pegamos a estrada novamente, rumo a nossa casa. Optamos de ir pela BR 101 curtindo o lindo (não entendo como isso não é divulgado) litoral paulista. Antes de Santos, saímos da BR 101 para fazer a travessia de balsa entre Guarujá e Santos, foi tranquilo e aventureiro.

Branquela desfilando por Santos SP

Santos SP

Santos
Atravessamos a orla de Santos de Branquela e saímos em São Vicente, onde gostei muito da charmosa ponte pênsil, que passa um carro por vez. Na sequência retornamos para a BR 101 e depois para a BR 116 até Registro-SP, ali fizemos o nosso último pernoite da viagem em um posto de gasolina.
Na manhã de 17/12/2016, sessenta dias após nossa partida, estamos na estrada para fazer os km que nos separavam de nosso paraíso, Imbituba-SC, e de nossa família. Fizemos uma parada em Florianópolis para dar aquele abraço cheio de saudades na nossa filha e genro e no final da tarde estávamos em casa.
 Obrigada Senhor!

Praia da Vila. Imbituba-SC

Em casa,Graçias!















km percorridos: 5 060
Dias de viagem:  30 de 17 novembro a 17 dezembro
Gastos:
            Combustível:  R$ 1.430,00 + 240,00 troca óleo
            Alimentação:  R$ 1.675,00
            Passeios:         R$ 2.110,00( abrolhos barco)
            Pernoites;        R$    525,00
            Pedág/balsas;  R$    181,80
            TOTAL:          R$  5.811,80


 Créditos e agradecimento especial para a professora Tânia Mara Brandalise, que dedicou seu fim de semana para ler e revisar o texto. Bjssss querida.