quinta-feira, 5 de maio de 2022

2020 ano da pandemia. Nossa segunda tentativa de viajar.


 2020 ano da pandemia. Nossa segunda tentativa de viajar.


 Decididamente 2020 foi um ano muito diferente!

 A humanidade enfrentou várias pandemias nos últimos séculos: a peste bubônica, também conhecida como Peste Negra, que assolou o século XIV; as sete epidemias de cólera; a Gripe Espanhola nos anos de 1918 a 1920; a gripe suína ou H1N1 no século XXI, dentre outras. Porém, antes do corona as grandes pandemias e suas consequências representavam capítulos dos livros de história para a maioria da atual humanidade. Desta vez a vivenciamos! foi causada por um vírus novo, desconhecido, altamente contagioso, que se espalhou em velocidade alarmante por todo o planeta: o Coronavirus Sarc-cov-2, popularmente denominado covid - 19. 

Desde que retornamos da estrada em Março 2020, no início da pandemia, nos fixamos em nossa morada, em Imbituba-SC. Foram oito meses de reclusão, saíamos de casa somente para caminharmos na beira-mar, usando constantemente álcool em gel, máscara, muita água e sabão em tudo. Aprendemos a comprar tudo pela internet - inclusive mercado e farmácia. Utilizamos o nosso tempo para arrumarmos nosso apartamento, atualizarmos leituras e assistirmos muitos filmes e séries. O isolamento fora quebrado pouquíssimas vezes, exceções abertas para ver a nossa filha/genro e a minha mãe.


Visita da filha e genro, aproveitamos para um pic nic ao a livre. Lucas presente.

Decidimos sair de Imbituba-SC no dia 12 de Novembro de 2020, aproveitando o feriado de 15 de Novembro - nova data das eleições municipais. Não abrimos mão de exercer nosso direito ao voto, então passamos por Caxias do Sul-RS, onde votamos e possuímos laços fortes com a administração municipal: sou servidora deste município, ainda que aposentada.
 Seguimos viagem ainda no dia 12 de Novembro eu e José, depois de deixar em sua casa  nosso “filho emprestado” de Caxias do Sul, Lucas. Ele aproveitou as aulas remotas, devido à pandemia, e ficou um mês inteiro conosco em Imbituba. Foram 30 dias maravilhosos, um presente para ele e outro maior para nós: muito surf, bicicleta, banho de mar, trilhas, futebol, experiências gastronômicas - dentro das recomendações sanitárias.

Nosso filho emprestado, Lucas. Amo vc.

Passamos pelo Balneário Gaivotas - SC, para visitarmos minha mãe, que com seus 86 anos continua forte e disposta, porém chateada com as longas restrições de contatos e atividades. No dia 15 seguimos para Caxias do Sul, onde permanecemos quatro dias. Depois de votarmos, levarmos Lucas à sua família e fazermos uma revisão na nossa Branquela Viajante, estávamos prontos para pegar a estrada.

 Optamos por fazer um pequeno isolamento nos primeiros dias, ainda próximo à cidade, já que tivemos uma exposição bem intensa nos dias anteriores. O local escolhido para a parada estratégica foi em Vila Seca - distrito de Caxias do Sul - no Camping da Sereia, totalmente vazio, onde ficamos isolados por dois dias. Aproveitamos para lavar roupas, dar uma geral na casa rodante, fazer um gostoso churrasco, descansarmos em meio a muito verde e o silêncio. Aquela paz só era quebrada pelos barulho de um bando de bugios, que chegaram muito perto do nosso acampamento. Os gritos dos bugios são chamados de ronco, o som é  alto e muito forte, até visualiza-los estávamos bem assustados. 

 No final de semana o cenário foi se modificando, com a chegada de grupos de pessoas. Música alta,  aglomeração na piscina e para continuamos mais reservados escolhemos um espaço mais isolado. O Camping possui uma bela área arborizada, onde passa um pequeno riacho, estrutura com churrasqueiras, banheiros, luz, água, piscina no valor de R$ 20,00 a diária por pessoa. Recomendamos o local para o aplicativo Viva Sobre Rodas.

Camping Recanto da sereia. Caxias do Sul

Churrasquinho no Camping. Vila Seca. Caxias do Sul
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Na segunda feira, 23 novembro, recolhemos acampamento, sem saber ao certo o nosso destino. O projeto da “Caravana Parceiro é Parceiro” tinha retornado para a estrada desde outubro. Em março deste mesmo ano, havíamos pausado a experiência devido à pandemia - ver relato na postagem anterior. Agora era hora de decidirmos se seguíamos rapidamente para nos juntarmos aos parceiros na Bahia ou se seguiríamos devagar avaliando o cenário. Conversamos, pesamos e escolhemos a segunda opção.



Em direção à Lages-SC, pela BR 116, passamos a bonita ponte do Rio Pelotas - divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina - e ali paramos para almoçar. Alimentados seguimos até o restaurante e posto de combustível Matinhos, onde pernoitamos. Pela manhã abastecemos, agradecemos e seguimos viagem, optando sair da BR e pegar estradas secundárias - gostamos de conhecer o interior e circular por locais menores. Boa escolha! Fizemos parada para comprar erva mate, vinagre de maçã e pão, produzido na região e vendido em uma antiga “venda” de beira de estrada. Passamos por Canoinhas, pelo Vale do Contestado - corredor ecológico de Timbó -  e pela floresta Nacional Três Barras.

 Trafegando no Estado do PR fizemos parada em São Mateus do Sul, uma cidadezinha charmosa, com um belo “calçadão” na beira do rio, e uma praça dedicada a erva mate onde tem a "Rua do mate". A região cultiva erva mate - E olha que o consumo é um costume de gaúcho!

                                        

rua do mate.
São Mateus do Sul-PR

No final do dia, chegamos ao nosso primeiro destino pré definido, Ponta Grossa-PR, onde queríamos conhecer o Parque Estadual Vila Velha. Não prevemos que nas segundas feiras o parque fecha, e aquele era o dia da semana: Tivemos que procurar outros atrativos na cidade! Pesquisando na internet, encontramos algumas opções: O Buraco do Padre, a Fenda da Freira, o Capão da Onça, a Cachoeira da Mariquinha, as Dolinas Gêmeas entre outras. Optamos pela cachoeira da Mariquinha, e quanto já tínhamos feito 20 km, por estrada de terra, em um atalho para atravessar de um lado a outro da cidade, descobrimos que teríamos mais 20 km para acessar a cachoeira. Pura bobeira! Então desistimos, pois chegaríamos muito tarde e não aproveitaríamos a cachoeira. Escolhemos conhecer o Capão da Onça, um balneário pequeno, com cachoeiras, onde não encontramos muitos encantos e que nos cobrariam R$ 50,00 para estacionarmos para passar a noite, não ficamos.

Indecisos, paramos em uma vila próxima as atrações e fomos saber sobre as Dolinas, nos indicaram falar com o Guilherme. Paulista que abandonou a cidade grande e um emprego formal para se instalar em um pequeno camping. Guilherme recebe grupos e realiza trilhas guiadas, uma atividade mais nossa cara! Ai foi só colocar as perneiras para se proteger das cobras, pegar um pequeno mapa e nos aventurarmos sozinho pelos campos e matos até as Dolinas Gêmeas, de trilha é fácil e curta - 40 minutos - que vale a caminhada! O valor foi R$ 10,00 por pessoa e o que podemos dizer: - Que maravilhoso pôr do sol!

Pôr do sol. Dolinas Gêmeas
Na volta, já escurecendo, não tínhamos lugar para dormir, o que no fim não é um grande problema para nós: pedimos licença para pernoitar estacionados em frente à casa de um morador. Ouvimos do Gabriel, o filho do morador: - Não sei, meu pai é muito “sistemático”! Ocorre que ele era apaixonado pela ideia de ter uma casa sobre rodas. Proseamos, incentivamos ele a buscar este sonho e conversa vai, conversa vem: - Podem dormir aí, deixa que eu dobro ele! Beleza garoto que seu sonho se realize!
Trilhas para as Dolinas Gêmeas, com perneiras.



Ao sair pela manhã até recebemos um belo cumprimento do "sistemático" hahahahah.

 Fomos os primeiros a chegar ao Parque Estadual Vila Velha. Estacionamos, compramos os ingressos. Aparentava que seria um tour "quase exclusivo", afinal estamos em pandemia. Ledo engano! começaram a chegar mais e mais pessoas e no último passeio o ônibus do parque estava cheio, inclusive com estrangeiros. Ali percebemos que talvez não fosse uma boa ideia viajar neste momento!

ARENITOS: UM DOS PRINCIPAIS ATRATIVOS TURÍSTICOS DO PARANÁ.
Os Arenitos começaram a se formar há 300 milhões de anos, após a compactação e endurecimento de frequentes camadas de areia, quando a região do parque estava próxima ao Polo Sul e o mundo era formado por um grande continente chamado Gondwana. Essas rochas possuem tom rosado devido ao cimento ferruginoso (óxido de ferro), o que determina também a existência de formações com diferentes resistências à erosão.

 

escultura da taça.

 O Parque é famoso principalmente pelas “esculturas” de arenitos que com o passar dos anos moldaram-se em diferentes formas, possuindo 38 km de muitas belezas naturais. Entre elas as dolinas, que são “buracos” de diferentes profundidades e diâmetros, com aproximadamente 400 milhões de anos. Já a lagoa dourada é uma furna, porém assoreada, com águas cristalinas integradas aos córregos subterrâneos. Outras possibilidades são os passeios de bicicletas, o arvorismo e a tirolesa.

escultura do camelo.

                  Sem dúvidas, a melhor atração é a caminhada pelas trilhas: observando, admirando e imaginando o que cada formação nos arenitos nos remete. Neste momento, a criatividade e sensibilidade é que conta. Dá para “ver” diferentes bichos, objetos, cenas! Primeiro admirávamos e colocávamos nossa imaginação em prática, só depois líamos a descrição das placas. Desta forma, podemos ter uma experiência só nossa!

 A trilha completa dura em torno de 1h 30min, possui uma vegetação rica e lugares para descanso. No final, um ônibus do parque faz o transporte até a sede, para dali novamente partir para a segunda etapa do passeio: as furnas. Das esculturas, esculpidas pelo tempo, a minha preferida foi a que remete a imagem de um camelo!

O parque teve sua administração concedida para uma empresa particular, portanto, prepare-se para os gastos: ingresso, estacionamento e atrativos extras. O custo das duas meias entradas e do estacionamento foi de R$ 102,00. O atendimento é bom, com guias em quase todos os pontos e ônibus gratuitos para locomoção dentro do parque.

arenitos em abundância.

Encerramos nosso passeio pelo parque e pegamos a estrada sem saber ao certo onde iriamos. Segundo o conselho do gato Cheshire à Alice  "Se você não sabe onde ir, qualquer caminho serve", não sei se concordo plenamente com isso, mas para nós foi quase assim! Pegamos a PR 151 andamos um pouco e devido o tráfego intenso retornamos e pegamos a PR 153, que depois de alguns quilômetros, achamos também não ser uma boa opção, muitos caminhões, obra e tranqueira, então voltamos para PR 151. Rodamos um pouco, mas já fora do perímetro urbano, saímos por um atalho para voltar para a PR 153 novamente. Que confusão!

 Nesta indecisão e estressados, acabamos passando por um lugar muito charmoso: uma estrada rural, perto do município de Carambeí, com vários casarões e enormes pátios floridos. Mais tarde, em pesquisa, descobri que se chama Estrada dos Pioneiros, caminho para o Parque Histórico de Carambeí. Onde são expostas réplicas, objetos da história da colonização holandesa na região e até possuí um museu. Sugiro aos viajantes que parem e o visitem! Nós, infelizmente, pelo momento tenso, acabamos passando direto sem ver. Bobeiras que algumas vezes ocorrem para quem está na estrada.

ônibus que faz o deslocamento dento do parque.

A saga do dia acaba perto do Município de Serges, em um barulhento posto de gasolina, ainda na PR 151, onde pernoitamos. Nesta altura, sabíamos que queríamos ir em direção a lugares com água, lagos e represas, para estacionar e descansar. Pela manhã saímos em busca de um eletricista, as baterias da parte da casa da Branquela Viajante não estão carregando como deveriam. Fomos até Itararé, próximo à divisa dos Estados de São Paulo e Paraná, onde achamos um jovem eletricista, muito atencioso e disponível. Após vários testes, nos disse que as baterias estavam boas e que o problema era um fio que conecta a placa solar rompido. Religamos e tudo certo! O jovem não queria cobrar, pagamos de toda a forma, sua atenção e profissionalismo valeram muito!

Estávamos perto do Parque Ecológico da Barreira, rumamos para lá! Ele fica às margens da rodovia Francisco Alves Negrão, é administrado pela Prefeitura de Itararé, com entrada gratuita. Era uma antiga rota de tropeiros! No século passado, os tropeiros saiam de Viamão RS, com suas mulas carregadas em destino à Sorocaba-SP, ali paravam em um posto de cobrança. - desde então os impostos!

O lugar estava deserto, tinha uma corrente impedindo o acesso à parte interna. Paramos no estacionamento, caminhamos pelas proximidades e vimos um trabalhador cortando a grama, com quem fomos conversar. Era um funcionário da prefeitura que gentilmente nos autoriza a entrar e orientou-nos a fechar a corrente ao sairmos. Entramos e estacionamos ao lado das escadarias que dão acesso a gruta.

O lugar é bem bonito, parece ser uma “fenda natural” com um rio subterrâneo e caverna. A prefeitura construiu escadarias que de um lado dão acesso a uma caverna, onde tem uma gruta com a imagem de uma santa. Do outro leva a um local com uma bela queda d’ água entre a vegetação. Todo o entorno é cheio de pássaros e vegetação. Estávamos tranquilos e bem estacionados! Resolvemos descer as escadarias para explorar o local. Tinha um aspecto abandonado, descuidado, pensamos que seria devido à pandemia. José desceu até o último degrau, me chamando. Eu não queria descer até o fim, estava achando sinistro, porém o visual  ficava mais bonito à medida que descíamos, uma fenda no teto iluminava a cratera! decidi descer!
outro lado da fenda.
Parque Ecológico  Barreira. Itataré - SP.

 Ao voltarmos, um susto no meio da escada! José fala: -   Não para e não olha para trás! A perna amoleceu, dei alguns passos e perguntei o motivo. A responda: - tu acabaste de pisar ao lado de uma cobra, ela está enrolada me esperando passar! Que pavor! Era uma cobra pequena, não sabemos se venenosa ou não. O jeito foi respirarmos, acalmarmos e acharmos uma forma de José sair dali sem passar por ela. A escadaria era no formato de zig zag, ele fez um malabarismo arriscado, atravessando de uma mureta a outra sem passar pelo local onde a cobra estava. 

O episódio estragou nosso bom astral, ficamos receosos de continuar explorando o parque - que é bem bonito e no final da tarde dizem ter uma revoada de pássaros muito legal de assistir - e se encontrássemos outros perigos?  Estávamos sozinhos, longe da cidade e o lugar não estava bem cuidado. Antes de sair, ainda cozinhamos e aproveitamos o silêncio e a natureza para almoçar e relaxar. 

onde a cobra mora. Uiii.
Lá fomos nós para a estrada novamente! Saímos “serpenteando” pelo Sudoeste do Estado de São Paulo, Riversul, Itaporanga, Coronel Macedo, Taquarituba. Pela internet tinha visto que havia um Camping Municipal neste último município, bora lá conhecer!
 E que bela surpresa, o Camping Municipal fica às margens das águas da represa de Jurumirim. O local chama-se Porto de Taquari e é uma pequena vila onde, contam os moradores, já se viveu da pesca. Atualmente as águas são baixas, com poucos  peixes, ainda segundo moradores locais, devido as dragas e bombas de sucção utilizadas pelos "chineses" que adquiriram as terras e estariam retirando a água. Uma fala estranha, tema a ser investigado!

 Camping Municipal de Taquarituba-SP.

Ficamos três dias acampados no Camping Municipal. Caminhamos, consertamos a bomba d’água, fizemos churrasco, dormimos na rede, lavamos roupas, até ensaiamos uma pescaria frustrada, tudo 0800. O Camping tem uma boa área gramada e arborizada, banheiros, luz, água e churrasqueiras. 
Alguns moradores dos arredores vieram bater papo, saber sobre viagens e do motorhome. Infelizmente, devido aos cuidados que estamos tendo com relação à pandemia, não tem sido como era antes: Fazíamos questão de receber às pessoas, conversar, mostrar nossa casa-móvel, mas agora estávamos receosos e bem menos disponíveis aos contatos. Mais uma vez sentimos que esta viagem está sendo diferente.

 A próxima parada foi logo à frente, na cidade de Avaré-SP. Chegamos depois do meio dia e fomos direto ao Camping Municipal. Avaliamos que estava muito cheio, era sábado e seria um final de semana movimentado. E agora?

Orla camping. Ao fundo ponte Rio Paranapanema.
 Como o camping fica às margens do Rio Paranapanema represado, demos uma volta nas proximidades contornando a Represa Jurumirim. O Local é bonito, residencial, com uma orla calçada, bem arborizada, mas decidimos não ficar ali e tentar a margem oposta. Atravessamos a ponte que liga as duas margens e fomos explorar o outro lado. 

Vimos no Maps uma marina em uma extremidade, o sangue aventureiro falou alto e lá fomos nós, pela estrada de terra, procurar a marina. Não deu muito certo! A estrada ficou estreita, esburacada, 

Camping Municipal de Avaré- SP
feia e ainda quando chegamos o portão estava fechado.Voltando, próximo ao asfalto, vimos a sede da AABB, que em várias cidades já nos receberam. Entramos e fomos conversar com o administrador, Sr.Wilson, que nos recebe muito bem e nos disse que como a sede está fechada para os sócios, devido à pandemia, não teria como autorizar nossa entrada. Ele ligou para um amigo que cuida de uma chácara perto e pediu para nos acolher, indicando que deveríamos dar-lhe uma “caixinha”.

Tudo combinado, lá vamos nós! O fundo da chácara fica na margem oposta ao Camping Municipal, dá para perceber que são vários imóveis, lado a lado, tornando privado o acesso a este lado da represa. Neste dia, vários grupos estavam reunidos, fazendo festa, andando de Jet ski, lanchas, enfim sem qualquer preocupação com a contaminação pelo covid-19. Decidimos nos recolher no motorhome evitando contato com as pessoas, inclusive com o chacreiro e sua esposa, para nos proteger.
 Cedinho acordamos, nos despedimos dos anfitriões, pagamos a caixinha sugerida e deixamos nosso licor personalizado para ser entregue ao Wilson, com os devidos agradecimentos.

Voltamos ao Camping Municipal, mais amplo, nos instalamos em uma área mais afastada. A administração é do município que cobra uma diária de R$ 25,00 por pessoa. Possui água, luz, banheiros, churrasqueiras e quiosques. Era domingo, quase ao meio dia, logo os grupos já começaram a levantar acampamento e partir. Ficamos acampados dois dias. Deu para relaxar, curtir o bonito lugar e assistir belos pores do sol nas margens da represa.

Área acampamento Camping Avaré.
Ali conhecemos o casal Marco e Romilda, de São Paulo, que também estavam com seu motorhome no camping. Ambos pegaram covid e contaram que foi forte, mas que já estavam bem. Eles nos deram boas dicas de cidades e lugares próximos, nesta região conhecida turisticamente como” circuito das águas”. Aceitamos as indicações de conhecer a região já que decidimos não retomar o plano de viagem  do grupo "parceiros é parceiro". Avaliamos o incomodo de ficar limitando o contato com pessoas e lugares muito frequentados, então, achamos prudente ficarmos mais perto de casa, aproveitando para irmos passeando no trajeto de volta para Santa Catarina. E assim fizemos!

Seguindo a dica do Marco, nossa próxima cidade foi Pirajú-SP, reconhecida pelo título de Estância Turística. Um lugar de exuberante natureza, sendo a cidade literalmente cortada pelo Rio Paranapanema, que propicia a prática de esportes de aventura e o ecoturismo. Tem opções de rafting, tirolesa, canoagem, rapel, boia cross, passeios de lancha e pedalinho, tudo dentro do perímetro urbano e muito acessível.

Rio Paranapanema. Acesso pelo Parque Fecapi.Pirajú -SP

Nós ficamos acampados no Recinto Fecapi, um parque de eventos com restaurantes, lojas de artesanatos, pista de skate e cancha para rodeios, dentro do perímetro urbano, às margens do Rio Paranapanema. O lugar é gratuito e seguro, os guardas fecham o portão depois da meia noite. Nos dois dias que ficamos no parque não houve circulação de pessoas e os atrativos estavam fechados, não sabemos se devido à pandemia ou por ser início da semana.

Corredeiras de rafting e canoagem.
Garganta do Diabo. Rio Paranapanema.

Recinto Fecafi, área onde pernoitamos.


Rio Paranapanema. Pirajú-SP
Bem ao lado de onde estávamos, fica o quiosque dos passeios de rafting e a plataforma da tirolesa, ambos fechados. Em compensação o lindo rio e a sua parte mais famosa a “Garganta do Diabo”, estava totalmente disponível ao nosso lado. O trecho é chamado assim porque é onde o rio se estreita e surgem grandes rochedos formando as fortes corredeiras. Ali acontecem competições de rafting, boia cross e aulas de canoagem. Ficamos horas só ouvindo o barulho da água, aproveitando o sol gostoso, caminhando pelas rochas, totalmente envolvidos naquele cenário natural e lindo. À tarde enquanto José tenta descobrir porque a geladeira não estava ligando, dei uma volta pela cidade. À noite, uma chuva intensa com ventos fortes nos deixou tensos, mas logo passou.


Preparando a pescaria
 no Rio Paranapanema.

No terceiro dia resolvemos ir conhecer a Floresta Municipal das Corredeiras - antigo parque das corredeiras. Fomos sob a indicação da Secretaria de Turismo, onde tínhamos buscado informações sobre os atrativos da cidade no PIT. Lá, estaria nos aguardando o “bola”, funcionário do município encarregado de cuidar do local e que nos orientaria o pernoite. O local é uma reserva municipal, bastante procurada por apaixonados pela observação de pássaros e por pescadores.
 

Era o acampamento dos sonhos. SQN.

 " Bola" levou-nos até uma área, dentro da floresta, onde existe local próprio para acampar ou passar o dia. Ele gentilmente ofereceu para nos levar no seu carro, mais uma vez nos sentimos constrangidos de ter que agradecer e dizer não, já que ele não estava usando máscara. Seguimos o gentil funcionário na nossa Branquela Viajante e nos instalamos bem próximo ao imponente Rio Paranapanema. Era o acampamento dos sonhos do José, colado no rio, isolado, pesca, banho de rio, fogueira à noite, só o barulho da água e dos pássaros! Só que não! Grrrrr!

Fogueira acessa, rio lindo...para tudo!

Quando chegamos na Floresta Municipal, eu já tinha lido na internet um comentário de moradores sobre uma infestação de carrapatos por lá. O encarregado comentou que o local ficou fechado quatros meses e que neste período as capivaras proliferaram-se muito. O motivo do fechamento, pensávamos ter sido a pandemia, depois soubemos que foi devido à infestação de carrapatos na área. Que sacanagem, não nos orientaram e nem avisaram!

Ao final da tarde, estávamos  felizes, sentados ao lado da fogueira, tomando uma cervejinha, quando José olha sua perna e percebe que está cheia de
pontinhos pretos! Olha uma segunda vez, passando a mão e... CARRAPATOS! Eles são minúsculos e quando “grudam” na pele sugam o sangue e aumentando de tamanho. Nossa sorte foi que José já conhecia do MT e os identificou na hora! Caso contrário, poderíamos ter tido um grave problema, já que são transmissores de doença. Foi uma correria! A opção foi irmos imediatamente para rio e “rasparmos” com esponja dura as pernas e braços. Em uma inspeção rigorosa, achamos dois na minha perna.  Depois de nos certificarmos que estavam todos eliminados, e não tinham entrado na Branquela, apagamos a fogueira, nos recolhemos no motohome, aguardamos o dia amanhecer para sairmos dali. À noite, ouvimos o movimento das capivaras ao lado do motorhome, ao fazermos barulho elas se jogavam no rio. Ufa! Que noite! 

Floresta Municipal de Pirajú.

Na saída, falamos com o encarregado e relatamos o ocorrido, sugerindo que tomem medidas urgentes de controle, que não autorizem mais o ingressos na área, muito menos sem avisar sobre o risco. Assim, em menos de 24h, nosso acampamento perfeito foi de água a baixo! Tudo bem, vamos em frente! seguimos para a nossa outra opção de parada, a Prainha.

Chimarrão no Camping Pedinha, represa Jurumirim.





Fica distante 17 km da cidade, então, passamos antes no mercado para abastecer a cozinha, sem fazermos grandes compras de perecíveis, pois a geladeira continuava desligando. Chegando lá vimos duas opções de acampamento: de um lado a Prainha - tipo um balneário municipal, às margens da Represa de Jurumirim -,  do outro o Camping Pedrinha, também municipal, sem estrutura de luz, com banheiros muito simples, uma barraca - que pelo visto funciona como sede da zeladoria da área e venda de lanches - ao cargo da Sra. Silvia, funcionária do município.
 Optamos por ficar no Camping da Pedrinha, achamos o lugar mais bonito e estava quase deserto. As poucas pessoas presentes sairiam à noite e ficaríamos sós, inclusive a zeladora, Silvia, que nos avisou que fecharia o portão ao sair e reabriria na manhã seguinte. Mesmo sendo área pública, houve uma taxa para pernoitarmos, fiquei na dúvida se a cobrança era  regulamentada .


Represa Jurumirim, Camping Municipal Pedrinha. Pirajú -SP.


Cenário encanta e descansa.

Conversando com Silvia, tivemos a confirmação de que a área da Floresta Municipal, onde estávamos, esteve interditada devido a infestação de carrapatos e com vários casos de contaminação, o que nos deixou indignados com a conduta dos administradores. Nós preocupados com o contágio do Covid e acabamos expostos à contaminação pelos carrapatos. Bah!

Pedrinhas! Poderia se chamar pedras grandes.


O lugar é muito bonito, cheio de pedras enormes - daí o nome, possivelmente. De um lado forma-se um paredão cheio de ninhos de pássaros e depois vai diminuindo até ficar como rochas que adentram a represa, com área plana e de areia. Foi um dia delicioso: tomamos banho, fizemos churrasco, descansamos na rede, José tentou pescar tucunaré - dizem que tem bastante ali-, ainda tomamos chimarrão, com direito a um, sempre encantador, pôr do sol! 




No outro dia pela manhã, sem tucunaré, mas com a casa e as roupas lavadas, saímos em direção ao pequeno município de Águas de Santa Bárbara - pouco mais de 6 mil habitantes. Junto com outras cidades da região, ele é considerado uma Estância Hidromineral, devido ao reconhecido poder terapêutico de suas fontes de suas fontes de água mineral. 

A Prefeitura Municipal investe neste setor, mantendo no coração da cidade uma área de 95 mil metros quadrados, que reúne vários atrativos.  O local, que fica as margens do Rio Pardo, conta com pistas para a prática de vários esportes, concha acústica, biblioteca municipal, piscina externa, banheiros, lanchonete, trilhas para caminhadas na mata, academia ao ar livre e, a cereja do bolo, o Balneário Mizael M. Sobrinho.

 Este balneário é um local fechado, e no seu interior há banheiras individuais em cabines dermatológicas, banheiras de Ofurô, sauna seca, sauna úmida, piscina interna de relaxamento. Segundo a propaganda, sua água é alcalina, radioativa, medicinal e com alto poder curativo para muitas doenças. A administração é do município, com acesso geral ao complexo gratuito, sendo pago os serviços internos do balneário.

Balneário Municipal de águas de Santa Bárbara.
Estacionamos ao lado do pavilhão do balneário, com luz e água mineral a vontade. Decidimos conhecer primeiro a área externa, então caminhamos na trilha - toda calçada, limpa - que margeia o leito do Rio Pardo. Apesar de curta a vegetação é abundante: a sombra, o ar fresco, o canto dos pássaros e o murmurinho do rio, proporcionam sensações relaxantes. Ficamos boas horas só observando e vivenciando aquele cenário!
 A tarde foi horário dos compromissos pessoais: pagar contas, ligar para os familiares, olhar opções de trajeto de volta. Com as responsabilidades sendo executadas, eu ainda  observava o movimento de pessoas nas dependências do balneário, para decidir se entraria ou não. No final da tarde, começou uma chuva forte e ficamos “presos” na Branquela.

Entrada do complexo.
Caminhada nas trilhas do balneário.
No dia seguinte fui até o prédio dos banhos medicinais, a funcionária afirmou que estavam seguindo todos os protocolos de higienização a cada uso, mas não me senti segura e decidi não experimentar os serviços.Teremos que voltar após a pandemia se quisermos usar e abusar das maravilhas destas águas. Mais uma vez avaliamos de que não tem sentido estarmos viajando, se não podemos aproveitar as atrações dos lugares. Assim, nos restou é voltarmos para a estrada! Ainda passamos na Prainha do município, com boa estrutura, mas sem permissão a entrada de carro ao local, ideal para quem deseja apenas passar o dia. Não ficamos. 
Estância Hidromineral Águas de Santa Bárbara.

Retornamos pela mesma estrada e ao passar próximo do Camping Pedrinha resolvemos entrar, já que o lugar é bonito e sossegado. Aproveitamos para pagar a Silvia, que no outro dia saíra sem a vermos e não respondia minha mensagem. Melhor assim! Aproveitamos mais um dia no local e a pagamos pessoalmente. Nos cobrou R$ 40,00 pelos dois dias e nos presenteou com ovos fresquinhos. Foi novamente muito gostoso ficar à beira da represa, tomar banho, pescar, dormir olhando as estrelas, acordar para ver o nascer do sol na água. Decididamente o lugar que mais gostamos de pernoitar nesta viagem. 

Camping Municipal Pedrinha.Pirajú- SP
Deu até banho na represa.
E nada de tucunaré...pescador frustrado mas feliz.





oh! Delícia! Só temos a agradecer.
Que tal acordar para ver o sol nascer neste cenário?

Pela manhã, sem pressa nenhuma, nos arrumamos para sair. Optamos por fazer o caminho sugerido pelo Marco: a estrada SP 139, para atravessar o Parque Estadual Carlos Botelho. O parque é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, tem uma área de 37 mil hectares distribuídos entre os Municípios de Capão Bonito, São Miguel Arcanjo e Sete Barras, no Sudoeste do Estado de São Paulo. A área de Mata Atlântica é um refúgio da vida selvagem, nas 11 trilhas existentes, se der sorte, é possível encontrar várias espécies de aves, peixes, répteis, mamíferos, além de riachos, cachoeiras e um visual lindo do mirante.Tudo isso estaria disponível para visitação, se não fosse a pandemia.

 Logo no portal de acesso do parque fomos notificados de que não estavam permitidas as visitações, permitiam atravessar de carro, mas eram proibidas as paradas. O tempo estava chuvoso, o que prejudicou ainda mais a contemplação do lugar. Mesmo assim, aproveitamos o que pudemos no bonito trajeto. Na saída do parque, logo após a portaria de controle, tem uma casa que vende queijo de búfala, aí sem dúvida paramos para conhecer e comprar. A iguaria é feita por um senhor de origem oriental de poucas palavras que guarda o segredo a sete chaves.

Antes do parque, havíamos feito uma parada, para comprarmos e comermos - na branquela - o famoso bolinho de galinha caipira, uma delícia. Também conseguimos visitar duas vinícolas e uma cachaçaria, com degustação e venda de produtos.

Parque Estadual Carlos Botelho.

Como já era final de tarde, pedimos para a família do vendedor de queijos, uma dica de onde pernoitar, sugeriram uma lanchonete logo à frente, onde compram o leite de búfala para fazer o queijo. Lá fomos nós! O casal dono do local nos autorizou a estacionar e dormirmos na rua de acesso a sua casa, ao lado do cercado onde criam os búfalos.

 Os turistas que visitam o parque tem ali como uma referência de parada. A lasanha de palmito com queijo de búfala é o prato principal da lanchonete. Compramos para comer na branquela e recomendo. Pela manhã acordamos muito cedo com o barulho das búfalas sendo repontadas para a ordenha e aquele cheirinho típico de fazenda.

Criação de búfalos. Pernoitamos ai.

Hora de pegar o rumo de casa! Agradecemos o acolhimento do casal e pegamos a estrada em direção a BR 101. Decidimos fazer um intensivo direto até em casa, desistindo da ideia original que era passar pelo litoral do Paraná. Mas, próximo de Joinville-SC, na BR 101, tivemos que parar devido a um problema mecânico na Branquela Viajante.

 A direção do motohome ficou pesada, sem mobilidade, mais uma vez vazou óleo em uma mangueira rompida. Conseguimos chegar até um posto de combustível, graças a condução habilidosa de José, onde conseguimos o telefone de um mecânico que faz socorro na região. Ligamos e combinamos ir até um ponto em Garuva-SC e após uma hora ele chegou nos levou até uma rampa e fez a troca da mangueira.Tudo certo e o recomendamos. Seu telefone (47) 997949628, atende por "Toto".

Continuamos na estrada, com chuva, sem paradas, até Imbituba, onde chegamos às 19 h. Foram mais de 800 km, 13 horas, em um dia. Ufa!  Estamos em casa e mais uma vez agradecidos!

Que passe logo a pandemia. Saúde e vida a todos!



DADOS DA VIAGEM 

Dias de Viagem: 25 dias

Km rodados: 3.300

Roteiro: Imbituba-SC, Balneário Gaivotas-SC, Caxias do Sul-RS,  São Mateus do Sul-PR, Ponta Grossa-PR, Itararé-SP, Taquarituba-SP, Avaré- SP, Pirajú-SP, Águas de Santa Bábará-SP,  Sete  Barras-SP, Imbituba SC.

Gastos da viagem:

Combustível: R$ 1.260,66

Pedágio: R$ 75,50

Camping: R$ 340,00

Mercado: R$ 817,84

Oficina:R$ 300,00

Passeios: 122,00

Compras extras:R$ 105,00

TOTAL: R$ 3.021,00


Imbituba. Nosso paraíso!


Crédito de revisão: Sâmia Daneille Neves Araújo.

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