sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Viagem às Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, saindo do Sul do Brasil de Branquela Viajante, em 2022.







 

Viagem às Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, saindo do Sul do Brasil de Branquela Viajante, em 2022.

 

Saímos para a estrada mais uma vez na nossa querida Branquela Viajante. Nosso objetivo nesta viagem será para conhecer, mais especificamente os Estados do Pará e Tocantins na região Norte e Maranhão no Nordeste, que ainda não conhecíamos. Também revisitar estados de outras regiões como goiás e São Paulo. Vc é nosso convidado, venha!  nos acompanhe nesta aventura.

A vigem aconteceu entre os dias 25/06/2022 e 22/09/2022, portanto será o relato de 90 dias e quase 12 mil quilômetros de lugares bonitos, cenários impactantes e situações inusitadas para se deliciar.

Saímos da nossa bela Imbituba SC em direção a Caxias do Sul - RS onde iríamos fazer a revisão da Branquela e de onde partiríamos para conhecer um lugar pendente na nossa lista de “lugares para se conhecer no RS”, o famoso Viaduto do 13, em Vespasiano Correa.

Em Caxias do Sul, onde temos vínculos fortes, passamos três dias, envolvidos entre oficina, médico, e visita a amigos. E, claro, aproveitamos para matar a vontade de comer aquele Bauru ao prato que só lá tem, fomos acompanhados pelo irmão Jorge e a cunhada Simone e ali firmamos a combinação de esperá-los em Palmas -TO para conhecermos juntos o Jalapão. Dormimos uma noite dentro do condomínio onde eles moram e onde ainda temos um imóvel e outra no nosso amigo Tunico que se encontra enfermo. Foi muito bom estar com ele e sua companheira Ana. Visitamos também o Complexo Dalbó, espaço público bem interessante a beira da barragem do mesmo nome. Deu até para fazer um almoço lá, contemplando a natureza.

Dia 29 partimos cedinho com a programação de tomar o café da manhã no Santuário de Caravágio, em farroupilha - RS, e assim foi. O lugar é bem gostoso e vale uma parada para agradecer e pedir proteção nas estradas. Dalí seguimos para Vespasiano e já na chegada aos viadutos fomos desafiados. Para chegar há uma descida íngreme de estrada de chão, por sorte havia outra opção de saída e não teríamos que subir de volta.

Sua denominação se dá por ser o décimo terceiro de uma sequência de viadutos férreos que se inicia na cidade de Muçum. É parte da estrada de ferro EF 491, Ferrovia do Trigo. Próximos e visíveis também estão os viadutos 11 e 12, no entanto, o título de maior viaduto ferroviário da América Latina, com seus 143 m de altura e 509m de extensão lhe tornam a maior atração da região. Foi construído na década de 70 pelo Exército Brasileiro e é um dos orgulhos da engenharia brasileira.


 
 Estávamos indo de motorhome até a parte alta do viaduto 13, achamos muito perigoso e decidimos voltar e ficar na base, boa escolha. Ali tem o Camping Paraíso Tropical, com água, banheiro e um pequeno restaurante, serve como parada para muitos dos aventureiros que fazem as trilhas da região. Bem instalados na base foi mais tranquilo e gostoso fazer a caminhada até os trilhos e apreciar de vários ângulos a magnitude da obra. Atualmente é proibido caminhar em cima do viaduto pois ainda passam trens, ficamos sabendo que seguidamente há pessoas desafiando a proibição, não foi nosso caso


Dormimos no camping, “aos pés" envoltos pela natureza exuberante. A noite estrelada, o barulho do riacho e o canto dos pássaros foram as nossas companhias na noite congelante.  Vale muito conhecer o lugar e transitar pela região, com suas plantações e plátanos a beira das estradas.

Nosso almoço no dia seguinte foi na cidade de Guaporé-RS, famosa por sua produção de Lingerie e, lógico, aproveitamos para repor o estoque. As margens da BR 129 têm um pequeno shopping com lojas direto das fábricas, com preço ótimos e fácil acesso, fica a dica! Outra dica, na rodovia tem vários pés de laranja se oferecendo aos viajantes, pare, colha e experimente.

Ao final da tarde fizemos nossa parada para pernoite no pequeno município de Três Arroio, estacionados ao lado da igreja, com a segurança afirmada pelo nosso ilustre visitante, delegado Chico, que veio conhecer a Branquela Viajante.

Pela manhã, depois de um gostoso café na tranquila cidadezinha, seguimos em direção ao Paraná. Tivemos uma parada estratégica em União da Vitória para uma troca de para-brisa, mais um que trincou com a pancada de um pedregulho. De volta a estrada pela BR 153 rodamos até o Posto Carretão do Grupo Ravanello, próximo a Paulo de Freitas. Estrutura muito boa, chuveiros ótimos, lavanderia, restaurante. Ótima opção para que está se deslocando pela região.

 Com as roupas lavadas e um gostoso banho de chuveiro – bem mais demorado dos que a Branquela permite – lá fomos nós para a estrada, ainda pela BR 153. Nosso almoço foi no Balneário Arroio da Ingrata, em Tibagi – PR.  Banhada pelo rio do mesmo nome é mais uma pequena cidade com atrações de esportes de aventura, como canoagem e rafting. Ainda no município, à tarde, fomos conhecer o Parque Estadual do Quartelá, que fica a 18 km da cidade, acesso por asfalto - apenas 1.5 km de estrada de terra, já na entrada do parque.

 Vale a visita! trilhas gostosas, lugar amplo, aberto, bastante verde e um mirante que oferece   belo visual do cânion do Rio Lapó e da cachoeira da ponte de Pedra. Há a possibilidade de banhar-se nos “panelões” que se formaram pela ação do vento e da água no rio - nós pulamos o banho. 

O ingresso é gratuito e abre de quarta a domingo. Como não é permitido o pernoite no parque, e não há campings próximos, decidimos dormir na estrad mesmo.

   Estacionamos junto a cancela de acesso ao parque. A noite estava totalmente escura, ressaltando o céu repleto de estrelas acompanhado de um silêncio total.  Eventualmente acordávamos com o mugido das vacas, que vizinhavam com a Branquela Viajante. Foi um pernoite rural bem especial!

Acordamos nos sentindo parte do cenário da plantação de trigo no entorno, ali mesmo tomamos café para logo pegar novamente a BR 153 até SP. Há um trecho próximo a Marilia com muitas cerejeiras e ipês, ambos estavam floridos, oferecendo um espetáculo aos viajantes. Paramos próximo para fazer nosso almoço - uma rápida e prática massa alho e óleo.

Procurando no aplicativo Viva Sobre Rodas uma referência para pernoite, encontramos um camping particular cidade de Ubarana, lá vamos nós. Chegando na cidade, já final da tarde, paramos para abastecer em um posto de combustível. Também estava abastecendo uma ambulância do município e perguntei ao motorista sobre a cidade e qual melhor local para ficar. Resumo da ópera: ele ligou para o Secretário de turismo, que liberou nosso ingresso no camping municipal, sem custos e fora do horário da portaria. O lugar foi recém reformado, fica às margens do Ribeirão da Fartura- afluente do Tiete e conta com infraestrutura ótima- banheiros, churrasqueiras, quiosques, arborização, portaria.

Na portaria fomos gentilmente recebidos, já tinham inclusive a recomendação de nos aguardar. E as surpresas não pararam por aí. No dia seguinte recebemos o Junior, com uma cesta de produtos da região, oferecida pela secretaria de turismo. Em retribuição gravamos um vídeo para o site da Prefeitura, logicamente, rasgamos de elogios o município, a administração e o balneário - tudo merecido. A “cesta da Bia” cheia de iguarias deliciosas, ficou para sempre em nossa memória, voltaremos. Este é um belo exemplo de cidades que acolhem o turista e sabem investir no segmento. Parabéns!

Foi tão boa a recepção e a estadia que decidimos passar o dia e pernoitar mais uma noite, estacionados a beira do rio - que na verdade neste ponto parece um lago – para na manhã seguinte ver o sol nascer neste cenário. Valeu a escolha, foi um espetáculo o nascer do sol refletindo na água.

No dia seguinte cedinho voltamos para a estrada. Passamos na divisa SP/MG no município de Itumbiara, aproveitamos para saborear um delicioso pão de queijo mineiro. Para nossa surpresa novamente uma pedra no para-brisa causou um trinco. Deixamos MG para trás e rumamos ao nosso destino de hoje - Rio Quente, em Goiás.

Ficamos no Camping Alvorada em Rio Quente, apesar de estar em obras ficamos bem instalados, aproveitando o rio de águas quentes - no caso mornas - que passa dentro dp camping. Como o camping é bem localizado a noite saímos para caminhar a pé pelo centrinho do bairro. Deu para tomar um chopp gelado com cebolas empanadas ao som de música ao vivo. Valor do Camping R$ 30,00 a diária por pessoa.

No dia seguinte fomos passar o dia no famoso Hot Park, um parque de águas quentes e vários atrativos - ingressos custaram R$ 241,00 - duas meias entradas. O lugar é bem gostoso, tem várias piscinas, áreas verdes, restaurantes, boa opção para famílias com crianças. Tem um amplo estacionamento para deixar o motorhome. As águas do parque são também oriundas do Rio Quente. Foi um dia de total relaxamento.

Por dica de uma moradora fomos conhecer o balneário público do 
rio, chegamos e já tinha outros viajantes no local, um casal de colombianos, com uma criança e três cachorros viajando em uma kombi. Observando o grupo se divertir em família refletimos sobre a importância de respeitar todos os modos de vida e que o importante é cada um escolher seu jeito de ser feliz.  

Nosso último dia na cidade acabamos dormindo na cidade, ao lado da igreja, porque já estava anoitecendo e no dia seguinte sairíamos cedinho para a estrada. Aproveitamos para ir assistir uma missa e conversar com moradores locais que vieram até nossa Branquela Viajante.
  Na saída da cidade procurando um local para lavar nossa Branquela Viajante, encontramos uma comunidade terapêutica, com esta e outras atividades para manutenção da casa e ofício para os internados. Passamos algumas horas ali, visitamos a entidade e conversamos bastante com o responsável. Casa limpa, hora de pegar a estrada até o próximo destino - Pirenópolis.
Depois de rodar durante o dia chegamos na Basílica do Pai Eterno, em Trindade - GO. Visitamos a basílica atual e a nova basílica que está sendo construída e é motivo de uma polêmica envolvendo o padre que coordenava a instituição. Nos pareceu um mausoléu! A cidade está toda voltada para o turismo religioso: feirinhas de produtos religiosos, alojamentos para romeiros, alimentação de rua... O pernoite foi estacionado ao lado da Basílica, com outros três vizinho de MH todos de SC.
 A passagem por aqui foi nossa homenagem a mãe de José, Dna. Rosalina, que faleceu a pouco e era  devota.

Chegamos em Pirenópolis e fomos direto nas informações turísticas. A recomendação foi de estacionar na rua que ladeia o rio ou próximo a rodoviária, optamos pela primeira dica. O lugar é super central, muito verde, pareceu tranquilo, e foi.  Dali é possível caminhar pelo centrinho, ir até a área dos inúmeros restaurantes e bares espalhados pelos antigos casarões e calçadas coloniais. A cidade realmente é um charme como nos indicou o amigo Rômulo de Brasília.

 Durante o dia rodamos pela cidade, explorando seus cantinhos, admirando a sua arquitetura antiga, a noite fomos assistir uma roda de samba que acontecia em uma das quadras de cultura. Depois foi comer uma deliciosa pizza, em um restaurante com vistas para o rio.

Pela manhã acordamos com um pneu do MH murcho. Foi uma correria e um sufoco achar e estacionar em uma borracharia, antes do pneu esvaziar totalmente, porque as ruas de Pirenópolis são estreitas e com ladeiras. O borracheiro nos deixou estacionados na rua, em local íngreme e demorou bastante em atender, mas apesar de seu mau humor, no final tudo deu certo. Perrengues do caminho!

Decidimos fazer um tour também pelo interior, conhecer a área rural e suas famosas cachoeiras. Nossa escolha foi ficar em uma propriedade com Camping, trilhas e cachoeira. Ótima escolha! Ficamos dois dias aproveitando a trilha da Cachoeira da Usina Velha, a prainha do rio, a imensa área verde, e ainda organizamos a casa. Na estrada uma das limitações é área para lavar e secar roupa. Estávamos praticamente sozinhos, apenas algumas barracas. A estrutura do Camping “ Sobra da Mata “ é boa, com o necessário e estava bem limpo e organizado. Valor R$ 50,00 diária para o casal.










Na sequência continuamos a rodar pelas estradas de terra do interior e acabamos “caindo” em uma serrinha, muito íngreme, estreita e perigosa - pior, não tinha onde fazer retorno. Mais uma vez nossa Branquela foi guerreira, apesar do sufoco chegamos ao topo e do mirante vimos o quanto havíamos subido. Dá para ver a cidade e região- apesar do lindo visual, confesso que estávamos tensos.


Aí foi tentar uma opção para não descer pela mesma estrada. No caminho havia entradas para outros atrativos, não nos arriscamos entrar devido à dificuldade do terreno. Tocamos em frente e nos deparamos com um seringal ativo, com muitos trabalhadores extraindo o látex, naquele tradicional formato dos cortes diagonais – presentes que só os aventureiros recebem. Passamos ainda de motorhome por dentro de dois córregos, ambos com água que permitia a passagem com segurança, mesmo assim desafiadores. Aventuras e Presentes do Universo!

 E mais uma surpresa da estrada: Em uma curva nos deparamos com uma placa “Parque das Cachoeira” ali, a 100m da estrada. Entramos e fomos recebidos pelo caseiro, Sr Tico, que nos informa estar fechado, só abre nos finais de semana, mas... podemos entrar e ficar. Foi maravilhoso, fizemos uma refeição na Branquela e o convidamos, rolou bom papo e uma nova amizade. Nos liberou para fazer as trilhas, indicou os acessos, deu dica das mais fáceis e bonitas e lá fomos nós para a Cachoeira Coqueiro e Garganta. Dormimos ao lado da sede, aliás muito bonita, móveis rústicos de bom gosto. Cobrou R$ 50,00 para o pernoite e cachoeira, acabamos dando mais como agradecimento.

Nos despedimos de Pirenópolis agradecido pela experiência, tanto a urbana quanto a rural, ambas muito marcantes - lugar para voltar, com certeza. Ainda rodando pelo interior saímos novamente na BR 153, em direção a Rialma. Na cidade fomos no rio que divide Rialma e Ceres, tem uma área de estacionamento embaixo da ponte, não achamos seguro e retornamos para a BR até o Posto Raulin. Ali pernoitamos, com luz, água, internet e um gerente muito atencioso. Veio conversar no MH, deu dicas de lugares para José pescar em Luiz Alves e Peixe, um gentleman. Obrigado!

No dia seguinte saímos em direção a Luiz Alves, dica do Saulo, gerente do posto. Erramos a estrada e rodamos 50 km em estrada de terra com trechos em construção de asfalto. Que furada! A compensação foi boa, quando voltamos para a via correta encontramos uma super horta na beira da estrada, paramos, compramos sacolas cheíssimas de verduras, variadas, lindas, a 10 reais. Rodamos até Pilar de Goiás, terra de garimpo, onde almoçamos e dali até Luiz Alves -TO, terra famosa pelas pescarias no Rio Araguaia. Chegamos a tempo de assistir nosso primeiro pôr do sol no Araguaia, lindíssimo.

Fomos ver sobre os barcos de pesca e descobrimos que são muito caros (em torno de 5 mil reais), ficam uma semana no rio, normalmente locados por grupos de amigos que vem do Brasil todo para pescar. Não é para José este tipo de programa. Optamos por fazer uma volta de barco pelo rio, o mesmo vai até a ponte em construção que ligará MT/TO e depois a ilha da “prainha” lugar de lazer da cidade, acabamos não descendo e voltamos para a cidade, muita muvuca.  Barco R$ 50,00.

Rodamos pela cidade e pela via beira rio e não achamos um lugar legal para parar. José ensaiou uma pescaria de piranhas, na brincadeira, com menino David e seu pai. Eles viajam em um caminhão vendendo brinquedos. Resultado: Luís Alves não será desta vez que ficaremos! Passamos a noite na rua, próximo da pescaria de piranha e cedinho seguimos viagem.



O dia seguinte foi confuso. Novamente erramos estradas tentamos saber como chegar a São Félix do Araguaia, lugar que quero muito conhecer em razão do trabalho de Dom Pedro Casandáliga, uma das minhas referências em trabalho de base e importante em minha formação. Depois de muitos kms de vai e volta comendo poeira e recebendo informações contraditórias, chegamos à conclusão que seria impossível chegar por este caminho, eu muito frustrada desisti.  Gostaria de pedir para pernoitar em uma das muitas fazendas no caminho, José não quis tentar, e acabamos dormindo em um posto de combustível, cheio de caminhões com porcos, galinha, vacas e muita poeira.

Dali cedinho saímos para a cidade de Peixes -TO, outra indicação de lugar famoso de pescaria, desta vez no Rio Tocantins. Primeira tentativa de estacionar foi ao local de onde saem os barcos, em frente uma pousada- lugar indicado no IOverlander. O “guardador” já meio alto de bebida queria nos colocar na calçada, terreno irregular, e cobrar 100 Reais por dia. Fugimos dali muita muvuca e a sensação de estarmos sendo enrolados. Fomos em outra bairro onde tinha referência no aplicativo Viva Sobre Rodas - Rancho Vitória - às margens do Rio Tocantins

Foi uma ótima troca. O estacionamento do rancho foi um dos poucos lugares no Tocantins que estacionamos em grama- até agora overdose de pó ou barro. O Rancho permitiu uso de banheiros externos e o píer de acesso ao rio. Ficamos três dias acampados, aproveitando a beleza do Rio Tocantins, observando o vai e vem dos barquinhos atravessando pessoas, geladeira, motos. Fiz até algumas travessias para outra margem, acompanhando os barqueiros e conhecendo a realidade enquanto José” tentava “pescar.  Tem a opção de alugar um caiaque do rancho e se aventurar no rio também.

No segundo dia fomos fazer um passeio de barco até a “Prainha da Tartaruga”, Cobram a R$ 80,00 a travessia, levam e combinam a hora de buscar depois. São “praias” de rio, onde são montadas estruturas com barracas, som, restaurantes, cadeiras de praia nas margens dos rios ou em “ilhas” formadas pelo assoreamento do rio. Comemos peixe e tomamos uma cervejinha gelada ao sol. Delícia!

 No outro dia fomos conhecer outro ponto do rio. Com o barco de um morador local navegamos ria acima, parando em várias “ilhas” onde as pessoas da região costumam acampar, algumas tem até estrutura fixa de barracos, e ficam dias lá pescando e aproveitando a beleza do rio. É a praia dos locais, percebemos nas viagens que é uma tradição das populações que moram longe do mar e perto dos grandes rios.

Ficamos três dias literalmente acampados. Cozinhamos, lavamos roupas, pescamos, passeamos de barco, muito banho de rio, nascer e pôr do sol maravilhosos a cada dia. No píer do rancho tem uma área aberta que parece uma piscina, lugar especial para o banho no rio e se balançar nas redes.  Para nossa maior satisfação o preço do lugar foi uma bacatela R$ 15,00 ao dia (olha que tinham nos pedido 100 Reais, na rua).

Hora de pegar a estrada novamente, temos compromisso com meu irmão e cunhada. Na passagem por Caxias do Sul deixamos combinado um encontro em Palmas -TO para juntos conhecer um dos locais queridinho do Brasil, o famoso Jalapão.


Chegamos em Palmas dois dias antes deles. Fomos direto para a Praia da Graciosa e como gostamos muito do lugar e já era tarde decidimos que dormiríamos ali mesmo, estacionados na rua, em frente a sede dos Bombeiros. Deu para caminhar na orla, tomar chimarrão, assistir a constante saída e chegada dos barcos de turismo e ainda aproveitar a noite com a feirinha e os barzinhos de música ao vivo bem pertinho de nós. Muito bom!

O dia “livre” a aproveitamos para mandar lavar o MH, fazer troca de óleo, consertar a porta que não fecha bem. Deu tempo para conferir a agência que nos levará ao Jalapão e acertar a pousada onde deixaremos a branquela durante o tempo que estaremos no jalapão - Iremos de agência com carro 4x4 conforme várias dicas recebidas.

Nosso almoço foi no Parque dos girassóis, onde ficam concentrados as sedes representativas dos três poderes da república: executivo, legislativo e judiciário. Palácio do Governo - sede do governo Estadual, Assembleia Legislativa Estadual, sede do Poder judiciário. Lembrando que Palmas é a única capital brasileira que foi totalmente planejada na sua criação em 1989. Realmente é impressionante as enormes avenidas, a arborização, a distribuição geográfica, a fluidez do trânsito...é visível a organização e o planejamento urbanístico ali, e mais, percebe-se que foi pensada para o futuro - a sensação é que sobra tudo, espaço, tráfego, áreas comerciais e de moradia.

Visitamos um local indicado em uma prainha de rio para deixar o motorhome e pernoita ao lado de uma barraca de praia. Não achamos interessante e optamos por voltar para a praia da Graciosa, bem central e movimentada e deixar a Branquela no estacionamento da pousada onde dormiremos na noite da saída para o jalapão. A noite mais vez aproveitamos para curtir a movimentada e alegre orla, dormindo na rua, em frente a sede dos bombeiros.

No dia da chegada dos nossos futuros parceiros, antes de buscá-los no aeroporto, fomos conhecer mais um parque. O Parque Cesamar, mais um lugar gostoso, arborizado, cheio de capivaras, pistas de caminhadas lago, deu para fazer nosso o almoço - delicioso carreteiro - mais afastados e com tranquilidade. Tentamos também uma parada em um rio próximo a rodovia, ao lado da ponte, ficamos pouco, achamos inseguro.




16 horas fomos para o aeroporto receber nossos parceiros, e dali fomos direto para a pousada deixar as malas, tomar banho e contatar a agência para acertar a saída na manhã seguinte. Tudo organizado fomos todos para a orla curtir a noite. Comemos na panela de Barro uma deliciosa comida com aipim e espetinhos.
Partimos rumo ao jalapão com a agência 4X4, eu Lú, José, meu irmão Jorge e a minha cunhada Simone. Foram cinco dias intensos e inesquecíveis. Para facilitar a leitura e pesquisa vou fazer uma página separada relatando nossa experiência no jalapão. Aqui só vou dar um resumo. 

Pacote R$ 4.480,00 incluindo deslocamento de carro com guia, hospedagens em hotéis e pousadas, ingressos nos atrativos e almoços. Lugares de paradas para pernoites: Ponte Alta 2 noites, Mateiros e São Félix.  Atrativos visitados: Fervedouros do Ceiça, Buriti, Macaúba, Alecrim (noturno) e Bela Vista; outros atrativos (na sequência visitada): tirolesa, cachoeira escorrega macaco, cachoeira roncadeira, cânion Sussuapara, lagoa do japonês, pôr do sol no mirante de Ponte Alta, pedra furada, prainha do rio novo, árvore dos desejos, dunas do jalapão, cachoeira da formiga, cachoeira das Araras e Catedral de pedras. O que mais gostamos? resposta difícil! Jalapão e seu fervedouros, dunas e cânion é para ficar para sempre na memória, no coração e nos registros das fotos maravilhosas. Obrigada Raimundo, nosso simpático guia.

De volta a Palmas passamos na pousada para pegar nossa Branquela e novamente fomos para a Praia da Graciosa. Decidimos que dormiríamos os quatro no motorhome, será um desafio porque a cidade é quente até a noite. Assistimos o pôr do sol tomando chimarrão sentados no gramado, junto dos muitos grupos de pessoas que povoam a orla fazendo pic nic, praticando esporte, comemorando datas ou simplesmente conversando. É um hábito dos moradores e turistas, muito lindo de assistir. Antes de ir para o motorhome dormir saboreamos mais um delicioso espetinho.

Acordamos “cedíssimo”, muito calor! Só assim o dia rendeu hahaha. Fomos fazer o passeio de barco até a Praia Canela que fica em uma das ilhas. O barco leva até a ilha e retorna para buscar na hora marcada. Cobram R$ 50,00 por pessoa.

Passamos um dia muito gostoso, sol, banho, rede, cervejinha e caminhada. O almoço foi um delicioso peixe caranha, feito na brasa, inteiro. Voltamos depois do sol se pôr, para repetir a programação do dia anterior, agora preparados para o nosso próprio picnic. Foi especial! Já o pernoite passado não vamos repetir. Jorge e Simone irão para um hoste para uma noite mais confortável antes de retornar para Caxias do Sul-RS.



Último dia de nossos parceiros juntos, fomos rodar um pouco pelas redondezas, atravessamos a ponte e circulamos para mostrar o entorno para nossos convidados. A despedida foi um almoço feito por José na Branquela, antes de levá-los ao aeroporto para pegar seu voo.

Hora de se despedir da bela e organizada Palmas e do acolhedor Estado de Tocantins para ingressar no próximo estado brasileiro, o Maranhão. Antes de atravessar a divisa dormimos em Nova Olinda, em mais um posto de combustível. Nosso ingresso no Estado do Maranhão foi entre os municípios de Filadélfia -TO e Carolina - MA atravessando o Rio Tocantins por balsa. Travessia R$ 26,00

Em Carolina – MA, não encontramos muitas dicas de atrativos. O quiosque de informações turística estava fechado. Havia alguns motorhome estacionados na praça, mas resolvemos rodar e dar um giro pelo interior.  A cidade é pequena e serve de referência para os deslocamentos entre as diferentes cidades e atrativos que compões a Chapada das Mesas.

Temos um projeto de conhecer as chapadas do Brasil. Já fomos nas chapadas dos Veadeiros - MG; Dos Guimarães - MT; Diamantina - BA e agora chegou a vez da Chapada das Mesas. Ela engloba onze cidades do centro-sul do Maranhão, sendo as que mais concentram os atrativos Riachão e Carolina - considerada o portal da chapada.

Aqui mais uma vez vamos fazer apenas um resumo e abrir uma página separada para o relato completo desta aventura. O lugar merece!

Ficamos seis dias nos deslocando entre as cidades e atrativos, muita estrada de terra, pó e belezas indescritíveis em palavras. Visitamos o Balneário Novo Banho, onde ficam as cachoeiras Gêmeas; O Giro Eco Parque - casa de eventos com vista do Morro do Chapéu; A Pedra Furada; O Santuário da Pedra Caída – um lugar maravilhoso, imperdível, com sua trilha que envolve cânions, cachoeiras, lajeados e seu espaço de meditação a pirâmide de vidro; O Complexo Poço Azul (mais um) - um complexo com trilhas e restaurante e belos espaços de descanso, em Riachão. Nossos Pernoites foram: No Giro Eco Parque, No Balneário Novo Banho, no Camping Raiz (muito bom), no estacionamento do Complexo Poço Azul.

Depois deste “over dose” de belezas naturais, renovados de boas energias, pegamos a estrada novamente, pela BR 230 famosa transamazônica.  Sem mutas referências na região fomos indo, quando começou a escurecer acabamos parando na pequena cidade de Pedro Raimundo das Mangabeiras - MA. Vimos o amplo estacionamento da Prefeitura no centro, pedimos para estacionar e pernoitar e fomos prontamente autorizados. A noite recebemos a visita de vários moradores locais que vieram conhecer a Branquela e oferecer ajuda. O pastor ofereceu internet, a vizinha trouxe a filha, @erynadarlla, para gravar vídeo, outros pararam para conversar, foi muito legal a experiência de parar em um lugar aleatório e virar atração. Ganhamos até um apelido que adorei. Nos pergunta uma moradora: Vocês são Rodarilhos? Amei. Agradecidos pela acolhida, depois de receber mais visitas no café da manhã, tomamos rumo.

Rodamos 400km diretos até Peritorá - MA, já na BR 135, onde pernoitamos em mais um posto de combustível- sempre parceiros. Neste deslocamento comemos pela primeira vez, sapoti, fruta deliciosa.

Seguimos pela BR135, desta vez nosso destino é Santo Amaro, mais um pequeno município que é portal de uma grande atração, não só do Nordeste, do Brasil - Os Lençóis Maranhenses. Aqui mais uma vez vamos optar de fazer uma descrição resumida e abrir uma página separada para Lençóis - um dos top 10 do Brasil turístico na nossa opinião.

Na entrada da cidade havia placas proibindo o trânsito de carros não credenciados, falamos com uma agência que nos orientou a entrar e estacionar ao lado da igreja e praça. A placa é para evitar abusos e quando há muito movimento, o que não era o caso. Tudo certo, estavam mais dois motorhome lá.

Para fazer os passeios contratamos as agências Dunas Tur Adventure, em Santo Amaro e a VIP em Barreirinhas, ambas nos atenderam muito bem.  Os preços não mudam muito para o mesmo roteiro, diferença é mais entre roteiros associados. Ficamos cinco dias na região nos dividindo entre as cidades de santo Amaro e Barreirinha, que são de onde saem os passeios.

Os passeios são todos de 4x4 e barcos, tem durações de um ou meio-dia, dependendo da distância. Nós optamos pelos roteiros da Lagoa América e Lagoa Emendadas em Santo Amaro e Circuito caburé, Vassouras, Pequenos Lençóis e Atins em Barreirinhas.  A dica quente é: Pequenos Lençóis, dá para ir por conta de carro.

O Rio Alegre que passa ao lado da cidade de Santo Amaro é também uma boa opção de ir passar o dia se banhando, caminhando, explorando as ilhas. Fica bem próximo da vila e a água é quentinha. Fomos duas vezes fazer o passeio no rio e lá estavam pernoitando dois motorhome.

Nossos pernoites foram na praça de Santo Amaro e ao lado da agência VIP em barreirinhas, ambos bem tranquilos. Nossas refeições foram feitas na Branquela ou nos restaurantes simples e com boa comida nos passeios.  A média de valor dos passeios é de R$ 100, 00 por pessoa. Nosso preferido foi o circuito da Lagoa Das Emendadas com pôr do sol e caminhadas nas dunas, lagoas e travessia de barco no rio- amamos.

Nos despedimos deste cenário único e encantador para ir conhecer mais uma capital de estado, desta vez - São Luís. Fomos direto para o Espigão Costeiro da Ponta d’Areia , na orla da capital, um ponto de apoio frequentado muito pelos caravanistas.



Trata-se de uma área de estacionamento público, ao lado do Museu do Forte, próximo a um posto de polícia e do Centro Atendimento ao Turista- CAT. Tem pista de ciclovia, quiosques, área de esporte, banheiros, enfim, ponto de encontro da população e turistas.  O museu tem visita guiada, exposição de embarcações e itens do folclore Bumba meu Boi - vale a visita.


O lugar é muito bonito, tem um molhe de 572 metros de extensão por 8 de altura que foi construído para proteger a costa das ondas do mar. Foi o lugar onde mais claramente vimos a mudança da maré. A maré baixa e forma praias com faixa de areia e em pouco tempo sobe a chega próximo a borda dos moles, numa variação de 8 metros, impressionante. O pôr do sol a cada final de tarde é outro espetáculo.




 Não tem como usar ponto de luz e água tem uma torneira coletiva. Quando chegamos havia três outro campistas de motorhome - inclusive uma mãe e filha que viajam em uma van e que já havíamos encontrado em Santo Amaro. Final de tarde sentamos todos em frente bar do museu para tomar caipiras e bater papo.

José aproveitou o lugar para pescar, e foi nos moles que ajudou seu novo parceiro de pesca a tirar o maior peixe que já tirou do mar. Foi lindo, ele, o parceiro e o peixe “lutaram” mais de uma hora até retirar o peixe da água, com torcida da plateia e tudo. A noite os quiosques abrem como bar, com música e comidas de rua. No museu também tem um bar e restaurante muito bom.

O centro histórico é outro local indispensável de conhecer, nós fomos de branquela e estacionamos bem em frente ao palácio dos Leões, com “guarda carro” se dizendo o segurança hahaha. A área central é bem policiada ainda assim, não nos sentimos totalmente seguros, muitas pessoas circulando ou dormindo pela praça. Passamos a tarde andando pelos casarios de faixadas de azulejos, prédios tombados como patrimônio histórico e ladeiras de pedras irregulares. Muitos destes imóveis são ocupados por bares e restaurantes com música e muita alegria. Visitamos o Mercado Municipal, o museu Sacro e o museu do reggae, ali descobrimos que o Maranhão é berço deste ritmo no Brasil, novidade total.

Como perrengue faz parte da vida de viajante lá fomos nós parar em uma oficina com problema nos bicos da injeção eletrônica da branquela. Passamos um dia na Oficina Diesel, tudo certo, trabalho feito.

 Ao voltar para o Espigão não conseguimos mais estacionar de tão cheio que estava o local. Tivemos que ficar longe e esperar o povo ir embora para estaciona novamente na orla.  Aproveitamos para andar no outro lado dos moles, onde ficam os restaurantes e bares chiques e um pequeno shopping. Também é um local muito gostoso, os bares armam tendas na areia, com ótimas e bonitas estruturas. Escolhemos um bar dos nativos e ficamos ouvindo reggae e vendo eles dançarem agarradinho, como é típico daqui.





















Depois de cinco dias na capital escolhemos pegar a balsa em direção a Alcântara, na região metropolitana de São Luís. O município tem importância histórica no triste período escravocrata brasileiro. O acesso vindo de São Luís é somente por barco - ou Ferry boot no caso de carro-, e a travessia da Baia de São Marcos, pode ser bem demorada. A nossa teve oito horas de espera! Segundo informaram foi mais que o usual devido a problema em um dos barcos. O custo da travessia foi de R$ 100,00


Em Alcântara fomos direto para a pousada Jacaré, uma referência para os campistas que costumam estacionar em frente. O atendimento simpático do dono, Sr. Valdir, já é um convite para a parada. Aproveitamos para comer ali o famoso arroz de cuxá, prato típico e delicioso do maranhão. Cuxá é uma erva também chamada de vinagreira.

Seguindo dicas do Valdir a noite fomos assistir o encerramento da Festa de São benedito, quando os descendentes de escravos cantam, dançam e tomam cachaça toda a noite em homenagem ao santo. Para nós foi algo novo e emocionante de assistir. A força dos tambores, o ritmo, a cadência da dança das mulheres com suas saias coloridas se revezando incansavelmente na roda e a embriagante atmosfera contagiava.  Vivemos uma experiência inesquecível. Uma festa genuinamente de raízes afro com toda a força e beleza que trazem de suas origens.




No dia seguinte fizemos um tour guiado com o simpático Francisco, um dos moradores descendentes de escravos de Alcântara. Conta ele que a cidade foi berço da aristocracia maranhense no período colonial e importante polo agrícola e comercial do estado. No auge do período a cidade contava com cerca de sete mil habitantes, destes três mil eram brancos, senhores de engenho, que mandavam seus filhos para estudar na Europa o que explica os traços europeus na arquitetura, por exemplo. Os outros quatro mil eram negros, escravos, que com seu suor asseguravam a riqueza dos coronéis.

 Com a abolição da escravatura os brancos e as congregações religiosas abandonaram as terras, e quatro mil escravos ficaram sofrendo sem ter uma estrutura de apoio. Tiveram que fazer, com muitas dificuldades, seu recomeço, o que justifica ser hoje o município do Brasil com maior número de comunidades quilombolas. Uma das características da cidade é que tem uma população majoritariamente de negros, com forte influência dos descendentes de escravos. As grandes construções da época hoje são ruínas que estão ali como testemunho, como diz nosso grande Chico Buarque “desta página infeliz de nossa história”. Exemplo é o pelourinho, lugar de açoite e tortura pública, bem na praça central. Que nunca se repita!

Também com a ajuda do Francisco conseguimos achar um dos poucos moradores que ainda fazem o famoso “doce de espécie” um típico e delicioso doce que só se encontra por aqui. É tipo uma massa folhada, com coco, maravilhoso.

Outra tradição da histórica Alcântara é a Festa do divino, comemoração popular na qual cada ano um morador é escolhido como imperador e imperatriz da festa. Fomos conhecer o casarão onde ficam expostos os trajes, bandeiras e outros simbolismos, cada ano os moradores aguardam e se envolvem no evento.

Saímos de cidade - que é considerada a entrada da Amazônia- por um asfalto simples que nos levou por algumas das comunidades quilombolas. Paramos em uma delas e comemos em um pequeno restaurante caseiro, comida local bem gostosa. Para acompanhar outra delícia da região o suco de bacuri.



Seguindo passamos pela cidade de Pinheiro, região da chamada baixada maranhense, com muitos alagados e campos. Logo que passamos Pinheiro a branquela começou a falhar novamente e simplesmente apagou do nada, para nossa sorte, estávamos passando por um pequeno vilarejo - comunidade de queimados. Como mais tarde nos disse Dna. Maria, uma simpática moradora, terra de jambeiros.

Estávamos na MA-106, pista simples, José conseguiu sair de cima da pista, parar no acostamento, ao lado de um campinho de futebol da comunidade. Daí em diante foi só desespero. Carro não dava sinal de ligar, não havia sinal de telefone ou internet, nem oficinas nas proximidades. Como tudo tem seu lado bom e nossos anjinhos nunca nos deixam na mão a comunidade nos acolheu, ajudou. Nos levaram para conhecer as casas, os pés de jaca, contaram e ouviram estórias, saímos com novos amigos e boas lembranças.

Dormimos ali e no dia seguinte, com internet emprestada dos moradores, conseguimos contatar o seguro. Depois de muitas mensagens confusas e negociações difíceis, com as oficinas e com a “Gente Seguradora” - intermediadas pelo corretor Bazacas -, ficou combinado que viria um guincho para nos levar até Pinheiro. Caso ali não atendessem, seguiríamos para São Luís. Assim foi.








A oficina do Assis em Pinheiro disse que poderia atender e o motorhome foi baixado do guincho, ocorre que depois de tentar resolver durante todo o dia ao final nos disseram não ter mais recursos, parecia não ser os bicos e sim a bomba d’agua. Começa a maratona novamente com a seguradora e o guincho para retornar na mesma oficina em São Luís.


Na manhã seguinte foi autorizado e o mesmo guincho do dia anterior ao “puxar” o motorhome para a plataforma teve o cabo de aço rompido. Poderia ter acontecido um acidente grave, por sorte, nada houve. Novamente novas negociações para vir outro guincho, desta vez de São Luís, o que significa muita espera. Dormimos duas noites dentro do motorhome, na oficina em Pinheiro, até conseguir retornar para a oficina Diesel na capital.

Foi uma viagem péssima, o seguro não aceitou pagar a balsa o que obrigou a fazer um trajeto mais longa via terrestre, além disso o motorista fez um bate e volta, chegou em Pinheiro ao amanhecer e retornou direto, sem dormir, até São Luís, chegando às 18h. Viagem tensa e perigosa, nós viajamos com o motorista na cabine do guincho. Não receberam bem nosso retorno, questionando se seria o mesmo problema - bico injetor.




A primeira noite como chegamos tarde dormimos no MH dentro da oficina, no dia seguinte fomos para a Pousada Pôr do Sol, na Praia do Aracagy, para tentar relaxar. Caminhamos beira mar, olhamos pôr do sol, dormimos melhor, na expectativa de ter notícias do motorhome. A pousada era simples, mas bem localizada com pátio externo com piscina e ótimo café da manhã. Almoçamos na beira mar, comendo um gostoso peixe grelhado.


 







No outro dia fomos de Uber até a oficina Diesel ver como estava o trabalho e dali para o centro histórico explorar um pouco mais sua beleza e história. Andamos pelas ruas com seus sobrados de azulejos português, no Museu da Gastronomia, na feirinha de artesanato e nas barracas de comida de rua. Comi mais uma vez arroz de cuxá, José escolheu camarão. Tentamos ir ao Teatro Arthur Azevedo, estava fechado, já no Conventos da Mercês passeamos pelos belos pátios.


Dois dias na pousada com a diária de R$ 210,00) decidimos trocar de lugar e ir para um apartamento do Airbnb. Ficaria mais barato, R$ 110,00 a diária e poderíamos lavar roupa e cozinhar. Foi bom, tivemos mais autonomia para nos organizar. Ficava em prédio de vários blocos, com piscina e com possibilidade chegar até a praia com uma leve caminhada, aproveitamos ambos, praia e piscina. Deu até para comprar um bolinho e cantar parabéns a noite para nosso genro, Henrique, que estava de aniversário.

Resultado deste grande perrengue: dez dias o carro na oficina, nós pagando hospedagem, nos deslocando de Uber e um novo gasto de R$ 3.500,00 na oficina - queima da junta do cabeçote.

Enfim conseguimos sair de São Luís depois de dez dias parados. Optamos por ir conhecer mais uma cidade na região metropolitana da capital - Município de Raposo -, reconhecido por seu tradicional artesanato cearense, em especial peças de rendas de bilro e os gostosos peixes. Fizemos um passeio de barco e retornamos para a vila para explorar as lojas de artesanato.

Dali fomos para São José do Ribamar onde comemos uma peixada amarela em um dos restaurantes da zona costeira. O descanso pós almoço foi nós deitados em um gramado, a sombra de uma frondosa árvore. A cidade é organizada, limpa, estava bem movimentada com ação sobre câncer de mama, música, gincana, missas. Passamos a tarde aproveitando aquele bom astral e ao final nos dirigimos para o Terminal Cujupe para novamente fazer a travessia da baia de São Marcos.


Nesta segunda vez tivemos mais sorte, chegamos não havia fila, tinha um barco saindo em seguida, compramos o passe e atravessamos direto. Como estava anoitecendo só atravessamos e estacionamos do outro lado do terminal para pernoitar ali dentro mesmo.  Local é organizado, tem banheiros, restaurante, estacionamento coberto, tudo muito bom. Que sorte!

Cedinho saímos do Terminal Hidroviário do Cujupe para novamente rodar na MA106 até o vilarejo dos jambeiros - queimadas, para agradecer mais uma vez a acolhida. Revisitamos a Maria e seus meninos, demos presentes para ambos e ganhamos jambo. Obrigada pessoal!

Assim nos despedimos do aconchegante e alegre Maranhão e ingressamos no Pará. A primeira parada foi em Bragança - PA. Cidade estranha - achamos construções bem antigas, parecendo ter muita história ali, todavia, sem informações. Não tem CAT, os lugares que fomos tentar conversar nada rendeu, desistimos.

 Fomos para a praia de Ajurunteau a 40 km da cidade, uma rota turística da região. Lá  estacionamos na orla em frente a uma pousada, caminhamos pela margem do que parecia um rio e descobrimos que era mar- tem vários locais de encontro de água doce e o mar na vila. Dormimos na orla e pela manhã o cenário tinha mudado, a água baixou e formou uma faixa de areia. Aproveitamos e tomamos um gostoso banho de mar.


Na vila predominam as construções em madeira, cheias de detalhes, entalhes, cores, tipo palafitas- inclusive as pousadas e restaurantes. Muitas casas de pescadores têm acesso por “pontes suspensas” de madeira ficam dentro do que parece um mangue. Decididamente um lugar com visual bem diferente das paisagens do sul e das urbanas da região.


Hora de partir em direção a capital do estado - Belém. Antes uma parada para nos organizarmos antes de entrar em uma cidade grande. Foi em Capanema, onde lavamos nossa casinha rodante, compramos e instalamos uma nova câmara de ré, colocamos água no reservatório e repusemos o estoque de alimentos (procuramos chegar nas cidades maiores mais organizados para evitar muitos deslocamentos). Dormimos em um posto de combustível na saída da cidade, que fica a 165 km da capital.

Estávamos na dúvida de ir para Salinópolis, outro destino muito procurado. Como era final de semana resolvemos não ir, rumamos direto para Belém, chegamos antes do meio-dia e pegamos de cara o primeiro congestionamento. Optamos seguir direto para o Teatro da Paz, bem central, para dali se deslocar a pé, pelo centro. Foi ótima dica de Mazinho e Sheila que conhecemos em São Luís. Local apesar de ser no movimentado e não tão seguro centro, devido ao posto policial, as câmeras de monitoramento e os guardas do teatro, se torna uma boa alternativa.

Fomos conversar com os guardas do teatro, nos apresentamos, avisamos que ficaríamos no estacionamento - inclusive pernoitando- e fomos bem acolhidos. Recomendaram para não nos deslocarmos a pé a noite na região, durantes o dia dizem ser tranquilo. Foi o que fizemos. O primeiro passeio foi até o famoso Mercado Ver - o - Peso na Estação das Docas que fica a 1.5 km do teatro, às margens da baia do Guajará.






                                                                  Caminhamos pelo mercado - que achei menor do que imaginava - explorando e conhecendo os peixes, verduras, frutas e artesanatos regionais. Almoçamos arroz com jambu e queijo com cebolas carameladas, bem gostoso. Achamos a parte da Estação das Docas mais interessante que o mercado, espaço bonito, histórico, com atrações e informações, além de estar bem conservado e limpo. Ótima pedida para uma refeição acompanhada do suco de taperebá e depois, de sobremesa, um delicioso sorvete de cupuaçu - foi o que fizemos e recomendamos.

O complexo é considerado uma das 7 maravilhas do Brasil. A enorme estrutura de ferro foi inspirada no padrão da Belle époque francesa, com materiais vindos da Europa por via fluvial. A área das embarcações é um burburinho de barcos, mercadorias, pessoas. A feira livre um emaranhado de peixes, ervas, temperos, vestuário...enfim, um lugar interessante!



Tínhamos pelo aplicativo Viva Sobre Rosas a referência de um local que aceita motorhome - o Espaço Náutico. Lá fomos nós, de Uber, ver o lugar. Foi pura sorte, ou melhor, acho que são os anjinhos sempre de plantão. Chegando e o Uber ficou nos aguardando enquanto conversávamos com a administração. Baixou um temporal que alagou o pátio e derrubou parte da estrutura que estava sendo montada para um evento.

Autorizaram desde que não tivéssemos ressalvas com o evento do dia seguinte no local, era a visita do Lula, então candidato à presidência, em Belém. Mal sabiam que na verdade para nós seria um grande presente estar acampados no local e participar daquele momento histórico. Depois de esperar mais de 30 minutos para a chuva passar conseguimos atravessar o pátio, com água no tornozelo, e voltar para o Uber que nos aguardava. 

Aí foi outra maratona voltar para o centro! Ruas alagadas, trânsito interrompido, congestionamento geral. Se estivéssemos de motorhome estaríamos ferrados. O motorista do Uber foi fazendo atalhos, trafegando na contramão, passando área alagadas até chegarmos de volta no estacionamento do Teatro da Paz. Ufa! Depois ficamos sabendo que em Belém chove quase que diariamente.

Diante da situação caótica de trânsito e do clima decidimos que não iríamos para o espaço náutico, dormiríamos ali mesmo. Foi tranquilo e seguro, avisamos os guardas e foram muito atenciosos. E ainda mais, para nossa surpresa e alegria, soubemos que no dia seguinte Lula estaria ali no teatro. Ai que não arredamos a branquela dali. Mais tarde chegou outro motorhome, Antônio e Dolores, nos descobrimos companheiros de ideologia, muito bom encontrar nossos pares. Eles optaram em ir pernoitar na Havan.

Pela manhã acordamos com as ruas todas fechadas e muito policiamento, estávamos “presos” e seguros hahaha. Não circulava mais carros na quadra e ficamos quase sozinhos no estacionamento. Deixamos a Branquela aos cuidados da Polícia Federal e fomos passear a pé.  Andamos novamente pelo Mercado Ver-o-Peso, na linda área dos peixes, das carnes, da feira, compramos cachaça de jambu, geleias e alguns artesanatos.

 Voltamos para o teatro para tentar entrar, era um evento para convidados. Logico que fui chorar para entrar e depois de muita conversa e paciência consegui entrar na fila e lá fui eu ver nosso futuro presidente, José assistiu e filmou, do lado de fora, a chegada. Teve carimbó, bumba meu boi e emocionantes falas. Foi lindo!







A tarde energizados pelo clima democrático fomos conhecer outros atrativos de Belém. Não poderíamos deixar de fazer o trajeto da famosa procissão do Cirio de Nazaré e chegar até a Praça santuário, tá aí uma festa que gostaria muito de participar, por pouco não deu certo. 

Dali, novamente de Uber – aprendemos a lição- fomos até o Mangal das garças. Um lugar super gostoso, cheio de árvores, aves soltas – especialmente as graciosas garças e um belo mirante para assistir ao pôr do sol. Foi neste gostoso lugar que provamos o  delicioso suco de taperebá- super  recomendo.


Depois deste dia intenso estávamos prontos para partir. Nosso destino: a sonhada Ilha de Marajó - um dos meus destinos na lista de desejos. Fomos para o porto de onde saem os barcos já anoitecendo. Ao chegar descobrimos que ao comprar a travessia pela internet tínhamos errado o dia. Não seria no dia seguinte e sim dali dois dias. Putz! Mais uma vez com muita choradeira, simpatia e a ajuda dos anjinhos não só conseguimos autorização para antecipar a travessia para o dia seguinte como para entrar e estacionar o motorhome dentro do pátio do porto. Obrigada universo!

Para comemorar fomos até um restaurante próximo experimentar uma das comidas mais típicas do Pará - o tacacá. Uma espécie de caldo feito com jambu, camarão seco, tucupi, além de temperos e condimentos. Para nós gaúchos todos os ingredientes são novidade, foi bom provar, conhecer, mas não é um prato que colocaríamos no cardápio diário. 

Alimentados, voltamos para motorhome para pernoitar no estacionamento do terminar de embarque, para amanhã zarpar para a Ilha de Marajó.



Estava nascendo o sol quando embarcamos na balsa para a travessia entre a ilha e o continente. Na balsa mesmo fizemos nosso café da manhã e na sequência o chimarrão para nos acompanhar nas 3 horas de navegação (custa R$ 252,00 para nós e o motorhome). Descemos em Salvaterra nosso primeiro contato com a ilha.




Decidimos ir direto para Soure e deixar para explorar Salvaterra na volta. Mais uma travessia de balsa, que aliás foi bem tranquila e breve. Chegando em Soure fomos direto para a Praia Pesqueira, estacionamos ao lado da lojinha de artesanato no início da areia, conversamos com os donos e nos indicaram ficar ali ao lado da loja mesmo. Foi muito bom, inclusive nos cederam água. Instalados fomos caminhar na praia, parando em um restaurante em frente ao mar para comer um delicioso peixe Filhote com açaí - Cardápio típico do Pará e que achamos interessante.

 






A noite fomos assistir uma roda de carimbó no” Tambores de Pacoval”. Fica em um bairro de fácil acesso, perto do centro. Recomendo muito, é um encontro popular que reúne população local e turistas em uma roda de música, tambores, dança, animados pelo ritmo do carimbó. As saias rodadas coloridas voam no ritmo dos corpos enchendo o lugar de uma alegria que contagia. Não há ingresso, mas a comunidade conta com a colaboração espontânea, principalmente dos turistas, para manter a tradição. Retornamos para pernoitar na Praia do Pesqueiro ao lado da loja do belo artesanato marajoara, em frente ao mar.



Acordamos cedinho e José iniciou o dia com um gostoso banho de mar, que na verdade é uma mistura do Oceano Atlântico, o Rio Amazonas o Rio Tocantins e Rio Pará - é a maior ilha fluviomarítima do planeta. Tomamos café e fomos aproveitar a beira da praia com uma caminhada. Na volta consegui lavar roupas usando estrutura da casa ao lado - seu Fernando, que também cedeu água e local para secá-las com uma contribuição de R$ 20,00. Ao meio-dia fizemos almoço no motorhome e testei a culinária local fazendo arroz com jambu - e não é que ficou bom!

Não tem como vir a Ilha de Marajó e não ter contato com um dos seus habitantes mais ilustres - os búfalos. Foi nossa opção para a tarde, conhecer a Fazenda São Gerônimo. Dica quente: Não deixem de ir, vale cada real e o valor do passeio é R$ 250,00 por pessoa.



Fizemos em grupo e inicia com uma trilha pela mata, depois pega uma canoa e desce pelo igarapé, chega em uma área de mangue onde se atravessa por passarelas suspensas até chegar na praia do goiabal, onde foi gravado um dos programas “no limite” da Rede Globo. 



Lá os búfalos nos esperavam para nos desafiar a se manter equilibrados em seus lombos enquanto nadam, para atravessar até uma pequena ilha. É uma experiência única, emocionante e desafiadora. Nós caímos poucas vezes, já outros turistas algumas hahahaha.  A sorte é cair na água o desafio é voltar a subir no grandão novamente!

A recomendação para se equilibrar é segurar somente em seu couro, não pegar nos chifres, haja força e equilíbrio porque é ida e volta eles nadando por um trecho bem longo. Quando voltamos para a margem os búfalos recebem celas para podermos montar e seguir nas trilhas, entre floresta e banhados até a fazenda. É um circuito com vários desafios e lindas paisagens. Tem uma opção de passeio mais barato, é na Fazenda Refúgio São Jorge, bem próximo, todavia, o percurso é menor e não há tantos cenários.








Ainda a tarde conseguimos passar em outra fazenda que é famosa pela produção de queijo de búfala e outras variedades de produtos derivados como doce de leite, manteiga e pão de queijo, tudo delicioso. Neste dia estava tendo uma comemoração privada que limitou nossa experiência, que dizem, ser uma vivência de inserção na cultura local. Ainda assim compramos os produtos da fazenda no modelo autoatendimento: pegue, pese, pague, tudo sem contato com os proprietários e na confiança. Achei muito evoluído e admirável, parabéns.

Conseguimos finalizar nosso dia em mais uma atividade bonita – a visitação a dois ateliês nativos de artesanato em cerâmica marajoara. Ali tivemos várias informações e verdadeiras aulas sobre a cultura local, em especial as peças na arte marajoara, uma herança dos povos indígenas que habitaram a ilha. Sou fã! Cansados e felizes retornamos para a Praia do Pesqueiro para mais um pernoite tranquilo. No caminho ainda vimos os moradores usando búfalos como meio de transporte. 

Hora de se despedir de Soure para conhecer outra cidade da ilha - Salvaterra. Novamente pegamos a balsa que liga as duas cidades (Custa R$ 31,00) e foi bem tranquilo. Em Salvaterra rodamos pela orla bem bonitinha, tiramos fotos e paramos para almoçar no restaurante “sabores de marajoara”, onde provamos outra comida famosa na ilha - o bife de búfalo com queijo marajoara, muito bom.

Depois de explorar um pouco a cidade optamos em ir conhecer outra praia - Joanes. Rodamos pelo centrinho, visitamos as lojas de artesanato, depois paramos para um banho de mar e tomar sorvete na beira mar. Nesta praia a água é bem diferente de Pesqueiro, mar agitado e areia mais grossa.

 Revigorados rodamos mais um pouco até as ruínas jesuíticas de Joanes. Ficam em uma área alta, que proporciona uma bela visão do entorno, as ruínas datam do século XVII e a principal construção ainda visível é da antiga igreja. vale o passeio. Voltando para a Branquela nos esperavam um casal para conhecer a motorhome e pedir dicas de viagem.

Voltamos pra Salvaterra no fim da tarde para pegar a balsa de retorno ao continente, no Porto de Icoaraci, antes aproveitei para comprar tucupi, que pretendo levar para o sul e apresentar aos familiares gaúchos. Embarcamos a branquela na balsa Henvil eram 18 H. Colocamos as cadeiras de praia na frente e tomamos chimarrão assistindo o pôr do sol enquanto fazíamos a travessia, momentos assim que nos encantam na vida de viajante e não tem preço, só alto valor.


Chegando ao continente já noite, era 20:h 30 min, devido ao horário decidimos não ir para o centro de Belém, paramos na Havan, que fica antes e permite o pernoite em seu estacionamento, foi o que fizemos. Dalí saímos cedinho no dia seguinte para retomar nosso roteiro. Em Goianésia erramos o trevo e saímos em direção a Santarém e Alter do Chão, depois de rodar alguns kms paramos em um posto para nos informar sobre a estrada até Santarém e local para pernoitar na rodovia. Indicaram outro posto a frente com mais estrutura, seguimos e era 30 km a frente.

As informações bem confusas nos fizeram desistir de seguir - alguns disseram que era 80 km chão até chegar na Transamazônica - BR 230, onde pegaríamos mais 200km de chão. outros que era pouco chão, enfim, não será desta vez. Resultado do erro e de nossa indecisão: fizemos 80 km entre ida e volta por nada. Dormimos no Posto para amanhã retornarmos no sentido Marabá.

No dia seguinte rodamos até meio dia e notamos que precisávamos abastecer, mas vários postos estavam sem combustível. Foi preciso sair da rota entrar para Acará, estrada em construção, trânsito muito confuso, lugar estranho, beira do rio Acará cheio de embarcações. Abastecemos e retornamos para a PA 256. Este trecho está nos desafiando, são quilometragens perdidas sem ir a lugar algum.

 Branquela abastecida rodamos até Marabá, atravessamos toda a orla, paramos para almoçar em um restaurante ao ar livre, depois fomos procurar local para dormir.  Paramos na marina a beira do rio Araguaia e nos autorizaram a pernoitar no pátio. Enquanto José descansava fiz contato com um guia com objetivo de conhecer a inusitada Serra Pelada, um outro desejo antigo. Conseguimos vaga para o dia seguinte - Não queríamos ir de motorhome porque as estradas de acesso são bem ruins.

Tudo combinado escolhemos não dormir em Marabá e sim em Eldorado de Carajás 100 km a frente, agradecemos ao pessoal da marina e lá fomos nós. Chegamos já anoitecendo no Posto de combustível Trevão, a beira da rodovia, onde o guia nos pegaria no dia seguinte. Estacionamos e a noite enquanto comíamos um espetinho aproveitamos para conversar com os caminhoneiros estacionados ali sobre estradas e se seria seguro deixar o motorhome parado no dia seguinte. É uma região totalmente nova para nós e com poucas informações. Não fomos muito efetivos, as informações foram controversas e segundo a visão pessoal de cada um. Tudo ok, vamos arriscar e contar com a proteção dos anjinhos.

A Van de turismo chegou 6h da manhã, embarcamos com o grupo e rumamos para uma aventura na enigmática e assustadora Serra Pelada, onde ficava o maior garimpo a céu aberto do planeta entre os anos de 1980 e 1983. Para chegar até a vila é precisa percorrer 30 km de estrada de chão, e pasmem, vendo ao lado, um perfeito asfalto privado - Da Companhia Vale do Rio Doce. Ali ficou lado a lado o poder do dinheiro e a pobreza gerada pela falta dele. A primeira parada é no trevo de acesso onde há as placas indicativas.

Já na vila muito simples, pobre, e quase vazia, paramos para um café na única padaria mais comercial do vilarejo. Ali falamos com um garimpeiro das antigas- Seu Chico Osório – com rosto marcado pelo sol e um sorriso no rosto. Fez questão de me presentear com balas, enquanto nos contava que ganho muito dinheiro, assim como perdeu na mesma proporção. No outro lado da rua, dois garimpeiros tipo cowboy, cheio de assessórios de ouro, estavam a fazer comprar e não gostaram de ser fotografados.


Dali seguimos para conhecer o local do antigo garimpo, um morro que foi devastado se transformando em uma enorme cratera, ao lado outro monte formado pela terra retirada. Os vestígios estão espalhados no entorno, seja em um barraco de garimpeiros que continuam ali perseguindo o sonho; nos profundos e perigosos poços cavados nos quintais sem nenhuma estrutura que retenha a terra; nas lonas pretas esticadas formando “banheiros” ao ar livre; nas mulheres que ainda circulam pelos barracos como profissionais do sexo. Paramos no barraco de um dos moradores antigos para uma conversa programada pela agência, não deu certo, precisou viajar.


Outra visita foi nas estruturas ainda existente da antiga empresa canadense Colossus em 2010 montou uma superestrutura, com escolas, estradas, casas, escritório para explorar a mina em um acordo -depois desfeito- com a Associação dos garimpeiros. Foi um projeto que nasceu grande e morreu antes de nascer. O túnel subterrâneo de mais de 400 m de metros de profundidade e que foi abandonado quando chegaram no lençol freático está lá como testemunho de uma época e negócio obscuro. Contam os moradores e guias que muitas pessoas da associação ganharam dinheiro com a “negociata” e muito minério foi retirada irregularmente pela empresa- história e estórias é o que não falta sobre Serra Pelada.





O Garimpo surgiu espontaneamente após a descoberta de ouro na Fazenda Três Barra, no início da década de 1980. Estimasse que chegou a receber mais de 100 mil pessoas nos 12 anos de atividade. No seu auge a cena era de um grande formigueiro humano, com os garimpeiros empilhados no morro em lotes denominadas barrancos. Passou por várias fases; exploração desordenada, intervenção do governo com nomeação de um interventor pela ditadura militar - famigerado Sebastião Curió; fechamento da mina em 1992; reabertura com a exploração feita a partir de um acordo entre a empresa canadense colossos e a Associação dos Garimpeiros em 2010; falência da empresa e fim do projeto em 2014. Em 2022 houve uma tentativa de reabertura no Governo Bolsonaro que não evoluiu.

Na volta a agência uma parada em uma bonita cachoeira para um refresco, e foi bom para retirar parte da poeira encravada de cada poro. Já anoitecendo chegamos de volta ao posto trevão e descobrimos, para nossa alegria, que a Branquela estava intacta. Dormimos ali, cansados e agradecidos pela oportunidade de conhecer um lugar tão emblemático do nosso Brasil. Custo foi de R$ 260,00 por pessoa.

Estávamos próximos, e então não poderíamos deixar de ir conhecer outro local que faz parte da triste história de violência que envolve a luta terra no nosso país. É onde ocorreu o episódio conhecido como O Massacre de Eldorado de Carajás, em 17 de abril de 1996, na curva de S da PA 150. 

Os trabalhadores sem-terra, acampados na fazenda Macaxeira, realizavam uma marcha, com objetivo de chegar até Belém levando suas reivindicações quanto a lenta desapropriação da fazenda.  Foram encurralados pela polícia militar que atirou covardemente matando 19 trabalhadores sem-terra na hora e outros dois no hospital. Corre solto que eles receberam propina de fazendeiros para cometer os assassinatos.

Um memorial projetado por Niemeyer foi levantado no local, mas logo destruído por jagunços a mando de fazendeiros, segundo relatam testemunhas. O monumento foi reerguido, desta vez usando 21 troncos de castanheiras já mortas e cruzes, ideia concebida pelo artista Baron e executada com o auxílio dos assentados. Infelizmente o local estava bem descaracterizado e abandonado. Ainda assim valeu nossa humilde reverência aos mártires.

Pela manhã seguimos até a Transbrasiliana - Br 153, para ingressar na Serra das Andorinhas. Entramos e combinamos com o guia Bruno, morador local, para nos acompanhar. A área para acessar as cachoeiras é dentro de uma área particular, precisa pagar ingresso e tem área de acampamento. Pagamos R$ 20,00 por pessoas por ser idoso, com direito a pernoite. 


A primeira cachoeira “3 Quedas” fica ao lado do camping e não precisa guia, é bem bonita e tem várias passarelas e trilhas.






 Depois do almoço o Bruno nos acompanhou até a segunda cachoeira “4 Quedas” também bonita e com trilha de 1.5 km e média dificuldade. Foi um belo dia de muita beleza natural.

Final do dia rolou estresse porque José esqueceu o celular ao lado do Motorhome, alguém achou e entregou no restaurante que já estava fechado quando chegamos no acampamento. Bruno ligou e ficaram de vir entregar pela manhã, só que chegaram e não veio o celular. Liga pra um, pra outro, muita enrolação, e nos devolvem já perto do meio-dia. Tudo resolvido!

Dali fomos direto para São Geraldo do Araguaia, onde queríamos conhecer mais sobre um outro capítulo da história de nosso país - A Guerrilha do Araguaia, o movimento armado que lutou contra a ditadura militar no Brasil. Para chegar no local exato do último confronto – Vila de Santa Cruz do Araguaia - onde foram encurralados e mortos pelo exército um grupo de guerrilheiros.

Fica a 40 km da cidade por estrada de chão na serra das Andorinhas. Tentamos com responsável do órgão ambiental, Wagner, não consegue, mas nos dá dica de quem procurar lá. Tento a agência que nos levou em Serra Pelada e nos dão o contato de um guia local que aceita ir, Sheiki. Nos levou em seu carro e cobrou R$ 350,00.


 A luta dos guerrilheiros se tornou símbolo de resistência contra a ditadura, inspirando vários movimentos sociais e políticos pela democratização do país. Participamos de uma roda de conversa com moradores e o professor da escola, poucos no grupo tinham lembranças do ocorrido, falam das histórias ouvidas de suas famílias. Contam que não sabiam quem eram aquelas pessoas, chegaram na comunidade e foram assumindo postos como comerciantes, enfermeiros, parteiras, ajudando em mutirões os moradores da vila. Fiz uma caminhada até o rio e fui alertada para não entrar na margem devido ao perigo de uma arraia estar enterrada e ferroar.




Dali fomos até a residência da Dna. Madalena. Madalena é uma lenda viva, uma das poucas moradoras que recebe pessoas e não tem medo de contar tudo que sua família sofreu - seu pai ficou 90 dias presos e foi torturado pelos militares. Ela e o marido Chegaram de barco pelo Rio Araguaia – tinham ido até a cidade - e nos recebeu com um caloroso abraço. O tempo foi curto, queríamos ter mais tempo para ouvir seus relatos. A família hospeda pessoas em sua casa e o marido leva em seu barco para pescar. Belo lugar para ficar um tempo, a dificuldade é chegar de carro.

Voltamos para São Félix do Araguaia já anoitecendo, fomos convidados por Sheik para ir ao flutuante do rio, participar da festa de peixe Cariri. Acabamos adormecendo de cansados, ao lado do posto de combustível.








Acordamos cedo para rodar novamente, nosso objetivo era tentar novamente chegar até   São Félix de Araguaia, para conhecer o trabalho de Dom Pedro casaldaliga- Bispo do Araguaia. Paramos em Colinas do Tocantins e mais uma vez informações contraditórias. Conversamos e decidimos desistir mais uma vez, fizemos muitos quilômetros por nada, retornamos 250 km e para chegar em Guaraí e rodar por asfalto. Hora de parar de bater cabeça e para em um lugar gostoso, olhamos o mapa e escolhemos rever Peixe, aquele cantinho no Rio Tocantins que foi tão acolhedor na nossa vinda. Foram 638 km, com uma parada para comer um PF em Rio dos Bois e um pernoite em Gurupi, no Posto do Décio- ótima estrutura, banho, restaurante, lojas.

Escolhemos ir para Peixe depois de tentar contato com amigos de Jaciara e marcar encontro em Barra do Garça, que não rolou, e de descartar que nossa amiga Gládis, de Puerto Iguaçu, iria viajar para o sul conosco. Daí seriam outras rotas.

Chegamos na cidade de Peixes fomos direto para o Rancho Vitória para fazer nosso café da manhã. Ficamos em outro ponto do rancho  mais perto do rio. 

Nossa companhia foi Ana – filha do proprietário de 8 anos e seu cachorro George, uma dupla que brinca e nada no rio como peixes. 

Foram três dias vida tranquila. Acampamos em frente ao Rio Tocantins para nadar, pescar, passeio de barco nas ilhas com pôr do sol. Acampamento para fazer comidas boas (churras, feijão, aipim), dormir na rede, ouvir o silêncio; um combo de coisas boas. Só agradecer!

Revitalizados depois destes dias de sossego, voltamos para a estrada decididos a tomar o rumo de casa, atravessando Tocantins e entrando em Goiás sem muitas paradas. Nem sempre os planos ocorrem como planejado! Em Goiás, mais especificamente em Mato Verde, distrito de Montividiu (Alguém já tinha ouvido falar) a Branquela começou a apresentar um barulho estranho na frente. Estrada simples, quase deserta, sem cidades próximas. E agora José? Sua habilidade nos levou alguns quilômetros até chegarmos à vila de Mato Verde, no único e pequeno posto de combustível.

Ali nos indicaram procurar o “barrão” mecânico a duas quadras. Chegamos estava fechada, logo chega uma mulher, telefona para chamá-lo e nos convida para almoçar junto com eles na casa. É Márcia, sua cunhada e dona da casa, além de presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da região. Bela recepção!

 Desmontada a frente da Master descobre que tem peça quebrada, e agora? Mercado Livre leva 15 dias para chegar, cidades próximas não tem a peça, na Renault de Goiânia só encomendando e leva 30 dias para chegar. A noite chega o marido de Márcia, Sildo, mecânico de máquinas pesadas e com fama de saber consertar tudo. Ele é Secretário de Obras de Montividiu e já foi vereador por duas legislaturas. Dormimos na Branquela estacionada na oficina e aguardamos o dia seguinte sem muita perspectiva.

 Ocorre que o universo nos surpreende, e quando acreditamos em milagres eles podem acontecer. Resumindo: Ficamos dois dias e três noites em Mato verde, fizemos bons amigos e saímos com uma peça “construída” artesanalmente por Sildo. Sim, isso mesmo! Ele FEZ uma peça, usando esmerilho, solda e outros enjambres. Trabalharam todo o dia, enquanto isso eu e Márcia fomos em uma atividade do sindicato em Montividiu.  Para comemorar o feito a noite José fez um churrasco para toda família e foram muitas risadas e estórias para ficar guardadas com carinho. Gratos para sempre amigos Barrão, Sildo e Márcia. Vocês, Mato Verde e Montividiu não sairão nunca de nossas lembranças.

Depois agradecer e pagar o impagável – cobrou R$ 500,00 - saímos na manhã seguinte felizes e agradecidos aos novos amigos. Seguimos em direção ao Sul, só parando a noite para dormir em mais um Posto de Combustível em Nerópolis, um pouco antes de Goiânia. 

Atravessamos Minas Gerais com parada apenas para comprar rapadura, queijo e doce de leite na beira do asfalto, e chegamos Uburana- SP no meio da tarde. Foi neste município que na vinda fomos muito bem recebidos pelo secretário de turismo e amamos o camping municipal. Voltar foi uma escolha por prazer e agradecimento. Fomos procurar e comprar as “Delícias da Bia” para levar para casa e presentear a família. Fomos para o Camping Municipal de Uburana onde mais uma vez desfrutamos do lugar, organizado, bonito e acolhedor. Foi um belo final de tarde, relaxados assistindo ao pôr do Sol na beira da lagoa.

No dia seguinte estrada novamente. Rodamos até Águas de Santa Bárbara e mais uma vez não conheci o complexo de banhos que dizem ser de águas curativas. Estava fechado devido ser feriado. Segunda tentativa errada, outra vez que viemos era pandemia optei por não arriscar. Aproveitamos para almoçar e encher o tanque do motorhome com a famosa água da cidade. Dalí fomos para nossa próxima parada, também já conhecida - o Camping Pedrinha - de Pirajú- SP.

Chegamos tarde e o tempo estava feio, vento, nuvens. Conversamos com o novo funcionário, Sr. Luiz, ele contou sobre a morte trágica ocorrida ali com a antiga funcionária, que cuidava do camping. O lugar está melhor estruturado, banheiros, churrasqueiras, luz. Estacionamos perto da barragem para visualizar o lago e a noite a Branquela balançava com o vento e a chuva, passamos medo, mas tudo certo, fez nós acordarmos mais cedo e ver o sol nascer.

Apesar do lugar estar muito bom e SR. Luís convidar José para ficar e pescar nós decidimos partir- pressa de chegar em casa. Passamos por uma região bem bonita, nos municípios de Fartura e Carlópolis com estradas adornadas por cafezais e represas, fica dica para voltarmos. Atravessamos a divisa SP-PR sem paradas e tocamos direto até a divisa do PR - SC, Garuva, onde pernoitamos.

Chegamos para o almoço na casa da filha e genro em Florianópolis no dia seguinte. Estávamos cheios de saudades depois de três meses na estrada e na torcida para nosso genro, Henrique, conseguir ficar na cidade que deseja na vaga que irá assumir em seu novo emprego. Foi dois dias de muitos abraços, conversas e contar novidades.

E depois de passar 90 dias em viagem chegamos na nossa amada Imbituba - SC. Como sempre repetimos: amamos ir, amamos mais ainda voltar!  Obrigada universo por mais está linda experiência, aos anjinhos que nos acompanham e protegem, a cada pessoa que conhecemos, aos amigos que fizemos e especialmente aos que em diferentes momentos nos ajudaram. Nosso agradecimento e abraço a cada um.

 











Dados da Viagem:

*Km rodados 11.990

*Estados visitados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Goiás, Maranhão, Pará.

*Custos:

1.        Combustível- .................................. R$ 8.155,00

2.        Pedágio-............................................R$    121,50

3.        Uber-.................................................R$    289,00

4.        Alimentação-....................................R$ 5.927,00

5.        Camping- .........................................R$    720,00

6.        Pousadas-..........................................R$ 1.043,00

7.        Passeios-...........................................R$ 9.394,00

8.        Balsas-..............................................R$    592,00

9.        Compras-..........................................R$ 1.593,00

10.   Mecânica-.....................................






.....R$ 8.320,00

 

11.   TOTAL..............................................R$ 36.154,50