quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Nordeste brasileiro, enfim chegou a vez desta região tão especial.



Para facilitar a leitura e auxiliar na pesquisa de locais específicos, vamos dividir o relato por estados, incluindo também os que não são da região nordeste, mas fizeram parte do trajeto.


MINAS GERAIS.

Depois de uma tentativa frustrada, e de alguns ensaios, lá vamos nós rumo ao nordeste brasileiro. Será uma viagem com o parceiro Maurício. Lembram dele na caravana “parceiro é parceiro” ? Então... retomamos a parceria, agora em dois motorhome.

Saímos dia 09 de Agosto de 2021 de Florianópolis, aproveitando o momento de aparente controle da pandemia do covid-19 e após eu, José e Mauricio estarmos com as três doses da vacina feitas. A combinação foi de fazer o roteiro durante o trajeto, como referência tínhamos alguns lugares previamente combinados.


 Já na saída tivemos que parar para consertar a parte elétrica do banco do motorista da Branquela, tudo bem foi rápido, logo seguimos direto até oposto de combustível “O Fazendeiro” em Curitiba onde foi nosso primeiro pernoite. Atravessamos PR, SP e chegamos até nosso primeiro “acampamento” no Complexo do Ganso, em Lambari, na sempre acolhedora Minas Gerais. O lugar é muito gostoso, tem boa estrutura de piscinas, restaurantes, hotel, pesque e pague. A área para motorhome é no estacionamento, com água, luz, banheiros e descarte de detritos. A diária é R$ 40,00 por pessoa e pode usar toda a estrutura do parque. 

Ficamos dois dias ali, aproveitamos pouco a piscina porque não queríamos ficar com outras pessoas devido à pandemia, mas conseguimos fazer caminhadas e visitar o Parque Estadual Nova Baden com suas trilhas e cachoeiras. Ficamos devendo ir até o famoso Palácio do Cassino e nas fontes de águas minerais gasosas do Parque das Águas, no centro da cidade. Uma curiosidade: eu levei um grande susto quando descobri que as formigas cortadeiras atacaram meu vaso de manjericão que carrego com todo carinho e o destroçaram.

O próximo destino, ainda na região da Serra da Mantiqueira, é São Tomé das Letras-MG conhecida por seu clima místico e estilo alternativo. Já dando spoiler: para nós não foi uma boa experiência! Chegamos tarde e fomos direto a procura do camping do Robinho, era nossa indicação. O acesso é por uma estrada de terra, estreita e íngreme o que deixou-nos preocupados já que o tempo indicava chuva. Chegando lá descobrimos que estavam reformando a entrada e o carro do Maurício, por ser maior, não conseguiria entrar. E agora? Tentamos o Camping do Jonh, logo à frente, mas também com acesso ruim e relação pouco amigável.

 Estava escurecendo e caindo os primeiros pingos de chuva, ficamos com medo de não conseguir subir com os motorhome na estrada molhada, aí foi aquela correria e estresse o retorno até o centro da cidade. Paramos no portal, tiramos umas fotos do belo pôr do sol e a pedido do Mauricio decidimos não ficar na cidade. Mais uma cidade que ficou na lista para voltar, se possível com outro astral. O jeito foi dormir em um posto de gasolina na BR 381, próximo a Três Corações.



Na manhã seguinte cedinho partimos para Tiradentes, uma das cidades históricas de MG que tínhamos deixado para trás na viagem anterior - ver no blog este relato -. Paramos no estacionamento público ao lado da rodoviária que é um ponto de apoio para motorhomes. O “cuidador” abre uma corrente e mostra o ponto de água e luz e lógico espera uma recompensa. Ficamos quatro dias no local e foi muito tranquilo, super central, barato, enfim uma boa pedida. A cidade eu amei! Andei muuuito por suas ruas de calçamento com pedras irregulares - haja pernas e preparo - casarios e morros. O charme é exatamente este ar nostálgico, dá para se sentir em outro tempo. Além da parte histórica a cidade oferece um clima festivo com restaurantes e bares lotados.


 
Eu que sou apaixonada por história fui fazer o tour guiado (no modelo Free Walking). Dura duas horas e passa em todos os principais pontos turísticos com bastante informações, curiosidades e até pegadinhas. Aqui conheci a paineira, uma linda árvore que tem " chumaços" tipo algodão nos seus  galhos.
 Nos outros dias visitamos vários pontos turísticos: fomos ver a partida do trem para São João Del Rei; fizemos a “trilha dos carteiros”; subimos até a Igreja São Francisco de Paula para assistir o pôr do sol com uma vista panorâmica da cidade; enfim caminhamos bastante pela cidade descobrindo seus cantos e encantos. 
Também fomos conhecer, daí de carro, São João Del Rei. 
Acabamos entrando em ruas super estreitas e como o  motorhome do Maurício é grande foi um sufoco sair. Decidimos estacionar mais longe do centro e eu fui sozinha, caminhando, visitar os pontos turísticos do centro histórico. Fui no pelourinho, Cemitério do Carmo, algumas igrejas, Museu das Armas, Museu da Casa Real, Teatro Municipal, Sobrado dos Neves, largo do Tamandaré, ... Ufa! foi cansativo mas também um” banho” de história do Brasil, em especial  da época colonial. 

Outro passeio que gostamos muito foi ao Distrito de Bichinhos, que apesar de ficar perto de Tiradentes pertence ao município de Prado. É uma pequena vila repleta de arte, cada cantinho tem um artesão trabalhando, uma loja de antiguidade, um artesanato regional, tudo de bom gosto, segundo minhas referências. Uma das atrações é a “casa torta” e literalmente é torta. O artista foi criativo, ficou interessante e divertida!

Depois de cinco dias usufruindo das riquezas arquitetônicas e culturais, desta região histórica, mudamos radicalmente de rumo. Hora de buscar aventura e lá fomos nós para Carrancas - cidade das cachoeiras. Ficamos no Camping “Sossego de Jeca”, bem central, pequeno, mas com a estrutura necessária. Diária de R$ 30,00 por pessoa, com água, luz, cozinha comunitária e banheiros. Dali partimos para os passeios que optamos em fazer com nosso motorhome, deixando o do Maurício no camping. Ficamos dois dias e deu para conhecer o Complexo Zilda, Cachoeira do índio, cachoeira do escorregador, Cachoeira da fumaça e cachoeira esmeralda. Faltou a “Racha da Zilda” que estava fechada e só tem acesso com guia, pois para acessar entra nadando pelo rio. Para quem curte turismo de aventura - nosso caso - é uma boa pedida e ficou um gostinho de queria mais tempo ali. Para finalizar pretendíamos assistir o pôr do sol no mirante da entrada da cidade e talvez pernoitar ali. 

Não rolou! Maurício achou que seu motorhome teria dificuldade de trafegar pela estreita e esburacada estrada de terra de acesso ao mirante e nós optamos em não deixa-lo sozinho no camping. Tinha um casal de Florianópolis, em uma camper, que quando chegamos estavam se preparando para seu segundo pernoite no mirante: top!

Ao sair do camping - saída bem ruim - o carro do Maurício raspou por baixo em alguma pedra e a luz do liquido do freio acendeu. Paramos perto da ponte do Rio Grande - BR 265 em Nazareno e José tentou um conserto, viu que a luz acessa era a tampa do óleo que tinha rachado e fez um “remendo”. Enquanto isso eu aproveitei para comprar gostosos defumados no ”Real Defumados” produzidos ali. Saímos com a intenção de chegar até Ouro Preto, mas paramos em São João Del Rey e Congonhas para tentar comprar a tampa do óleo e nada deu certo, não encontrava a peça, o trânsito estava péssimo dentro das cidades e então mudamos os planos. Maurício fez contato com a concessionária da Iveco em Betim-MG e agendou uma revisão. Dormimos em um posto de combustível na entrada de Congonhas na MG 40 para sair cedinho rumo a Betim. Lá fomos nós, adeus Ouro Preto!

Na concessionária passamos o dia aguardando enquanto faziam a revisão do carro do Maurício, com a troca da tampa que rachou e troca de um pneu que furou no trajeto entre Congonhas e Betim. Enquanto esperávamos fiz pesquisa de lugares para visitar na região e contato com parceiros de grupos de motorhome moradores de MG. O resultado foi que no final da tarde quando nos liberamos estava a nos esperar o parceiro Melgaço, morador de BH, dono de um MH feito em uma Master e nosso novo amigo. Levou-nos até BH em um estacionamento muito amplo - antigo pátio da concessionária Fiat - onde outro motorhomeiro, Rochinha, oferece como apoio para viajantes. Mais um amigo de estrada que fizemos e a certeza da já famosa hospitalidade mineira.

 Foi uma grata surpresa! Dentro de BH, onde não há campings e locais para pernoite, receber esta ajuda foi um presente. Muito Obrigada amigos! Acabamos ficando mais dias porque nossa Branquela também resolver adoecer - a mangueira do radiador rachou e vazou o liquido, o que poderia ter fundido o motor. Tudo se resolveu mais uma vez com a ajuda do amigo Melgaço que indicou e agendou com seu mecânico, Léo, ótimo profissional, recomendamos e agradecemos muito.

Nestes dias que ficamos em Belo Horizonte/Contagem não foram só oficinas e consertos. Passeamos com o amigo Melgaço pela capital mineira - mercado público, Praça da Liberdade, mirante..., trocamos muitas ideias, regadas a cachaça, queijo mineiro - tipo "joaima" - e outras delícias ao redor dos MH, fizemos rodada de pizza, lavamos roupas, revisitamos a Pampulha, ... Ainda deu tempo para fazer dois tours pelas cidades vizinhas de Sabará e Lagoa Santa. Esta ultima não achamos interessante, fomos sozinhos, demos uma volta de carro pela cidade, estacionamos ao lado da famosa lagoa - que estava suja e cheia de fezes de capivara na margem - fizemos um lanche e partimos. 

Já de Sabará gostamos bastante, é um museu a céu aberto cheio de obras de grandes artistas, entre eles Aleijadinho. Passamos o dia lá, visitamos a Igreja do Ó (que tem características orientais), fomos até a localidade de Pompeu, referência na gastronomia regional, onde comemos um delicioso feijão tropeiro na área externa de um restaurante bem original. São vários restaurantes charmosos e com variada opções de cardápio, sugiro dar uma conferida por lá, de preferência durantes os festivais gastronômicos da Jabuticaba e da ora-pro-nóbis. Na igreja Nossa senhora do Rosário, inacabada apesar de ter 120 anos, o charme fica por conta das bandeirinhas que tremulam no pátio externo. E não poderíamos sair sem provar e comprar os produtos a base de jabuticaba. Foi vinho, licor, geléia, doce, um melhor que o outro. 

Um alerta para os visitantes de Sabará é que há algumas ruas muito estreitas que impossibilitam a passagem de carros grandes. Voltamos para BH no final da tarde, novamente no estacionamento de apoio, a tempo de chamar uma rodada de pizzas e saborea-las na companhia dos nossos amáveis anfitriões, Rochinha e sua esposa. Obrigada parceiros!  

Depois de uma semana na capital mineira, partimos para Brumadinho-MG, mais precisamente para o Instituto Inhotim, considerado o maior museu a Céu aberto do mundo. Para eu e José que já conhecíamos foi um replay de algo que nos encanta. Maurício fez sua primeira visita.

 O lugar é simplesmente um dos locais com a natureza mais exuberante e harmônica que já fomos, além de ter um enorme acervo de arte contemporânea, distribuído em vários espaços que se “escondem” no meio do vasto Jardim Botânico. É um local imperdível para quem deseja conhecer as belezas de Minas Gerais e aprecia arte e natureza.

 E prepare-se para caminhar porque é passeio do dia todo, mesmo assim é impossível conhecer todas as atrações em um único dia. Dica: não vá sem comprar os ingressos antecipadamente pela internet já que a entrada é limitada. 



Para os motorhomeiros  como nós a dica é pernoitar no estacionamento do “Restaurante Fazendinha” as margens da rodovia de acesso, alguns quilômetros antes do Instituto. Ele oferece, além do pernoite, um ótimo cardápio de refeições. Os caldos quentes são deliciosos.


Seguindo viagem ainda pela manhã partimos para nosso próximo destino, desta vez outra cidade histórica de MG, a charmosa Diamantina. A cidade faz parte da Estrada Real e é marco zero do Caminho do Diamante – usados para escoar as riquezas extraídas da região para o Rio de Janeiro, sede da coroa. Chegamos ao final da tarde e mais uma vez tivemos dificuldade no deslocamento pelas ruas estreitas, íngremes e de calçamento irregular próprio das cidades do tempo colonial. Optamos por estacionar em um posto de combustível na entrada da cidade e se deslocar só com nossa Branquela, deixando o MH do Maurício parado. Foi uma ótima ideia porque com a Van, quando tentamos, houve lugares que não conseguimos acessar, inclusive o Camping da cidade. Programamos para chegar à cidade na véspera da Vesperata - concerto noturno de bandas que se apresentam nas janelas das casas e bares da Rua da Quitanda. Era um programa há muito tempo na minha lista de desejos, mas infelizmente não deu certo. Apesar de constar no site da Secretaria da Cultura do município o evento estava suspenso devido à pandemia.

 Foi frustrante, mas tudo certo, a cidade é bonita, cheia de atrativos. Passamos três dias em Diamantina e deu para conhecer os pontos turísticos como a Casa da Chica da Silva; Antigo Mercado - onde tem a feirinha de artesanato - bem central e gostoso para sentar na praça e ficar observando o movimento; várias igrejas do tempo colonial; Casa do ex- presidente Juscelino; Casa da Intendência; o museu só por fora porque estava fechado. 

O lugar que mais gostei e recomendo é a Vila de Biribiri, que fica no Parque Estadual Biribiri, no interior de Diamantina, cercada de uma paisagem linda da serra, remete o visitante ao passado, com seu ar nostálgico e acolhedor. È uma pequena comunidade remanescente do final do Séc. XIX, que se formou ao redor de uma indústria têxtil cujas ruínas ainda estão lá. É possível fazer trilhas até o rio e as cachoeiras, mas o mais gostoso é sentar em um dos bares, restaurantes ou cafés do bucólico centrinho e só curtir a comida, o silêncio e  paisagem. 

Outra pedida é caminhar pelas ladeiras do centro histórico e quando cansar parar em uma das inúmeras mesinhas dos bares espalhadas nas ruas para curtir o cenário e beber um delicioso café. Nós fizemos isso e aproveitei para provar o bolinho de carne seca e milho, recomendo! 

Para finalizar nossa passagem por Diamantina fomos até a Cachoeira do Poço, que fica bem próxima à cidade e os jovens locais fazem acrobacias para saltar do paredão até a água, nós só na observação. A dica foi do kombeiro Marcos, um argentino que também estava pernoitando no posto de combustível – ele gentilmente nos deu vários cocos. Boas estradas Marco!

  Uma curiosidade...ou melhor, um momento nada a ver: uma da manhã acordamos com alguém batendo forte na janela do MH, assustados perguntamos quem era (pensando que poderia ser o Maurício precisando de ajuda) uma voz responde: senhor preciso de dinheiro, faço qualquer coisa!!! Passado o susto restaram muitas brincadeiras sobre o episódio.

Seguindo dicas dos sites de viajantes rumamos para a cidade de Serro MG terra do queijo artesanal - declarado Patrimônio Imaterial de Minas Gerais e parte do belo Vale do Jequitinhonha. A estrada é bonita, mas a entrada da cidade foi um pouco desanimadora porque o acesso é um morro bem forte. 

Deixamos o motorhome do Mauricio no estacionamento do Supermercado BH e subimos só com o nosso.  Estacionamos no pátio da Igreja Santa Rita, a mais famosa da cidade, passamos o dia caminhando pela parte histórica, subindo e descendo escadarias e claro provando e comprando os famosos queijos. 
Tínhamos pensado em ir até o Distrito de Milho Verde, mas acabamos desistindo devido relatos de morros ainda mais fortes.
 No final do dia voltamos ao estacionamento de supermercado e para nossa grata surpresa nos autorizaram a pernoitar nele, com direito a monitoramento de câmeras e guarda. Obrigado pessoal! 

Saímos pela manhã rumo a uma cidade que estava na minha lista de desejos -Cordisburgo. Como? Isso mesmo, Cordisburgo. E o que tem por lá? Ah! É a cidade que nasceu João Guimarães Rosa e onde ele ambienta parte de sua obra, em especial “Grande Sertão Veredas” uma obra prima da literatura brasileira.

A sua antiga casa foi transformada em museu e tem acervo com objetos pessoais e muita história. Na entrada principal da cidade esta o “Portal Grande Sertão” um monumento em bronze retratando o autor e remetendo a personagens da famosa obra, como os protagonistas Diadorim e Riobaldo. Outra dica é visitar a Gruta de Maquiné que fica distante 5 km do centro da cidade, acesso com asfalto, super tranquilo. Ingresso no valor de R$25,00 e meia R$12,00. A gruta é uma das mais bonitas  entre as que já visitamos, possui sete salões grandiosos, boa iluminação e passarelas. A visitação é guiada e pode ser agendada pelo site.

 Como o estacionamento estava fechado, devido à pandemia, fomos conversar com o guarda para solicitar permissão para entrar e pernoitar o que foi concedido. Pela manhã após a visitação da gruta fomos surpreendidos com o aviso que não poderíamos ficar no estacionamento e que terias sido “um erro” do guarda autorizar nossa entrada. 

Não convencida com o argumento da pandemia (como uma simples corrente poderia delimitar a circulação do vírus) pedimos para falar com o diretor do parque. Veio ele e o guarda que nos pediu para sair, após ouviu nossos argumentos educadamente manteve a posição. Como Mauricio estava saindo para ir ao aeroporto de Belo Horizonte buscar seu filho, Marco, eu e José deslocamos nosso motorhome para a estrada de acesso, ao lado da “corrente” de ingresso do estacionamento. Passado em torno de uma hora o diretor retornou, se desculpou, disse reconhecer nossos argumentos e revisar sua posição, assim lá fomos novamente para o estacionamento oficial da gruta

 Relatei o episódio aqui para reforçar a importância do bom e velho diálogo com argumentos e de não aceitarmos sem questionar o que nos parece errado. Fica a dica! No mais recomendo colocar Cordisburgo no roteiro e incluir o circuito das gruta


BAHIA

Pela manhã estava na hora de pegar a estrada novamente, deixamos Minas Gerais e ingressamos na Bahia. Desta vez nosso destino é super especial, vamos conhecer a nossa terceira chapada brasileira: a Chapada Diamantino-BA, já fomos às chapadas dos Veadeiros em GO e dos Guimarães no MS. Antes paramos em Curvelo-MG para reencontrar o Mauricio e seu filho Marco, o novo integrante da viagem. Dali seguimos com pernoite em Montes Claros e Vitória da Conquista, pegando trechos de estrada de trânsito super movimentado e perigoso na BR251 e BR116 o que nos estressa e foge das nossas escolhas. Tudo certo, viajar em grupo nos obriga a conciliar gostos. Ainda tivemos um pneu furado no carro de Mauricio em um trecho bem ruim.


Já no território da chapada (que se estende por 24 cidades) novamente nos separamos. Eu e José optamos por iniciar nossa aventura pela cidade de Ibiçoara-BA e Mauricio e Marco foram direto para o Camping de Mucugê-BA onde nos aguardariam. Foi uma ótima escolha, pois fica em Ibiçoara uma das atrações mais procuradas e a que mais gostamos da chapada, no quesito aventura, a ’’ Cascata do Buracão”.  Depois de estar lá sem dúvida é de tirar o fôlego e dar muitos suspiros. Já o acesso foi difícil, passamos por dentro de um riacho e circulamos vários quilômetros por uma  estrada de terra péssima, a Branquela Viajante sofreu. Valeu? Muuito! Que lugar! Para chegar na cachoeira só é possível nadando ou escalando paredões.

 Escolhemos ir pelo rio e apesar da água gelada e do medo inicial  foi maravilhoso. É obrigatório o uso de colete no trajeto do rio onde se nada entre os paredões (em torno de 700 m), que formam um desfiladeiro e ao chegar em uma  curva  ela aparece à frente, majestosa, linda. Tem a opção de fazer um segunda etapa nadando até ela ou ficar nas pedra laterais contemplando, que foi nossa escolha.

 Como o número de pessoas  no atrativo é controlado não é permitido  ficar muito tempo, mas vale cada minuto ali. Na caminhada de retorno para o estacionamento do atrativo, que dura em torno de uma hora, fomos fazendo paradas em  outros pontos do rio, também lindos, onde a contemplação e o banho são igualmente gostosos.

 O valor do atrativo é R$ 30,00 e o guia R$150,00  (obrigatório) e neste quesito um alerta: Escolha melhor que nós seu guia, foi péssimo de postura, discurso politicamente incorreto, pouco atencioso, enfim, cuidado com as placas de auto divulgação na chegada da cidade. Dica: Experimente o pastel de jaca do estacionamento da cachoeira. 

Nosso pernoite, pelo segundo dia consecutivo, foi no estacionamento do ginásio municipal de esporte da cidade - ai a vantagem de ter autonomia de energia (placa solar), água (Tanques de 280 l) e banheiro no motorhome



Pela manhã partimos para a cidade de Mucugê-Ba, onde nos aguardavam os parceiros de estrada. A parada foi no Camping Mucugê dos simpáticos proprietários Manoela e Rubens. Ficamos quatro dias na pequena e charmosíssima cidade de onde nos deslocávamos para conhecer as belezas naturais do entorno.

 Dentro do perímetro urbano, sugiro simplesmente caminhar pelas ruas de pedras enfeitadas de bandeirinhas; tomar um bom café ou chopp nos gostosos recantos; ir até o Balneário Municipal - achei um pouco abandonado -; e uma visita ao cemitério bizantino que fica bem na entrada da cidade e vale uma caminhadinha. 

O “Mini Pantanal Malibu” foi nossa opção de passeio com guia e carro do receptivo - Andarilhos da Chapada - mas teria sido possível ir de Branquela, parte curta da estrada é de terra, mas com subidas. O local é uma área de alagado onde se faz um passeio de barco, com um visual bem bonito, bastante água e plantas aquáticas que lembram o pantanal motogrossense. Foi divertido remar e fazer malabarismos com o barco. R$ 40,00 o ingresso, incluso o passeio de barco. Dali seguimos para o almoço que foi no “Restaurante Ecológico” lugar com bonito visual e que tem como especialidade o peixe tucunaré, neste dia não provamos porque estava em falta.

 Bah!Antes de retornar ao Camping ainda fizemos paradas na Cachoeira da Favela, com direito a banho de cachoeira e a exercitar um dos nossos hobbies, o "equilíbrio de pedras",  ainda ganhamos uma parada para contemplação do pôr do sol no platô do caminho.

Outro lugar que fomos e recomendo na cidade é o Projeto Sempre Viva. Fica próximo da cidade, acesso fácil, dá para incluir no roteiro o Museu do garimpo e Casa do Garimpo, ambos contam história da região à época do garimpo. Na sede do projeto com uma pequena caminhada se chega a um lindo rio com cachoeiras e um belo lajeado. Ingresso parque R$ 20,00 e na casa R$ 10. À noite eu e José fomos jantar no restaurante ”Beco da Batéia", além de bonita ambientação o ravióli é uma delícia, 

Terceiro dia na chapada, fomos conhecer o Poço Encantado e o Poço Azul, atrações com o mesmo perfil. 
No primeiro se desce uma escada de 300 degraus, pouca iluminação no interior da caverna e é só contemplação. Gostamos mais do segundo que para acessar - deixamos a branquela no estacionamento e Mauricio não quis ir e ficou nela - atravessamos um rio a pé até o receptivo. Dali com coletes e capacetes esperamos nossa vez de entrar, valeu muito a pena.  O poço fica no interior da gruta, é de um azul lindíssimo, eu, José e Marco nos deliciamos flutuando nele com nossos snookers.
 Retornamos para o Camping já era noite, pedimos pizzas para confraternizar e fazer mais uma despedida temporária, amanhã Mauricio e seu filho Marco vão para Porto seguro enquanto nós seguimos por aqui, explorando a bela Chapada Diamantina.



A próxima cidade da chapada que vamos parar é Lençóis. Já na estrada de acesso paramos no “Poço do Diabo”, um lugar lindo onde é possível caminhar por dentro do rio fazendo paradas para banho e contemplação. Nós erramos o acesso e acabamos “descendo” em um estacionamento com estrada péssima. O melhor é ficar na beira do asfalto em um dos estabelecimentos comerciais. 

Do poço fomos direto procurar local para ficar e a escolha foi um estacionamento próximo à rodoviária onde já se encontravam outros quatro motorhome. A cidade também é muito bonita, tem área histórica, natureza exuberante e arte e cultura nas ruas, que a noite se ilumina e se enche de pessoas nas mesas dos bares e restaurantes espalhados pelas ruas. Neste dia em um dos bares curtimos excelente MPB na voz de Ritta, artista local. Ainda em Lençóis sugiro fazer a caminhada pelo belo “Lajeado Serrano” dentro do Parque da Muritiba, que fica muito próximo da cidade e proporciona a cena cinematográfica das mulheres lavando roupas direto no rio, estendendo-as pelo lajeado e caminhando com as bacias cheias de roupas equilibradas na cabeça. No Serrano também é possível visitar os salões de areia colorida, o poço haley e a cascatinha, desde que esteja disposto a uma boa e deliciosa caminhada.

 

Mas para nós a cereja do bolo da chapada foi o Morro do Pai Inácio, tanto que não tive dúvida em ir duas vezes. Apesar de mais próximo a Lençóis, pertence ao município de Palmeiras e o visual é incrível, dá para ver o entorno com suas montanhas e vales em 360 graus.

 E o pôr do sol então!  Imperdível!  O dourado contornando o cenário é para encantar os olhos e sentir gratidão por estar ali. Dá para estacionar ao pé do morro e encarar a subida até o platô - em torno de 500 metros -, que inclui degraus, escalar pedras e pequenas trilhas, tudo de baixa dificuldade.

 Lá no alto os formatos das rochas e morros aguçam a imaginação, tem coração, totem... e olhando do asfalto é possível sim ver o formato de um camelo em uma das montanhas. Uma dica é levar um agasalho, especialmente no final da tarde, hora mais visitada, faz um friozinho. Para subir não precisa guia e o ingresso de conservação é baratinho R$ 12,00.

 Nós ainda tivemos o privilégio de pernoitar olhando este incrível cenário coberto pelas estrelas, bastou estacionar a Branquela na rua, próximo a Pousada do Pai Inácio e se deliciar com a experiência.


Próxima parada: ainda na chapada, agora no município de Iraquara é a vez da Fazenda da Pratinha, onde ficam a Gruta da Pratinha e a gruta Azul. É uma propriedade particular que tem várias atrações.

 Na gruta Azul é uma caminhada para contemplação. Já na Gruta da Pratinha tem tirolesa, pedalinho, massagem, flutuação, balneário no rio e restaurantes. Como fomos os primeiros a chegar optamos por fazer a flutuação logo, portanto sozinhos na gruta, foi ótimo. É uma cavidade enorme com água subterrânea transparente onde se observa acima o teto com estalactites, e abaixo as formações rochosas do fundo, além dos peixes que neste dia estavam bem sumidos.

 Passamos o dia ali, mas ficamos mais reservados, pois estamos ainda em tempos de pandemia. Optamos por repetir o pastel de jaca e experimentar o suco de siriguela, que degustamos na branquela. O brinde do dia  foi “ganhar” o direito de pernoitar no estacionamento - não usual - e assim depois que todos se foram voltamos ao rio para curtir a paz daquele lugar. Valeu! O ingresso é R$ 60,00 e a flutuação o mesmo valor.

Pela manhã tomamos café, agradecemos a gentileza do pernoite e partimos rumo ao próximo atrativo, a Gruta da Lapa Doce. Fizemos em torno de 10 km de terra e passamos por uma vila que amei, com suas casas simples e pinturas tipo grafite nos muros e painéis, chama-se Santa Rita. A Gruta da Lapa Doce é enorme, 42 km, mas só é permitido andar por 1500 m e com guia. São vários salões, formações rochosas, estalactites e estalagmites, sendo que na saída, quando a luz natural penetra na abertura aparece o formato de um coração, segundo o guia Sérgio é o agradecimento dos guardiões pela conservação do lugar. Ingresso R$ 40,00.

Voltamos para a estrada, erramos o caminho e trafegamos uns 30 km por terra. Tudo certo assim conhecemos um pouco mais o interior da Bahia. Retornamos para o asfalto e seguimos até acidade de Palmeiras. No caminho paramos para almoçar, eu comi uma gostosa galinha caipira enquanto José provou carne de bode - só para conhecer mesmo -. Chegamos na pequena cidade, buscamos informações sobre o Distrito de Guiné onde fica a Cachoeira da Fumaça, muito recomendada por sua beleza.

 Acabamos desistindo de ir porque o acesso era difícil e o tempo estava indicando chuva, poderíamos ficar empenhados por lá. Decidimos voltar e passar pelo distrito de São João de Palmeiras para comprar os Doces artesanais D’Alfa, valeu a dica Gabi, muito bom o doce de licorí com banana. Também ficamos devendo fazer a travessia do Vale do Pati, receosos de não conseguir fazer os três dias de caminhada, dormindo na casa dos nativos e, segundo relatos, um verdadeiro mergulho na natureza e uma imersão interior.

Acabamos voltando até Lençóis e aproveitamos para novamente curtir a noite movimentada e alegre da cidade. Pela manhã seguimos para Mucugê com objetivo de usar a estrutura do camping para reorganizar o motorhome, afinal estamos passeando com uma casa, tem roupa para lavar, limpeza para fazer, antes de partir da chapada para o litoral da Bahia.

 Nosso projeto era ir direto para Ilhéus e Itacaré, mas acabamos pegando orientações erradas, fizemos muitos quilômetros de chão até parar para pernoite no Posto Carvalho na BR 116 próximo a Jequié. Quem está na estrada sabe que mudanças de projeto são constantes, então fomos parar em Serra Grande-BA, no Camping Paraíso, que fica na Praia do Sargi. Boa escolha! Pé na areia, visual lindo de mar e rochas e uma ótima (e cara) moqueca de banana no restaurante interno. Preço da diária R$ 60,00. Ali conhecemos o casal Loreni e Janira motorhomeiros das antigas, simpáticos e parceiros de causas em comum. Descansamos, curtimos um bom papo e fizemos boas caminhadas nos dois dias desta parada. 

Despedimo-nos dos novos amigos e rumamos até Canasvieira, mais uma cidade aconchegante do litoral da Bahia. Estacionamos na avenida beira mar, mas achamos muito deserta para dormir sozinhos e acabamos estacionando a Branquela mais no centro, perto de um mercadinho cujo dono e sua família foram todos conhecer nossa casinha e oferecer um gostoso churrasquinho.

 Cedinho fomos estacionar na beira mar para curtir o cenário durante o café da manhã, ali conhecemos outro casal, moradores da cidade que tem uma Kombi home e também foram tomar seu café matinal a beira mar. Coisas de quem gosta desta vida andarilha mesmo. Nos “levaram” para sua casa, nos apresentaram a cidade e nos fizeram prometer um retorno.

Tínhamos programado chegar à Porto Seguro no dia do aniversário do Mauricio e assim fizemos. Ele estava no Camping Mundai (diária de R$ 70,00) com seu filho Marco, desde que nos despedimos na chapada. Depois de uma parada no caminho para o primeiro acarajé, chegamos 16 h com bolo e  parabéns. 

Estacionamos ao lado, contamos nossas aventuras, passeamos pela orla de porto seguro, saímos para jantar, enfim, foi bom reencontrar os amigos. No dia seguinte Marcos pegou um avião para retornar à SC e nós com Mauricio seguimos para Santa Cruz de Cabrália, vizinha de Porto Seguro e integrante da Costa do Descobrimento.

 Deixamos o motorhome do Maurício no letreiro de entrada da cidade e subimos com nossa Branquela até o mirante, local onde dizem que foi rezada a primeira missa no Brasil. A Igreja Nossa Senhora da Conceição - 1630 - e seu entorno é muito agradável e o visual vale a subida, seja pelos degraus ou de carro. Várias construções são dos séculos 17 e 18 e contam a história do Brasil à época da chegada dos portugueses. (me nego a dizer “descobrimento” em respeito aos povos originários). 

Depois comemos acarajé, caminhamos pela beira mar, compramos peixe direto dos pescadores e voltamos para o letreiro para cozinha-lo, curtir o final do dia e preparar nosso pernoite ali, olhando o mar. Mais especial ainda foi acordar no dia seguinte para ver o sol nascer no mar. Um espetáculo!

Ainda em Cabrália fomos para o camping Mutari (diária 50,00) para reorganizar os motorhomes, lavar roupa e caminhar até a Coroa Vermelha com a maré baixa.  Eu ainda aproveitei para passear no calçadão e feirinha, com seu lindo colorido das roupas e o belo artesanato pataxó.

 À noite fomos à famosa passarela do álcool em Porto Seguro comer tapioca, pena que o tempo chuvoso e o vento nos fez voltar logo. 

Antes de partir da cidade eu e José fomos fazer o passeio na Reserva Indígena Pataxó da Jaqueira, que fica a 12 km de Porto Seguro e na viagem anterior estava fechada quando chegamos. Foi uma manhã bem especial, ouvir o relato sobre a vida, costumes, a constante luta pela sobrevivência dos povos originários, dos próprios integrantes da tribo, seu cacique e Page é quase obrigação de quem vista a região. No dia seguinte chega a hora de seguir.

A nossa programação foi passar a balsa para Arraial do Cabo na hora da maré cheia, deu certo, 16 h fizemos a travessia para nossa próxima parada Arraial d’ Ajuda BA. Instalamos-nos no estacionamento público existente próximo ao centro. 

Aliás, permissão para um comentário nada positivo: a primeira impressão é de que o local foi “tomado” por motorhomes, barracas, trailers...sem ser destinado a este fim. Não parece um estacionamento provisório/temporário para quem está de passagem e sim o terreno particular dos proprietários dos equipamentos. Tem roupa secando estendidas, mesas e cadeiras na rua...ficamos constrangidos de fazer parte da tribo.

Ficamos três dias em Arraial, deu para fazer várias caminhadas pelo bonito centrinho, olhando suas coloridas vitrines, comendo tapioca, saboreando os disputados gelatos, visitando a bela igrejinha do mirante cheio de fitinhas coloridas ou simplesmente sentar e admirar a muvuca dos turistas pela intitulada rua mais famosa do Brasil a “Mucugê” ou ”Broadway”.

 O dia que o tempo estava melhor fomos até a praia do espelho em Trancoso e mais uma vez eu e José demos azar. A praia é muito linda e esta é a segunda vez que vamos e pegamos maré ruim e muito vento, somos perseverantes, vamos voltar.

 O caminho é por estrada de terra péssima, cheia de buracos, resultado foi que a Branquela deu uma pane e apagou, mas José já está calejado nesta manha dela, foi direto no fusível da bateria e não deu outra, rachado. Como já carrega um de reserva foi trocar e seguir. Em Trancoso paramos no estacionamento do Seu Santo novamente - já pernoitamos por lá outra vez -  super indico, só descer as escadarias e está na praia do espelho R$ 40,00.

Daqui eu e José continuamos a viagem pelo nordeste sozinhos. Mauricio decidiu retornar para Florianópolis para atender questões pessoais e da ONG que fundou e preside a" Casa Lar", um lindo trabalho que atende crianças em situação de vulnerabilidade. Bom retorno amigo!

Nossa próxima parada foi em Ilhéus-BA a cidade baiana conhecida por conta dos livros de Jorge Amado, em especial depois que um deles, Gabriela Cravo e Canela “virou” filme e novela. Estacionamos no cristo e saímos andando pelas ruas, relembrando as cenas e os personagens do romance de Jorge Amado.

 Visitamos o famoso bordel Bataclan dirigido por Maria Machadão, com direito a fotos no salão do divertido cabaré e visita ao quarto da "chefona" das meninas. Almoçamos no Bar Vesúvio do seu Nasif, percorremos lugares onde o coronel Jesuino Mendonça gastava o dinheiro do chamado ouro preto - o café. 

 Na parte histórica visitamos a casa onde morou Jorge Amado e hoje é museu, a Igreja de São Sebastião e como não poderíamos deixar para trás fizemos um tour por uma fazenda de café. E não tenho dúvida de dizer: ótima escolha, foi uma aula sobre cacau e chocolate.
 A fazenda que escolhemos se chama Yrerê, fica na linda rodovia Jorge Amado (Ilhéus- Itabuna) e proporciona aos turistas, além de uma caminhada pela plantação de cacau com uma aula sobre sua produção, coleta, armazenamento, outra sobre a produção do chocolate, com uma deliciosa degustação dos diferentes chocolates ali produzidos.



Nosso local de pernoite na cidade foi o Camping STAC, alguns quilômetros fora do centro, pé na areia, mas um pouco descuidado devido seu fechamento na pandemia. Valor da diária R$ 40,00.Com o gostinho do chocolate ainda presente decidimos que era hora de partir.


Tínhamos intenção de ficar em Itacaré alguns dias, o que não deu certo. O camping estava fechado, sem informações se reabriria e o outro local que nos indicaram era caro e sem estrutura, optamos por não ficar. Dormimos em um posto de combustível na entrada da cidade, visitamos um sítio no interior e sem muitas referências seguimos em frente até chegar à Camamu. Que bela surpresa! Ficamos na marina em meio de várias embarcações, mas bem estacionados próximo ao restaurante e de onde saem os barcos. Ficamos três dias “acampados” pagando R$ 40,00 a diária com água, luz e banheiro. 

A Baía de Camamu, junto com a ilha de Barra Grande, integram a Península de Maraú, na Costa do Dende. Deu para fazer um gostoso passeio de Branquela em uma comunidade mais afastadas onde tem duas  cachoeiras, uma de cada lado do asfalto, escolhemos ficar na Tremembé e tomar um banho gostoso. O  passeio que adoramos foi de barco, saindo da marina de Camamu até a Barra Grande. A travessia foi muito tranquila, estávamos nós e uma outra passageira. Valor do barco R$ 120,00 ida e volta. Descemos na ilha e passamos o dia ali, caminhamos bastante pelo charmoso centrinho, repleto de pousadas, restaurantes, lojinhas, gente alegre, amei. 


O almoço foi no Restaurante Moqueca, que fica na ponta do Mutá, imperdível fazer este trajeto sentindo as ondas do mar a nos acariciar o pé descalço. Ficamos devendo conhecer o outro lado da península de Maraú onde ficam as praias de Taipu e Taipu  de Fora, consideradas das mais bonitas da Bahia. 

 Outra cachoeira que visitamos foi a Acarai que fica em uma comunidade a 5 km do centro e tem uma represa e uma roda d’agua interessante. A região é lindíssima, a Baía de Camamu engloba cinco rios que se juntam e desembocam no mar. Existem muitos outros passeios que saem da marina diariamente para outras ilhas e alagados, motivo pra voltarmos aqui em outra oportunidade. Descobrimos já na saída que é aqui onde Arilso está com seu catamarã - já falamos dele aqui no relato - mas, não conseguimos contatar ele.

Ainda tentamos fazer outra parada na região na cidade de Itaberá, depois de fazer almoço em um mirante com uma bela vista, decidimos descer até onde pareciam ter um ancoradouro de barcos. Que fria! Falando com algumas pessoas ali descobrimos ser um lugar bem perigoso e naquele ponto principalmente não recomendado ficar.

 Caímos fora rápido. Sem direção decidimos contatar os novos amigos, Janira e Loreni, que estão de Mh na região e combinamos irmos para a Ilha de Itaparica onde eles estão acampados no Camping Berlingue - diária R$70,00 - O lugar é amplo, arborizado e pé na areia, foi muito bom àqueles dias de tranquilidade, sol, churrasquinho e bom papo. O centro fica a poucos quilômetros por asfalto e  com uma bela vista à beira mar.

 Aproveitamos a facilidade e fomos à agência a CEF - com agendamento para após o horário de funcionamento ao público - fazer a prova de vida de José junto ao INSS e o atendimento foi nota mil. Uma curiosidade: achamos tudo muito tranquilo...no dia seguinte soubemos a notícia de que houve um assalto, com explosivos, no caixa eletrônico próximo onde estávamos. Ufa! Por pouco.

Despedimo-nos dos parceiros de acampamento e seguimos em direção oposta. Eles estão voltando para o Sul nós continuando em direção ao nordeste, agora vamos “enfrenta” mais uma capital - Salvador-BA. 

Para fazer a travessia da Ilha de Itaparica (maior ilha marítima do Brasil) até Salvador escolhemos o ferry boat, é possível fazer terrestre, mas é mais longe e perde o charme da aventura marítima. Achamos que seria rápido, pois a travessia normalmente dura em torno de uma hora, ocorre que a fila de espera estava enorme e levamos duas horas para concluir os 13 km que separam as duas margens. Sem estresse a embarcação é confortável, tem banheiros, restaurante e um deck na parte superior para apreciar o visual. Valor da travessia R$ 88,90.

 Para nós que não gostamos de trafegar em cidades grandes tivemos que “encarar” e literalmente atravessar a capital da Bahia, na hora do pico, sem conhecer nada e usando um aplicativo para chegar ao Camping que ficaríamos. Foi tenso e mais uma vez nos saímos bem.

O Camping Park Itapuã fica na praia do mesmo nome. Lembra algo? “Passar uma tarde em Itapuã, ao sol que arde em Itapuã, fazer amor em Itapuã...” isso! Vinicius de Morais e Toquinho cantaram lindamente este cenário, inspirado na sua beleza. 

A orla é bonita e o acesso ao centro de Salvador é fácil. Uma boa pedida de hospedagem. Passeamos pela orla, tomamos banho nas piscinas naturais, fomos até o farol e a noite visitamos e jantamos na Casa di Vina, onde o poetinha morou e hoje guarda um acervo seu, é aberto à visitação e parte foi reformada para abrigar o restaurante.

 Para conhecer o centro de Salvador optamos em deixar a branquela no camping e ir de Uber o que foi uma ótima escolha. Pagamos R$ 50,00 para “esticar e nos aguardar” em alguns pontos turísticos como o Dique do Tororó, onde ficam as imagens dos Orixás. Passeamos pelo Pelourinho, Igrejas Rosário dos pretos, na de São Francisco, na catedral - Igreja de ouro -, caminhamos na Praça Castro Alves, Museu do Carnaval, descemos pelo elevador Lacerda até o Mercado Modelo para fazer as tradicionais compras de lembrancinhas, ainda esticamos até o Bairro da Ribeira para fazer pedido e amarrar as fitinhas na Igreja do senhor do Bonfim – queria estar ali no dia da lavagem da escadaria.

 Para finalizar o dia fomos curtir o pôr do sol no Farol da barra, ouvindo uma linda cantoria de um grupo de percussão e tomando o famoso sorvete de manguaba, umbu e graviola. Ufa! Extenso, cansativo, mas encantador.

 E um registro importante: muito ouvimos falar sobre insegurança em Salvador e na real muito vimos de tranquilidade e segurança, parabéns. Valor do uber para retornar do Farol da Barra para Itapuã R$ 34,97. Valor do Camping R$ 80,00 a diária.

 Outro desafio que tivemos em Salvador foi passar um dia e uma noite em uma oficina no Bairro São Cristóvão, isso porque o para-brisa da branquela trincou e achamos melhor fazer a troca em uma cidade maior. Fomos muito bem atendidos, tanto pelo seguro como pela equipe da oficina Vidroca, que inclusive nos permitiu pernoitar dentro da branquela em seu pátio, quando perceberam que o serviço não ficaria pronto no dia. Durante o dia enquanto faziam a troca do para-brisa aproveitamos para almoçar, fazer umas comprinhas e passear no Salvador Norte shopping - não somos chegados neste programa, mas com dois anos reclusos devido à pandemia e sem ter outros atrativos no bairro até valeu.

 À noite já de volta a praia de Itapuâ fomos nos despedir da capital baiana e conferir a alegria de seu povo em um bar perto do camping com música ao vivo, MPB de primeira, regada a um chopp bem gelado.

 E chegou o momento de nos despedirmos da capital baiana! Partimos felizes com o feito e o resultado: porque vencemos o desafio de mais uma capital, e saímos encantados com o que estávamos temerosos. Agora partimos para uma das praias baianas mais recomendadas, a Praia do Forte no Município de Mata de São João a 80 quilômetros de Salvador. Em nossa avaliação fez jus aos elogios. Água limpa, cristalina, quente, cheia de piscina naturais.

 O centrinho é um charme só, pequeno - com uma igrejinha logo no inicio que se abre em duas ruas, coloridas, alegres, cheias de delícias. Uma ótima pedida é passear a noite, sentar nos bancos ou sorveterias e experimentar os sorvetes das frutas da região - mangaba, umbu, cajá, sem pressa ou programação.
 Ficamos quatro dias, mas daria para esquecer o desejo de seguir e passar boas semanas ali. Conseguimos aproveitar as praias, especialmente a do Lord, onde fizemos mergulho com os snokers; visitar o Projeto Tamar - super central; caminhar pelas passarelas do mangue; visitar o Castelo Garcia D’Ávila - onde tem uma gameleira centenária lindíssima; e um evento muito especial: nosso aniversário, com uma festa à distância!  Curtimos o dia na beira-mar, recebemos ligações de parentes e amigos e para encerrar o dia ganhamos “em casa” um jantar oriental e gelato italiano de sobremesa, enviado do Sul para o Nordeste, presente da amada filha e do querido genro. Estava uma delícia! Ah! Adoramos comemorar os aniversários juntos, José dia 11 e eu dia 12 de Outubro, sempre uma festa a dois.

Uma dica que destacamos: não precisa pegar transporte do centro para a praia do Lord, o trajeto é curto e gostoso de fazer caminhando. Há várias pessoas que ficam nas ruas oferecendo transportes alternativos de Tuctuc, bicitaxi, bicicleta, para fazer os passeios. É uma tradição e chega a ser atração do lugar, são coloridos, divertidos, mas só vale a pena para distâncias maiores porque o preço é salgadinho.






SERGIPE

É no litoral que encerramos nossa passagem pela Bahia - lembrando que entramos pela chapada, portanto, cruzamos o estado -, agora nos despedimos rumo ao vizinho Sergipe. Nossa primeira parada no Estado foi na Praia de Atalaia, onde chegamos no inicio da noite, o que nos obrigou a ir direto para um ponto indicado nos aplicativos de pontos de apoio. Era o Bar do Pirata - no dia seguinte descobrimos que era uma destas barracas de praia que recebem grupos de turistas-, já estava fechado, mas a dona e uma amiga estavam “comemorando” o final do expediente com um banho de mar, música e muita cerveja. Apresentou-se como “rainha”, disse que podíamos ficar e cobrou R$ 50,00 para pernoitarmos.

A barraca fica na Praia do saco e é ponto de parada dos buggys que fazem passeios pelas praias da região. Achamos muita muvuca, principalmente devido à pandemia e acabamos trocando de lugar, indo estacionar em uma rua próxima que termina a beira mar. Foi ótima escolha! Fizemos amizade com um morador que estava ali pescando, Jansen, que nos presenteou com uma conserva de um  mix de pimentas, feita por ele, maravilhosa.  José se juntou a ele e ensaiou uma pescaria, mas os peixes não colaboraram. 

A falta dos peixes foi detalhe sem importância, o que contou foi o ótimo papo acompanhado de deliciosos pastéis de aratu (tipo caranguejo), comprados na barraquinha indicada por ele, curtindo um belo final de dia. De presente acordamos vendo o sol nascer no mar. Pela manhã Jansen foi se despedir cedinho, trocamos contatos, agradecemos a acolhida e por sua sugestão saímos em direção a Lagoa dos tambaquis. 

Fica na rodovia que vai para Aracaju e há vários restaurantes e bares instalados nas margens da lagoa. Escolhemos um que estava menos cheio e paramos para conhecer o local e a atração principal: os tambaquis - peixes enormes que ali estão totalmente “socializados” com os humanos. Entramos na água para um banho e para tratar os tambaquis que literalmente vem comer na mão dos turistas. Pelo que nos falaram foram trazidos de fora, se reproduziram rápido e hoje ajudam a impulsionar o turismo na região.

 Depois de tomar banho na lagoa, deitar nas redes submersas na água transparente e brincar com os tambaquis, fomos comer uma moqueca de camarão. Estava deliciosa! Os restaurantes da orla, em geral, tem boa estrutura, com redários, balanços decorativos, pergolados cheios de poltronas, enfim, uma boa opção para passar um dia agradável. Como o local fica próximo de Aracaju decidimos seguir para a capital sergipana ao final do dia. 

Chegamos a mais uma capital! É a vez de conhecermos a bonita Aracaju. E fomos surpreendidos positivamente com sua bela orla e o amplo estacionamento a beira-mar na praia do Atalaia, público, lotado de motorhomes.

 Posicionamo-nos em um lado menos lotado, onde estava um casal de Aracaju, com sua filha especial. Pessoal discreto e gentil, nos presentearam com uma cartela de bandeiras dos estados brasileiros que vai decorar nossa Branquela Viajante, retribuímos com nosso clássico licor de folha de figo, personalizado, feito pelo José. 

Curtimos três dias calmos ali, caminhando pelas areias quentes durante os dias e pelas movimentadas ruas do calçadão nas noites. Bons dias! Tiramos um dia para fazer um tour de motorhome pelo centro, mercado público, prédios históricos e monumentos. Rodamos na orla até a ponte e paramos no Largo da Gente Sergipana, onde tem um píer com enormes esculturas das representações folclóricas do Sergipe - Lambe sujo, Caboclinhos, Chegança, Cacumbi, Taieira, Bacamarteiro, Reisado, São Gonçalo e Parafuso.

 Mesmo o museu não estando aberto à visitação o seu entorno foi um dos locais que achamos bonito. Ao meio dia comemos um delicioso peixe, no Bar do Jota, recomendação do Jansem. Bom! Ah! Para finalizar o dia uma paradinha no “caranguejo” gigante onde tem o letreiro da cidade para a tradicional foto, também foi parada obrigatória.

 Outro local de Aracaju que recomendamos é a Orla do Pôr do Sol. Fica a 15 km do centro pela Rodovia dos Náufragos, na praia do Mosqueiro, à beira do Rio Vaza-Barris. O nome indica a sua maior atração, mas outra boa pedida é pegar uma das embarcações disponíveis - lancha, catamarã, barco e fazer o passeio pelo leito do rio até a Croa do Goré, um banco de areia que forma uma ilha que só fica visível algumas horas durante o dia. As embarcações levam os turistas até a ”ilha de areia” para passar horas se banhando e apreciando o visual. Não conseguimos fazer o passeio de barco porque chegamos tarde, mas só ficarmos na orla sentados tomando nosso chimarrão enquanto o sol se punha já valeu o passeio.

Aproveitamos também nossa passagem por uma capital para fazer a revisão da nossa casa rodante. Agendamos na “Mecânica W Diesel” que nos atendeu muito bem.  Deslocarmo-nos até lá oportunizou conhecer alguns bairros periféricos de Aracaju, inclusive contrastando com a área central -limpa e cuidada, vimos ruas cheias de lixo, sub-habitações e com aspecto de abandono, nada diferente da característica da maioria das cidades turísticas que conhecemos - uma lástima. 

Somos viajantes que gostam de trocar de cenário! Depois de um mês rodando pelo litoral nos despedimos do mar e partimos rumo ao sertão. Nossa primeira meta é visitar o Cânion do Xingó, maravilhosos penhascos que “envolvem” o Rio São Francisco, entre as cidades de Canindé do São Francisco no Estado de Sergipe e Piranhas no Estado de Alagoas. Foi com a construção da Usina Hidrelétrica do Xingó (1988) que ao represar as águas, inundou novas áreas, entre elas picos rochosos, que os cânions do Xingó se constituíram como é hoje, portanto é uma atração “artificial” e jovem (1994 chegou ao estágio atual).

Antes de chegar à Canindé do São Francisco-SE passamos na cidade de Laranjeiras em busca de referências culturais e folclóricas destacadas no Largo da Gente Sergipana.

 Infelizmente nossa expectativa foi frustrada! A cidade pareceu-nos com enorme potencial turístico: construções visualmente antigas e vestígios histórico/cultural da época colonial açucareira, mas infelizmente não encontramos local de informações ou pessoas dispostas a nos contar sobre o folclore popular regional. Decidimos partir! 

No deslocamento entre o litoral e o sertão fomos observando a mudança de cenário. Muda a vegetação - primeiramente mais verde, depois terra, plantas secas; muda o entorno - aparecem os animais regionais (cabras, jegues); muda o clima -  fica mais seco; mudam os hábitos - pessoas sentadas “proseando” à frente das casas, enfim, estamos no sertão. Mais uma vez nos damos conta quanto nosso país é grande, diverso, rico, este pedacinho é mais um dos muitos "brasis"!

Chegamos à cidade de Canindé do São Francisco já no meio da tarde e fomos direto procurar local para ficar. Após passar no bar/restaurante indicado no “Viva Sobre Rodas” e no estabelecimento ao lado optamos por não ficar - ambos com a mesma pegada, muita gente, música alta, clima de festa. Em frente ao restaurante de onde saem os passeios o “Rota do Cangaço” também é possível ficar, mas optamos em procurar algo mais nosso estilo: reservado e em contato com a natureza.

 Voltamos até a ponte sobre o velho Chico, divisa dos dois estados e fomos a um quiosque o “Recanto do Velho Chico” localizado bem na margem do rio. E que recanto! Fomos acolhidos pelo Sr. Gilmar e sua família com disponibilidade de água, luz, banheiro e ótimo papo. Conta-nos que iniciou seu quiosque há um ano e que nos finais de semana o local fica lotado, assim, gradualmente, melhorou a estrutura e montou a cozinha onde servem refeições feitas por sua companheira. Comemos uma tilápia e feijão tropeiro maravilhosos preparado por ela!



O passeio no cânion, saindo de Canindé, é quase um monopólio - praticamente todos os barcos estão vinculados ao restaurante Karranca’s. Chegamos, estacionamos a Branquela, fomos retirar os ingressos, já reservados, e ali já percebemos que seria daqueles passeios de muitos grupos, música alta, bebidas. O barco é do tipo catamarã com comida e bebida a bordo. A navegação é parte pelo rio, parte pelo lago da hidrelétrica e dura em torno de uma hora.

O cenário é lindo: uma imensidão de água em tom verde, balizado por paredões alaranjados formam um lindo contraste. Em alguns pontos chega a 300 m a distância entre os paredões no lago, que se estende por 65 km. O ponto principal do passeio é o porto de Brogodó, local onde os paredões se aproximam formando uma fenda estreita. Neste ponto é possível nadar no rio (área delimitada) e pegar um pequeno barquinho a remo até a fenda principal o “Paraíso do Talhado”- pagamento a parte e com duração de 10 minutos. O local lembrou-nos bastante Capitólio MG.

 Apesar de não ficarmos tão a vontade, devido a inevitável aglomeração ainda em período de pandemia, foi um ótimo passeio. Sem dúvida é uma das tantas belezas do Velho Chico, este majestoso e imprescindível rio brasileiro que corta cinco estados, levando vida principalmente as populações ribeirinhas. Valor R$ 110,00 para idosos.

Foi próximo de onde ficamos que ocorreu a trágica morte do ator Domingos Montagner, por afogamento. O local estava sendo cenário de gravação da novela da Rede Globo “Velho Chico” e por uma infelicidade, ao se banhar no rio, ocorreu o acidente. O rio é grandioso por isso requer muito cuidado, a dica é: não entre sem informações do trecho.


ALAGOA

Nossa noite foi especial!  Estacionamos no quiosque Recanto do Velho Chico, nas margens do rio, nos banhamos nele, iluminados por um belo luar. Pela manhã saímos para outro passeio. Desta vez até a “Grota do Angico” local onde o bando de Lampião teria sofrido uma emboscada que culminou com a morte dele, de sua companheira Maria Bonita e de outros setes integrantes do bando. A saída é do lado Alagoano, na cidade de Piranhas. No ancoradouro há várias embarcações, de vários tamanhos que fazem o passeio.
 Nós fomos em uma embarcação sozinhos por R$ 250,00. A travessia dura 30 minutos até o ”Espaço Angico”, que conta com restaurante, área de banho, redário, a casa do coiteiro de lampião e ficam os guias que fazer a trilha até a grota onde foi a emboscada. A trilha de 600 m pelo sertão alagoano é leve, pois a subida é amenizada pela vegetação de caatinga, mas como faz calor, sugerimos muita água, chapéu e protetor.



Uma curiosidade: as guias se apresentam vestidas de cangaceiras e quando chegam à grota, durante o tempo para descanso e registros, contam muitas aventuras do bando de Virgulino.  Na volta almoçamos no restaurante do atrativo, bem confortável e com comida boa. Retornamos para a cidade já no final da tarde e pernoitamos no próprio estacionamento do ancoradouro que fica ao lado da “Prainha”, mais uma vez a beira do Velho Chico com as estrelas a nos observar.

Piranhas é uma cidade do século 19 e sua história é intimamente ligada a do cangaço. A noite é bem gostoso de caminhar pelo centrinho com suas casinhas coloridas, parar em um dos bares espalhados pelas calçadas, curtir música ao vivo, conhecer a gastronomia regional e as cachaçarias. Durante o dia a pedida é subir a imensa escadaria que leva ao Mirante Secular - são 364 degraus compensados com um belo visual. Na direção oposta outra grande escadaria, leva a Igreja do Senhor do Bonfim, no conjunto formam uma bela combinação.

 Com tempo ainda é possível visitar o Museu do Cangaço, a Torre do relógio e o Centro de Artesanato, todos no centrinho, nós infelizmente não conseguimos visitar porque estavam fechados. Antes de partir da região voltamos ao Recanto do Velho Chico para deixar para Sr. Gilmar e sua família pinhão e feijão preto - comidas típicas do sul do país e mais uma vez agradecer sua hospitalidade.

Nosso próximo destino é outra cidade histórica do Estado de Alagoas, Penedo. Além de casarios antigos, do Museu Imperial (em reforma), do Convento de São Francisco (aberto à visitação), do Mercado Municipal o que atrai turistas à cidade é a proximidade com a pequena Piaçabuçu, de onde partem os barcos para a Foz do Rio São Francisco. Passamos o dia passeando pela cidade e a noite dormimos estacionados no calçadão da bonita orla, em frente à Pousada Colonial. 

No dia seguinte cedinho rumamos para Piaçabuçu já negociando por telefone o barco que nos levaria. Escolhemos um barco pequeno, tipo voadeira, de um pescador, Sr. Jorge, assim poderíamos fazer combinações a nosso gosto. Foi ótimo! Ele muito simpático e disponível nos indicou a barraca para deixar os pertences e comer. O trajeto de 13 km pelo rio durou em torno de 40 minutos, fomos devagar, curtindo cada curva do rio, ouvindo “causos” de pescador. Valor do passeio R$ 150,00.

Em 2016 fomos até a nascente do Rio São Francisco, na Serra da Canastra MG, desde então chegar a sua foz era um sonho. Agora podemos dizer: Conhecemos o Velho Chico da nascente à foz! Que prazer! Agradecemos imensamente tal presente do universo.

O local é simples e lindo e está aí seu principal charme. Mangue, Dunas, coqueirais, encontro do rio com o mar, comunidades remanescentes de quilombolas e pescadores formam um conjunto único e exuberante. Não por acaso foi cenário de filmes - entre eles Deus é Brasileiro; novelas - Tieta do Agreste; e documentários - O Rio São Francisco. Vale cada minuto caminhando pelas douradas dunas, o refrescante banho no rio ou simplesmente sentar nas barraquinhas para comer um peixe fresco e depois se deliciar com as gostosas cocadas e os doces locais.

 De quebra dá para comprar lembrancinhas para distribuir, o artesanato é bem acessível e sua compra ajuda a subsistência das famílias e impulsiona a comunidade.

De volta à cidade de Piaçabuçu fomos procurar lugar para pernoite. Do nada aparece na janela da Branquela o “arroz” um senhor um tanto estranho que dá uma dica de ouro! Vão lá no Barreiras, “lugar onde param os carros” nos diz.     Lá fomos nós, sem muita confiança, mas falando mais alto o espírito aventureiro. Era um bairro ribeirinho e popular próximo a cidade, ao chegar vimos um restaurante chamado Encantos de Velho Chico, com uma área externa enorme, entramos, para nossa surpresa aceitavam motorhome, oferecendo estrutura de quiosque, banheiro e luz. Que bela dica Arroz! O local fecha a noite o que para nós não foi problema, ao contrário, estávamos mais uma vez às margens do São Francisco desfrutando de sua beleza, seu silêncio e iluminados somente pelo luar. Valor: R$ 30,00 o pernoite.

Mais uma vez vamos mudar de cenário! Voltamos para a estrada, novamente em direção ao litoral. A primeira parada no litoral alagoano foi na famosa Praia do Gunga, e não foi de fato uma parada, diria que foi uma “passada”. Depois de subir no mirante para ter aquela visão linda do enorme coqueiral, presente em todas as tradicionais fotos do local, entramos, demos uma volta de carro, ficamos observando o entorno e decidimos não ficar. A praia tem a cobrança de uma taxa de ingresso de R$ 25,00, e o acesso ao mar é bloqueado pelas barracas dos bares e restaurantes, os passeios todos pagos. Literalmente: não é nossa praia hahahah!

 Fomos para a praia ao lado, Barra de São Miguel, elas são separadas apenas pela lagoa do Roteiro e a principal atração - as piscinas naturais - ficam entre as duas. Instalamos-nos no Camping Beira Mar que faz total jus ao nome e nos deixa lado a lado com o Gunga. Na primeira noite foi difícil dormir, chamaram até a polícia porque na pousada vizinha o som alto reiniciou às 5h da manhã. Valor R$ 40,00 diária por pessoa.

Nossa passagem foi curta, dois dias, mas deu para fazer o passeio até as piscinas naturais do Gunga caminhando pela barra e bancos de areia, uma delícia ir parando, contemplando, entrando na água para se refrescar e no horizonte o visual da barreira de corais.  Onde os barcos fazem as paradas tem os bares flutuantes e venda de comida pelos ambulantes. Cuidado e olho na tábua da maré, só é acessível este caminho na maré baixa.

E seguindo nosso tour pelas praias de Alagoas a próxima a ser visitada foi a Praia do Francês. Mais uma boa surpresa, pequena e bonitinha. Tem um centrinho animado, cheio de restaurantes e lojinhas, áreas arborizadas. Ficamos no Camping do Francês que apesar de ficar um pouco distante do centro, é perto daquele mar azul de areia fina, piscinas naturais e muitos coqueiros, tradicional paisagem do litoral nordestino. Entre o Camping e o mar tem uma área de vegetação de uns 400 m para atravessar, nada difícil. Sua área é pequena - estávamos em seis equipamentos - e seu proprietário é pessoa muito acolhedora. Valor da diária R$ 30,00 por pessoa.

 Na sequencia de nosso roteiro chegou à vez de mais uma capital - Maceió. Fomos direto para o ponto de referência dos aplicativos de viagem - a orla de Maceió, em pleno calçadão, ao lado do posto dos bombeiros. O local apesar de ser uma referência e cheio de motorhomes não tem estrutura e a muvuca dos turistas e vendedores de passeios é constante.

 Acomodamos-nos em uma vaga do estacionamento e saímos para o reconhecimento da área que é bem central, com bares, hotéis, restaurantes no entorno. Passamos na feirinha que é bem movimentada e diversificada, paramos em uma barraca para provar o cuscus nordestino. Não deu muito certo! A pessoa que nos serviu a mesa tossia tanto que optamos em deixar o cuscus servido e ir para a Branquela, afinal a pandemia ainda não acabou. 

No outro dia escolhemos fazer um passeio de jangada, programa obrigatório por aqui. As coloridas jangadas se acumulam na areia, formando um belo cenário que encanta os turistas e garante renda aos nativos. Valor R$ 100,00

 Nós fomos sozinhos em uma embarcação com o marujo Josias, no meio do trajeto até os corais o vento ficou forte, o mastro caiu, bateu no ombro do José - por pouco não deu uma grave lesão - e o Josias não conseguia retomar a rota. Resultado: tivemos que ser rebocados por outro barco até os corais onde todas as jangadas param lado a lado, fazendo uma espécie de arena, para banho, mergulhos, drinks nos bares flutuantes - Nos sentimos quase em um aquário onde a atração eram as pessoas! Além do susto do acidente o passeio reafirmou nossa percepção de que o tipo de lugar que gostamos é mais natureza, contemplação e menos programas comerciais lotados de gente. Então não vamos insistir, melhor partir.

Depois da rápida passagem por Maceió escolhemos a pacata São Miguel dos Milagres para estar bem à vontade. A praia é pequena e bem procurada por quem gosta de beleza e tranquilidade. Estacionamos na avenida que dá acesso à praia e, como já era tarde, fomos nos acomodar para dormir sem explorar a praia. No dia seguinte acordamos com os kombeiros viajantes da Kombi Blue, Aline e Anderson, ao lado. Trocamos experiências, dicas, demos boas risadas dos perrengues já experimentados.

E chegamos a uma das praias famosinhas do nordeste - Maragogi. E em um dos Campings queridinho dos campistas - O Camping da Zeza. 

Ambos merecem o reconhecimento em nossa opinião. O Camping da Zeza é pé na areia e o mar em frente é sereno, quentinho, transparente, um verdadeiro convite para relaxar. Fica afastado do centro, mas tem mercadinho próximo e o camping serve refeições,  mediante agendamento.

Maragogi fica na Costa dos Corais, uma área de proteção ambiental que se estende por cerca de 120 km e abriga lindas praias, com água límpida, de um tom esverdeado lindíssimo e vastos coqueirais. Apesar de pequena e simples - talvez resida aí sem charme - é cheia de atrativos: passeios de buggys, piscinas naturais, várias praias, entre elas Barra Grande que se destaca pelo banco de areia conhecido como Caminho de Moisés. Nós chegamos à Maragogi em um período ruim, a maré estava alta, portanto, não estava visível e acessível o longo caminho de areia que “adentra o mar”. 

A previsão para a baixa da maré seria só na troca da lua, dali uma semana, nos restou programar para nossa volta tentar novamente. Ainda assim fomos até o local e ficamos imaginando o espetáculo. Na praia de Antunes optamos por ficar caminhando na areia fina e branquinha entrando na água para se refrescar, entre um sorvete e um suco. No centrinho tentamos fazer a dose de reforço da vacina contra o Covid, não fomos atendidos, só para moradores. Ficamos devendo conhecer a Praia do Patacho, que nos disseram ser de muita beleza.


Em uma das noites decidimos fazer um “Wild camping” com os parceiros da Kombiblue, Aline e Anderson, na beira-mar, ao lado do restaurante Burgalhau. Foi bem especial! Montamos uma mesa de guloseimas, vinho e bom papo, olhando o mar e curtindo o acampamento iluminada só pelas estrelas. Boa parceria! Em lugares mais turísticos e próximos a grandes centros, por uma questão de segurança, gostamos de fazer este tipo de pernoite com companhias. Onde ficamos apesar de ser uma área reservada passou carros até muito tarde da noite, com som alto e algazarras - fica a dica!  


PERNANBUCO


Um pouco chateados porque o período de maré alta não nos permitiu conhecer Maragogi em sua plenitude partimos com a sensação que faltou algo. Para nós isso funciona como um desafio, em outro momento vamos voltar, por hora nos despedimos de Alagoas. Agora é seguir em frente para entrarmos no Estado de Pernambuco e de cara conhecer outra praia igualmente famosa: Porto de Galinhas distrito do Município de Ipojuca-Pe. Antes tentamos uma parada na Praia dos carneiros, como o acesso ao mar era somente através das barracas e mediante pagamento, escolhemos não parar. Não porque não poderíamos pagar, mas é uma questão de visão de mundo, entendemos que a beira mar, é área pública de uso coletivo. 

O deslocamento entre Maragogi e Porto de Galinhas tem duas opções; Pela balsa ou via terrestre intercalando as Pe 072,060 e 061. Queríamos ir de balsa, mas perdemos a entrada e acabamos indo pelo asfalto, o que não foi problema, a estrada é linda. Atravessa uma região rural com vacas, fazendas, plantações de cana-de-açúcar (cuidado com os compridos caminhões chamados bitrem).


Chegando a Porto de Galinhas e fomos inicialmente à Praia de Maracaípe, referência para os campistas, em especial para quem gosta de 0800. Tem um amplo estacionamento público repleto de campistas de todos os gostos: barracas, bicicletas, motorhomes, campers...uma diversidade de “tribos”. Estacionamos e ficando avaliando, conversando com outro proprietário de MH, um deles nos informou que “mora” ali há alguns meses e “administra” a distribuição de luz e água aos novos.

 Nossa escolha foi buscar um lugar mais discreto e assim seguimos para o centrinho em busca do mesmo. Foi ótima escolha: o núcleo central da vila tem o formato onde várias ruas convergem para uma mesma área de estacionamento e foi em um destes que ficamos. As ruas são estreitas e o deslocamento de carro grande seria impossível, mais uma vez avaliamos que nossa escolha por uma Van foi perfeita para nosso perfil. O estacionamento que paramos foi o número 02 - todos são identificados por números -, é bem próximo ao acesso principal e um rapaz que se diz “cuidador” pediu R$10,00 para olhar o carro. Ok apesar de não concordarmos com a prática cedemos e avisamos que dormiríamos ali. Ligamos para os kombeiro da Blue e eles se juntaram a nós.

Porto de Galinhas é uma referência não só em Pernambuco, mas na região nordeste, quando se busca lugar de beleza incrível e toda pensada para o turismo. As praias são de águas mornas, transparentes, areia branquinha; o centrinho é decorado, cheio de bons restaurantes, comércio e muito turista. A noite tem várias opções de bares e restaurantes com música ao vivo.

 Nós tivemos dificuldade em curtir a beira mar porque é cercada de barracas, sem um espaço para quem deseja se instalar por conta própria, em outras palavras, fica-se nas barracas - com consumo mínimo e assédio constante de vendedores - ou não fica, simples assim. Não é nosso estilo, e confesso que ficamos incomodados com a falta de liberdade e a muvuca.

Optamos em ir passear pelas praias do norte de carro com os kombeiros. Fomos até as Praias de Muro Alto - estacionamentos cheios; Cupê - estavam montando um megaestrutura para uma noite de música; Suape -  próximo ao terminal Suape, bem mais tranquila. Decidimos não ficar para dormir no lado norte e voltamos para Maracaípe, no estacionamento público, em meio à muvuca, foi a alternativa que sobrou para hoje hahaha! À noite fizemos churrasco e ficamos de papo até tarde com Aline e Andersom, eles no dia seguinte seguem viagem acelerados, afinal diferente de nós, são jovem e estão contando os dias que restam das férias.

Ficamos mais um dia em Porto de Galinhas, novamente no estacionamento 2 do centro. Aproveitamos para tomar banho de mar, caminhar na areia, tomar um drink sentados em uma canga olhando os barcos saírem para os passeios ( descobrimos um espaço mais democrático), caminhar pelo calçadão e até fazer compras de lembrancinhas. Momento relex! Queríamos esperar para ver se seria viável voltar para Maragogi com a maré melhor - não rolou - demoraria uma semana para troca da maré. Vamos em frente então, rumo ao município de Cabo de Santo Agostinho, mais especificamente na praia de Xareu.

Estacionamos nossa Branquela na enseada dos corais, pertinho da pedra do Xareu, e fomos fazer um reconhecimento do lugar. Que visual lindo!  Enseada, mar, rochas, vegetação e a semelhança aliviou a saudade da nossa Imbituba. A rua era sem saída e logo que paramos o morador da casa em frente, Sr. Marcos, veio nos dar boas vindas e dizer que poderíamos estacionar em seu pátio à noite. Que recepção! Passamos o dia contemplando aquele cantinho especial, no final da tarde fomos ver o pôr do sol no mirante e para encerrar o dia especial sentamos próximo ao mar à noite, comendo pipoca e tomando chimarrão.

 Para fechar com chave de ouro acordamos 4h:30min para ver o sol nascer no mar. A praia estava deserta - como gostamos - e em contraste, ao longe, se vê as luzes da movimentada capital pernambucana - Recife. No dia seguinte antes de partirmos ganhamos uma plantinha da esposa do Marco, Sra. Silda, que viu meus vasos de manjericão e alecrim e se encantou.

Chegamos a nossa oitava capital nesta viagem, Recife. Como era domingo a cidade estava com pouco trânsito, o que já nos animou. Optamos em ir direto para o centro, conhecer a parte histórica, deixando as praias para segunda feira, esperando menos lotação. Foi ótima escolha! Paramos bem próximos ao Marco Zero, onde se concentram muitas das atrações da região.

 Conseguimos visitar todos os locais com calma, sem tumulto e já fiquei apaixonada pela cidade. Que astral bom! Vibrante, alegre, bonita, foi uma primeira impressão bem positiva.

Na área denominada Recife Antigo se concentram várias opções para visitação. No entorno da Praça do Marco Zero tem o Museu Cais do Sertão - neste dia tinha uma exposição externa de globos com trechos dos direitos Constitucionais, a Sinagoga Kahal Zur Israel - Primeira sinagoga das Américas, o Paço do Frevo, Parque das Esculturas de Francisco Brennand - infelizmente já foram furtadas e depredadas várias peças, a Embaixada dos Bonecos Gigantes que não entramos porque iríamos à fonte - Olinda, a Capela Dourada, o Centro de Artesanato Pernambucano - com peças lindas de artesanato regional, enfim, um verdadeiro programa turístico passar o dia de atração em atração. Foi o que fizemos. Passamos um dia muito gostoso caminhando pelo local que vem sendo revitalizado desde 1990 e hoje é referência na cidade, além de receber muitos turistas é palco de manifestações populares. 

No entorno da Praça do Arsenal tem vários bares e restaurantes com decorações criativas e menus regionais, escolhemos um que no carnaval é sede de um bloco e sua decoração conta sua trajetória no carnaval Pernambucano. Ao lado outro tinha música ao vivo com clássicos da MPB, em outro uma apresentação de teatro, cultura e arte onde o povo está, parabéns!

Ao final do dia fomos para o Bairro da Boa Viagem, na orla da capital, onde fica o Parque Dona Lindu, nome dado em homenagem à mãe do ex - presidente Lula, representada pela escultura de uma família de retirantes o ”Memorial aos retirantes” obra do artista Abelardo da Hora. No parque de 27 mil metros quadrados, projetado por Oscar Niemeyer, tem um teatro, galeria de arte, quadra poliesportiva, pistas de skate, patinação, corrida e outros esportes além de estrutura de sanitários, fraldários e segurança 24 horas.

 Que privilégio para a população um espaço tão estruturado e democrático em uma área nobre e linda.

 

 Chegamos e nos colocamos em uma área já tradicionalmente ocupada pelos viajantes de motorhome. De inicio achamos o local “aberto”, mas logo conversamos com outro casal que já estavam instalados ali e vimos que seria seguro, à noite chegaram mais dois equipamentos. Para o mundo do campismo ter um local gratuito, estruturado, na orla de uma capital em área nobre é motivo para comemorar e agradecer. Parabéns aos idealizadores e um pedido de uso responsável aos campistas que fizerem uso do local.

Outro programa obrigatório e que amamos fazer em Recife foi conhecer a “Oficina Brennarnd” e o “Instituto Ricardo Brennand”. São locais distintos e ligados respectivamente aos irmãos Francisco e Ricardo, um artista e o outro um colecionador. Na oficina, antiga cerâmica do pai que o artista Francisco transformou em seu ateliê, encontra-se um acervo riquíssimo e de uma beleza estética impressionante. O local é único, as obras estão “espalhadas” por toda parte em um misto de arquitetura e arte que povoa a antiga olaria do Séc. XX e desafia nossa imaginação. O artista faleceu em dezembro 2019, vitimado pela covid 19.

 No Instituto o acervo tem relação com a história da arte, são ricas coleções de pinturas, armas brancas medievais, relógios, documentos históricos, distribuídos em vários ambientes de um antigo castelo medieval, encravado em uma área de 180 mil metros quadrados, recortados por jardins, lagos e obras de arte, espaço que também fazia parte do antigo Engenho São João. Ricardo também faleceu recentemente, 2020, vítima de covid19. Ingresso de ambos R$66,00 por pessoa idosa.

Nos três dias que ficamos em Recife fizemos outro programa que recomendo. Foi o Projeto “Olha! Recife a pé” um tour guiado oferecido pela Secretaria do Turismo gratuitamente. São vários roteiros disponíveis, no dia que participamos foi na área central, passando pelo Mercado Santa Rita, Santander, Igreja Santa Teresa de Ávila, Sinagoga. No trajeto o educador cultural vai relatando fatos históricos da cidade e dos locais visitados. Por exemplo: a importância do povo judeu na colonização da cidade e a influência deixada. Chegaram em navios, trazidos por Mauricio de Nassau, importante personagem na história da cidade. Eram usineiros, mascates, pequenos comerciantes e até hoje existe a rua das lojinhas dos mascates. O guia também discorre sobre a cidade, que é chamada “Veneza brasileira” por sua geografia que se constitui de três ilhas, além dos rios Capibaribe e Beberibe que cortam a cidade, e de dezenas de canais e pontes, que a transforma em um belíssimo cenário.

No nosso último dia na capital Pernambucana, pela manhã, nos dedicamos a curtir a praia. Tomamos banho de mar, caminhamos pela areia e no calçadão da orla, sentamos para contemplar o visual e apreciar preguiçosamente o cotidiano da cidade. 

Ao final do dia fomos assistir o “Encontro dos Terreiros de Recife” que reuniu próximo ao Marco Zero várias entidades ligadas as religião afro. Após a concentração saíram em caminhada pelas ruas da capital com músicas, danças, trajes das tradições da religiosidade afrodescendentes. Foi lindo e emocionante! E assim nos despedimos de Recife, apaixonados.  

Nossa próxima parada foi na vizinha Olinda - famosa por seu carnaval. Na chegada já decidimos fazer o tour guiado na cidade, para só depois buscar o lugar para ficarmos. Pegar um guia não é muito nosso perfil, mas achamos que ali seria interessante para aproveitar melhor o tempo e os pontos turísticos. Fomos com o Jailson, um nativo credenciado na Sec. da Cultura, que vive de acompanhar turistas na cidade, cobrou R$ 70,00.

   

A cidade é uma das mais preservadas do tempo colonial, é patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade-ONU, atualmente se destacam suas casas coloridas e a arte presente em todos os segmentos.  
O guia levou-nos na Primeira faculdade de direito do estado; Casa Mourisco, Casa do cantor Alceu Valença, esquina dos Quatro Cantos de Olinda, Igreja e Alameda da Sé, Casa dos bonecos gigantes - onde tem acervo de bonecos usados nos carnavais e demonstração de frevo, ingresso R$ 12,00 .
 Recomendou-nos um restaurante bem central, com ótima comida.
 À tarde passeamos pelas famosas ladeiras de Olinda onde no carnaval os foliões desfilam e se divertem. Entrei em lojas de artesanatos e no mercado de arte para conhecer a produção local dos artesões, cujos produtos são belos - faltou comprar a típica sombrinha de dançar frevo! Ao final do dia fomos para o Coqueiral Park, um parque aquático e ponto de parada de motorhome.

Achamos o local um pouco longe e de difícil acesso (estradas de terra na periferia), mas estando lá o lugar é aconchegante. Têm piscinas, mini fazendinha, restaurante, pesque e pague... como ainda estamos nos preservando de contatos públicos, não usamos quase a estrutura, tudo certo, foi ótimo esta parada em meio a muito verde.

Ao acordar no dia seguinte optamos em  ficar durante o dia no Coqueiral Park. Aproveitamos para arrumar nossa casa móvel, lavando roupas, consertando grade frontal que soltou e para fazer um churrasco, que estávamos com saudade de saborear.  Também estavam acampados de motorhome no Coqueiral Park o Paulo e a Ana de Brasília, são viajantes do projeto “Destino Viajante”. Para voltar a passear em Olinda escolhemos ir de uber, chamamos pelo aplicativo no meio da tarde e lá fomos nós, com o propósito de esticar para conhecer também a noite de Olinda. Boa escolha, passeamos a pé pela cidade, observando, tirando fotos, entrando em alguns lugares e quando anoiteceu fomos para o cruzamento conhecido como quatro cantos -  onde rua se “encontram” e se concentram os bares. 

Tinha ensaio da orquestra de frevo que ficamos assistindo, tomamos uma cerveja acompanhada de pastel de Belém. Infelizmente não era época do carnaval para participarmos deste que dizem ser um dos melhores do Brasil, com seus bonecos gigantes, embalados por frevos e maracatus. A volta foi tranquila porque já tínhamos deixado combinado com o uber a hora e local do retorno. Recomendo esta opção para quem ficar acampado no coqueiral, não vale a pena o deslocamento de motorhome.  Valor do Camping Coqueiral R$ 35,00 diária por pessoa. Valor do Uber até Olinda ida/volta R$ 32,00

E nossa última parada no Estado de Pernambuco foi a Ilha de Itamaracá. Paramos no Forte Orange, uma bem conservada fortificação do tempo colonial, que foi importante na história da colonização de Pernambuco. Lugar é perfeito para belas fotos, misturando cenário histórico, ruínas, tudo envolto pelo mar e o rio.

 Ainda aproveitamos a Praia de Jaguaribe, para banho achamos ótima, água quente, bancos de areia no mar, uma delícia. Tentamos ir também à Enseada dos golfinhos, mas o acesso estava ruim, ficamos com medo de atolar o branquela, desistimos.  Assim nos despedimos de Pernambuco para ingressar no próximo Estado - Paraíba.


PARAÌBA


Nossa primeira tentativa de parada na Paraíba foi a Praia Bela, estava tão cheia de ônibus de excursão que optamos em seguir, mesmo vendo que o visual era lindo. Fomos felizes na decisão, a praia de Tambaba, onde paramos, achamos a mais bonita que passamos nesta viagem até aqui.

 

Pequena, quase deserta, com rochedos, falésias, área verde, um coqueirinho solitário - que é sua marca, e ainda uma área de nudismo opcional. Lindíssima! Ficamos dois dias “acampados” no estacionamento da rua a beira-mar. Tem duas barracas de praia cujos responsáveis também ficam dormindo no local, caso contrário não nos sentiríamos seguros de pernoitar. Passaram dois PMs no estacionamento e nos aconselharam ir para Jacumâ, seria mais seguro, acabamos ficando ali. Era inicio da semana e talvez por isso tenhamos ficado quase que sós neste paraíso. As únicas companhias, à noite, eram os donos das duas barracas de lanches.

 Caminhamos bastante pelas falésias, tomamos gostosos banhos de mar, brincamos imaginando as figuras e desenhos que “aparecem” nos rochedos que surgem no mar, nos finais de tarde ficávamos sentados com cadeiras de praia nas piscinas naturais tomando chimarrão até anoitecer. Não entramos na área de nudismo, nada contra, apenas uma questão de não se sentir confortável, mas ouvimos relatos que as pessoas respeitam as regras - só entra acompanhado, obrigatório estar sem nenhuma roupa, proibido abordagem. Quem sabe na próxima! É um lugar que queremos voltar.

As outras praias na sequencia do litoral Paraibano são igualmente lindas. Coqueirinho do Sul - visual parecido com Tambaba, mas com grandes empreendimentos hoteleiros; Tabatinga - onde uma lagoa se encontra com o rio e o mar formando uma paisagem única e com a água deliciosamente quente; Praia do Amor - com uma área verde enorme para estacionar, uma árvore conhecida por atender pedidos de amor e barracas de praias servindo bons pratos regionais, aproveitamos para almoçamos em uma delas; Jacumã - onde tem um estacionamento público que recebe motorhome e onde optamos em dormir, não tem acesso à praia. 

No estacionamento estavam também outros dois casais viajantes, um de Kombi outro de carro/barraca, que já havíamos pernoitados juntos no Parque Dona Lindu em Recife. Depois destes bons dias de relaxamento e belos passeios em praias paradisíacas, estamos prontos para uma cidade grande novamente.

E chegou a vez de mais uma capital, borá lá conhecer João Pessoa, carinhosamente chamada de JP. Optamos por iniciar com um tour motorizado pela orla, alias muito bonita, já vale o passeio. Paramos no Farol do Cabo Branco - onde fizemos nosso almoço e no Museu Estação Ciência, cultura e arte - com prédio do Niemayer e pinturas de Jurandir, só conhecemos por fora porque estava fechado.

 No meio da tarde fomos para a Praia do Jacaré na vizinha Cabedelo, onde diariamente o músico conhecido como Jurandy do sax executa em seu sax a música Bolero de Ravel, navegando no Rio Paraíba enquanto o sol se põe. Não é por nada que junta uma multidão para assistir e aplaudir, realmente é um belo espetáculo. 

A música é transmitida por alto falantes para o calçadão e o comércio local, então é possível assistir de um dos bares da orla ou ainda em embarcações, no meio do rio. Segundo Jurandy a apresentação ocorre mesmo com chuva e desde 2001, quando iniciou tocar no barco como uma iniciativa pessoal, intimista, pouquíssimas vezes foi substituído.

 Além desta já consagrada atração no entorno do Rio Paraíba se encontram bons restaurantes, bares e lojinhas de artesanato regional, que convidam a passar horas por ali. Nós nos posicionamos em cadeiras de praia, acompanhados do tradicional chimarrão e ficamos hipnotizados, curtindo aquele pôr do sol que ficará para sempre em nossas lembranças.

 Obrigada e parabéns Jurandy do sax!

Neste local conhecemos o casal Rômulo e Ana, de Brasilia-DF, também viajando com uma master transformada em motorhome. Foi uma boa conexão, tanto que serão nossos companheiros em vários locais desta viagem pelo nordeste e uma bela amizade que nasceu.

Ainda em Cabedelo visitamos o Forte Santa Catarina, uma antiga fortaleza datada de 1586, que apesar dos vários ataques sofridos e das reconstruções esta razoavelmente preservada e aberta à visitação e o Marco Zero da BR230 - famosa Rodovia Transamazônica.  Apesar do trânsito intenso de caminhões e da dificuldade de parar para uma foto consegui registrar o momento icônico com a ajuda de um caminhoneiro, na expectativa de um dia juntar esta foto a outra a ser tirada no outro extremo da rodovia. Desafio lançado!

No Centro histórico de JP visitamos Hotel Globo que fica junto ao Complexo do Carmo. Uma Boa pedida é fazer este passeio a pé e passar pelo Parque Solon de Lucena observando seu entorno, onde se encontram vários casarios antigos e prédios históricos. Foi o que fizemos quando percebemos que o trânsito é bem bagunçado e seria difícil a locomoção.

 Almoçamos na praia de Camboínha de onde partem barcos de passeio para o caminho de areia vermelha e que neste dia devido à maré alta não ocorreu. De sobremesa comemos picolé de jaca e castanha. Delicia!  Na Praia de Manaíra caminhamos na orla, conhecemos o hotel Tambaú, a feirinha de artesanato e o letreiro de JP. Como gostamos mais de lugares calmos ao final do dia voltamos para Cabedelo para um bis na praia do Jacaré, com bolero e pôr do sol novamente. Pelo segundo dia aproveitamos o momento especial, as delicias culinárias e pernoitamos com segurança no estacionamento público da orla.

Uma curiosidade: em uma das lojinhas da orla da Praia do Jacaré encontramos um artista que participou do quadro “se vira nos trinta” do programa Domingão do Faustão da TV Globo. Ele personaliza roupas usando spray de tinta, segundo a personalidade do escolhido, em 30 segundos, gravando o feito. É uma boa opção de presente personalizado e com registro.

Depois de apreciar tantas belezas do litoral decidimos mais uma vez trocar de cenário. Bora para o interior conhecer a região do Cariri! Nosso destino? Cabaceiras, a curiosa “Roliude Nordestina”! A cidade é uma lenda, foi cenário para mais de trinta películas, entre filmes, curtas, séries e documentários. 

O primeiro filme gravado em Cabaceiras, e que deu o impulso para sua trajetória cinematográfica foi “O Alto da Compadecida” do diretor Guel Arraes, baseado no livro de Ariano Suassuna e um dos meus filmes brasileiros preferidos. Desde então a cidade passou a focar na sétima arte e no turismo, sendo comum encontrar pela cidade os moradores que foram os dubles de personagens - como o Padre João -, dos cangaceiros e figurantes que atuaram no filme devidamente paramentados. 

Na nossa passagem pela cidade a Amazon estava na cidade gravando uma série sobre o cangaço. Dizem que o fato de ser a cidade com menor índice de chuva e ter um povo disposto a participar ativamente das gravações são motivos que atraem as produções.

Não só cenários e memórias cinematográficas encontra-se em Cabaceira. Conhecemos o Lajedo do Pai Mateus, um lugar para ser visitado no final da tarde quando o sol, ao se pôr, reflete nas enormes pedras soltas no solo dando um colorido e uma luminosidade linda ao conjunto. O acesso é por estrada de terra boa e para ingressar é obrigatório guia local, credenciado no Hotel Fazenda Pai Mateus, onde fica a atração. Custo R$ 80,00. Vale muito conhecer e talvez se hospedar ali seja uma boa opção, nós como estamos em casa (hahaha) não testamos.

Seguindo uma dica do guia dali fomos rodar pelo interior na chamada “rota do couro”. Paramos no Distrito de Ribeira, 14 km da cidade, onde fica a sede da cooperativa dos Curtidores e Artesãos em Couro - ARTEZA - que agrega mais de trinta oficinas produtoras de objetos em couro, criadores de cabras e o curtume comunitário. As peças como calçados, bolsas, cintos, chaveiros são lindas, super bem feitas e com ótimo preço. Fica a dica para comprar aquele presentinho bom e barato, além de incentivar um projeto de economia solidária, com uma proposta coletiva e democrática com desenvolvimento sustentável. 

Amamos a ideia e as pessoas que na sua simplicidade nos receberam de forma generosa e acolhedora. Só estacionamos (chegamos estava anoitecendo) e veio um senhor do bar dar boas vindas e oferecer internet. Dormimos na rua, na frente da Arteza e logo pela manhã a senhora que cuidava das cabras no terreno ao lado veio dar bom dia e oferecer apoio, a chamam de “vevéia”.

 Descobrimos que na comunidade há muitos gêmeos e quase todos os moradores tem algum grau de parentesco, que são uma mistura de origem judaica e de indígenas. O Lucas, atual presidente da cooperativa é de uma simpatia e visão de mundo que gostaria de ver em muitos políticos e gestores públicos, ficamos horas conversando e ouvindo a história do lugar. Que Brasil lindo este! Parabéns comunidade!



Voltando para a sede da cidade, ali  visitamos o memorial do cinema onde estão expostos os cartazes dos filmes rodados na cidade, a antiga cadeia pública, a igreja do Rosário (ambos foram cenários de várias cenas cinematográficas), a praça do bode uma alusão à famosa Festa do Bode rei que ocorre entre Maio e Junho e tem como prato principal a “bodioca” que é uma tapioca de Bode.

 Sem dúvida uma região para lembrar que o nordeste não é só praia, seca ou pobreza. Tem cultura, tem arte, tem produção, enfim, tem uma vida rica!

Do Cariri seguimos direto para o brejo. Como assim? Explico: a nossa próxima parada foi na cidade de Areias, micro região do brejo paraibano, incluída na mesorregião do agreste no Planalto da Borborema.

 Cidade pequena e colhedora, com casas antigas, de fachadas cheias de detalhes e bem coloridas. Fomos conhecer uma construção que é a única senzala urbana ainda existente no Brasil, era o local onde ficavam presos os escravos que seriam vendidos. Plagiando o grande Chico Buarque - Página infeliz de nossa história! Como também buscamos o lado bom de cada lugar, a seguir fomos conhecer uma cachaçaria famosa no interior, aproveitando a degustação do liquido precioso e as delícias dos doces regionais ali comercializados. 

Dormimos estacionados na rua, de ao lado da casa paroquial, em companhia aos kombeiros “viajando na maionese”. No dia seguinte fomos para a vizinha Bananeira onde atravessamos o “Túnel que vibra”, confesso que não senti o tremor hahaha! Mas a antiga estação vale a visita, foi revitalizada e tem um hotel e um ótimo restaurante, vale a visita. A região do brejo tem um clima ameno, úmido, delicioso e o trajeto dali para o litoral, que fizemos, pode-se contemplar a beleza da Serra da Borborema, com planícies, morros e muito verde, belo trajeto. Assim, com um visual e cenário diverso, nos despedimos da rica Paraíba.


RIO GRANDE do NORTE


Já no litoral fomos direto para Bahia Formosa - RN, terra do campeão mundial de surf Ítalo Ferreira. Na pousada Chalemar, onde havíamos programado de ficar não havia mais vagas. Sem problema, em frente a ela, na orla, estavam já instalados outros três equipamentos, inclusive Rômulo e Ana que conhecemos na Praia do Jacaré.  Colocamo-nos ao lado do grupo e fomos curtir as belezas desta praia. 

Ficamos três dias ali aproveitando cada momento, teve caminhadas à beira mar, papo com os campistas, banho de mar, leituras. A praia é pequena e aconchegante. No RN tínhamos um compromisso - visitar os amigos Edineusa e Rubens, que residem em Natal e nos visitaram em Imbituba em 2020, depois de um tempo de amizade virtual. Eles moram em um condomínio fechado, junto a Lagoa do Bonfim, na cidade de Nísia Floresta. O lugar é uma delícia, enorme área, bela lagoa, ótimas companhias.


De Nisia Floresta fomos com o casal de amigos, Edineusa e Rubens, para a Praia da Pipa, onde eles também têm residência. Estacionamos a nossa Branquela no condomínio e dali saímos para conhecer mais uma capital de Estado. Tínhamos vindo à Natal de avião há muitos anos atrás, poucas lembranças restavam.

 Além da boa companhia, papo gostoso, fizemos bons tours pela cidade com o casal, visitamos o Chapadão da Praia da Pipa - onde alguns motorhomeiros costumam fazer paradas 0800 - com seu visual incrível, pena que neste dia estava ventoso e com chuva fina. 

 À tarde além de caminhar pelo centrinho e pela beira mar ainda curtimos a piscina do condomínio. No dia seguinte fomos com o carro deles, na companhia do Rubens, até a Barra do Cunhaú um caminho muito bonito que tem como ponto alto a travessia de carro em uma balsa muito rústica, na verdade uma plataforma, que se desloca com o carro sendo “movido” por nativos que usam varas para mover a plataforma.

 À tarde fomos conhecer Timbaú do sul, outro lado de Pipa. Também tem um visual bem bonito onde é possível ver o encontro do mar e o rio. Final do dia deu para fazer uma um passeio no centrinho para uma cervejinha e um  sorvete.

Voltamos ainda mais um dia Para Nisia Floresta para curtir um banho na lagoa e fazer churrasco de carne de sol e feijão verde, comida nordestina das boas.

 De lá fomos de carro com Edineusa para Natal, prestigiamos uma mostra de fotografia em homenagem as mulheres negras, admiramos o Morro do careca, fomos no Forte dos Três Reis Mago, na área central da capital e no Centro de artesanato comprar lembrancinhas. Voltamos para Nisia Floresta para pernoitar e no dia seguinte pegar nossa branquela e colocar na estrada novamente.

 Obrigada amigos pela recepção, companhia e parceria.

Na manhã seguinte partimos cedo, paramos para tomar café no Forte dos Reis Magos, nos despedimos de Natal atravessando toda a orla de Branquela Viajante. 

Nossa próxima parada é em Genipabu, onde curtimos o passeio de bug nas grandes dunas da praia (R$ 150,00), vimos os dromedários - não achamos interessante fazer passeio neles -, rimos dos tombos no esquibunda e curtimos o banho no final da tirolesa. Nossa base foi em um estacionamento bem no final da rua principal, próximo dos bares e do acesso às dunas. Tranquilo - estávamos sozinhos -, barato R$ 20,00 diária e bem localizado.

 No final do dia subíamos as dunas para ver o Pôr do sol e o nascer da lua, um momento especial para nós. Hoje tenho a avaliação de que devíamos ter ficado mais tempo e aproveitado aquela tranquilidade alguns dias.


Na sequencia da viagem pelo litoral do Rio Grande do Norte conhecemos Barra de Maxaranguape, Maracajaú - com direito a tradicional foto na árvore do amor - e Touros onde o registro foi no famoso Marco Zero da BR 101- agora podemos dizer que fomos de um extremo ao outro da BR 101. 

A parada para descansar foi em São Miguel do Gostoso, uma pequena praia cheia de charme e comida boa. Iríamos ficar no estacionamento de uma pousada, mas um desencontro nos deixou na rua a duas quadras da pousada, o que não foi problema, rua tranquila, beira mar, muito próximo da região que concentra os bares e restaurante.

 Estava acontecendo o festival gastronômico do camarão e aí foi se deliciar com risoto de camarão, empanado de camarão, torta de camarão, camarão alho e óleo...  Durante o dia fomos conhecer a Praia de Tourinhos, cujo acesso tem 8 km de estrada de terra, mas a água boa e a beira mar com suas falésias petrificadas onde nos divertimos identificando formatos de objetos e animal, vale os solavancos da estrada.
 Na saída passamos novamente pelo Marco Zero a caminho do Farol do Calcanhar, segundo maior do Brasil e localizado no lugar conhecido como “esquina do continente” , porque ali o litoral brasileiro faz uma curva. Foi ali, a ao lado do enorme farol que fizemos nosso almoço e nos despedimos do Estado do Rio Grande do Norte. Valeu povo Potiguar!



CEARA



Próxima parada: Praia de Canoa Quebrada, Município de Aracati - este foi um “reviver” depois de 20 anos. A diferença é que agora levamos a casa junto hahaha.

 Paramos no estacionamento da Pousada Via Láctea, tendo o mar como quintal. A estrutura da pousada - quiosque e piscina - fica liberada para uso dos "Motorhomeiros". Estávamos sozinhos quando chegamos, mas logo nos reencontramos com os amigos Rômulo e Ana.

 Foram ótimos dias, com bastantes caminhadas beira mar, fotos lindas nos labirintos das falésias e no logotipo da praia, pôr do sol nas dunas, banhos de piscina e o convite para comer “moqueca de arraia” e feijão verde, feitos por Marília, amiga de Rômulo e Ana e onde estão hospedados. Totalmente aprovada tanto a moqueca como a anfitriã e os novos amigos.

Despedimos-nos dos amigos e pegamos a estrada novamente, para dar continuidade ao nosso roteiro pelo litoral do nordeste. Paramos na Praia de Águas Belas, ao lado da ”barraca do abençoado” para fazer uma parada antes de chegar a capital Fortaleza.

 À noite passamos um momento de medo quando três motoqueiros chegam fazendo muito barulho e ao olharmos pela janela do motorhome, vimos que estão armados e logo “somem” dentro da barraca. Ficamos quietos, trancados, aguardando. Depois de uma hora saem da barraca, ligam as motos e saem acelerando forte.

 O restante da noite foi de pouco sono e muita tensão, até que ao amanhecer e abrir a barraca soubemos que eram policiais em ronda e que é parte da rotina aquela parada. Sei não! Pareceu muito fora do padrão.

Como José nos últimos dias não estava se sentindo bem, a arritmia que já monitora estava acentuada, decidimos procurar um serviço de saúde ali mesmo na vila. Fomos muito bem atendidos na Unidade de Saúde do SUS, olharam sinais vitais, passaram para consulta clinica e o resultado foi um aconselhamento para irmos ao hospital especializado em cardiologia que tem no caminho para Fortaleza. 

Lá fomos nós mais uma vez para um plantão - José está ficando especialista nestas visitas a um plantão, inclusive com um episódio internacional em Istambul - Turquia. No Hospital do coração e pulmão de Messejana a 65 km de Fortaleza, novamente fomos muito bem atendidos. Fizeram exames de avaliação cardiológica de rotina o deixaram em observação fazendo medicações no soro.

 Oito horas depois, com os resultados dos exames prontos e a revisão da cardiologista feita foi liberado com a arritmia estabilizada. Registrando que estamos ainda em pandemia de Covid e ambiente hospitalar é área de risco, mas não tivemos alternativa, torcer para não ser contaminado e vida que segue.

Chegamos à Fortaleza, mais uma capital de estado, cidade grande e com fama de ser insegura, já no final da tarde. Decidimos não nos expor e fomos direto para o estacionamento da Pousada Praia Sul, na Praia do futuro, constante no aplicativo Viva Sobre Rodas, cobra R$ 20,00 por pessoa a diária. A pousada é muito simples, na verdade são alguns quartos de aluguel e a casa onde reside a proprietária. Não tem estrutura, apenas um terreno murado - na época estava mal cuidado -, com água e luz. 

A vantagem é que fica a uma quadra do mar e dá para ir a pé caminhar pela orla da Praia do Futuro, bem próximo a famosa barraca do Crocobeach, foi o que fizemos.

 A pousada passou a ser nosso ponto de parada nos dias que ficamos na capital cearense, dali nos deslocamos para o Jardim Japonês, para o Centro de Turismo, para a Praia de Iracema,  a região onde fica o Mercado Central, a Catedral metropolitana e o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - Aqui deixo um registro de alerta: Paramos a Branquela no estacionamento da Biblioteca Pública e fui caminhando até o Mercado Central, sozinha, umas quatro quadras, no meio da tarde.

 Durante as compras fui conversando com o pessoal das bancas sobre a cidade e quando ouvi pela terceira vez a recomendação para não voltar naquele trajeto após as 16 h, que era perigoso de assalto, decidi que iríamos embora da cidade. Voltei quase correndo para a Branquela, relatei as conversas para José, somamos a isso a visão que tínhamos de grupos de potenciais usuários de drogas, morando na rua no entorno e reafirmamos a decisão de partir. 

Nem voltamos para a pousada, como acertávamos as diárias a cada manhã dali mesmo seguimos para uma praia pequena a 30 km de Fortaleza - Cumbuco.

Bela escolha! Praia pequena, tranquila e fomos bem recepcionados pelo pessoal de um bonito restaurante beira mar. Ali almoçamos, curtimos as espreguiçadeira à tarde e ainda de brinde nos ofereceram para pernoitar ao lado da portaria, com guarda toda a noite. Foi uma ótima escolha trocar a agitação de Fortaleza pela calma de Cumbuco.

 No dia seguinte depois de um gostoso e demorado café da manhã ainda aproveitamos o belo quintal para um refrescante banho de mar, antes de partir.

 Na sequencia tentamos parar na Praia de Lagoinha, de inicio ficamos animados com a beleza do lugar, belo cenário com mar, rochedos, falésias e uma linda enseada. Ao rodar na área urbana nos chamou a atenção e causou estranhamento ver tantas pichações nos imóveis, muros e nas placas de sinalização.
 Paramos em um mirante para nos informar sobre o local indicado no “Viva Sobre Rodas” para apoio. Segundo os guias que falamos o referido hotel não tem mais o estacionamento, mas nos disseram que seria seguro ficar na rua e nos ofereceram passeios de bugui. Estávamos prontos para ficar quando resolvi perguntar sobre as pichações e aí ouvi a resposta que nos deixou chateados: são as facções, as milícias. Como assim? Aqui? Sim, estão aqui, e pasmem, na argumentação de um guia de turismo "A população apoia - penso que falava dele próprio - depois que chegaram aqui botaram ordem, acabou os roubos de celulares e objetos dos turistas, agora trabalhamos mais tranquilos". 
 Entre incrédulos e revoltados de ver uma pessoa defender traficante, bandidos violentos porque eles acabaram com "malandros maconheiros" demos meia volta e nos negamos ficar na cidade. Grandes criminosos que fornecem as drogas que regam as grandes festas de turistas são bem vindos? Onde estamos!

A troca foi boa, deixamos Lagoinha para trás e fomos para a famosa Jijoca de Jericoacoara. Combinamos com os amigos Rômulo e Ana de nos encontrar lá, para juntos curtirmos aquele paraíso.

 O nosso acampamento foi em Jijoca de Jericoacoara, no Camping do Tião, de fácil acesso e com boa estrutura a beira da Lagoa de Jijoca. A diária custou R$ 30,00 por pessoa. Dali saímos para fazer os passeio na vila de Jericoacoara de carro 4x4 com o próprio filho de Tião.

  Aqui aproveito para uma informação: não é permitido entrar em Jeri, como é carinhosamente chamada a vila, de carro particular. Indo de carro, antes de entrar na vila é obrigatório deixar o veículo em um estacionamento fora, ali às pousadas e carros cadastrados “buscam” os turistas. Outra peculiaridade que torna Jeri única são as ruas e até alguns estabelecimentos comerciais literalmente “pé na areia”, ou seja, você vai caminhar e entra nas lojas pisando na areia. A iluminação tipo lampião nas ruas e no comércio também acaba sendo um charme que torna a noite de Jeri uma atração. Outra peculiaridade: é cobrada uma taxa semanal de permanência em jeri, nós, idosos, fomos isentos.

Os passeios são vários, mas basicamente se dividem em lado leste e lado oeste.  O lado leste é o mais procurado e foi o que optamos de conhecer. A saída foi cedinho, na camionete 4x4 do filho do Tião. Fomos eu, José, Ana e Rômulo, grandes parceiros desta etapa. Valor do passeio R$ 160,00 por pessoa.

 O trajeto passa por dunas e mangues, onde seria difícil passar com outro tipo de carro. 

A primeira parada foi no Beach Club um lugar muito bonito, com uma decoração valorizando a arte e os costumes regionais com bom gosto e criatividade. Também é top os bares e restaurantes do local, com refeições servidas em decks dentro d’água. 

Dali seguimos para a próxima parada o “buraco azul”, literalmente um buraco, formado pela ação do homem - que retirou terra da área para aterrar uma trecho da estrada em construção - e que “encheu” com água da chuva. De início era local onde os moleques locais se banhavam, foi ficando conhecido e o dono decidiu investir e abrir ao público. Hoje é uma das principais atrações da região, sendo o azul intenso da água e a estrutura oferecida que convidam o turista a curtir o local. 

A parada para o almoço também foi em um restaurante a beira mar, comemos um gostoso peixe grelhado olhando o mar. Na sequencia paramos na “árvore da preguiça”, outra atração muito visitada, apesar de ser uma simples árvore que, pela ação natural do tempo, se curvou e ficou com um formato tipo deitada, originando seu nome. É registro fotográfico quase obrigatório, e disputado, pelos turistas que passam por ali.














Dali já estávamos próximos à vila de Jeri, onde o carro nos deixa para passarmos o restante do dia explorando este paraíso.
 As opções de passeio na vila são majoritariamente gastronômica, artesanal e o encantamento visual. Cada cantinho tem um objeto, uma luz, uma referencia a singularidade da vila, que forma um belo conjunto.
 Optamos em não ir até a famosa Pedra Furada porque nenhum de nós se dispôs a caminhar mais de 2 km e ficar na fila para uma foto. Fica para uma próxima vez! Escolhemos andar pelas estreitas e charmosas ruas, entrar em lojas, provar sorvetes, enquanto esperávamos o famoso pôr do sol. E ele veio lindo! Assistimos sentados em uma canga ao belo espetáculo. Já era noite quando retornamos pela beira mar até nosso ponto de apoio, o Camping do Tião.

No dia seguinte resolvemos fazer um churrasco e curtir o dia no Camping, aproveitando a lagoa para se banhar e curtir um momento relex nas redes dentro d’água, delícia!Jeri é um destes lugares que dá para afirmar: quero voltar!


 PIAUÍ

Combinamos com os parceiros Rômulo e Ana em sair de Jericoacoara no dia seguinte rumo ao Delta do Parnaíba, para assistir a o espetáculo da revoada dos guarás. E já alerto! Vale muito incluir no roteiro. Fomos antes e nos colocamos direto no Porto dos tatus - na Ilha grande, distante 11 km do município de Parnaíba, de onde saem os passeios. O Porto dos Tatus também é local de saída de passeio para outras ilhas do delta, são vários barcos, catamarãs, voadeiras que se aglomeram na marina oferecendo diversidade e alegria aos aventureiros. Esperamos nossos parceiros Ana e Rômulo com almoço pronto para sairmos logo que almoçássemos.






                 Contratamos uma voadeira para nós quatro e convidamos outro turista que aguardava vaga compartilhada, assim a negociação ficou mais acessível para todos. Pagamos R$ 550,00 valor dividido entre cinco pessoas. Saímos 13h30min “voando” pelo rio com nosso condutor, a sensação é essa... voar acima d’água, amei! No trajeto passamos por um verdadeiro labirinto de ilhas, dunas e mangue. 


Há paradas no mangue, onde os "locais" literalmente se enterram no mangue catando os caranguejos (peninha que neste dia quando chegamos ao local já estavam retornando); nas dunas e lagos (cenário parecido com os lençóis maranhenses) com direito a um maravilhoso banho; e por fim a cereja do bolo, a ilha do Caju, onde inúmeros guarás retornam para seu pernoite.
Os guarás são aves em extinção e a cor vermelha das penas se deve a sua alimentação a base de caranguejo.
É um verdadeiro espetáculo! O céu se tinge de vermelho e são incontáveis os pássaros que atravessam o rio, sobre nossas cabeças, para pousar nas árvores. E como um presente para tornar o momento mais especial, ainda fomos brindados por um pôr do sol deslumbrante.

Foi realmente um presente especial da natureza que agradeço cada vez que relembro. O retorno foi já ao anoitecer, outro espetáculo, várias lanchas voadeiras em um bailado pelo rio, formando ondas, subindo e batendo de volta à água em alta velocidade, confesso que até deu certo medinho. Tudo certo, chegamos sãos, salvos e maravilhados com a lua a nos iluminar.

Pernoitamos ali mesmo na marina do Porto dos Tatus para no outro dia iniciar nosso retorno, sairemos do “final do nordeste” para o “extremo sul” do país.

 Seguimos com nossos parceiros, Ana e Rômulo, primeiro em um tour pela cidade de Parnaíba, onde tentamos visitar o museu do mar que estava fechado. Ainda circulamos pela cidade, explorando sua arquitetura e seu cotidiano.

 

Depois optamos trafegar pela BR 343 até chegar ao Parque das Sete Cidades no município de Piracuruca - PI. Recomendo muito aos viajantes que passarem na região fazer esta parada, o parque é uma área de proteção ambiental e de proteção integral da natureza, está cercado pela área de proteção ambiental da Serra da Ibiapaba

Foi criado em 1996 e nos seus 1.592.550 hectares é possível visualizar formações geológicas milenares que nos convidam a soltar a imaginação e criatividade. Dá para “ver” tartaruga, mapa do estado, ponte de pedra, camelo, pinturas rupestres... e o visual dos mirantes então... Tiram o fôlego. São sete paradas - cidades - cada uma com sua beleza e peculiaridade. Tivemos a sorte de sermos acompanhados por um guia muito divertido, cheio de estórias engraçadas e misteriosas, uma atração à parte ele. O custo do guia, obrigatório - foi de R$75,00 o casal.

Para percorrer a área deixamos o equipamento de Ana/Rômulo na portaria e fomos os quatro na Branquela Viajante, seguindo o guia, José, em sua moto. De uma “cidade” a outra se percorre de carro, nas paradas há trechos de caminhadas, escadarias e mirantes.

O ingresso no parque é gratuito. De brinde ganhamos um pernoite com água e luz na portaria do parque e ali mesmo fizemos um delicioso junta prato do tipo duque - Du que sobrou ontem - (queríamos dormir dentro do parque, em meio das trilhas, não tivemos autorização).

Retornamos para a estrada cedinho em comboio em direção a mais uma capital - Teresina. Foi bom porque logo tivemos um pneu furado que nos rendeu uma corrida para comprar outro antes que as lojas fechassem, era sábado pela manhã, e só reabririam na segunda. Ufa! Foi corrido, mas conseguimos.

Na capital dos piauienses iniciamos nossa visitação pelo encontro dos Rios Parnaíba e Rio Poty, onde tem uma estátua de Crispim – diz à lenda que o cabeça de cuia, como é chamado, foi amaldiçoado por sua mãe, a qual matou por acidente e só será liberado da maldição de vagar entre os dois rios quando conseguir devorar sete Marias Virgens. No local tem também um barco restaurante bem interessante.

Não conseguimos local adequado para estacionar o que nos impediu de explorar bem o local. Dali fomos fazer um tour na região do Centro Administrativo, onde se concentram vários prédios históricos, no palácio Karnac, e a Igreja de São Benedito. Outro ponto interessante da cidade é o Mirante da Ponte Estaiada, de onde se tem uma visão 360 graus da cidade, o acesso ao topo é por elevador, tranquilo, assim recomendo não ficar fora do tour.

Tem uma área no local indicada nos aplicativos de MH para pernoite, mas achamos muito central e exposto, então optamos em seguir para a AABB, outra indicação dos aplicativos. Foi ótimo, local reservado, arborizado, com restaurante, banheiros, luz e água. Aproveitamos para provar uma das comidas típicas do estado: o arroz Maria Izabel, acompanhado de galinha caipira. Aprovado totalmente, uma delícia!



Aproveitando a proximidade da divisa dos Estados do Piauí/maranhão resolvemos dar uma “espiadela” no estado vizinho. A cidade é Floriano e uma ponte delimita a divisa. Aí foi passar a ponte, dar uma voltinha na orla, tirar uma foto, e retornar. Entramos em mais um estado - Maranhão -, brincadeira de estradeiros.

De volta à BR 135 passamos pelo monumento da batalha de Jenipapo, localizado na cidade de Campo Maior - PI, um monumento erguido em 1973, lembra este episódio que é um marco na luta pela da independência do Brasil. Também tivemos a sorte de passar por uma vaquejada, com os vaqueiros devidamente vestidos e “aboiando” o gado. Foi um belo presente nesta passagem pela região.

Ainda na BR 135 seguimos até o Balneário do Poço Violeta. O local é muito simples, sem estrutura, em compensação tem uma atração que paga a parada. É um antigo poço perfurado que encontrou um lençol de água termal e por pressão faz a água jorrar a 90 metros de altura e cair, forte, quente, sobre nossas cabeças. Para quem gosta de banho menos radical tem ao lado uma piscina de água corrente e quente, ótimo para fazer um relaxamento após o banho radical.
O valor cobrado é de R$15,00 o pernoite com uso liberado da área de banhos nas águas quentes. Apesar de ser final de tarde todos nós entramos na deliciosa, quente, forte e relaxante água do poço violeta onde ficamos até anoitecer.

Depois de rodar direto durante todo o dia e atravessar a divisa dos estados do Piauí e Bahia, o pernoite do grupo - sim continuamos com os amigos Rômulo e Ana - foi no Município de Barreira BA, em outro local relaxante, próximo ao entroncamento das BR(s) 135 e 020.


É a Pousada Novas Ondas, que tem o Rio das Ondas passando dentro da área da propriedade e possibilita um gratificante banho de rio, que foi desviado e represado, formando uma piscina natural, para desfrute dos hóspedes.

Os proprietários atuais estavam iniciando as atividades, ainda sem local específico para MH, mas nos receberam e afirmaram que pretendem abrir espaço para motorhome no futuro. José, Rômulo e Ana novamente foram “brincar” na água enquanto eu preferi fotografar e filmar a farra, tomando uma cervejinha com peixe fritas.





GOIAS

 

Na manhã seguinte cedinho lá fomos nós para a estrada novamente, desta vez temos pressa de chegar, o motivo? Nossos parceiros já estão chegando a sua casa, sim, vamos parar direto em Brasília - DF, onde moram Ana e Rômulo.

Eu e José até pensamos em seguir direto, mas não poderíamos deixar de aceitar o convite dos nossos novos amigos, sempre tão gentis e parceiros nesta jornada.

Chegamos na casa deles final da tarde, e a recepção foi especialmente eufórica dos filhos de quatro patas, três belos cachorros cheios de saudades dos donos. O jantar foi com a família, regado a uma boa prosa e já sentindo o gostinho da despedida. Sem querer ser mal educados, agradecemos o convite para dormir na suíte da confortável residência, ainda bem que eles também sendo motorhomeiros sabem o quanto esta tribo gosta de ficar em sua própria casa rodante. Foi assim! Na hora de dormir nos recolhemos a nossa Branquela Viajante estacionada no pátio da casa. Ainda, antes de partir, fomos fazer umas andanças com nossos gentis anfitriões. José, com Rômulo, consertar a câmera da ré da Branquela e eu, com Ana, comprar guloseimas típicas da região para levar para o povo do sul do país.

Obrigada amigos! Esperamos em breve retribuir. Lá fomos nós pela BR 050, depois pela BR 040, rumo ao sul do país.

Saímos da Capital brasileira com o gostinho de “foi bom rever-te”, e o desejo de que possamos estar aqui em 01/01/2023, comemorando a vitória da democracia em nosso país.

Optamos em incluir no nosso retorno uma passagem por mais um destino que não faz nosso estilo, mas como é muito procurado e elogiado pelos campistas decidimos conferir. É o município de Caldas Novas - GO, conhecida como “paraíso das águas quentes” é considerada uma das maiores estância hidrotermal do mundo. Suas águas naturalmente quentes - 36 e 70 graus - e com propriedades terapêuticas atraem turistas o ano todo. São Parques aquáticos, hotéis, resorts, clubes, todos oferecendo acesso a diferentes pontos de banho.

Passeamos pelo centrinho da cidade, onde fiz umas comprinhas, em uma das inúmeras lojas voltadas para trajes de banho, óbvio. Mais ao final da tarde fomos até o lago Corumbá caminhar e apreciar o pôr do sol, tomando chimarrão. Como ainda estamos em pandemia e não é muito nosso gosto lugares barulhentos e cheios optamos em não entrar em nenhum dos parques/hotéis. Olhamos, avaliamos e saímos. Quem sabe em outra oportunidade e sem pandemia? Já à noite, fomos pernoitar no Camping/restaurante “Novilho de Ouro”. Ele conta com restaurante, piscinas, banheiros e churrasqueiras. Valor da diária R$ 30,00 por pessoa. Fomos dormir cedo para amanhã retomar a estrada.




MINAS GERAIS

Nossa próxima parada foi especial, nem estava na programação. Vimos que um bom roteiro seria atravessar MG passando por Uberlândia e Uberaba, foi então que lembramos de que Uberaba era a terra de Chico Xavier, referência no espiritismo, e um irmão que admiramos muito. Lá fomos nós procurar o memorial Chico Xavier e visitar a casa onde Chico viveu, hoje transformada em local de visitação, e que nos lembra de um ser de pura humanidade e amor. Conhecemos cada cantinho onde ele passou parte de sua existência terrena e seu filho, hoje responsável pelo acervo. Foi um grande privilégio!

SÃO PAULO

Seguindo pela BR 050 a nossa parada para pernoite foi em Ribeirão Preto-SP, em um posto de combustível da rede Grall. E aqui aproveito para parabenizar e agradecer aos proprietários deste tão importante serviço, que prestam apoio e oferecem suas estruturas, sejam caminhoneiros, ônibus, campistas, andarilhos... são parceiros que muito contribuem para aqueles que estão pelas estradas, seja a trabalho ou a lazer. Obrigada! Ah! E a lembrança a todos os campistas que não deixem de abastecer e agradecer em cada parada em que somos acolhidos.

Outra opção que fizemos foi passar dentro do Parque Estadual Carlos Botelho que abrange parte das cidades de Sete Barras, Capão Bonito e São Miguel. Já havíamos feito a travessia de carro uma vez, mas na época devido o tempo chuvoso e a neblina não conseguimos apreciar as belezas. Desta vez programamos de parar e quem sabe pernoitar. Conseguimos fazer a visita bem tranquilos, realizando a caminhada por duas das trilhas abertas ao público e ao museu com várias espécies de animais do eco sistema, empalhados ou em fotos. Acabamos não pernoitando porque a autorização estava demorando e ficamos com receio de anoitecer e vir negativa. Depois de estarmos na saída do parque recebemos mensagem que haviam autorizado. Putz! Agora foi! Pernoitamos mais uma vez em um posto de combustível da rede Grall, desta vez em Registro - SP.

Dali, cedinho, rumamos para nosso destino final, nossa bela e santa Catarina. Com uma paradinha na casa da filha em Florianópolis - SC para matar a saudade e dar muitos beijos e abraços, além de comer uma deliciosa lasanha, estamos prontos para os kms finais da viagem para chegar a nosso paraíso, Imbituba - SC.



Mais uma vez, Obrigada Universo!



Resumo da viagem:

Dias de viagem: 127

KMS rodados: 15.023

Estados percorridos: 14(SC, PR, SP, MG, GO, BA, PB, AL, SE, PE, RN, CE, PI, MA e mais DF).

Capitais de estados: 10 (Florianópolis, Curitiba, Salvador, João Pessoa, Maceió, Aracajú, Recife, Natal, Fortaleza, Teresina).



Gastos: 

 . Combustível: R$ 8.370,00 27,00%

· Alimento: R$ 7.701,15 24.07%

· Oficina: R$ 5.028,00 16,01 %

· Compras: R$ 3.352,80 10.07%

· Passeios: R$ 2.493,00 8,02%

. Camping: R$ 3.146,00 10,12%

· Pedágios: R$ 283,00 0,90%

· Balsas: R$ 145,40 0,46%

· Uber: R$ 168,00 0,54%

· Guias: R$ 395,00 1,27%

· TOTAL R$ 31.082,35




 Comemorando o retorno, com festejos de Natal em família, no nosso paraíso.


 

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