quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Chapada das Mesas - Maranhão 2022.


 

 

Chapada das Mesas 2022.


Abrimos mais um parêntese em nossa viagem feita em 2022 pelas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, para destacar outro local especial - A Chapada Das Mesas. Quem acompanha nossas viagens e projetos sabe que temos a meta de conhecer todas as principais chapadas do Brasil. Agora cumprimos mais uma etapa do desafio. Já visitamos e relatamos no Blog sobre a Chapada dos Veadeiros - GO, Diamantina- BA e Guimarães - MT, agora chegou de fechar este ciclo com a Chapada das Mesas, localizada no Estado do Maranhão, divisa com o Tocantins. Sua área se estende entre os Municípios de Carolina, Riachão e Estreito.













Sua maior característica, que inclusive inspirou seu nome, vem do conjunto de platôs que lembram uma mesa de pedra. Uma das imagens mais difundidas desta chapada é o visual da sequência de platôs vista da estrada.

Chegamos na região vindo do Jalapão - TO, aliás aproveitamos para dar nossa primeira dica: os dois atrativos são muito próximos, uma boa pedida é aproveitar e fazer ambos na mesma viagem e assim economizar uma boa grana. No nosso caso, como estamos de Motorhome, temos liberdade de locomoção e tempo disponível e esta foi nossa opção.


A divisa entre os Estados do Tocantins e Maranhão, neste ponto, é o Rio Tocantins. De um lado a cidade de Filadélfia -TO e na outra margem a cidade de Carolina – MA. A ligação entre eles se dá por uma balsa que custa R$ 26,00 e funciona constantemente. E foi assim, pelo rio, que ingressamos no Maranhão, na cidade portal da chapada das mesas- Carolina.















Paramos na praça e fomos buscar informações. O CAT estava fechado o hotel que fica próximo não tinha folhetos ou alguém disposto a fazer divulgação dos atrativos. Tudo certo, vamos por conta mesmo.





 Com dicas de um motoboy iniciamos nosso tour indo conhecer as Cachoeiras Gêmeas, localizadas no Balneário Novo Banho. Fica a 37 km da cidade, em direção a Riachão e o acesso é por asfalto. Dica: Do asfalto tem dois acessos um de terra outro calçado. Há um outro balneário no lado oposto da margem do mesmo rio que “pareceu” ter mais estrutura, não fomos, ficamos no Novo Banho.

 Passamos o dia aproveitando as belas cachoeiras - são duas, uma ao lado da outra, bem iguais - daí o nome. Ainda tem outra área de água represada, que segundo a dona do lugar era um projeto de uma usina que foi desativada. José aproveitou todos os espaços, eu preferi as cachoeiras e o sol. No final da tarde quando os frequentadores saíram nós ficamos, tivemos autorização para pernoitar, foi um dia e uma noite muito leve.

Na manhã seguinte retornamos para Carolina para buscar um local indicado no aplicativo Viva Sobre Rodas como Camping, o Giro Eco Parque. O acesso é por estrada de terra, passa uma porteira, um Mata-burro (aplausos para quem souber o que é) - espécie de pontilhão de madeira vazada, enfim, chega em uma casa particular da dona do espaço. Estávamos quase desistindo quando apareceu Sra. Sueli em seu carro e nos acompanhou até o espaço alguns kms acima. O lugar estava deserto - mais para abandonado-, mas o visual é lindo. 

 Fica bem no alto, a frente, no horizonte, a serra e o Morro do Chapéu, quase um mirante particular. Falta no lugar arborização e como é longe da cidade é necessário levar alimentos.

Como nosso objetivo era descansar e organizar a casa foi perfeito. Lavamos roupa, limpamos a casa rodante, cozinhamos, dormimos, em total privacidade. Tínhamos luz, água, um banheiro, um quiosque e aquele visual lindo. Ah! tinha também um banho ecológico. O que? Assim nos apresentaram uma caixa d’água de mil litros colocada estrategicamente na borda do platô, em frente a posição onde o sol se põe, ali foi nosso ofurô da chapada. Nos contou Sueli que usam mais para locação de festa e que devido a pandemia ficou bastante tempo desativado. Valor de R$ 35,00 por pessoa a diária.


No dia seguinte decidimos rodar novamente, fomos para outra direção. Nosso ponto de parada foi o Camping Raiz, próximo ao asfalto que leva a vários atrativos. O Camping é bem arborizado - o que ajuda muito com o calor que faz na região – e tem um pequeno riozinho que passa dentro da propriedade. Para chegar nele tem uma trilha leve e deliciosa. Amei caminhar até ele e ficar lá, sentada nas pedras, aproveitando a sombra e a sensação refrescante da água.

 Tem estrutura com uma cozinha comunitária e banheiros, tudo simples, mas bem cuidado. A proprietária, Sônia, é uma simpatia e suas visitas na Branquela renderam bons papos. Valor R$ 20,00 por pessoa a diária.

Seguindo a dica da Sonia escolhemos o final da tarde para ir ao atrativo que fica perto do camping.  É a imperdível e considerada como o Portal da Chapada a “Pedra Furada“ uma formação, ou melhor, uma falha no paredão de arenito cujo seu formato - juram os guias e os locais – representa o mapa do Maranhão. Para acessar o mirante é preciso fazer caminhadas curtas, intercaladas com escadarias. Lá no alto além da vista maravilhosa da chapada está a Pedra Furada. Para acessar paga uma taxa de conservação de R$10,00 que vale a pena pagar. Voltamos para pernoitar no Camping Raiz. 


Pela manhã saímos cedinho do Camping raiz para o Santuário da Pedra Caída, queríamos aproveitar ao máximo pois é um dos lugares mais caro. Já aviso, não deixe de ir por isso, vale a pena. É um complexo com várias cachoeiras, trilhas, mirante tirolesa e até uma pirâmide de vidro para meditação ou simplesmente contemplação.




A Cachoeira Santuário me fascinou! E não foi a cachoeira em si, foi o caminho, depois de descer cerca de 800 M se anda entre os altos paredões, riacho, passarelas, ponte suspensa. Diz os descritivos que é uma das mais lindas do Brasil e eu concordo, tem um astral diferente. Lembrou o Cânion Sussuapara do Jalapão multiplicado por 10. Dali fomos para a Cachoeira da Caverna - também com seu encanto -, para chegar até ela é preciso atravessar um pequeno poço, nadando, passar dentro da caverna e ao fundo desce majestosa a abundante queda d’água. Da sede até os atrativos os visitantes são levados na carroceria de um caminhão rural. Para o atrativo tem um pagamento separado do ingresso que custa R$ 35,00.


Na volta para a sede fomos nos deliciar na gostosa comida do restaurante para repor as energias. À tarde, depois de um descanso a opção foi subir os 1.200 metros de trilhas suspensas- degraus e paradouros, até a pirâmide de vidro, inspirada na do Museu do Louvre.  Nesse desafio não contei com a parceria de José, meu acompanhante foi um dos guias do complexo, um jovem garoto, super parceiro e divertido. Foi beem difícil vencer a subida, depois de muitas paradas e risadas chegamos na pirâmide de vidro, que fica a 400 m de altitude. O visual lá do alto é amplo e muito bonito e a proposta de aproveitar o lugar para um momento de relaxamento e introspecção é interessante. Para a volta fomos menos radicais, pegamos o teleférico. O atrativo também tem valor a parte e custa R$ 40,00.


O complexo oferece hospedagem com opções de cabanas e hotel, no nosso caso a casa anda junto, então, cansados e felizes retornamos para o Camping Raiz na nossa Branquela Viajante. A noite cozinhamos pinhão e chamamos Sonia para experimentar esta típica comida do sul do Brasil e ganhamos farinha de mandioca tradicional da região e favas, tudo delicioso.
















Na manhã seguinte partimos para conhecer outra região da chapada, agora no Município de Riachão. Escolhemos ir ao Complexo Poço Azul Ecoturismo, outro complexo cheio de belezas naturais e bela estrutura. Chegamos à tarde e decidimos almoçar no ótimo restaurante do local e não ingressar neste dia na parte dos atrativos.

A área é aberta ao público e além do restaurante tem bar e muitos ambientes lindamente decorados para descanso. Ficamos no enorme estacionamento do complexo e aproveitei o wifi para colocar em dia as contas e contatos com familiares durante a a tarde. Mais tarde outro motorhome, era Dimas do RN, nos apresentamos, trocamos informações e indiquei ele para o grupo das Master. A noite novamente fomos usufruir da área comum, não tomando cervejas ou drinks e sim nosso companheiro chimarrão.

Acordamos já sentindo o “clima” turístico. O estacionamento cheio de carros e vans chegando para passar o dia no atrativo. O complexo tem várias cachoeiras, trilhas por passarelas, pequeno cânion, mirante. A cereja do bolo- merecidamente- é o poço azul mesmo. São uma sequência de pequenas cachoeiras que desemboca no poço cuja água realmente parece ser colorida de verde e azul. É possível nadar nele, fazer massagem nas cachoeiras ou simplesmente ficar comtemplando o belo conjunto. É possível olhar também pelo alto no mirante acima dele. A dica é estar lá ao meio-dia que é o horário que a incidência do sol é maior e ilumina totalmente o lugar.


Outra cachoeira bem bonita do complexo é a Santa Bárbara, tem 76 metros de queda d’água e uma ponte suspensa para chegar nela. Na sequência tem a gruta de Santa Bárbara encravada nos rochedos e que oferece belas fotos. No caminho tem ainda outras cachoeiras para uma parada estratégica, assim, dá para passar horas explorando e aproveitando todas as belezas. A noite fomos novamente aproveitar a bela estrutura da sede e jantar no restaurante, antes voltar para o estacionamento para dormir pela segunda noite ali.

                                                                                                                    O complexo fica a 130 km de Carolina e a 30 km de Riachão o acesso é parte por asfalto e 16 km de estrada de terra. Há outro atrativo Encanto Azul 6 km a frente, não fomos. O valor de ingresso no Complexo do Poço Azul é R$ 35,00 por pessoa e não pagamos nada para pernoitar no estacionamento.

Hora de partir! Agradecidos pela exuberante natureza, e a possibilidade de estar ali saímos da Chapada das Mesas em direção a cidade de Balsas para continuar nossa viagem pela região. Cumprimos mais uma etapa de nosso projeto “chapadas do Brasil”.

Obrigada por tanta beleza, que saibamos preservá-la.















terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Jalapão 2022. Uma aventura especial!



 

Jalapão 2022. Uma aventura especial!


Chegou a hora de conhecermos um dos atrativos mais visitado e inusitado, não só na região Norte, mas no Brasil - O Jalapão. E a fama é merecida, o lugar é cheio de lugares únicos, lindos e surpreendentes.  Te convido para viajar junto, através desta leitura. Prepare-se para a aventura!

A região do Jalapão fica no leste do estado do Tocantins, limites com os estados da Bahia, Piauí e Maranhão, ou seja, no coração do Brasil. Seu bioma é o cerrado, sua área é de quase 40 mil km ² e engloba 10 municípios. Já o Parque Estadual do Jalapão é uma Unidade Nacional de Conservação com área de um pouco mais de 158 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Mateiros e São Felix do Tocantins .O acesso mais fácil, e o qual optamos, foi através da capital do Tocantins- Palmas. Lembrando que o Estado do Tocantis é o mais novo estado brasileiro. Foi criado na constituição de 1988, depois de várias tentativas anteriores frustradas.  Em 1989 foi instalado oficialmente e em 1990 foi transferida sua capital para a cidade projetada de Palmas. Sua capital foi totalmente planejada, suas enormes avenidas e conexões oferece uma mobilidade desejada por qualquer motorista, sendo a capital de estado mais espaçosa e organizada que já visitamos.


 
Chegamos em Palmas com nossa Branquela Viajante dia 18 julho de 2022. Depois de circular pelas largas avenidas da capital e pesquisar sobre um ponto de apoio na Praia do Prata, escolhemos retornar para a região central e ficar na praia do Rio Tocantins  mais famosa da cidade – a praia da Graciosa - Ótima escolha!

 Estacionamos o motorhome no estacionamento público, em vaga em frente a unidade dos bombeiros, achamos mais seguro assim. E foi tranquilo mesmo. Durante o dia o local é movimentado, principalmente pela movimentação constantes de barcos de passeios e particulares, a noite muda o público, o local se transforma em um lugar de encontro da população e de turistas.




Nossos parceiros nesta aventura será meu irmão Jorge e minha cunhada Simone, moradores de Caxias do sul-RS e que chegarão de avião dia 20, portanto, tivemos dois dias para explorar a cidade de Palmas antes de partir para o Jalapão.

Iniciamos nosso tour pela Praça dos Girassóis, projetada para abrigar a sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, portanto, o centro de decisões do jovem Estado do Tocantins. Uma curiosidade: é uma das maiores praças em extensão do mundo. Ali circulam conjuntamente as pessoas que detém o poder decisórios do estado, a população que toma a praça para seu lazer e religiosidade (fica na praça a igreja matriz da religião católica) e os turistas que podem conhecer bastante da história do estado através dos monumentos, das estátuas e dos lindíssimos painéis presentes na arquitetura do Palácio Araguaia, sede do Governo Estadual.

Destacamos dois monumentos entre os muitos espalhados pela praça:  o denominado “Súplica dos Pioneiros” que homenageia os primeiros moradores através da escultura de uma família em bronze; o “Memorial Coluna Orestes” obra de Niemeyer, que lembra a passagem da Coluna Prestes pela região.

Nosso almoço foi feito e saboreado na Branquela, em um cantinho discreto da enorme praça. Com total discrição pudemos passar horas apreciando, explorando e descansando naquele verdadeiro museu a céu aberto.



Dali seguimos para uma oficina para fazer troca de óleo e filtros da nossa Branquela Viajante, afinal manutenção é essencial para seguirmos viajando com mais segurança. Aproveitamos também para ir até a pousada onde iremos pernoitar na véspera da saída e deixar a Branquela estacionada enquanto estaremos no Jalapão. Tudo certo, combinações feitas fomos até a sede da agência que contratamos o pacote para conhecer, não atendem presencial, falamos por telefone e finalizamos as combinações. Tudo encaminhado voltamos pra a Praia da Graciosa para curtir mais um lindo pôr do sol e, tomar uma cervejinha gelada nos barzinhos, e pernoitar em frente aos bombeiros.

No dia seguinte aproveitamos para explorar um pouco mais a cidade. Desta vez fomos até o Parque Cesamar, outro lugar com muito verde, lago, capivaras,  passeios públicos e área de lazer. Passamos a manhã aproveitando o frescor do lugar - Palmas é muuuito quente. Mais uma vez fixemos almoço na nossa casa rodante, estacionados na sombra das árvores. O voo dos parceiros chegaria às 16h, no trajeto para buscá-los fomos passeando e apreciando as belezas urbanas.

Jorge e Simone chegaram na hora prevista, estávamos à espera. Fomos direto para a Pousada Morada do Lago, aonde vamos todos pernoitar. Deixamos as bagagens e fomos todos para a Praia da graciosa aproveitar o final de tarde, com um chimarrão no belo gramado da orla. Esticamos até a noite e saboreamos um delicioso jantar no Panela de Barro. Os bares e restaurantes dali são bem movimentados, alegres - com música ao vivo -, e com várias opções de cardápio. Boa pedida!

A saída para o Jalapão foi cedinho, às 7h:30 min. A empresa que contratamos foi a Agência 4x4 e o custo de nosso pacote foi R$ 5.600,00 por casal, para cinco dias. Está Incluso no pacote o carro 4x4, guia, deslocamentos, hospedagens, algumas refeições e os principais ingressos. Paga por fora alguns atrativos opcionais, tipo tirolesa, rapel, fotos especiais. Nosso simpático guia foi o Raimundo Nonato.

Saímos dia 21 julho/22 já fazendo paradas no caminho antes de chegar em Ponte Alta, considerada a porta de entrada para o parque. Conhecemos as cachoeiras Escorrega Macaco e Roncadeira, na última fizemos uma tirolesa que atravessa um vale bem bonito. Já começamos em velocidade acelerada! O almoço foi em uma vila onde se misturam turistas e moradores locais.

O primeiro pernoite foi no pequeno município de Ponte Alta que fica às margens do rio do mesmo nome. Ali assistimos a “gurizada” fazer fila para saltar da ponte e se banhar no rio, em uma algazarra típica de turma de amigos em uma cidade do interior. Meu irmão, Jorge, se arriscou e fez a travessia nadando junto com eles, contou com a curiosidade e as risadas dos meninos como apoio. Antes de terminar o dia Nonato nos levou até um Mirante, no Morro da Cachorra. Lá tem uma “casa na árvore” que dá uma bela visão da região. Lógico que não deixamos de escalar a árvore e se sentar lá no topo para assistir o belíssimo pôr do sol. Dalí fomos para a pousada jantar e descansar, tinha opção de um banho de piscina, mas não entramos, ficamos só de papo. Começamos bem!

O segundo dia começou cedo novamente. Depois de um gostoso café da manhã partimos com nosso guia, Nonato, para conhecer dois atrativos localizados no município: a pedra furada e a Lagoa do Japonês. O primeiro fica a 35 km da cidade em uma propriedade particular. No horário do pôr do sol é disputada pelas agências de turismo, tem até fila para foto que ficam lindas mesmo. É um enorme paredão natural no arenito, salpicada de alguns “furos” que formam um cenário bem interessante em meio ao cerrado. O acesso é por estrada de chão e depois uma leve caminhada. O segundo fica mais distante e se destaca pela transparência da água e o tom azulado, é bonita, mas nada de muito especial


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Na volta para Ponte Alta paramos novamente no mirante para mais uma vez encerrar o dia com uma bela imagem e agradecer as belezas do dia. Nesta segunda noite na cidade trocamos de pousada, segundo Nonato porque a pousada para onde mudamos estava sem vaga no dia anterior. Foi ótima troca a janta estava maravilhosa, o feijão tropeiro, acompanhado de couve e carne de sol estavam deliciosos. Depois de jantar fomos caminhar até o rio novamente e a tração da vez era foi uma festa de rua, com comidas regionais, muita cerveja, música de gosto duvidoso e o povo dançando o “piseiro” na rua.












Na manhã seguinte lá fomos nós novamente para as estreita estradas de chão batido, misturando terra e areia, quase trilhas mesmo. Nosso destino? Cânion Sussuapara - um dos lugares tops desta viagem. A gente caminha por dentro da água em um tipo de desfiladeiro, entre altos paredões de pedra. A luminosidade entra pelo alto e dá um brilho especial as gotículas de água e a vegetação que caem dos paredões. Ao final da trilha uma cachoeira encerra a caminhada. Foi lindamente refrescante!

Dali seguimos para o almoço em uma comunidade local. Foi no restaurante da Dona Minervina, com horta, frutas, galinhas, comida simples boa e papo simpático. Perto dali fica a Prainha do Rio Novo, bom para um banho refrescante. 



A próxima parada foi na árvore dos desejos, com a Serra do Espírito Santo e o Morro do Saca Trapo ao fundo, cenário lindo. Nosso pedido: Voltar aqui outras vezes. Neste lugar foram gravadas cenas da novela “Do outro lado do paraíso”, da Rede Globo. No local tem também o Bar da Josefa, neste dia, havia dois violeiros tocando viola de sucupira- Instrumento típico da região - e cantando músicas regionais, muito bom.










Para finalizar o dia em alto nível fomos assistir o pôr do sol nas “Dunas do Jalapão” um lugar especial, neste horário principalmente. Os raios de sol iluminam a areia e o pequeno riacho que passa ao lado, espalhando luz, proporcionando um conjunto lindo. Voltamos para a pousada com os olhos e o coração cheios de boas imagens e lembranças.





Agradecidos pelo belo dia retornamos para a pousada em Mateiros. Na chegada ainda deu para aproveitar um banho de piscina antes de sair para jantar em companhia do nosso guia, Nonato, um restaurante da vila, incluso no pacote.

E chegamos ao nosso quarto dia no Jalapão, hora de conhecer as cerejas deste bolo - Os famosos fervedouros. Durante o dia nos deliciamos nos Fervedouros do Ceiça, Buriti e Macaúba. Cada um deles está envolto em diferente tipo de vegetação – bananeiras, buritis-, também diferem nos formatos, tamanhos, temperatura e cor da água. O que é comum?  A beleza, a novidade, a peculiaridade e as muitas risadas que provocam conforme se descobre os efeitos da ressurgência da água no nosso corpo.  Foi muita diversão e boas gargalhadas durante todo o dia, com encenação de nados e coreografias, parecíamos quatro crianças com um brinquedo novo.






Destes três o mais visitado é o Buriti, o seu contorno é cheio de buritis, sua água tem tom de verde e a flutuação é tranquila. O Ceiça é o mais antigo, tem bananeira no entorno e muito visitado. O que mais gostamos foi o Macaúba que dá a sensação de choque nos pés conforme conseguimos levemente afundar na água. Ambos se acessam por vias transversais do TO-110 entre Mateiros e São Felix. São estradas de terra e areia sem sinalização, dizem os aventureiros de plantão que é de propósito para os turistas não se arriscar a ir sem as agências.

Nosso almoço foi na Cabana da Jane, em uma comunidade quilombola, com comida boa, lindas peças de artesanato em capim dourado e a companhia de uma arara rara que circula entre os turistas, chega a pousar no ombro dos mais chegados e tem até nome - Nina. Algum tempo depois de nossa viagem ficamos sabendo, pelo Nonato, que foi morta criminosamente. Tristeza!



Antes do dia finalizar ainda fomos em mais um atrativo, a Cachoeira da Formiga. Um lugar muito gostoso, com água cristalina e bom para nadar. Outro momento de diversão e relaxamento.


A diversão continuou a noite quando fomos presenteados com uma visita noturna ao Fervedouro Alecrim. E que presente! Só nós quatro - o que é uma raridade nestes atrativos – e com o tempo de permanência liberado. Na falta de palavras para descrever diria que as crianças, adolescentes, adultos e até os idosos que habitam em nós se manifestaram intensamente. 


Nosso guia Nonato foi muito especial nos proporcionando esta experiência e participando com suas filmagens e gargalhadas. O acesso noturno ao fervedouro é restrito a quem está hospedado na propriedade ou sortudos como nós que tem um guia com ótimas relações. É um dos poucos que tem um deck e escada alta que permite visual de cima. E o Céu? ah que céu! a lua e as estrelas iluminaram nossa alegria e encantamento. Finalizamos o intenso dia com um gostoso jantar na pousada em São Felix.









Acordamos cedinho na manhã seguinte para mais um dia de passeios pelo Jalapão antes de encerrar nossa aventura. Fomos conhecer e se deliciar em mais um fervedouro, desta vez o maior deles o Bela Vista. O nome traduz bem o visual, a água de cor esverdeada, o contorno de plantas e a sensação de flutuar neste “oásis” ´foi uma experiência maravilhosa.









Os fervedouros são fenômeno exclusivos do Jalapão? Tá aí uma bela polêmica! Tem informações contraditórias e não muito confiáveis, então, deixamos a pesquisa para os curiosos, nós vamos é curtir o momento. Certo é que são fenômenos naturais formadas por nascentes de rios subterrâneos que não tem espaço para vazão da água, assim exerce uma pressão e jorra do lençol freático para as piscinas naturais que se formam. Devido esta pressão não é possível mergulhar na água, mesmo forçando, sendo a flutuação e a massagem natural causada pelo movimento da água o grande barato.

Para finalizar nosso pacote com a agência 4x4 depois do Fervedouro Bela Vista fomos para o Rio das Araras. Almoçamos no restaurante da propriedade e passamos algumas horas deliciosas nadando, entrando nos “buracos” do lajeado - Formações naturais do rio que se assemelham a um ofurô - e fazendo massagem natural nas pequenas cachoeiras. Foi ótimo relax.







A caminho de Palmas mais uma parada para lindas fotos na formação natural chamada catedral. O nome é representativo - o conjunto de montanhas e o paredão de pedras visto de longe lembra muito a fachada de uma grande catedral mesmo.






 Chegamos em Palmas final da tarde, passamos na pousada para pegar a Branquela Viajante, e fomos os quatro acampar novamente na Praia da graciosa às margens do Rio Tocantins. Ainda deu tempo para um pic nic com chimarrão e pôr do sol. A noite jantamos em um restaurante da orla. Cansados fomos para um desafio:  dormir em quatro pessoas na Branquela em um espaço de 2x3 em um lugar muito quente, sem ar-condicionado. Nosso motorhome tem uma cama de casal, onde dormimos normalmente, e um espaço na sala/cozinha onde podemos montar uma cama auxiliar usando os bancos dos caronas. Foi ali que Jorge e Simone se apertaram para dormir. Confesso que pela manhã estavam bem prejudicados e na noite seguinte foram para um airbnb. Hahahha

E chega mais um dia na espaçosa capital do Tocantins, optamos em fazer um passeio de barco até a Ilha Canela no Rio Tocantins. É um passeio bem tradicional, os pequenos barcos fazem a travessia e combinam o horário para o retorno. Cobram R$ 100 a travessia. Lá foi um dia de preguiça, rede, sol, papo.  Comemos um peixe “caranha”, sugestão da casa, vem grelhado, inteiro, acompanhado de arroz e aipim. Estava uma delícia. Retornamos no barquinho a tarde e passamos mais um final de tarde na Praia da Graciosa. A noite levamos Simone e Jorge para um airbnb, uma segunda noite na Branquela não conseguiram encarar.


Pela manhã buscamos eles na hospedagem e já aproveitamos para fazer um tour pelas redondezas de carro, atravessamos a ponte Siqueira Campos, exploramos o outro lado da cidade. Com saudade da comidinha do sul o José preparou um caldo de aipim, na nossa branquela, para fecharmos nossa parceria de forma gostosa e afetiva. Depois de uma semana juntos nos despedimos dos nossos parceiros de aventura. Os levamos até o aeroporto para retornarem para o RS enquanto eu e José nos preparamos para seguir viagem na nossa Branquela Viajante, desbravando outros lugares, fazendo novos amigos, nos encantando com novos cenários.








Obrigada universo! Obrigada parceiros! Obrigada Jalapão!