terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Jalapão 2022. Uma aventura especial!



 

Jalapão 2022. Uma aventura especial!


Chegou a hora de conhecermos um dos atrativos mais visitado e inusitado, não só na região Norte, mas no Brasil - O Jalapão. E a fama é merecida, o lugar é cheio de lugares únicos, lindos e surpreendentes.  Te convido para viajar junto, através desta leitura. Prepare-se para a aventura!

A região do Jalapão fica no leste do estado do Tocantins, limites com os estados da Bahia, Piauí e Maranhão, ou seja, no coração do Brasil. Seu bioma é o cerrado, sua área é de quase 40 mil km ² e engloba 10 municípios. Já o Parque Estadual do Jalapão é uma Unidade Nacional de Conservação com área de um pouco mais de 158 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Mateiros e São Felix do Tocantins .O acesso mais fácil, e o qual optamos, foi através da capital do Tocantins- Palmas. Lembrando que o Estado do Tocantis é o mais novo estado brasileiro. Foi criado na constituição de 1988, depois de várias tentativas anteriores frustradas.  Em 1989 foi instalado oficialmente e em 1990 foi transferida sua capital para a cidade projetada de Palmas. Sua capital foi totalmente planejada, suas enormes avenidas e conexões oferece uma mobilidade desejada por qualquer motorista, sendo a capital de estado mais espaçosa e organizada que já visitamos.


 
Chegamos em Palmas com nossa Branquela Viajante dia 18 julho de 2022. Depois de circular pelas largas avenidas da capital e pesquisar sobre um ponto de apoio na Praia do Prata, escolhemos retornar para a região central e ficar na praia do Rio Tocantins  mais famosa da cidade – a praia da Graciosa - Ótima escolha!

 Estacionamos o motorhome no estacionamento público, em vaga em frente a unidade dos bombeiros, achamos mais seguro assim. E foi tranquilo mesmo. Durante o dia o local é movimentado, principalmente pela movimentação constantes de barcos de passeios e particulares, a noite muda o público, o local se transforma em um lugar de encontro da população e de turistas.




Nossos parceiros nesta aventura será meu irmão Jorge e minha cunhada Simone, moradores de Caxias do sul-RS e que chegarão de avião dia 20, portanto, tivemos dois dias para explorar a cidade de Palmas antes de partir para o Jalapão.

Iniciamos nosso tour pela Praça dos Girassóis, projetada para abrigar a sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, portanto, o centro de decisões do jovem Estado do Tocantins. Uma curiosidade: é uma das maiores praças em extensão do mundo. Ali circulam conjuntamente as pessoas que detém o poder decisórios do estado, a população que toma a praça para seu lazer e religiosidade (fica na praça a igreja matriz da religião católica) e os turistas que podem conhecer bastante da história do estado através dos monumentos, das estátuas e dos lindíssimos painéis presentes na arquitetura do Palácio Araguaia, sede do Governo Estadual.

Destacamos dois monumentos entre os muitos espalhados pela praça:  o denominado “Súplica dos Pioneiros” que homenageia os primeiros moradores através da escultura de uma família em bronze; o “Memorial Coluna Orestes” obra de Niemeyer, que lembra a passagem da Coluna Prestes pela região.

Nosso almoço foi feito e saboreado na Branquela, em um cantinho discreto da enorme praça. Com total discrição pudemos passar horas apreciando, explorando e descansando naquele verdadeiro museu a céu aberto.



Dali seguimos para uma oficina para fazer troca de óleo e filtros da nossa Branquela Viajante, afinal manutenção é essencial para seguirmos viajando com mais segurança. Aproveitamos também para ir até a pousada onde iremos pernoitar na véspera da saída e deixar a Branquela estacionada enquanto estaremos no Jalapão. Tudo certo, combinações feitas fomos até a sede da agência que contratamos o pacote para conhecer, não atendem presencial, falamos por telefone e finalizamos as combinações. Tudo encaminhado voltamos pra a Praia da Graciosa para curtir mais um lindo pôr do sol e, tomar uma cervejinha gelada nos barzinhos, e pernoitar em frente aos bombeiros.

No dia seguinte aproveitamos para explorar um pouco mais a cidade. Desta vez fomos até o Parque Cesamar, outro lugar com muito verde, lago, capivaras,  passeios públicos e área de lazer. Passamos a manhã aproveitando o frescor do lugar - Palmas é muuuito quente. Mais uma vez fixemos almoço na nossa casa rodante, estacionados na sombra das árvores. O voo dos parceiros chegaria às 16h, no trajeto para buscá-los fomos passeando e apreciando as belezas urbanas.

Jorge e Simone chegaram na hora prevista, estávamos à espera. Fomos direto para a Pousada Morada do Lago, aonde vamos todos pernoitar. Deixamos as bagagens e fomos todos para a Praia da graciosa aproveitar o final de tarde, com um chimarrão no belo gramado da orla. Esticamos até a noite e saboreamos um delicioso jantar no Panela de Barro. Os bares e restaurantes dali são bem movimentados, alegres - com música ao vivo -, e com várias opções de cardápio. Boa pedida!

A saída para o Jalapão foi cedinho, às 7h:30 min. A empresa que contratamos foi a Agência 4x4 e o custo de nosso pacote foi R$ 5.600,00 por casal, para cinco dias. Está Incluso no pacote o carro 4x4, guia, deslocamentos, hospedagens, algumas refeições e os principais ingressos. Paga por fora alguns atrativos opcionais, tipo tirolesa, rapel, fotos especiais. Nosso simpático guia foi o Raimundo Nonato.

Saímos dia 21 julho/22 já fazendo paradas no caminho antes de chegar em Ponte Alta, considerada a porta de entrada para o parque. Conhecemos as cachoeiras Escorrega Macaco e Roncadeira, na última fizemos uma tirolesa que atravessa um vale bem bonito. Já começamos em velocidade acelerada! O almoço foi em uma vila onde se misturam turistas e moradores locais.

O primeiro pernoite foi no pequeno município de Ponte Alta que fica às margens do rio do mesmo nome. Ali assistimos a “gurizada” fazer fila para saltar da ponte e se banhar no rio, em uma algazarra típica de turma de amigos em uma cidade do interior. Meu irmão, Jorge, se arriscou e fez a travessia nadando junto com eles, contou com a curiosidade e as risadas dos meninos como apoio. Antes de terminar o dia Nonato nos levou até um Mirante, no Morro da Cachorra. Lá tem uma “casa na árvore” que dá uma bela visão da região. Lógico que não deixamos de escalar a árvore e se sentar lá no topo para assistir o belíssimo pôr do sol. Dalí fomos para a pousada jantar e descansar, tinha opção de um banho de piscina, mas não entramos, ficamos só de papo. Começamos bem!

O segundo dia começou cedo novamente. Depois de um gostoso café da manhã partimos com nosso guia, Nonato, para conhecer dois atrativos localizados no município: a pedra furada e a Lagoa do Japonês. O primeiro fica a 35 km da cidade em uma propriedade particular. No horário do pôr do sol é disputada pelas agências de turismo, tem até fila para foto que ficam lindas mesmo. É um enorme paredão natural no arenito, salpicada de alguns “furos” que formam um cenário bem interessante em meio ao cerrado. O acesso é por estrada de chão e depois uma leve caminhada. O segundo fica mais distante e se destaca pela transparência da água e o tom azulado, é bonita, mas nada de muito especial


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Na volta para Ponte Alta paramos novamente no mirante para mais uma vez encerrar o dia com uma bela imagem e agradecer as belezas do dia. Nesta segunda noite na cidade trocamos de pousada, segundo Nonato porque a pousada para onde mudamos estava sem vaga no dia anterior. Foi ótima troca a janta estava maravilhosa, o feijão tropeiro, acompanhado de couve e carne de sol estavam deliciosos. Depois de jantar fomos caminhar até o rio novamente e a tração da vez era foi uma festa de rua, com comidas regionais, muita cerveja, música de gosto duvidoso e o povo dançando o “piseiro” na rua.












Na manhã seguinte lá fomos nós novamente para as estreita estradas de chão batido, misturando terra e areia, quase trilhas mesmo. Nosso destino? Cânion Sussuapara - um dos lugares tops desta viagem. A gente caminha por dentro da água em um tipo de desfiladeiro, entre altos paredões de pedra. A luminosidade entra pelo alto e dá um brilho especial as gotículas de água e a vegetação que caem dos paredões. Ao final da trilha uma cachoeira encerra a caminhada. Foi lindamente refrescante!

Dali seguimos para o almoço em uma comunidade local. Foi no restaurante da Dona Minervina, com horta, frutas, galinhas, comida simples boa e papo simpático. Perto dali fica a Prainha do Rio Novo, bom para um banho refrescante. 



A próxima parada foi na árvore dos desejos, com a Serra do Espírito Santo e o Morro do Saca Trapo ao fundo, cenário lindo. Nosso pedido: Voltar aqui outras vezes. Neste lugar foram gravadas cenas da novela “Do outro lado do paraíso”, da Rede Globo. No local tem também o Bar da Josefa, neste dia, havia dois violeiros tocando viola de sucupira- Instrumento típico da região - e cantando músicas regionais, muito bom.










Para finalizar o dia em alto nível fomos assistir o pôr do sol nas “Dunas do Jalapão” um lugar especial, neste horário principalmente. Os raios de sol iluminam a areia e o pequeno riacho que passa ao lado, espalhando luz, proporcionando um conjunto lindo. Voltamos para a pousada com os olhos e o coração cheios de boas imagens e lembranças.





Agradecidos pelo belo dia retornamos para a pousada em Mateiros. Na chegada ainda deu para aproveitar um banho de piscina antes de sair para jantar em companhia do nosso guia, Nonato, um restaurante da vila, incluso no pacote.

E chegamos ao nosso quarto dia no Jalapão, hora de conhecer as cerejas deste bolo - Os famosos fervedouros. Durante o dia nos deliciamos nos Fervedouros do Ceiça, Buriti e Macaúba. Cada um deles está envolto em diferente tipo de vegetação – bananeiras, buritis-, também diferem nos formatos, tamanhos, temperatura e cor da água. O que é comum?  A beleza, a novidade, a peculiaridade e as muitas risadas que provocam conforme se descobre os efeitos da ressurgência da água no nosso corpo.  Foi muita diversão e boas gargalhadas durante todo o dia, com encenação de nados e coreografias, parecíamos quatro crianças com um brinquedo novo.






Destes três o mais visitado é o Buriti, o seu contorno é cheio de buritis, sua água tem tom de verde e a flutuação é tranquila. O Ceiça é o mais antigo, tem bananeira no entorno e muito visitado. O que mais gostamos foi o Macaúba que dá a sensação de choque nos pés conforme conseguimos levemente afundar na água. Ambos se acessam por vias transversais do TO-110 entre Mateiros e São Felix. São estradas de terra e areia sem sinalização, dizem os aventureiros de plantão que é de propósito para os turistas não se arriscar a ir sem as agências.

Nosso almoço foi na Cabana da Jane, em uma comunidade quilombola, com comida boa, lindas peças de artesanato em capim dourado e a companhia de uma arara rara que circula entre os turistas, chega a pousar no ombro dos mais chegados e tem até nome - Nina. Algum tempo depois de nossa viagem ficamos sabendo, pelo Nonato, que foi morta criminosamente. Tristeza!



Antes do dia finalizar ainda fomos em mais um atrativo, a Cachoeira da Formiga. Um lugar muito gostoso, com água cristalina e bom para nadar. Outro momento de diversão e relaxamento.


A diversão continuou a noite quando fomos presenteados com uma visita noturna ao Fervedouro Alecrim. E que presente! Só nós quatro - o que é uma raridade nestes atrativos – e com o tempo de permanência liberado. Na falta de palavras para descrever diria que as crianças, adolescentes, adultos e até os idosos que habitam em nós se manifestaram intensamente. 


Nosso guia Nonato foi muito especial nos proporcionando esta experiência e participando com suas filmagens e gargalhadas. O acesso noturno ao fervedouro é restrito a quem está hospedado na propriedade ou sortudos como nós que tem um guia com ótimas relações. É um dos poucos que tem um deck e escada alta que permite visual de cima. E o Céu? ah que céu! a lua e as estrelas iluminaram nossa alegria e encantamento. Finalizamos o intenso dia com um gostoso jantar na pousada em São Felix.









Acordamos cedinho na manhã seguinte para mais um dia de passeios pelo Jalapão antes de encerrar nossa aventura. Fomos conhecer e se deliciar em mais um fervedouro, desta vez o maior deles o Bela Vista. O nome traduz bem o visual, a água de cor esverdeada, o contorno de plantas e a sensação de flutuar neste “oásis” ´foi uma experiência maravilhosa.









Os fervedouros são fenômeno exclusivos do Jalapão? Tá aí uma bela polêmica! Tem informações contraditórias e não muito confiáveis, então, deixamos a pesquisa para os curiosos, nós vamos é curtir o momento. Certo é que são fenômenos naturais formadas por nascentes de rios subterrâneos que não tem espaço para vazão da água, assim exerce uma pressão e jorra do lençol freático para as piscinas naturais que se formam. Devido esta pressão não é possível mergulhar na água, mesmo forçando, sendo a flutuação e a massagem natural causada pelo movimento da água o grande barato.

Para finalizar nosso pacote com a agência 4x4 depois do Fervedouro Bela Vista fomos para o Rio das Araras. Almoçamos no restaurante da propriedade e passamos algumas horas deliciosas nadando, entrando nos “buracos” do lajeado - Formações naturais do rio que se assemelham a um ofurô - e fazendo massagem natural nas pequenas cachoeiras. Foi ótimo relax.







A caminho de Palmas mais uma parada para lindas fotos na formação natural chamada catedral. O nome é representativo - o conjunto de montanhas e o paredão de pedras visto de longe lembra muito a fachada de uma grande catedral mesmo.






 Chegamos em Palmas final da tarde, passamos na pousada para pegar a Branquela Viajante, e fomos os quatro acampar novamente na Praia da graciosa às margens do Rio Tocantins. Ainda deu tempo para um pic nic com chimarrão e pôr do sol. A noite jantamos em um restaurante da orla. Cansados fomos para um desafio:  dormir em quatro pessoas na Branquela em um espaço de 2x3 em um lugar muito quente, sem ar-condicionado. Nosso motorhome tem uma cama de casal, onde dormimos normalmente, e um espaço na sala/cozinha onde podemos montar uma cama auxiliar usando os bancos dos caronas. Foi ali que Jorge e Simone se apertaram para dormir. Confesso que pela manhã estavam bem prejudicados e na noite seguinte foram para um airbnb. Hahahha

E chega mais um dia na espaçosa capital do Tocantins, optamos em fazer um passeio de barco até a Ilha Canela no Rio Tocantins. É um passeio bem tradicional, os pequenos barcos fazem a travessia e combinam o horário para o retorno. Cobram R$ 100 a travessia. Lá foi um dia de preguiça, rede, sol, papo.  Comemos um peixe “caranha”, sugestão da casa, vem grelhado, inteiro, acompanhado de arroz e aipim. Estava uma delícia. Retornamos no barquinho a tarde e passamos mais um final de tarde na Praia da Graciosa. A noite levamos Simone e Jorge para um airbnb, uma segunda noite na Branquela não conseguiram encarar.


Pela manhã buscamos eles na hospedagem e já aproveitamos para fazer um tour pelas redondezas de carro, atravessamos a ponte Siqueira Campos, exploramos o outro lado da cidade. Com saudade da comidinha do sul o José preparou um caldo de aipim, na nossa branquela, para fecharmos nossa parceria de forma gostosa e afetiva. Depois de uma semana juntos nos despedimos dos nossos parceiros de aventura. Os levamos até o aeroporto para retornarem para o RS enquanto eu e José nos preparamos para seguir viagem na nossa Branquela Viajante, desbravando outros lugares, fazendo novos amigos, nos encantando com novos cenários.








Obrigada universo! Obrigada parceiros! Obrigada Jalapão!












































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