quinta-feira, 5 de maio de 2022

2020 ano da pandemia. Nossa segunda tentativa de viajar.


 2020 ano da pandemia. Nossa segunda tentativa de viajar.


 Decididamente 2020 foi um ano muito diferente!

 A humanidade enfrentou várias pandemias nos últimos séculos: a peste bubônica, também conhecida como Peste Negra, que assolou o século XIV; as sete epidemias de cólera; a Gripe Espanhola nos anos de 1918 a 1920; a gripe suína ou H1N1 no século XXI, dentre outras. Porém, antes do corona as grandes pandemias e suas consequências representavam capítulos dos livros de história para a maioria da atual humanidade. Desta vez a vivenciamos! foi causada por um vírus novo, desconhecido, altamente contagioso, que se espalhou em velocidade alarmante por todo o planeta: o Coronavirus Sarc-cov-2, popularmente denominado covid - 19. 

Desde que retornamos da estrada em Março 2020, no início da pandemia, nos fixamos em nossa morada, em Imbituba-SC. Foram oito meses de reclusão, saíamos de casa somente para caminharmos na beira-mar, usando constantemente álcool em gel, máscara, muita água e sabão em tudo. Aprendemos a comprar tudo pela internet - inclusive mercado e farmácia. Utilizamos o nosso tempo para arrumarmos nosso apartamento, atualizarmos leituras e assistirmos muitos filmes e séries. O isolamento fora quebrado pouquíssimas vezes, exceções abertas para ver a nossa filha/genro e a minha mãe.


Visita da filha e genro, aproveitamos para um pic nic ao a livre. Lucas presente.

Decidimos sair de Imbituba-SC no dia 12 de Novembro de 2020, aproveitando o feriado de 15 de Novembro - nova data das eleições municipais. Não abrimos mão de exercer nosso direito ao voto, então passamos por Caxias do Sul-RS, onde votamos e possuímos laços fortes com a administração municipal: sou servidora deste município, ainda que aposentada.
 Seguimos viagem ainda no dia 12 de Novembro eu e José, depois de deixar em sua casa  nosso “filho emprestado” de Caxias do Sul, Lucas. Ele aproveitou as aulas remotas, devido à pandemia, e ficou um mês inteiro conosco em Imbituba. Foram 30 dias maravilhosos, um presente para ele e outro maior para nós: muito surf, bicicleta, banho de mar, trilhas, futebol, experiências gastronômicas - dentro das recomendações sanitárias.

Nosso filho emprestado, Lucas. Amo vc.

Passamos pelo Balneário Gaivotas - SC, para visitarmos minha mãe, que com seus 86 anos continua forte e disposta, porém chateada com as longas restrições de contatos e atividades. No dia 15 seguimos para Caxias do Sul, onde permanecemos quatro dias. Depois de votarmos, levarmos Lucas à sua família e fazermos uma revisão na nossa Branquela Viajante, estávamos prontos para pegar a estrada.

 Optamos por fazer um pequeno isolamento nos primeiros dias, ainda próximo à cidade, já que tivemos uma exposição bem intensa nos dias anteriores. O local escolhido para a parada estratégica foi em Vila Seca - distrito de Caxias do Sul - no Camping da Sereia, totalmente vazio, onde ficamos isolados por dois dias. Aproveitamos para lavar roupas, dar uma geral na casa rodante, fazer um gostoso churrasco, descansarmos em meio a muito verde e o silêncio. Aquela paz só era quebrada pelos barulho de um bando de bugios, que chegaram muito perto do nosso acampamento. Os gritos dos bugios são chamados de ronco, o som é  alto e muito forte, até visualiza-los estávamos bem assustados. 

 No final de semana o cenário foi se modificando, com a chegada de grupos de pessoas. Música alta,  aglomeração na piscina e para continuamos mais reservados escolhemos um espaço mais isolado. O Camping possui uma bela área arborizada, onde passa um pequeno riacho, estrutura com churrasqueiras, banheiros, luz, água, piscina no valor de R$ 20,00 a diária por pessoa. Recomendamos o local para o aplicativo Viva Sobre Rodas.

Camping Recanto da sereia. Caxias do Sul

Churrasquinho no Camping. Vila Seca. Caxias do Sul
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Na segunda feira, 23 novembro, recolhemos acampamento, sem saber ao certo o nosso destino. O projeto da “Caravana Parceiro é Parceiro” tinha retornado para a estrada desde outubro. Em março deste mesmo ano, havíamos pausado a experiência devido à pandemia - ver relato na postagem anterior. Agora era hora de decidirmos se seguíamos rapidamente para nos juntarmos aos parceiros na Bahia ou se seguiríamos devagar avaliando o cenário. Conversamos, pesamos e escolhemos a segunda opção.



Em direção à Lages-SC, pela BR 116, passamos a bonita ponte do Rio Pelotas - divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina - e ali paramos para almoçar. Alimentados seguimos até o restaurante e posto de combustível Matinhos, onde pernoitamos. Pela manhã abastecemos, agradecemos e seguimos viagem, optando sair da BR e pegar estradas secundárias - gostamos de conhecer o interior e circular por locais menores. Boa escolha! Fizemos parada para comprar erva mate, vinagre de maçã e pão, produzido na região e vendido em uma antiga “venda” de beira de estrada. Passamos por Canoinhas, pelo Vale do Contestado - corredor ecológico de Timbó -  e pela floresta Nacional Três Barras.

 Trafegando no Estado do PR fizemos parada em São Mateus do Sul, uma cidadezinha charmosa, com um belo “calçadão” na beira do rio, e uma praça dedicada a erva mate onde tem a "Rua do mate". A região cultiva erva mate - E olha que o consumo é um costume de gaúcho!

                                        

rua do mate.
São Mateus do Sul-PR

No final do dia, chegamos ao nosso primeiro destino pré definido, Ponta Grossa-PR, onde queríamos conhecer o Parque Estadual Vila Velha. Não prevemos que nas segundas feiras o parque fecha, e aquele era o dia da semana: Tivemos que procurar outros atrativos na cidade! Pesquisando na internet, encontramos algumas opções: O Buraco do Padre, a Fenda da Freira, o Capão da Onça, a Cachoeira da Mariquinha, as Dolinas Gêmeas entre outras. Optamos pela cachoeira da Mariquinha, e quanto já tínhamos feito 20 km, por estrada de terra, em um atalho para atravessar de um lado a outro da cidade, descobrimos que teríamos mais 20 km para acessar a cachoeira. Pura bobeira! Então desistimos, pois chegaríamos muito tarde e não aproveitaríamos a cachoeira. Escolhemos conhecer o Capão da Onça, um balneário pequeno, com cachoeiras, onde não encontramos muitos encantos e que nos cobrariam R$ 50,00 para estacionarmos para passar a noite, não ficamos.

Indecisos, paramos em uma vila próxima as atrações e fomos saber sobre as Dolinas, nos indicaram falar com o Guilherme. Paulista que abandonou a cidade grande e um emprego formal para se instalar em um pequeno camping. Guilherme recebe grupos e realiza trilhas guiadas, uma atividade mais nossa cara! Ai foi só colocar as perneiras para se proteger das cobras, pegar um pequeno mapa e nos aventurarmos sozinho pelos campos e matos até as Dolinas Gêmeas, de trilha é fácil e curta - 40 minutos - que vale a caminhada! O valor foi R$ 10,00 por pessoa e o que podemos dizer: - Que maravilhoso pôr do sol!

Pôr do sol. Dolinas Gêmeas
Na volta, já escurecendo, não tínhamos lugar para dormir, o que no fim não é um grande problema para nós: pedimos licença para pernoitar estacionados em frente à casa de um morador. Ouvimos do Gabriel, o filho do morador: - Não sei, meu pai é muito “sistemático”! Ocorre que ele era apaixonado pela ideia de ter uma casa sobre rodas. Proseamos, incentivamos ele a buscar este sonho e conversa vai, conversa vem: - Podem dormir aí, deixa que eu dobro ele! Beleza garoto que seu sonho se realize!
Trilhas para as Dolinas Gêmeas, com perneiras.



Ao sair pela manhã até recebemos um belo cumprimento do "sistemático" hahahahah.

 Fomos os primeiros a chegar ao Parque Estadual Vila Velha. Estacionamos, compramos os ingressos. Aparentava que seria um tour "quase exclusivo", afinal estamos em pandemia. Ledo engano! começaram a chegar mais e mais pessoas e no último passeio o ônibus do parque estava cheio, inclusive com estrangeiros. Ali percebemos que talvez não fosse uma boa ideia viajar neste momento!

ARENITOS: UM DOS PRINCIPAIS ATRATIVOS TURÍSTICOS DO PARANÁ.
Os Arenitos começaram a se formar há 300 milhões de anos, após a compactação e endurecimento de frequentes camadas de areia, quando a região do parque estava próxima ao Polo Sul e o mundo era formado por um grande continente chamado Gondwana. Essas rochas possuem tom rosado devido ao cimento ferruginoso (óxido de ferro), o que determina também a existência de formações com diferentes resistências à erosão.

 

escultura da taça.

 O Parque é famoso principalmente pelas “esculturas” de arenitos que com o passar dos anos moldaram-se em diferentes formas, possuindo 38 km de muitas belezas naturais. Entre elas as dolinas, que são “buracos” de diferentes profundidades e diâmetros, com aproximadamente 400 milhões de anos. Já a lagoa dourada é uma furna, porém assoreada, com águas cristalinas integradas aos córregos subterrâneos. Outras possibilidades são os passeios de bicicletas, o arvorismo e a tirolesa.

escultura do camelo.

                  Sem dúvidas, a melhor atração é a caminhada pelas trilhas: observando, admirando e imaginando o que cada formação nos arenitos nos remete. Neste momento, a criatividade e sensibilidade é que conta. Dá para “ver” diferentes bichos, objetos, cenas! Primeiro admirávamos e colocávamos nossa imaginação em prática, só depois líamos a descrição das placas. Desta forma, podemos ter uma experiência só nossa!

 A trilha completa dura em torno de 1h 30min, possui uma vegetação rica e lugares para descanso. No final, um ônibus do parque faz o transporte até a sede, para dali novamente partir para a segunda etapa do passeio: as furnas. Das esculturas, esculpidas pelo tempo, a minha preferida foi a que remete a imagem de um camelo!

O parque teve sua administração concedida para uma empresa particular, portanto, prepare-se para os gastos: ingresso, estacionamento e atrativos extras. O custo das duas meias entradas e do estacionamento foi de R$ 102,00. O atendimento é bom, com guias em quase todos os pontos e ônibus gratuitos para locomoção dentro do parque.

arenitos em abundância.

Encerramos nosso passeio pelo parque e pegamos a estrada sem saber ao certo onde iriamos. Segundo o conselho do gato Cheshire à Alice  "Se você não sabe onde ir, qualquer caminho serve", não sei se concordo plenamente com isso, mas para nós foi quase assim! Pegamos a PR 151 andamos um pouco e devido o tráfego intenso retornamos e pegamos a PR 153, que depois de alguns quilômetros, achamos também não ser uma boa opção, muitos caminhões, obra e tranqueira, então voltamos para PR 151. Rodamos um pouco, mas já fora do perímetro urbano, saímos por um atalho para voltar para a PR 153 novamente. Que confusão!

 Nesta indecisão e estressados, acabamos passando por um lugar muito charmoso: uma estrada rural, perto do município de Carambeí, com vários casarões e enormes pátios floridos. Mais tarde, em pesquisa, descobri que se chama Estrada dos Pioneiros, caminho para o Parque Histórico de Carambeí. Onde são expostas réplicas, objetos da história da colonização holandesa na região e até possuí um museu. Sugiro aos viajantes que parem e o visitem! Nós, infelizmente, pelo momento tenso, acabamos passando direto sem ver. Bobeiras que algumas vezes ocorrem para quem está na estrada.

ônibus que faz o deslocamento dento do parque.

A saga do dia acaba perto do Município de Serges, em um barulhento posto de gasolina, ainda na PR 151, onde pernoitamos. Nesta altura, sabíamos que queríamos ir em direção a lugares com água, lagos e represas, para estacionar e descansar. Pela manhã saímos em busca de um eletricista, as baterias da parte da casa da Branquela Viajante não estão carregando como deveriam. Fomos até Itararé, próximo à divisa dos Estados de São Paulo e Paraná, onde achamos um jovem eletricista, muito atencioso e disponível. Após vários testes, nos disse que as baterias estavam boas e que o problema era um fio que conecta a placa solar rompido. Religamos e tudo certo! O jovem não queria cobrar, pagamos de toda a forma, sua atenção e profissionalismo valeram muito!

Estávamos perto do Parque Ecológico da Barreira, rumamos para lá! Ele fica às margens da rodovia Francisco Alves Negrão, é administrado pela Prefeitura de Itararé, com entrada gratuita. Era uma antiga rota de tropeiros! No século passado, os tropeiros saiam de Viamão RS, com suas mulas carregadas em destino à Sorocaba-SP, ali paravam em um posto de cobrança. - desde então os impostos!

O lugar estava deserto, tinha uma corrente impedindo o acesso à parte interna. Paramos no estacionamento, caminhamos pelas proximidades e vimos um trabalhador cortando a grama, com quem fomos conversar. Era um funcionário da prefeitura que gentilmente nos autoriza a entrar e orientou-nos a fechar a corrente ao sairmos. Entramos e estacionamos ao lado das escadarias que dão acesso a gruta.

O lugar é bem bonito, parece ser uma “fenda natural” com um rio subterrâneo e caverna. A prefeitura construiu escadarias que de um lado dão acesso a uma caverna, onde tem uma gruta com a imagem de uma santa. Do outro leva a um local com uma bela queda d’ água entre a vegetação. Todo o entorno é cheio de pássaros e vegetação. Estávamos tranquilos e bem estacionados! Resolvemos descer as escadarias para explorar o local. Tinha um aspecto abandonado, descuidado, pensamos que seria devido à pandemia. José desceu até o último degrau, me chamando. Eu não queria descer até o fim, estava achando sinistro, porém o visual  ficava mais bonito à medida que descíamos, uma fenda no teto iluminava a cratera! decidi descer!
outro lado da fenda.
Parque Ecológico  Barreira. Itataré - SP.

 Ao voltarmos, um susto no meio da escada! José fala: -   Não para e não olha para trás! A perna amoleceu, dei alguns passos e perguntei o motivo. A responda: - tu acabaste de pisar ao lado de uma cobra, ela está enrolada me esperando passar! Que pavor! Era uma cobra pequena, não sabemos se venenosa ou não. O jeito foi respirarmos, acalmarmos e acharmos uma forma de José sair dali sem passar por ela. A escadaria era no formato de zig zag, ele fez um malabarismo arriscado, atravessando de uma mureta a outra sem passar pelo local onde a cobra estava. 

O episódio estragou nosso bom astral, ficamos receosos de continuar explorando o parque - que é bem bonito e no final da tarde dizem ter uma revoada de pássaros muito legal de assistir - e se encontrássemos outros perigos?  Estávamos sozinhos, longe da cidade e o lugar não estava bem cuidado. Antes de sair, ainda cozinhamos e aproveitamos o silêncio e a natureza para almoçar e relaxar. 

onde a cobra mora. Uiii.
Lá fomos nós para a estrada novamente! Saímos “serpenteando” pelo Sudoeste do Estado de São Paulo, Riversul, Itaporanga, Coronel Macedo, Taquarituba. Pela internet tinha visto que havia um Camping Municipal neste último município, bora lá conhecer!
 E que bela surpresa, o Camping Municipal fica às margens das águas da represa de Jurumirim. O local chama-se Porto de Taquari e é uma pequena vila onde, contam os moradores, já se viveu da pesca. Atualmente as águas são baixas, com poucos  peixes, ainda segundo moradores locais, devido as dragas e bombas de sucção utilizadas pelos "chineses" que adquiriram as terras e estariam retirando a água. Uma fala estranha, tema a ser investigado!

 Camping Municipal de Taquarituba-SP.

Ficamos três dias acampados no Camping Municipal. Caminhamos, consertamos a bomba d’água, fizemos churrasco, dormimos na rede, lavamos roupas, até ensaiamos uma pescaria frustrada, tudo 0800. O Camping tem uma boa área gramada e arborizada, banheiros, luz, água e churrasqueiras. 
Alguns moradores dos arredores vieram bater papo, saber sobre viagens e do motorhome. Infelizmente, devido aos cuidados que estamos tendo com relação à pandemia, não tem sido como era antes: Fazíamos questão de receber às pessoas, conversar, mostrar nossa casa-móvel, mas agora estávamos receosos e bem menos disponíveis aos contatos. Mais uma vez sentimos que esta viagem está sendo diferente.

 A próxima parada foi logo à frente, na cidade de Avaré-SP. Chegamos depois do meio dia e fomos direto ao Camping Municipal. Avaliamos que estava muito cheio, era sábado e seria um final de semana movimentado. E agora?

Orla camping. Ao fundo ponte Rio Paranapanema.
 Como o camping fica às margens do Rio Paranapanema represado, demos uma volta nas proximidades contornando a Represa Jurumirim. O Local é bonito, residencial, com uma orla calçada, bem arborizada, mas decidimos não ficar ali e tentar a margem oposta. Atravessamos a ponte que liga as duas margens e fomos explorar o outro lado. 

Vimos no Maps uma marina em uma extremidade, o sangue aventureiro falou alto e lá fomos nós, pela estrada de terra, procurar a marina. Não deu muito certo! A estrada ficou estreita, esburacada, 

Camping Municipal de Avaré- SP
feia e ainda quando chegamos o portão estava fechado.Voltando, próximo ao asfalto, vimos a sede da AABB, que em várias cidades já nos receberam. Entramos e fomos conversar com o administrador, Sr.Wilson, que nos recebe muito bem e nos disse que como a sede está fechada para os sócios, devido à pandemia, não teria como autorizar nossa entrada. Ele ligou para um amigo que cuida de uma chácara perto e pediu para nos acolher, indicando que deveríamos dar-lhe uma “caixinha”.

Tudo combinado, lá vamos nós! O fundo da chácara fica na margem oposta ao Camping Municipal, dá para perceber que são vários imóveis, lado a lado, tornando privado o acesso a este lado da represa. Neste dia, vários grupos estavam reunidos, fazendo festa, andando de Jet ski, lanchas, enfim sem qualquer preocupação com a contaminação pelo covid-19. Decidimos nos recolher no motorhome evitando contato com as pessoas, inclusive com o chacreiro e sua esposa, para nos proteger.
 Cedinho acordamos, nos despedimos dos anfitriões, pagamos a caixinha sugerida e deixamos nosso licor personalizado para ser entregue ao Wilson, com os devidos agradecimentos.

Voltamos ao Camping Municipal, mais amplo, nos instalamos em uma área mais afastada. A administração é do município que cobra uma diária de R$ 25,00 por pessoa. Possui água, luz, banheiros, churrasqueiras e quiosques. Era domingo, quase ao meio dia, logo os grupos já começaram a levantar acampamento e partir. Ficamos acampados dois dias. Deu para relaxar, curtir o bonito lugar e assistir belos pores do sol nas margens da represa.

Área acampamento Camping Avaré.
Ali conhecemos o casal Marco e Romilda, de São Paulo, que também estavam com seu motorhome no camping. Ambos pegaram covid e contaram que foi forte, mas que já estavam bem. Eles nos deram boas dicas de cidades e lugares próximos, nesta região conhecida turisticamente como” circuito das águas”. Aceitamos as indicações de conhecer a região já que decidimos não retomar o plano de viagem  do grupo "parceiros é parceiro". Avaliamos o incomodo de ficar limitando o contato com pessoas e lugares muito frequentados, então, achamos prudente ficarmos mais perto de casa, aproveitando para irmos passeando no trajeto de volta para Santa Catarina. E assim fizemos!

Seguindo a dica do Marco, nossa próxima cidade foi Pirajú-SP, reconhecida pelo título de Estância Turística. Um lugar de exuberante natureza, sendo a cidade literalmente cortada pelo Rio Paranapanema, que propicia a prática de esportes de aventura e o ecoturismo. Tem opções de rafting, tirolesa, canoagem, rapel, boia cross, passeios de lancha e pedalinho, tudo dentro do perímetro urbano e muito acessível.

Rio Paranapanema. Acesso pelo Parque Fecapi.Pirajú -SP

Nós ficamos acampados no Recinto Fecapi, um parque de eventos com restaurantes, lojas de artesanatos, pista de skate e cancha para rodeios, dentro do perímetro urbano, às margens do Rio Paranapanema. O lugar é gratuito e seguro, os guardas fecham o portão depois da meia noite. Nos dois dias que ficamos no parque não houve circulação de pessoas e os atrativos estavam fechados, não sabemos se devido à pandemia ou por ser início da semana.

Corredeiras de rafting e canoagem.
Garganta do Diabo. Rio Paranapanema.

Recinto Fecafi, área onde pernoitamos.


Rio Paranapanema. Pirajú-SP
Bem ao lado de onde estávamos, fica o quiosque dos passeios de rafting e a plataforma da tirolesa, ambos fechados. Em compensação o lindo rio e a sua parte mais famosa a “Garganta do Diabo”, estava totalmente disponível ao nosso lado. O trecho é chamado assim porque é onde o rio se estreita e surgem grandes rochedos formando as fortes corredeiras. Ali acontecem competições de rafting, boia cross e aulas de canoagem. Ficamos horas só ouvindo o barulho da água, aproveitando o sol gostoso, caminhando pelas rochas, totalmente envolvidos naquele cenário natural e lindo. À tarde enquanto José tenta descobrir porque a geladeira não estava ligando, dei uma volta pela cidade. À noite, uma chuva intensa com ventos fortes nos deixou tensos, mas logo passou.


Preparando a pescaria
 no Rio Paranapanema.

No terceiro dia resolvemos ir conhecer a Floresta Municipal das Corredeiras - antigo parque das corredeiras. Fomos sob a indicação da Secretaria de Turismo, onde tínhamos buscado informações sobre os atrativos da cidade no PIT. Lá, estaria nos aguardando o “bola”, funcionário do município encarregado de cuidar do local e que nos orientaria o pernoite. O local é uma reserva municipal, bastante procurada por apaixonados pela observação de pássaros e por pescadores.
 

Era o acampamento dos sonhos. SQN.

 " Bola" levou-nos até uma área, dentro da floresta, onde existe local próprio para acampar ou passar o dia. Ele gentilmente ofereceu para nos levar no seu carro, mais uma vez nos sentimos constrangidos de ter que agradecer e dizer não, já que ele não estava usando máscara. Seguimos o gentil funcionário na nossa Branquela Viajante e nos instalamos bem próximo ao imponente Rio Paranapanema. Era o acampamento dos sonhos do José, colado no rio, isolado, pesca, banho de rio, fogueira à noite, só o barulho da água e dos pássaros! Só que não! Grrrrr!

Fogueira acessa, rio lindo...para tudo!

Quando chegamos na Floresta Municipal, eu já tinha lido na internet um comentário de moradores sobre uma infestação de carrapatos por lá. O encarregado comentou que o local ficou fechado quatros meses e que neste período as capivaras proliferaram-se muito. O motivo do fechamento, pensávamos ter sido a pandemia, depois soubemos que foi devido à infestação de carrapatos na área. Que sacanagem, não nos orientaram e nem avisaram!

Ao final da tarde, estávamos  felizes, sentados ao lado da fogueira, tomando uma cervejinha, quando José olha sua perna e percebe que está cheia de
pontinhos pretos! Olha uma segunda vez, passando a mão e... CARRAPATOS! Eles são minúsculos e quando “grudam” na pele sugam o sangue e aumentando de tamanho. Nossa sorte foi que José já conhecia do MT e os identificou na hora! Caso contrário, poderíamos ter tido um grave problema, já que são transmissores de doença. Foi uma correria! A opção foi irmos imediatamente para rio e “rasparmos” com esponja dura as pernas e braços. Em uma inspeção rigorosa, achamos dois na minha perna.  Depois de nos certificarmos que estavam todos eliminados, e não tinham entrado na Branquela, apagamos a fogueira, nos recolhemos no motohome, aguardamos o dia amanhecer para sairmos dali. À noite, ouvimos o movimento das capivaras ao lado do motorhome, ao fazermos barulho elas se jogavam no rio. Ufa! Que noite! 

Floresta Municipal de Pirajú.

Na saída, falamos com o encarregado e relatamos o ocorrido, sugerindo que tomem medidas urgentes de controle, que não autorizem mais o ingressos na área, muito menos sem avisar sobre o risco. Assim, em menos de 24h, nosso acampamento perfeito foi de água a baixo! Tudo bem, vamos em frente! seguimos para a nossa outra opção de parada, a Prainha.

Chimarrão no Camping Pedinha, represa Jurumirim.





Fica distante 17 km da cidade, então, passamos antes no mercado para abastecer a cozinha, sem fazermos grandes compras de perecíveis, pois a geladeira continuava desligando. Chegando lá vimos duas opções de acampamento: de um lado a Prainha - tipo um balneário municipal, às margens da Represa de Jurumirim -,  do outro o Camping Pedrinha, também municipal, sem estrutura de luz, com banheiros muito simples, uma barraca - que pelo visto funciona como sede da zeladoria da área e venda de lanches - ao cargo da Sra. Silvia, funcionária do município.
 Optamos por ficar no Camping da Pedrinha, achamos o lugar mais bonito e estava quase deserto. As poucas pessoas presentes sairiam à noite e ficaríamos sós, inclusive a zeladora, Silvia, que nos avisou que fecharia o portão ao sair e reabriria na manhã seguinte. Mesmo sendo área pública, houve uma taxa para pernoitarmos, fiquei na dúvida se a cobrança era  regulamentada .


Represa Jurumirim, Camping Municipal Pedrinha. Pirajú -SP.


Cenário encanta e descansa.

Conversando com Silvia, tivemos a confirmação de que a área da Floresta Municipal, onde estávamos, esteve interditada devido a infestação de carrapatos e com vários casos de contaminação, o que nos deixou indignados com a conduta dos administradores. Nós preocupados com o contágio do Covid e acabamos expostos à contaminação pelos carrapatos. Bah!

Pedrinhas! Poderia se chamar pedras grandes.


O lugar é muito bonito, cheio de pedras enormes - daí o nome, possivelmente. De um lado forma-se um paredão cheio de ninhos de pássaros e depois vai diminuindo até ficar como rochas que adentram a represa, com área plana e de areia. Foi um dia delicioso: tomamos banho, fizemos churrasco, descansamos na rede, José tentou pescar tucunaré - dizem que tem bastante ali-, ainda tomamos chimarrão, com direito a um, sempre encantador, pôr do sol! 




No outro dia pela manhã, sem tucunaré, mas com a casa e as roupas lavadas, saímos em direção ao pequeno município de Águas de Santa Bárbara - pouco mais de 6 mil habitantes. Junto com outras cidades da região, ele é considerado uma Estância Hidromineral, devido ao reconhecido poder terapêutico de suas fontes de suas fontes de água mineral. 

A Prefeitura Municipal investe neste setor, mantendo no coração da cidade uma área de 95 mil metros quadrados, que reúne vários atrativos.  O local, que fica as margens do Rio Pardo, conta com pistas para a prática de vários esportes, concha acústica, biblioteca municipal, piscina externa, banheiros, lanchonete, trilhas para caminhadas na mata, academia ao ar livre e, a cereja do bolo, o Balneário Mizael M. Sobrinho.

 Este balneário é um local fechado, e no seu interior há banheiras individuais em cabines dermatológicas, banheiras de Ofurô, sauna seca, sauna úmida, piscina interna de relaxamento. Segundo a propaganda, sua água é alcalina, radioativa, medicinal e com alto poder curativo para muitas doenças. A administração é do município, com acesso geral ao complexo gratuito, sendo pago os serviços internos do balneário.

Balneário Municipal de águas de Santa Bárbara.
Estacionamos ao lado do pavilhão do balneário, com luz e água mineral a vontade. Decidimos conhecer primeiro a área externa, então caminhamos na trilha - toda calçada, limpa - que margeia o leito do Rio Pardo. Apesar de curta a vegetação é abundante: a sombra, o ar fresco, o canto dos pássaros e o murmurinho do rio, proporcionam sensações relaxantes. Ficamos boas horas só observando e vivenciando aquele cenário!
 A tarde foi horário dos compromissos pessoais: pagar contas, ligar para os familiares, olhar opções de trajeto de volta. Com as responsabilidades sendo executadas, eu ainda  observava o movimento de pessoas nas dependências do balneário, para decidir se entraria ou não. No final da tarde, começou uma chuva forte e ficamos “presos” na Branquela.

Entrada do complexo.
Caminhada nas trilhas do balneário.
No dia seguinte fui até o prédio dos banhos medicinais, a funcionária afirmou que estavam seguindo todos os protocolos de higienização a cada uso, mas não me senti segura e decidi não experimentar os serviços.Teremos que voltar após a pandemia se quisermos usar e abusar das maravilhas destas águas. Mais uma vez avaliamos de que não tem sentido estarmos viajando, se não podemos aproveitar as atrações dos lugares. Assim, nos restou é voltarmos para a estrada! Ainda passamos na Prainha do município, com boa estrutura, mas sem permissão a entrada de carro ao local, ideal para quem deseja apenas passar o dia. Não ficamos. 
Estância Hidromineral Águas de Santa Bárbara.

Retornamos pela mesma estrada e ao passar próximo do Camping Pedrinha resolvemos entrar, já que o lugar é bonito e sossegado. Aproveitamos para pagar a Silvia, que no outro dia saíra sem a vermos e não respondia minha mensagem. Melhor assim! Aproveitamos mais um dia no local e a pagamos pessoalmente. Nos cobrou R$ 40,00 pelos dois dias e nos presenteou com ovos fresquinhos. Foi novamente muito gostoso ficar à beira da represa, tomar banho, pescar, dormir olhando as estrelas, acordar para ver o nascer do sol na água. Decididamente o lugar que mais gostamos de pernoitar nesta viagem. 

Camping Municipal Pedrinha.Pirajú- SP
Deu até banho na represa.
E nada de tucunaré...pescador frustrado mas feliz.





oh! Delícia! Só temos a agradecer.
Que tal acordar para ver o sol nascer neste cenário?

Pela manhã, sem pressa nenhuma, nos arrumamos para sair. Optamos por fazer o caminho sugerido pelo Marco: a estrada SP 139, para atravessar o Parque Estadual Carlos Botelho. O parque é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, tem uma área de 37 mil hectares distribuídos entre os Municípios de Capão Bonito, São Miguel Arcanjo e Sete Barras, no Sudoeste do Estado de São Paulo. A área de Mata Atlântica é um refúgio da vida selvagem, nas 11 trilhas existentes, se der sorte, é possível encontrar várias espécies de aves, peixes, répteis, mamíferos, além de riachos, cachoeiras e um visual lindo do mirante.Tudo isso estaria disponível para visitação, se não fosse a pandemia.

 Logo no portal de acesso do parque fomos notificados de que não estavam permitidas as visitações, permitiam atravessar de carro, mas eram proibidas as paradas. O tempo estava chuvoso, o que prejudicou ainda mais a contemplação do lugar. Mesmo assim, aproveitamos o que pudemos no bonito trajeto. Na saída do parque, logo após a portaria de controle, tem uma casa que vende queijo de búfala, aí sem dúvida paramos para conhecer e comprar. A iguaria é feita por um senhor de origem oriental de poucas palavras que guarda o segredo a sete chaves.

Antes do parque, havíamos feito uma parada, para comprarmos e comermos - na branquela - o famoso bolinho de galinha caipira, uma delícia. Também conseguimos visitar duas vinícolas e uma cachaçaria, com degustação e venda de produtos.

Parque Estadual Carlos Botelho.

Como já era final de tarde, pedimos para a família do vendedor de queijos, uma dica de onde pernoitar, sugeriram uma lanchonete logo à frente, onde compram o leite de búfala para fazer o queijo. Lá fomos nós! O casal dono do local nos autorizou a estacionar e dormirmos na rua de acesso a sua casa, ao lado do cercado onde criam os búfalos.

 Os turistas que visitam o parque tem ali como uma referência de parada. A lasanha de palmito com queijo de búfala é o prato principal da lanchonete. Compramos para comer na branquela e recomendo. Pela manhã acordamos muito cedo com o barulho das búfalas sendo repontadas para a ordenha e aquele cheirinho típico de fazenda.

Criação de búfalos. Pernoitamos ai.

Hora de pegar o rumo de casa! Agradecemos o acolhimento do casal e pegamos a estrada em direção a BR 101. Decidimos fazer um intensivo direto até em casa, desistindo da ideia original que era passar pelo litoral do Paraná. Mas, próximo de Joinville-SC, na BR 101, tivemos que parar devido a um problema mecânico na Branquela Viajante.

 A direção do motohome ficou pesada, sem mobilidade, mais uma vez vazou óleo em uma mangueira rompida. Conseguimos chegar até um posto de combustível, graças a condução habilidosa de José, onde conseguimos o telefone de um mecânico que faz socorro na região. Ligamos e combinamos ir até um ponto em Garuva-SC e após uma hora ele chegou nos levou até uma rampa e fez a troca da mangueira.Tudo certo e o recomendamos. Seu telefone (47) 997949628, atende por "Toto".

Continuamos na estrada, com chuva, sem paradas, até Imbituba, onde chegamos às 19 h. Foram mais de 800 km, 13 horas, em um dia. Ufa!  Estamos em casa e mais uma vez agradecidos!

Que passe logo a pandemia. Saúde e vida a todos!



DADOS DA VIAGEM 

Dias de Viagem: 25 dias

Km rodados: 3.300

Roteiro: Imbituba-SC, Balneário Gaivotas-SC, Caxias do Sul-RS,  São Mateus do Sul-PR, Ponta Grossa-PR, Itararé-SP, Taquarituba-SP, Avaré- SP, Pirajú-SP, Águas de Santa Bábará-SP,  Sete  Barras-SP, Imbituba SC.

Gastos da viagem:

Combustível: R$ 1.260,66

Pedágio: R$ 75,50

Camping: R$ 340,00

Mercado: R$ 817,84

Oficina:R$ 300,00

Passeios: 122,00

Compras extras:R$ 105,00

TOTAL: R$ 3.021,00


Imbituba. Nosso paraíso!


Crédito de revisão: Sâmia Daneille Neves Araújo.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Chile e Argentina. Uma viagem inesquecível!



O relato desta viagem começará pelo fim! Como assim? Já justifico!

 É que ela não terminou como planejada: foram inúmeros perrengues, entre eles o fato de  perdemos nosso diário com todas as anotações! Desta forma, peço licença àqueles que acompanham nossas aventuras por aqui, pois as reproduziremos a partir de fotos e memórias, as quais andam nos "deixando na mão" ultimamente! O pior dos problemas foi  um acidente grave - motivo da perda do diário - do qual agradecemos por sairmos ilesos. Porém, deixaremos isto para o final, antes, revisitemos as lindas paisagens dos países vizinhos.

- Ah, envolvente Argentina! Oh, maravilhoso Chile! Vamos lá! 

Fronteira Brasil/Argentina. Aduana Uruguaiana-RS.
 Saímos  pela fronteira BR/AR  de Uruguaiana - RS divisa com Passo de Los Libres Missiones- AR.  Lá, compramos a Carta Verde (Seguro obrigatório para entrar na maioria dos países do MERCOSUL) e fizemos o cambio de Reais para Pesos argentinos e chilenos. 
Em 13 de Março 2018 passamos a Aduana. E aqui recomendamos atenção com os trâmites de passagem na imigração argentina. Recebe-se um documento ao registra-se no país. Este, deve ser preenchido na entrada e devolvido ao sair, caso contrário ficará em situação irregular. Existem ainda, inspeções sanitárias nas divisas dos Estados - chamados de províncias na argentina - com proibições de alimentos in natura, permitidos apenas os industrializados. Nossa vistoria foi tranquila.




Optamos passar na divisa dos estados de Entre Rios e Santa fé, separados pelo Rio Paraná, nos deparando com um pequeno vilarejo chamado Villa Urquiza. Desta forma somamos 450 Km sem paradas desde Uruguaiana. 

Villa Urquiza. Província de Entre Rios. Argentina.


A Villa  Urquiza é um charme de lugar!  Pequenina, conta com uma ótima área de camping, às margens do Rio Paraná, onde podemos usufruir de um precioso dia. Possui ainda,  um "calçadão" que nos convida a uma caminhada, a prática de esportes ou simplesmente sentar e assistir o belo pôr do sol. Cobra-se ingresso, mas  fomos isentos da taxa,  já que estávamos fora da temporada e o local estava deserto. 

Camping Em Villa Urquiza.AR
Túnel Subpluvial Rio Paraná
No dia seguinte, seguimos a  viagem descansados. A travessia entre os estados é uma atração à parte, três quilômetros de túnel subfluvial que corta o Rio Paraná! Tubos gigantes submergidos no rio que ligam o estado do Paraná a província de Entre Rios. Não dá para se ter noção de que é um túnel subpluvial até estar fora dele e ver o Rio Paraná novamente. Reportei-me, de forma simbólica, à travessia feita em 2016 do Eurotúnel (França/Inglaterra),
 com seus incríveis 38  quilômetros submerso, no Canal da Mancha.


E o caminho? Ah! É uma das melhores partes.

 

Rumamos para Córdoba, o itinerário teve passagem pela Villa Maria, porém, não conseguimos mais lembrar o trajeto, nem o motivo deste "desvio”, devido à ausência dos registros. Convenientemente, ficou-nos a impressão de um bonito parque, revelando a essência deste relato: falho e um grande exercício à memória - porém, saborosas memórias!

Almoço no parque Villa Maria

 Decidimos não parar em Córdoba, era um pouco tarde, a cidade é grande, achamos melhor passar direto pela via perimetral que contorna a cidade e seguir descendo para a serra. Hoje, penso que perdemos uma oportunidade! Na verdade na época já achei isso, mas viagem a dois implica em negociação: então é inevitável situações em  que a vontade de um, criará contraponto ao   outro. Ficou como dívida o compromisso de voltarmos! Certo José?

Depois de Córdoba, pegamos a rota 20 em um caminho muito lindo!

 Descemos a leve serra, adornada de um belo cenário que nos leva ao Lago San Roque, além dos Rios San Antonio e Arroio Chorrillos! Fizemos uma parada em Villa Carlos Paz que está localizada na margens do Lago San Roque. 

Camping San Sebastião
 Seguimos por caminhos secundários até Villa Del Dique, onde paramos no Camping San sebastián. Um local gostoso, arborizado, com estrutura de piscina e canchas de esportes. Chegamos tarde não conseguimos aproveitar tudo que o local ofertava, mas o pernoite seguro, um banho gostoso e o descanso nos é gratificante!


Em Villa Del Dique fomos contornar o grande lago, n
o dia seguinte. No lugar pratica-se vários esportes e é conhecido como embalse de Rio Terceiro. Lá há uma "plataforma" que dá acesso até onde a água é controlada por bombas e em sequência passa-se por Alta Gracia, Villa General  Belgrano:  um roteiro muito gostoso com bela paisagem e pequenas villas.
O caminho é encantador.
A beleza da estrada faz valer cada parada para foto, ou simplesmente contemplar a paisagem.




Mina Clavero AR

Nossa próxima parada foi em Mina Clavero, outro lugar muito peculiar e de incrível beleza natural. Localiza-se no Vale de Traslasierra, entre as cordilheiras de Achala e Pocho, a 915 metros de altitude. Um vale com vários rios que descem a serra e formam balneários naturais. A época estava fria para curtir estas belezas! Uma pena! Deixo um pequeno alerta para as enchentes repentinas, elas podem ocorrer devido à água que desce das montanhas em períodos chuvosos.

E seguindo, após passar por mais uma barreira sanitária - onde tivemos que comer todas as frutas que tínhamos - chegamos a Mendonza, uma das nove "Capitais Mundial do Vinho"! Com a referência dos bons vinhos argentinos, claro que o programa foi fazer um tour pelas vinícolas!

Bodega Santa Julia. Top
Azeitonas colhida direto no pé de oliveira.

Cidade de Mendonza - AR.
Mendonza é a capital da província do mesmo nome. Em seu entorno estão os departamentos de Maipú, Luján de Cuyo e Lavalle onde se localizam as principais vinícolas. O acesso é fácil, resumindo-se a um lindo passeio no vale e a percorrer as margens dos Rios Mendonza e Tunuyan! E isso já vale muito! A região fica próximo à Cordilheira dos Andes, anunciando o que estará por vir! 


Tour pelas Bodegas Argentinas

Parque General San Martin


Duque. hahaha
Depois de degustar bons vinhos, almoçar tipo duque - Do que sobrou -, no Parque General San Martin, foi hora de pegar a Ruta 7, em direção a Cordilheira dos Andes.

Ruta 7


Café da manhã em Potrerillos. Embalse e Andes à vista.
 Rodamos alguns quilômetros e decidimos pernoitar antes de iniciar a descida em direção ao majestoso Monte Aconcágua. Na parte mais alta da ruta, nos deparamos com a charmosa e pequena cidade de Potrerillos. Entramos, demos uma volta e paramos em frente ao corpo de Bombeiros, que fica no alto, tendo o Embalse de Potrerillos logo à frente. O visual é inspirador: o lago em um dos lado, as cordilheiras do outro. Como não se encantar? Paramos sem informações do lugar, mas recomendo aos viajantes uma parada neste local.


Já avistando as cordilheiras ao fundo. Friooooo
Embalse de Proterillos -AR

Para nossa completa alegria, os bombeiros não só permitiram nosso pernoite no pátio da sede, como visitaram a Branquela! Travamos um belo papo e nos cederam água. Foi um pernoite maravilhoso: acordar de manhã com o visual do Embalse e do pico nevado dos Andes foi mágico! Obrigada!



Após o belo pernoite, voltamos para estrada na " Ruta 7", importante via que liga Mendonza-AR à Santiago-CH, capital do Chile. 

Nosso objetivo agora é o Parque Aconcágua. Uma imagem marcante, neste trecho, são os rios quase secos - devido estação -, as montanhas de lindos tons terrosos, suas pedras e, é claro, o colossal Túnel Internacional Cristo Redentor, com 3.080 m de distância e a 3.200 m de altitude. 









Uma parada obrigatória neste trajeto é a Puente del Inca, fica a 2.700 m acima do nível do mar. Uma formação rochosa natural com tonalidades em amarelo ocre, no Rio Las Cuevas, e suas águas termais e curativas.

 Atualmente não é permitido banhar-se na água, mas persistem partes das ruínas de banhos, de um hotel destruído em uma avalanche no século passado. Segundo a lenda, a ponte se formou da petrificação de guerreiros Incas que tentavam salvar o herdeiro do trono, enquanto buscava sua cura, nas águas do rio.

Puente Del Inca.

 

 

  


 

 


Parque Provincial Aconcágua
E chegamos a um dos pontos altos desta viagem: o Aconcágua! Local presente na minha lista de desejos, mas confesso que não tinha noção que o realizaria.
Situado na Cordilheira dos Andes, o Aconcágua fica a 6.961 metros de altitude. É a montanha mais alta das Américas e a maior fora da Ásia. Seu nome significa sentinela de pedras e seus arredores formam o Parque Provincial Aconcágua. 
Caminhamos pelo parque e admiramos sua beleza, sua imponência e a coragem dos que se arriscam em sua escalada. A sensação de ver a majestosa Cordilheira dos Andes, com seus  picos cheios de neve é simplesmente deslumbrante - E de forma edificante, esta será a paisagem que fará parte do nosso trajeto nos próximos dias!
O Parque tem um ponto de apoio com informações de clima, geologia, cultura, fauna e demais aspectos da região, bem como, estrutura de banheiros e água. E a nossa Branquela ficou no estacionamento enquanto caminhamos pelas leves trilhas na base da montanha!

Nós e ele ao fundo...lindo.












Próximo ao Parque Aconcágua tem o cemitério dos andinistas, dedicado aos montanhistas que morreram na tentativa de escalar o Aconcágua. Ali são depositados objetos - como luvas, óculos, botas - que foram usados nas escaladas. O lugar não nos passou uma ideia fúnebre, pelo contrário, a sensação poderia ser descrita como de muita paz!
 

Aduana Chilena. Divisa Argentina.
Ali nos despedimos da Argentina e ingressamos no Chile! A passagem pelo Paso Internacional Chileno foi tranquila, apesar de já notarmos ali na entrada que o povo chileno não tem a mesma cordialidade dos hermanos argentino!
 Estacionamos o MH, entramos a pé e fomos encaminhados de um guichê a outro, sem explicação e, muito menos, sem entender qual era a finalidade, ou os trâmites corretos para a  documentação. 
No final deu tudo certo com a documentação, seguimos para a vistoria interna: olharam superficialmente a geladeira e os armário e nos desejaram "buena partida"! Só como lembrete, é proibido entrar com alimentos perecíveis e sementes.
Los Caracoles

 E depois das belezas andinas agora nosso maior desafio: descer a temida Estrada Los Caracoles, o nome fala por si! São 29 curvas sinuosas do topo a base, em uma descida de 3.175 metros - em alguns trechos não é possível passar dois carros ao mesmo tempo. Como agravante, há maior trânsito de grandes caminhões e não existe guarda-corpo para proteção.

 A estrada passa a se chamar CH 60, no Chile. Ela cruza a Cordilheira dos Andes ligando a cidade de Mendonza, na Argentina à capital Chilena, Santiago.

 Estava tão apreensiva que não consegui curtir, fotografar ou filmar a descida. Aliás, lembro-me de duas coisas: que rezava e pedia a José para tentar achar um local de  parada para conseguirmos apreciar o visual - o que não rolou! 

Primeira etapa viagem. Das cordilheira
 ao litoral



Ao chegarmos lá em baixo respiramos fundo e agradecemos! Olhamos para cima para termos noção do tamanho da aventura! Ufa! que alívio! O trânsito a nossa frente estava uma bagunça, lembro que estava tomado por camionetas vermelhas iguais, depois descobri que eram de aluguel. Decididos a rodar pelas redondezas fomos até Los Andes, demos uma volta pela cidade e seguimos para Santiago, a capital chilena. 
Em geral toda cidade grande é problemática para estacionar e se instalar, Santiago não foi diferente! Fomos a um estacionamento, indicado nos aplicativos de campistas. Era público e aberto, não achamos seguro! A opção foi tentar um contato do "Grupo de Apoio As Pessoas Que Viajam de Motorhome". Este grupo agrega pessoas que voluntariamente acolhem viajantes. Mais uma vez, sem o meu diário, não vou poder nominar e agradecer nossa apoiadora, peço desculpas por isso. Fomos acolhidos na frente de sua casa, em um Bairro de Santiago. Estacionados na rua, muitas pessoas passando, pouca iluminação, não foi possível  nos sentirmos totalmente seguros, mas era o possível e temos toda gratidão! 

Bondinho de Santiago-CH melhor visual.
 No dia seguinte, optamos por deixar a Branquela estacionada e nos locomover de ônibus e caminhando. Foi uma boa pedida porque o trânsito lá é intenso e confuso.
 Iniciamos o passeio pelo centro histórico de Santiago. Além de contar a história do Chile, é belíssimo! Visitamos a Plazza de Armas, a Catedral, o Museu Histórico Nacional, andamos pela Calle Agustina, fomos ao Palácio de La Moneda. Sugiro muito passar horas por ali, andando pelos muitos lugares interessantes e culturais. 
Outra sugestão é aproveitar este passeio para fazer câmbio, se necessário, encontramos melhores cotações e muitas ofertas na região. Na volta caminhamos pelo Parque Florestal, passamos por áreas verdes belíssimas, lagos, esculturas e até um museu. Ao final da tarde, fizemos compras no mercado do bairro e convidamos nossa apoiadora e sua vizinha para um café, na nossa Branquela, como forma de uma retribuição carinhosa.

Mercado público de Santiago. CH

Programa quase obrigatório, em terras novas, é conhecer o Mercado Público local. Lá fomos nós!  Aproveitamos para almoçar e experimentar uma comida bem típica dos nativos: a sopa chilena. Não foi diferente dos Mercados Públicos que temos no Brasil, com variados aromas de peixes, frutos do mar, verduras e temperos! 

Almoço no Mercado Público

Outro lugar marcante para nós foi o Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Lá, deixamos nosso recado nos murais disponíveis para manifesto, pedimos por democracia, condenamos o golpe contra a presidenta democraticamente eleita no Brasil - Dilma Rousseff.  Nos murais ainda percebemos o quanto o nosso país deve à memória dos presos e desaparecidos políticos, sendo o Brasil um dos poucos países em que não foram concluídas as investigações.Triste realidade!

No próximo dia  resolvemos sair com a  Branquela, já que o passeio seria mais longo. Iríamos até o Cerro San Cristóbal, um passeio muito interessante que possibilita uma vista magnífica de Santiago . Subimos de "bondinho"- chamado funicular - e a descida foi por um teleférico que tem várias paradas no trajeto. Sugiro que pare no maior número possível de estações: pare, curta as atrações, depois vá novamente até a próxima!  A vista da cidade com as cordilheiras ao fundo é estonteante, assim como o Santuário Imaculada Conceição - e suas estações da Via Sacra, que são verdadeiras obras de arte! Caso tenha a oportunidade de usufruir da tarde, a cereja do bolo será pegar o teleférico na hora do pôr do sol: assistirá um grandioso espetáculo! Foi lá também que experimentamos uma das famosas delícias chilenas: o "Mote com Huesillo"! Uma bebida tradicional, feita com suco de pêssego com grãos de trigo. Apesar de ter um aspecto pouco convidativo, deixe as aparências de lado, pois possui um gosto ótimo: - recomendado!

Estações da Via sacra

Mote con Huesillo - Tradicional bebida chilena


Fachada da Vina Concha y Toro.

É lógico que não poderíamos deixar de fazer um tour pelas vinícolas chilenas. Então, lá fomos nós degustar seus famosos vinhos! São muitas possibilidades e nossa escolha foi começar pelo tradicional e mais popular no Brasil: Vina Concha y Toro que fica no Valle Del Maipo, bem próximo de Santiago- aproximadamente a 10 quilômetros.
 A vinícola é bela, ampla e repleta de visitantes! É possível fazer a visitação pela propriedade, passando pelos
sala do Casilleiro Del Diabo

 vinhedos, onde se conhece os tipos das uvas que dão origem aos diferentes vinhos, pelas áreas de produção e de armazenamento e pelos salões de degustação e venda. 
Um dos pontos altos é a sala do Casillero Del Biablo, onde é feita uma projeção e contam sobre o inicio da vinícola e da conhecida marca. Ao final os visitantes ganham uma taça personalizada da casa. Os preços dos vinhos comercializados, fora das promoções, era mais caro do que nos mercados, assim sendo, aproveitamos para comprar os promocionais! Não recordo o valor da visitação, mas lembro que era um valor médio para este tipo de atração. E valeu "colocar no currículo: conheço onde se produz e vinho Del diablo".

videiras

 



 

 




entrada da vinícola

Outra vinícola visitada foi a "Vinhedos Veramonte", na região de Casablanca, produtora de vinhos orgânicos. Muito bonita a sede, com uma bela vista dos vinhedos. Um grupo estava sendo sendo recepcionado quando chegamos, deixando-nos um tanto perdidos, mas ainda assim aproveitamos para apreciar a paisagem e o bom gosto do ambiente. Os vinhos são ótimos, porém para nosso gosto e bolso, com preços um pouco elevado!

Vinícola Veramonte. Casablanca.


veramonte, área interna.

 





Continuando nosso "dia do vinho" fomos conhecer a Vina Casa Del Bosque, também na região de Casablanca, entre Santiago e Vina Del Mar. É mais voltada para os vinhos brancos e com uvas que produzem no inverno. O que mais gostamos foi de subir até o mirador de Branquela. Absolutamente sozinhos, ficamos apreciando aquela linda vista dos vinhedos. Acho que para ir ao mirador teríamos que comprar o pacote de tour, como não sabíamos, simplesmente ligamos a Branquela e fomos, depois que percebemos que talvez as coisas deveriam ter sido feitas de forma diferente. Confesso que adorei a pequena e inocente transgressão!
 Voltamos para a sede cuja área externa e o restaurante também convidam a passar horas de prazer. Para compensar o pequeno delito, compramos vários vinhos para levar para o Brasil. Os amigos e familiares aprovaram os vinhos e nós também. 

Loja de vinhos Casa Del Bosque. Ótimos vinhos.


 

 


Encerrado o passeio pelas vinícolas é hora de rumar para o litoral. Nosso destino será El Quisco, a 110 quilômetros da capital Santiago, onde fica Isla Negra, uma das casas de Pablo Neruda, atualmente transformada em museu.
 Antes de chegar em El Quisco passamos na praia El Tabo, já na região de Valparaíso, onde tivemos nosso primeiro contato com o gelado oceano pacífico. Chegamos estacionamos a Branquela à beira-mar e fomos caminhar na areia e andar pelos rochedos. O dia frio não afastou os corajosos surfistas do mar e vários cachorros da praia. Estávamos sem saber bem onde dormir e ficar, quando apareceu uma pessoa e apresentou-se como fiscal - não trajava uniforme, ou apresentou identificação - nos cobrando para ficar estacionados ali. Pela falta de clareza da situação e nossa condição de estrangeiros, tiramos o motorhome dali! 

Foi pura saudade do mar.

Praia El Tabo


Cabanas da brasileira Edna.









Ao estacionar mais à frente, observamos uma bandeira do Brasil em uma pousada. Decidimos entrar para buscar mais informações do lugar, eis que tivemos a grata satisfação de conhecer Edna, uma gentil mato-grossense, que mora no Chile há vários anos e tem uma pousada bem em frente ao mar! Convidou-nos para ficar em frente a sua pousada e a noite, juntos, saboreamos vinho, que regamos com um bom papo, na Branquela. Mais uma pessoa que fica carinhosamente em nossa lembrança! 

Enfrentando o frio.

    

Dormimos olhando o pacífico.


 

 

No dia seguinte, rodamos pelo litoral conhecendo a região e os pequenos balneários que ficam próximos entre si. Fizemos nosso almoço à beira-mar, andamos pelos bares e lojinhas, curtimos simplesmente estar ali, no tranquilo e belo litoral chileno, que até nos presenteou com um lindo pôr do sol no mar!


Pela manhã nos despedimos de Edna e fomos conhecer a famosa casa, onde  o grande poeta Pablo Neruda viveu grande parte de sua vida, após retornar ao seu país. Hoje transformada em museu a casa se chama Isla Negra, por conta da cor dos rochedos no mar a sua frente e ao seu isolamento. 

 Ele a construiu inicialmente com a ajuda de pescadores e moradores locais, grande parte foi feito artesanalmente, só mais tarde foi expandida e remodelada com auxilio de um arquiteto e de amigos. No conjunto é uma obra única! Bela! Autoral! E lá, escreveu seu livro "Canto General". 

 

Meu lugar preferido da casa.


A casa é toda decorada com referências ao mar e embarcações, inclusive há, na parte externa, um barco. Objetos pessoais e as suas coleções estão dispostos pelos ambientes, compondo um belo acervo. Pablo Neruda e sua terceira esposa, Matilde Urrutia, foram enterrados ali, conforme seu pedido no poema Disposicines. "“compañeros, enterrame em Isla Negra/frente al mar que conosco, a cada área rugosa de piedras/y de olas que mi ojos/no volverán a ver…”

Visão externa. Patio da casa.

Atualmente os corpos não se encontram mais na casa, foram retirados para investigar-se as causa de sua morte. A casa foi deixada por ele para o Partido Comunista, o que também não foi respeitado pelo governo. Atualmente além do museu, a casa abriga um restaurante com áreas internas e uma bonita área externa com vista para o mar. Parte da casa é reservada aos familiares. Paga-se um ingresso à visitação e recebe-se um áudio guia em várias línguas. À sua distância até Valparaíso é de 72 KM.

 

Isla Negra. Casa de Neruda.

Rosa suculenta. Será?

Na saída de Isla Negra encontra-se uma feirinha de artesanato e outra de frutas típicas da região. Avistamos uma flor que não conhecíamos, nem conseguimos identificar,  a achei  diferente e muito interessante, com a aparência de uma rosa de suculenta.
De lá fomos conhecer a maior piscina do mundo, localizada em algarrobo, dizem que Dubai está construindo uma que retirará o título do Chile. Como era caminho foi uma curiosidade para conferir.

Não sei mais os nomes.

Segunda casa de Pablo que visitamos.

 Depois de El Quisco, rumamos para uma das mais badaladas praias do Chile, Valparaíso. Chegando, fomos procurar local para dormir, o que percebemos que não seria fácil! Estacionamos no centro, para visitar um museu. Durante a visita, conversando com a guia, uma menina jovem e hiper simpática, sobre a dificuldade de local seguro, ela de cara nos ofereceu para estacionar em frente sua casa. Aceitamos, mas ao chegarmos constatamos que não havia área plana, sendo impossível ficar! Agradecemos a cordialidade e seguimos para a região onde fica a casa La Sebastiana, outra casa museu do Poeta Pablo Neruda - das três casas que ele tem no Chile, conhecemos duas -. Esta também fica em local privilegiado, no alto, com uma vista ampla da cidade e do pacífico e cheia de suas memórias. Tudo muito interessante, mas confesso que gostei mais de Isla Negra.

 Descemos para a parte baixa da cidade, pelas ruelas charmosas e cheias de bares, artesanato. Belo passeio!

Vista do porto no folicular

Valparaíso é uma cidade portuária, histórica, cultural, pitoresca e, pelo menos nesta oportunidade, descuidada. Localizada-se entre o mar - área portuária- e os morros, aqui chamados de cerros. Uma das suas atrações, inclusive a que mais gostamos, é exatamente subir os cerros nos funiculares - espécie de bondinho da década de 50 que deslizam em cabos de aço. A passagem é bem baratinha e existem vários deles na cidade. 
Nossa opção foi subir de funicular, passear a pé pelas ruelas estreitas, cheias de escadarias e casas coloridas, com uma arquitetura muito diferente e variada que encantam os olhos! No alto de Cerro Concepcion não deixe de andar pelo "paseo 21 mayo", parar em um dos mirantes e curtir o clima. 
Valpo, como é carinhosamente chamada pelos chilenos, é do tipo extremo: ame-a ou odeie-a. Um misto de favela e cultura. Em minha opinião ela é o tipo de visual que amo, arte nos grafites de rua, cultura, história, arquitetura, boemia. 
Carabineira nos avisando para não estacionar ali

 

Valparaíso-CH

arquitetura e arte Valpo.

Pensamos em pernoitar em um estacionamento pago, próximo ao bondinho, já havíamos conversado com o responsável, acertado preço, mas os anjinhos mais uma vez nos intuíram. Decidimos conversar com os policiais sobre a região e ouvimos a recomendação de não permanecer ali, não seria seguro, mesmo no estacionamento: - Bah! que fria!

 Decidimos comer em um dos charmosos cafés, instalados nas casas históricas das vielas do cerro, e depois seguir adiante para tentar dormir na vizinha Vina Del Mar, que ao contrário de Valparaíso, é organizada, regrada e limpa. De tão certinha perde parte de seu encanto, parece um bonito cenário montado. Mas é uma questão de gosto! As cidade com contradições, parece-me terem mais vida!

 Demos uma volta, de Branquela, pela cidade e paramos na bonita orla beira-mar para um chimarrão (cheia de placas proibindo MH), fomos caminhar até o belo relógio de flores e acabamos decidindo seguir em frente para dormirmos fora da cidade.

 Estacionamos em um posto de combustível com a permissão dos funcionários, ao lado de  outro carro de passeio que também pernoitaria ali. Às 7 h 30. fomos surpreendidos com uma pessoa batendo na lateral do motorhome, dizendo-nos que tínhamos que sair. Nem procuramos saber o motivo, simplesmente ligamos a branquela, agradecemos e partimos. Já deu pra nós, Vina Del Mar!


 
Beira mar de Vina Del Mar


Famoso relógio de flores
Vina Del Mar. E estava frioooo.

Concon. Chile

Encerrado o tour pelas cidades do belo litoral chileno, a nossa próxima parada foi no paradouro de Concon! Um lugar com um visual muito bonito, rochedos, aves e mar formando um belo conjunto.

 

 

 

Pernoite no posto de combustível.

 Voltamos para a estrada, com pernoite novamente em um posto de combustível, porém, desta vez, muito bem tratados: com direito a água, luz e um longo papo com o simpático gerente do local. Pela manhã rodamos mais  400 km até nossa próxima parada, a surpreendente Coquimbo. Sabe aquela cidadezinha que parece parou no tempo? é assim! As casas são "enfeitadas" com personagens teatrais nas janelas, ruas com bandeirinhas coloridas, um porto cheio de pescadores, e enseadas por toda parte. Estacionamos e fomos caminhar a pé na cidade, andamos pelo porto, fomos ao mercado público onde comemos um caldo maravilhoso.

Sopa chilena

 

Olha o charme das ruas de Coquimbo.

Não dá para ver, mas
 as casas são como teatro.

Vai um charque ai? de cabra e cavalo.

Branquela  no "Faro Monumental"

Coquimbo tem 150 mil habitantes, e um belo programa é passear pela costaneira até o terminal pesqueiro, para quem gosta de frutos do mar terá farta degustação. Subir até a Cruz Del Terceiro Milênio é outra opção para visitar. A cidade fica muito perto da vizinha, La Serena,  capital da Província de Elqui. Inclusive há uma via costaneira entre as duas cidades, então, seguimos da lá para La Serena.
 O ponto de referência da bela cidade costeira é o enorme  "Faro Monumental"  construído entre 1948 e 1952, na avenida costaneira com praias a sua direita e a sua esquerda. Estacionamos a Branquela ali, preparamos nosso chimarrão e ficamos admirando o pôr do sol e o movimento da cidade, não dá para passar em La Serena sem ir ao imponente farol. Há um bom comércio na cidade, mas como não era nosso interesse acabamos não indo para área central.
 Optamos em seguir para o interior, no Valle de Elqui, pela "Ruta de Las Estrellas". Uma região de produção agrícola, principalmente de uvas e também provar o pisco, um destilado típico da região. Foi uma ótima escolha.

 

La Serena

 

Ruta Valle de Las estrella. Circuito Gabriela Mistral. 


Seguindo esta rota, só o caminho pelo vale já é um belo passeio! Nós fizemos parada em uma das pisqueria mais conhecidas do destilado de uva: a Cooperativa Agrícola Pisqueira Elqui. Fundada há mais de 75 anos e reconhecidamente uma referência nacional, onde é possível conhecer o processo de produção e provar o " pisco Sour" famoso drink feito à base de limão e pisco. O local é belíssimo e interessante, recomendo umas boas horas por ali. Nós aproveitamos e almoçamos no próprio estacionamento para passar o efeito da deliciosa bebida, que se assemelha a uma caipirinha brasileira, antes de voltar a dirigir.

Pisqueria Copel.

Um brinde à vida com "pisco Sour"


pisco


“A palavra “Pisco” nasce do quechua e significa “pássaro”, uma excelente definição para esta bebida produzida  no Chile e que tem denominação de origem. Visite o Museu do Pisco no Valle Del Elqui e conheça ao vivo o processo desta bebida que cativa paladares ao redor do mundo”.

Camping Los Nogales


Refeitos do efeito do drink, seguimos pelo vale até um local onde formam-se os paredões que seguem no Rio Elqui, cheio de pedras e corredeiras. Mais um local para passar algumas horas curtindo a paisagem e o clima. Próximo, fica o Camping Los Nogales, nossa opção para pernoitar, dar uma geral, arrumarmos e limparmos a Branquela, lavar roupas e descansar um dia. A região tem vários campings, nós escolhemos este por indicação de brasileiros que já passaram por aqui e gostamos dele. Tem área para banho no Rio Elqui, porém como estava frio não nos atrevemos a entrar em suas águas!                             


Vina Falernia. Ótima opção.




No outro dia, continuamos em frente pela "Rota" até um povoado pequeno e charmoso onde estava tendo uma feira na praça. Tinha banquinhas de artesanato, produtos regionais, cantores! Entramos no clima e fomos provar as comidas locais.

 Na sequência paramos na Vina Falernia, que produz vinho de quatro diferentes áreas de cultivo no vale e oferece vinhos únicos e variados. As uvas são do tipo Syrah e Camenere. Para os apaixonados por vinhos é parada obrigatória. Aproveitamos para fazer compras tanto para presentear como repor o estoque. E outro ponto a favor da loja de vinhos é que situa-se em frente a um lago enorme, tendo ao entorno as montanhas das cordilheiras, formando um visual do vale de tirar o fôlego!

Embalse Puclaro. Vale de Elqui. Chile.

 




Estacionamento Vina Falerna.

É um lago artificial, criado por uma barragem no Rio Elqui, chamado de  " Embalse Puclaro", em Las Polvaredas. Vale muito rodar pelo seu entorno, fazer paradas para apreciar a paisagem e até fazer os esportes de água fartamente praticados no Embalse. 

Nossa última parada no Vale Del Elqui, foi na cidade de Vicunha, mais uma belezura de cidade entre as cordilheira e o vale. Com jeitinho de interior, toda bonitinha e florida. Lá dormimos ao lado da praça para no outro dia sair cedinho, voltando ao litoral.

Fizemos uma rápida passada, por pura curiosidade, na cidade de Copiapó, onde 33 mineiros ficaram preso por 69 dias. O fato causou uma comoção mundial, com transmissão ao vivo no vitorioso dia do resgate do grupo, quando finalmente a tragédia de 2010, teve um final feliz. Quando digo que foi curiosidade é apenas no sentido de que a mina não encontra-se aberta à visitação.

Seguimos e entramos na "Ruta Del Desierto", agora já estamos chegando próximo a um dos destinos que motivaram a escolha deste roteiro, o impressionante Deserto do Atacama. Vamos nessa! 

Ruta Del Desierto


Direto para o litoral, nosso próximo pernoite foi na aconchegante e simpática Caldera, já na região do Atacama. Uma praia pequena e muito bonita, ali assistimos um lindíssimo pôr do sol a beira-mar, em cima dos rochedos, rodeados de aves costeiras e com o farol ao fundo. À noite, a praça estava cheia de pessoas curtindo uma feirinha de artesanato,  banquinhas de comidas e música.
 Caminhamos, comemos e fizemos amizade com a querida Sakol Liticos, uma jovem chilena que fez questão de ir até a branquela conhecer nossa casinha rodante. Ela é apaixonada pela ideia de viajar pelo mundo e ficamos de papo por um bom tempo. Deu-nos dicas de onde estacionar para dormir, ali no centrinho, depois de nos oferecer para ir até sua casa -  desistimos pois era fora e queríamos ficar ali, no meio da muvuca.


Na boléia !
Farol de Caldera

   


Portaria do Parque Pan de Azúcar.

Seguindo as dicas de Sakol, decidimos atravessar o Parque Nacional Pan de Azúcar, que possui 43 mil hectares, foi uma ótima escolha! O Parque encontrava-se vazio, nem a sede estava aberta. Para nós não foi problema, muito pelo contrário: caminhar na areia, entrar no mar e dormir sob as estrelas em um local deserto foi um presente para ficar registrado eternamente na memória. De um lado, as montanhas, do outro, o mar rochoso com águas azul turquesa, e no meio, nós e a branquela! 

O Parque fica na fronteira, entre as regiões de Antofogasta e do Atacama. Ficam na área do parque, também, algumas ilhas, as quais depois soubemos terem colônias de pinguins Humbold e onde é possível agendar passeios de barco. Nesta nossa passagem, a opção estava indisponível.

 Outros atrativos que não conseguimos fazer, por falta de informações e de guias, foram as trilhas que levam às praias virgens e o mergulho em  Playa Blanca.

Ah! que final de tarde. Gratidão!

Cactus a plantas do deserto


Atravessamos o Parque curtindo muito a nova paisagem, já misturando características do deserto com o litoral, só esta travessia já vale cada quilometro! E a melhor sugestão: durma lá! o visual do céu estrelado é único! A estrada dentro do parque é simples, mas toda asfaltada, tranquila, e se reconecta com a Pan Americana norte, perto da divisa das duas regiões.

La portada. Antofogasta-Chile


E neste misto de mar e deserto, com as cordilheiras bem ao fundo, fomos em frente, em direção a Antofogasta. Nossa parada foi na La Portada, uma formação rochosa natural em arco, muito bonita. Ali ficamos admirando esta maravilha da natureza e tirando belas fotos. Fizemos um reconhecimento da cidade com a Branquela, mas estávamos ansiosos para chegar ao deserto, decidimos não ficar ali e pegamos a estrada novamente.

La Portada. linda formação natural.



Antofogasta

Campos de energia aeólica da região.

 

O caminho Tocopilla, Calama e São Pedro do Atacama é, em si, um belo passeio. O visual do deserto com montes nevados ao longe, vegetação rasteira, uma mistura de terra e areia no solo deixando-o avermelhado, e um céu, de um azul que completa o cenário, enchem os olhos de qualquer viajante!

 Ainda nesta rota, passamos na “cidade fantasma” de Humberstone, porém acabamos só dando uma volta de carro próximo a portaria, pois o horário de visita já estava encerrando. A cidade foi a única na região com colonização inglesa que ali explorou a mineração de salitre e cobre, depois abandonou o lugar. Revoltante ver mais uma amostra da colonização e exploração estrangeira. 

Paramos em outra cidade pequena, nos lembrou muito os filmes de faroeste americanos, com aquela poeira avermelhada, casas construídas no estilo que vemos nos filmes, uma pracinha com coreto e um museu contando a história da mineração na região. Infelizmente não encontrei anotações, fotos ou referências para localiza-la. Ficarei devendo!

Deu para fazer comida no meio do nada.




 


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Enfim, chegamos à São Pedro do Atacama, cidade referência para o turismo no deserto do Atacama. E não por acaso esta referência: é um lugar único, encantador e cheio de atrações.


Mapa turístico de San Pedro.

Estacionamento público San Pedro. Nossos pernoites.


 Escolhemos ficar no meio da muvuca, estacionamos onde saem a maioria das vans de turismo rumo aos passeios. Ficamos ali dois dias, durante o dia saíamos para os passeios e ao final retornávamos para curtir a noite na pequena cidade e dormirmos seguros. São Pedro do Atacama está situada em um planalto nas cordilheiras dos Andes, a paisagem inclui desertos, salinas, vulcões, gêiseres, fontes termais, enfim uma diversidade de cenários. 

Eu diria que está mais para um vilarejo, do que para cidade! E nisto reside seu principal charme: pessoas do mundo inteiro, convivendo nas estreitas e empoeiradas ruas de terra vermelha e casa de abode - mistura de barro com palhas - com o povo nativo da região, identificados facilmente por seus traços indígenas. Algum lagos abastecem a região, enquanto a distribuição da água em alguns pontos ainda é feita por canais de irrigação, favorecendo a vegetação e a arborização, fazendo São Pedro parecer um oásis em meio ao deserto. A cidadela é vista como ponto central de uma região com astral místico,considerado Centro Magnético o que atrai muitos exotéricos.


Casas de abode.

Igrejinha da cidade.
Iniciamos nossa exploração pelo centrinho e arredores, até para fazer a adaptação à altitude, essa é uma recomendação para não se ter problema com falta de ar e tonturas, o chamado mal do deserto. Visitamos a pequena e bonita igrejinha, que foi construída em 1774 pelos Jesuítas espanhóis. Andamos pelas ruas empoeiradas, sentamos na praça para tomar um chimarrão e curtimos aquela diversidade tão peculiar e mágica. Ao final da tarde, fomos organizar o pernoite, no estacionamento principal das saídas dos tours das agências. 
Os preços dos passeios contratados nas agências, com deslocamentos e ingressos, são caros. Para nós, que temos a opção de se deslocar com a Branquela, foi um pouco mais acessível, mas ainda assim consideráveis. Depois de passarmos nas agências de turismo, optamos por iniciar pelos atrativos mais próximos da cidade e por conta própria.

 Nosso roteiro iniciou no Vale de La Luna, na Reserva Natural los Flamengos. Uma formação rochosa que lembra o solo lunar, com rochas, areias e montanhas em tom rosáceo. Localiza-se próximo à cidade e tem uma portaria de ingresso, paga-se e é possível caminhar pelo vale, aproveitando a sua beleza impar. Sugestão é estar ali ao final do dia para curtir o lindo pôr do sol.

Portaria do Vale de La Luna.
Visual do Vale de La Muerte



No mesmo dia do Vale da Lua é possível fazer outra outra atração, nós conciliamos com o Vale da Morte. É possível chegar de carro e depois caminhar pelo cenário, que não tem relação o com o nome, eu diria que lembra bem o deserto, terra e isolamento. Umas das formações rochosas, esculpidas pela ação dos ventos e da areia é "Três Maria", que lembra a imagem de uma santa com manto. Outra atração as " Caverna de Sal", sugiro àqueles com claustrofobia, ou medo de lugares escuros, a não fazerem o tour, pois existem pontos de passagem muito estreitas e pouca iluminação. Durante a ida demos carona para um casal de jovens Suíços que estavam indo a pé para o vale - foi só o que conseguimos dialogar! hahahahah!

Ainda tivemos a companhia de cachorros que vagavam no deserto, visivelmente com sede. Demos água e ganhamos amigos!


 

 

 

Branquelinha isolada no deserto.

 



Amigos perros.
Ah o Pôr do sol no deserto!


Final do dia, antes de retornar ao estacionamento para o pernoite, paramos no Mirante do Vale de La Luna para ver o espetacular pôr do sol no deserto.

Laguna  Cejar. Quase um banho de sal
O dia seguinte, acordamos cedo e seguimos para o próximo roteiro escolhido. Desta vez, as Lagunas Cejar e Chaxa e o Salar de Tebimquiche, atrações imperdíveis, devido suas peculiaridades. 
Laguna Cejar. Flutuação obrigatória.



Salar de Tebimquiche 
Na Laguna Cejar é possível entrar na água, salgada, gelada e ficar boiando até aguentar! Sim, porque apesar da deliciosa sensação de flutuar e mesmo querendo não afundar, a enorme quantidade de sal é desconfortável ao olho e a pele. José não conseguiu ficar muito e correu para o chuveiro. Eu me deliciei naquela água, absolutamente transparente, quando saí e o sol 
secou minha pele, fiquei totalmente 
 "craquelada" devido o sal. 

Na Laguna Chaca o atrativo principal é observar e fotografar os lindos flamingos que habitam o lugar. Há caminhos sinalizando onde é permitido andar e demarcam a aproximação permitida. As belas aves desfilam elegantemente com sua coloração rosa, contrastando com o branco do Salar do Atacama e o azul da água, uma combinação perfeita.
Ojos Del Salar. San Pedro do Atacama - Chile

Ao final do dia, depois das Lagunas de água salgada, chegamos a um oásis de água doce, na verdade dois: os “Ojos Del Salar”! Duas enigmáticas crateras profundas, de água doce, lado a lado, no meio do nada. 

Nos preparando para o espetáculo noturno.


Um dos lugares que mais gostamos, tanto que, fomos ficando, ficando e ficando! Todas as vans turísticas saíram e permanecemos, resolvemos dormir ali mesmo! “Foi um dos presentes desta viagem, dormir no deserto, sem nada por perto, o céu maravilhosamente estrelado e limpo, vivenciando a mudança brusca de temperatura - chegamos com calor e a noite revelou-se gélida - e no amanhecer aqueles lindos "Ojos” a nos proteger! Inesquecível!

"Descobrimos" o frio do deserto

Ojos que reproduzem.
Trópico de Capricórnio.

Levantamos muito cedo para curtir bem aquele momento especial, fizemos nosso café, agradecemos a oportunidade ao universo, tiramos belas fotos e seguimos para nosso próximo destino, o vilarejo de Toconao e as Lagunas Altiplanas. Nossa programação era conhecer as Lagunas Miscanti e Miniques, um dos pontos mais altos da região, chegando a mais de 5mil metros de altitude.
 Porém, aconteceu-nos um imprevisto! Possivelmente devido à altitude, o motor da Branquela não teve “força” para subir. Em meio ao trajeto, ficamos estagnados.Tentamos seguir por três vezes, mas não conseguimos, soubemos mais tarde, que  lá, isto é algo recorrente: assim como nosso organismo a máquina também sente os efeitos da altitude.
 Chegamos a 4.660 e tivemos que voltar. Nada que nos abalasse, a paisagem é tão deslumbrante, com o Salar e as cordilheiras com seus picos nevados de um lado, e vulcões de outro, que se tornou um agradabilíssimo passeio! Voltando decidimos tentar outra opção de estrada e ir em direção ao Vulcão Lascar, que parecia acompanhar-nos na estrada!
 Estávamos subindo, já havíamos percorrido vários quilômetros, quando nos deparamos uma barreira da policia Chilena, os Carabineiros. Paramos, e ao buscar informações, para nossa total surpresa, a rota estava interditada, devido um abalo sísmico na madrugada. A região estava em alerta, devido a possibilidade do vulcão entrar em atividade, Ufa! Que baita susto! Nós não percebemos nada e estávamos felizes da vida indo em direção ao perigo. Mais uma vez, obrigada anjinhos!

Ai, foi dar meia volta e entender que devíamos voltar para uma região mais segura. Seguimos devagar, parando, curtindo aquele belo cenário, vendo lhamas, alpacas, vicunha - espécie de camelos típicos do Chile - ,atravessarem a estrada em nossa frente. Chegamos ao vilarejo de Toconao, pequena comunidade no meio do deserto, com uma igrejinha antiquíssima de abode, lojas de artesanato regional e umas poucas casas de moradores locais.

  É visível a captação da água das cordilheiras feitas por “valas” que descem da montanha, conservando um antigo, mas ainda usual meio de morar no deserto. No final da tarde resolvemos ir novamente até os ”ojos Del Salar” para um segundo pernoite maravilhoso, só que não deu certo. Estacionamos a Branquela, ninguém por perto, do nada apareceu uma van com dois homens -  parecia ser carro de turismo - e nos disseram que não poderíamos pernoitar ali, por ser área indígena e os nativos poderiam nos abordar. Na dúvida, ficamos inseguros com o possível episódio e optamos por sair, afinal aqui os estrangeiros somos nós, não vale a pena arriscar. Seguimos a frente e dormimos em um outro vilarejo próximo, na rua, em frente à sede dos carabineiros. Tudo tranquilo ali!
 Que sensação maravilhosa!


Que cenário é deslumbrante!
Flamingos.

Pela manhã fizemos mais uma parada no Salar do Atacama, o terceiro maior do mundo. Seguindo os caminhos de sal, várias atrações do deserto estão dentro ou próxima ao Salar, então, ao rodar por ali ele estará em volta.

Final de tarde, a dica é estar na Laguna Tebinquiche. Ela proporciona um espetáculo inesquecível de cores: o branco do sal, o azul das águas, e o laranja no céu é uma pintura divina. Nós aproveitamos o final do dia para andarmos pelo vilarejo, entrar nas lojinhas, tomar uma cerveja, curtir aquele cenário único.
 Gêyser Del Tatio .Visual na chegada às 5h da manhã.

 O nosso próximo tour foi com uma agência em van de turismo, isso devido o trajeto longo, os caminhos não demarcados e a grande altitude. Lá vamos nós em uma das atrações mais buscadas, famosas e inusitadas: os Gêiseres Del Tatio! Ficam a 80 quilômetros de São Pedro e para chegar a tempo de assistir o espetáculo matinal as excursões saem entre 4 h e 5 h da manhã. O campo dos Geyseres Del Tatio é um dos maiores do mundo e na verdade é um campo vulcânico, onde as águas das cordilheiras infiltram-se nas rochas vulcânicas, atingindo mais de 15 quilômetros de profundidade. Ao encontrar o magma vulcânico, em altas temperaturas, faz-se a grande pressão, que impulsiona a água quente, ou o vapor, fazendo-os surgir nas fendas. 

Entrar na água...só o pezinho.

Gêiseres Del Tatio







 Logo na chegada, com o dia nascendo, o campo coberto da névoa, o visual já impacta! O guia inicia falando sobre o local e dando as recomendações: não se aproximar, não tentar  tocar a águas com as mãos - devido à alta temperatura -, usar protetor solar, não sair dos caminhos demarcados. A temperatura pela manhã é muito baixa, negativa, e à medida que as horas vão passando o tempo começa esquentar. Sugiro que se vista com muitas roupas sobrepostas e fáceis de tirar - popular efeito cebola- e por baixo de tudo coloca roupa de banho! Sim, isso mesmo! No campo dos geyseres tem uma “cratera” de água quentinha, onde é liberado tomar banho! O pessoal se diverte tirando a touca, as luva, e os muitos casacos, sentindo-se gelados pulam na água quentinha. Nós não fomos tão ousados, tiramos os coturnos, os dois pares de meia de lã e colocamos os pés gelados naquela deliciosa água quente. Foi divertido e confortável! Depois de caminhar pelo campo, tomar banho, tirar muitas fotos era hora de ganhar um café da manhã delicioso e reparador de energias, servido ali em meio do campo de geiyseres, fornecido pela atenciosa agência de turismo.

Povoado  do povo Machuca. Casinha típica.
 Na volta do grupo, a agência faz uma parada no vilarejo do povo Machuca, onde pode-se fazer um lanche com comidas típicas, conhecer as casinhas típicas dos moradores e ver de perto os animais regionais. Outra paradinha do tour é uma montanha de pedras, onde o guia mostra e nos presenteia com pedras vulcânicas, pretas, brilhosas, muito bonitas! Este é um dos passeios com maior altitude, o que pode causar o “mal de soroche"- tonturas e falta de ar - e a recomendação é tomar muita água e chá de coca -bem comum e disponível no comércio.

o caminho é encantador.
No meio da tarde, encerra-se o passeio! Cansados e encantados, chegamos de volta a São Pedro do Atacama. Ainda tínhamos energias para finalizar o dia com um programa bem próximo à vila, o Sítio Arqueológico Pukara de Quitor, que ainda preserva alguns vestígios das construções, na maioria usadas como fortificações de defesa, de antigas civilizações. Este passeio pode ser feito de bicicleta e sem guia. Na volta à vila, mais uma vez dormimos no estacionamento de onde saem os passeios, até porque o próximo também será com agência e já estaremos no local da partida.

Vulcão Licamcabur nos acompanhou no trajeto.

Mais uma vez, no dia seguinte, saímos cedinho na van de turismo, agora rumo ao Salar de Tara, outro passeio distante (270 km ida e volta) e com maior altitude (4.500m), vale a recomendação de deixar para os últimos dias, quando o corpo estará mais adaptado. O Caminho para chegar a este Salar é tão encantador quanto o destino, por quase todo o trajeto somos “acompanhados”pelo visual do majestoso vulcão Licamcabur.

 Ele nos impressiona e nos lembra de que estamos no deserto, em terras com movimentações sísmicas, rodeados de vulcões e cordilheiras. O conjunto é um presente da natureza! Dentro do Salar de Tara - um dos maiores do mundo - são várias as atrações: os Monges de Pacana, as Catedrais de Tara, as Águas Callientes e o próprio fato de estar dentro da Reserva Nacional Los Flamingos.

Monges de  Pacana.
Nosso grupo tinha em torno de 10 pessoas, em carro tipo van. Alguns turistas passaram mal na altitude e não conseguiram aproveitar, o que não foi nosso caso! Logo na chegada é servido um gostoso café da manhã, com frutas, pão, sucos, chás. Depois fica liberado por um tempo pré-definido caminhar em torno dos Monges de Tara, formações rochosas em formato de moais. Diz a lenda que eles são os guardiões do deserto que foram petrificados para cuidar do local. A pedra mais alta lembra um índio, medindo em torno de 25 metros. Ali também fica uma linda laguna, com flamingos, onde é possível andar pelas trilhas demarcadas com pedras e tirar belas fotos. 
Catedral de Tara ao fundo

A próxima parada é nas Catedrais de Tara, um grande conjunto de pedras e cinzas vulcânicas que formam uma espécie de paredão -  lembrando o contorno de uma catedral. O Salar é na verdade a caldeira do vulcão Vilama e faz parte da Reserva Nacional Los Flamengos.

 Nosso almoço foi próximo às formações rochosas do salar, para nos proteger do vento, estava bom, porém escolhemos dar mais atenção ao cenário. Perceba, na sequência das fotos, de manhã há muitas roupas e no desenrolar do dia vamos tirando tudo! A temperatura muda drasticamente da manhã à noite. 

Agora um alerta: é aconselhável tomar muita água, ocorre que em todo o trajeto não há banheiros, a única opção será próxima à laguna, onde, em geral, os carros fazer a parada do almoço, fora isso é o modelo rústico, no deserto. Neste passeio não há cobrança de ingresso.

Camping Andes Nômades

Retornamos no fim do dia cansados e felizes. Caminhamos pelo centrinho, fizemos umas compras e escolhemos ir até um camping localizado a alguns quilômetros do vilarejo, o "Andes Nômades". O Camping é administrado por um estrangeiro, se não me engano um Sueco, que também tem um belo motorhome do tipo fora da estrada. O local conta com piscina, mas que neste dia estava sem água, uma boa área arborizada e cozinha coletiva.


Estabelecemo-nos e aproveitamos para uma organização geral da Branquela, somado a um descanso, antes de retomar a estrada. No dia seguinte chegou um grupo de brasileiros, viajando de barracas, então ficamos de papo, trocando informações com alguns deles, os quais infelizmente perdemos os dados no acidente.

 Um dos problemas da região, e que não conseguimos resolver no camping, é a água que em geral é salobra devido o sal. Dois dias ali dando aquele relex gostoso e com a casa reorganizada é hora de partirmos rumo à Argentina, estamos em rota de volta para casa.

 Ficou um gostinho de quero mais e um arrependimento: não ter feito o tour até a vizinha Bolívia, no Salar de Uyuni (saindo de São Pedro e leva-se três dias). Ah! faltou também o tour noturno para ver as estrelas.


Saímos cedinho em direção a fronteira, fazendo a mesma rota que fizemos no passeio para o Salar de Tara. Daí foi curtir pela segunda vez o mesmo cenário que tanto gostamos. Agora sozinhos, em nossa casa rodante, somos donos do tempo e da escolha de onde e quando parar. Mais uma vez admiramos a beleza do Vulcão Licamcabur e nos sentimos pequenos diante de grandiosidade do cenário.
 Em um recuo da estrada, estacionamos para fazer nosso almoço. Ali, no meio do deserto, com as cordilheiras à frente e uma laguna ao lado, foi uma refeição para ficar na memória afetiva. Aproveitamos para revisitar os Monges de Tara, já que se encontravam bem próximo da estrada principal, agora sem turistas, estávamos absolutamente sozinhos no lugar (em geral as excursões são todas no mesmo horário).
Majestoso


 Alguns quilômetros à frente, chegamos à divisa da Argentina com o Chile. Existem duas possibilidades de atravessar a fronteira, optamos pelo Passo de Jana, porque as informações que tínhamos, indicavam ser melhor a estrada. A travessia na aduana deve ter sido bem tranquila, pois não temos fotos nem lembrança - hahaha.

Retornando pra a  Argentina.
Passo de Jana. Fronteira CH/AR


 Paradouro Pasto Chico. Parada obrigatória
Depois de passar a Aduana na fronteira, nos despedimos e agradecemos a acolhida dos chilenos, entramos em território dos "hermanos argentinos". Logo à frente fizemos nossa parada de pernoite no paradouro Pastos Chicos. Um restaurante famoso por ser parada obrigatória dos viajantes do deserto, principalmente motoqueiros e motorhomeiros, que ali deixam colados nos vidros suas logos e marcas.
 O pernoite foi bem tranquilo, mas pela manhã notamos que havia um vazamento no vaso sanitário da branquela. Aproveitando que estávamos em um lugar com apoio José decidiu fazer o conserto ali mesmo. Foi uma manhã de trabalho e José, mais uma vez, faz valer a sua fama de Mac Gyver, colocando-nos em uma exposição nada discreta (tinha vaso sanitário e ferramentas espalhadas por todo o chão). Mais uma vez José deu conta do reparo, fazendo uma gambiarra provisória e depois do almoço seguimos viagem. 

Cenário típico da região.


A próxima parada foi mais uma surpresa inesperada e linda, as Salinas Grandes ou Gram Salar da Argentina. Um campo enorme de sal, onde ainda há a atividade de extração do sal. Bem próximo da estrada, os caminhões entram e trafegam pelo salar, misturados aos turistas. D
os locais de onde retira-se o sal ficam grandes aberturas retangulares, que permitem ver a água transparente, em um tom azulada, abaixo do sal. Só é permitido caminhar por áreas delimitadas, mas vimos pessoas de carro se arriscando pelo campo de sal. É um visual muito impactante, o branco se estende até onde a vista alcança e a gente se sente pequenino. A umidade do ar baixa e o sol escaldante contribuem para formar um cenário especial e cheio de sensações.
 
Que presente! pulos de alegria para comemorar.

"Cortes" no Salar deixa a água neste tom de  azul.

É nós no Sal.

Muitos caminhos para a Branquela Viajante.


Novamente na estrada, o trajeto daqui pra frente é repleto de grandes retas que “disfarçam” o aumento da altitude. Não se percebe, mas na verdade estávamos subindo as cordilheiras. E nesta etapa novamente o corpo sente os efeitos da altitude, dor de cabeça, respiração difícil e cansaço surgem. Depois de atingir o topo - 4.200 m de altitude - começa o sentido reverso, descer, descer, descer e foi ai que tivemos o problema.



Últimas imagens antes do acidente
É nós no deserto, literalmente sós.







 


Fizemos uma parada em um dos pontos com mirante, observamos e fotografamos as curvas da estrada, serpenteando a rota que se chama Cuesta Del Lipan. Retornamos para o carro e José deu partida, rodou uns 200 metros, a baixíssima velocidade. Logo a frente teríamos a primeira curva fechada, ao pisar no freio, José percebeu que o carro estava totalmente sem freio. Ele tentou novamente e nada, então me diz: - Estamos sem freio!

 Foi tipo uma sentença de morte! Estávamos sem freio, em um carro pesadíssimo, descendo uma cordilheira, em uma estrada de curvas contínuas e fechadas! De um lado, uma ribanceira, do outro uma muralha de rochas! José conseguiu fazer a primeira curva já com dificuldade, mesmo com a velocidade ainda estando baixa. Olhamo-nos e juntos falamos: - joga o carro no paredão! Foram apenas segundo, pareceram horas! Eu pedia socorro aos nossos anjos da guarda, enquanto José fazia a manobra de “jogar” o carro no paredão. Antes de chocar-se de frente, José, - como sempre, muito habilidoso na direção - conseguiu posicionar nossa Branquela e a batida que seria brutalmente frontal, suavizou-se quando  lateralizada. Ao nos chocarmos com o paredão o motorhome tombou no  asfalto. Foi tombando! Para nós pareceu em câmera lenta. Presos pelo cinto de segurança, nos olhamos, demos as mãos, percebemos e sinalizamos que estávamos bem. Agradecemos a toda proteção que nos foi concedida, a sabedoria de José e a nossa capacidade de coordenarmos uma ação rápida e possível.

Logo atrás vinham carros que foram parando e um especialmente, chamado Carmelo, certamente foi nosso anjo da guarda enviado pela espiritualidade. Tirou-nos do carro, sinalizou a estrada, ajudou-nos a recolher documentos e dinheiro - não achei meu celular - e nos levou até a cidade de Purmamarca. O carro ficou tombado no asfalto, ele pediu a policia para cuidar, para que não fosse saqueado. Passamos pela delegacia, para comunicar o acidente e fazer o registro, e só pela insistência de Carmelo nos atenderam na hora, providenciando os trâmites para a retirada do carro. Enquanto isso, ainda nos levou até um posto de saúde, bem próximo da delegacia, onde fomos examinados e liberados. Não tenho palavras que possam mensurar nossa gratidão.

 Gostaria de registrar ainda, a atenção especial da soldado Vilma Colque e da médica do serviço de saúde, que encontraram nossa filha na internet, me assistiram e emprestaram seus telefones. Recebam minha gratidão para todo sempre!

A Branquelinha ficou "esgualepada" diria o gaúcho
Para retirada do carro, tivemos que contratar e pagar um guicho local que se deslocou até o local do acidente com José e Carmelo, nosso anjo da guarda! Segundo os seus relatos, foi difícil recolocar a Branquela na pista e depois no guincho, mas deu tudo certo e nada foi mexido enquanto ficou lá. Ufa!
 Despedimos-nos de Carmelo, demos a ele os vinhos que sobraram inteiros, e mais uma vez firmamos nossa gratidão para sempre! Infelizmente perdi o papel onde ele escreveu seu nome e telefone, perdendo o seu contato.


Momento de agradecer!

O guincho deixou nosso motorhome em frente à delegacia da cidade de Purmamarca, província de Jujuy, por insistência de José - queriam coloca-la em uma via de acesso à cidade - e ali ficamos “acampados” pelos próximos dias até encaminharmos nosso retorno para o Brasil. 

Para o nosso consolo, a cidade de Purmamarca é uma bela e típica cidade andina. Com seu “Cerro de Los Siete Colores” a lhe envolver oferece aos turistas que ali passam, e param um cenário, pelo menos para nós, totalmente desconhecido. É um espetáculo de cores encravadas nas montanhas, adornando a pequena cidade. Os restaurantes com comidas típicas e o artesanato regional são outros atrativos do local, também próximo dali fica a quebrada de Humahuaca, onde se encontra o “Cerro de Las 14 colores” que ficamos devendo uma visita.


Agora um parêntese para falar de um dos seus moradores especiais, o Alberto!

No dia seguinte de nossa “estadia”, em frente à delegacia de Polícia de Pumamarca, saímos à procura de resolver o problema mais emergencial: dinheiro, ou melhor, pesos argentinos em espécie. Tínhamos acabado de passar a fronteira, ainda não havíamos feito câmbio na Argentina, tínhamos apenas alguns Reais e dólares. Então, conhecemos o Alberto, ele tem uma loja de artigos artesanais e troca de moedas quase em frente à delegacia. Socorreu-nos trocando Reais por Pesos Argentinos para pagarmos o primeiro guincho e desde aquele primeiro momento nos “adotou”, oferecendo a estrutura de sua loja para usarmos, foi de banheiro até intermediação do novo guincho para o Brasil, passando por internet, computador, telefone... e o impagável, a sua amizade!

Quatro anos após o acidente recebemos Alberto e sua família em nossa Imbituba.
Sem palavras para descrever a nossa alegria e gratidão.


Honrados em ter Alberto e sua família à nossa mesa.

Alberto e sua esposa Flábia.






 Mais um relato a se registrar, que reforça nossa crença na humanidade, na prevalência do bem, foi a ajuda recebida de um grupo de motoqueiros brasileiros até então desconhecidos. Fomos tomar café da manhã em um bar e lá estava um grupo de brasileiros conversando animadamente sobre seu retorno ao Brasil. Decidi na hora, ir até eles relatar o acidente, perguntando se não teriam moeda em espécie para trocar, já que estavam retornando. O Resultado? Saímos da conversa com alguns Reais, resultado de uma vaquinha feita ali, na hora, com a única garantia da nossa palavra de fazermos o depósito nas suas contas - a nossa filha fez o depósito, no final do dia a cada um. Mas deste episódio, o que desejo registrar são a confiança e a solidariedade que eles tiveram, afinal até então não sabiam nada de nós. Foi uma ajuda de irmãos de estrada mesmo. Pedro Márcio Biazon e Gilson Vila Machado, nosso agradecimento por suas atitudes e por nos reafirmar que o bem prevalece.

E não foram só estes dois casos, tivemos também o prazer de conhecer em Purmamarca, neste momento tão atípico, os Kombeiros da “Kombiviajante”, Bruna e Luiz que estavam em viagem pela América Latina. Eles já se encontravam na cidade e logo que viram nossa Branquela Viajante toda avariada na rua se aproximaram. Além da companhia, bons momentos de descontração e até um pouco de risadas para relaxar, ofereceram-nos o que tinham: alguns dólares das suas reserva de emergência, o que obviamente não aceitamos, já que eles seguiriam viagem para a Bolívia. Porém o mais precioso nos deixaram, o exemplo de solidariedade e amizade espontânea. Obrigada, meus queridos!

Depois de cinco dias “acampados” na rua, em frente à delegacia, com o apoio maravilhoso de Alberto, finalmente a Branquela foi erguida para o guincho que nos levaria até a fronteira da AR/BR. A viagem durou 20 horas, o motorista do guincho, Manoelito, dormiu apenas alguns minutos na madrugada, horário que ficamos na Branquela, de resto foi na cabine com ele, convivendo com seu hábito de mascar coca o tempo todo.

 Precisávamos chegar à Uruguaiana antes do banco fechar para retirar dinheiro e pagar o guincho, em espécie. Foi um sufoco, mas com a ajuda de um apoiador do grupo “Apoio as pessoas que viajam de MH”, Getulio, tudo deu certo. Obrigada querido!

 Branquela Viajante já colocada no guincho brasileiro, encaminhado pelo Seguro, foi hora de relaxar um pouco e seguir para Caxias do Sul, de ônibus, onde nossa amada filha Gabriela nos aguardava com uma recepção emocionante: balões, cartazes e muito, muito carinho. Ai foi chorar, agradecer, comemorar a vida, reverenciar todos que nos ajudaram e valorizar a possibilidade do afago de quem amamos.

 Depois de nossa chegada em Caxias do Sul, devidamente instalados na antiga casa de minha mãe, reunimos alguns amigos e familiares para comemorar o aniversário da filha Gabriela, no dia 25 de Abril. Celebramos à sua vida, à nossa vida e à humanidade! Parabéns amada filha! És nosso maior orgulho.


Dias de viagem: 43 dias

De 12 de Março de 2018 a 23 de Abril de 2018.

Nesta viagem (devido a perda de nosso diário com as anotações), não vamos relatar os gasto e quilômetros percorridos.

 Restou em nossa memória e nos registros fotográficos, a maioria dos locais percorridos,  os quais sinalizamos no mapa a seguir. Talvez contenha erros de nomenclatura, continuidade, localização, ainda assim optamos por registrar, como forma de desafio e resiliência.


Nosso roteiro.

  

Curiosidade do pós-acidente:

Sobre os trâmites e gastos para trazer nosso MH para o Brasil que todos sempre nos perguntam esclarecemos:

- Guincho na Argentina, do local do acidente até Pumamarca custou R$ 2 mil.  Pago por nós;

 - Guincho de Pumamarca até Uruguaiana, custou R$ 10 mil. Pago por nós;

- Guincho De Uruguaiana até Caxias do Sul foi pago pela seguradora "Gente Seguradora" - segundo o corretor o seguro só cobria guincho no território brasileiro;

- O conserto mecânico/chapeação do MH foi feito na oficina Auto 78, de Caxias do Sul, indicada por nós. Cobertura total do seguro;

- Desmontagem e posterior montagem dos móveis da lateral do caroneiro. Feitas na Tourlife Motorhome de Estância Velha-RS. Cobertura do seguro da Gente Seguradora.


Neste processo todo tivemos alguns perrengues. O principal foi o tempo transcorrido, um ano até nos entregarem o MH pronto. Os motivos da demora foram a falta de peças, erro na compra de janela, idas e vindas do MH entre Caxias e Estância Velha e principalmente uma “batida” no capô da Branquela, por um veículo dentro do pátio da Tourlife, que foi difícil o responsável assumir. Depois de muito estresse (Sergio, dono da empresa onde os móveis estavam sendo refeitos, a Gente Seguradora e o dono do veículo que causou o acidente não queriam assumir a responsabilidade, jogando um para o outro), com a intermediação do corretor Bazacas, foi resolvido e feito o novo capô, na Auto 78, pago pelo proprietário de veículo que atingiu a Branquela.


GRACIAS A LA VIDA!



Créditos de revisão: Sâmia Danielle Neves de Araújo.