Jalapão 2022. Uma aventura especial!
Chegou a hora de conhecermos um dos atrativos mais visitado
e inusitado, não só na região Norte, mas no Brasil - O Jalapão. E a fama é
merecida, o lugar é cheio de lugares únicos, lindos e surpreendentes. Te convido para viajar junto, através desta
leitura. Prepare-se para a aventura!
A região do Jalapão fica no leste do estado do Tocantins, limites com os estados da Bahia, Piauí e Maranhão, ou seja, no coração do Brasil. Seu bioma é o cerrado, sua área é de quase 40 mil km ² e engloba 10 municípios. Já o Parque Estadual do Jalapão é uma Unidade Nacional de Conservação com área de um pouco mais de 158 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Mateiros e São Felix do Tocantins .O acesso mais fácil, e o qual optamos, foi através da capital do Tocantins- Palmas. Lembrando que o Estado do Tocantis é o mais novo estado brasileiro. Foi criado na constituição de 1988, depois de várias tentativas anteriores frustradas. Em 1989 foi instalado oficialmente e em 1990 foi transferida sua capital para a cidade projetada de Palmas. Sua capital foi totalmente planejada, suas enormes avenidas e conexões oferece uma mobilidade desejada por qualquer motorista, sendo a capital de estado mais espaçosa e organizada que já visitamos.
Estacionamos o motorhome no estacionamento
público, em vaga em frente a unidade dos bombeiros, achamos mais seguro assim.
E foi tranquilo mesmo. Durante o dia o local é movimentado, principalmente pela
movimentação constantes de barcos de passeios e particulares, a noite muda o
público, o local se transforma em um lugar de encontro da população e de
turistas.

Iniciamos
nosso tour pela Praça dos Girassóis, projetada para abrigar a sede dos poderes
Executivo, Legislativo e Judiciário, portanto, o centro de decisões do jovem
Estado do Tocantins. Uma curiosidade: é uma das maiores praças em extensão do
mundo. Ali circulam conjuntamente as pessoas que detém o poder decisórios do
estado, a população que toma a praça para seu lazer e religiosidade (fica na
praça a igreja matriz da religião católica) e os turistas que podem conhecer
bastante da história do estado através dos monumentos, das estátuas e dos
lindíssimos painéis presentes na arquitetura do Palácio Araguaia, sede do
Governo Estadual.
Destacamos dois monumentos entre os muitos espalhados pela praça: o denominado “Súplica dos Pioneiros” que homenageia os primeiros moradores através da escultura de uma família em bronze; o “Memorial Coluna Orestes” obra de Niemeyer, que lembra a passagem da Coluna Prestes pela região.
Nosso almoço foi feito e saboreado na Branquela, em um cantinho discreto da enorme praça. Com total discrição pudemos passar horas apreciando, explorando e descansando naquele verdadeiro museu a céu aberto.

Dali seguimos para uma oficina para fazer troca de óleo e filtros da nossa Branquela Viajante, afinal manutenção é essencial para seguirmos viajando com mais segurança. Aproveitamos também para ir até a pousada onde iremos pernoitar na véspera da saída e deixar a Branquela estacionada enquanto estaremos no Jalapão. Tudo certo, combinações feitas fomos até a sede da agência que contratamos o pacote para conhecer, não atendem presencial, falamos por telefone e finalizamos as combinações. Tudo encaminhado voltamos pra a Praia da Graciosa para curtir mais um lindo pôr do sol e, tomar uma cervejinha gelada nos barzinhos, e pernoitar em frente aos bombeiros.

No dia
seguinte aproveitamos para explorar um pouco mais a cidade. Desta vez fomos até
o Parque Cesamar, outro lugar com muito verde, lago, capivaras, passeios públicos e área de lazer. Passamos a
manhã aproveitando o frescor do lugar - Palmas é muuuito quente. Mais uma vez
fixemos almoço na nossa casa rodante, estacionados na sombra das árvores. O voo
dos parceiros chegaria às 16h, no trajeto para buscá-los fomos passeando e
apreciando as belezas urbanas.
Jorge e Simone chegaram na hora prevista, estávamos à espera. Fomos direto para a Pousada Morada do Lago, aonde vamos todos pernoitar. Deixamos as bagagens e fomos todos para a Praia da graciosa aproveitar o final de tarde, com um chimarrão no belo gramado da orla. Esticamos até a noite e saboreamos um delicioso jantar no Panela de Barro. Os bares e restaurantes dali são bem movimentados, alegres - com música ao vivo -, e com várias opções de cardápio. Boa pedida!
A saída para
o Jalapão foi cedinho, às 7h:30 min. A empresa que contratamos foi a Agência
4x4 e o custo de nosso pacote foi R$ 5.600,00 por casal, para cinco dias. Está
Incluso no pacote o carro 4x4, guia, deslocamentos, hospedagens, algumas
refeições e os principais ingressos. Paga por fora alguns atrativos opcionais,
tipo tirolesa, rapel, fotos especiais. Nosso simpático guia foi o Raimundo
Nonato.
Saímos dia
21 julho/22 já fazendo paradas no caminho antes de chegar em Ponte Alta,
considerada a porta de entrada para o parque. Conhecemos as cachoeiras Escorrega
Macaco e Roncadeira, na última fizemos uma tirolesa que atravessa um vale bem
bonito. Já começamos em velocidade acelerada! O almoço foi em uma vila onde se
misturam turistas e moradores locais.
O primeiro
pernoite foi no pequeno município de Ponte Alta que fica às margens do rio do
mesmo nome. Ali assistimos a “gurizada” fazer fila para saltar da ponte e se
banhar no rio, em uma algazarra típica de turma de amigos em uma cidade do
interior. Meu irmão, Jorge, se arriscou e fez a travessia nadando junto com eles,
contou com a curiosidade e as risadas dos meninos como apoio. Antes de terminar
o dia Nonato nos levou até um Mirante, no Morro da Cachorra. Lá tem uma “casa
na árvore” que dá uma bela visão da região. Lógico que não deixamos de escalar
a árvore e se sentar lá no topo para assistir o belíssimo pôr do sol. Dalí
fomos para a pousada jantar e descansar, tinha opção de um banho de piscina,
mas não entramos, ficamos só de papo. Começamos bem!

O segundo
dia começou cedo novamente. Depois de um gostoso café da manhã partimos com nosso
guia, Nonato, para conhecer dois atrativos localizados no município: a pedra
furada e a Lagoa do Japonês. O primeiro fica a 35 km da cidade em uma
propriedade particular. No horário do pôr do sol é disputada pelas agências de
turismo, tem até fila para foto que ficam lindas mesmo. É um enorme paredão
natural no arenito, salpicada de alguns “furos” que formam um cenário bem
interessante em meio ao cerrado. O acesso é por estrada de chão e depois uma
leve caminhada. O segundo fica mais distante e se destaca pela transparência da
água e o tom azulado, é bonita, mas nada de muito especial
.





Na volta
para Ponte Alta paramos novamente no mirante para mais uma vez encerrar o dia
com uma bela imagem e agradecer as belezas do dia. Nesta segunda noite na
cidade trocamos de pousada, segundo Nonato porque a pousada para onde mudamos
estava sem vaga no dia anterior. Foi ótima troca a janta estava maravilhosa, o
feijão tropeiro, acompanhado de couve e carne de sol estavam deliciosos. Depois
de jantar fomos caminhar até o rio novamente e a tração da vez era foi uma
festa de rua, com comidas regionais, muita cerveja, música de gosto duvidoso e
o povo dançando o “piseiro” na rua.






Na manhã seguinte lá fomos nós novamente para as estreita estradas de chão batido, misturando terra e areia, quase trilhas mesmo. Nosso destino? Cânion Sussuapara - um dos lugares tops desta viagem. A gente caminha por dentro da água em um tipo de desfiladeiro, entre altos paredões de pedra. A luminosidade entra pelo alto e dá um brilho especial as gotículas de água e a vegetação que caem dos paredões. Ao final da trilha uma cachoeira encerra a caminhada. Foi lindamente refrescante!


Dali
seguimos para o almoço em uma comunidade local. Foi no restaurante da Dona
Minervina, com horta, frutas, galinhas, comida simples boa e papo simpático.
Perto dali fica a Prainha do Rio Novo, bom para um banho refrescante.

A próxima parada foi na árvore dos desejos, com a Serra do Espírito Santo e o Morro do Saca Trapo ao fundo, cenário lindo. Nosso pedido: Voltar aqui outras vezes. Neste lugar foram gravadas cenas da novela “Do outro lado do paraíso”, da Rede Globo. No local tem também o Bar da Josefa, neste dia, havia dois violeiros tocando viola de sucupira- Instrumento típico da região - e cantando músicas regionais, muito bom.



Destes três
o mais visitado é o Buriti, o seu contorno é cheio de buritis, sua água tem tom
de verde e a flutuação é tranquila. O Ceiça é o mais antigo, tem bananeira no
entorno e muito visitado. O que mais gostamos foi o Macaúba que dá a sensação
de choque nos pés conforme conseguimos levemente afundar na água. Ambos se
acessam por vias transversais do TO-110 entre Mateiros e São Felix. São
estradas de terra e areia sem sinalização, dizem os aventureiros de plantão que
é de propósito para os turistas não se arriscar a ir sem as agências.
Nosso
almoço foi na Cabana da Jane, em uma comunidade quilombola, com comida boa, lindas
peças de artesanato em capim dourado e a companhia de uma arara rara que circula
entre os turistas, chega a pousar no ombro dos mais chegados e tem até nome - Nina.
Algum tempo depois de nossa viagem ficamos sabendo, pelo Nonato, que foi morta
criminosamente. Tristeza!

A diversão continuou
a noite quando fomos presenteados com uma visita noturna ao Fervedouro Alecrim.
E que presente! Só nós quatro - o que é uma raridade nestes atrativos – e com o
tempo de permanência liberado. Na falta de palavras para descrever diria que as
crianças, adolescentes, adultos e até os idosos que habitam em nós se
manifestaram intensamente. 

Acordamos
cedinho na manhã seguinte para mais um dia de passeios pelo Jalapão antes de encerrar
nossa aventura. Fomos conhecer e se deliciar em mais um fervedouro, desta vez o
maior deles o Bela Vista. O nome traduz bem o visual, a água de cor esverdeada,
o contorno de plantas e a sensação de flutuar neste “oásis” ´foi uma
experiência maravilhosa.




Os
fervedouros são fenômeno exclusivos do Jalapão? Tá aí uma bela polêmica! Tem informações
contraditórias e não muito confiáveis, então, deixamos a pesquisa para os
curiosos, nós vamos é curtir o momento. Certo é que são fenômenos naturais
formadas por nascentes de rios subterrâneos que não tem espaço para vazão da
água, assim exerce uma pressão e jorra do lençol freático para as piscinas
naturais que se formam. Devido esta pressão não é possível mergulhar na água,
mesmo forçando, sendo a flutuação e a massagem natural causada pelo movimento
da água o grande barato.
Para finalizar nosso pacote com a agência 4x4 depois do Fervedouro Bela Vista fomos para o Rio das Araras. Almoçamos no restaurante da propriedade e passamos algumas horas deliciosas nadando, entrando nos “buracos” do lajeado - Formações naturais do rio que se assemelham a um ofurô - e fazendo massagem natural nas pequenas cachoeiras. Foi ótimo relax.



A caminho de
Palmas mais uma parada para lindas fotos na formação natural chamada catedral. O
nome é representativo - o conjunto de montanhas e o paredão de pedras visto de
longe lembra muito a fachada de uma grande catedral mesmo.




E chega mais
um dia na espaçosa capital do Tocantins, optamos em fazer um passeio de barco
até a Ilha Canela no Rio Tocantins. É um passeio bem tradicional, os pequenos
barcos fazem a travessia e combinam o horário para o retorno. Cobram R$ 100 a
travessia. Lá foi um dia de preguiça, rede, sol, papo. Comemos um peixe “caranha”, sugestão da casa,
vem grelhado, inteiro, acompanhado de arroz e aipim. Estava uma delícia. Retornamos
no barquinho a tarde e passamos mais um final de tarde na Praia da Graciosa. A noite
levamos Simone e Jorge para um airbnb, uma segunda noite na Branquela não
conseguiram encarar.
Pela manhã
buscamos eles na hospedagem e já aproveitamos para fazer um tour pelas
redondezas de carro, atravessamos a ponte Siqueira Campos, exploramos o outro
lado da cidade. Com saudade da comidinha do sul o José preparou um caldo de
aipim, na nossa branquela, para fecharmos nossa parceria de forma gostosa e afetiva.
Depois de uma semana juntos nos despedimos dos nossos parceiros de aventura. Os
levamos até o aeroporto para retornarem para o RS enquanto eu e José nos
preparamos para seguir viagem na nossa Branquela Viajante, desbravando outros lugares,
fazendo novos amigos, nos encantando com novos cenários.






















































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