quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Chapada das Mesas - Maranhão 2022.


 

 

Chapada das Mesas 2022.


Abrimos mais um parêntese em nossa viagem feita em 2022 pelas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, para destacar outro local especial - A Chapada Das Mesas. Quem acompanha nossas viagens e projetos sabe que temos a meta de conhecer todas as principais chapadas do Brasil. Agora cumprimos mais uma etapa do desafio. Já visitamos e relatamos no Blog sobre a Chapada dos Veadeiros - GO, Diamantina- BA e Guimarães - MT, agora chegou de fechar este ciclo com a Chapada das Mesas, localizada no Estado do Maranhão, divisa com o Tocantins. Sua área se estende entre os Municípios de Carolina, Riachão e Estreito.













Sua maior característica, que inclusive inspirou seu nome, vem do conjunto de platôs que lembram uma mesa de pedra. Uma das imagens mais difundidas desta chapada é o visual da sequência de platôs vista da estrada.

Chegamos na região vindo do Jalapão - TO, aliás aproveitamos para dar nossa primeira dica: os dois atrativos são muito próximos, uma boa pedida é aproveitar e fazer ambos na mesma viagem e assim economizar uma boa grana. No nosso caso, como estamos de Motorhome, temos liberdade de locomoção e tempo disponível e esta foi nossa opção.


A divisa entre os Estados do Tocantins e Maranhão, neste ponto, é o Rio Tocantins. De um lado a cidade de Filadélfia -TO e na outra margem a cidade de Carolina – MA. A ligação entre eles se dá por uma balsa que custa R$ 26,00 e funciona constantemente. E foi assim, pelo rio, que ingressamos no Maranhão, na cidade portal da chapada das mesas- Carolina.















Paramos na praça e fomos buscar informações. O CAT estava fechado o hotel que fica próximo não tinha folhetos ou alguém disposto a fazer divulgação dos atrativos. Tudo certo, vamos por conta mesmo.





 Com dicas de um motoboy iniciamos nosso tour indo conhecer as Cachoeiras Gêmeas, localizadas no Balneário Novo Banho. Fica a 37 km da cidade, em direção a Riachão e o acesso é por asfalto. Dica: Do asfalto tem dois acessos um de terra outro calçado. Há um outro balneário no lado oposto da margem do mesmo rio que “pareceu” ter mais estrutura, não fomos, ficamos no Novo Banho.

 Passamos o dia aproveitando as belas cachoeiras - são duas, uma ao lado da outra, bem iguais - daí o nome. Ainda tem outra área de água represada, que segundo a dona do lugar era um projeto de uma usina que foi desativada. José aproveitou todos os espaços, eu preferi as cachoeiras e o sol. No final da tarde quando os frequentadores saíram nós ficamos, tivemos autorização para pernoitar, foi um dia e uma noite muito leve.

Na manhã seguinte retornamos para Carolina para buscar um local indicado no aplicativo Viva Sobre Rodas como Camping, o Giro Eco Parque. O acesso é por estrada de terra, passa uma porteira, um Mata-burro (aplausos para quem souber o que é) - espécie de pontilhão de madeira vazada, enfim, chega em uma casa particular da dona do espaço. Estávamos quase desistindo quando apareceu Sra. Sueli em seu carro e nos acompanhou até o espaço alguns kms acima. O lugar estava deserto - mais para abandonado-, mas o visual é lindo. 

 Fica bem no alto, a frente, no horizonte, a serra e o Morro do Chapéu, quase um mirante particular. Falta no lugar arborização e como é longe da cidade é necessário levar alimentos.

Como nosso objetivo era descansar e organizar a casa foi perfeito. Lavamos roupa, limpamos a casa rodante, cozinhamos, dormimos, em total privacidade. Tínhamos luz, água, um banheiro, um quiosque e aquele visual lindo. Ah! tinha também um banho ecológico. O que? Assim nos apresentaram uma caixa d’água de mil litros colocada estrategicamente na borda do platô, em frente a posição onde o sol se põe, ali foi nosso ofurô da chapada. Nos contou Sueli que usam mais para locação de festa e que devido a pandemia ficou bastante tempo desativado. Valor de R$ 35,00 por pessoa a diária.


No dia seguinte decidimos rodar novamente, fomos para outra direção. Nosso ponto de parada foi o Camping Raiz, próximo ao asfalto que leva a vários atrativos. O Camping é bem arborizado - o que ajuda muito com o calor que faz na região – e tem um pequeno riozinho que passa dentro da propriedade. Para chegar nele tem uma trilha leve e deliciosa. Amei caminhar até ele e ficar lá, sentada nas pedras, aproveitando a sombra e a sensação refrescante da água.

 Tem estrutura com uma cozinha comunitária e banheiros, tudo simples, mas bem cuidado. A proprietária, Sônia, é uma simpatia e suas visitas na Branquela renderam bons papos. Valor R$ 20,00 por pessoa a diária.

Seguindo a dica da Sonia escolhemos o final da tarde para ir ao atrativo que fica perto do camping.  É a imperdível e considerada como o Portal da Chapada a “Pedra Furada“ uma formação, ou melhor, uma falha no paredão de arenito cujo seu formato - juram os guias e os locais – representa o mapa do Maranhão. Para acessar o mirante é preciso fazer caminhadas curtas, intercaladas com escadarias. Lá no alto além da vista maravilhosa da chapada está a Pedra Furada. Para acessar paga uma taxa de conservação de R$10,00 que vale a pena pagar. Voltamos para pernoitar no Camping Raiz. 


Pela manhã saímos cedinho do Camping raiz para o Santuário da Pedra Caída, queríamos aproveitar ao máximo pois é um dos lugares mais caro. Já aviso, não deixe de ir por isso, vale a pena. É um complexo com várias cachoeiras, trilhas, mirante tirolesa e até uma pirâmide de vidro para meditação ou simplesmente contemplação.




A Cachoeira Santuário me fascinou! E não foi a cachoeira em si, foi o caminho, depois de descer cerca de 800 M se anda entre os altos paredões, riacho, passarelas, ponte suspensa. Diz os descritivos que é uma das mais lindas do Brasil e eu concordo, tem um astral diferente. Lembrou o Cânion Sussuapara do Jalapão multiplicado por 10. Dali fomos para a Cachoeira da Caverna - também com seu encanto -, para chegar até ela é preciso atravessar um pequeno poço, nadando, passar dentro da caverna e ao fundo desce majestosa a abundante queda d’água. Da sede até os atrativos os visitantes são levados na carroceria de um caminhão rural. Para o atrativo tem um pagamento separado do ingresso que custa R$ 35,00.


Na volta para a sede fomos nos deliciar na gostosa comida do restaurante para repor as energias. À tarde, depois de um descanso a opção foi subir os 1.200 metros de trilhas suspensas- degraus e paradouros, até a pirâmide de vidro, inspirada na do Museu do Louvre.  Nesse desafio não contei com a parceria de José, meu acompanhante foi um dos guias do complexo, um jovem garoto, super parceiro e divertido. Foi beem difícil vencer a subida, depois de muitas paradas e risadas chegamos na pirâmide de vidro, que fica a 400 m de altitude. O visual lá do alto é amplo e muito bonito e a proposta de aproveitar o lugar para um momento de relaxamento e introspecção é interessante. Para a volta fomos menos radicais, pegamos o teleférico. O atrativo também tem valor a parte e custa R$ 40,00.


O complexo oferece hospedagem com opções de cabanas e hotel, no nosso caso a casa anda junto, então, cansados e felizes retornamos para o Camping Raiz na nossa Branquela Viajante. A noite cozinhamos pinhão e chamamos Sonia para experimentar esta típica comida do sul do Brasil e ganhamos farinha de mandioca tradicional da região e favas, tudo delicioso.
















Na manhã seguinte partimos para conhecer outra região da chapada, agora no Município de Riachão. Escolhemos ir ao Complexo Poço Azul Ecoturismo, outro complexo cheio de belezas naturais e bela estrutura. Chegamos à tarde e decidimos almoçar no ótimo restaurante do local e não ingressar neste dia na parte dos atrativos.

A área é aberta ao público e além do restaurante tem bar e muitos ambientes lindamente decorados para descanso. Ficamos no enorme estacionamento do complexo e aproveitei o wifi para colocar em dia as contas e contatos com familiares durante a a tarde. Mais tarde outro motorhome, era Dimas do RN, nos apresentamos, trocamos informações e indiquei ele para o grupo das Master. A noite novamente fomos usufruir da área comum, não tomando cervejas ou drinks e sim nosso companheiro chimarrão.

Acordamos já sentindo o “clima” turístico. O estacionamento cheio de carros e vans chegando para passar o dia no atrativo. O complexo tem várias cachoeiras, trilhas por passarelas, pequeno cânion, mirante. A cereja do bolo- merecidamente- é o poço azul mesmo. São uma sequência de pequenas cachoeiras que desemboca no poço cuja água realmente parece ser colorida de verde e azul. É possível nadar nele, fazer massagem nas cachoeiras ou simplesmente ficar comtemplando o belo conjunto. É possível olhar também pelo alto no mirante acima dele. A dica é estar lá ao meio-dia que é o horário que a incidência do sol é maior e ilumina totalmente o lugar.


Outra cachoeira bem bonita do complexo é a Santa Bárbara, tem 76 metros de queda d’água e uma ponte suspensa para chegar nela. Na sequência tem a gruta de Santa Bárbara encravada nos rochedos e que oferece belas fotos. No caminho tem ainda outras cachoeiras para uma parada estratégica, assim, dá para passar horas explorando e aproveitando todas as belezas. A noite fomos novamente aproveitar a bela estrutura da sede e jantar no restaurante, antes voltar para o estacionamento para dormir pela segunda noite ali.

                                                                                                                    O complexo fica a 130 km de Carolina e a 30 km de Riachão o acesso é parte por asfalto e 16 km de estrada de terra. Há outro atrativo Encanto Azul 6 km a frente, não fomos. O valor de ingresso no Complexo do Poço Azul é R$ 35,00 por pessoa e não pagamos nada para pernoitar no estacionamento.

Hora de partir! Agradecidos pela exuberante natureza, e a possibilidade de estar ali saímos da Chapada das Mesas em direção a cidade de Balsas para continuar nossa viagem pela região. Cumprimos mais uma etapa de nosso projeto “chapadas do Brasil”.

Obrigada por tanta beleza, que saibamos preservá-la.















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