Fomos ao Fim do Mundo! Terra do Fogo.
Este era um sonho a muito tempo “gestado”. Desde que
começamos a pensar – e sonhar, em ter um motorhome e viajar por aí, olhava
fotos e vídeos do Ushuaia e dizia: José, que tal chegarmos lá! Até então era
uma utopia. Agora é realidade - fomos inclusive além.
Aqui vou relatar nossa espetacular viagem pela patagônia,
argentina e chilena, feita entre 04/01/2023 e 02/04/2023 a “bordo” de nossa
Branquela Viajante. Foram 128 dias intensos e maravilhosos, percorrendo os
20.925 kms, na companhia dos amigos Wilson e Vera, nossos parceiros nesta
aventura. Pegamos chuva, vento, frio, calor, ...e quase - por um dia - também a
neve.
Edineuza, integrantes da Caravana Ushuaia e Gerson / Flora, que nos acompanharam até São Paulo. O terceiro casal integrantes da caravana, Wilson e Vera, nos encontraram já na divisa Brasil/Argentina, em Foz do Iguaçu.
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| A posse. Dia histórico em Brasília 01/01//2023 |
Em Foz do Iguaçu primeiro visitamos a Associação dos Moradores como opção free de pernoite, ficaríamos estacionado na rua, em frente à sede, com direito a uso de banheiro e luz, achamos muito expostos e decidimos pagar e ficar no Eco Hostel Iguaçu. Boa opção, aproveitamos os dois dias de parada para organizar a saída do Brasil.
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| Fronteira 1- Foz Iguaçu/Puerto Iguazu |
A travessia da primeira duana da viagem foi péssima, erramos
o horário - fomos à tarde, chegamos tinha uma fila imensa e a alguns metros da
fiscalização José foi pegar sua habilitação e... não encontrou. Tive que passar
rápida e discretamente para o volante para atravessar, ainda assustados e
preocupados descobrimos que havia perdido ou foi furtada, junto com o cartão de
crédito, em Brasília. Viagem iniciada sem sucesso, diria o google!
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| Puerto Iguazu Amiga Gládis, mais de 30 anos de cumplicidade. |
Nestes dois dias tentamos resolver da CNH. Registramos
ocorrência na Argentina, conversamos com autoridades sobre usar só a digital na
viagem, falamos com Foz Iguaçu para tentar retirar uma segunda via (não é
possível por ser de outro Estado) e nada deu certo. Não seria seguro ir só com
a digital, pois também poderíamos ter dificuldade no Chile depois. Resultado da
bobagem - voltar para SC para pegar uma segunda via - PUTZ! Primeiro perrengue.
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| Cataratas Iguaçu com amiga Edineuza. |
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| Edineusa e Rubens - Uruguai. |
Foi uma maratona louca. Saímos a tarde e rodamos até
Guaraniaçu, no dia seguinte José dirigiu 14 horas direto, parando para
pernoitar o no Posto Apolo em Tijuquinha, após vários erros na tentativa de
escolha do melhor trajeto. Conseguimos chegar em Florianópolis ao
meio-dia do dia seguinte já com o pedido da segunda via feito pela internet, era
só retirar. A parte boa foi ter o aconchego da filha e do genro, nesta passagem
por Florianópolis, uma delícia matar a saudade e sermos cuidados.
Devidamente habilitados, pegamos a estrada novamente, para
fazer um “diretão” atravessando SC e RS para chegar o mais perto possível da
fronteira com o Uruguai. Conseguimos chegar, já final da tarde, em São
Gabriel, no Posto Nevada, e ali pernoitamos.
Atravessamos para o Uruguai pela fronteira em Santana do Livramento, as duas aduanas, brasileira e uruguaia, ficam dentro do Shopping Sineriz, uma ao lado da outra, uma facilidade. Passa na do Brasil dá saída e na sequência na do Uruguai para dar entrada. Acabamos entrando no período da tarde porque antes fizemos troca de óleo e reposição do gás de cozinha no Brasil. Bora literalmente atravessar o Uruguai! Atenção, Uruguai tem pedágio. Precisa cadastrar o veículo, comprar uma tarjeta, colocar no vidro com créditos pré-pago - só aceita pagamento em cartão.
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| Valle Eden- Uruguai. pedacinho escondido. |
Neste tempo do nosso “desvio” da caravana Ushuaia, ocorreu dos parceiros Rubens e Edineuza desistirem da aventura. Tiveram problemas na geladeira, não se resolveu, decidiram voltar. Marcamos encontro no Uruguai para nos despedirmos. Na rota quase que passamos um pelo outro motorhome sem nos vermos, ufa! Por pouco. A despedida dos parceiros foi no Valle do Edem, uma localidade pequena e charmosa no meio do pampa uruguaio, visitamos o Museu Carlos Gardel e finalizamos com pernoite conjunto no Camping saboreando um delicioso carreteiro feito por José. Na manhã seguinte cada um seguiu para seu rumo.
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| Fronteira 2 AR//UR |
A fronteira que usamos para ingressar foi na divisa das cidades de Paysandu-UR com Colóm-AR. Bem tranquila, sem filas, com fiscalização sanitária feita olhando interior e geladeira do motorhome. Nada retirado
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| My Buenos Aires Querida! |
Depois da passagem por “Mi Buenos Aires Querida” foi hora de pegar a estrada em direção a desafiadora Patagônia.
Considerando que a Patagônia é um território muito extenso, são 1.060 km; Abrange dois países - Argentina e Chile; Apresenta regiões bem diferentes entre si e ainda para facilitar a leitura e a localização dos lugares visitados a partir deste novo ingresso na Argentina, vou dividir o relato da viagem em partes. Cada uma terá uma página específica.
1 - Patagônia Argentina região Atlântica que engloba localidades litorâneas como Puerto Madryn, Puerto Pirâmides (Península Valdez), Trelew, Comodoro Rivadávia, Viedman, Rio Galegos, Rio Grande, Las Grutas e Ushuaia
2 - Patagônia Chilena região Austral que engloba localidades como lado ocidental da terra do Fogo, Puerto Natales, Punta Arenas, Estreito de Magalhães, Parque Nacional Torre Del Paine
3 - Patagônia Argentina região Andina que engloba localidades como El Calafate, El Chaltém, gobernador Gregori Perito Moreno (cidade), Los Antigos
4 - Patagônia Chilena região dos Lagos que engloba localidades como Puerto Guadal,Cerro castillo, Puerto Aysen, Puerto Cisnei, Puyuhuapi
5 - Patagônia Andina Argentina na região dos 7 lagos e Bariloche que engloba cidades como Esquel, El Boston, Bariloche, Villa La Angostura, São Martin de |Los Andes,
6- Rota dos Vulcões no Chile com Pucon, Vila Rica, Osorno, Frutilla, Puerto Varas, Colbún, Panguipuli
7- Por último, já fora da patagônia, dedicamos uma página a região de Malargue, Mendonza, Córdoba, rumo a fronteira com RS.
Obs. Para os mais dispostos vou manter nesta primeira postagem , também, o texto na íntegra.
Obs. 2. Na última página estão os custos da viagem.
Parte -1- De SC para o Ushuaia
1- Patagônia Argentina região atlântica que engloba localidades litorâneas como Puerto Madryn, Puerto Pirâmides (Península Valdez), Trelew, Comodoro Rivadávia, Viedman, Rio Galegos, Rio Grande, Las Grutas e Ushuaia.
Rodamos até Bahia Blanca,
passando pela Rota 3 e depois R 51- bem ruim. Paramos no Camping Maldonado, ali
fizemos churrasco com a deliciosa carne argentina, lavamos roupas e descansamos
ouvindo o som de chuva. Apesar de ser um lugar bonito a estrutura do camping-
Banheiros principalmente- bem precária e o acesso ao mar estava impossível
devido maré baixa.
No dia seguinte optamos em rodar pela Ruta provincial 1,
rodovia beira-mar, paralela à ruta 3. Paramos para abastecer em Viedman
e rumamos ao próximo destino, Balneário El condor. Foi uma parada estratégica.
A proteção do motor estava solta e ficava batendo, José, com a ajuda de outro
campista hermano, Oscar, conseguiu uma rampa abandonada. Tiveram que limpar e
serrar galhos para acessar o local, entraram com a Branquela e ambos fizeram o
conserto. Gracias Oscar, desconhecido solidário.
Em El Condor existe a maior colônia de papagaios barraqueiro
do mundo, infelizmente, atrapalhados pelo conserto não fomos conhecer, nos
restou uma caminhada beira-mar, com direito a cervejinha e pizza.
Partimos pela ruta 1, curtindo o lindo visual do litoral, o
planejado era ir até Las Grutas, paramos antes em Puerto San Antônio Este
e foi paixão à primeira vista. Uma praia com uma superconcentração de
motorhome- diria que muitos kms, um equipamento ao lado do outro – a beira mar.
A área é de um tipo de areia muito grossa, parece colchinhas e pedrinhas, que
formam um verdadeiro tapete que se estende até o mar.
Na entrada tem um
posto de fiscalização que cobra uma taxa ambiental e orienta sobre descarte –
tem local próprio – também para abastecimento de água potável. Segundo nos
falaram foi um acordo feito entre Las Grutas, San Antonio Este e Oeste, as três
localidades da região, visando definir um local conjunto de parada dos MH e
assim organizar o uso. Muito bom, bela iniciativa! Passamos um dia e uma noite
deliciosa, sentados olhando o mar, caminhando, simplesmente comtemplando
tamanha beleza e paz.
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| Las Grutas- AR |
No dia seguinte fomos a Las Grutas sacar dinheiro no
WU - temos usado direto para manter o caixa, e logo voltamos para encontrar os
parceiros, desta vez na orla de San Antônio do Leste. Passamos o dia
curtindo a beira mar, conversando, caminhando no calçadão da orla. Anoiteceu e
decidimos arriscar pernoitar na orla onde passamos o dia. Chegou mais um
viajante de SP, casal e filho, e assim, em três parceiros dormimos ali. Não
houve abordagem nos orientando proibição. Tudo tranquilo. Ainda tentamos tomar
o café da manhã em Las Grutas a antes de pegar a estrada novamente, não achamos
onde estacionar, desfilamos pela orla e partimos.
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| Puerto Madryn- AR |
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| Península Valdez- Puerto Pirâmide |

A Península é um grande Parque Nacional, Patrimônio Mundial
da UNESCO e um santuário de animais marinhos e terrestres – em torno de 4 mil
km e 1500 espécies de animais. Tem vários pontos de visitação, alguns inclusive
estava fechado o acesso. Iniciamos conhecendo o mirante da ilha dos pássaros, que
tem uma capelinha linda – lembra as da Grécia - e ao longe avistamos flamingos e
a revoada de pássaros para a ilha no final da tarde.
Dalí seguimos para Puerto
Pirâmide que é o único vilarejo dentro do parque, com um visual incrível e
possibilidade de estacionar e pernoitar- acesso por asfalto. Passamos horas
caminhando, observando as mudanças da maré, nos encantando com as falésias e
rochedos. Infelizmente não era época da avistagem das baleias, que dizem,
facilmente são vistas. Dica: cuidem onde estacionar, vimos a maré subir e quase
inundar um carro estacionado próximo ao mar.
Ainda dentro da península fizemos o circuito até Caleta Valdés,
são 75 kms de rípio, com pontos de paradas em mirantes e passarelas. Vale cada
um deles! Um espetáculo o visual que mistura mar, rochedos, vegetação, animais
como leão marinho, pinguim, lobo marinho. Nos deslocamentos é comum se deparar
com bandos de guanacos que desfilam, inclusive com risco de atropelá-los. Almoçamos
no caminho e comemos pela primeira vez o famoso cordeiro patagônico.
Eu queria muito
pernoitar ali no estacionamento beira mar de Puerto Pirâmide, naquele cenário
incrível e olha que já tinham vários motorhome pernoitando. Não entendemos o
motivo, antes de nossos parceiros ingressar na área de estacionamento passaram
uma corrente e não deixavam mais entrar. Tentamos negociar, chorar...nada. Por
parceria nós saímos do estacionamento e fomos pernoitar com eles em um IPF da
Rota3 a caminho de Puerto Madry. Ficou gostinho de queria mais!
Um registro: Nosso segundo perrengue foi no ripio da
península. Possivelmente uma pedra fez quebrar a válvula da saída do
reservatório água. Lá foi José, quando voltamos para Porto Pirâmide, fazer mais
um conserto. Salve nosso macgayver.
Em Puerto Madryn ficamos em um estacionamento gratuito à
beira mar. Local bem central, fácil acesso e ainda havia os lavadores de carro
que deixaram nossa branquelinha com cara muito melhor. Tentei sacar dinheiro no
WU e não consegui, depois de muitas conversas descobri que esqueci de incluir
as taxas ao fazer a transferência. A boa notícia é que o banco estornou o valor.
A noite caminhamos pela orla e fomos comer cordeiro novamente, este assado
inteiro e exposto na entrada do restaurante. Depois da segunda experiência o
veredito: gostoso, mas muito forte.
A próxima cidade que paramos para conhecer foi Trelew,
conhecida como a cidade dos dinossauros. Tiramos a clássica foto aos pés da
réplica do “maior dinossauro do mundo” que fica na entrada da cidade. Outro
atrativo é u Museu Paleontológico que abriga verdadeiros tesouros da arqueologia paleontológica,
ainda é cheio de efeitos especiais que embelezam as relíquias. Mais dica: Fomos
avisados, antes e durantes nossa permanência na cidade para ter cuidado
especial em relação a assaltos. Quando paramos ao lado do Museu imediatamente
moradores vieram nos dizer para não deixar os carros ali. Mudamos para o outro
lado onde estava de guarda um carabineiro. Com cuidado vale a visita.
Na região ainda visitamos a Reserva Marinha de Punta lobo,
onde vimos muitos lobos marinhos com seus sons estridentes que parecem querer
marcar território e disputar com seus pares o tempo todo. Voltamos para a Ruta
3 para acessar a pequena cidade de Gaimam- cujo principal atrativo são
as marcas de sua colonização galês. Aqui a boa é: experimente as delícias em
uma das casas de chá da cidade, em especial o bolo galês, feito com rum, açúcar
queimado e frutas cristalizadas. A cidade é cortada por um rio muito bonito e
ao lado dele pernoitamos no Camping dos bombeiros, 1.500 pesos, com
infraestrutura básica e o melhor chuveiro da viagem. José aproveitou a parada
para consertar o cabo de luz do motorhome do Wilson e novamente nossa válvula.


Depois deste pequeno desvio, voltamos para o litoral. Nossa
próxima parada foi um dos lugares que mais vimos pinguins de perto, chama Punta
Tombo a maior colônia de pinguins de Magalhães da Argentina. A recepção e
bem bonita, tem uma ambientação com luzes, som, projeções de imagens. Ingresso
4.600 pesos. Tem também um restaurante bom onde depois da caminhada dá para
repor as energias. As caminhadas são por passarelas que os pinguins atravessam,
dormem em baixo, enfim estão no meio dos turistas, tenho o privilégio de ter um
vídeo caminhando ao lado de um, foi emocionante! Os guanacos também estão
presentes em grande quantidade e fazem parte da paisagem. Atenção é proibido
tocar nos animais!
Para sair da Punta Tombo tem dois caminhos, Rota1, pelo rípio
e voltar para Rota 3-asfalto. Optamos seguir pelo asfalto e dormir no acolhedor
YPF próximo a Garayarde, parada tradicional dos viajantes da patagônia e onde
conhecemos a mãe e filha de SP viajando pela patagônia de carro, rendeu boas
dicas.
A próxima parada foi em outro local gostoso e charmoso: Rada
Tilly, praia distante 13 km de Comodoro Rivadávia, cidade com maior
estrutura na região. A escolha foi primeiramente em função de ter um camping
municipal bem citado pelos viajantes da patagônia litorânea. Além do ótimo
camping a cidadezinha em si é um atrativo, organizada, limpa, cheio de casas bonita.
Aproveitamos para fazer um belo churrasco e organizar a casa rodante também.
Caminhamos pela orla, bem movimentada neste dia, depois fizemos um tour de
carro para reconhecer a área, retirar dinheiro no posto do WU (tínhamos tentado
retirar em Comodora Rivadavia e não tinha) e trocar reais no câmbio. Tem um
cerro com mirante que queríamos ir e não achamos o caminho.
Dois dias descansando é hora de seguir. Ainda pela Rota3 tivemos
uma surpresa, na beira da estrada, muito próximo, uma colônia de leões
marinhos, descemos e chegamos bem perto deles. Paramos para almoçar em Caleta
Oliva, não achamos interessante e decidimos seguir. Logo que saímos a
Branquela travou a direção. Sorte que estávamos próximo de um YPF e logo a
frente uma oficina. Era a correia do alternador que arrebentou- terceiro
perrengue. Depois de aguardar 2 horas pelo retorno no mecânico foi feita e
troca e nos juntamos aos parceiros no ypf.
Nesta região há uma atração que optamos em enfrentar 100 km de rípio para conhecer. É o Monumento Natural Bosque Petrificado na Província de Santa Cruz. Uma formação com mais de 150 milhões de anos, ocasionada pelas erupções vulcânicas e mudanças do clima, principalmente após a formação das Cordilheira dos Andes. Fizemos a trilha por entre alguns exemplares de árvores petrificadas, avistamos animais como emas- aqui chamadas choique, lebres- aqui chamadas mara e os constantes guanacos.
A paisagem do entorno é muito bonita com platôs que parecem “morros cortados”, lembrando a Chapada das Mesas. Na estrada de ripio para acessar o parque a porta lateral da Branquela Viajante começou a se abrir, nos obrigando a parar muitas vezes para fechar. Uma das consequências dos constantes sacolejos da estrada de chão. Este perrengue vai nos acompanhar por quase toda a viagem, se tornando nosso maior problema, quase nos fazendo desistir de seguir.
De volta a Rota3 seguimos em direção a Puerto San Julian, com uma parada em Isla Pavon, para conhecer, brevemente o local que tem ótima estrutura para pernoitar e acampar. Demos uma volta até o rio, apreciamos a beleza da ponte de ferro vermelha, referência do lugar e tocam os em frente.
Puerto San Julian foi outra bela surpresa! Acho que é
porque gostamos de lugar pequeno, aconchegante, com visual bonito e aqui tem
tudo isso. Paramos no Camping Municipal, ótima arborização, beira mar, limpo,
organizado. Nota 10. A orla é bem bonita e cuidada, há uma réplica do barco que
Fernando de Magalhães usou para navegar e desembarcar aqui e ao lado um pequeno
museu. As casas do bairro próximo ao camping têm uma característica, para nós,
nova. São feitas em placas de metal ondulados que lembram as telhas de zinco do
Brasil. O resultado é interessante! Pensamos que deve ter algo relacionado ao
clima. Será? ainda próximo ao camping tem um antigo frigorífico transformado em
centro Cultural com várias oficinas, outra característica que notamos - parece
ter muitas opções culturais na cidade.
A noite saímos para
jantar e encontramos um lugar especial, com a ambientação criativa e de bom
gosto transformaram uma casa antiga em um resto bar que conta um pouco da
história da cidade. A casa já foi uma indústria e na época da Guerra das
Malvinas foi alojamento dos soldados. São vários ambientes todos respeitando a
linda arquitetura e história da casa. Infelizmente não anotei o nome, mas é bem
central e chama atenção.
De parque em parque lá vamos nós para o próximo. Agora será
a vez do Parque Nacional Monte Leon, também área de proteção ambiental
no litoral da patagônia argentina. A reserva é pública, sem ingresso e não tem
portaria. A autorização é na sede- Estância- fica antes da porteira de acesso,
que é às margens da Rota 3. O parque tem várias trilhas, paradouros e mirantes,
andamos bastante e vimos muitos pinguins, a triste foi ver a quantidade de
bichos mortos. Não soubemos se é normal ou ocorreu algum problema.
No final do dia fomos para a área beira mar, onde tem
rochedos e falésias, ali estacionamos os motorhomes e caminhamos na areia, tirando
belas fotos nos rochedos. Estávamos nos preparando para pernoitar quando chegou
o guarda parque para saber se tínhamos feito a autorização na estância. Ah! Que
autorização? Sim, precisava ter feito isso. Ok, guarda nos cadastrou e
autorizou, com a ressalva que não poderíamos ficar ali na beira dos rochedos, é
perigoso, tem área próxima autorizada, mais segura, inclusive com
churrasqueiras. Havia outros viajantes que pernoitaram ali. Foi ótimo que fomos
“convidados” a trocar de lugar porque a noite o vento foi muito forte, os
carros balançavam, parecia que iria tombar. Nós inclusive mudamos três vezes a
posição durante a noite.
Mais uma vez pegamos a Rota 3, desta vez em direção a
fronteira com o Chile. Tivemos mais um pernoite antes que foi em Rio
Gallegos, na orla, em um estacionamento ao lado do quartel, na companhia de
vários viajantes, inclusive um casal de Barra Velha - SC, também indo em
direção ao Ushuaia. Aproveitamos a cidade para repor a correia do alternador de
reserva.
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| Aduana AR-CH |
Chegamos na Aduana Argentina a fila estava grande, mas não
foi demorado. Documentação entregue: identidade, habilitação, documento do
veículo; tudo ok. Primeira fronteira feita- Paso Internacional Austral. Não foi
solicitado o seguro obrigatório Carta Verde na aduana.
Novamente em terra firme rodamos em torno de 2 km até a
aduana chilena. Pegamos uma fila de 2 horas e uma fiscalização mais rigorosa e
burocrática. São três etapas. 1- Documentação pessoal e do carro; 2- Declaração
juramentada do que está transportando (alimentos, dinheiro, bebidas...); 3 -
Vistoria in loco, aqui entraram e olharam tudo. Uma dica: declara que tem
alimentos perecíveis e/ou in natura porque se disser que não tem a encontrarem
algo tem multa pesada. Nesta vistoria perdi ovos, feijão, castanhas e cebola.
m solo Argentino novamente rodamos até a cidade de Rio
Grande onde programamos fazer uma parada até esperar passar os fortes
ventos previstos pela meteorologia. E foi ótima escolha, foram dois dias de
ventos tão fortes que a travessia do estreito foi suspensa. Paramos no velho
parceiro YPF, este na orla de Rio Grande. Ali comemos, dormimos, José consertou
a bomba d´água que havia estragado - outro perrengue da viagem. Desisto de
contar, já perdi a conta de quantos foram até aqui.
E estamos chegando perto ao nosso principal destino, a terra
do fim do Mundo. Antes, no trajeto, mais uma paradinha para conhecer Tlhuim,
uma pequena cidade cheia de história. Está em uma área que sofreu um grande
incêndio que durou meses, queimando a terra profundamente, as marcas estão
visíveis na paisagem até agora. No órgão de turismo fomos muito bem atendidos e
soubemos que a cidade tem um festival de esculturas feitas em troncos de
árvores, retiradas após estarem “mortas”, algumas expostas ali.
E enfim chegamos! Ushuaia aqui estamos nós. Foi bem
emocionante porque além de um sonho antigo é lendária, um desafio e um troféu
buscado por viajantes do mundo todo. Já na rota de chegada somos agraciados com
a beleza do Lago Escondido com seus mirantes impactantes e a presença de
amistosas raposas.
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| Parque Nacional Tierra del Fuego |
O portal, parada obrigatória para comemorar o feito é
disputado para aquela foto especial- conseguimos! Não deixamos de cumprir o
ritual. Viva!
Ficamos na cidade uma semana e nestes dias conhecemos vários
atrativos ou simplesmente apreciamos o cenário maravilhoso e o ar turístico
presente em cada esquina. A cidade é rodeada de montanhas e ficamos
imaginando-as cobertas de neve, que infelizmente não tivemos o privilégio de
ver.
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| Passeio barco Canal de Beagle |
Na rua principal, tendo à frente o famoso Canal de Beagle
estão os estacionamentos onde ficam os viajantes de vários países, com seus
motorhome. Na água o movimento é dos imponentes navios de cruzeiros e os barcos
de passeios pelo canal, um atrativo a parte.
Rodar pelo Parque Nacional Tierra Del Fuego foi o que mais gostei. Fomos duas vezes, na primeira depois de pegar mapas e orientação na portaria, de onde é autorizado o pernoite, fizemos um tour com paradas de reconhecimento na saída do Trem do Fim do Mundo, Rio Pipo, mirantes... e retornamos para a cidade.
Outra opção foi caminhar pela cidade, andamos até o
Monumento Antiguos Pobladores, Museu Del Fim Del Mundo, Parque José Hernandes,
Antiga Casa Bedan, Museo de La Cidad, Hard Rock Café- rede internacional que
gosto de visitar em cada lugar que encontramos, central de turismo- onde é
possível carimbar o passaporte, cafés e lojas de artesanato.
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| Laguna Esmeralda - Ushuaia.AR |
Das atrações mais distante escolhemos e Laguna Esmeralda. Fica a 40 km do centro pelo asfalto. Do estacionamento a beira da rota a trilha a pé é de 9 km. Vale muito, o visual é lindo e o caminho com pontes, alagados, mata, riacho. Tem classificação de dificuldade média, nós achamos bem tranquila. O clima estava perfeito, não muito frio, sem vento forte, saímos cedo e bem agasalhados, aí foi um constante tirar roupa no caminho, efeito cebola mesmo. Dica1: use um bastão de caminhada, faz diferença em trilhas. Dica2: Leve lanches não tem estrutura lá, nós levamos e fizemos um gostoso piquenique apreciando a lagoa de cor esverdeada. Na volta paramos no shopping para comer pizza.
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| Trilha Laguna Esmeralda |
A segunda vez que entramos no Parque Nacional Tierra Del
Fuego foi para ficar mais tempo. Fomos até o final da Ruta Nacional Nº 3, a
Bahia Lapataia- 17 km desde a portaria, fizemos várias trilhas a pé dentro do
Parque, vimos castores construindo suas casas na água, lobinhos nos visitando
na Branquela e dormimos ao lado do Rio Pipo, rodeados de montanhas, em um
acampamento selvagem maravilhoso. Estavam conosco no pernoite, além dos
parceiros de estrada Wilson e Vera, o casal Valter e Suzi, que são de Porto Alegre
e tem casa na Praia do rosa de Imbituba, nos conhecemos na estrada rolou ótimo
papo.
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| Estacionamento de motorhomes, Ushuaia. |
Ficamos dois dias no parque, além de caminhadas, trilhas, ou
simples observação e contemplação das belezas rústicas no entrono, mais uma vez
José trabalho na Branquela. Desta vez na porta lateral que desde o Bosque
Petrificado não fecha totalmente e fica abrindo no ripio. Deu muito trabalho e
não consegui resolver, apenas amenizou. Tentamos comprar outro trinco, não
tinha na Renault. Dica: A portaria do parque funciona até às 17 h, depois fica
aberta, sem funcionários. Se entrar após este horário não tem cobrança de
ingresso.
Mais um dia no Ushuaia, este usamos para conhecer a área marítima.
Escolhemos um passeio de barco pelo Canal de Beagle no Catamarã Tolkei da Rumbo
Sur, bem confortável, com área aberta e coberta e valor de 20 mil pesos
argentinos o casal (desconto dado por um baiano - Neto-perdido aqui na
patagônia). O percurso pelo canal dura 2h30min e passa por várias ilhas, nelas
se avista cormoranes, albatrozes, leões marinhos e o imponente condor. Na ilha
dos pássaros é possível descer e caminhar até um mirante.
Depois de chegar ao Farol
“Os Iluministas” que sinaliza a entrada na Bahia de Ushuaia, o barco faz
manobra e retorna. Curiosidade histórica: O canal tem este nome porque era o
nome do navio britânico em que viajava Charles Darwin e dizem que foi quando
passou por aqui que começou a e escrever seu famoso livro “A Origem das
Espécies”. Dica: O tempo por aqui muda constantemente, então, prepare-se para
tudo, inclusive durante este passeio.
No nosso último dia aproveitamos para organizar a partida, baixar
mapas da próxima etapa da viagem, comprar o SOAPEX para entrar no Chile -
pagamos R$119,00- , lembrancinhas, reposição do gás, fazer câmbio para pegar
dólar e pesos chilenos. Nesta tentativa de câmbio conhecemos o aeroporto, que
inclusive tem uma vista linda da cidade, vale uma volta por lá, com parada no
letreiro do Ushuaia que fica no caminho. O Câmbio acabamos fazendo no centro,
mais vantajoso. Este foi o dia mais frio da viagem. Ficou faltando experimentar
a Centola, prato disputado por aqui. Elas ficam expostas vivas nas vitrines dos
restaurantes, mais um motivo para nossa desistência, além de que não faz parte
do nosso gosto alimentício. Dica: Em frente ao YPF da entrada da cidade tem o
Gás Santini, no trevo, que repõe o gás no bujão brasileiro.
Hora da despedida, com gostinho de amei e queria mais, lá fomos nós. Seguimos em direção ao Estreito de Magalhães novamente, agora rumo ao Chile. No caminho fizemos uma parada em Thulum para almoçar e mais uma vez em Rio Grande para pernoitar. Saímos de Rio Grande às 9h no horário combinado com os parceiros, eles só apareceram na fronteira onde aguardávamos meio-dia. Putz! Sacanagem! Atravessamos a fronteira- “Complejo Fronterizo San Sebastán”, fazendo os trâmites nas aduanas da Argentina - saída, e no Chile -entrada. E lá se foi uma alface e um bacon fechado.
...continua na próxima página.
... continuação parte 2 Patagônia Chilena região austral
2 - Patagônia Chilena região Austral que engloba localidades como lado ocidental da terra do Fogo, Puerto Natales, Punta Arenas, Estreito de Magalhães, Parque Nacional Torre Del Paine
No caminho paramos no Parque Nacional Pinguim Rei,
tinha que agendar visita e não sabíamos. Fiquei na portaria chorando e me
deixaram entrar sozinha com um grupo agendado. José e os parceiros ficaram nos
motorhome almoçando e descansando. São lindos, enormes, mas não é possível
aproximação, a avistagem é por binóculos e telescópios em uma plataforma.
Nosso primeiro pernoite no Chile foi em Cerro Sombrero,
ao lado do posto de informações turísticas, com estrutura de banheiro
(maravilhoso, calefação e limpíssimo) e internet. A vila foi a sede do
acampamento principal da poderosa petrolífera mista (esgotados os poços de
petróleo e redução dos subsídios foi decaindo) e por isso no passado era bem
movimentada, com cinema, museu, piscina aquecida. Atualmente, quase abandonada,
sobrevive com o esforço dos moradores locais, apostando no turismo e criação de
ovelhas, lutando para manter as antigas estruturas e preservando a história.
Ótimo local de parada antes da travessia do Estreito de Magalhães no Passo Juan
Willian.

A travessia do estreito foi muito tranquila-este passo é o
mais curto e rápido. Custa 18 mil pesos argentinos ou 9 mil pesos chilenos,
aceitam ambas as moedas. Chegamos em Punta Arena-CH a tempo de almoçar
no Mercado público e comer um delicioso salmão. Já achar local para ficar não
foi tão fácil. Passamos em quatro opções citadas nos aplicativos de viajantes e
nada, ou fechados (estacionamentos) ou sem estrutura (cabanas). Resultado: ficamos
três dias na cidade dormindo no estacionamento do Mercado Unimarc. Muito bom!
Passeamos bastante de carro pela cidade, fomos até o Mirante
do Cerro de La Cruz, que dá uma visão geral e bonita da cidade. No centro
próximo ao mercado público tem praças de armas, monumento os ovejeiros, prédios
históricos que valem um passeio a pé. A orla também é convidativa e nós
aceitamos a convite e tomamos um bom chimarrão próximo do monumento às
Malvinas.
Novamente na estrada nosso próximo destino é Puerto Natalis-CH.
No caminho, por minha insistência, entramos em uma estância de ovelhas, queria
muito conhecer e até acampar em uma. Uma parada rápida foi o máximo que tive de
parceria. Não era aberta à visitação, mesmo assim, fomos bem recebidos pelo Dom
Carlo, administrador, que nos mostrou o local da “esquila” - tosa- até cantei
para ele a música “esquilador” do folclore gaúcho, o laboratório de inseminação
artificial - são produtores premiados no Chile e exterior. Trocamos gentilezas,
nós o presenteamos com o nosso licor de figo e ele com uma “marmelada de ruibarbo”
(nossa beterraba).
Em Puerto Natales ficamos a primeira noite na orla ao lado
de um restaurante indicado no Viva Sobre Rodas, bem tranquilo. A cidade é
pequena e lotada de viajantes, que fazem aqui uma parada estratégica, se
preparando para as diversas trilhas e maratonas da região. É local de encontros
dos aventureiros do planeta. Tem uma estrutura boa e diversificada mesmo sendo
pequena. Durante o dia fomos andar na cidade, fazer fotos no monumento Las
Manos- O artista fez o mesmo monumento em Punta Del Leste - Uruguai, Antofogasta
- Chile o de Puerto Natales. Não conhecemos o de Antofogasta porque quando
passamos lá não sabíamos de sua existência. Outro monumento muito fotografado
na cidade é El Milodon, uma estátua gigante que reproduz e lendário habitantes
da região.
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| Las Manos - Puerto Natales |
No segundo dia fomos para o camping de Guedinho- custo de 15
mil pesos a diária, mais 2 mil de luz. O local é enorme, mesmo assim uma área
bem plana para os dois motorhome foi difícil. Enfim nos colocamos e aí o de
sempre quando para em camping: lavar roupas, limpar a casa, encher caixas
d¹água, realizar descartes, fazer comida e compras. Tudo isso nos preparando
para ficar alguns dias sem acesso a mercados, luz e internet, quando entrarmos
no Parque Torre Del Paine.
Depois de descansar e apreciar o bonito visual da Puerto Natales, especialmente o pôr do sol nos Muelle histórico e se organizar para enfrentar a estrada de rípio, novamente lá vamos nós. Antes de chegar no parque tem parada obrigatória no “Monumento Natural Cuevas Del Milodon”. Fica a 30 km de Puerto Natales e conserva vestígios de vida humana de mais de doze mil anos atrás, em uma grande caverna de mais de 200 m de profundidade. Neste período os pesquisadores identificaram a presença do Milodon, um mamífero herbívoro pré-histórico, enorme, que habitou a região a cerca de 5 mil anos. Uma grande réplica na entrada é um convite para fotos criativas e divertidas. Ingresso custa 19 mil pesos chilenos.
E chegamos ao Parque Nacional torre Del Paine, também conhecida como Cordilheira Del Paine, já no meio da tarde. Pagamos o ingresso para três dias - tem opções de 1, 3 e 9 dias, usando o cartão de crédito tradicional, o Wise internacional não foi aceito. Valor: 82.291 pesos chilenos equivalente a R$ 532,00 em 21/02/2023. Na portaria de entrada o atendimento foi insuficiente, confuso, sem atenção, informações imprecisas. Para nossa sorte na sede administrativa foi o contrário, ótimo atendimento. Informaram os locais autorizados para pernoite, inclusive ali na sede, os pontos de visitação, vias de deslocamento, alerta sobre rápidas mudanças climáticas, enfim, muito bom. O parque é uma reserva de mais de 220 mil hectares, localizado no sul do Chile, na região de Magalhães e Antártica Chilena. O principal destaque é o complexo de montanhas, Cerro Paine, Torres del Paine e Cuernos del Paine. O lugar é um dos queridinhos do aventureiros do planeta que amam trekking e aventuras.
Ficamos no parque 5 dias. E foram maravilhosos, mesmo com clima não ajudando, devido aos fortes ventos e a chuva. Como estava frio acabamos acordando tarde quase todos os dias, até porque cedinho o cenário estava coberto de névoa. De início já fomos até o Hotel do Lago Grey saber sobre o passeio de barco pelos glaciais. Agendamos para dali a três dias que teria previsão de um clima melhor. Aproveitamos para explorar o entorno do hotel, que é bem bonito, com trilha pela vegetação até a beira do lago. Voltamos para pernoitar ao lado da Sede Administrativa e tinha passado recentemente um puma próximo, segundo Vitor, o simpático guarda parque.
Dentro do parque fomos em duas Cascatas do Salto Chico e do
Salto Grande – lindas - água de um tom azulado jorrando fortemente. Ainda fizemos
a trilha atrás do hotel/cascata, visitamos o Campimg Pehoé, subimos até o
Mirante do Condor-130 h de caminhada por uma vegetação que sofreu queimadas e
na chegada o prêmio: Um visual deslumbrante dos picos e lagos, com muitos
guanacos pertinho de nós e condor voando próximos. Nosso segundo pernoite foi
na parada "Podeto”, de onde saem barcos para passeios e é uma referência
de parada para os viajantes.
No dia seguinte foi vez de conhecer e trafegar pelo parque
até próximo ao Glacial grey. Nesta estrada de ripio, linda, as paisagens
e paradas são encantadoras. Paramos na entrada do Mirante Los Cuernos - onde
tomamos chimarrão olhando a cadeia de picos nevados, também no Lago Nordenskjold,
Laguna Los cisne, Laguna Amarga, Lagoa Azul - onde paramos para fazer o almoço.
E estrada é bem cheia de costeletas e desafia os carros a ficar com tudo no
lugar, mas vale cada “solavanco” hahaah.
O nosso passeio no Lago até o Glaciar Grey que estava agendado foi cancelado, os ventos fortes não possibilitaram a saída do barco. O dinheiro foi devolvido no próprio cartão de crédito, sem as taxas. Aproveitamos que estávamos lá novamente e decidimos fazer a trilha até o mirante. Fomos até o ponto onde saem os barcos e tivemos de desistir, estávamos molhados e congelando, apesar das roupas e capas de chuvas. O solo de pedrinhas que o pé afunda foi um desafio à parte.
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| Uma das trilhas do Parque. |
Outro ponto de pernoite que experimentamos foi na Laguna Amarga, tinham outros dois motorhome de europeus ao lado, apesar do frio e vento forte foi tranquilo. Este é outro ponto de referência dos viajantes e aventureiros, usado como ponto de apoio e para transporte. Tem estrutura de banheiro, banhos, e próximo tem um café- raridade por aqui.
Não quero deixar de registrar os inúmeros arco íris que vimos a cada dia, em cada caminho, parecia que o céu se pintava para enfeitar ainda mais a paisagem maravilhosa. Um lugar para ficar na memória, no coração e despertar desejo de voltar.
Depois desta over dose de beleza, frio e ventos lá vamos nós
pegar a estrada novamente. Decidimos voltar a Puerto Natales para tentar
arrumar a porta lateral da Branquela que ainda continua abrindo. Passamos em
quatro lugares e não conseguimos resolver. Paciência, tentaremos à frente.
Optamos em atravessar - pela quarta vez- a fronteira entre
os dois países hermanos, no Passo Dorotéia/ Rio Turbo, recomendo, boa opção,
tudo asfaltado. (tinha opção outro passo na outra saída do Parque que pegaria
chão). Nesta aduana não perdi nenhum alimento. Ufa! Acho que é porque o
ingresso na Argentina é bem mais leve, nem vistoriaram a Branquela, só
documentação de saída do Chile e entrada na Argentina.
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| Parque Nacional Torre del Paine. |
Neste dia, já em território argentino novamente, dormimos no
caminho, na pequena “La Esperanza” em frente ao Hotel Patagônia, mais um
local de referência para a parada dos viajantes da patagônia. Fica na beira do
asfalto e oferece boa estrutura para alimentação, wifi, banheiros. Aproveitamos
para comer e tomar uma cerveja geladinha com os parceiros, enquanto
combinávamos a sequência da viagem.
...continua parte 3
Continuação, parte 3 Patagônia Argentina - região andina.
3 - Patagônia Argentina região Andina que engloba localidades como El Calafate, El Chaltém, gobernador Gregori Perito Moreno (cidade), Los Antigos
Próxima parada: El
Calafate, a cidade do glaciar mundialmente famoso, Perito Moreno. Faz jus à
fama! Um dos cenários mais impactantes que conhecemos. Entre El Calafate e EL
Chaltém
A referência para pernoite é o sempre parceiro YPF. Fica bem
na entrada da cidade, tem área de estacionamento que acolhe mh do mundo inteiro
diariamente. Não tem luz, tem banheiros, restaurante, internet e cedem água
para encher as caixas. Boa opção para lanches da noite com as empanadas e
“media lua”.
A cidade é um charme só, lembre a cidade de Gramado no RS, muito turista, chocolate, lojas de souvenirs, restaurantes... Nós, um pouco avessos ao turismo clássico, já fomos procurar os cantinhos mais escondidos. Adotamos a orla da Laguna Mines como nosso refúgio, várias vezes simplesmente estacionamos e ficando admirando, conversando, enquanto tomávamos chimarrão ou saboreávamos uma refeição preparada ali mesmoh
Aproveitamos para comprar uma fechadura nova para a porta -
continua abrindo - e agendamos para a troca em dois dias. Enquanto isso fomos
ao “Museu do Gelo Glaciarium”, muito bom, recomendo. A visita guiada é uma aula
sobre a geografia, clima, especialmente como as mudanças climáticas estão
causando o degelo e afetando os graciares. A enorme maquete da região dá uma
ótima noção da grandiosidade e beleza do lugar. Ali ficamos sabendo que Perito
Moreno é único graciar em crescimento, todos os demais estão diminuindo, isso
graças a zona de acumulação que fica no fundo da geleira e causa desprendimento
das placas de gelo, de tempo em tempo. Poucos foram os sortudos que tiveram o
privilégio de assistir ao espetáculo. Ingresso 5 mil pesos argentinos - só
aceitam efetivo.
No terceiro dia resolvemos ir até o Camping Municipal que
fica na área do Lago Roca. Para chegar lá ir até Porto Bandeiras pelo asfalto e
de lá mais 30 km de rípio ruim. O pneu do motorhome do parceiro furou na
estrada de chão e aí a troca foi com chuva, barro e muito esforço. Só
conseguiram com a ajuda de um motorista que parou e tinha uma alavanca,
terminaram em estado lastimável.
Para mim e José, que gostamos de acampamento selvagem, foi
incrível. Um vale, rodeados de montanhas, um lago a frente, só as estrelas
iluminando o lugar, e o barulho do vento” cantando” para nós, foi um presente
na viagem. Ficamos só uma noite para não causar incômodo para os parceiros.
Dica: É gratuito, mas precisa pegar
autorização com guarda parque.
O dia seguinte foi o de, enfim, conhecer o grandioso Glaciar
Perito Moreno. A geleira tem 60 metros de altura e 5 km de comprimento que se
divide da Argentina para o Chile, sendo considerado uma das maiores reserva de
água doce do mundo. Está dentro do Parque Nacional Los Glaciares. O
acesso é fácil, por asfalto até a portaria. Dali tem um ônibus que transporta as
pessoas até o início do ponto de visitação. Tem uma cafeteria e banheiros como
estrutura de apoio.
O passeio pelos paredões onde se avista a geleira é feito
por passarelas, são muitas e com várias possibilidades de dificuldade,
distância e ângulos - 4 circuitos que somam 4.7 km. Nós, obviamente, fomos em
quase todas, passamos a tarde nos deslocando, fotografando, observando a espera
de um desprendimento de gelo. Vimos e não conseguimos registrar, é muito rápido
e inesperado. Pegamos sol, chuva e vento, então sugiro ir preparado com roupas
e calçados impermeáveis e de fácil troca. Também levar água e protetor, para os
mais precavidos e lentos um lanchinho vai bem. Ingresso 5.500 mil pesos
Argentinos. Neste dia nos separamos dos parceiros para dormir. Eles voltaram
para o YPF e nós fomos dormir no Porto Bandeira, nós o lago e o vento.
Como estamos precisando lavar roupas e mexer novamente na
porta da Branquela, decidimos ir para um camping, escolhemos o “El Niriguao” a
um custo de 5.500 pesos argentinos a diária. Arborizado, com churrasqueira no
box, banheiros com calefação. Ficamos a manhã arrumando a casa e a tarde
voltamos para a área do parque, paramos no Puerto Bajo Las Sombras para fazer o
passeio de barco.
O barco saí pelo Canal de Los Tempanos até a parede norte do
graciar, de onde se vê a imensa parede de gelo de cor azulada bem a frente, os
pedaços da geleira soltos pelo lago, e se tiver sorte, o espetáculo de uma das
“paredes” cair bem próximo. Espetáculo que nenhuma câmera consegue traduzir.
Valor passeio 16 mil pesos argentinos. Depois do passeio de barco ainda
conseguimos, mais uma vez, voltar a fazer passeio pelas passarelas.
Reservamos um dia para um delicioso almoço no disputado restaurante Casimiro Biguá Parrillas, com direito a provar uma tábua de carnes do cordeiro patagônico assado inteiro na “vitrine” do restaurante. Estava bom! Pagamos 14.500 pesos argentinos. De sobremesa não poderíamos deixar de provar o sorvete de calafati, fruta que dá nome a cidade. Bom também! Depois do almoço e do sorvete ainda tiramos algumas horas para andar nas lojinhas e comprar as tradicionais lembrancinhas, antes de voltamos para nosso último pernoite no queridinho ypf.
Hora de se despedir de El Calafate levando na memória
imagens inesquecíveis. Acabamos saindo tarde porque precisávamos pegar dinheiro
no WU e foi bem difícil, devido as filas e pouca disponibilidade. Pegamos a conhecida Rota 40 e o visual no
trecho é lindíssimo. Passa pelo Lago Argentino, Lago Wiedma com picos
nevados se mostrando a cada km.
No meio da tarde
encostamos no Parador La Leona - km 615, ponto tradicional de parada dos
viajantes. Eles têm no ambiente peças antigas que formam um pequeno museu e
alguns posters com fotos de visitantes ilustres. Conta a lenda que o bandido do
faroeste americano retratado em filmes “Butch Cassidy” se escondeu por ali após
o assalto ao banco. O local fica isolado, no meio do nada, ao lado de um lindo
rio. Tem estrutura com restaurante e local para pernoite.

Seguindo mais um trecho na rota 40, depois na 23 que
contorna o lago Wiedma, totalmente absortos com a beleza do cenário, chegamos
em El Chaltén. O visual da chegada é impactante! Não sei se pela
surpresa (não tínhamos lido muito sobre) mas acho que dei o maior suspiro da
viagem quando avistamos o conjunto de montanhas na chegada. A estrela da cidade
é o majestoso Monte Fitz Roy, no entanto, o que faz a imponência do
lugar é o conjunto de montanhas de rochas e gelo. O pórtico de entrada é uma parada
obrigatória para registrar este momento da chegada.Já na cidade fomos para o centrinho e nos instalamos no estacionamento de motorhome que fica ao lado do posto de informações turística e do ponto de embarque dos ônibus intermunicipais - e são muitos a todo o momento. Tem espaço para uns 10 equipamentos, com luz, descarte, água e localização privilegiada, sendo totalmente gratuito.
Ficamos seis dias na pequena e charmosa El Chaltén. Conseguimos encomendar mais uma peça da porta, veio de El Calafate pelo cargo/ônibus em dois dias, bem tranquilo. E mais uma vez José fica um dia inteiro tentando consertar a danada da porta que não fecha. Está ficando irritante e grave o problema.
Conseguimos mesmo assim, fazer passeios pelo entorno. Um dos dias fomos até a Cascata chorrillo e Laguna Condor, estrada de ripio, mas boa. Fomos parando, fotografando, observando encantados com a paisagem.
O dia seguinte repetimos o mesmo trajeto de carro, ideia era
ir até o Glaciar Huemul, desistimos faltando 6 km porque a estrada estava muito
molhada, lisa, com morros, achamos perigoso continuar. Voltamos e paramos na
estrada para fazer parte do Sendero Laguna de Los três. Foram 2h de caminhada
para chegar até um mirante e avistar o glaciar Piedra Brancas, mais 2 h para
voltar. A trilha é linda, atravessa um vale, depois o Rio Elétrico e vai
subindo pelo meio da mata de árvores lindas. A trilha completa, saindo da
cidade, é de 13 km só de ida. Voltamos já estava anoitecendo - aqui anoitece em
torno de 21h.
Bem próximo da cidade, com deslocamento caminhando desde o
centrinho, tem outra trilha que fizemos e indico. Tem opção ir até os Miradores
Los Cóndores e Las Águilas, com maior ou menor distância e dificuldade. Fomos
nas duas e valeu muito, vimos os voos de ambos, traçando um bailado no céu e uma
panorâmica da cidade - Até pouco tempo uma vila.
El Chaltén é uma referência mundial para os apaixonados por
trekkings e são muitas as opções de trilhas, escaladas e esportes de aventura.
A mais famosa é sem dúvida até a base do Monte Fitz Roy, não nos sentimos aptos
a tal aventura, esta é para os profissionais e aventureiros.
Como vários dias estava frio e chovendo pouco caminhamos pela cidadezinha, o máximo foi ir com os parceiros Wilson e Vera, tomar uma cerveja e saborear uma tábua de frios em um dos aconchegantes bares do centrinho.
Hora de partir novamente, nos despedimos com um sol
iluminando as montanhas em um belo espetáculo. Mais uma vez voltamos para a
rota 40 e paramos para pernoitar no YPF de Gobernador Gregori. Antes de
chegar na cidade de Perito Moreno - nosso próximo destino - encontramos uma das
entradas do “Parque Nacional Patagônia”, ali tivemos uma aula sobre a luta pela
conservação e reconstituição do sistema patagônico, ameaçado constantemente.
A cidade de Perito Moreno foi nossa opção de parada
para organizar a sequência da viagem e tentar novamente uma oficina para
consertar a porta da branquela. Ficamos três dias em função da tentativa do
conserto. Encomenda peça novamente, entra fila dos serviços, acompanha
apavorado o chapeador “papito” dizer: não sei o que estou fazendo...e depois
sai com a porta, sim- melhor do que antes, mas sem saber quanto iria durar.
Putz! A parte boa é que ficamos um dia no YPF, depois fomos para o Camping,
simples, gostosos, visual bonito a beira de um lago, com diária de 1.100 pesos
argentinos. A cidade é pequena e gostosa para caminhar nas ruas, feirinha,
música na rua, casas antigas.
Depois desta parada estratégica seguimos em direção a fronteira com o Chile
. Paramos em Los Antigos, cidade próxima a fronteira AR/CH e momento da decisão: vamos ou não enfrentar a temida Ruta7- Carreteira austral. Ficamos o dia na cidade buscamos informações, passeamos até os mirantes, caminhamos e chima na costaneira, conversamos, avaliamos. José queria continuar, eu queria desistir da carreteira. A noite enquanto comemos uma pizza com os parceiros comunicamos a decisão: Vamos enfrentar o desafio, com porta abrindo e tudo mais. Dormimos na cidade ao lado do YPF e da praça das cerejas – produção que faz sucesso na região - e na manhã seguinte pegamos o rumo.
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| O impactante visual do Fitz Roy na chegada em El Chantém |
...continua na próxima página.
continuação, parte 4 - Patagônia chilena região dos lagos
4- Patagônia Chilena região dos Lagos que engloba localidades como Puerto guadal, Cerro cartilo, Pùerto Cisne, Puyuhapi e onde rodamos na famosa Carreteira Austral e conhecemos a não menos famosa Capélas de Marmore.
A estrada na sequência é uma das mais bonitas e desafiadora
que passamos nesta viagem. Contorna o grande lago que do lado argentino se
chama Lago Buenos Aires e do lado chileno Lago General Carrera. A
estrada é de ripio em grande parte e estava em obras o que só dificultou mais a
tráfego. Tem pontos que só passa um carro por vez, outros estreita e com um
precipício ao lado. Mas o visual compensa muito, a cada curva um presente aos
olhos?????.....................
![]() |
| Pé de Rosa mosqueta |
Atravessamos a fronteira mais uma vez, agora em Chile
Chico – Paso Fronteiriço Rio Jeinemeni - e novamente perdi mercadorias, chá
de macela e cidreira.
Seguimos contornando o lago, agora denominado General
Carrera, e a paisagem cada vez mais linda. Paramos em Puerto Guadal para
pernoitar. A cidadezinha é bem bacana, a
orla do lago tem uma bela costaneira, onde estacionamos para saborear um
delicioso salmão – o primeiro da viagem. Ali avistei a primeira de muitas
“ramas” de rosa mosqueta. Assemelha-se a pé de amoras, típicos do sul do
Brasil. Ao final da tarde subi na trilha ao lado do lago
para ver o pôr do sol,
apreciando o belo entardecer.No dia seguinte partimos, nos despedindo de Puerto Guadal do
alto da cruz, um mirante muito bonito com uma vista linda da cidade e do lago.
A estrada continua contornando o lago, com áreas de desmoronamento de um lado e
precipício de outro, segue assustadoramente maravilhosa até encontrar a Ruta
7 a Carreteira Austral.![]() |
| Carreteira Austral Ruta7 |
Já na famosa carreteira seguimos até Puerto Rio Tranquilo, onde paramos para fazer a visita a uma das belezas mais admiradas e buscada pelos turistas, as singulares Capillas de Marmól ou Capelas de Mármore, decretado como Santuário da Natureza do Chile. O passeio de barco sai da orla da vila em geral duas vezes por dia a um custo de 50 mil pesos chilenos, para duas pessoas, equivalente a R$ 300,00 na época. Dura em torno de 2h 30 min. Tem opção normal e full, optamos pelo segundo.
Fica nas margens do lado oeste do Lago General Carrera, é resultado do afloramento geológico de depósitos de mármore e calcário, criando corpos maciços com diferentes formatos e cores, passando pelo branco, rosa, azul, que contrasta com água azul. Na trajetória do barco vamos passando por cavernas, labirintos e a cereja do bolo é o maciço que lembram uma catedral. Lindíssimo! Imperdoável ir à patagônia chilena e não conhecer esta maravilha. Na volta do passeio decidimos pernoitar ali mesmo, as margens do lago, ao lado de outros equipamentos. Tínhamos combinado com os parceiros tomar o primeiro pisco sour, não rolou, caminhei só pelo povoado.
Depois deste banho de beleza cênica novamente retornamos
pela Carreteira Austral, passamos por Cerros Castilo, famosa por suas
cachoeiras e trilhas, sem parar para conhecer. Em um trecho da estrada - já de
asfalto - passamos por uma mini caracoles (famosa estrada que liga Mendonza-AR
a Santiago-CH). Ali paramos para almoçar e a comtemplar a linda paisagem. O cenário
vai mudando conforme trafegamos, passamos por áreas nitidamente rurais, de
criação de ovelhas, rios, cascatas e um túnel.
Passamos o dia observando o movimento dos barcos no porto e a preguiça da pequena cidade. A noite fomos, enfim, saborear o pisco Sour, clássica bebida chilena, a base de pisco, limão e xarope de açúcar, uma delícia, Wilson e Vera acharam meia boca.
Dali retornamos para a ruta 7, em direção a Puyuhuapi. Para nossa surpresa e desespero antes de chegar na cidade passamos o pior trecho da Carreteira Austral da viagem. Subimos, por asfalto um bom trecho de serra, ao chegar quase ao topo a estrada estava em obras e termina o asfalto. A frente um trecho de declive acentuadíssimo, em curva, com terreno de pedregulhos soltos, os carros deslizando, chovendo, por uns 15 kms. Ufa! Foi rezando, agarrada na maçaneta, e respiração quase parada. Olhando o desenho do trecho no maps parece um ECG de um paciente em estado gravíssimo? Ao chegar no plano paramos os carros, descemos e nos abraçamos. Que susto!




Para comemorar o final feliz e reestabelecer a calma fomos almoçar
em um restaurante local, muito bonito, a beira do lago, saboreando um salmão
maravilhoso, acompanhado de vinho. O pernoite foi ambos estacionados na praça
da cidade.


No dia seguinte fomos fazer o passeio até o Parque
Nacional Queulat, onde se encontra o Vestiqueiro Colgate (geleira) a 20 km
da cidade. Não fizemos o passeio de barco, optamos por caminhar pelas trilhas e
apreciar a paisagem da mata e a cascata caindo no lago. Ingresso 18 mil pesos
chilenos. Paramos no caminho nas águas termais de Puyuhuapi onde acabamos só
conhecendo o local, sem ingressar para usufruir dos banhos e spa, devido ao
precinho salgado.
E chega a hora de sair da Carreteira Austral, rumamos em direção ao passo Futalefú, pelo trecho conhecido de 90 kms de ripio, famoso entre os viajantes por ser estrada péssima. Dormimos em Futalefú, na praça, para fazer a travessia da fronteira e os últimos kms de ripio durante o dia seguinte. Na aduana Argentina mais uma vez perdi mercadoria, desta vez alface. A cidade é bem bonitinha, charmosa e um ponto de referência para os viajantes da carteira. O cenário do entorno da cidade é adornado pelo belo conjunto de montanhas A praça tem feirinha com produtos locais onde aproveitei para comprar produtos à base de rosa mosqueta
continua na próxima página
continuação, parte 5 Patagônia andina-região Bariloche
5 - Patagônia Andina região Bariloche e dos 7 lagos na Argentina que engloba cidades como Esquel, El Boston, Bariloche, Villa La Angostura, São Martin de los Andes,
O resultado da estrada de ripio foi o cano da caixa d’água do motorhome do Wilson e o freio de mão do nosso avariados. Lá foi o José para o conserto quando chegamos no asfalto. Acabamos não parando em Trevelin e seguimos para o Parque Nacional Los Alerces. Ingresso 3.500 pesos argentinos por pessoa. Mais 1 mil pesos pelo estacionamento onde pernoitamos.
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| Pinhão Argentino |

O parque é extenso, cheio de visuais incríveis com lago,
rios, bosques com árvores centenárias, estrada linda. Fizemos uma trilha no
parque que leva até um porto à beira do lago em uma caminhada por dentro da
mata. Dormimos estacionados ao lado do lago, um verdadeiro acampamento
selvagem, sem luz, sem água, sem banheiro no meio do parque, amei. Uma
curiosidade, a região é cheia de pinheiros parecidas com as araucárias do sul
do Brasil. Fomos “catar” pinhão e, incrível! Tinha! Cozinhamos e comemos lá na
beira do lago mesmo, acompanhado de pisco. Quase igual aos do sul do Brasil.
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| esquel |
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| Esuqel |
Dali seguimos para Esquel, ainda na província de Chubut. Estacionamos ao lado do posto YPF, no centro por dois dias. Cobram uma taxa de estacionamento que pagamos sem dó, ótimo lugar. A noite fomos com os parceiros tomar cerveja e comer uma tábua de frios em um pub próximo, muito bom. Aproveitamos estar em uma cidade com opção de repor o gás do bujão e enchemos o nosso, o dos parceiros – que não encheram no Ushuaaia estava mais cheio do que o nosso - Autoexplicativo hahaha. Depois de passar em três lugares procurando peça para comprar na Renault nos deram a dica de ouro para o vidro da branquela que travou. Tem uma pessoa que conserta, ótimo, lá fomos nós. O tempo chuvoso, vento e frio o que
não permitiu explorar muito a cidade a pé.

Nossa próxima parada é El Boston. Depois de passar em
dois campings acabamos encontrando o “Cabanas Mico” que está em fase de
montagem, mas já com água, luz, descarte e um belo entorno de montanhas e a
árvore típica da região, o álamo (3 mil pesos AR a diária para duas pessoas-
promoção de início). A cidade é estilo hippie, muitas esculturas criativas,
feitas de tronco de árvore, na praça. Bons restaurantes, feirinha, pena que o conceito
dos motohomeiros por ali não é boa. Proibido ficar na praça porque “basura”
deixam tudo sujo, nos dizem no posto de informações turísticas. Na mesma rua do
Camping está Cabana Mico onde a família produz e comercializa doces feitos com
frutas da região. Recomendo. Antes de partirmos fomos, com Wilson e Vera,
provar um gotoso bife de choriso no centro da cidade.
Nos despedimos de El Boston descansados e organizados (muita
roupa lavada e limpeza na casa feita no camping) e rumamos para uma das cidades
argentinas preferidas dos brasileiros, o que rendeu até o apelido carinhoso de
Brasiloche. No caminho mais um perrengue, a correia do alternador que vinha
dando sinais arrebentou. Resultado, ficamos duas horas até que José e Wilson
foram até um ponto com internet para assistir um vídeo mostrando como troca.
Tínhamos uma de reserva e depois de muitas tentativas, parabéns |José, mais um
conserto realizado com sucesso. Por nada o chamamos Mac Gyver. De consolo enquanto José fazia o trabalho eu
e Vera colhemos muitas amoras. Colocamos a tampa do motor solta dentro do
motorhome - cheia de graxa -, continuamos no caminho até Bariloche, que
aliás é bem bonito, com uma paisagem de encher os olhos.
No centro informações
turística nos orientaram que não é permitido estacionar no centro da cidade.
Tem um local específico que indicaram, fica à beira do Lago Nahuel Huapi, no
bairro Dina Huapi. É um estacionamento é público, deserto, a princípio nos
sentimos inseguros, depois fomos percebendo que era mesmo ponto de referência,
no terceiro dia já tinha mais três motorhome. Sem água ou luz, em compensação
com um visual lindo, o solo é todo de pedrinhas redondas o que dá um charme
todo especial (lembrou praia de Mirtos, na Grécia).
Foram quatro dias bem gotosos. Muita caminhada pelo centro,
chocolate quente, comida boa, arquitetura bonita e muitos registros. Fizemos o
passeio no teleférico do Cerro Campanário (2.500 mil pesos argentinos),
recomendo, oferece uma vista da cidade incrível e até as Cordilheiras dos Andes.
O Circuito Chico foi outra escolha que aprovamos. Tem um percurso de um pouco
mais de 50 km, passando por cantinhos especiais: Cerro Campanário; trilhas na beira do lago –
lago escondido e Bahia Blanca; Cervejaria Patagônia – pare e entre, por favor-;
Mirantes com paisagens deslumbrantes.
Os finais de tarde foram momentos especiais, todos os dias
fazíamos chimarrão ou cervejinha e nos sentávamos nas cadeiras para esperar o
pôr do sol no lago Nahuel Huapi. Um espetáculo diário!
Duas dicas importantes para os viajantes: 1- A municipalidade oferece e controla o descarte de detritos. O viajante é cadastrado e recebe uma tarjeta de controle para fazer descarte a cada três dias, a um valor de 1.350 pesos argentinos. No local é possível abastecer de água e o viajante recebe de brinde um produto diluente. Apesar de ouvir reclamações nós aprovamos a medida. 2- Pouco antes de sair do asfalto principal para entrar no acesso ao bairro Dina Huapi tem um trailer que vende as melhores e mais baratas chipas da viagem. E um último registro: Tínhamos um certo ranço de Bariloche por seu histórico de point muito turístico, reforçado pela proibição de estacionar na cidade, já na chegada. Ao sair quatro dias depois nosso olhar mudou completamente, cidade linda, fácil deslocamento, tranquila e gostosa a nossa estadia.



Hora de partir e novamente pegar a Rota 40 rumo a Vila Augustura
e a encantadora região dos sete lagos. Depois de uma breve parada na cidade
iniciamos o roteiro. Conseguimos passar em quase todos, faltando apenas um sairia
do asfalto e é difícil dizer qual o mais bonito. Lago Correntoso, Lago
Escondido, Lago Espelho, Lago Villarino, Lago Talke, Cascata Waliginanco, Lago
Machonico.
Nosso almoço foi bifes com salada nas margens do Lago Escondido e antes do Lago Villarino, em um descampado a beira da estrada, tivemos o prazer de pernoitar. Eu e José novamente nos sentimos próximos do que amamos: estacionados no modo selvagem, rio ao lado, longe muvuca das cidades. Fizemos churrasco e ficamos de papo com Wilson olhando as estrelas. Antes, sentada na beira do rio, assisti ao pôr do sol. Havia vários equipamentos, barracas e percebemos ser um point de parada e acampamento dos aventureiros.
continua na próxima página
continuação, parte 6 - rota dos vulcões.
6- Rota dos Vulcões no Chile com Pucon, Vila Rica, Osorno, Frutilla, Puerto Varas, Colbún, Panguipuli
![]() |
| vulcão Lanin |
Seguimos pela Rota 40 até San Martin de Los Andes,
onde fizemos uma parada para comer uma truta com legumes. Logo rodamos
novamente até Junin de Los Andes para buscar informações sobre o Parque
Nacional Lanín. No Centro de Informações turísticas recebemos a boa
notícia! É possível dormir dentro do parque. Oba! Lá fomos nós, 50 km de
asfalto, uma ponte de madeira semi interditada, mais 10 km de rípio e chegamos
na base que fica em frente ao Vulcão Lanín. Sua beleza é acentuada pelo seu
constante pico nevado. Que presente!
Compramos lenha do guardião e José fez uma fogueira no local
autorizado. Sentamo-nos ao redor do fogo, comendo um assado e apreciando o céu,
que borado de estrelas tornava visível o contorno do vulcão. A sinfonia das
tirivas nas araucárias completavam o cenário e tornaram o acampamento especial,
pena que Vera não nos acompanhou. O Parque tem uma área na Argentina outra no
Chile que passa a se chamar Parque Vila Rica.
Acordar se sentindo aos pés do vulcão Lanin foi muito legal, tiramos belas fotos e continuamos pela mesma estrada em direção ao passo fronteiriço Mamuil Malal para mais uma vez ingressar no Chile. Foi a fronteira mais demorada até o momento, 3 horas na fila, trâmites feitos, cebolas perdidas e novamente atravessamos da AR para o CH. A parte boa era ter como cenário o vulcão ao lado. A estrada que passa a ser a Ch 199 também oferece lindas paisagem até Pucon.
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| Vulcão Vila Rica |
A entrada em Pucon foi demorado, com um trânsito bem
congestionado. Por sorte encontramos um casal de brasileiros que moram na
cidade e deram a dica de estacionar ao lado do posto de informações turísticas,
bem central, seguro. Quase em frente está o grandioso Lago Villarrica
com uma extensa área de lazer que ao final da tarde enche de pessoas fazendo piquenique,
músicos, artistas, uma delícia. Meus finais de tarde foram ali, aproveitando
aquela atmosfera boa. A cidade é bem bonita, com casas misturando pedra e
madeiras, uma linda arquitetura.
As estradas na região são especialmente bonitas, muita mata,
árvores centenárias, comunidades rurais, água e a presença marcante do povo
Mapuche, primeiros habitantes da região. Fizemos uma parada na cidade de Vila
Rica, que está aos pés do vulcão Vila Rica, almoçamos, e seguimos
contornando o lago. Em um dos vários mirantes existentes paramos para
comtemplar o lago e o vulcão, ali os moradoras locais vendem seus produtos
regionais em barracas, em um deles fui agraciada com a simpatia e carinho do
povo mapuche. Compramos “churrasca” – espécie de bolacha assada na brasa, ali,
na hora. De regalo me deram chá de “maqui” levaram para colher “Matico”, chá
para refluxo, e para provar, doce feito de “murta”, além de um carinhoso abraço. Povo gentil!
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| Vulcão Osorno |
O pernoite deste dia foi na comunidade de Panguipuli, estacionados a beira do lago do mesmo nome. A escolha por fazer este trajeto, contornando os lagos Calafquém e Panguipuli foi ótima, méritos do Wilson e suas pesquisas. Estradinhas asfaltadas lindas, cheia de álamos, lagos, rios, comunidades rurais. Amei.
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| Frutillar |
Na nossa proposta de fazer a rota dos vulcões o próximo será o vulcão Osorno. No caminho paramos em Frutillar, cidade de colonização alemã, ainda muito presente. Arquitetura, características físicas das pessoas, artesanato, pouca simpatia do povo, tudo típico. Visitei uma feirinha e o lindíssimo teatro da música clássica da cidade que fica na orla do belíssimo Lago Llanquihue. Era páscoa e a cidade no clima, cheia de turistas, nos sentimos em Nova Petrópolis - RS. Escolhemos não pernoitar e seguir.
Nossa próxima parada é Puerto Varas. Chegamos no
final da tarde e tivemos dificuldade em encontrar um local de pernoite.
Tentamos um Camping dentro da cidade só para ter local seguro para dormir, mas
estava deserto, bem descuidado e pediram valor muito alto, não ficamos.
Seguimos pela costaneira até seu final e demos de cara com uma rua sem saída,
com uma área de descanso, e sem possibilidade de retornar pela mesma via – mão
única. Tivemos que contornar o estacionamento cheio de placas “proibido
estacionar” e subir um morro bem íngreme, com chuva e anoitecendo. Chegada nada
acolhedora!
Paramos na rua mesmo, logo a frente, contando que o
movimento de hotel de luxo ao lado e prédio movimentado do outro, nos deixariam
seguros. Eu e José descemos caminhando pelo morro até os carros de food truck
estacionados procurando algo para comer. Compramos pizza, comemos ali e levamos
para os parceiros que ficaram no carro. Tudo certo, noite tranquila, sem
problema.
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| Salto Petrohué |
Ainda na mesma estrada região, depois de um gostoso café da
manhã, continuamos pelas estradas rurais, desertas, envoltas por grandiosos
álamos, para outro lago, o Ranco. O caminho é o espetáculo: gado, ovelhas,
rios, lagos, muito verde e a vista do vulcão; basta ter olhos de ver. Almoçamos
um delicioso salmão, servido em um PF, no acanhado quiosque a beira do lago.
Wilson e Vera deram voltas procurando um restaurante que tinham boas
referências, acabaram voltando e comendo conosco.
Hora de abandonar o interior e voltar para a Panamericana - rota 5, encerrando nosso inesquecível tour pelos vulcões chilenos. Depois de pernoitar no posto Copec da rota 5, próximos de La Paz, fomos rumo à Colbún, já na direção do próximo passo fronteiriço. Na pequena Colbún, fomos ver a enorme barragem, quase dentro da cidade. Achamos não seria local seguro para pernoitar e estacionamos no centro. Com a dica de um morador fomos os quatro em um restaurante bem conceituado, eles pediram um ceviche de frutos do mar e nós o salmão. Conheci um drink famosos chamado metielada - sabor de manga, bom e o fruto do mar chamado “louco” - parecido com camarão, não provei.
Nossa próxima aventura foi enfrentar a estrada que divide
Chile da Argentina, no Passo Pehuenche e sim foi uma verdadeira aventura. Além
de ser o “Paso Fronterizo” para atravessa a cordilheira dos Andes com menor
altitude - 2.500 M, o visual é um espetáculo à parte.
A estrada é asfaltada,
ainda assim, requer muito cuidado por conta de trechos com risco de deslizamentos,
protegidos por redes colocadas no alto para segurar as pedras. A paisagem vai
mudando, ora montanhas de areia, ora montanhas de pedras, ora vastos vales. Principalmente
no lado argentino há pontos de paradas com mirantes que proporcionam visão
incrível de uma hidrelétrica, rios, vales, montanhas e, se tiver a nossa sorte,
o elegante voo de um condor.

Para os mais
empolgados (Faltou parceria para acompanhar-me) tem algumas termas no trecho
que parecem ser uma ótima para relaxar da tensão da estrada. As duas aduanas
ficam bem distante uma da outra, 60 km, o que dá a sensação de viajar pela
terra de ninguém. Sem problema, foi muito tranquila a viagem e a travessia, sem
filas, e desta vez não perdi nada. Estou aprendendo. Sem dúvida foi a melhor
travessia de fronteira entre os dois países Hermano desta viagem, e olha que
foram mais de dez.

De volta Argentina a primeira cidade que paramos foi Malargue.
Escolhemos ficar no Camping Municipal para reorganizar a casinha rodante. Muita
roupa para lavar, limpeza para fazer, intercalados com passeios na cidade. O
Camping é muito bom! Rodeado de álamos, com chuveiros, churrasqueiras, pontos
de água, luz e descarte e com valor bem acessível. 1000 pesos a diária. Na
cidade tem um planetário que é muito interessante, fiz a visita guiada - ocorre
com hora marcada – na qual projetam um filme 3D do espaço, aula sobre relógios
do tempo, museu das viagens espaciais, experiências sensoriais. Nossos,
parceiros decidiram ficar um dia a mais, nós que temos data para retornar,
seguimos na frente.
...continua na próxima página
Continuação, parte 7 - Mendonza rumo ao Brasil.
7- Por último, já fora da patagônia, dedicamos uma página a região de Malargue, Mendonza, Córdoba, rumo a fronteira com RS.

Saímos de Malargue pela Rota 40 até Villa San Carlos,
mais um trecho bem bonito, montanhas, rios e um vulcão ao longe que não
conseguimos identificar. Tem um mirador no Rio Malargue que rende belas fotos.
Dali saímos da rota 40 para iniciarmos nosso tour pelas famosas rotas dos vinhos
de Mendonza.
Começamos pelo Valle Dell Uco, Rutas 89 e 86 que na viagem
de 2018 tinha ficado para trás. Primeira parada no Manzano Histórico situado em
uma vila rural, marca a passagem de José Martim – herói argentino, na sua
famosa travessia dos andes. Ali pernoitamos, estacionados em frente ao
monumento e acordamos rodeados por ciclistas que participavam de um evento. Na
região há várias bodegas, algumas abertas à visitação, com e sem agendamento,
com e sem cobrança, tem opções para adaptar aos gostos, tempo e bolso dos
viajantes.

Nós escolhemos iniciar pela “Vina Mosquita Muerta” vinho que
costumamos consumir no Brasil. Não fomos felizes! Não tem visitação, ainda
assim, entramos na propriedade e vimos os vinhedos próximos a estrada. Na
sequência fomos na” Wine Salantein”, chique, tem venda no local e
visitação/degustação com agendamento. Só compramos. A próxima foi a “Finca La
Azul onde provamos alguns vinhos e escolhemos o cabernet, bom preço/qualidade.
Ainda seguindo pelas estradinhas do vale chegamos Bodega Jean Bousquet, mais uma
ótima poção, com degustação e preços ótimos. Mais algumas garrafas para a
adega.
Na sequência de Valle Del Uco chegamos a outra região
produtora o Lujan de Cuyo, - Ruta15, também um caminho lindo, cheio de
álamos. Ali paramos na Bodega Chandon, atendimento superespecial, com
degustação, visita às dependências internas e externas e bons espumantes de ótimo
preço. Garantimos os brindes para o final do ano, datas especiais e para
presentear amigos.
Depois deste tour especial pelo interior, visitando as vinas
e bodegas é hora de seguir para a área central de Mendonza. Paramos em um
estacionamento central, Avenida Peru, bem próximo ao Carrefour, indicado no
aplicativo Viva Sobre Rodas, ótima dica amiga Gracita. Valor da diária 2.500
pesos. Aproveitando lá vai a dica: o preço dos vinhos no mercado estava mais barato
que nas vinotecas.





O dia seguinte reservamos para um passeio urbano. Caminhamos
pelas Praças Peru, Chile e Central. Na Calle Peatonal tomamos um Mojito e
almoçamos um delicioso bife de choriso. A tarde fomos de ônibus turístico fazer
o tradicional City Bus, descendo nos pontos de interesse. A saída é da praça Central
a um custo de 11.100 pesos. Os turistas podem descer e subir nos pontos
indicados e o passaporte vale por dois dias e nós aproveitamos ambos. No
primeiro dia escolhemos conhecer o Bairro Cidade Velha, totalmente destruído no
terremoto de 1860 – hoje só existe as ruínas da antiga igreja, e o Cerro de La
Glória que atravessa o grandioso Parque General San Martin e dentro da área tem
universidade, hípica, estádio, teatro, restaurantes...e sua parada principal é
o pico da glória, ponto mais alto, de onde se tem uma visão incrível da cidade
e dos Andes. Imperdível!

Ainda aproveitamos o City Bus para conhecer o Museu
Fundacional, que conta de maneira bem didática e ilustrativa a história da
cidade. Destaque para o sistema de irrigação, com “valas” que canalizam as
águas do degelo, e incrível, até hoje são funcionais. Depois do delicioso rodízio de massas na área
gastronômica da Calle peatonal ainda deu tempo para um city tour a pé com guia
local no modelo Free Walking finalizado com degustação de vinho. Vera foi minha
companheira neste passeio. Foi nossa segunda vez em Mendonza e totalmente
diferente – a primeira vez exploramos as áreas rurais -, agora podemos dizer
que conhecemos um pouco da cidade que me cativou e ficou a sensação “eu moraria
aqui”.

Depois de três dias explorando a aconchegante Mendonza
chegou a hora de nos despedirmos dos parceiros, Wilson e Vera, companheiros
desta jornada por maravilhosos 105 dias.
Nós temos data para estar no Brasil, eles não, então ficarão mais na
Argentina. Agradecemos a parceria e estarão para sempre em nosso coração.

Na saída de Mendonza acabamos errando o caminho e, para
nossa sorte, pegamos uma estrada secundária com várias vinícolas pequenas,
familiares. Paramos em uma dela “Família Rodrigues” que nos recebeu muito bem,
dando aula “in loco” sobre as vinhas, tem degustação e venda direta. Mais
garrafas para a adega! O pernoite foi em Vila Dolores no YPF.

Pela manhã, cedinho, lá vamos nós seguindo em frente em
direção à Córdoba. O caminho mais uma vez é para encantar os olhos, à
medida que vai subindo a serra o visual com cadeias de montanhas e vales vai se
revelando majestoso entre viadutos e túneis. Paramos na portaria do Parque Nacional
Quebrada del Condoritos, bem próximo da ruta, porém os sendeiros eram todos
de longa distância, fica para a próxima.

Em um dos paradores da serra entre Mina Clavero e Vila
Carlos Paz, ruta 34, estacionamos a Branquela e fomos presenteados com o voo
magnifico de muitos condores bem próximos de nós. Um show gratuito e
encantador. Chegamos em Villa Carlos Paz antes do meio-dia e decidimos
ficar até o dia seguinte. O lugar é convidativo, a cidade é “ligada” por várias
pontes para atravessar de um lado a outro o Lago San Roque – nos lembrou
Veneza. Estacionamos na costaneira em frente ao terminal de bus, com câmeras de
segurança e um posto da guarda. Como viajar é viver muitas experiências final
da tarde fomos fazer aquele passeio obrigatório do turismo clássico. E lá
estávamos nós, junto de uma multidão, esperando o horário em que os cuco do
relógio da praça saem para anunciar às 18h, confesso que foi divertido. Dicas:
1-aproveitem para comprar alfajores, muitas opções. 2- a noite o visual das
luzes da cidade refletindo no lago, visto da ponte, rende fotos belíssimas.


A nossa passagem por Córdova, ou Córdoba em castelhano, foi
muito rápida. Tinham nos falado que não era segura e entramos com receio. Colocamos a Branquela em um estacionamento
pago no centro e resolvemos “bater perna”, foi uma boa escolha. Percorremos as
ruas centrais explorando sua arquitetura, monumentos, igrejas, nos misturando
ao movimento dos moradores e turistas. Na praça San Martim pegamos o City Bus,
a melhor opção para quando o tempo é curto. Pagamos 3 mil pesos e foi como
conseguimos “olhar” os principais pontos turísticos da cidade. Foi a deixa para
nos instigar a voltar.
Visita obrigatória é a bonita Catedral de Córdoba, o Museu de La Memória e o Cabildo, ambos dominam o cenário da praça e são tombados como Monumentos Históricos Nacionais. No Cabildo, construção que é testemunho da história da Argentina e no passado já abrigou a sede do governo, visitamos as celas usadas na ditadura para isolar e torturar presos políticos quando abrigou o equivalente ao DOI-CODI da ditadura brasileira. O local registra, em fotos, os presos ali alijados de direitos fundamentais e apesar da bonita arquitetura tem esta áurea de tristeza e revolta. De Córdoba levamos três certezas: visitei o local mais desejado- Cabildo; precisamos voltar com mais tempo; não sentimos a insegurança alardeada.

A apenas 120 km populosa e movimentada Córdoba fica a
pequena e acolhedora Arroytos, nosso ponto de parada para pernoite.
Ficamos no Balneário e Camping Municipal, a beira do Rio Segundo River, com
banheiros, água, luz, churrasqueiras, wifi e a simpatia dos funcionários da
municipalidade. Cobram uma taxa simbólica.
No dia seguinte nos despedimos dos funcionários e do bonito
lugar, agradecidos pela prazerosa parada e retomamos a Ruta 19 rumo a Santa
Fé, atravessando o famoso túnel Subfluvial no Rio Paraná. É a segunda vez
que temos o privilégio de passar nesta obra espetacular, com seus 2.400 metros
de extensão, nos proporciona “submergir” de carro pelo caudaloso paranazão.
Fica na divisa das cidades de Santa Fé e Paraná, ambas capitais das respectivas
províncias.

Logo que passa a divisa das províncias de Santa Fé e Entre
Rios tem uma charmosa comunidade, às margens do Rio Paraná, chamada Villa
Urquiza. Decidimos fazer nosso pernoite ali, recordando uma parada anterior
feita 2018. O local tem o Balneário Municipal, Camping muito agradável e com
boa estrutura. Custo de 1000 pesos a diária. Aproveitamos a tarde para fazer um
gostoso assado e finalizar o dia assistindo ao pôr do sol no rio, com o
tradicional chimarrão.

O dia seguinte pegamos a estrada sentindo o gostinho de
despedida do querido país Hermano. Novamente optamos ir por estradas
secundárias- Ruta 127, fugindo da movimentada Ruta 12. Nestes caminhos alternativos
sempre temos belas surpresas e neste foi as Termas Maria Grande e o Camping da
Federal, ambos sem dúvida irão para nossa lista de “parada interessante” para
uma próxima viagem na região.
Nas Termas nos permitiram circular nas
dependências para conhecer e no Camping cortesia do ingresso para fazer nosso
almoço. Antes de sairmos ganhamos carne de capivara de argentinos acampados que
vieram conhecer nossa branquela e um bonita toalha de mão do casal brasileiro
Dalva/ Luis também retornando do Ushuaia. Único problema foi o trecho final da
estrada até encontrar a Ruta 14 que estava péssimo.
Chegamos na fronteira já escurecendo e resolvemos não
atravessar a aduana, dormimos no posto de combustível em Passo de Los Libres
para pesquisar preços e talvez gastar os pesos que sobraram da viagem. No
supermercado compramos os tradicionais, doce de leite, queijos e bebidas. No
dia seguinte passamos a aduana e enfim, estamos de volta ao Brasil! Obrigada
Em Uruguaiana apenas uma parada para algumas compras
(bota, cremes, bebidas) e almoçar em um bifê a kg - matando a saudade desta
opção tão brasileira. Queríamos ir até Santana do Livramento, divisa com Rivera
no Uruguai, onde pensamos os preços estariam melhor. Chegamos em Rivera
anoitecendo e o local onde ficávamos- Shopping melancia - havia fechado.
Resultado da Pandemia talvez? Foi estressante buscar uma alternativa à noite,
mas tudo certo. Paramos no Shopping Sineriz que agora tem vaga específica para
pernoite de motorhome. Parabéns, shopping!
Acertamos, os preços e opções no Uruguai. Passamos o dia
todo peregrinando pelos shoppings e grandes lojas da cidade, em busca dos
melhores preços e produtos. O resultado foi bom. Cremes, perfumes, bebidas,
chocolates, Azeite, temperos, lençol, jaqueta, calças, copos, chaleira, ufa!
Presentes garantidos.
Registro especial! Hoje é dia 25/04, dia do aniversário da
pessoa mais especial para nós, nossa amada filha Gabriela. A comemoração foi no
estacionamento do shopping Sineriz, por vídeo chamada, com direito a bolo e
velinha nos parabéns. Vida longa e feliz filha! Te amamos muito.
Compras feitas, comemoração garantida, no dia seguinte
estamos prontos para retomar a estrada. Depois de quase quatro meses estamos
trafegando novamente em solo brasileiro, sempre é bom esta sensação de estar em
casa. Nosso próximo pernoite foi em Santa Maria no Posto Buffon,
tranquilo, amanhã já estaremos na familiar cidade de Caxias do Sul, onde
moramos por mais de 30 anos.
Nossa passagem por Caxias do Sul tem um motivo especial.
Vamos estar presentes na festa de aposentadoria da colega assistente social
Elizete. Trabalhamos juntas, eu e ela, colegas de profissão, por quase 20 anos
na Prefeitura Municipal de Caxias do Sul. Não poderia deixar de comemorar esta
conquista da colega, de “lambuja” foi um momento de rever muitos ex-colegas de
trabalho (desde a aposentadoria - a 8 anos- mudei da serra gaúcha para o
litoral de SC). Parabéns, colega!
Compromisso cumprido em Caxias do sul
é hora de chegar mais perto de casa. Com uma parada em Balneário Gaivota
para matar a saudade da minha mãe, Eva, e da irmã Rosa, estamos prontos para
aterrissar no nosso paraíso - Imbituba-SC.
Saímos dia 26/12/2022, hoje, dia 02/04/ 2023, retornamos. Agora é agradecer! OBRIGADA Papai do céu,
GRACIAS espiritualidade amiga por toda proteção!
DADOS DA VIAGEM:
- Dias na estrada: 128
- Km rodados: 20.925 km
- Países percorridos: Brasil,
Argentina, Chile.
-Aplicativos usados: para rodar,
Google Maps, Viva Sobre Rodas e Ioverland; para finanças WU
- Gastos: Combustível.....................................R$
10.506,00.............................31.0 %
Alimentação.....................................R$ 9.505,00...........................28.0 %
Compras...........................................R$ 3.678,00...........................10.8
%
Passeios............................................R$ 2.905,00.............................5 .0 %
Peças/oficinas...................................R$ 2.823,00.............................8.4 %
Seguro...............................................R$ 2.580,00 ............................7.6 %
Pedágio..............................................R$ 381,96..............................1.1 %
Campings...........................................R$ 908,00.............................2.6 %
Balsas.................................................R$ 255,00.............................0.7
%
Internet..............................................R$ 160,00..............................0.5 %
Uber...................................................R$ 292,00..............................0.8 %
TOTAL.................................................R$ 33.999,00.......................100.0
%
Felizes e agradecidos saudamos: Gracias a La Vida!
Obrigada a toda
espiritualidade e ao universo pela oportunidade e proteção.

































































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