O relato desta viagem começará pelo fim! Como assim? Já justifico!
É que ela não terminou como planejada: foram inúmeros perrengues, entre eles o fato de perdemos nosso diário com todas as anotações! Desta forma, peço licença àqueles que acompanham nossas aventuras por aqui, pois as reproduziremos a partir de fotos e memórias, as quais andam nos "deixando na mão" ultimamente! O pior dos problemas foi um acidente grave - motivo da perda do diário - do qual agradecemos por sairmos ilesos. Porém, deixaremos isto para o final, antes, revisitemos as lindas paisagens dos países vizinhos.
- Ah, envolvente Argentina! Oh, maravilhoso Chile! Vamos lá!
| Fronteira Brasil/Argentina. Aduana Uruguaiana-RS. |
Villa Urquiza. Província de Entre Rios. Argentina. |
| Camping Em Villa Urquiza.AR |
| Túnel Subpluvial Rio Paraná |
Rumamos para Córdoba, o itinerário teve passagem pela Villa Maria, porém, não conseguimos mais lembrar o trajeto, nem o motivo deste "desvio”, devido à ausência dos registros. Convenientemente, ficou-nos a impressão de um bonito parque, revelando a essência deste relato: falho e um grande exercício à memória - porém, saborosas memórias!
| Almoço no parque Villa Maria |
Decidimos não parar em Córdoba, era um pouco tarde, a cidade é grande, achamos melhor passar direto pela via perimetral que contorna a cidade e seguir descendo para a serra. Hoje, penso que perdemos uma oportunidade! Na verdade na época já achei isso, mas viagem a dois implica em negociação: então é inevitável situações em que a vontade de um, criará contraponto ao outro. Ficou como dívida o compromisso de voltarmos! Certo José? Depois de Córdoba, pegamos a rota 20 em um caminho muito lindo! |
Descemos a leve serra, adornada de um belo cenário que nos leva ao Lago San Roque, além dos Rios San Antonio e Arroio Chorrillos! Fizemos uma parada em Villa Carlos Paz que está localizada na margens do Lago San Roque.
| Camping San Sebastião |
Em Villa Del Dique fomos contornar o grande lago, no dia seguinte. No lugar pratica-se vários esportes e é conhecido como embalse de Rio Terceiro. Lá há uma "plataforma" que dá acesso até onde a água é controlada por bombas e em sequência passa-se por Alta Gracia, Villa General Belgrano: um roteiro muito gostoso com bela paisagem e pequenas villas.
| O caminho é encantador. |
| Mina Clavero AR |
Nossa próxima parada foi em Mina Clavero, outro lugar muito peculiar e de incrível beleza natural. Localiza-se no Vale de Traslasierra, entre as cordilheiras de Achala e Pocho, a 915 metros de altitude. Um vale com vários rios que descem a serra e formam balneários naturais. A época estava fria para curtir estas belezas! Uma pena! Deixo um pequeno alerta para as enchentes repentinas, elas podem ocorrer devido à água que desce das montanhas em períodos chuvosos.
E seguindo, após passar por mais uma barreira sanitária - onde tivemos que comer todas as frutas que tínhamos - chegamos a Mendonza, uma das nove "Capitais Mundial do Vinho"! Com a referência dos bons vinhos argentinos, claro que o programa foi fazer um tour pelas vinícolas!
| Bodega Santa Julia. Top |
| Azeitonas colhida direto no pé de oliveira. |
| Cidade de Mendonza - AR. |
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| Parque General San Martin |
| Duque. hahaha |
| Café da manhã em Potrerillos. Embalse e Andes à vista. |
| Já avistando as cordilheiras ao fundo. Friooooo |
Para nossa completa alegria, os bombeiros não só permitiram nosso pernoite no pátio da sede, como visitaram a Branquela! Travamos um belo papo e nos cederam água. Foi um pernoite maravilhoso: acordar de manhã com o visual do Embalse e do pico nevado dos Andes foi mágico! Obrigada!
Após o belo pernoite, voltamos para estrada na " Ruta 7", importante via que liga Mendonza-AR à Santiago-CH, capital do Chile.
Nosso objetivo agora é o Parque Aconcágua. Uma imagem marcante, neste trecho, são os rios quase secos - devido estação -, as montanhas de lindos tons terrosos, suas pedras e, é claro, o colossal Túnel Internacional Cristo Redentor, com 3.080 m de distância e a 3.200 m de altitude.
Uma parada obrigatória neste trajeto é a Puente del Inca, fica a 2.700 m
acima do nível do mar. Uma formação rochosa natural com tonalidades em amarelo
ocre, no Rio Las Cuevas, e suas águas termais e curativas.
Atualmente não é permitido banhar-se na água, mas persistem partes das ruínas de banhos, de um hotel
destruído em uma avalanche no século passado. Segundo a lenda, a ponte se formou
da petrificação de guerreiros Incas que tentavam salvar o herdeiro do trono, enquanto buscava sua cura, nas águas do rio.
| Puente Del Inca. |
| Parque Provincial Aconcágua |
| Nós e ele ao fundo...lindo. |
| Aduana Chilena. Divisa Argentina. |
| Los Caracoles |
E depois das belezas andinas agora nosso maior desafio: descer a temida Estrada Los Caracoles, o nome fala por si! São 29 curvas sinuosas do topo a base, em uma descida de 3.175 metros - em alguns trechos não é possível passar dois carros ao mesmo tempo. Como agravante, há maior trânsito de grandes caminhões e não existe guarda-corpo para proteção.
A estrada passa a se chamar CH 60, no Chile. Ela cruza a Cordilheira dos Andes ligando a cidade de Mendonza, na Argentina à capital Chilena, Santiago.
Estava tão apreensiva que não consegui curtir, fotografar ou filmar a descida. Aliás, lembro-me de duas coisas: que rezava e pedia a José para tentar achar um local de parada para conseguirmos apreciar o visual - o que não rolou!
| Primeira etapa viagem. Das cordilheira |
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| Almoço no Mercado Público |
Outro lugar marcante para nós foi o Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Lá, deixamos nosso recado nos murais disponíveis para manifesto, pedimos por democracia, condenamos o golpe contra a presidenta democraticamente eleita no Brasil - Dilma Rousseff. Nos murais ainda percebemos o quanto o nosso país deve à memória dos presos e desaparecidos políticos, sendo o Brasil um dos poucos países em que não foram concluídas as investigações.Triste realidade!
No próximo dia resolvemos sair com a Branquela, já que o passeio seria mais
longo. Iríamos até o Cerro San Cristóbal, um passeio muito interessante que possibilita uma vista magnífica de Santiago . Subimos de
"bondinho"- chamado funicular - e a descida foi por um teleférico que tem
várias paradas no trajeto. Sugiro que pare no maior número possível de estações: pare, curta as atrações, depois vá novamente até a próxima! A vista da cidade
com as cordilheiras ao fundo é estonteante, assim como o Santuário Imaculada Conceição - e suas estações da Via Sacra, que são verdadeiras obras de arte! Caso tenha a oportunidade de usufruir da tarde, a cereja do bolo será pegar o
teleférico na hora do pôr do sol: assistirá um grandioso espetáculo! Foi lá também que experimentamos uma
das famosas delícias chilenas: o "Mote com Huesillo"! Uma bebida
tradicional, feita com suco de pêssego com grãos de trigo. Apesar de ter um aspecto pouco convidativo, deixe as aparências de lado, pois possui um gosto ótimo: - recomendado!
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| sala do Casilleiro Del Diabo |
| videiras |
| entrada da vinícola |
Outra vinícola visitada foi a "Vinhedos Veramonte", na região de Casablanca, produtora de vinhos orgânicos. Muito bonita a sede, com uma bela vista dos vinhedos. Um grupo estava sendo sendo recepcionado quando chegamos, deixando-nos um tanto perdidos, mas ainda assim aproveitamos para apreciar a paisagem e o bom gosto do ambiente. Os vinhos são ótimos, porém para nosso gosto e bolso, com preços um pouco elevado!
Vinícola Veramonte. Casablanca. |
| veramonte, área interna. |
Loja de vinhos Casa Del Bosque. Ótimos vinhos. |
Encerrado o passeio pelas vinícolas é hora de rumar para o litoral. Nosso destino será El Quisco, a 110 quilômetros da capital Santiago, onde fica Isla Negra, uma das casas de Pablo Neruda, atualmente transformada em museu.
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| Praia El Tabo |
Ao estacionar mais à frente, observamos uma bandeira do Brasil em uma
pousada. Decidimos entrar para buscar mais informações do lugar, eis que
tivemos a grata satisfação de conhecer Edna, uma gentil mato-grossense, que mora no
Chile há vários anos e tem uma pousada bem em frente ao mar! Convidou-nos para
ficar em frente a sua pousada e a noite, juntos, saboreamos vinho, que regamos com um bom
papo, na Branquela. Mais uma pessoa que fica carinhosamente em nossa
lembrança!
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Dormimos olhando o pacífico. |
No dia seguinte, rodamos pelo litoral conhecendo a região e os pequenos balneários que ficam próximos entre si. Fizemos nosso almoço à beira-mar, andamos pelos bares e lojinhas, curtimos simplesmente estar ali, no tranquilo e belo litoral chileno, que até nos presenteou com um lindo pôr do sol no mar!
Pela manhã nos despedimos de Edna e fomos conhecer a famosa casa, onde o grande poeta Pablo Neruda viveu grande parte de sua vida, após retornar ao seu país. Hoje transformada em museu a casa se chama Isla Negra, por conta da cor dos rochedos no mar a sua frente e ao seu isolamento.
Ele a construiu inicialmente com a ajuda de pescadores e moradores locais, grande parte foi feito artesanalmente, só mais tarde foi expandida e remodelada com auxilio de um arquiteto e de amigos. No conjunto é uma obra única! Bela! Autoral! E lá, escreveu seu livro "Canto General".
Meu lugar preferido da casa. |
A casa é toda decorada com referências ao mar e embarcações, inclusive
há, na parte externa, um barco. Objetos pessoais e as suas coleções estão
dispostos pelos ambientes, compondo um belo acervo. Pablo Neruda e sua terceira
esposa, Matilde Urrutia, foram enterrados ali, conforme seu pedido no poema Disposicines. "“compañeros, enterrame em Isla
Negra/frente al mar que conosco, a cada área rugosa de piedras/y de olas que mi
ojos/no volverán a ver…”
| Visão externa. Patio da casa. |
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| Isla Negra. Casa de Neruda. |
Não sei mais os nomes. |
| Segunda casa de Pablo que visitamos. |
Depois de El Quisco, rumamos para uma das mais badaladas praias do Chile, Valparaíso. Chegando, fomos procurar local para dormir, o que percebemos que não seria fácil! Estacionamos no centro, para visitar um museu. Durante a visita, conversando com a guia, uma menina jovem e hiper simpática, sobre a dificuldade de local seguro, ela de cara nos ofereceu para estacionar em frente sua casa. Aceitamos, mas ao chegarmos constatamos que não havia área plana, sendo impossível ficar! Agradecemos a cordialidade e seguimos para a região onde fica a casa La Sebastiana, outra casa museu do Poeta Pablo Neruda - das três casas que ele tem no Chile, conhecemos duas -. Esta também fica em local privilegiado, no alto, com uma vista ampla da cidade e do pacífico e cheia de suas memórias. Tudo muito interessante, mas confesso que gostei mais de Isla Negra.
Descemos para a parte baixa da cidade, pelas ruelas charmosas e cheias de bares, artesanato. Belo passeio!
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| Carabineira nos avisando para não estacionar ali |
| Valparaíso-CH |
Pensamos em pernoitar em um estacionamento pago, próximo ao bondinho, já havíamos conversado com o responsável, acertado preço, mas os anjinhos mais uma vez nos intuíram. Decidimos conversar com os policiais sobre a região e ouvimos a recomendação de não permanecer ali, não seria seguro, mesmo no estacionamento: - Bah! que fria!
Decidimos comer em um dos charmosos cafés, instalados nas casas históricas das vielas do cerro, e depois seguir adiante para tentar dormir na vizinha Vina Del Mar, que ao contrário de Valparaíso, é organizada, regrada e limpa. De tão certinha perde parte de seu encanto, parece um bonito cenário montado. Mas é uma questão de gosto! As cidade com contradições, parece-me terem mais vida!
Demos uma volta, de Branquela, pela cidade e paramos na bonita orla beira-mar para um chimarrão (cheia de placas proibindo MH), fomos caminhar até o belo relógio de flores e acabamos decidindo seguir em frente para dormirmos fora da cidade.
Estacionamos em um posto de combustível com a permissão dos funcionários, ao lado de outro carro de passeio que também pernoitaria ali. Às 7 h 30. fomos surpreendidos com uma pessoa batendo na lateral do motorhome, dizendo-nos que tínhamos que sair. Nem procuramos saber o motivo, simplesmente ligamos a branquela, agradecemos e partimos. Já deu pra nós, Vina Del Mar!
| Beira mar de Vina Del Mar |
| Famoso relógio de flores |
| Vina Del Mar. E estava frioooo. |
Concon. Chile |
Encerrado o tour pelas cidades do belo litoral chileno, a nossa próxima parada foi no paradouro de Concon! Um lugar com um visual muito bonito, rochedos, aves e mar formando um belo conjunto.
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| Sopa chilena |
| Branquela no "Faro Monumental" |
Seguindo esta rota, só o caminho pelo vale já é um belo passeio! Nós fizemos parada em uma das pisqueria mais conhecidas do destilado de uva: a Cooperativa Agrícola Pisqueira Elqui. Fundada há mais de 75 anos e reconhecidamente uma referência nacional, onde é possível conhecer o processo de produção e provar o " pisco Sour" famoso drink feito à base de limão e pisco. O local é belíssimo e interessante, recomendo umas boas horas por ali. Nós aproveitamos e almoçamos no próprio estacionamento para passar o efeito da deliciosa bebida, que se assemelha a uma caipirinha brasileira, antes de voltar a dirigir.
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| Um brinde à vida com "pisco Sour" |
| pisco |
“A palavra “Pisco” nasce do quechua e significa “pássaro”, uma excelente definição para esta bebida produzida no Chile e que tem denominação de origem. Visite o Museu do Pisco no Valle Del Elqui e conheça ao vivo o processo desta bebida que cativa paladares ao redor do mundo”.
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No outro dia, continuamos em frente pela "Rota" até um
povoado pequeno e charmoso onde estava tendo uma feira na praça. Tinha banquinhas
de artesanato, produtos regionais, cantores! Entramos no clima e fomos provar
as comidas locais.
Na sequência paramos na Vina Falernia, que produz vinho de quatro diferentes áreas de cultivo no vale e oferece vinhos únicos e variados. As uvas são do tipo Syrah e Camenere. Para os apaixonados por vinhos é parada obrigatória. Aproveitamos para fazer compras tanto para presentear como repor o estoque. E outro ponto a favor da loja de vinhos é que situa-se em frente a um lago enorme, tendo ao entorno as montanhas das cordilheiras, formando um visual do vale de tirar o fôlego!
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| Estacionamento Vina Falerna. |
É um lago artificial, criado por uma barragem no Rio Elqui, chamado de " Embalse Puclaro", em Las Polvaredas. Vale muito rodar pelo seu entorno, fazer paradas para apreciar a paisagem e até fazer os esportes de água fartamente praticados no Embalse.
Nossa última parada no Vale Del Elqui, foi na cidade de Vicunha, mais
uma belezura de cidade entre as cordilheira e o vale. Com jeitinho de interior,
toda bonitinha e florida. Lá dormimos ao lado da praça para no outro dia sair
cedinho, voltando ao litoral.
Fizemos uma rápida passada, por pura curiosidade, na cidade de Copiapó, onde 33 mineiros ficaram preso por 69 dias. O fato causou uma comoção mundial, com transmissão ao vivo no vitorioso dia do resgate do grupo, quando finalmente a tragédia de 2010, teve um final feliz. Quando digo que foi curiosidade é apenas no sentido de que a mina não encontra-se aberta à visitação.
Seguimos e entramos na "Ruta Del Desierto", agora já estamos chegando próximo a um dos destinos que motivaram a escolha deste roteiro, o impressionante Deserto do Atacama. Vamos nessa!
| Ruta Del Desierto |
| Na boléia ! |
| Farol de Caldera |
| Portaria do Parque Pan de Azúcar. |
Seguindo as dicas de Sakol, decidimos atravessar o Parque Nacional Pan de Azúcar, que possui 43 mil hectares, foi uma ótima escolha! O Parque encontrava-se vazio, nem a sede estava aberta. Para nós não foi problema, muito pelo contrário: caminhar na areia, entrar no mar e dormir sob as estrelas em um local deserto foi um presente para ficar registrado eternamente na memória. De um lado, as montanhas, do outro, o mar rochoso com águas azul turquesa, e no meio, nós e a branquela!
O Parque fica na fronteira, entre as regiões de Antofogasta e do Atacama. Ficam na área do parque, também, algumas ilhas, as quais depois soubemos terem colônias de pinguins Humbold e onde é possível agendar passeios de barco. Nesta nossa passagem, a opção estava indisponível.
Outros atrativos que não conseguimos fazer, por falta de informações e de guias, foram as trilhas que levam às praias virgens e o mergulho em Playa Blanca.
| Ah! que final de tarde. Gratidão! |
Cactus a plantas do deserto |
Atravessamos o Parque curtindo muito a nova paisagem, já misturando características do deserto com o litoral, só esta travessia já vale cada quilometro! E a melhor sugestão: durma lá! o visual do céu estrelado é único! A estrada dentro do parque é simples, mas toda asfaltada, tranquila, e se reconecta com a Pan Americana norte, perto da divisa das duas regiões.
La portada. Antofogasta-Chile |
E neste misto de mar e deserto, com as cordilheiras bem ao fundo, fomos em frente, em direção a Antofogasta. Nossa parada foi na La Portada, uma formação rochosa natural em arco, muito bonita. Ali ficamos admirando esta maravilha da natureza e tirando belas fotos. Fizemos um reconhecimento da cidade com a Branquela, mas estávamos ansiosos para chegar ao deserto, decidimos não ficar ali e pegamos a estrada novamente.
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O caminho Tocopilla, Calama e São Pedro do Atacama é, em si, um belo
passeio. O visual do deserto com montes nevados ao longe, vegetação rasteira,
uma mistura de terra e areia no solo deixando-o avermelhado, e um céu, de um azul que
completa o cenário, enchem os olhos de qualquer viajante!
Ainda nesta rota, passamos na “cidade fantasma” de Humberstone, porém acabamos só dando uma volta de carro próximo a portaria, pois o horário de visita já estava encerrando. A cidade foi a única na região com colonização inglesa que ali explorou a mineração de salitre e cobre, depois abandonou o lugar. Revoltante ver mais uma amostra da colonização e exploração estrangeira.
Paramos em outra cidade pequena, nos lembrou muito os filmes de faroeste americanos, com aquela poeira avermelhada, casas construídas no estilo que vemos nos filmes, uma pracinha com coreto e um museu contando a história da mineração na região. Infelizmente não encontrei anotações, fotos ou referências para localiza-la. Ficarei devendo!
| Deu para fazer comida no meio do nada. |
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Enfim, chegamos à São Pedro do Atacama, cidade referência para o turismo no deserto do Atacama. E não por acaso esta referência: é um lugar único, encantador e cheio de atrações.
| Mapa turístico de San Pedro. |
| Estacionamento público San Pedro. Nossos pernoites. |
Escolhemos ficar no meio da muvuca, estacionamos onde saem a maioria das vans de turismo rumo aos passeios. Ficamos ali dois dias, durante o dia saíamos para os passeios e ao final retornávamos para curtir a noite na pequena cidade e dormirmos seguros. São Pedro do Atacama está situada em um planalto nas cordilheiras dos Andes, a paisagem inclui desertos, salinas, vulcões, gêiseres, fontes termais, enfim uma diversidade de cenários.
Eu diria que está mais para um vilarejo, do que para cidade! E nisto reside seu principal charme: pessoas do mundo inteiro, convivendo nas estreitas e empoeiradas ruas de terra vermelha e casa de abode - mistura de barro com palhas - com o povo nativo da região, identificados facilmente por seus traços indígenas. Algum lagos abastecem a região, enquanto a distribuição da água em alguns pontos ainda é feita por canais de irrigação, favorecendo a vegetação e a arborização, fazendo São Pedro parecer um oásis em meio ao deserto. A cidadela é vista como ponto central de uma região com astral místico,considerado Centro Magnético o que atrai muitos exotéricos.
| Casas de abode. |
| Igrejinha da cidade. |
Nosso roteiro iniciou no Vale de La Luna, na Reserva Natural los Flamengos. Uma formação rochosa que lembra o solo lunar, com rochas, areias e montanhas em tom rosáceo. Localiza-se próximo à cidade e tem uma portaria de ingresso, paga-se e é possível caminhar pelo vale, aproveitando a sua beleza impar. Sugestão é estar ali ao final do dia para curtir o lindo pôr do sol.
| Portaria do Vale de La Luna. |
No mesmo dia do Vale da Lua é possível fazer outra outra atração, nós conciliamos com o Vale da Morte. É possível chegar de carro e depois caminhar pelo cenário, que não tem relação o com o nome, eu diria que lembra bem o deserto, terra e isolamento. Umas das formações rochosas, esculpidas pela ação dos ventos e da areia é "Três Maria", que lembra a imagem de uma santa com manto. Outra atração as " Caverna de Sal", sugiro àqueles com claustrofobia, ou medo de lugares escuros, a não fazerem o tour, pois existem pontos de passagem muito estreitas e pouca iluminação. Durante a ida demos carona para um casal de jovens Suíços que estavam indo a pé para o vale - foi só o que conseguimos dialogar! hahahahah!
Ainda tivemos a companhia de cachorros que vagavam no deserto, visivelmente com sede. Demos água e ganhamos amigos!
| Branquelinha isolada no deserto. |
| Amigos perros. |
| Ah o Pôr do sol no deserto! |
Final do dia, antes de retornar ao estacionamento para o pernoite, paramos no Mirante do Vale de La Luna para ver o espetacular pôr do sol no deserto.
| Laguna Cejar. Quase um banho de sal |
| Laguna Cejar. Flutuação obrigatória. |
| Salar de Tebimquiche |
| Ojos Del Salar. San Pedro do Atacama - Chile |
Ao final do dia, depois das Lagunas de água salgada, chegamos a um oásis de água doce, na verdade dois: os “Ojos Del Salar”! Duas enigmáticas crateras profundas, de água doce, lado a lado, no meio do nada.
| Nos preparando para o espetáculo noturno. |
| "Descobrimos" o frio do deserto |
| Ojos que reproduzem. |
Ai, foi dar meia volta e entender que devíamos voltar para uma região mais segura. Seguimos devagar, parando, curtindo aquele belo cenário, vendo lhamas, alpacas, vicunha - espécie de camelos típicos do Chile - ,atravessarem a estrada em nossa frente. Chegamos ao vilarejo de Toconao, pequena comunidade no meio do deserto, com uma igrejinha antiquíssima de abode, lojas de artesanato regional e umas poucas casas de moradores locais.
| Que sensação maravilhosa! |
| Que cenário é deslumbrante! |
| Flamingos. |
Pela manhã fizemos mais uma parada no Salar do Atacama, o terceiro maior do mundo. Seguindo os caminhos de sal, várias atrações do deserto estão dentro ou próxima ao Salar, então, ao rodar por ali ele estará em volta.
Final de tarde, a dica é estar na Laguna Tebinquiche. Ela proporciona um espetáculo inesquecível de cores: o branco do sal, o azul das águas, e o laranja no céu é uma pintura divina. Nós aproveitamos o final do dia para andarmos pelo vilarejo, entrar nas lojinhas, tomar uma cerveja, curtir aquele cenário único.
| Gêyser Del Tatio .Visual na chegada às 5h da manhã. |
O nosso próximo tour foi com uma agência em van de turismo, isso devido o trajeto longo, os caminhos não demarcados e a grande altitude. Lá vamos nós em uma das atrações mais buscadas, famosas e inusitadas: os Gêiseres Del Tatio! Ficam a 80 quilômetros de São Pedro e para chegar a tempo de assistir o espetáculo matinal as excursões saem entre 4 h e 5 h da manhã. O campo dos Geyseres Del Tatio é um dos maiores do mundo e na verdade é um campo vulcânico, onde as águas das cordilheiras infiltram-se nas rochas vulcânicas, atingindo mais de 15 quilômetros de profundidade. Ao encontrar o magma vulcânico, em altas temperaturas, faz-se a grande pressão, que impulsiona a água quente, ou o vapor, fazendo-os surgir nas fendas.
| Entrar na água...só o pezinho. |
| Gêiseres Del Tatio |
Logo na chegada, com o dia nascendo, o campo coberto da névoa, o visual já impacta! O guia inicia falando sobre o local e dando as recomendações: não se aproximar, não tentar tocar a águas com as mãos - devido à alta temperatura -, usar protetor solar, não sair dos caminhos demarcados. A temperatura pela manhã é muito baixa, negativa, e à medida que as horas vão passando o tempo começa esquentar. Sugiro que se vista com muitas roupas sobrepostas e fáceis de tirar - popular efeito cebola- e por baixo de tudo coloca roupa de banho! Sim, isso mesmo! No campo dos geyseres tem uma “cratera” de água quentinha, onde é liberado tomar banho! O pessoal se diverte tirando a touca, as luva, e os muitos casacos, sentindo-se gelados pulam na água quentinha. Nós não fomos tão ousados, tiramos os coturnos, os dois pares de meia de lã e colocamos os pés gelados naquela deliciosa água quente. Foi divertido e confortável! Depois de caminhar pelo campo, tomar banho, tirar muitas fotos era hora de ganhar um café da manhã delicioso e reparador de energias, servido ali em meio do campo de geiyseres, fornecido pela atenciosa agência de turismo.
| Povoado do povo Machuca. Casinha típica. |
| o caminho é encantador. |
| Vulcão Licamcabur nos acompanhou no trajeto. |
Mais uma vez, no dia seguinte, saímos cedinho na van de turismo, agora rumo ao Salar de Tara, outro passeio distante (270 km ida e volta) e com maior altitude (4.500m), vale a recomendação de deixar para os últimos dias, quando o corpo estará mais adaptado. O Caminho para chegar a este Salar é tão encantador quanto o destino, por quase todo o trajeto somos “acompanhados”pelo visual do majestoso vulcão Licamcabur.
Ele nos impressiona e nos lembra de que estamos no deserto, em terras com movimentações sísmicas, rodeados de vulcões e cordilheiras. O conjunto é um presente da natureza! Dentro do Salar de Tara - um dos maiores do mundo - são várias as atrações: os Monges de Pacana, as Catedrais de Tara, as Águas Callientes e o próprio fato de estar dentro da Reserva Nacional Los Flamingos.
| Monges de Pacana. |
| Catedral de Tara ao fundo |
A próxima parada é nas Catedrais de Tara, um grande conjunto de pedras e cinzas vulcânicas que formam uma espécie de paredão - lembrando o contorno de uma catedral. O Salar é na verdade a caldeira do vulcão Vilama e faz parte da Reserva Nacional Los Flamengos.
Nosso almoço foi próximo às formações rochosas do salar, para nos proteger do vento, estava bom, porém escolhemos dar mais atenção ao cenário. Perceba, na sequência das fotos, de manhã há muitas roupas e no desenrolar do dia vamos tirando tudo! A temperatura muda drasticamente da manhã à noite.
Agora um alerta: é aconselhável tomar muita água, ocorre que em todo o trajeto não há banheiros, a única opção será próxima à laguna, onde, em geral, os carros fazer a parada do almoço, fora isso é o modelo rústico, no deserto. Neste passeio não há cobrança de ingresso.
| Camping Andes Nômades |
Retornamos no fim do dia cansados e felizes. Caminhamos pelo centrinho, fizemos umas compras e escolhemos ir até um camping localizado a alguns quilômetros do vilarejo, o "Andes Nômades". O Camping é administrado por um estrangeiro, se não me engano um Sueco, que também tem um belo motorhome do tipo fora da estrada. O local conta com piscina, mas que neste dia estava sem água, uma boa área arborizada e cozinha coletiva.
Um dos problemas da região, e que não conseguimos resolver no camping, é a água que em geral é salobra devido o sal. Dois dias ali dando aquele relex gostoso e com a casa reorganizada é hora de partirmos rumo à Argentina, estamos em rota de volta para casa.
Ficou um gostinho de quero mais e um arrependimento: não ter feito o tour até a vizinha Bolívia, no Salar de Uyuni (saindo de São Pedro e leva-se três dias). Ah! faltou também o tour noturno para ver as estrelas.
| Paradouro Pasto Chico. Parada obrigatória |
| Cenário típico da região. |
| Que presente! pulos de alegria para comemorar. |
| "Cortes" no Salar deixa a água neste tom de azul. |
| É nós no Sal. |
| Muitos caminhos para a Branquela Viajante. |
| Últimas imagens antes do acidente |
Fizemos uma parada em um dos pontos com mirante, observamos e fotografamos as curvas da estrada, serpenteando a rota que se chama Cuesta Del Lipan. Retornamos para o carro e José deu partida, rodou uns 200 metros, a baixíssima velocidade. Logo a frente teríamos a primeira curva fechada, ao pisar no freio, José percebeu que o carro estava totalmente sem freio. Ele tentou novamente e nada, então me diz: - Estamos sem freio!
Foi tipo uma sentença de morte! Estávamos sem freio, em um carro pesadíssimo, descendo uma cordilheira, em uma estrada de curvas contínuas e fechadas! De um lado, uma ribanceira, do outro uma muralha de rochas! José conseguiu fazer a primeira curva já com dificuldade, mesmo com a velocidade ainda estando baixa. Olhamo-nos e juntos falamos: - joga o carro no paredão! Foram apenas segundo, pareceram horas! Eu pedia socorro aos nossos anjos da guarda, enquanto José fazia a manobra de “jogar” o carro no paredão. Antes de chocar-se de frente, José, - como sempre, muito habilidoso na direção - conseguiu posicionar nossa Branquela e a batida que seria brutalmente frontal, suavizou-se quando lateralizada. Ao nos chocarmos com o paredão o motorhome tombou no asfalto. Foi tombando! Para nós pareceu em câmera lenta. Presos pelo cinto de segurança, nos olhamos, demos as mãos, percebemos e sinalizamos que estávamos bem. Agradecemos a toda proteção que nos foi concedida, a sabedoria de José e a nossa capacidade de coordenarmos uma ação rápida e possível.
Logo atrás vinham carros que foram parando e um especialmente, chamado Carmelo, certamente foi nosso anjo da guarda enviado pela espiritualidade. Tirou-nos do carro, sinalizou a estrada, ajudou-nos a recolher documentos e dinheiro - não achei meu celular - e nos levou até a cidade de Purmamarca. O carro ficou tombado no asfalto, ele pediu a policia para cuidar, para que não fosse saqueado. Passamos pela delegacia, para comunicar o acidente e fazer o registro, e só pela insistência de Carmelo nos atenderam na hora, providenciando os trâmites para a retirada do carro. Enquanto isso, ainda nos levou até um posto de saúde, bem próximo da delegacia, onde fomos examinados e liberados. Não tenho palavras que possam mensurar nossa gratidão.
Gostaria de registrar ainda, a atenção especial da soldado Vilma Colque e da médica do serviço de saúde, que encontraram nossa filha na internet, me assistiram e emprestaram seus telefones. Recebam minha gratidão para todo sempre!
| A Branquelinha ficou "esgualepada" diria o gaúcho |
| Momento de agradecer! |
O guincho deixou nosso motorhome em frente à delegacia da cidade de Purmamarca, província de Jujuy, por insistência de José - queriam coloca-la em uma via de acesso à cidade - e ali ficamos “acampados” pelos próximos dias até encaminharmos nosso retorno para o Brasil.
Para o nosso consolo, a cidade de
Purmamarca é uma bela e típica cidade andina. Com seu “Cerro de Los Siete
Colores” a lhe envolver oferece aos turistas que ali passam, e param um cenário, pelo menos para nós, totalmente desconhecido. É um espetáculo de cores
encravadas nas montanhas, adornando a pequena cidade. Os restaurantes com
comidas típicas e o artesanato regional são outros atrativos do local, também
próximo dali fica a quebrada de Humahuaca, onde se encontra o “Cerro de Las 14
colores” que ficamos devendo uma visita.
Agora um parêntese para falar de um dos seus moradores especiais, o Alberto!
No dia seguinte de nossa “estadia”, em frente à delegacia de Polícia de Pumamarca, saímos à procura de resolver o problema mais emergencial: dinheiro, ou melhor, pesos argentinos em espécie. Tínhamos acabado de passar a fronteira, ainda não havíamos feito câmbio na Argentina, tínhamos apenas alguns Reais e dólares. Então, conhecemos o Alberto, ele tem uma loja de artigos artesanais e troca de moedas quase em frente à delegacia. Socorreu-nos trocando Reais por Pesos Argentinos para pagarmos o primeiro guincho e desde aquele primeiro momento nos “adotou”, oferecendo a estrutura de sua loja para usarmos, foi de banheiro até intermediação do novo guincho para o Brasil, passando por internet, computador, telefone... e o impagável, a sua amizade!
| Quatro anos após o acidente recebemos Alberto e sua família em nossa Imbituba. Sem palavras para descrever a nossa alegria e gratidão. |
| Honrados em ter Alberto e sua família à nossa mesa. |
| Alberto e sua esposa Flábia. |
Mais um relato a se registrar, que reforça nossa crença na humanidade, na prevalência do bem, foi
a ajuda recebida de um grupo de motoqueiros brasileiros até então
desconhecidos. Fomos tomar café da manhã em um bar e lá estava um grupo de
brasileiros conversando animadamente sobre seu retorno ao Brasil. Decidi na
hora, ir até eles relatar o acidente, perguntando se não teriam moeda em espécie
para trocar, já que estavam retornando. O Resultado? Saímos da conversa com alguns
Reais, resultado de uma vaquinha feita ali, na hora, com a única garantia da nossa palavra de
fazermos o depósito nas suas contas - a nossa filha fez o depósito, no final do dia a
cada um. Mas deste episódio, o que desejo registrar são a confiança e a solidariedade que eles tiveram, afinal até então não sabiam nada de nós. Foi uma ajuda de irmãos de estrada
mesmo. Pedro Márcio Biazon e Gilson
Vila Machado, nosso agradecimento por suas atitudes e por nos reafirmar que o bem prevalece.
E não foram só estes dois casos, tivemos também o prazer de conhecer em
Purmamarca, neste momento tão atípico, os Kombeiros da “Kombiviajante”, Bruna e Luiz que estavam
em viagem pela América Latina. Eles já se encontravam na cidade e logo que
viram nossa Branquela Viajante toda avariada na rua se aproximaram. Além da
companhia, bons momentos de descontração e até um pouco de risadas para relaxar, ofereceram-nos o que tinham: alguns dólares das suas reserva de emergência, o
que obviamente não aceitamos, já que eles seguiriam viagem para a Bolívia. Porém o mais precioso nos deixaram, o exemplo de solidariedade e amizade espontânea. Obrigada, meus queridos!
Depois de cinco dias “acampados” na rua, em frente à delegacia, com o
apoio maravilhoso de Alberto, finalmente a Branquela foi erguida para o guincho
que nos levaria até a fronteira da AR/BR. A viagem durou 20 horas, o
motorista do guincho, Manoelito, dormiu apenas alguns minutos na madrugada,
horário que ficamos na Branquela, de resto foi na cabine com ele, convivendo
com seu hábito de mascar coca o tempo todo.
Precisávamos chegar à Uruguaiana antes do banco fechar para retirar dinheiro e pagar o guincho, em espécie. Foi um sufoco, mas com a ajuda de um apoiador do grupo “Apoio as pessoas que viajam de MH”, Getulio, tudo deu certo. Obrigada querido!
Branquela Viajante já colocada no guincho brasileiro, encaminhado pelo Seguro, foi hora de relaxar um pouco e seguir para Caxias do Sul, de ônibus, onde nossa amada filha Gabriela nos aguardava com uma recepção emocionante: balões, cartazes e muito, muito carinho. Ai foi chorar, agradecer, comemorar a vida, reverenciar todos que nos ajudaram e valorizar a possibilidade do afago de quem amamos.
Depois de nossa chegada em Caxias do Sul, devidamente instalados na antiga casa de minha mãe, reunimos alguns amigos e familiares para comemorar o aniversário da filha Gabriela, no dia 25 de Abril. Celebramos à sua vida, à nossa vida e à humanidade! Parabéns amada filha! És nosso maior orgulho.
Dias de viagem: 43 dias
De 12 de Março de 2018 a 23 de Abril de 2018.
Nesta viagem (devido a perda de nosso diário com as
anotações), não vamos relatar os gasto e quilômetros percorridos.
Restou em nossa memória e nos registros fotográficos, a maioria dos locais percorridos, os quais sinalizamos no mapa a seguir. Talvez contenha erros de nomenclatura, continuidade, localização, ainda assim optamos por registrar, como forma de desafio e resiliência.
| Nosso roteiro. |
Curiosidade do pós-acidente:
Sobre os trâmites e gastos para trazer nosso MH para o Brasil que todos
sempre nos perguntam esclarecemos:
- Guincho na Argentina, do local do acidente até Pumamarca custou R$ 2 mil. Pago por nós;
- Guincho de Pumamarca até Uruguaiana, custou R$ 10 mil. Pago por nós;
- Guincho De Uruguaiana até Caxias do Sul foi pago pela seguradora "Gente Seguradora" - segundo o corretor o seguro só cobria guincho no território brasileiro;
- O conserto mecânico/chapeação do MH foi feito na oficina Auto 78, de
Caxias do Sul, indicada por nós. Cobertura total do seguro;
- Desmontagem e posterior montagem dos móveis da lateral do caroneiro. Feitas na Tourlife Motorhome de Estância Velha-RS. Cobertura do
seguro da Gente Seguradora.

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