MINAS GERAIS.
Depois de uma tentativa
frustrada, e de alguns ensaios, lá vamos nós rumo ao nordeste brasileiro. Será
uma viagem com o parceiro Maurício. Lembram dele na caravana “parceiro é
parceiro” ? Então... retomamos a parceria, agora em dois motorhome.
Ficamos dois dias ali,
aproveitamos pouco a piscina porque não queríamos ficar com outras pessoas
devido à pandemia, mas conseguimos fazer caminhadas e visitar o Parque Estadual
Nova Baden com suas trilhas e
cachoeiras. Ficamos devendo ir até o famoso Palácio do Cassino e nas fontes de
águas minerais gasosas do Parque das Águas, no centro da cidade. Uma
curiosidade: eu levei um grande susto quando descobri que as formigas
cortadeiras atacaram meu vaso de manjericão que carrego com todo carinho e o
destroçaram.
Estava escurecendo e caindo os primeiros pingos de chuva, ficamos com
medo de não conseguir subir com os motorhome na estrada molhada, aí foi aquela
correria e estresse o retorno até o centro da cidade. Paramos no portal, tiramos
umas fotos do belo pôr do sol e a pedido do Mauricio decidimos não ficar na
cidade. Mais uma cidade que ficou na lista para voltar, se possível com outro
astral. O jeito foi dormir em um posto de gasolina na BR 381, próximo a Três
Corações.
uma das
cidades históricas de MG que tínhamos deixado para trás na viagem anterior - ver
no blog este relato -. Paramos no estacionamento público ao lado da rodoviária
que é um ponto de apoio para motorhomes. O “cuidador” abre uma corrente e
mostra o ponto de água e luz e lógico espera uma recompensa. Ficamos quatro
dias no local e foi muito tranquilo, super central, barato, enfim uma boa
pedida. A cidade eu amei! Andei muuuito por suas ruas de calçamento com pedras irregulares - haja pernas e preparo - casarios e morros. O charme é exatamente este ar
nostálgico, dá para se sentir em outro tempo. Além da parte histórica a cidade
oferece um clima festivo com restaurantes e bares lotados.
Nos outros dias visitamos vários pontos turísticos: fomos ver a
partida do trem para São João Del Rei; fizemos a “trilha dos carteiros”;
subimos até a Igreja São Francisco de Paula para assistir o pôr do sol com uma
vista panorâmica da cidade; enfim caminhamos bastante pela cidade descobrindo
seus cantos e encantos.
Tínhamos intenção de ficar em Itacaré alguns dias, o que não deu certo. O camping estava fechado, sem informações se reabriria e o outro local que nos indicaram era caro e sem estrutura, optamos por não ficar. Dormimos em um posto de combustível na entrada da cidade, visitamos um sítio no interior e sem muitas referências seguimos em frente até chegar à Camamu. Que bela surpresa! Ficamos na marina em meio de várias embarcações, mas bem estacionados próximo ao restaurante e de onde saem os barcos. Ficamos três dias “acampados” pagando R$ 40,00 a diária com água, luz e banheiro.
O almoço foi
no Restaurante Moqueca, que fica na ponta do Mutá, imperdível fazer este
trajeto sentindo as ondas do mar a nos acariciar o pé descalço. Ficamos devendo
conhecer o outro lado da península de Maraú onde ficam as praias de Taipu e
Taipu de Fora, consideradas das mais
bonitas da Bahia.
Outra cachoeira que
visitamos foi a Acarai que fica em uma comunidade a 5 km do centro e tem uma represa
e uma roda d’agua interessante. A região é lindíssima, a Baía de Camamu engloba
cinco rios que se juntam e desembocam no mar. Existem muitos outros passeios
que saem da marina diariamente para outras ilhas e alagados, motivo pra
voltarmos aqui em outra oportunidade. Descobrimos já na saída que é aqui onde
Arilso está com seu catamarã - já falamos dele aqui no relato - mas, não
conseguimos contatar ele.
Ainda
tentamos fazer outra parada na região na cidade de Itaberá, depois de fazer
almoço em um mirante com uma bela vista, decidimos descer até onde pareciam ter
um ancoradouro de barcos. Que fria! Falando com algumas pessoas ali descobrimos
ser um lugar bem perigoso e naquele ponto principalmente não recomendado ficar.


Caímos fora rápido. Sem direção decidimos contatar os novos amigos, Janira e
Loreni, que estão de Mh na região e combinamos irmos para a Ilha de Itaparica onde eles estão
acampados no Camping Berlingue - diária R$70,00 - O lugar é amplo, arborizado e
pé na areia, foi muito bom àqueles dias de tranquilidade, sol, churrasquinho e
bom papo. O centro fica a poucos quilômetros por asfalto e com uma bela vista à
beira mar.
Aproveitamos a facilidade e fomos à agência a CEF - com agendamento
para após o horário de funcionamento ao público - fazer a prova de vida de José
junto ao INSS e o atendimento foi nota mil. Uma curiosidade: achamos tudo muito
tranquilo...no dia seguinte soubemos a notícia de que houve um assalto, com
explosivos, no caixa eletrônico próximo onde estávamos. Ufa! Por pouco.
Despedimo-nos
dos parceiros de acampamento e seguimos em direção oposta. Eles estão voltando
para o Sul nós continuando em direção ao nordeste, agora vamos “enfrenta” mais
uma capital - Salvador-BA.

Para fazer a travessia da Ilha de Itaparica
(maior ilha marítima do Brasil) até Salvador escolhemos o ferry boat, é
possível fazer terrestre, mas é mais longe e perde o charme da aventura
marítima. Achamos que seria rápido, pois a travessia normalmente dura em torno
de uma hora, ocorre que a fila de espera estava enorme e levamos duas horas
para concluir os 13 km que separam as duas margens. Sem estresse a embarcação é
confortável, tem banheiros, restaurante e um deck na parte superior para
apreciar o visual. Valor da travessia R$ 88,90.
Para nós que não gostamos de
trafegar em cidades grandes tivemos que “encarar” e literalmente atravessar a
capital da Bahia, na hora do pico, sem conhecer nada e usando um aplicativo
para chegar ao Camping que ficaríamos. Foi tenso e mais uma vez nos saímos bem.

O Camping Park
Itapuã fica na praia do mesmo nome. Lembra algo? “Passar uma tarde em Itapuã, ao
sol que arde em Itapuã, fazer amor em Itapuã...” isso! Vinicius de Morais e
Toquinho cantaram lindamente este cenário, inspirado na sua beleza.
A orla é
bonita e o acesso ao centro de Salvador é fácil. Uma boa pedida de hospedagem.
Passeamos pela orla, tomamos banho nas piscinas naturais, fomos até o farol e a
noite visitamos e jantamos na Casa di Vina, onde o poetinha morou e hoje guarda
um acervo seu, é aberto à visitação e parte foi reformada para abrigar o
restaurante.

Para conhecer o centro de Salvador optamos em
deixar a branquela no camping e ir de Uber o que foi uma ótima escolha. Pagamos
R$ 50,00 para “esticar e nos aguardar” em alguns pontos turísticos como o Dique
do Tororó, onde ficam as imagens dos Orixás. Passeamos pelo Pelourinho, Igrejas
Rosário dos pretos, na de São Francisco, na catedral - Igreja de ouro -,
caminhamos na Praça Castro Alves, Museu do Carnaval, descemos pelo elevador
Lacerda até o Mercado Modelo para fazer as tradicionais compras de lembrancinhas, ainda
esticamos até o Bairro da Ribeira para fazer pedido e amarrar as fitinhas na
Igreja do senhor do Bonfim – queria estar ali no dia da lavagem da escadaria.
Para finalizar o dia fomos curtir o pôr do sol no Farol da barra, ouvindo uma
linda cantoria de um grupo de percussão e tomando o famoso sorvete de manguaba,
umbu e graviola. Ufa! Extenso, cansativo, mas encantador.
E um registro
importante: muito ouvimos falar sobre insegurança em Salvador e na real muito
vimos de tranquilidade e segurança, parabéns. Valor do uber para retornar do
Farol da Barra para Itapuã R$ 34,97. Valor do Camping R$ 80,00 a diária.



Outro desafio que tivemos em Salvador foi
passar um dia e uma noite em uma oficina no Bairro São Cristóvão, isso porque o
para-brisa da branquela trincou e achamos melhor fazer a troca em uma cidade
maior. Fomos muito bem atendidos, tanto pelo seguro como pela equipe da oficina
Vidroca, que inclusive nos permitiu pernoitar dentro da branquela em seu pátio, quando perceberam que o serviço não ficaria pronto no dia. Durante o dia
enquanto faziam a troca do para-brisa aproveitamos para almoçar, fazer umas
comprinhas e passear no Salvador Norte shopping - não somos chegados neste
programa, mas com dois anos reclusos devido à pandemia e sem ter outros
atrativos no bairro até valeu.
À noite já de volta a praia de Itapuâ fomos nos despedir
da capital baiana e conferir a alegria de seu povo em um bar perto do camping
com música ao vivo, MPB de primeira, regada a um chopp bem gelado.

E chegou o
momento de nos despedirmos da capital baiana! Partimos felizes com o feito e o
resultado: porque vencemos o desafio de mais uma capital, e saímos encantados com
o que estávamos temerosos. Agora partimos para uma das praias baianas mais recomendadas,
a Praia do Forte no Município de
Mata de São João a 80 quilômetros de Salvador. Em nossa avaliação fez jus aos
elogios. Água limpa, cristalina, quente, cheia de piscina naturais.

O
centrinho é um charme só, pequeno - com uma igrejinha logo no inicio que se
abre em duas ruas, coloridas, alegres, cheias de delícias. Uma ótima pedida é
passear a noite, sentar nos bancos ou sorveterias e experimentar os sorvetes
das frutas da região - mangaba, umbu, cajá, sem pressa ou programação.
Ficamos quatro
dias, mas daria para esquecer o desejo de seguir e passar boas semanas ali. Conseguimos aproveitar as praias, especialmente a do Lord, onde fizemos
mergulho com os snokers; visitar o Projeto Tamar - super central; caminhar
pelas passarelas do mangue; visitar o Castelo Garcia D’Ávila - onde tem uma
gameleira centenária lindíssima; e um evento muito especial: nosso aniversário,
com uma festa à distância!
Curtimos o
dia na beira-mar, recebemos ligações de parentes e amigos e para encerrar o dia
ganhamos “em casa” um jantar oriental e gelato italiano de sobremesa, enviado
do Sul para o Nordeste, presente da amada filha e do querido genro. Estava uma
delícia! Ah! Adoramos comemorar os aniversários juntos, José dia 11 e eu dia 12
de Outubro, sempre uma festa a dois.

Uma dica que
destacamos: não precisa pegar transporte do centro para a praia do Lord, o
trajeto é curto e gostoso de fazer caminhando. Há várias pessoas que ficam nas ruas
oferecendo transportes alternativos de Tuctuc, bicitaxi, bicicleta, para fazer
os passeios. É uma tradição e chega a ser atração do lugar, são coloridos,
divertidos, mas só vale a pena para distâncias maiores porque o preço é
salgadinho.


SERGIPE
É no litoral que encerramos nossa passagem pela Bahia - lembrando que entramos pela chapada,
portanto, cruzamos o estado -, agora nos despedimos rumo ao vizinho
Sergipe. Nossa primeira parada no Estado foi na Praia de Atalaia, onde chegamos no inicio da noite, o que nos
obrigou a ir direto para um ponto indicado nos aplicativos de pontos de apoio. Era
o Bar do Pirata - no dia seguinte descobrimos que era uma destas barracas de
praia que recebem grupos de turistas-, já estava fechado, mas a dona e uma amiga
estavam “comemorando” o final do expediente com um banho de mar, música e muita
cerveja. Apresentou-se como “rainha”, disse que podíamos ficar e cobrou R$
50,00 para pernoitarmos.
A barraca
fica na Praia do saco e é ponto de
parada dos buggys que fazem passeios pelas praias da região. Achamos muita
muvuca, principalmente devido à pandemia e acabamos trocando de lugar, indo
estacionar em uma rua próxima que termina a beira mar. Foi ótima escolha! Fizemos
amizade com um morador que estava ali pescando, Jansen, que nos presenteou com
uma conserva de um mix de pimentas, feita por ele, maravilhosa. José se juntou a ele e ensaiou uma pescaria,
mas os peixes não colaboraram.
A falta dos peixes foi detalhe sem importância, o que contou foi o ótimo
papo acompanhado de deliciosos pastéis de aratu (tipo caranguejo), comprados na barraquinha indicada por
ele, curtindo um belo final de dia. De presente acordamos vendo o sol nascer no
mar. Pela manhã
Jansen foi se despedir cedinho, trocamos contatos, agradecemos a acolhida e por
sua sugestão saímos em direção a Lagoa dos tambaquis.



Fica na rodovia que vai
para Aracaju e há vários restaurantes e bares instalados nas margens da lagoa.
Escolhemos um que estava menos cheio e paramos para conhecer o local e a
atração principal: os tambaquis - peixes enormes que ali estão totalmente
“socializados” com os humanos. Entramos na água para um banho e para tratar os
tambaquis que literalmente vem comer na mão dos turistas. Pelo que nos falaram
foram trazidos de fora, se reproduziram rápido e hoje ajudam a impulsionar o
turismo na região.
Depois de tomar banho na lagoa, deitar nas redes submersas
na água transparente e brincar com os tambaquis, fomos comer uma moqueca de
camarão. Estava deliciosa! Os restaurantes da orla, em geral, tem boa estrutura, com redários, balanços decorativos, pergolados cheios de poltronas, enfim, uma
boa opção para passar um dia agradável. Como o local fica próximo de Aracaju
decidimos seguir para a capital sergipana ao final do dia.


Chegamos a
mais uma capital! É a vez de conhecermos a bonita Aracaju. E fomos surpreendidos positivamente com sua bela orla e o
amplo estacionamento a beira-mar na praia do Atalaia, público, lotado de
motorhomes.
Posicionamo-nos em um lado menos lotado, onde estava um casal de
Aracaju, com sua filha especial. Pessoal discreto e gentil, nos presentearam com uma cartela de bandeiras dos estados brasileiros que vai decorar nossa
Branquela Viajante, retribuímos com nosso clássico licor de folha de figo, personalizado, feito pelo José.
Curtimos três dias calmos ali, caminhando pelas areias
quentes durante os dias e pelas movimentadas ruas do calçadão nas noites. Bons
dias! Tiramos um dia para fazer um tour de motorhome pelo centro, mercado público,
prédios históricos e monumentos. Rodamos na orla até a ponte e paramos no Largo
da Gente Sergipana, onde tem um píer com enormes esculturas das representações
folclóricas do Sergipe - Lambe sujo, Caboclinhos, Chegança, Cacumbi, Taieira,
Bacamarteiro, Reisado, São Gonçalo e Parafuso.
Mesmo o museu não estando aberto
à visitação o seu entorno foi um dos locais que achamos bonito. Ao meio dia comemos
um delicioso peixe, no Bar do Jota, recomendação do Jansem. Bom! Ah! Para
finalizar o dia uma paradinha no “caranguejo” gigante onde tem o letreiro da
cidade para a tradicional foto, também foi parada obrigatória.
Outro local de Aracaju que recomendamos é a
Orla do Pôr do Sol. Fica a 15 km do centro pela Rodovia dos Náufragos, na praia
do Mosqueiro, à beira do Rio Vaza-Barris. O nome indica a sua maior atração, mas outra
boa pedida é pegar uma das embarcações disponíveis - lancha, catamarã, barco e
fazer o passeio pelo leito do rio até a Croa do Goré, um banco de areia que
forma uma ilha que só fica visível algumas horas durante o dia. As embarcações
levam os turistas até a ”ilha de areia” para passar horas se banhando e
apreciando o visual. Não conseguimos fazer o passeio de barco porque chegamos
tarde, mas só ficarmos na orla sentados tomando nosso chimarrão enquanto o sol
se punha já valeu o passeio.
Aproveitamos
também nossa passagem por uma capital para fazer a revisão da nossa casa
rodante. Agendamos na “Mecânica W Diesel” que nos atendeu muito bem. Deslocarmo-nos até lá oportunizou conhecer alguns
bairros periféricos de Aracaju, inclusive contrastando com a área central -limpa
e cuidada, vimos ruas cheias de lixo, sub-habitações e com aspecto de abandono,
nada diferente da característica da maioria das cidades turísticas que
conhecemos - uma lástima.
Somos
viajantes que gostam de trocar de cenário! Depois de um mês rodando pelo
litoral nos despedimos do mar e partimos rumo ao sertão. Nossa primeira meta é
visitar o Cânion do Xingó, maravilhosos penhascos que “envolvem” o Rio São
Francisco, entre as cidades de Canindé do São Francisco no Estado de Sergipe e Piranhas
no Estado de Alagoas. Foi com a construção da Usina Hidrelétrica do Xingó
(1988) que ao represar as águas, inundou novas áreas, entre elas picos rochosos, que os cânions do Xingó se constituíram como é hoje, portanto é uma atração
“artificial” e jovem (1994 chegou ao estágio atual).

Antes de
chegar à Canindé do São Francisco-SE passamos na cidade de Laranjeiras em busca de referências culturais e folclóricas
destacadas no Largo da Gente Sergipana.
Infelizmente nossa expectativa foi
frustrada! A cidade pareceu-nos com enorme potencial turístico: construções
visualmente antigas e vestígios histórico/cultural da época colonial açucareira,
mas infelizmente não encontramos local de informações ou pessoas dispostas a
nos contar sobre o folclore popular regional. Decidimos partir!
No
deslocamento entre o litoral e o sertão fomos observando a mudança de cenário. Muda
a vegetação - primeiramente mais verde, depois terra, plantas secas; muda o
entorno - aparecem os animais regionais (cabras, jegues); muda o clima - fica
mais seco; mudam os hábitos - pessoas sentadas “proseando” à frente das casas,
enfim, estamos no sertão. Mais uma vez nos damos conta quanto nosso país é
grande, diverso, rico, este pedacinho é mais um dos muitos "brasis"!
Chegamos à
cidade de Canindé do São Francisco
já no meio da tarde e fomos direto procurar local para ficar. Após passar no
bar/restaurante indicado no “Viva Sobre Rodas” e no estabelecimento ao lado
optamos por não ficar - ambos com a mesma pegada, muita gente, música alta,
clima de festa. Em frente ao restaurante de onde saem os passeios o “Rota do
Cangaço” também é possível ficar, mas optamos em procurar algo mais nosso
estilo: reservado e em contato com a natureza.
Voltamos até a ponte sobre o
velho Chico, divisa dos dois estados e fomos a um quiosque o “Recanto do Velho
Chico” localizado bem na margem do rio. E que recanto! Fomos acolhidos pelo Sr.
Gilmar e sua família com disponibilidade de água, luz, banheiro e ótimo papo. Conta-nos
que iniciou seu quiosque há um ano e que nos finais de semana o local fica
lotado, assim, gradualmente, melhorou a estrutura e montou a cozinha onde
servem refeições feitas por sua companheira. Comemos uma tilápia e feijão
tropeiro maravilhosos preparado por ela!
O passeio no
cânion, saindo de Canindé, é quase um monopólio - praticamente todos os barcos estão vinculados ao restaurante Karranca’s. Chegamos, estacionamos a
Branquela, fomos retirar os ingressos, já reservados, e ali já percebemos que seria
daqueles passeios de muitos grupos, música alta, bebidas. O barco é do tipo
catamarã com comida e bebida a bordo. A navegação é parte pelo rio, parte pelo
lago da hidrelétrica e dura em torno de uma hora.
O cenário é
lindo: uma imensidão de água em tom verde, balizado por paredões alaranjados
formam um lindo contraste. Em alguns pontos chega a 300 m a distância entre os
paredões no lago, que se estende por 65 km. O ponto principal do passeio é o
porto de Brogodó, local onde os paredões se aproximam formando uma fenda
estreita. Neste ponto é possível nadar no rio (área delimitada) e pegar um
pequeno barquinho a remo até a fenda principal o “Paraíso do Talhado”-
pagamento a parte e com duração de 10 minutos. O local lembrou-nos bastante Capitólio
MG.
Apesar de não ficarmos tão a vontade, devido a inevitável aglomeração ainda
em período de pandemia, foi um ótimo passeio. Sem dúvida é uma das tantas
belezas do Velho Chico, este majestoso e imprescindível rio brasileiro que
corta cinco estados, levando vida principalmente as populações ribeirinhas. Valor
R$ 110,00 para idosos.
Foi próximo
de onde ficamos que ocorreu a trágica morte do ator Domingos Montagner, por
afogamento. O local estava sendo cenário de gravação da novela da Rede Globo
“Velho Chico” e por uma infelicidade, ao se banhar no rio, ocorreu o acidente. O
rio é grandioso por isso requer muito cuidado, a dica é: não entre sem informações
do trecho.
ALAGOA




Nossa noite
foi especial!
Estacionamos no quiosque
Recanto do Velho Chico, nas margens do rio, nos banhamos nele, iluminados por um
belo luar. Pela manhã saímos para outro passeio. Desta vez até a “Grota do
Angico” local onde o bando de Lampião teria sofrido uma emboscada que culminou
com a morte dele, de sua companheira Maria Bonita e de outros setes integrantes
do bando. A saída é do lado Alagoano, na cidade de Piranhas. No ancoradouro há
várias embarcações, de vários tamanhos que fazem o passeio.
Nós fomos em uma
embarcação sozinhos por R$ 250,00. A travessia dura 30 minutos até o ”Espaço
Angico”, que conta com restaurante, área de banho, redário, a casa do coiteiro
de lampião e ficam os guias que fazer a trilha até a grota onde foi a emboscada. A
trilha de 600 m pelo sertão alagoano é leve, pois a subida é amenizada pela
vegetação de caatinga, mas como faz calor, sugerimos muita água, chapéu e
protetor.


Uma
curiosidade: as guias se apresentam vestidas de cangaceiras e quando chegam à grota,
durante o tempo para descanso e registros, contam muitas aventuras do bando de
Virgulino. Na volta almoçamos no
restaurante do atrativo, bem confortável e com comida boa. Retornamos para a
cidade já no final da tarde e pernoitamos no próprio estacionamento do
ancoradouro que fica ao lado da “Prainha”, mais uma vez a beira do Velho Chico
com as estrelas a nos observar.
Piranhas é uma cidade do século 19 e
sua história é intimamente ligada a do cangaço. A noite é bem gostoso de
caminhar pelo centrinho com suas casinhas coloridas, parar em um dos bares espalhados
pelas calçadas, curtir música ao vivo, conhecer a gastronomia regional e as
cachaçarias. Durante o dia a pedida é subir a imensa escadaria que leva ao
Mirante Secular - são 364 degraus compensados com um belo visual. Na direção
oposta outra grande escadaria, leva a Igreja do Senhor do Bonfim, no conjunto
formam uma bela combinação.
Com tempo ainda é possível visitar o Museu do
Cangaço, a Torre do relógio e o Centro de Artesanato, todos no centrinho, nós
infelizmente não conseguimos visitar porque estavam fechados. Antes de partir
da região voltamos ao Recanto do Velho Chico para deixar para Sr. Gilmar e sua
família pinhão e feijão preto - comidas típicas do sul do país e mais uma vez
agradecer sua hospitalidade.


Nosso próximo
destino é outra cidade histórica do Estado de Alagoas, Penedo. Além de casarios antigos, do Museu Imperial (em reforma),
do Convento de São Francisco (aberto à visitação), do Mercado Municipal o que
atrai turistas à cidade é a proximidade com a pequena Piaçabuçu, de onde partem
os barcos para a Foz do Rio São Francisco. Passamos o dia passeando pela cidade
e a noite dormimos estacionados no calçadão da bonita orla, em frente à Pousada
Colonial.

No dia seguinte cedinho rumamos para
Piaçabuçu já negociando por telefone o barco que nos levaria.
Escolhemos um barco pequeno, tipo voadeira, de um pescador, Sr. Jorge, assim
poderíamos fazer combinações a nosso gosto. Foi ótimo! Ele muito simpático e
disponível nos indicou a barraca para deixar os pertences e comer. O trajeto de
13 km pelo rio durou em torno de 40 minutos, fomos devagar, curtindo cada curva
do rio, ouvindo “causos” de pescador. Valor do passeio R$ 150,00.

Em 2016 fomos
até a nascente do Rio São Francisco, na Serra da Canastra MG, desde então
chegar a sua foz era um sonho. Agora podemos dizer: Conhecemos o Velho Chico da
nascente à foz! Que prazer! Agradecemos imensamente tal presente do universo.
O local é
simples e lindo e está aí seu principal charme. Mangue, Dunas, coqueirais,
encontro do rio com o mar, comunidades remanescentes de quilombolas e
pescadores formam um conjunto único e exuberante. Não por acaso foi cenário de filmes
- entre eles Deus é Brasileiro; novelas - Tieta do Agreste; e documentários - O
Rio São Francisco. Vale cada minuto caminhando pelas douradas dunas, o
refrescante banho no rio ou simplesmente sentar nas barraquinhas para comer um
peixe fresco e depois se deliciar com as gostosas cocadas e os doces locais.
De
quebra dá para comprar lembrancinhas para distribuir, o artesanato é bem
acessível e sua compra ajuda a subsistência das famílias e impulsiona a
comunidade.

De volta à
cidade de Piaçabuçu fomos procurar lugar para pernoite. Do nada aparece na
janela da Branquela o “arroz” um senhor um tanto estranho que dá uma dica de
ouro! Vão lá no Barreiras, “lugar onde param os carros” nos diz. Lá fomos nós,
sem muita confiança, mas falando mais alto o espírito aventureiro. Era um
bairro ribeirinho e popular próximo a cidade, ao chegar vimos um restaurante chamado
Encantos de Velho Chico, com uma área externa enorme, entramos, para nossa
surpresa aceitavam motorhome, oferecendo estrutura de quiosque, banheiro e luz.
Que bela dica Arroz! O local fecha a noite o que para nós não foi problema, ao
contrário, estávamos mais uma vez às margens do São Francisco desfrutando de
sua beleza, seu silêncio e iluminados somente pelo luar. Valor: R$ 30,00 o pernoite.
Mais uma vez
vamos mudar de cenário! Voltamos para a estrada, novamente em direção ao litoral.
A primeira parada no litoral alagoano foi na famosa Praia do Gunga, e não foi de fato uma parada, diria que foi uma
“passada”. Depois de subir no mirante para ter aquela visão linda do enorme
coqueiral, presente em todas as tradicionais fotos do local, entramos, demos
uma volta de carro, ficamos observando o entorno e decidimos não ficar. A praia
tem a cobrança de uma taxa de ingresso de R$ 25,00, e o acesso ao mar é bloqueado
pelas barracas dos bares e restaurantes, os passeios todos pagos. Literalmente: não é nossa praia hahahah!
Fomos para a praia ao lado, Barra de São Miguel, elas são separadas apenas pela lagoa do
Roteiro e a principal atração - as piscinas naturais - ficam entre as duas.
Instalamos-nos no Camping Beira Mar que faz total jus ao nome e nos deixa lado
a lado com o Gunga. Na primeira noite foi difícil dormir, chamaram até a polícia
porque na pousada vizinha o som alto reiniciou às 5h da manhã. Valor R$ 40,00
diária por pessoa.

Nossa
passagem foi curta, dois dias, mas deu para fazer o passeio até as piscinas
naturais do Gunga caminhando pela barra e bancos de areia, uma delícia ir
parando, contemplando, entrando na água para se refrescar e no horizonte o visual
da barreira de corais. Onde os barcos
fazem as paradas tem os bares flutuantes e venda de comida pelos ambulantes. Cuidado
e olho na tábua da maré, só é acessível este caminho na maré baixa.

E seguindo
nosso tour pelas praias de Alagoas a próxima a ser visitada foi a Praia do Francês. Mais uma boa
surpresa, pequena e bonitinha. Tem um centrinho animado, cheio de restaurantes
e lojinhas, áreas arborizadas. Ficamos no Camping do Francês que apesar de ficar
um pouco distante do centro, é perto daquele mar azul de areia fina, piscinas
naturais e muitos coqueiros, tradicional paisagem do litoral nordestino. Entre
o Camping e o mar tem uma área de vegetação de uns 400 m para atravessar, nada
difícil. Sua área é pequena - estávamos em seis equipamentos - e seu proprietário
é pessoa muito acolhedora. Valor da diária R$ 30,00 por pessoa.

Na sequencia de nosso roteiro chegou à vez de
mais uma capital - Maceió. Fomos
direto para o ponto de referência dos aplicativos de viagem - a orla de Maceió,
em pleno calçadão, ao lado do posto dos bombeiros. O local apesar de ser uma
referência e cheio de motorhomes não tem estrutura e a muvuca dos turistas e
vendedores de passeios é constante.
Acomodamos-nos em uma vaga do estacionamento
e saímos para o reconhecimento da área que é bem central, com bares, hotéis,
restaurantes no entorno. Passamos na feirinha que é bem movimentada e
diversificada, paramos em uma barraca para provar o cuscus nordestino. Não deu
muito certo! A pessoa que nos serviu a mesa tossia tanto que optamos em deixar
o cuscus servido e ir para a Branquela, afinal a pandemia ainda não acabou.
No
outro dia escolhemos fazer um passeio de jangada, programa obrigatório por
aqui. As coloridas jangadas se acumulam na areia, formando um belo cenário que
encanta os turistas e garante renda aos nativos. Valor R$ 100,00


Nós fomos sozinhos em uma embarcação com o
marujo Josias, no meio do trajeto até os corais o vento ficou forte, o mastro
caiu, bateu no ombro do José - por pouco não deu uma grave lesão - e o Josias
não conseguia retomar a rota. Resultado: tivemos que ser rebocados por outro barco
até os corais onde todas as jangadas param lado a lado, fazendo uma espécie de
arena, para banho, mergulhos, drinks nos bares flutuantes - Nos sentimos quase
em um aquário onde a atração eram as pessoas! Além do susto do acidente o
passeio reafirmou nossa percepção de que o tipo de lugar que gostamos é mais
natureza, contemplação e menos programas comerciais lotados de gente. Então não
vamos insistir, melhor partir.
Depois da
rápida passagem por Maceió escolhemos a pacata São Miguel dos Milagres para estar bem à vontade. A praia é pequena
e bem procurada por quem gosta de beleza e tranquilidade. Estacionamos na
avenida que dá acesso à praia e, como já era tarde, fomos nos acomodar para
dormir sem explorar a praia. No dia seguinte acordamos com os kombeiros
viajantes da Kombi Blue, Aline e Anderson, ao lado. Trocamos experiências,
dicas, demos boas risadas dos perrengues já experimentados.


E chegamos a
uma das praias famosinhas do nordeste - Maragogi. E em um dos Campings queridinho dos campistas - O Camping da Zeza.
Ambos merecem
o reconhecimento em nossa opinião. O Camping da Zeza é pé na areia e o mar em
frente é sereno, quentinho, transparente, um verdadeiro convite para relaxar.
Fica afastado do centro, mas tem mercadinho próximo e o camping serve refeições, mediante agendamento.

Maragogi fica
na Costa dos Corais, uma área de proteção ambiental que se estende por cerca de
120 km e abriga lindas praias, com água límpida, de um tom esverdeado
lindíssimo e vastos coqueirais. Apesar de pequena e simples - talvez resida aí sem charme - é cheia de atrativos: passeios de buggys, piscinas naturais, várias praias,
entre elas Barra Grande que se destaca pelo banco de areia conhecido como
Caminho de Moisés. Nós chegamos à Maragogi em um período ruim, a maré estava
alta, portanto, não estava visível e acessível o longo caminho de areia que
“adentra o mar”.
A previsão para a baixa da maré seria só na troca da lua, dali
uma semana, nos restou programar para nossa volta tentar novamente. Ainda assim
fomos até o local e ficamos imaginando o espetáculo. Na praia de Antunes
optamos por ficar caminhando na areia fina e branquinha entrando na água para
se refrescar, entre um sorvete e um suco. No centrinho tentamos fazer a dose de
reforço da vacina contra o Covid, não fomos atendidos, só para moradores. Ficamos
devendo conhecer a Praia do Patacho, que nos disseram ser de muita beleza.

Em uma das
noites decidimos fazer um “Wild camping” com os parceiros da Kombiblue, Aline e
Anderson, na beira-mar, ao lado do restaurante Burgalhau. Foi bem especial!
Montamos uma mesa de guloseimas, vinho e bom papo, olhando o mar e curtindo o
acampamento iluminada só pelas estrelas. Boa parceria! Em lugares mais
turísticos e próximos a grandes centros, por uma questão de segurança, gostamos
de fazer este tipo de pernoite com companhias. Onde ficamos apesar de ser uma
área reservada passou carros até muito tarde da noite, com som alto e algazarras
- fica a dica!
PERNANBUCO
Um pouco
chateados porque o período de maré alta não nos permitiu conhecer Maragogi em
sua plenitude partimos com a sensação que faltou algo. Para nós isso funciona
como um desafio, em outro momento vamos voltar, por hora nos despedimos de
Alagoas. Agora é seguir em frente para entrarmos no Estado de Pernambuco e de
cara conhecer outra praia igualmente famosa: Porto de Galinhas distrito do Município de Ipojuca-Pe. Antes tentamos uma parada na Praia dos carneiros,
como o acesso ao mar era somente através das barracas e mediante pagamento,
escolhemos não parar. Não porque não poderíamos pagar, mas é uma questão de
visão de mundo, entendemos que a beira mar, é área pública de uso coletivo.
O
deslocamento entre Maragogi e Porto de Galinhas tem duas opções; Pela balsa ou
via terrestre intercalando as Pe 072,060 e 061. Queríamos ir de balsa, mas
perdemos a entrada e acabamos indo pelo asfalto, o que não foi problema, a
estrada é linda. Atravessa uma região rural com vacas, fazendas, plantações de cana-de-açúcar
(cuidado com os compridos caminhões chamados bitrem).


Chegando a
Porto de Galinhas e fomos inicialmente à Praia
de Maracaípe, referência para os campistas, em especial para quem gosta de
0800. Tem um amplo estacionamento público repleto de campistas de todos os
gostos: barracas, bicicletas, motorhomes, campers...uma diversidade de
“tribos”. Estacionamos e ficando avaliando, conversando com outro proprietário
de MH, um deles nos informou que “mora” ali há alguns meses e “administra” a distribuição
de luz e água aos novos.
Nossa escolha foi buscar um lugar mais discreto e
assim seguimos para o centrinho em busca do mesmo. Foi ótima escolha: o núcleo central da vila
tem o formato onde várias ruas convergem para uma mesma área de estacionamento
e foi em um destes que ficamos. As ruas são estreitas e o deslocamento de carro
grande seria impossível, mais uma vez avaliamos que nossa escolha por uma Van
foi perfeita para nosso perfil. O estacionamento que paramos foi o número 02 - todos são identificados por números -, é bem próximo ao acesso principal e um
rapaz que se diz “cuidador” pediu R$10,00 para olhar o carro. Ok apesar de não
concordarmos com a prática cedemos e avisamos que dormiríamos ali. Ligamos para
os kombeiro da Blue e eles se juntaram a nós.


Porto de
Galinhas é uma referência não só em Pernambuco, mas na região nordeste, quando
se busca lugar de beleza incrível e toda pensada para o turismo. As praias são
de águas mornas, transparentes, areia branquinha; o centrinho é decorado, cheio
de bons restaurantes, comércio e muito turista. A noite tem várias opções de
bares e restaurantes com música ao vivo.
Nós tivemos dificuldade em curtir a
beira mar porque é cercada de barracas, sem um espaço para quem deseja se
instalar por conta própria, em outras palavras, fica-se nas barracas - com
consumo mínimo e assédio constante de vendedores - ou não fica, simples assim.
Não é nosso estilo, e confesso que ficamos incomodados com a falta de liberdade
e a muvuca.
Optamos em ir
passear pelas praias do norte de carro com os kombeiros. Fomos até as Praias de
Muro Alto - estacionamentos cheios; Cupê - estavam montando um megaestrutura para
uma noite de música; Suape - próximo ao terminal Suape, bem mais tranquila.
Decidimos não ficar para dormir no lado norte e voltamos para Maracaípe, no
estacionamento público, em meio à muvuca, foi a alternativa que sobrou para hoje hahaha! À noite fizemos
churrasco e ficamos de papo até tarde com Aline e Andersom, eles no dia
seguinte seguem viagem acelerados, afinal diferente de nós, são jovem e estão
contando os dias que restam das férias.
Ficamos mais
um dia em Porto de Galinhas, novamente no estacionamento 2 do centro.
Aproveitamos para tomar banho de mar, caminhar na areia, tomar um drink
sentados em uma canga olhando os barcos saírem para os passeios ( descobrimos
um espaço mais democrático), caminhar pelo calçadão e até fazer compras de
lembrancinhas. Momento relex! Queríamos esperar para ver se seria viável voltar
para Maragogi com a maré melhor - não rolou - demoraria uma semana para troca da
maré. Vamos em frente então, rumo ao município de Cabo de Santo Agostinho, mais
especificamente na praia de Xareu.

Estacionamos
nossa Branquela na enseada dos corais, pertinho da pedra do Xareu, e fomos
fazer um reconhecimento do lugar. Que visual lindo! Enseada, mar, rochas, vegetação e a
semelhança aliviou a saudade da nossa Imbituba. A rua era sem saída e logo que
paramos o morador da casa em frente, Sr. Marcos, veio nos dar boas vindas e
dizer que poderíamos estacionar em seu pátio à noite. Que recepção! Passamos o
dia contemplando aquele cantinho especial, no final da tarde fomos ver o pôr do
sol no mirante e para encerrar o dia especial sentamos próximo ao mar à noite, comendo pipoca e tomando chimarrão.
Para fechar com chave de ouro acordamos 4h:30min para ver o sol nascer no mar. A praia estava deserta - como gostamos - e em
contraste, ao longe, se vê as luzes da movimentada capital pernambucana - Recife.
No dia seguinte antes de partirmos ganhamos uma plantinha da esposa do Marco,
Sra. Silda, que viu meus vasos de manjericão e alecrim e se encantou.

Chegamos a
nossa oitava capital nesta viagem, Recife.
Como era domingo a cidade estava com pouco trânsito, o que já nos animou.
Optamos em ir direto para o centro, conhecer a parte histórica, deixando as
praias para segunda feira, esperando menos lotação. Foi ótima escolha! Paramos
bem próximos ao Marco Zero, onde se concentram muitas das atrações da região.
Conseguimos visitar todos os locais com calma, sem tumulto e já fiquei
apaixonada pela cidade. Que astral bom! Vibrante, alegre, bonita, foi uma primeira impressão bem positiva.

Na área
denominada Recife Antigo se concentram várias opções para visitação. No entorno
da Praça do Marco Zero tem o Museu Cais do Sertão - neste dia tinha uma
exposição externa de globos com trechos dos direitos Constitucionais, a
Sinagoga Kahal Zur Israel - Primeira sinagoga das Américas, o Paço do Frevo, Parque
das Esculturas de Francisco Brennand - infelizmente já foram furtadas e
depredadas várias peças, a Embaixada dos Bonecos Gigantes que não entramos
porque iríamos à fonte - Olinda, a Capela Dourada, o Centro de Artesanato
Pernambucano - com peças lindas de artesanato regional, enfim, um verdadeiro
programa turístico passar o dia de atração em atração. Foi o que fizemos.
Passamos um dia muito gostoso caminhando pelo local que vem sendo revitalizado
desde 1990 e hoje é referência na cidade, além de receber muitos turistas é
palco de manifestações populares.

No
entorno da Praça do Arsenal tem vários bares e restaurantes com decorações
criativas e menus regionais, escolhemos um que no carnaval é sede de um bloco e
sua decoração conta sua trajetória no carnaval Pernambucano. Ao lado outro
tinha música ao vivo com clássicos da MPB, em outro uma apresentação de teatro,
cultura e arte onde o povo está, parabéns!

Ao final do
dia fomos para o Bairro da Boa Viagem, na orla da capital, onde fica o Parque
Dona Lindu, nome dado em homenagem à mãe do ex - presidente Lula, representada
pela escultura de uma família de retirantes o ”Memorial aos retirantes” obra do
artista Abelardo da Hora. No parque de 27 mil metros quadrados, projetado por
Oscar Niemeyer, tem um teatro, galeria de arte, quadra poliesportiva, pistas de
skate, patinação, corrida e outros esportes além de estrutura de sanitários,
fraldários e segurança 24 horas.
Que privilégio para a população um espaço tão
estruturado e democrático em uma área nobre e linda.
Chegamos
e nos colocamos em uma área já tradicionalmente ocupada pelos viajantes de
motorhome. De inicio achamos o local “aberto”, mas logo conversamos com outro
casal que já estavam instalados ali e vimos que seria seguro, à noite chegaram
mais dois equipamentos. Para o mundo do campismo ter um local gratuito,
estruturado, na orla de uma capital em área nobre é motivo para comemorar e
agradecer. Parabéns aos idealizadores e um pedido de uso responsável aos
campistas que fizerem uso do local.

Outro
programa obrigatório e que amamos fazer em Recife foi conhecer a “Oficina
Brennarnd” e o “Instituto Ricardo Brennand”. São locais distintos e ligados
respectivamente aos irmãos Francisco e Ricardo, um artista e o outro um
colecionador. Na oficina, antiga cerâmica do pai que o artista Francisco transformou
em seu ateliê, encontra-se um acervo riquíssimo e de uma beleza estética
impressionante. O local é único, as obras estão “espalhadas” por toda parte em
um misto de arquitetura e arte que povoa a antiga olaria do Séc. XX e desafia
nossa imaginação. O artista faleceu em dezembro 2019, vitimado pela covid 19.
No Instituto o acervo tem relação com a
história da arte, são ricas coleções de pinturas, armas brancas medievais, relógios,
documentos históricos, distribuídos em vários ambientes de um antigo castelo
medieval, encravado em uma área de 180 mil metros quadrados, recortados por
jardins, lagos e obras de arte, espaço que também fazia parte do antigo Engenho
São João. Ricardo também faleceu recentemente, 2020, vítima de covid19.
Ingresso de ambos R$66,00 por pessoa idosa.


Nos três dias
que ficamos em Recife fizemos outro programa que recomendo. Foi o Projeto
“Olha! Recife a pé” um tour guiado oferecido pela Secretaria do Turismo
gratuitamente. São vários roteiros disponíveis, no dia que participamos foi na
área central, passando pelo Mercado Santa Rita, Santander, Igreja Santa Teresa
de Ávila, Sinagoga. No trajeto o educador cultural vai relatando fatos
históricos da cidade e dos locais visitados. Por exemplo: a importância do povo
judeu na colonização da cidade e a influência deixada. Chegaram em navios,
trazidos por Mauricio de Nassau, importante personagem na história da cidade.
Eram usineiros, mascates, pequenos comerciantes e até hoje existe a rua das
lojinhas dos mascates. O guia também
discorre sobre a cidade, que é chamada “Veneza brasileira” por sua geografia
que se constitui de três ilhas, além dos rios Capibaribe e Beberibe que cortam a
cidade, e de dezenas de canais e pontes, que a transforma em um belíssimo
cenário.


No nosso
último dia na capital Pernambucana, pela manhã, nos dedicamos a curtir a praia.
Tomamos banho de mar, caminhamos pela areia e no calçadão da orla, sentamos
para contemplar o visual e apreciar preguiçosamente o cotidiano da cidade.
Ao
final do dia fomos assistir o “Encontro dos Terreiros de Recife” que reuniu
próximo ao Marco Zero várias entidades ligadas as religião afro. Após a
concentração saíram em caminhada pelas ruas da capital com músicas, danças,
trajes das tradições da religiosidade afrodescendentes. Foi lindo e
emocionante! E assim nos despedimos de Recife, apaixonados.
Nossa próxima
parada foi na vizinha
Olinda - famosa
por seu carnaval
. Na chegada já
decidimos fazer o tour guiado na cidade, para só depois buscar o lugar para
ficarmos. Pegar um guia não é muito nosso perfil, mas achamos que ali seria
interessante para aproveitar melhor o tempo e os pontos turísticos. Fomos com o
Jailson, um nativo credenciado na Sec. da Cultura, que vive de acompanhar
turistas na cidade, cobrou R$ 70,00.


A
cidade é uma das mais preservadas do tempo colonial, é patrimônio Histórico e
Cultural da Humanidade-ONU, atualmente se destacam suas casas coloridas e a
arte presente em todos os segmentos.
O
guia levou-nos na Primeira faculdade de direito do estado; Casa Mourisco, Casa
do cantor Alceu Valença, esquina dos Quatro Cantos de Olinda, Igreja e Alameda
da Sé, Casa dos bonecos gigantes - onde tem acervo de bonecos usados nos
carnavais e demonstração de frevo, ingresso R$ 12,00 .
Recomendou-nos um
restaurante bem central, com ótima comida.
À tarde passeamos pelas famosas
ladeiras de Olinda onde no carnaval os foliões desfilam e se divertem. Entrei
em lojas de artesanatos e no mercado de arte para conhecer a produção local dos
artesões, cujos produtos são belos - faltou comprar a típica sombrinha de dançar
frevo! Ao final do dia fomos para o Coqueiral Park, um parque aquático e ponto
de parada de motorhome.
Achamos o local um pouco longe e de difícil acesso
(estradas de terra na periferia), mas estando lá o lugar é aconchegante. Têm
piscinas, mini fazendinha, restaurante, pesque e pague... como ainda estamos
nos preservando de contatos públicos, não usamos quase a estrutura, tudo certo,
foi ótimo esta parada em meio a muito verde.

Ao acordar no
dia seguinte optamos em ficar durante o dia no Coqueiral Park. Aproveitamos
para arrumar nossa casa móvel, lavando roupas, consertando grade frontal que
soltou e para fazer um churrasco, que estávamos com saudade de saborear. Também estavam acampados de motorhome no
Coqueiral Park o Paulo e a Ana de Brasília, são viajantes do projeto “Destino
Viajante”. Para voltar a passear em Olinda escolhemos ir de uber, chamamos pelo
aplicativo no meio da tarde e lá fomos nós, com o propósito de esticar para
conhecer também a noite de Olinda. Boa escolha, passeamos a pé pela cidade,
observando, tirando fotos, entrando em alguns lugares e quando anoiteceu fomos
para o cruzamento conhecido como quatro cantos - onde rua se “encontram” e se concentram os bares.
Tinha ensaio da orquestra de frevo que ficamos
assistindo, tomamos uma cerveja acompanhada de pastel de Belém. Infelizmente
não era época do carnaval para participarmos deste que dizem ser um dos
melhores do Brasil, com seus bonecos gigantes, embalados por frevos e
maracatus. A volta foi tranquila porque já tínhamos deixado combinado com o
uber a hora e local do retorno. Recomendo esta opção para quem ficar acampado
no coqueiral, não vale a pena o deslocamento de motorhome. Valor do Camping Coqueiral R$ 35,00 diária
por pessoa. Valor do Uber até Olinda ida/volta R$ 32,00

E nossa
última parada no Estado de Pernambuco foi a Ilha de Itamaracá. Paramos no Forte Orange, uma bem conservada
fortificação do tempo colonial, que foi importante na história da colonização
de Pernambuco. Lugar é perfeito para belas fotos, misturando cenário histórico,
ruínas, tudo envolto pelo mar e o rio.
Ainda aproveitamos a Praia de Jaguaribe,
para banho achamos ótima, água quente, bancos de areia no mar, uma delícia.
Tentamos ir também à Enseada dos golfinhos, mas o acesso estava ruim, ficamos
com medo de atolar o branquela, desistimos.
Assim nos despedimos de Pernambuco para ingressar no próximo Estado -
Paraíba.
PARAÌBA



Nossa
primeira tentativa de parada na Paraíba foi a Praia Bela, estava tão cheia de
ônibus de excursão que optamos em seguir, mesmo vendo que o visual era lindo. Fomos
felizes na decisão, a praia de Tambaba,
onde paramos, achamos a mais bonita que passamos nesta viagem até aqui.

Pequena, quase deserta, com rochedos, falésias, área verde, um coqueirinho
solitário - que é sua marca, e ainda uma área de nudismo opcional. Lindíssima!
Ficamos dois dias “acampados” no estacionamento da rua a beira-mar. Tem duas
barracas de praia cujos responsáveis também ficam dormindo no local, caso
contrário não nos sentiríamos seguros de pernoitar. Passaram dois PMs no
estacionamento e nos aconselharam ir para Jacumâ, seria mais seguro, acabamos
ficando ali. Era inicio da semana e talvez por isso tenhamos ficado quase que
sós neste paraíso. As únicas companhias, à noite, eram os donos das duas
barracas de lanches.
Caminhamos bastante pelas falésias, tomamos gostosos banhos
de mar, brincamos imaginando as figuras e desenhos que “aparecem” nos rochedos
que surgem no mar, nos finais de tarde ficávamos sentados com cadeiras de praia
nas piscinas naturais tomando chimarrão até anoitecer. Não entramos na área de
nudismo, nada contra, apenas uma questão de não se sentir confortável, mas
ouvimos relatos que as pessoas respeitam as regras - só entra acompanhado,
obrigatório estar sem nenhuma roupa, proibido abordagem. Quem sabe na próxima!
É um lugar que queremos voltar.

As outras
praias na sequencia do litoral Paraibano são igualmente lindas. Coqueirinho do Sul - visual parecido
com Tambaba, mas com grandes empreendimentos hoteleiros; Tabatinga - onde uma lagoa se encontra com o rio e o mar formando
uma paisagem única e com a água deliciosamente quente; Praia do Amor - com uma área verde enorme para estacionar, uma
árvore conhecida por atender pedidos de amor e barracas de praias servindo bons
pratos regionais, aproveitamos para almoçamos em uma delas; Jacumã - onde tem um estacionamento
público que recebe motorhome e onde optamos em dormir, não tem acesso à praia.
No estacionamento estavam também outros dois casais viajantes, um de Kombi
outro de carro/barraca, que já havíamos pernoitados juntos no Parque Dona Lindu
em Recife. Depois destes bons dias de relaxamento e belos passeios em praias
paradisíacas, estamos prontos para uma cidade grande novamente.

E chegou a
vez de mais uma capital, borá lá conhecer João
Pessoa, carinhosamente chamada de JP. Optamos por iniciar com um tour
motorizado pela orla, alias muito bonita, já vale o passeio. Paramos no Farol
do Cabo Branco - onde fizemos nosso almoço e no Museu Estação Ciência, cultura
e arte - com prédio do Niemayer e pinturas de Jurandir, só conhecemos por fora
porque estava fechado.
No meio da tarde fomos para a Praia do Jacaré na vizinha Cabedelo,
onde diariamente o músico conhecido como Jurandy do sax executa em seu sax a
música Bolero de Ravel, navegando no Rio Paraíba enquanto o sol se põe. Não é
por nada que junta uma multidão para assistir e aplaudir, realmente é um belo
espetáculo.
A música é transmitida por alto falantes para o calçadão e o
comércio local, então é possível assistir de um dos bares da orla ou ainda em
embarcações, no meio do rio. Segundo Jurandy a apresentação ocorre mesmo com
chuva e desde 2001, quando iniciou tocar no barco como uma iniciativa pessoal,
intimista, pouquíssimas vezes foi substituído.
Além desta já consagrada atração
no entorno do Rio Paraíba se encontram bons restaurantes, bares e lojinhas de
artesanato regional, que convidam a passar horas por ali. Nós nos posicionamos
em cadeiras de praia, acompanhados do tradicional chimarrão e ficamos
hipnotizados, curtindo aquele pôr do sol que ficará para sempre em nossas
lembranças.
Obrigada e parabéns Jurandy do sax!

Neste local
conhecemos o casal Rômulo e Ana, de Brasilia-DF, também viajando com uma master
transformada em motorhome. Foi uma boa conexão, tanto que serão nossos
companheiros em vários locais desta viagem pelo nordeste e uma bela amizade que
nasceu.

Ainda em
Cabedelo visitamos o Forte Santa Catarina, uma antiga fortaleza datada de 1586,
que apesar dos vários ataques sofridos e das reconstruções esta razoavelmente
preservada e aberta à visitação e o Marco Zero da BR230 - famosa Rodovia
Transamazônica. Apesar do trânsito
intenso de caminhões e da dificuldade de parar para uma foto consegui registrar
o momento icônico com a ajuda de um caminhoneiro, na expectativa de um dia
juntar esta foto a outra a ser tirada no outro extremo da rodovia. Desafio
lançado!

No Centro
histórico de JP visitamos Hotel Globo que fica junto ao Complexo do Carmo. Uma Boa
pedida é fazer este passeio a pé e passar pelo Parque Solon de Lucena
observando seu entorno, onde se encontram vários casarios antigos e prédios
históricos. Foi o que fizemos quando percebemos que o trânsito é bem bagunçado
e seria difícil a locomoção.
Almoçamos na praia de Camboínha de onde partem
barcos de passeio para o caminho de areia vermelha e que neste dia devido à
maré alta não ocorreu. De sobremesa comemos picolé de jaca e castanha. Delicia!
Na Praia de Manaíra caminhamos na orla,
conhecemos o hotel Tambaú, a feirinha de artesanato e o letreiro de JP. Como
gostamos mais de lugares calmos ao final do dia voltamos para Cabedelo para um
bis na praia do Jacaré, com bolero e pôr do sol novamente. Pelo segundo dia
aproveitamos o momento especial, as delicias culinárias e pernoitamos com
segurança no estacionamento público da orla.
Uma
curiosidade: em uma das lojinhas da orla da Praia do Jacaré encontramos um
artista que participou do quadro “se vira nos trinta” do programa Domingão do
Faustão da TV Globo. Ele personaliza roupas usando spray de tinta, segundo a
personalidade do escolhido, em 30 segundos, gravando o feito. É uma boa opção
de presente personalizado e com registro.
Depois de
apreciar tantas belezas do litoral decidimos mais uma vez trocar de cenário.
Bora para o interior conhecer a região do Cariri! Nosso destino? Cabaceiras, a curiosa “Roliude
Nordestina”! A cidade é uma lenda, foi cenário para mais de trinta películas,
entre filmes, curtas, séries e documentários.
O primeiro filme gravado em Cabaceiras,
e que deu o impulso para sua trajetória cinematográfica foi “O Alto da
Compadecida” do diretor Guel Arraes, baseado no livro de Ariano Suassuna e um
dos meus filmes brasileiros preferidos. Desde então a cidade passou a focar na
sétima arte e no turismo, sendo comum encontrar pela cidade os moradores que
foram os dubles de personagens - como o Padre João -, dos cangaceiros e figurantes
que atuaram no filme devidamente paramentados.
Na nossa passagem pela cidade a
Amazon estava na cidade gravando uma série sobre o cangaço. Dizem que o fato de
ser a cidade com menor índice de chuva e ter um povo disposto a participar
ativamente das gravações são motivos que atraem as produções.


Não só
cenários e memórias cinematográficas encontra-se em Cabaceira. Conhecemos o
Lajedo do Pai Mateus, um lugar para ser visitado no final da tarde quando o sol, ao se pôr, reflete nas enormes pedras soltas no solo dando um colorido e uma
luminosidade linda ao conjunto. O acesso é por estrada de terra boa e para
ingressar é obrigatório guia local, credenciado no Hotel Fazenda Pai Mateus,
onde fica a atração. Custo R$ 80,00. Vale muito conhecer e talvez se hospedar
ali seja uma boa opção, nós como estamos em casa (hahaha) não testamos.


Seguindo uma
dica do guia dali fomos rodar pelo interior na chamada “rota do couro”. Paramos
no Distrito de Ribeira, 14 km da cidade, onde fica a sede da cooperativa dos
Curtidores e Artesãos em Couro - ARTEZA - que agrega mais de trinta oficinas
produtoras de objetos em couro, criadores de cabras e o curtume comunitário. As
peças como calçados, bolsas, cintos, chaveiros são lindas, super bem feitas e
com ótimo preço. Fica a dica para comprar aquele presentinho bom e barato, além
de incentivar um projeto de economia solidária, com uma proposta coletiva e
democrática com desenvolvimento sustentável.
Amamos a ideia e as pessoas que na
sua simplicidade nos receberam de forma generosa e acolhedora. Só estacionamos
(chegamos estava anoitecendo) e veio um senhor do bar dar boas vindas e
oferecer internet. Dormimos na rua, na frente da Arteza e logo pela manhã a
senhora que cuidava das cabras no terreno ao lado veio dar bom dia e oferecer
apoio, a chamam de “vevéia”.
Descobrimos que na comunidade há muitos gêmeos e
quase todos os moradores tem algum grau de parentesco, que são uma mistura de
origem judaica e de indígenas. O Lucas, atual presidente da cooperativa é de
uma simpatia e visão de mundo que gostaria de ver em muitos políticos e
gestores públicos, ficamos horas conversando e ouvindo a história do lugar. Que
Brasil lindo este! Parabéns comunidade!



Voltando para
a sede da cidade, ali visitamos o memorial do cinema onde estão expostos os cartazes
dos filmes rodados na cidade, a antiga cadeia pública, a igreja do Rosário (ambos
foram cenários de várias cenas cinematográficas), a praça do bode uma alusão à
famosa Festa do Bode rei que ocorre entre Maio e Junho e tem como prato
principal a “bodioca” que é uma tapioca de Bode.
Sem dúvida uma região para
lembrar que o nordeste não é só praia, seca ou pobreza. Tem cultura, tem arte,
tem produção, enfim, tem uma vida rica!

Do Cariri
seguimos direto para o brejo. Como assim? Explico: a nossa próxima parada foi
na cidade de Areias, micro região do
brejo paraibano, incluída na mesorregião do agreste no Planalto da Borborema.
Cidade pequena e colhedora, com casas antigas, de fachadas cheias de detalhes
e bem coloridas. Fomos conhecer uma construção que é a única senzala urbana ainda
existente no Brasil, era o local onde ficavam presos os escravos que seriam
vendidos. Plagiando o grande Chico Buarque - Página infeliz de nossa história!
Como também buscamos o lado bom de cada lugar, a seguir fomos conhecer uma
cachaçaria famosa no interior, aproveitando a degustação do liquido precioso e
as delícias dos doces regionais ali comercializados.
Dormimos estacionados na
rua, de ao lado da casa paroquial, em companhia aos kombeiros “viajando na
maionese”. No dia seguinte fomos para a vizinha Bananeira onde atravessamos o “Túnel que vibra”, confesso que não
senti o tremor hahaha! Mas a antiga estação vale a visita, foi revitalizada e
tem um hotel e um ótimo restaurante, vale a visita. A região do brejo tem um
clima ameno, úmido, delicioso e o trajeto dali para o litoral, que fizemos,
pode-se contemplar a beleza da Serra da Borborema, com planícies, morros e
muito verde, belo trajeto. Assim, com um visual e cenário diverso, nos despedimos da rica Paraíba.
RIO GRANDE do NORTE


Já no litoral
fomos direto para Bahia Formosa - RN,
terra do campeão mundial de surf Ítalo Ferreira. Na pousada Chalemar, onde
havíamos programado de ficar não havia mais vagas. Sem problema, em frente a
ela, na orla, estavam já instalados outros três equipamentos, inclusive Rômulo
e Ana que conhecemos na Praia do Jacaré.
Colocamo-nos ao lado do grupo e fomos curtir as belezas desta praia.
Ficamos três dias ali aproveitando cada momento, teve caminhadas à beira mar,
papo com os campistas, banho de mar, leituras. A praia é pequena e
aconchegante. No RN tínhamos um compromisso - visitar os amigos Edineusa e Rubens,
que residem em Natal e nos visitaram em Imbituba em 2020, depois de um tempo de
amizade virtual. Eles moram em um condomínio fechado, junto a Lagoa do Bonfim,
na cidade de Nísia Floresta. O lugar
é uma delícia, enorme área, bela lagoa, ótimas companhias.





De Nisia
Floresta fomos com o casal de amigos, Edineusa e Rubens, para a Praia da Pipa, onde eles também têm
residência. Estacionamos a nossa Branquela no condomínio e dali saímos para
conhecer mais uma capital de Estado. Tínhamos vindo à Natal de avião há muitos
anos atrás, poucas lembranças restavam.
Além da boa companhia, papo gostoso,
fizemos bons tours pela cidade com o casal, visitamos o Chapadão da Praia da
Pipa - onde alguns motorhomeiros costumam fazer paradas 0800 - com seu visual
incrível, pena que neste dia estava ventoso e com chuva fina.



À tarde além de
caminhar pelo centrinho e pela beira mar ainda curtimos a piscina do
condomínio. No dia seguinte fomos com o carro deles, na companhia do Rubens,
até a Barra do Cunhaú um caminho
muito bonito que tem como ponto alto a travessia de carro em uma balsa muito
rústica, na verdade uma plataforma, que se desloca com o carro sendo “movido” por
nativos que usam varas para mover a plataforma.
À tarde fomos conhecer Timbaú do sul, outro lado de Pipa.
Também tem um visual bem bonito onde é possível ver o encontro do mar e
o rio. Final do dia deu para fazer uma um passeio no centrinho para uma
cervejinha e um sorvete.


Voltamos
ainda mais um dia Para Nisia Floresta para curtir um banho na lagoa e fazer churrasco
de carne de sol e feijão verde, comida nordestina das boas.
De lá fomos de
carro com Edineusa para Natal,
prestigiamos uma mostra de fotografia em homenagem as mulheres negras, admiramos
o Morro do careca, fomos no Forte dos Três Reis Mago, na área central da
capital e no Centro de artesanato comprar lembrancinhas. Voltamos para Nisia
Floresta para pernoitar e no dia seguinte pegar nossa branquela e colocar na
estrada novamente.
Obrigada amigos pela recepção, companhia e parceria.

Na manhã
seguinte partimos cedo, paramos para tomar café no Forte dos Reis Magos, nos
despedimos de Natal atravessando toda a orla de Branquela Viajante.
Nossa
próxima parada é em Genipabu, onde
curtimos o passeio de bug nas grandes dunas da praia (R$ 150,00), vimos os
dromedários - não achamos interessante fazer passeio neles -, rimos dos tombos
no esquibunda e curtimos o banho no final da tirolesa. Nossa base foi em um
estacionamento bem no final da rua principal, próximo dos bares e do acesso às
dunas. Tranquilo - estávamos sozinhos -, barato R$ 20,00 diária e bem
localizado.
No final do dia subíamos as dunas para ver o Pôr do sol e o nascer
da lua, um momento especial para nós. Hoje tenho a avaliação de que devíamos
ter ficado mais tempo e aproveitado aquela tranquilidade alguns dias.




Na sequencia
da viagem pelo litoral do Rio Grande do Norte conhecemos Barra de Maxaranguape, Maracajaú - com direito a
tradicional foto na árvore do amor - e Touros
onde o registro foi no famoso Marco Zero da BR 101- agora podemos dizer que
fomos de um extremo ao outro da BR 101. 





A parada para descansar foi em
São Miguel do Gostoso, uma pequena
praia cheia de charme e comida boa. Iríamos ficar no estacionamento de uma
pousada, mas um desencontro nos deixou na rua a duas quadras da pousada, o que
não foi problema, rua tranquila, beira mar, muito próximo da região que
concentra os bares e restaurante.
Estava acontecendo o festival gastronômico do
camarão e aí foi se deliciar com risoto de camarão, empanado de camarão, torta
de camarão, camarão alho e óleo...
Durante o dia fomos conhecer a Praia de Tourinhos, cujo acesso tem 8 km
de estrada de terra, mas a água boa e a beira mar com suas falésias
petrificadas onde nos divertimos identificando formatos de objetos e animal, vale os solavancos da estrada.
Na saída passamos novamente pelo Marco Zero a
caminho do Farol do Calcanhar, segundo maior do Brasil e localizado no lugar
conhecido como “esquina do continente” , porque ali o litoral brasileiro faz
uma curva. Foi ali, a ao lado do enorme farol que fizemos nosso almoço e nos
despedimos do Estado do Rio Grande do Norte. Valeu povo Potiguar!

CEARA



Próxima
parada: Praia de Canoa Quebrada,
Município de Aracati - este foi um “reviver” depois de 20 anos. A diferença é
que agora levamos a casa junto hahaha.
Paramos no estacionamento da Pousada Via
Láctea, tendo o mar como quintal. A estrutura da pousada - quiosque e piscina -
fica liberada para uso dos "Motorhomeiros". Estávamos sozinhos quando chegamos, mas
logo nos reencontramos com os amigos Rômulo e Ana.
Foram ótimos dias, com
bastantes caminhadas beira mar, fotos lindas nos labirintos das falésias e no
logotipo da praia, pôr do sol nas dunas, banhos de piscina e o convite para
comer “moqueca de arraia” e feijão verde, feitos por Marília, amiga de Rômulo e
Ana e onde estão hospedados. Totalmente aprovada tanto a moqueca como a anfitriã e os
novos amigos.



Despedimos-nos
dos amigos e pegamos a estrada novamente, para dar continuidade ao nosso
roteiro pelo litoral do nordeste. Paramos na Praia de Águas Belas, ao lado da ”barraca do abençoado” para fazer
uma parada antes de chegar a capital Fortaleza.
À noite passamos um momento de
medo quando três motoqueiros chegam fazendo muito barulho e ao olharmos pela
janela do motorhome, vimos que estão armados e logo “somem” dentro da barraca.
Ficamos quietos, trancados, aguardando. Depois de uma hora saem da barraca,
ligam as motos e saem acelerando forte.
O restante da noite foi de pouco sono e
muita tensão, até que ao amanhecer e abrir a barraca soubemos que eram
policiais em ronda e que é parte da rotina aquela parada. Sei não! Pareceu
muito fora do padrão.
Como José nos
últimos dias não estava se sentindo bem, a arritmia que já monitora estava
acentuada, decidimos procurar um serviço de saúde ali mesmo na vila. Fomos
muito bem atendidos na Unidade de Saúde do SUS, olharam sinais vitais, passaram
para consulta clinica e o resultado foi um aconselhamento para irmos ao
hospital especializado em cardiologia que tem no caminho para Fortaleza.
Lá
fomos nós mais uma vez para um plantão - José está ficando especialista nestas
visitas a um plantão, inclusive com um episódio internacional em Istambul -
Turquia. No Hospital do coração e pulmão de Messejana a 65 km de Fortaleza,
novamente fomos muito bem atendidos. Fizeram exames de avaliação cardiológica
de rotina o deixaram em observação fazendo medicações no soro.
Oito horas
depois, com os resultados dos exames prontos e a revisão da cardiologista feita
foi liberado com a arritmia estabilizada. Registrando que estamos ainda em
pandemia de Covid e ambiente hospitalar é área de risco, mas não tivemos
alternativa, torcer para não ser contaminado e vida que segue.

Chegamos à Fortaleza, mais uma capital de estado,
cidade grande e com fama de ser insegura, já no final da tarde. Decidimos não
nos expor e fomos direto para o estacionamento da Pousada Praia Sul, na Praia do futuro, constante no
aplicativo Viva Sobre Rodas, cobra R$ 20,00 por pessoa a diária. A pousada é
muito simples, na verdade são alguns quartos de aluguel e a casa onde reside a
proprietária. Não tem estrutura, apenas um terreno murado - na época estava mal
cuidado -, com água e luz.

A vantagem é que fica a uma quadra do mar e dá para
ir a pé caminhar pela orla da Praia do Futuro, bem próximo a famosa barraca do
Crocobeach, foi o que fizemos.
A pousada passou a ser nosso ponto de parada nos
dias que ficamos na capital cearense, dali nos deslocamos para o Jardim
Japonês, para o Centro de Turismo, para a Praia
de Iracema, a região onde fica o Mercado Central, a Catedral metropolitana
e o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - Aqui deixo um registro de alerta:
Paramos a Branquela no estacionamento da Biblioteca Pública e fui caminhando
até o Mercado Central, sozinha, umas quatro quadras, no meio da tarde.
Durante
as compras fui conversando com o pessoal das bancas sobre a cidade e quando
ouvi pela terceira vez a recomendação para não voltar naquele trajeto após as
16 h, que era perigoso de assalto, decidi que iríamos embora da cidade. Voltei
quase correndo para a Branquela, relatei as conversas para José, somamos a isso
a visão que tínhamos de grupos de potenciais usuários de drogas, morando na rua
no entorno e reafirmamos a decisão de partir.
Nem voltamos para a pousada, como
acertávamos as diárias a cada manhã dali mesmo seguimos para uma praia pequena
a 30 km de Fortaleza - Cumbuco.


Bela escolha! Praia pequena, tranquila e fomos
bem recepcionados pelo pessoal de um bonito restaurante beira mar. Ali
almoçamos, curtimos as espreguiçadeira à tarde e ainda de brinde nos ofereceram
para pernoitar ao lado da portaria, com guarda toda a noite. Foi uma ótima
escolha trocar a agitação de Fortaleza pela calma de Cumbuco.
No dia seguinte
depois de um gostoso e demorado café da manhã ainda aproveitamos o belo quintal
para um refrescante banho de mar, antes de partir.
Na sequencia tentamos parar na
Praia de Lagoinha, de inicio ficamos
animados com a beleza do lugar, belo cenário com mar, rochedos, falésias e uma
linda enseada. Ao rodar na área urbana nos chamou a atenção e causou estranhamento
ver tantas pichações nos imóveis, muros e nas placas de sinalização.
Paramos em um mirante para
nos informar sobre o local indicado no “Viva Sobre Rodas” para apoio. Segundo
os guias que falamos o referido hotel não tem mais o estacionamento, mas nos
disseram que seria seguro ficar na rua e nos ofereceram passeios de bugui. Estávamos prontos para ficar quando resolvi perguntar sobre as pichações e aí
ouvi a resposta que nos deixou chateados: são as facções, as milícias.
Como assim? Aqui? Sim, estão aqui, e pasmem, na argumentação de um guia de
turismo "A população apoia - penso que falava dele próprio - depois que chegaram
aqui botaram ordem, acabou os roubos de celulares e objetos dos turistas, agora
trabalhamos mais tranquilos".
Entre incrédulos e revoltados de ver uma pessoa
defender traficante, bandidos violentos porque eles acabaram com "malandros
maconheiros" demos meia volta e nos negamos ficar na cidade. Grandes criminosos
que fornecem as drogas que regam as grandes festas de turistas são bem vindos?
Onde estamos!

A troca foi
boa, deixamos Lagoinha para trás e fomos para a famosa Jijoca de Jericoacoara. Combinamos com os amigos Rômulo e Ana de
nos encontrar lá, para juntos curtirmos aquele paraíso.
O nosso acampamento foi
em Jijoca de Jericoacoara, no Camping do Tião, de fácil acesso e com boa
estrutura a beira da Lagoa de Jijoca. A diária custou R$ 30,00 por pessoa. Dali saímos para fazer os passeio na vila de Jericoacoara de carro 4x4 com o próprio filho de Tião.
Aqui aproveito para uma informação: não é permitido entrar em
Jeri, como é carinhosamente chamada a vila, de carro particular. Indo de carro,
antes de entrar na vila é obrigatório deixar o veículo em um estacionamento
fora, ali às pousadas e carros cadastrados “buscam” os turistas. Outra
peculiaridade que torna Jeri única são as ruas e até alguns estabelecimentos
comerciais literalmente “pé na areia”, ou seja, você vai caminhar e entra nas
lojas pisando na areia. A iluminação tipo lampião nas ruas e no comércio também
acaba sendo um charme que torna a noite de Jeri uma atração. Outra
peculiaridade: é cobrada uma taxa semanal de permanência em jeri, nós, idosos,
fomos isentos.

Os passeios são vários, mas basicamente se
dividem em lado leste e lado oeste. O
lado leste é o mais procurado e foi o que optamos de conhecer. A saída foi
cedinho, na camionete 4x4 do filho do Tião. Fomos eu, José, Ana e Rômulo,
grandes parceiros desta etapa. Valor do passeio R$ 160,00 por pessoa.


O trajeto passa por dunas e mangues, onde seria
difícil passar com outro tipo de carro.
A primeira parada foi no Beach Club um
lugar muito bonito, com uma decoração valorizando a arte e os costumes
regionais com bom gosto e criatividade. Também é top os bares e restaurantes do
local, com refeições servidas em decks dentro d’água.
Dali seguimos para a
próxima parada o “buraco azul”, literalmente um buraco, formado pela ação do
homem - que retirou terra da área para aterrar uma trecho da estrada em
construção - e que “encheu” com água da chuva. De início era local onde os
moleques locais se banhavam, foi ficando conhecido e o dono decidiu investir e
abrir ao público. Hoje é uma das principais atrações da região, sendo o azul
intenso da água e a estrutura oferecida que convidam o turista a curtir o
local.
A parada para o almoço também foi em um restaurante a beira mar, comemos
um gostoso peixe grelhado olhando o mar. Na sequencia paramos na “árvore da
preguiça”, outra atração muito visitada, apesar de ser uma simples árvore que,
pela ação natural do tempo, se curvou e ficou com um formato tipo deitada,
originando seu nome. É registro fotográfico quase obrigatório, e disputado,
pelos turistas que passam por ali.


Dali já estávamos
próximos à vila de Jeri, onde o carro nos deixa para passarmos o restante do
dia explorando este paraíso.
As opções de passeio na vila são majoritariamente
gastronômica, artesanal e o encantamento visual. Cada cantinho tem um objeto, uma
luz, uma referencia a singularidade da vila, que forma um belo conjunto.
Optamos em não ir até a famosa Pedra Furada porque nenhum de nós se dispôs a
caminhar mais de 2 km e ficar na fila para uma foto. Fica para uma próxima vez!
Escolhemos andar pelas estreitas e charmosas ruas, entrar em lojas, provar
sorvetes, enquanto esperávamos o famoso pôr do sol. E ele veio lindo!
Assistimos sentados em uma canga ao belo espetáculo. Já era noite quando
retornamos pela beira mar até nosso ponto de apoio, o Camping do Tião.

No dia
seguinte resolvemos fazer um churrasco e curtir o dia no Camping, aproveitando
a lagoa para se banhar e curtir um momento relex nas redes dentro d’água,
delícia!Jeri é um destes lugares que dá para afirmar: quero voltar!
PIAUÍ

Combinamos
com os parceiros Rômulo e Ana em sair de Jericoacoara no dia seguinte rumo ao
Delta do Parnaíba, para assistir a o espetáculo da revoada dos guarás. E já
alerto! Vale muito incluir no roteiro. Fomos antes e nos colocamos direto no
Porto dos tatus - na Ilha grande, distante 11 km do município de Parnaíba, de onde saem os passeios. O
Porto dos Tatus também é local de saída de passeio para outras ilhas do delta,
são vários barcos, catamarãs, voadeiras que se aglomeram na marina oferecendo
diversidade e alegria aos aventureiros. Esperamos nossos parceiros Ana e Rômulo
com almoço pronto para sairmos logo que almoçássemos.



Contratamos uma
voadeira para nós quatro e convidamos outro turista que aguardava vaga
compartilhada, assim a negociação ficou mais acessível para todos. Pagamos R$
550,00 valor dividido entre cinco pessoas. Saímos 13h30min “voando” pelo rio
com nosso condutor, a sensação é essa... voar acima d’água, amei! No trajeto passamos
por um verdadeiro labirinto de ilhas, dunas e mangue.
Há paradas no mangue, onde os "locais" literalmente se enterram no mangue catando os caranguejos (peninha que neste dia quando chegamos ao local já estavam retornando); nas dunas e lagos (cenário parecido com os lençóis maranhenses) com direito a um maravilhoso banho; e por fim a cereja do bolo, a ilha do Caju, onde inúmeros guarás retornam para seu pernoite.
Os guarás são aves em extinção e a cor vermelha das penas se deve a sua alimentação a base de caranguejo.
É um verdadeiro espetáculo! O céu se tinge de vermelho e são incontáveis os pássaros que atravessam o rio, sobre nossas cabeças, para pousar nas árvores. E como um presente para tornar o momento mais especial, ainda fomos brindados por um pôr do sol deslumbrante.


Foi realmente um presente especial da natureza que agradeço cada vez que relembro. O retorno foi já ao anoitecer, outro espetáculo, várias lanchas voadeiras em um bailado pelo rio, formando ondas, subindo e batendo de volta à água em alta velocidade, confesso que até deu certo medinho. Tudo certo, chegamos sãos, salvos e maravilhados com a lua a nos iluminar.
Pernoitamos ali mesmo na marina do Porto dos Tatus para no outro dia iniciar nosso retorno, sairemos do “final do nordeste” para o “extremo sul” do país.

Seguimos com nossos parceiros, Ana e Rômulo, primeiro em um tour pela cidade de Parnaíba, onde tentamos visitar o museu do mar que estava fechado. Ainda circulamos pela cidade, explorando sua arquitetura e seu cotidiano.




Depois optamos trafegar pela BR 343 até chegar ao Parque das Sete Cidades no município de
Piracuruca - PI. Recomendo muito aos viajantes que passarem na região fazer esta parada, o parque é uma área de proteção ambiental e de proteção integral da natureza, está cercado pela área de proteção ambiental da Serra da Ibiapaba
Foi criado em 1996 e nos seus 1.592.550 hectares é possível visualizar formações geológicas milenares que nos convidam a soltar a imaginação e criatividade. Dá para “ver” tartaruga, mapa do estado, ponte de pedra, camelo, pinturas rupestres... e o visual dos mirantes então... Tiram o fôlego. São sete paradas - cidades - cada uma com sua beleza e peculiaridade. Tivemos a sorte de sermos acompanhados por um guia muito divertido, cheio de estórias engraçadas e misteriosas, uma atração à parte ele. O custo do guia, obrigatório - foi de R$75,00 o casal.
Para percorrer a área deixamos o equipamento de Ana/Rômulo na portaria e fomos os quatro na Branquela Viajante, seguindo o guia, José, em sua moto. De uma “cidade” a outra se percorre de carro, nas paradas há trechos de caminhadas, escadarias e mirantes.
O ingresso no parque é gratuito. De brinde ganhamos um pernoite com água e luz na portaria do parque e ali mesmo fizemos um delicioso junta prato do tipo duque - Du que sobrou ontem - (queríamos dormir dentro do parque, em meio das trilhas, não tivemos autorização).


Retornamos para a estrada cedinho em comboio em direção a mais uma capital - Teresina. Foi bom porque logo tivemos um pneu furado que nos rendeu uma corrida para comprar outro antes que as lojas fechassem, era sábado pela manhã, e só reabririam na segunda. Ufa! Foi corrido, mas conseguimos.
Na capital dos piauienses iniciamos nossa visitação pelo encontro dos Rios Parnaíba e Rio Poty, onde tem uma estátua de Crispim – diz à lenda que o cabeça de cuia, como é chamado, foi amaldiçoado por sua mãe, a qual matou por acidente e só será liberado da maldição de vagar entre os dois rios quando conseguir devorar sete Marias Virgens. No local tem também um barco restaurante bem interessante.
Não conseguimos local adequado para estacionar o que nos impediu de explorar bem o local. Dali fomos fazer um tour na região do Centro Administrativo, onde se concentram vários prédios históricos, no palácio Karnac, e a Igreja de São Benedito. Outro ponto interessante da cidade é o Mirante da Ponte Estaiada, de onde se tem uma visão 360 graus da cidade, o acesso ao topo é por elevador, tranquilo, assim recomendo não ficar fora do tour.
Tem uma área no local indicada nos aplicativos de MH para pernoite, mas achamos muito central e exposto, então optamos em seguir para a AABB, outra indicação dos aplicativos. Foi ótimo, local reservado, arborizado, com restaurante, banheiros, luz e água. Aproveitamos para provar uma das comidas típicas do estado: o arroz Maria Izabel, acompanhado de galinha caipira. Aprovado totalmente, uma delícia!



Aproveitando a proximidade da divisa dos Estados do Piauí/maranhão resolvemos dar uma “espiadela” no estado vizinho. A cidade é Floriano e uma ponte delimita a divisa. Aí foi passar a ponte, dar uma voltinha na orla, tirar uma foto, e retornar. Entramos em mais um estado - Maranhão -, brincadeira de estradeiros.
De volta à BR 135 passamos pelo monumento da batalha de Jenipapo, localizado na cidade de Campo Maior - PI, um monumento erguido em 1973, lembra este episódio que é um marco na luta pela da independência do Brasil. Também tivemos a sorte de passar por uma vaquejada, com os vaqueiros devidamente vestidos e “aboiando” o gado. Foi um belo presente nesta passagem pela região.


Ainda na BR 135 seguimos até o
Balneário do Poço Violeta. O local é muito simples, sem estrutura, em compensação tem uma atração que paga a parada. É um antigo poço perfurado que encontrou um lençol de água termal e por pressão faz a água jorrar a 90 metros de altura e cair, forte, quente, sobre nossas cabeças. Para quem gosta de banho menos radical tem ao lado uma piscina de água corrente e quente, ótimo para fazer um relaxamento após o banho radical.
O valor cobrado é de R$15,00 o pernoite com uso liberado da área de banhos nas águas quentes. Apesar de ser final de tarde todos nós entramos na deliciosa, quente, forte e relaxante água do poço violeta onde ficamos até anoitecer.

Depois de rodar direto durante todo o dia e atravessar a divisa dos estados do Piauí e Bahia, o pernoite do grupo - sim continuamos com os amigos Rômulo e Ana - foi no Município de Barreira BA, em outro local relaxante, próximo ao entroncamento das BR(s) 135 e 020.

É a Pousada Novas Ondas, que tem o Rio das Ondas passando dentro da área da propriedade e possibilita um gratificante banho de rio, que foi desviado e represado, formando uma piscina natural, para desfrute dos hóspedes.
Os proprietários atuais estavam iniciando as atividades, ainda sem local específico para MH, mas nos receberam e afirmaram que pretendem abrir espaço para motorhome no futuro. José, Rômulo e Ana novamente foram “brincar” na água enquanto eu preferi fotografar e filmar a farra, tomando uma cervejinha com peixe fritas.
GOIAS

Na manhã seguinte cedinho lá fomos nós para a estrada novamente, desta vez temos pressa de chegar, o motivo? Nossos parceiros já estão chegando a sua casa, sim, vamos parar direto em Brasília - DF, onde moram Ana e Rômulo.
Eu e José até pensamos em seguir direto, mas não poderíamos deixar de aceitar o convite dos nossos novos amigos, sempre tão gentis e parceiros nesta jornada.
Chegamos na casa deles final da tarde, e a recepção foi especialmente eufórica dos filhos de quatro patas, três belos cachorros cheios de saudades dos donos. O jantar foi com a família, regado a uma boa prosa e já sentindo o gostinho da despedida. Sem querer ser mal educados, agradecemos o convite para dormir na suíte da confortável residência, ainda bem que eles também sendo motorhomeiros sabem o quanto esta tribo gosta de ficar em sua própria casa rodante. Foi assim! Na hora de dormir nos recolhemos a nossa Branquela Viajante estacionada no pátio da casa. Ainda, antes de partir, fomos fazer umas andanças com nossos gentis anfitriões. José, com Rômulo, consertar a câmera da ré da Branquela e eu, com Ana, comprar guloseimas típicas da região para levar para o povo do sul do país.
Obrigada amigos! Esperamos em breve retribuir. Lá fomos nós pela BR 050, depois pela BR 040, rumo ao sul do país.
Saímos da Capital brasileira com o gostinho de “foi bom rever-te”, e o desejo de que possamos estar aqui em 01/01/2023, comemorando a vitória da democracia em nosso país.
Optamos em incluir no nosso retorno uma passagem por mais um destino que não faz nosso estilo, mas como é muito procurado e elogiado pelos campistas decidimos conferir. É o município de
Caldas Novas - GO, conhecida como “paraíso das águas quentes” é considerada uma das maiores estância hidrotermal do mundo. Suas águas naturalmente quentes - 36 e 70 graus - e com propriedades terapêuticas atraem turistas o ano todo. São Parques aquáticos, hotéis, resorts, clubes, todos oferecendo acesso a diferentes pontos de banho.
Passeamos pelo centrinho da cidade, onde fiz umas comprinhas, em uma das inúmeras lojas voltadas para trajes de banho, óbvio. Mais ao final da tarde fomos até o lago Corumbá caminhar e apreciar o pôr do sol, tomando chimarrão. Como ainda estamos em pandemia e não é muito nosso gosto lugares barulhentos e cheios optamos em não entrar em nenhum dos parques/hotéis. Olhamos, avaliamos e saímos. Quem sabe em outra oportunidade e sem pandemia? Já à noite, fomos pernoitar no Camping/restaurante “Novilho de Ouro”. Ele conta com restaurante, piscinas, banheiros e churrasqueiras. Valor da diária R$ 30,00 por pessoa. Fomos dormir cedo para amanhã retomar a estrada.
MINAS GERAIS
Nossa próxima parada foi especial, nem estava na programação. Vimos que um bom roteiro seria atravessar MG passando por Uberlândia e Uberaba, foi então que lembramos de que
Uberaba era a terra de Chico Xavier, referência no espiritismo, e um irmão que admiramos muito. Lá fomos nós procurar o memorial Chico Xavier e visitar a casa onde Chico viveu, hoje transformada em local de visitação, e que nos lembra de um ser de pura humanidade e amor. Conhecemos cada cantinho onde ele passou parte de sua existência terrena e seu filho, hoje responsável pelo acervo. Foi um grande privilégio!
SÃO PAULO
Seguindo pela BR 050 a nossa parada para pernoite foi em Ribeirão Preto-SP, em um posto de combustível da rede Grall. E aqui aproveito para parabenizar e agradecer aos proprietários deste tão importante serviço, que prestam apoio e oferecem suas estruturas, sejam caminhoneiros, ônibus, campistas, andarilhos... são parceiros que muito contribuem para aqueles que estão pelas estradas, seja a trabalho ou a lazer. Obrigada! Ah! E a lembrança a todos os campistas que não deixem de abastecer e agradecer em cada parada em que somos acolhidos.



Outra opção que fizemos foi passar dentro do Parque Estadual Carlos Botelho que abrange parte das cidades de Sete Barras, Capão Bonito e São Miguel. Já havíamos feito a travessia de carro uma vez, mas na época devido o tempo chuvoso e a neblina não conseguimos apreciar as belezas. Desta vez programamos de parar e quem sabe pernoitar. Conseguimos fazer a visita bem tranquilos, realizando a caminhada por duas das trilhas abertas ao público e ao museu com várias espécies de animais do eco sistema, empalhados ou em fotos. Acabamos não pernoitando porque a autorização estava demorando e ficamos com receio de anoitecer e vir negativa. Depois de estarmos na saída do parque recebemos mensagem que haviam autorizado. Putz! Agora foi! Pernoitamos mais uma vez em um posto de combustível da rede Grall, desta vez em Registro - SP.
Dali, cedinho, rumamos para nosso destino final, nossa bela e santa Catarina. Com uma paradinha na casa da filha em Florianópolis - SC para matar a saudade e dar muitos beijos e abraços, além de comer uma deliciosa lasanha, estamos prontos para os kms finais da viagem para chegar a nosso paraíso, Imbituba - SC.
Mais uma vez, Obrigada Universo!
Resumo da viagem:
Dias de viagem: 127
KMS rodados: 15.023
Estados percorridos: 14(SC, PR, SP, MG, GO, BA, PB, AL, SE, PE, RN, CE, PI, MA e mais DF).
Capitais de estados: 10 (Florianópolis, Curitiba, Salvador, João Pessoa, Maceió, Aracajú, Recife, Natal, Fortaleza, Teresina).
Gastos:
. Combustível: R$ 8.370,00 27,00%
· Alimento: R$ 7.701,15 24.07%
· Oficina: R$ 5.028,00 16,01 %
· Compras: R$ 3.352,80 10.07%
· Passeios: R$ 2.493,00 8,02%
. Camping: R$ 3.146,00 10,12%
· Pedágios: R$ 283,00 0,90%
· Balsas: R$ 145,40 0,46%
· Uber: R$ 168,00 0,54%
· Guias: R$ 395,00 1,27%
· TOTAL R$ 31.082,35
Comemorando o retorno, com festejos de Natal em família, no nosso paraíso.



