terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Pantanal e Chapada dos Guimarães dois cenários dos sonhos.


Pantanal e Chapada dos Guimarães dois cenários dos sonhos.


É 06 de junho de 2017 e mais uma vez vamos pegar a estrada. Desta vez vamos conhecer dois dos muitos destinos da nossa lista de desejos: o Pantanal Mato-Grossense e a Chapada dos Guimarães. Saímos de Florianópolis - SC, tendo como companhia a filha Gabriela, nossa amada parceira de tantas aventuras.

Divisa SP-MS

Pelo caminho vamos pernoitando nos postos de gasolina, fiéis parceiros de estrada. Nesta rota recomendo o Posto Ravanello, antes de Ponta Grossa - PR, e o Posto próximo à linda ponte Hélio Serejo, no Rio Paraná, em Presidente Epitácio, divisa dos Estados de SP e MS. Ambos contam com ótima estrutura para nos acolher, com segurança, internet, restaurante e banhos.
A ponte Hélio Serejo com seus 10 km de aterro e 2.550 km de extensão, junto com à Usina Hidrelétrica Engenheiro Sergio Motta, formam em belo conjunto para uma parada, especialmente no horário de assistir o pôr do sol. No trajeto ainda fizemos uma "curva" para incluir a pequena cidade de Jaguapitã-PR, onde fui rever a amiga Amarilis, que não encontrava há mais de 20 anos.
Chegamos à capital do MS, Campo Grande, e fomos conhecer o lindo Parque das Nações Indígenas, repleto de preguiçosas capivaras, e o MARCO - Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, ambos cartões postais da capital Sul Mato-grossense. Pensamos em pernoitarmos no parque, mas acabamos mais uma vez optando por um posto de gasolina. Fomos ao Adriana Locatelli, localizado na entrada da cidade. A noite foi bem fria, nos fez lembrar o nosso antigo endereço, a gelada Caxias dos Sul - RS.
Acordamos cedo, tomamos nosso café na Branquela e partimos para o aeroporto. Vamos buscar o nosso novo companheiro de viagem, o genro Henrique, vindo de Florianópolis para embarcar conosco em mais uma aventura. Bem vindo, querido parceiro.
Todos em seus postos, lá vamos nós, rumo ao Pantanal. No caminho mais uma parada estratégica, agora em Aquidauana-MS, para dar um abraço em amigos muito especiais: O Enio Oliveira e sua amada Rosimeire Patussi, referências no campismo brasileiro e por quem temos o maior carinho. Onde eles estacionam seu "Touche" sempre chegam outros motor home ao redor, isso porque eles agregam e alegram por onde passam e ali não tinha sido diferente, virou quase um encontro de MH.



Enio, Meire e a doce cochorrinha dela, Mila.

Aproveitamos para conhecer uma comida típica, a sopa paraguaia, e em seguida, cheios de dicas do Enio, grande conhecedor da região, partimos para a Estrada Parque Pantanal-EPP. No posto da policia Ambiental a primeira boa notícia: onças foram avistadas no trecho no dia anterior. Obaaa!!! A EPP atravessa o Pantanal, no MS, iniciando na localidade chamada Buraco das Piranhas. Nos seus 120 km de estrada de terra é possível conhecer grande variedade de aves, mamíferos, répteis (muuuitos Jacarés), além de paisagens tipicamente pantaneiras como os alagados, capões, baias, campos, corixos, enfim, um riquíssimo cenário que tivemos o privilégio de conhecer e desfrutar.
muito rural
Uma dificuldade, mas que também se torna uma atração, para as pessoas que, assim como nós, gostam de uma aventura, são os mais de 80 pontilhões existentes. Em geral, são os melhor lugares para observar a fauna e a flora pantaneira, principalmente os pacatos jacarés, que vimos em grande quantidade. A travessia da EPP até Corumbá inclui também a transposição em uma balsa no Rio Paraguai na localidade de Porto da  Manga.
Dica: a melhor época para ir lá é de Julho a dezembro, após a época das chuvas. Muitos peixe ficam "presos" nas lagoas, o que atrai os pássaros em busca de alimento, além do trânsito ser mais fácil. Em junho/julho não tivemos nenhuma dificuldade ao trafegar pela estrada.
Presentes do universo
Estávamos dispostos a fazer uma imersão no coração do pantanal, então nada mais indicado que dormir na própria estrada parque, e foi o que fizemos. A primeira noite paramos no estacionamento de um local que serve de acampamento de pescadores. Ali próximo fica a "ponte ondulada" e foi lá que fomos observar a  lua dando um espetáculo, iluminando a imensa escuridão, escutando o barulho da água no rio, e o som das aves noturnas ao fundo. Foi mágico.
Acordamos cedo no dia seguinte. O pantanal acorda cedo e nós aderimos ao costume. Às seis horas já estávamos fazendo o café. Depois seguimos até pousada Passo do Lontra, muito bonita, com seus muitos caminhos de palafitas. A diária para ficar no MH e usar toda a estrutura é R$ 30,00 por pessoas, mas  não foi esta nossa escolha. Ali contratamos um passeio a cavalo pelo pantanal, mas será na outra fazendo do grupo, a São João.
Travesia dos alagados em comitiva.
O passeio pelos alagados da fazenda durou em torno de 1h: 30min. Fomos acompanhados por um guia bem atencioso, principalmente com o José e o Henrique, que não tinham experiência de andar a cavalo. Cavalgar com a água batendo no estribo, ouvindo estórias de cobras e jacarés que "moram" nos alagados, foi desafiador e maravilhoso. O barulho e o voo das araras azuis, a cor e elegância dos tuiuiú, o lindo colorido dos tucanos e os olhos dos jacarés nos espiando foram para marcar para sempre este momento. O valor do passeio é de R$ 45,00 por pessoa.
Fizemos o almoço ali mesmo na fazenda, em nossa Branquela, e logo após usamos o redário para aquela soneca gostosa.
À tarde decidimos ir até outra pousada que também oferece passeios de barco e foi uma ótima ideia porque o preço foi bem menor que o Passo do lontra. É o Pantanal Jungle Lodge, uma pousada e restaurante à beira do rio que oferece várias opções de ecoturismo. O gerente do local, Marcelo, nos deu ótimas dicas, inclusive ofereceu para José pescar no local. Contratamos o passeio de barco para outro dia e voltamos para a estrada parque para pernoitar, agora mais tranquilos e seguros com as dicas e incentivo do Marcelo.
Próximo a uma ponte reencontramos um casal de suíços que também estavam rodando pela estrada. Eles nos mostram as marcas da pata de uma onça em uma árvore, feitas recentemente. Estacionamos próximos a eles para pernoitar e ficamos acordados até tarde na expectativa da onça aparecer, tendo o cuidado de seguir as orientações de não sair do carro. Mas para nossa decepção a onça não apareceu. Quando o dia estava amanhecendo levantamos e aí foi uma surpresa e também uma lástima. Lá estavam, bem próximo da Branquela, as pegadas da onça. A danada passou ao nosso lado, possivelmente depois que desistimos e fomos dormir. Ficou para outra oportunidade esta emoção.
Presta atenção! As pegadas vão até Branquela. Medo!
Ainda tentamos andar um pouco pela estrada parque a procura da bichinha, mas como já estava chovendo, e a estrada de terra bem molhada, decidimos mudar os planos e voltar para Corumbá, pela BR 262, asfaltada.

Em Corumbá estacionamos ao lado da Secretaria de Turismo (onde pegamos vários folders e dicas) próximo ao cais do Rio Paraguai. Ali, em um pequeno restaurante de beira de porto, sentados em mesas postas na calçada, comemos um delicioso peixe (pintado) com banana da terra.



Pôr do sol Corumbá - Rio Paraguai

Depois de vermos as opções de passeios de barco no rio Paraguai decidimos ir até a fronteira Brasil-Bolívia, que não fica longe do centro de Corumbá. Como seria um bate-volta optamos por não passar a fronteira de motor home, achamos mais prático e seguro ir de taxi ao país vizinho. Pagamos R$ 60,00 entre quatro pessoas. O taxista levou-nos até uma espécie de shopping, espaço grande cheio de lojinhas, com oferta de eletrônicos, perfumes, roupas, peças e depois em uma feira de roupas, comidas, eletroeletrônicos, tudo misturado, bagunçado, mas com melhores preços. Compras feitas, voltamos de taxi para a aduana para pegar nossa Branquela.
Dica: O taxista boliviano iniciou nos pedindo R$ 120,00 mesmo preço dos taxistas brasileiros em Corumbá. Como já tínhamos referência de valores cobrados para os locais, dados pela Secretaria de Turismo, argumentamos e ai fizeram pela metade do valor.
Para nosso pernoite voltamos ao mesmo estacionamento da manhã e dormimos, sem problemas, à beira do grandioso Rio Paraguai.
Passeio de barco Rio Paraguai
Vitória Régia florida. que previlégio
Pela manhã fomos até o "Cristo Redentor de Corumbá", estátua que fica no alto de uma montanha e se tem uma vista linda de Corumbá, do Rio Paraguai e dos alagados em seu entorno. De lá voltamos ao porto para fazer o passeio de barco pelo rio Paraguai.
Nosso passeio pelo rio foi com o barco do Zé Leôncio, pilotado por sua mulher, uma pantaneira nativa, profunda conhecedora do local. Andamos por alagados, conhecemos as palafitas ribeirinhas, as lindas vitórias régias  que tivemos o privilégio de ver floridas, os jacarés, enfim, foi uma ótima opção que fizemos, considerando que as chalanas navegam basicamente pelo meio do rio. Pagamos R$ 37,50 por pessoa.

Barco Pérola

Hora de partir. Antes de pegar a estrada passamos no mercado para nos abastecer de alimentos e, ali em frente, compramos as gostosas "Chipas" de uma simpática ambulante boliviana. Não deixem de provar esta delícia. Nosso destino: Retornar para a Estrada Parque Pantanal-EPP para fazer os quilômetros restantes, agora no sentido contrário.
No trajeto há a travessia do Rio Paraguai, no Porto da Manga, de balsa. Ela tem fluxo contínuo e assim que chegamos, já fizeram a travessia só com a branquela e nós. O preço foi de R$50,00.
Berrante é para quem sabe Henrique

Seguimos pela EPP apreciando a paisagem, com parada para fazer nosso almoço na beira da estrada, em meio  às fazendas de gado. Chegando final da tarde é hora de parar. Estacionamos em um local onde havia um bar próximo e muito movimento de caminhões. Pela primeira vez, nos sentindo um pouco inseguro. Mas não tivemos problemas e, bem cedinho, antes do sol nascer, já estávamos rodando novamente vendo e sentindo o amanhecer no pantanal. Foi lindo demais ver o sol nascer e a natureza despertando com ele.
Passeio de canoa canadense no Rio Miranda
Nossa próxima parada é novamente no Pantanal Jungle Lodge, no Passo do Lontra, agora para fazer o passeio de barco pelo Rio Miranda, de canoa canadense. Fomos em dupla, por canoa: Gabi e Henrique, eu e José, remando rio abaixo em busca de jacarés, aves, sucuri (ai, que medo). Não foi tarefa fácil se equilibrar e remar sincronizados, mas foi bem divertido. Os bichos infelizmente não estavam querendo se mostrar, vimos mais jacarés, aves, capivaras. A volta foi mais fácil já que fomos rebocados pela lancha do hotel. Pagamos pelo passeio R$ 35,00 por pessoa.
Pegamos novamente a estrada, agora rumo ao município de Miranda, para conhecer uma típica fazenda pantaneira. Escolhemos a fazenda 23 de Março, entre tantas abertas ao público no Pantanal, por ter um preço melhor e ser menos turística.
Rio Miranda
Na chegada tivemos alguns problemas. Já anoitecera  e o caminho não tinha sinalização. Não tínhamos acesso à internet para ajudar na localização, e a estrada é cheia de porteiras (que estavam fechadas)  e de pontilhões estreitos. Também não tínhamos conseguido contatar a fazenda durante o dia para confirmar a reserva e, para agravar, eu estava com muita dor no joelho, que machucara na saída do passo do Lontra. Mas no final deu tudo certo. Depois de alguns minutos tentando argumentar com o capataz da fazenda que não nos autorizava a entrarda, nem mesmo dormir do lado de fora da porteira, fomos "salvos" por um dos proprietários, o Bruno, que veio ao nosso encontro e nos recebeu muito bem. Ufa!
O café da manhã na fazenda foi dos deuses. Requeijão, iogurte, queijo, pão caseiro, chipas, tudo produzido na fazenda. E para completar conhecemos o "quebra torto", um carreteiro porreta que os peões comem antes de partir para a lida dura do dia.
Miranda MS. Fazenda 23 de Março. Tour.
Já alimentado, partimos para curtir o dia na fazenda. José, Gabi e Henrique fizeram um safári de carro tipo bandeirantes, intercalado com caminhada por trilhas, acompanhados do capataz, Jean, agora gentil e parceiro (risos). Eu, devido  à dor no joelho não consegui acompanhá-los, mas ganhei de presente o mesmo passeio, feito pela estrada, de caminhoneta, em companhia do Bruno. Encontramos-nos todos em uma área com um lago  lindo. Dali ouvimos gritos de capivaras, que segundo eles, possivelmente estavam sendo atacadas por uma onça.
O almoço na fazenda também foi muito bom, comidas locais, muito bem preparadas, sendo a sobremesa a estrela da refeição. Um doce de leite acompanhado de uma espécie de queijo fresco chamado "Nicola", simplesmente maravilhoso. Gostei tanto que uma das funcionárias me deu um de presente quando saímos e eu, em retribuição, dei erva mate para esta Sul Mato-Grossence com hábito gaúcho.
Cavalgada pela fazenda. Top.
Fazenda 23 de Março.

Depois da sesta no redário novamente partimos para um passeio na fazenda. Desta vez foi uma cavalgada pelos campos, repletos de gado, e pelo mato, conhecendo árvores centenárias, ouvindo estórias de onças, comitivas e o som do berrante. Na volta a Gabi ajudou a cuidar e lavar os cavalos e matou a saudade de fazer isso.
"lida" com os cavalos

Saímos final da tarde e na estrada vimos, ao longe, um tamanduá bandeira e um outro bicho que nos pareceu ser um lobinho. Para completar o dia mais um presente: Escureceu muito rápido e aproveitamos para parar na estrada e, em meio à escuridão dos campos desabitados, descer e apreciar o céu mais estrelado que já vimos. Foi mágico.
Olha o tamanduá ai.

O custo da diária na fazenda foi de R$ 200,00 por pessoa, com direito a pernoite do MH, dois passeios, café da manhã, almoço e lanche da tarde.
Aproveitando a dica do pessoal da fazenda fomos até o Posto de Combustível Arara Azul, ainda no município de Miranda, para pernoitar. Uma ótima opção na região, com banho, restaurante, internet. Recomendo muito.
Nossa próxima parada será um dos destinos mais procurados pelos apaixonados por ecoturismo no Brasil, a cidade de Bonito-MS. Ela merece toda a fama, tem uma natureza exuberante. Nosso primeiro passeio foi em uma fazenda onde fica o "aquário natural". Andamos em uma trilha de 400 m na qual vimos macacos prego, nos arriscamos na tirolesa, fizemos flutuação de 800m pelo Rio Baia Bonita. Foi intenso e incrível. Os menos aventureiros fiquem tranquilos, tem uma preparação anterior em piscina, roupa de neoprene, colete salva vidas, snokel com máscara e acompanhamento de um guia de barco. O custo é de R$ 187,00 por pessoa.
 À tarde fomos para o centro de Bonito, mais uma vez dar um abraço nos nossos amigos, Enio e Meire, estacionados na praça da cidade e como eles costumam dizer "agora nosso quintal é aqui". A praça está muito bonita, iluminada, movimentada, viva. Ali se encontram a maioria das agências que vendem os pacotes de passeios. Sugiro fazer uma pesquisa, mesmo que pareça ter um acordo de preços. Neste dia dormimos ao lado de um posto da guarda municipal.

Balneário municipal. Bonito MS
No dia seguinte, já cedinho, fomos para o Balneário Municipal e estacionamos a Branquela na sobra de uma árvore. A entrada foi de R$ 30,00 e a diversão garantida. Dá literalmente  para fazer flutuação entre os peixes, são muitos. São vários pontos de saídas no rio para chegar até a área central do balneário, depende de seu fôlego e do quanto gosta de nadar na água gelada (prepare-se). O lugar é bem grande, arborizado, cheio de quiosques e de macacos. Uma ótima opção para passar o dia, e almoçar  ao ar livre, que foi o nosso caso. Fizemos o almoço na Branquela e depois de uma preguicinha, partimos para o santuário das araras vermelhas, o "Buraco das Araras", localizado no município vizinho, chamado Jardim.

Buraco das Araras. Bonito MS

Olha nós no buraco.
O local é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural- RPPN, que tem a maior dolina da América do Sul, com 100 m de profundidade e 500 m de circunferência. A trilha tem em torno de 1 km e duas plataformas de observação de pássaros. Nosso guia foi muito bom, esclareceu bastante sobre a diversidade da fauna e flora local. Conta ele que as araras vivem sempre em casal e juntas para a vida toda. São da espécie vermelha e atualmente são 12 casais com ninhos nos buracos. De brinde um lindo lobinho apareceu na trilha para nosso encantamento. O custo do ingresso com direito ao guia é de R$ 65,00 por pessoa. Final da tarde, voltamos para o centro de bonito, passeamos nas charmosas lojinhas, com muitos produtos locais bem bacanas, provamos um delicioso caldo e depois fomos pernoitar na sede da AABB de \bonito, com nossos amigos.


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, nadando, planta, árvore, atividades ao ar livre, natureza e água
Flutuação Rio Sucuri. Quem será?




Rio Sucuri. Bonito MS
Os passeios do dia seguinte não fomos todos. Na gruta Azul, eu, José e Gabi já tínhamos entrado alguns anos atrás, então, Henrique foi sozinho. Mas decidimos repetir a flutuação no Rio Sucuri, porque é sempre um espetáculo. A descida é de cerca de 1500m pelo transparente rio Sucuri até encontrar o Rio Formoso. A água estava limpíssima, vimos muitos peixes e a exuberante vegetação subaquática encanta. O custo é de R$ 136,00 por pessoa e é atração imperdível.

Hora de nos despedirmos dos nossos companheiros de viagem, Gabi e Henrique. Eles precisam voltar para a rotina, ao contrário de nós, aposentados, que fizemos da estrada nossa rotina. Os levamos até a rodoviária de Bonito para dali ir até Campo Grande, de onde pegam o voo para Florianópolis SC. Obrigada pela companhia, queridos.
Passamos os três próximos dias na AABB de Bonito curtindo um bom papo com os amigos Enio e a Meire. Comemoramos o aniversário do Enio, fizemos churrasco juntos, lavamos roupas, reparos na válvula d'água, enfim, paradinha básica para arrumamos a casa.
Maria dos jacarés.
Depois de pesquisarmos ofertas nas agências locais de como ir até o país vizinho, Bolívia, optamos por nos deslocar de Branquela até Corumbá novamente, para sair de lá. No caminho vimos Tamanduá, Tuiuiú, e fizemos uma parada na "maria dos jacarés" que se tornou famosa ao aparecer no programa Globo rural, na rede globo, devido sua proximidade e quantidade de jacarés na sua propriedade.
De presente nesta escolha ganhamos mais um casal de amigos, o Jeans e a Jô, apoiadores para quem viaja de MH, indicados pelo Enio, e que nos receberam com muito carinho. Estacionamos em frente  à casa deles, com o apoio de luz elétrica. Ela fica entre o centro e o porto de Corumbá e de cara já fomos com eles para a maior festa local, a "Festa de São João". Tinha quadrilha, procissão de andores, barcos enfeitados e ruas com muitas bandeirinha e barracas de comidas típicas. Belo inicio.
Festa de São Jõao em Corumbá MS

Escolhemos ir de trem para a cidade de Santa Cruz de La Sierra na Bolívia, deixando a Branquela estacionada em frente à casa deles. O Jean foi um anfitrião de primeira, levou-nos até a fronteira para fazer o trâmite de ingresso na aduana e comprar as passagens de trem (R$ 68,00 cada uma). A filha Gabriela reservou hotel pela internet. Tudo encaminhado, então foi o momento de relaxar e curtir um maravilhoso pôr do sol no rio Paraguai. Uma imagem para ficar gravada para sempre na memória e no coração.
No dia anterior  à ida para Santa Cruz de La Sierra, escolhemos fazer o tradicional passeio de chalana no Rio Paraguai.

"La vai uma chalana; Bem longe se vai.Navegando no remanso; Do Rio Paraguai"

Oh! grande poeta Almir Sater, amo.

Passeio na chalana Pérola

Escolhemos a chalana Pérola que cobra R$ 170,00 o casal com direito ao almoço. As comidas do almoço foram típicas, incluindo o "Sarravulho" feito à base de miúdos de gado, vinho e calabresa, que confesso desta vez não me arrisquei a provar, e o caldo de piranha, que achei parecido com mondongo e também não cai no meu gosto alimentar.
Sarravulho
O passeio sai às 11h e volta às 16h. No trajeto passa por barcos de minérios, gado, áreas de alagados cheias de vitórias régias, igarapés, postos do exército , enquanto os turistas se divertem com música, dança e comidas durante o trajeto. Eu, mais intimista, naveguei na parte superior da chalana, só admirando e sentindo aquela natureza exuberante. Para fechar o dia fomos novamente  à festa de São João no porto e lá comemos caldo de mandioca e bolinho de peixe, desta vez uma delícia.
O dia seguinte foi para passar a fronteira e ir até nosso país vizinho, a Bolívia. Levantamos cedo e como o trem só sai às 13h, antes ainda fomos até a feira de Cuiabá, provar o famoso, e gostoso,  suco de laranja tão falado pelo Jean. Tem de tudo, roupa, comida, eletrônicos, possivelmente influência cultural das cidades da fronteira boliviana. Dali fomos para a fronteira e seguimos até Puerto Quijarro - Bolívia de onde sai o trem. Nossos novos e queridos amigos, Jean e Jô, nos acompanharam até a estação e ajudaram nos trâmites, todos já previamente encaminhados, foi bem tranquilo.
Estação de trem Bolívia. Jean/Jô
O nome "trem da morte", como é conhecido, não é para criar pânico. O título vem dos tempos em que os vagões eram usados pra transportar leprosos, doentes e mortos vítima de uma epidemia no século passado. A ferrovia é bem tranquila e a parte da paisagem que vimos é interessante porque passa próximo das vilas, com casas muito simples, com moradores aproveitando para vender suco e comida para os passageiros do trem. Muitos viajantes se deslocando para Machu Picchu no Peru usam este trem como inicio da viagem. Além disso, é transporte do povo da região, então é uma mistura de muitos povos, culturas, bagagens. Há também um restaurante no trem que serve PF, o José encarou e diz ser bom. Eu preferi experimentar as famosas empanadas, que achei deliciosas.
Feira de rua Sta Cruz de la Sierra-Bolivia. Tem de tudo.
Tem opção de três tipos de trem com tempos, conforto e, obviamente, valores, diferentes. Nós fomos de Expresso Oriental que demorou 17h:30m e fez três paradas. Os bancos são menos confortáveis que os de um ônibus, mas ainda assim das 22h:00m em diante dormimos direto. (dica: leve um cobertor, foi muito bom). O custo da passagem de trem entre Puerto Quijarro e Santa Cruz de La Sierra foi de R$ 68,00.

 Hard Rock café na Bolivia
Mais uma vez lembro-me do grande músico Almir Sater e sua linda letra - Trem do Pantanal.
"Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
O povo lá em casa espera que eu mande um postal
Dizendo que eu estou muito bem vivo
Rumo a Santa Cruz de La Sierra"


La Casa Del camba. Sta Cruz de La Sierra
Chegamos à santa Cruz de La Sierra às 6 h:30 m, o dia amanhecendo nos dava as boas vindas. Na estação do trem tomamos café com pão de queijo quentinho e, de táxi, rumamos para o Hotel "Residencial Ikandire" bem no centro, ao lado da Praça 24 de Setembro, marco inicial da cidade de mais de 400 anos. Local simples, em uma construção típica com pátio ao centro e quartos ao redor, bom café da manhã, bem aconchegante, nos deixaram entrar antes do horário do check in. Já de inicio, ao dar uma volta pela praça, encontramos uma manifestação popular, com o povo na rua protestando contra o aumento das tarifas de luz. Ficamos assistindo de uma das torres da histórica Basílica de San Lorenzo e aplaudindo a população, é minha origem contestadora ativa.
Catedral de Sta Cruz de La Sierra
Neste primeiro dia visitamos museus, galerias, feira "los Poços" (mais um lugar de muitas misturas: Galinhas mortas penduradas ao lado de roupas; sopa transportada em sacos plásticos para alimentação dos feirantes; antiguidades ao lado de novidades eletrônicas...), Parque El Arenal. Depois almoçamos no famoso restaurante La Casa Del Camba. Nosso final do dia foi no Hard Rock Café, onde relaxamos tomando uma cervejinha.
Na manhã seguinte pegamos um táxi para ir até o zoológico municipal. Não é muito nosso tipo de lugar preferido, mas como tínhamos a indicação de ser um lugar de recuperação dos animais, e onde eles ficam mais livres fomos conferir. A área dos pássaros é um atrativo a parte porque é possível caminhar por passarelas entre os viveiros e os pássaros voam sobre os visitantes.  À tarde visitamos mais um atelier de arte e finalizamos em um charmoso pub, ali na praça central.
Protestos na praça
Hora de se preparar para a partida deste nosso rápido tour pela simpática Santa Cruz de La Sierra. Decidimos retornar de ônibus para viver outra experiência. Escolhemos a empresa 23 de março e foi muito bom. Ficamos nas primeiras poltronas no segundo andar do ônibus, foi mais confortável e silencioso que o trem, mas o valor (R$ 150,00) fica bem mais caro que o trem.
Novamente viajamos à noite, então, cedinho estávamos chegando em Puerto Quijarro. Da estação até a fronteira fomos de van e dali até Corumbá pegamos um táxi, também boliviano, mais barato que os brasileiros. (Dica: pesquise e negocie. O táxi na Bolívia é bem barato, mas não usam taxímetro e na fronteira tem diferenças consideráveis de valores. Outro detalhe, não seja exigente com a aparência dos carros, tem banco feito com cadeira de praia, porta amarrada e, pasmem, reclamação porque estão organizando o trânsito com sinaleiras...risos). Ao passar na aduana, no lado brasileiro, tivemos que descer do táxi e abrir as mochilas, tudo certo e liberado.
Gold Fischer Corumbá.
No outro dia ficamos passeando pelos arredores de Corumbá. Fomos conhecer o Hotel Gold Fish do grupo Candeias (referência para todos os pescadores) e o gerente nos falou que poderíamos ficar no estacionamento, usar toda a estrutura, mediante pagamento de uma taxa. Antes do final do dia ainda fomos resolver um probleminha. José perdeu seus óculos e tivemos que adaptar os óculos de sol para uso contínuo. Tivemos o prazer de acompanhar também as negociações dos nossos anfitriões na compra de seu futuro motorhome, que irá substituir a carretinha deles, tão usada em passeios, acampamentos e trabalho. Que venha a "Chimbiquinha Pantaneira" a traga muitas alegrias.
Acampamento e pescaria com Jean/Jô
E claro não poderíamos sair de Corumbá sem uma pescaria no Rio Paraguai. Ai foi preparar os equipamentos de pesca, as iscas, o churrasco e partir para o "Pontal da Codrasa" com os parceiros Jean e Jô na Branquela Viajante. Foi um dia muito legal, principalmente para José, que teve o prazer de estar em um santuário de quem é apaixonado por pescaria, assim como ele. Eu e Jean mais curtimos o lugar, o barco, o acampamento. Já o José achou uma parceira de pesca à altura, a Jô. Peixes pegaram poucos, mas foi uma delícia de dia, em um cenário maravilhoso. Fechamos Corumbá com chave de ouro. Obrigada amigos.
Que visual! pescar assim nem precisa peixe.
Voltamos para a estrada, passamos pela capital do Estado, Campo Grande, e rumamos para a cidade de Coxim. No caminho fizemos uma parada no Município de Sete Quedas de Rio Verde, famoso por seus recantos repletos de cachoeiras. Pegamos uma estrada de terra e vimos que há vários locais para passar o dia. Optamos em entrar e conhecer o Balneário e Camping Sete Cachoeiras. O lugar é bem arborizado, bonito, tem várias quedas e cachoeiras (Fazendo jus ao nome), cabanas e local para acampar. O ingresso custa R$ 20,00 por pessoa para passar o dia.
Em Coxim dormimos próximos ao motor home dos amigos Enio e Meire novamente, ao lado da casa dos pais dela. Jantamos juntos em uma pizzaria e no dia seguinte pegamos a estrada, agora rumo ao estado vizinho o MT.
Nosso objetivo é conhecer o Pantanal por outro lado, entrando por Poconé - MT. Mas como para nós nada é definitivo, muito menos rigoroso, mais uma vez paramos no caminho. A parada era para ser apenas um pernoite, como apoio em nosso trajeto, mas acabou sendo um acampamento de vários dias, da mais pura amizade e parceria. Sintonia a primeira vista, desta vez com os novos amigos mato-grossenses, os casais: João e Sônia; Marli e Ferrario.
Jaciara.MT
A cidade é Jaciara-MT, que com suas cachoeiras, raft, pesca, águas termais, moda de viola, tem atrativos para muitos gostos. Ficamos "acampados" no rancho do casal Joâo/Sonia.
O que era para ser um pernoite de apoio virou quatro dias de muita amizade, companheirismo e passeios. Conhecemos a Cachoeira da Fumaça, famosa pela prática de Raft, em companhia da Sônia e do neto João Pedro; a Cachoeira da Mulata, onde nadamos e fizemos trilha com o Fábio e o João Pedro; As termas de Juscimeira, onde fomos todos à noite nos banhar e comer pizza; O Rio do Prata, onde passamos o dia fazendo churrasco, banho de rio, caminhada.
No quarto dia fomos passear na fazenda do Ferrario
Fazenda Ferrário/Marli. Jaciara-MT
e da Marli, um lugar também muito especial. Além do casal ser super acolhedor, a sede da fazenda abriga o "Vale das perdidas" (nome dado devido ao gado entrar no vale e se perder). Tem também grutas onde se encontram inscrições rupestres que datam de mais de quatro mil anos, e teriam sido feitas por antigas civilizações.

Depois do gostoso almoço na fazenda fizemos um passeio na "Jurubeba", um veículo construído pelo próprio Ferrario, com peças de vários outros veículos. Eu fui na carroceria aberta curtindo o vento bater no rosto e me encantando com a paisagem. Na propriedade tem ainda um riacho onde existe a ponte de pedra, belas áreas para um refrescante banho e contemplação das águas cristalinas. Final da tarde, todos curtimos o pôr do sol do alto da colina, de onde se vê todo o vale. Foi um dia especial, principalmente porque também ganhamos mais um casal de amigos nesta viagem. João e Sônia retornaram para o rancho e eu, José, e João Pedro, dormimos na sede da fazenda porque daqui, amanhã bem cedo, partimos rumo ao pantanal MT. Sim a afinidade foi tão grande que o neto João Pedro, um adolescente de 16 anos, em férias escolares, irá embarcar conosco nesta viagem para o pantanal na Branquela Viajante.
Transpantaneira. Desafio aceito, sonho realizado.
Saímos cedinho e rumamos direto para Poconé, a cidade referência de ingresso no Pantanal-MT. Dali seguimos pela MT- 060, conhecida como a Transpantaneira, que nos seus 147 km de estrada rústica, é cheia de pontilhões e alagados. Ela liga Poconé à localidade de Porto Jofre, ás margens do Rio Cuiabá, na extremidade do Estado, divisa entre MT e MS. No caminho fizemos um pernoite na estrada, em frente ao charmoso (e caro) Hotel Mato Grosso Pantanal. Antes do sol nascer já estávamos na estrada, curtindo as belezas da fauna e da flora pantaneira. Vimos muitos jacarés, capivaras, lontras, tuiuiús, garças, uma jaguatirica, um veado pantaneiro e, atravessando a estrada, possivelmente era um filhote de lobinho do mato. Novamente faltou a famosa onça pintada, o maior predador da região. Decidimos não pernoitar na pequena Porto Jofre devido os preços estarem abusivos. Um passeio de barco pelo rio estava R$1.000,00, não iríamos embarcar nessa não, visivelmente turismo para estrangeiros, que ganham em dólar e euros.
Que elegância

Muitas iguais a esta no caminho
Passamos horas só observando o belo cenário, ensaiando pescaria nas pontes, curtindo o pôr do sol no pantanal. A contemplação de tamanha diversidade e a sensação de plenitude que esta harmonia com a natureza nos traz, decididamente é nosso estilo. Assim estamos felizes.
Que sorte a nossa de ve-lo
Depois de percorrer a Transpantaneira retornamos para Poconé, onde fizemos uma parada estratégica antes de rumar para nosso próximo destino, Nobres-MT.
Logo na chegada em Nobres já fomos ver as opções de passeios e lugares recomendados. O estilo da cidade é parecido com Bonito-MS, voltada para o ecoturismo, com rios de águas cristalinas, muitos peixes, trilhas, matas... mas com uma diferença importante, praticam preços bem mais baixos. Fica a dica.
Aquario estivado. Nobres MT
Piscina de borda infinita no Mirante do Cerrado
Iniciamos nosso tour pelo "aquário estivado", um pequeno balneário de águas muito cristalinas e repleto de peixes. Tem pouca estrutura (um quiosque) e o pessoal local vai muito para passar o dia. José e João mergulharam, nadaram, enquanto eu me divertia com os pequenos macaquinhos que "invadem" o estacionamento em busca de comida, que os desavisados acabam dando erroneamente ( tipo, quantidade, hábito...). Final da tarde, fomos para o "Mirante do Cerrado" e nos apaixonamos pelo lugar. Fica no alto, em uma posição de onde se tem uma visão ampla do cerrado (o nome já diz) e conta com vários atrativos: tirolesa, piscina em formato de peixe com borda infinita, restaurante, tudo de muito bom gosto e fazendo uso de material rústico/local. Cobram R$ 15,00 por pessoa para passar o dia e usar a estrutura. Passamos a tarde, João desceu de tirolesa de 800 MT sobre o cerrado, e curtimos o final do dia de dentro da piscina, tendo na visão apenas o sol se pondo no cerrado. Lindíssima imagem. Batemos um bom papo com o administrador do Mirante do Cerrado, enquanto comíamos bons petiscos. Ele contou estórias da região, que já foi um assentamento, e nos ofereceu para pernoitarmos estacionados ali. Topamos na hora e aí foi só curtir o lugar até à noite, depois ficamos observando as estrela, e dormimos no silêncio total.
No dia seguinte cedinho fomos para o "Aquário Encantado" para fazer flutuação. O lugar fica em um sítio, próximo do Mirante do Cerrado, ambos a 60 km de Nobres, na localidade de Bom Jardim. O preço por pessoa é de R$ 75,00 a flutuação e R$ 35,00 o almoço.
O passeio inicia com o deslocamento de carro até entrada da mata fechada, de vegetação típica. Dali uma caminhada de 500 MT até o aquário onde se recebe as orientações, as máscara, os coletes, e as sandálias para a flutuação. O local recebeu este nome porque se parece com um aquário mesmo. Tem em torno de 90 metros quadrados e três nascentes que "jogam" água borbulhando. Em alguns pontos chega a 6 metros de profundidade e é possível flutuar nas águas cristalinas entre dourados, Piraputangas, Piaus e muitos outros peixes. Recomendo muito.
Soneca pós almoço.
Depois do aquário é hora de descer flutuando o Rio Salobra. A descida tem em torno de 800 metros. Em alguns trechos é pouco profundo por isso a recomendação de não colocar os pés no chão para não turvar a água, que é naturalmente cristalina, fazendo um efeito muito bonito, contrastando com o fundo branco do calcário. Ao final da descida se retorna caminhando pela mata e o guia em vários pontos vai mostrando animais (macacos, pássaros...) frutas e plantas típicas da região, com direito a mais uma parada no Aquário Encantado para se despedir. O passeio dura em torno de duas horas.
Flutuação no Rio Salobra. Nobres MT
No retorno à sede é servido um gostoso almoço cheio de delícias regionais.Tem também uma área de descanso, com redes de madeiras e cordas, para o soninho da tarde. José aproveitou bem.
Na sequência ainda fomos em uma tirolesa, que fica bem próxima, e termina dentro da água do Rio Salobra. Só o João se jogou nesta aventura, nós ficamos só registrando. Cobram R$ 45,00 com direito a três descidas.
Depois foi voltar para o nosso ponto de referência, o encantador Mirante do Cerrado, e ali repetir os petiscos, a cervejinha e o lindo pôr do sol na piscina de borda infinita. Novamente dormimos no estacionamento do mirante. Pela manhã aproveitamos o estacionamento para consertar a porta traseira da Branquela, que não está fechando bem. José, mais uma vez, fez valer seu apelido caseiro de MacGiver, os mais velhos entenderão hahahaha.
Nobres MT. Aquário Encantado
Retornamos para o centro de Nobres, demos uma volta pela cidade, almoçamos em um restaurante a kg e saímos em direção à Chapada dos Guimarães. Optamos por não entrar em Cuiabá, passamos ao lado. Sempre que possível fugimos de capitais devido ao trânsito intenso, mais violência, ser muito urbano. Chegamos à Chapada final da tarde.
Enfim a Chapada!
Mirante Centro Geodésico
Nossa primeira parada foi no Mirante do Centro Geodésico. Lugar muito bonito, com uma visão panorâmica de encantar, e se o dia está com boa visibilidade é possível avistar, ao longe, Cuiabá, a 30 km de distância. O Mirante é considerado o centro geodésico da América do Sul, distando 1.600 km do Oceano Pacífico e Atlântico. Muitos místicos estudam e frequentam o lugar. Fica a 845 metros de altura e a 8 km do centro da cidade.
Dali fomos para a casa do nosso novo anfitrião, o primo do João, que mora no município de Chapada dos Guimarães. Estacionamos ao lado da casa dele que jantou conosco na Branquela e deu-nos preciosas dicas da região.
No dia seguinte fomos conhecer um dos cartões postais da Chapada, a cachoeira "Véu de Noiva". Fica no córrego Coxipózinho e tem 86 m de altura de queda livre. Desce em meio a um vale com formato de ferradura cercada de paredões de arenito. Antigamente dava para descer até o rio, mas depois de um acidente, foi proibida a descida e hoje só é possível admirar a beleza do mirante. Tem um estacionamento para os carros e dali se faz uma caminhada leve de 550 m até a cachoeira. Próximo tem um quiosque com restaurante onde almoçamos e tomamos uma refrescante água de coco.
Mirante Porta do Céu com nosso convidado, Jõao.
Nesta mesma entrada do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães é possível conhecer ainda a Cachoeira dos Namorados e a Cachoeirinha. São próximas e para chegar tem uma trilha leve, pela vegetação típica do cerrado, de 1200m. A água estava um pouco fria e mesmo assim me arrisquei a conferir, enquanto José e João ficaram só na contemplação. Gostei mais da Cachoeirinha, que tem uma área de banho não muito profunda e dá para ir até em baixo da cachoeira. Não tem estrutura no local. O ingresso foi de R$ 50,00 para nós três com direito a circular por toda área. (Véu de Noiva, Cachoeirinha e Cachoeira dos Namorados).
Encerramos o dia curtindo um final de tarde no Mirante Porta do Céu. O pôr do sol ali foi um presente especial. O céu se coloriu de laranja em contraste com o verde da vegetação, sendo mais um momento para agradecer a vida e a mãe natureza pelo espetáculo. À noite os homens queriam ver futebol e fazer janta, eu passear pelo centrinho da cidade. Como somos democráticos por opção, cada um seguiu sua escolha. Eu parei na praça fiz compras com ótimos preços, comi tapioca, tomei sorvete e, depois do jogo, me buscaram para pernoitar na branquela.
Nosso último dia na Chapada foi para conhecer o Complexo de Cavernas Aroe Jari que fica em uma propriedade privada e só é acessível com guias credenciados. Optamos por fazer uma parte do trajeto de 12 km com o transporte do atrativo (um carretão rústico) guardando as energias para a caminhada nas trilhas e nas cavernas.
Transporte para Complexo de Cavernas Aroe Jari.
Lagoa Azul. Capada Dos Guimarães -.MT
O Complexo inclui a caverna Aloe Jari (morada das almas) com 1500m de extensão e lindos salões; a Kiogo Brado (Ninho dos pássaros) de 270 m de extensão e que é possível atravessar caminhando; a Pobe Jari (caverna das duas bocas) de 500m de extensão; a Lagoa Azul, cuja gruta "brota" de uma rocha e a água tem um tom azul turquesa fantástico. Não é permitido entrar na água, para preservação do lugar, mas o visual é de encher os olhos e deixar o coração acelerado. Seguimos com nosso guia, Sebastião, pelas trilhas com paradas na "ponte de pedra" e na "pedra do equilíbrio" duas formações rochosas impressionantes. Ainda tem um refrescante banho na Cachoeira do Relógio para completar o passeio. Uma curiosidade: Para fazer o passeio é obrigatório o uso de perneiras, uma espécie de "capa" de couro que cobre a perna do joelho ao pé, para proteger do risco de picada de cobra. Aiii deu medinho. Acho imperdível este complexo para quem vai a Chapada dos Guimarães.
Ponte de Pedra. Chapada dos Guimarães. MT
O almoço foi uma indicação do nosso guia o Sebastião. Fica a alguns quilômetros da fazenda, por uma estrada de terra, bem ruim, mas valeu a pena. É o restaurante da Dona Deuza, uma propriedade simples, que usa produtos cultivados na horta deles, servidos com galinha caipira e foi a comida mais gostosa que comemos no MT até aqui.
Como já era bem tarde não daria para fazer outro tour, então, passamos mais uma vez pelo Mirante Geodésico, para dali nos despedirmos da Chapada dos Guimarães. Partimos em direção a Jaciara para levar nosso grande parceiro de estrada, João, de volta para sua família. Escolhemos ir por Rio Verde. Eu e José conhecemos mais uma novidade neste trajeto, uma lavoura de algodão. Achei lindo o efeito do campo branquinho que se forma distante do solo. Chegamos à Jaciara, já anoitecendo, cansados e agradecidos.
Mirante Centro Geodésio

Que vista da Chapada.
Rancho do Jõao/Sonia. Desafio das boias. Demais!

Ficamos mais dois dias no Rancho da família. Dias de muito papo, limpeza geral na Branquela, que estava tapada de poeira do pantanal, churrasco com toda turma e, depois de muitas risadas e desafios, mais uma aventura no Rio Jaciara. Resolvemos descer as corredeiras, de boia feita com câmara de pneus, eu, José, João Pedro e seus pais, Fábio e Ana. Foi quase uma brincadeira porque nos remeteu aos tempos de crianças e adolescentes, nos divertimos muito. Dei trabalho para o Fábio que tinha que me resgatar nas margens quando eu não conseguia "dirigir" a boia e a corredeira me arrastava. Para a volta pegamos carona na carroceria de uma camionete porque o cansaço foi grande, e a felicidade também.

Águas termais jucimeira MT. Delicia estar com eles.
A sintonia com estes novos amigos foi tão grande que decidimos esticar a viagem, desta vez todos juntos. João e Sônia foram na sua Ducato, feito motohome e Fábio, Ana e João, de carro,  levando uma barraca para dormir. Preparamos os motorcasas para a partida e nós saímos na frente, eles seguiram no dia seguinte. Nosso destino: Barra do Garça-MT, município conhecido como  o Paraíso das Águas e mais especificamente o Parque de Águas Quentes, localizado no perímetro urbano da cidade.
A área destinada aos motorhome dentro do parque estava lotada, então, optamos por ficar na sede do Clube Juventude (clube de futebol), que fica muito próximo do parque e tem uma estrutura básica de água, luz, banheiros e até uma piscina que estava um pouco abandonada. Ao final dos dias que estávamos lá fomos até  convidados a usar a cozinha do clube, mérito da simpatia e das habilidades culinárias da Sônia. Cobraram-nos R$ 30,00 a diária por carro.
O Parque de Águas Quentes, localizado a 5 km do centro da cidade é um complexo com piscinas hidrotermais, com temperaturas que variam de 31 a 43 graus, divididas em múltiplos espaços. Tem corredeira, toboágua, bar molhado, rio da preguiça, vestiários, restaurantes e muito verde. O ingresso é por dia e pessoas acima de 60 anos não pagam. Como estávamos muito próximos íamos em vários horários durante o dia.
Rios e cascatas de Jaciara com nossos novos amigos
Conhecemos ali outro casal que também está fora do parque, mas em outro estacionamento, em sua Kombihome. Ele, stefan, um alemão que vive no Brasil desde ha muitos anos, e a Norma, sua companheira, moradores de Penha-SC. Ao ver o carro deles (Kombi com um chifre de boi preso na frente) já os reconhecemos, pelas fotos, como o casal que estava na fazenda do pai de Meire no MS. Mais um casal de amigos para compartilharmos momentos nesta viagem. À noite eles vieram comer carreteiro, feito pelo José, para toda a turma.
O próximo programa foi aproveitar a temperatura mais amena da manhã e subir os 1476 degraus para chegar até o Mirante do Cristo, que fica dentro do Parque Estadual Serra Azul, distante 3 km do centro da cidade. Fizemos uma excursão do nosso grupo, mais o alemão e a Norma, mas João e Sônia não subiram. Do mirante é possível avistar as três cidades irmãs: Barra do Garças, Aragarças e Pontal do Araguaia, além do encontro das águas dos rios Garças e Araguaia, que não se misturam. Vale muito o esforço e nós descobrimos que estamos em forma física muito boa. Há no parque outras atrações como cachoeiras, trilhas, mas não tivemos oportunidade de ir.
 Mirante do Cristo 1476 degraus. Ufa! só os fortes
À noite fomos conhecer o Porto do Baé, que fica às margens do Rio Araguaia, no centro da cidade e tem calçadão; rampas de embarque e desembarque de barcos; arquibancadas para shows; restaurantes e é um dos point da cidade. Estava bem movimentado, os restaurantes cheios, foi bom curtir uma vida noturna mais agitada e tomar uma cervejinha bem gelada. Sônia experimentou moranga com carne seca e disse que estava uma delícia.
O dia seguinte foi para de ir até o Rio Araras e aproveitar o balneário estruturado na sua margem. Estavam com nossa turma um novo casal que chegou de motorhome no Clube Juventude, o Moisés e a Sueli. Passamos o dia ali, curtindo o sol, a água e um bom papo. Almoçamos galinha com pequi e arroz nas barracas. Os mais animados durante a tarde andaram de boia puxada por jet ski e, muitos tombos e risadas depois, estávamos prontos para retornar para nosso acampamento e finalizar o dia com um banho relaxante nas águas mornas do parque.
"Prainha" com toda turma. Belo passeio.Barra do Aragarças. MT
Nosso acampamento no Clube Juventude.Barra do garças.MT
No dia seguinte, como esta área do clube estava bem abandonada, fizemos um mutirão e limpamos a piscina e seu em torno para fazermos um churrasco coletivo. Juntou toda a turma e foi comida e papo até o meio da tarde. Acabamos saindo tarde para a "Prainha do Rio Aragarças" onde estava combinado que iríamos conhecer o lado artístico da nossa amiga Ana. Ela já cantou profissionalmente e participou do quadro Garagem do Faustão e, apesar de estar tímida, subiu no palco do bar, repleto de gente, e mostrou que canta muuuito bem. Aplausos para ela. Para encerrar o dia quando chegamos no acampamento, já escuro, a Sueli e o Moisés fizeram uma rodada de pastéis para todos. Eles são proprietários de uma padaria e aí carregam no MH uma fritadeira elétrica profissional, foi a festa.
Como iríamos ficar mais uns dias por aqui o Zé e o João aproveitaram para fazer uma pescaria no Rio Araguaia (não pescaram nada... hahaha) enquanto os demais curtiam as deliciosas águas quentes do parque. Também aproveitamos para combinar com os parceiros Norma/alemão para nos encontramos com eles na Serra do Roncador, no próximo dia.
A nossa despedida da família do João/Sônia foi com choro, muitos abraços, agradecimentos e promessas de reencontro. Eles voltam para Jaciara e nós seguimos para conhecer mais uma área da região.
Serra do roncador.MT
Nosso destino é a Serra do Roncador, famosa principalmente entre místicos e esotéricos por guardar mistérios, lendas e belas paisagens. Ela inicia em Barra do Garças-MT e termina na Serra do Cachimbo-Pará. As várias teorias e relatos incluem desde a crença de ela ser um "portal" para uma civilização perdida, que viveria dentro da terra, até a de que é frequentada por alienígenas, enfim, um prato cheio para aventureiros, cientistas e curiosos.
Mas nem tudo sai como planejado nas estradas. Chegamos ao ponto combinado com Norma e Alemão bem depois do horário combinado e não os encontramos mais. Além de não encontrar os parceiros, as informações com os moradores locais foram poucas e sem muita vontade de compartilhamento, a internet não funcionava, nossas pesquisas prévias foram quase zero, enfim, ficamos bem "perdidos". Ai foi improvisar.
Perrengue! E dos perigosos.
Seguimos até onde seria a início da Serra, saímos do asfalto principal e iniciamos a subida por um asfalto secundário. Depois de alguns quilômetros de serra o asfalto acaba e a estrada fica de terra. Não encontrávamos ninguém pelo caminho, ou sinalização, então fomos subindo. Paramos em um paradouro com um aspecto não muito recomendado, considerando peças velhas de carros jogadas entre os arbustos, parecendo área de descarte ou desmanche, ficamos inseguros ali. Mesmo assim decidimos explorar o lugar, subir nas diferentes formações rochosas, e curtir a vista que é linda. Sentimos estar sozinhos e inseguros, pois isso atrapalhou muito nossa experiência neste lugar com tantas promessas.
Voltamos para o carro para continuar a subida e dali fomos até uma fazenda onde paramos para pedir informações. Indicaram-nos ir em frente até uma propriedade que tem uma cachoeira e tipo um balneário e lá fomos nós. Não sei se estávamos no caminho certo ou errado, mas de repente tinha que atravessar por um pontilhão alto e bem estreito. Ao passarmos, a roda da frente da branquela caiu para fora do pontilhão. Que susto! estamos literalmente "pendurados" no meio do nada.
Depois do susto,consertos.
Saímos do carro, assustados e agradecidos por não tombar e, logo que nos recompomos, iniciamos a saga de sair dessa enrascada. Foi o maior perrengue e situação de perigo até aqui nas nossas viagens com a Branquela. Ficamos umas quatro horas juntando pedras e as sobrepondo, uma a uma, à medida que conseguíamos levantar a van com nosso pequeno macaco hidráulico. A tentativa era ir fazendo uma coluna de pedras e levantando o carro até que a roda ficasse novamente na altura do pontilhão. Foi um trabalho de alto risco porque as pedras poderiam romper, o macaco poderia não aguentar o peso ou simplesmente ruir a sobreposição das pedras. José calçava o macaco, levantava uns centímetros e eu colocava mais uma pedra, por quatro horas, sem passar nenhuma pessoa, e com o risco da van tombar em cima de nós. Não havia sinal de celular para pedir ajuda e o dia já estava chegando ao seu final. Que sufoco!
Mas nossos anjinhos mais uma vez estavam presentes e nos enviaram ajuda. Vimos um fusquinha vindo pela estrada no sentido contrário, nele estavam uma freira e duas estudantes noviças. Pararam para ver se precisávamos de ajuda, e neste momento descobrimos que havia uma outra passagem de carro pelo lado do pontilhão. PUTZ!
Elas seguiriam até a próxima fazenda e lá pediriam ajuda. Cerca de trinta minutos depois chegou uma caminhoneta 4x4 com dois moradores locais e puxaram nossa branquela com uma única arrancada, para assim usar nossa "ponte de pedra" como apoio. Deu certo! Temos certeza de que, além da ajuda das pessoas, a espiritualidade nos amparou e protegeu, nossa eterna gratidão.
Presente do universo
Diante de tamanho estresse desistimos de continuar o passeio. Pegamos a mesma estrada para retornar até a vila, ao pé da serra, mas no meio do caminho, paramos para assistir um pôr do sol maravilhoso e ali, mais uma vez, agradecer a Deus o dom da vida.
Obrigada.
Dormimos na vila Vale dos Sonhos, ao lado do bar do seu Adão. Dali, cedinho, fomos até o Portal da serra do Roncador, em um sitio encontrar o proprietário, Sr Maurinho. Segundo nos indicaram, era a pessoa que mais conhecia a serra e poderia ser nosso guia. Ficamos a espera dele até às 16h e não retornou ao sítio. Entendemos que eram nossos anjinhos nos avisando que não era o momento de andar por ali e decidimos abortar nossa exploração da região.
A Serra do roncador tem este nome devido o barulho que o vento faz ao passar pelos canyons e, segundo nos relataram, é cheia de belos locais com cachoeiras, grutas, cavernas, águas quentes e frias, enfim muitos atrativos e beleza natural que não conheceremos desta vez. Ficou na lista de lugares para retornar.
Serra do Roncador MT
Voltamos para Barra do Garça para recolocar a proteção do motor que soltou quando caiu a roda no pontilhão, passamos no shopping, e finalizamos o dia com um bom relax nas águas quentes do Parque Termal. Dormimos ali no estacionamento e pela manhã passamos no Esporte Club para nos despedir do Caiau, responsável pelo local. De brinde ganhamos um pedaço do bolo gelado que a Sônia fez para ele depois que saímos dali.
Escolhemos fazer o roteiro por Primavera do Oeste e Poxoné. Boa escolha, a estrada é bem bonita, com montanhas que lembram e tem nome de "mesa", "Jipe", "onça"...Poxoné é a terra da moda de viola. Eu até tentei informações e comprar CDs de moda de viola, que adoro, mas não fui bem sucedida.
Lavoura de algodão, parece um tapete.
Após um pernoite na Policia Rodoviária, próximo de Rondonópolis, seguimos até Coxim, para novamente encontrar, e desta vez nos despedirmos, dos amigos mato-grossenses Enio e Meire. Almoçamos um delicioso peixe na beira do Rio Taquari com os amigos a partimos. Despedimo-nos dos dois estados, MT e MS, e iniciamos nosso retorno a nossa bela Santa Catarina
Ainda fizemos mais três pernoites na estrada, um antes de Campo Grande-MS, outro próximo à usina de Nova Primavera, onde mais uma vez fomos brindados com um belo pôr do sol no Rio Paraná e o último, em Palmeiras, próximo de Ponta Grossa-PR, todos em postos de gasolina, onde bastecíamos e jantávamos.
É final do dia 29/07/2017 quando chegamos em Florianópolis- SC para dar aquele abraço, cheio de saudades, na filha e no genro. Apesar do cansaço de tantos dias viajando direto neste nosso retorno, ficamos contando as aventuras e comendo comidinha de família até tarde, para no dia seguinte, fazer os quilômetros finais no rumo de casa. Mais uma vez, agradecidos pela oportunidade da vida, estamos de volta ao nosso paraíso, Imbituba SC. Obrigada Senhor.



Dados da Viagem:

Dias de Viagem: 54
Km rodados: 9.265
Estados visitados : Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

Gastos:
- Alimentação:R$ 2.888,00
- Passeios:R$ 4.439,00
- Pedágio:R$ 301,16
- Combustível:R$3010,00
-Compras: 1.192,00
- Pernoites: R $ 170,00

Total: R$ 12.000,16



Imbituba -SC



PS: E olha ai! Eles vieram nos visitar em Imbituba. Foi um grande prazer recebê-los.
Olha eles ai! Bem vindos amigos.

























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