domingo, 3 de setembro de 2023

As belezas de perto. RS e SC






As belezas de perto. RS e SC





Depois de uma programação frustrada de viajar para a "Terra do Fim do Mundo" na Patagônia Argentina, optamos por conhecer nosso entorno. Tínhamos combinado com os amigos Telmo e Luana que este inicio de 2020 seria a hora de realizar uma viagem dos sonhos, iríamos até o Ushuaia-AR e de lá até o Chile, fazendo um trajeto já famoso entre apaixonados por estrada. Sairíamos em Janeiro com a programação de ficar em torno de sessenta dias viajando. Não deu certo nosso plano. Telmo e Luana precisaram mudar a data para fevereiro e em Janeiro, quando fazia a revisão e consertos do inversor do motorhome em Caxias do Sul, José passou mal, sendo internado, novamente com crise de arritmia cardíaca. Ai restou adiar, eu disse adiar não desistir, deste projeto maior e partir para algo local, perto de casa.
Saímos diretamente do hospital, José de alta, bem estabilizado, para fazer uma volta para casa bem relex, passeando e aproveitando para rever ou conhecer lugares bem próximos e muitas vezes esquecido.

Antes de sair de Caxias do Sul, até para ter mais segurança de que José estava bem recuperado, resolvemos acampar na sede do Sindicato dos Servidores Municipais, que fica no Distrito de Fazenda Souza, interior de Caxias do Sul. Como sou servidora aposentada da Prefeitura muitas vezes já acampamos de barraca neste local, antes de ter o motorhome. Tenho belas lembranças, de banho de rio, de churrascos aos domingos, de jogos de canastra, chuva entrando na barraca, da filha pequena aprendendo a nadar, geralmente na companhia do irmão Jorge e a cunhada Simone ou da grande amiga Deysi. Quase chorei agora!

A sede tem uma área de 15 hectares, com estrutura de água, luz, churrasqueira, banheiros, piscinas, área fechada para jogos e refeições, campo de futebol, um rio que atravessa a área e para nós a cereja do bolo... o " paraíso". É como chamamos o grande lajeado e cachoeira em que se abre o Arroio Piai, após uma pequena trilha fora da sede. Amamos este lugar, aqui tomamos muitos banhos de cachoeira, brincamos, rimos, levamos quedas e além da filha ensinamos também o nosso filho emprestado, Lucas, a nadar.

Foi lindo reviver uma fase tão importante na minha vida em um lugar tão especial, que muitas memórias afetivas me trazem. Ficamos dois dias acampados, curtindo a natureza exuberante, testando a casa rodante após algumas melhorias e avaliando a recuperação de José. Tudo ok! podemos seguir. A primeira parada foi a poucos quilometros de Caxias do Sul, na cidade referência moveleira e capital do vinho na serra gaúcha, a bonita Bento Gonçalves. Nosso objetivo era visitar e pernoitar na bem conhecida Casa Valduga. Fomos muito bem recebidos, de cara encaminhados para a área destinada aos motor-home. Eles oferecem estrutura de luz, água e banheiros, mas o lugar não é para acampar e sim como apoio para um pernoite dos viajantes de passagem na região do Vale dos Vinhedos. Nós não usamos nada da estrutura, pois temos autonomia de luz e já estávamos abastecidos de água.


O lugar se denomina Complexo Enoturístico Casa Valduga e é bonito, amplo, aconchegantes e delicioso. Pela manhã fomos nos esbaldar no farto café da manhã, servido na cantina para quem está hospedado na pousada e também aberto ao público. Imagina um café abundante de iguarias deliciosas, lá tem. Boa oportunidade para provar produtos regionais como geleias, sucos, salames... principalmente produtos da tradicional culinária italiana. O custo é de R$ 37,00 por pessoa e vale cada centavo, recomendo.

Depois do café fizemos um passeio pelas dependências externas, onde é possível caminhar pelos vinhedos, colher e comer uvas (item agendado) e comprar e degustar os produtos na enoboutique (loja), especialmente os vinhos, sucos e espumantes. Fizemos um reforço no estoque de vinho da Branquela.

Não visitamos outras cantinas e vinhedos porque já conhecemos a região, inclusive prestei concurso e fui servidora na Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves de 1989 a 1997. Boas lembranças.

Para quem viajar para a região da serra gaúcha recomendo muito fazer este tour pelo Vale dos Vinhedos, conhecendo parreirais, cantinas, provando a farta culinária e muito da história da imigração italiana no Rio Grande do Sul.

Saímos ainda pela manhã em direção a outro município da região, Guaporé, famoso pela produção de joias, bijuterias e lingerie. Foi uma passagem rápida, só para compras, afinal tem preços ótimos e muita variedade destes produtos. Outra vantagem é que várias empresas estão concentradas em um único local, as margens da rodovia de acesso à cidade. Quem gosta de fazer compras vale a visita.

Dali partimos para o Município de Serafina Correia, mais especificamente para o Balneário do Carreiro ou Camping Carreiro distante 7 km da sede. O local é público e administrado pela Prefeitura Municipal. Tem uma área arborizada de acampamento, banheiros, churrasqueiras, quadras de esportes, restaurante e tudo ao lado do Rio Carreiro. Nós achamos o lugar um pouco aberto demais (livre acesso) e a área indicada para banho no rio é formada por represamento, mesmo não tendo quase pessoas, acabamos não entrando na água. Pernoitamos e passamos algumas horas do dia seguinte no camping. Uma das riquezas do mundo é a diversidade, por isso, sempre que opino digo: para nós. Então, para nós, gostamos de conhecer mas não é um local que gostamos para ficar acampados.

Voltamos para a estrada sem rumo certo, ai veio a dica da filha Gabriela, uma bonita cascata na rota que estávamos, borá lá conhecer! Chama-se Cascata da Pedra Grande, comunidade do Carrascal, no Município de Marau –RS. Fica dentro de uma propriedade particular, com área de camping e balneário aberto ao público. O local é bem bonito, mas o acesso não muito bom. São alguns quilômetros de estrada de chão e a entrada na área tem um portal que motorhome alto não passa. Nós entramos com dificuldade e nos colocamos perto da cachoeira, o lugar estava vazio e deu para escolher onde ficar. No dia seguinte começou a chegar pessoal com barraca e para passar só o dia.

A estrutura da área é básica, água, luz e banheiro muito simples. Já o lugar é abundante em água, dá para subir por trilhas pela lateral do rio por alguns metros e ir entrando em diferentes pontos do rio, sugiro fazer esta incursão. A cachoeira tem uma queda d’água intensa e larga que abaixo forma um poço onde é possível nadar. José e seu novo amigo, Tiago, da cidade de Passo Fundo aproveitaram bem. Aliás Tiago quis saber tudo da Branquela Viajante e ficou empolgadíssimo de fazer seu motorhome. (Um tempo depois nos ligou contando que tinha comprado a sua van para dar inicio ao projeto - parabéns).

Depois de dois dias no camping curtindo a bonita cachoeira, tomando banho de rio, imerso em meio a natureza, longe do barulho das cidades foi hora de troca de cenário.



Voltamos para a BR 285 rumo a Região das Missões no RS. Já tínhamos conhecido São Miguel das Missões a muitos anos atrás, mas queríamos revisitar nossa história.

Optamos por ir direto para as Ruínas das reduções jesuítica de São Miguel para assistir ao espetáculo de luz e som que ocorre a noite, com texto ,e encenação que conta a história das Missões Jesuíticas dos Guaranis, as disputas de território nas guerras Guaraníticas (principalmente após o Tratado de Madri), como foi a batalha onde foi morto o índio Sepé Tiaraju, líder dos indígenas, do extermínio dos indígenas e o fim das reduções. Quem estiver na região não deixe de assistir, é uma aula de história.

A região é conhecida como dos Sete Povos das Missões e engloba sete municípios onde se encontram vários sítios arqueológicos, museus, objetos originais das antigas reduções e dos povos guaranis. É uma bela escolha para um turismo cultural.

Nosso pernoite foi no próprio estacionamento do Complexo da Redução Jesuítica de São Miguel e foi muito tranquilo. A cidade é pequena e segura. Íamos dar uma esticada até Bossoroca para conhecer a terra do querido Olívio Dutra, logo na saída nos informaram que a estrada estava péssima, ai desistimos de tentar dar aquele abraço no admirável político bigodudo. No dia seguinte partimos em direção ao nosso próximo destino, a maior queda longitudinal do mundo. É o Salto Yucumâ que fica dento do Parque Estadual do Turvo na cidade de Derrubadas-RS

A cidade tem a Rota Turística Caminhos de Derrubadas onde é possível fazer turismo rural e de aventura, visitando propriedades rurais típicas e as mais de cinquenta cachoeiras da região.

Chegamos na cidade tarde e fomos direto para o Parque Estadual do Turvo (onde é o ingresso para o salto). Pegamos o último horário mesmo tendo menos tempo para ficar no Parque (fecha às 17h) porque nos dois próximos dia não abriria. Ufa! foi na sorte. Fica a dica: Parque abre de quinta á segunda das 8h às16h.

O parque é a maior Unidade de Conservação do Estado do Rio Grande do Sul, com 17.000 ha de mata, onde existe uma diversidade enorme de fauna e flora preservadas. Na recepção tem uma exposição com informações, fotos, vídeos, animais empalhados, onde se tem uma ideia principalmente dos animais que vivem no parque. Tem onça pintada, anta, harpia, lobos, aves... difícil é cruzar com um. O valor do ingresso é R$ 20,00 normal e R$ 10,00 idosos e estudantes.

A distância da recepção até o salto é percorrida parte por uma pequena estrada de chão aberta na mata. È obrigatório parar no estacionamento e acessar o salto a pé, numa tranquila caminhada de 10 minutos. Ao todo a distância é em torno de 15km. Este deslocamento em si já é uma ótima pedida, você vai rodar no meio do parque torcendo para encontrar um dos bichos que habitam ali.

Chegando propriamente no Salto de Yucumâ você terá uma linda surpresa. Não tem como olhar e não soltar um suspiro e dizer...Que lindo! A imagem é surpreendente e encanta.

São quase 2 km de extensão de água caindo tipo cachoeira horizontal, que poderá estar mais alta ou baixa, conforme a cheia do Rio Uruguai. Eu explico: se o rio estiver com muita vazão da água as quedas ficam menos visíveis, podendo inclusive desaparecer. Esta mudança ocorre tanto por causa natural, chuvas, como pela abertura ou fechamento da barragem Foz de Chapecó. Tivemos a maior sorte, as quedas estavam com 12 m de altura, um espetáculo.

Ficamos caminhando pelo leito do rio, na margem oposta, onde se fica em frente às quedas e até arriscamos entrar na água em um dos “desvios” que o rio faz. Mas não é aconselhável e nem aceito pelos guardas florestais, só fizemos porque foi em um espaço visivelmente seguro. Estávamos praticamente sozinhos no local, havia outro casal que estava bem distante. 
  Ao sentarmos nas pedras admirando as fortes corredeiras vimos vir subindo pelo rio um Barco com turistas. Lógico que gritei para eles que queria ir no barco. Eram hermanos Argentinos e responderam! Vem para a Argentina! Adivinha se não fui mesmo? Já conto rapidinho. 
  O Rio Uruguai, naquele ponto, é divisa do Brasil com Argentina. Assim como as Cataratas do Iguaçú, aqui também este espetáculo da natureza é acessível pelos dois países. E também aqui, como lá, do lado Brasileiro se olha o espetáculo de frente, enquanto pelo lado Argentino é possível ir de barco e literalmente encostar a mão nas quedas. Fiquei toda a volta para o carro “matutando” como iríamos fazer isso. 
  Quem nos deu a dica foi o senhor que dirigia o carro do parque para o deslocamento de grupos. Nos contou que era possível ir de carro até a aduana na fronteira, de lá atravessar de balsa para a Argentina, da fronteira até o local onde saiam os passeios tinha asfalto e não seria tão longe. Ficamos empolgados!
  
  Já chegando o final da tarde os guardas passaram avisando para sair (O Parque fecha às 17:00 ), pegamos a Branquela e nos dirigimos até a portaria para olhar o material de divulgação e educação ambiental que não assistimos ao entrar devido horário. Dali fomos até a Posto Informação Turística para ver opções para pernoitar. A cidade de Derrubadas é pequena mas tem dois balneários onde é possível acampar e se hospedar em cabanas. Optamos em ir até uma das 54 cachoeiras da região, a Barasuol, que fica bem próxima da cidade.

Estacionamos ao lado da cachoeira em uma área pública, mas após falar com o dono das terras vizinhas. Segundo ele era tranquilo pernoitar ali. A cachoeira é bonita mas não tivemos como explorar porque já estava anoitecendo quando nos instalamos. José fez uma fogueira e assou uma carne enquanto olhávamos o lindo céu estrelado. Eu confesso que não me senti tão segura pois era muito perto da estrada e passava carros seguidamente. Mas ok deu tudo certo.

Saímos cedinho queríamos chegar logo na Argentina para aproveitar ao máximo o passeio. Da cidade de Derrubadas até a fronteira são em torno de 70 km. Ali é necessário passar a balsa, trajeto curto, e com travessia contínua, muito tranquilo (custo de R$35,00).

Lembrando que para ingressar na Argentina de carro é necessário ter a “Carta Verde” (seguro obrigatório), dois triângulos, extintor, cambão, kit primeiros socorros. Já temos estes equipamentos na Branquela como padrão, mas a Carta Verde é feito na véspera e resolvemos ir sem para fazer na fronteira. Não conseguimos lugar para fazer e ai foi arriscar e pegar a balsa sem o documento.

Para nossa sorte na aduana Argentina fomos muito bem recebidos, e quando falamos que seria só um bate e volta para fazer o passeio de Barco nos autorizaram ir sem a Carta Verde. Ufa! Valeu hermanos.

A cidade do lado Argentino da fronteira se chama El Soberbio, fica na região da Missiones. Já o salto fica no Parque Provincial Del Moconá e recebe o nome de Salto Del Moconá. O acesso se dá por via asfaltada, de pista simples e absolutamente encantadora devido às inúmeras borboletas que voam fazendo um lindo balé na pista. São 65 km de um dos caminhos mais gostoso que já rodamos com uma linda paisagem e a alegria de ver aquelas borboletinhas nos acompanhando.

Chegamos ao estacionamento do parque que tem boa estrutura, com restaurante, banheiros, área de descanso e estacionamos, para saber mais informações. É possível seguir de carro e ir mais 700m de carro e chegar mais perto da saída dos barcos, foi o que fizemos.

Tivemos sorte, teria uma saída dentro de poucos minutos e lá fomos nós. O custo é de R$ 60,00 por pessoa e pode ser pago em reais. São vários tamanhos de barcos, mas todos eles tipo botes para passeios coletivos. O passeio dura pouco menos de uma hora e é emocionante. Dependendo do piloto pode ter mais ou menos emoção. Eles sobem o Rio Uruguai passando as fortes corredeiras e chegam bem próximos à queda d’água, preparem-se para um banho delicioso (sugiro usar roupa confortável e que possa molhar). Nós estávamos em cinco pessoas mais o piloto e a experiência foi maravilhosa.

Tanto que quando voltamos para o ancoradouro saímos do barco eu fui direto pedir para repetir. Negociações feitas, desconto concedido (40%) e lá fomos nós fazer em replay. E o segundo foi tão bom quanto o primeiro.

Voltamos para a fronteira e na volta ao fazer os trâmites de regresso (Obrigatório dar entrada e saída do país, caso contrário terá problema em uma próxima viagem) o funcionário lembrou que havia nos liberado sem a Carta Verde com o compromisso de voltarmos ao final da tarde. Valeu hemanos II!

Dali partimos para nosso próximo destino a 138 km de distância, Ametista do Sul, cidade das minas e das pedras ametistas. Chegamos tarde e fomos direto para o Complexo Belvedere Mina, Ali tem um belvedere que proporciona uma bela imagem do vale e também uma das minas ativas aberta à visitação (São duas), além do restaurante subterrâneo que fica dentro da mina. 

Como estava tarde acabamos ficando pernoitando no próprio estacionamento do complexo e aproveitando a noite para jantar no maravilhoso restaurante que fica literalmente dentro de uma mina ativa. O lugar além de comida muito boa é para encher os olhos de beleza, todas as mesas, o bar, a decoração é feito em pedras semi preciosas da região. Cada mesa é uma obra de arte. O Custo da janta, alacarte, foi de $ 100,00 casal. Tem também no mesmo espaço uma loja com joias, bijuterias e artesanato feito em pedras onde é possível comprar produtos locais ( mas sugiro fazer compras nas lojas fora, são mais baratas).

Como pernoitamos ali no dia seguinte não pegamos fila e tivemos o privilégio de fazer a visitação sozinhos na mina. Fomos guiados por um dos sócios do empreendimento e pioneiros neste projeto, além de um apaixonado pelo que faz. No tour o visitante é levado por varias galerias, conhece o processo de extração da pedra quando encontrado o veio, e ainda assiste a uma explosão na mina. O nosso guia e o mineiro que fazia a demonstração se empolgaram com nosso interesse e nos convidaram para fazer a detonação. Foi muito legal. Uma aulinha básica, equipamentos de segurança colocados e... Booooom! A explosão é muito forte e a impressão é que ocorre dento do nosso corpo. Intenso! Como nossa visitação passou bastante do tempo programado os seguranças entraram na mina, com sirenes ligadas, para ver se estava tudo bem. Ok só empolgação nossa e dos guias. Custo da visita R$ 20,00 por pessoa.

Dali partimos para visitar a Igreja da cidade que também é toda revestida internamente de pedra ametista. Uma obra de arte, imperdível a sua visitação, mas atenção cobram um pequeno ingresso e para tirar fotos outro valor. Ao lado tem a pirâmide esotérica que eu pessoalmente gostei mais ainda. É toda de vidro, pedra e cristais, no seu interior é possível sentar no seu centro e deixar rolar o que a sensibilidade de cada um puder captar. Dizem que a ametista é uma pedra de grande poder energético, eu aposto que sim.

À tarde fomos conhecer outra atração, o Ametista Parque Museu. Ao contrário do Belvedere neste local a mina é desativada e o tour na antiga mina é feito a bordo de um carinho elétrico. Saindo da mina, mas ainda no complexo, tem um restaurante subterrâneo, uma micro cervejaria e um museu. O ingresso custa R$ 20,00 por pessoa e o tempo médio é de duas horas.


Depois foi hora de um passeio pelas ruas e lojas da cidade. São várias opções, sendo o shopping das pedras o que tem maior variedade, pessoalmente gostei de comprar nas pequenas lojinhas próximas das minas.

Final da tarde pegamos a estrada novamente, agora nosso destino é a pequena cidade de Treze Tílias- SC. È conhecida por sua forte influência austríaca e charmosa arquitetura. O Museu Municipal (castelinho) fica em um destes prédios cheios de história, foi construído em 1934/36 e servia de residência do Ministro Andreas Thaler, um responsável pela colonização.

Depois de dar uma volta pela cidade para apreciar a arquitetura de influência austríaca. fomos até o parque Lindendorf onde esta reproduzida a cidade em miniaturas. Estava fechado ai estacionamos na frente e fizemos aquele almoço gostoso na Branquela. Para sair do parque tem um morro bem forte, como tinha chovido e o calçamento estava molhado foi impossível subir com a Branquela. Resultado, passamos um sufoco para voltar de ré e tivemos que dar uma enorme volta para achar outro caminho. Fora o susto tudo certo.

Passamos ainda na cervejaria artesanal Bierbaum para degustar e comprar as cervejas que são bem conhecidas e apreciadas e segue padrões alemães na fabricação. Aproveitamos para comprar cervejas para presentear a filha e o genro. Também fizemos uma passagem na vinícola Kranz para comprar vinho que ninguém é de ferro para resistir. Para quem pretende conhecer a região sugiro se programar para ir nas datas das festas regionais que dizem ser legal.

Satisfeitos com este passeio decidimos pegar a estrada novamente, agora já em direção ao litoral, onde moramos. O trajeto? A famosa e emocionante Serra do Rio do Rastro. Queríamos chegar lá antes da noite e pernoitar no lindo mirante, para acordar com aquele cenário maravilhoso a mais de 1.400 m de altitude. Mas quem anda na estrada já sabe que nem tudo ocorre conforme o desejado. Chegamos perto do mirante estava anoitecendo e simplesmente não vimos a entrada tamanha era a nebulosidade (aqui chamamos serração e quando ela chega torna invisível todo o entorno). Estava impossível ver a mais de dois metros à frente, que sufoco!
 
Resultado, tivemos que ir descendo a serra muito lentamente, “procurando” a estrada e as curvas até encontrar um acostamento à esquerda. Quando avistamos entramos, e o local era também um estacionamento de um restaurante/café. Decidimos não manobrar para retornar ao mirante porque estava muito perigoso trafegar sem visibilidade. Falamos com a proprietária que nos autorizou e pernoitamos ali mesmo. Pela manhã, depois de uma noite de chuva contínua, aproveitamos para tomar nosso café no restaurante e agradecer a acolhida. Não foi desta vez que acordaríamos no famoso mirante da Serra do Rio do Rastro.

Alimentados e mais tranquilos já que a chuva parou e a neblina se dissipou nos preparamos para descer os 12. km de curvas acentuadas, sem acostamento, com locais onde se torce para não encontrar outro veículo, especialmente caminhões, porque parece que não será possível um não “despencar” daqueles paredões. É sempre emocionante e lindo descer esta serra. No total até a cidade de Lauro Muller são 25 km. No final da descida ao lado de uma das lanchonetes da base da serra estavam montando, em teste ainda, um simulador de voo em 3D, para fazer uma "Viagem no escuro” voando pela serra. Lógico que eu decidi experimentar e foi muito gostoso e provavelmente cômico para José que ficou ouvindo meus gritos e movimentos bruscos a cada curva ou paredão que eu " via" à minha frente.

Já era próximo ao meio dia e optamos de ir até outra cidadezinha charmosa da região e no nosso trajeto de casa, Nova Veneza, no vale italiano de SC e inspirada na famosa cidade italiana de Veneza. Eu tive o privilégio de conhecer Veneza (a italiana) em Junho de 2012 em pleno “Carnevale di Venezia” e desde então sempre tive curiosidade de conhecer sua coirmã brasileira. É bem pitoresca, tendo como principal atração a gôndola recebida de doação da cidade italiana. Ela fica na Praça Humberto Botoluzzi, em um pequeno lago artificial, no centro da cidade e os visitantes podem entrar, fotografar, inclusive junto com os funcionários vestidos a caráter como os gondoleiros. È divertido e também um clássico mico de turista.

Estão concentrados ali bem perto ainda a Ponte dos Namorados “Ponte dei Morosi” (para aquela foto dos apaixonados colocando o clássico cadeado), o Museu (história da imigração italiana), as lojinhas de souvenir (como as bonitas máscaras inspiradas nas venezianas), os casarios antigo. Vale ficar pelo centro passeando a pé e curtindo cada cantinho, foi o que fizemos. Outra atração da cidade é a gastronomia italiana, são vários restaurantes especializados em comida típica e preços razoáveis. Um lugar que não fomos é o Santuário de Caravágio, dizem ser bonito e muito frequentado pelos devotos.

Foi nossa última parada, agora já estamos chegando ao litoral de SC, nossa amada morada. Um trajeto que normalmente faríamos em cinco horas, Caxias do sul - Imbituba, levamos onze dias. Hahahah. Muito nós!

Gostamos muito de conhecer belos lugares, tão próximos, especialmente porque muitas vezes buscamos longe o que temos perto e não percebemos ou valorizamos. Mas como não somos bairristas e não gostamos de fronteiras a dica é “Longe ou perto, de casa ou do estrangeiro, não importa, tudo tem seu valor quando toca nosso coração e encanta nosso olhar”

Ushuaia, não desistimos de você, até breve!

Abraços.

Gratos por mais esta oportunidade.













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