sexta-feira, 8 de agosto de 2025

parte 3 - Patagônia Argentina - região andina

 Continuação, parte 3 - Patagônia Argentina - região andina.


3 - Patagônia Argentina  região Andina que engloba localidades como El Calafate, El Chaltém, gobernador Gregori Perito Moreno (cidade), Los Antigos

 Próxima parada: El Calafate, a cidade do glaciar mundialmente famoso, Perito Moreno. Faz jus à fama! Um dos cenários mais impactantes que conhecemos. fica entre as cidades de  El Calafate e EL Chaltém

A referência para pernoite é o sempre parceiro YPF. Fica bem na entrada da cidade, tem área de estacionamento que acolhe mh do mundo inteiro diariamente. Não tem luz, tem banheiros, restaurante, internet e cedem água para encher as caixas. Boa opção para lanches da noite com as empanadas e “media lua”.

A cidade é um charme só, lembre a cidade de Gramado no RS, muito turista, chocolate, lojas de souvenirs, restaurantes... Nós, um pouco avessos ao turismo clássico, já fomos procurar os cantinhos mais escondidos. Adotamos a orla da Laguna Mines como nosso refúgio, várias vezes simplesmente estacionamos e ficando admirando, conversando, enquanto tomávamos chimarrão ou saboreávamos uma refeição preparada ali mesmo.

Aproveitamos para comprar uma fechadura nova para a porta - continua abrindo - e agendamos para a troca em dois dias. Enquanto isso fomos ao “Museu do Gelo Glaciarium”, muito bom, recomendo. A visita guiada é uma aula sobre a geografia, clima, especialmente como as mudanças climáticas estão causando o degelo e afetando os glaciares. A enorme maquete da região dá uma ótima noção da grandiosidade e beleza do lugar. Ali ficamos sabendo que Perito Moreno é único glaciar em crescimento, todos os demais estão diminuindo, isso graças a zona de acumulação que fica no fundo da geleira e causa desprendimento das placas de gelo, de tempo em tempo. Poucos foram os sortudos que tiveram o privilégio de assistir ao espetáculo. Ingresso 5 mil pesos argentinos - só aceitam efetivo.

No terceiro dia resolvemos ir até o Camping Municipal que fica na área do Lago Roca. Para chegar lá ir até Porto Bandeiras pelo asfalto e de lá mais 30 km de rípio ruim. O pneu do motorhome do parceiro furou na estrada de chão e aí a troca foi com chuva, barro e muito esforço. Só conseguiram com a ajuda de um motorista que parou e tinha uma alavanca, terminaram em estado lastimável.

Para mim e José, que gostamos de acampamento selvagem, foi incrível. Um vale, rodeados de montanhas, um lago a frente, só as estrelas iluminando o lugar, e o barulho do vento” cantando” para nós, foi um presente na viagem. Ficamos só uma noite para não causar incômodo para os parceiros. Dica:  É gratuito, mas precisa pegar autorização com guarda parque.

O dia seguinte foi o de, enfim, conhecer o grandioso Glaciar Perito Moreno. A geleira tem 60 metros de altura e 5 km de comprimento que se divide da Argentina para o Chile, sendo considerado uma das maiores reserva de água doce do mundo. Está dentro do Parque Nacional Los Glaciares. O acesso é fácil, por asfalto até a portaria. Dali tem um ônibus que transporta as pessoas até o início do ponto de visitação. Tem uma cafeteria e banheiros como estrutura de apoio.

O passeio pelos paredões onde se avista a geleira é feito por passarelas, são muitas e com várias possibilidades de dificuldade, distância e ângulos - 4 circuitos que somam 4.7 km. Nós, obviamente, fomos em quase todas, passamos a tarde nos deslocando, fotografando, observando a espera de um desprendimento de gelo. Vimos e não conseguimos registrar, é muito rápido e inesperado. Pegamos sol, chuva e vento, então sugiro ir preparado com roupas e calçados impermeáveis e de fácil troca. Também levar água e protetor, para os mais precavidos e lentos um lanchinho vai bem. Ingresso 5.500 mil pesos Argentinos. Neste dia nos separamos dos parceiros para dormir. Eles voltaram para o YPF e nós fomos dormir no Porto Bandeira, nós o lago e o vento.

Como estamos precisando lavar roupas e mexer novamente na porta da Branquela, decidimos ir para um camping, escolhemos o “El Niriguao” a um custo de 5.500 pesos argentinos a diária. Arborizado, com churrasqueira no box, banheiros com calefação. Ficamos a manhã arrumando a casa e a tarde voltamos para a área do parque, paramos no Puerto Bajo Las Sombras para fazer o passeio de barco.

O barco saí pelo Canal de Los Tempanos até a parede norte do glaciar, de onde se vê a imensa parede de gelo de cor azulada bem a frente, os pedaços da geleira soltos pelo lago, e se tiver sorte, o espetáculo de uma das “paredes” cair bem próximo. Espetáculo que nenhuma câmera consegue traduzir. Valor passeio 16 mil pesos argentinos. Depois do passeio de barco ainda conseguimos, mais uma vez, voltar a fazer passeio pelas passarelas.

Reservamos um dia para um delicioso almoço no disputado restaurante Casimiro Biguá Parrillas, com direito a provar uma tábua de carnes do cordeiro patagônico assado inteiro na “vitrine” do restaurante. Estava bom! Pagamos 14.500 pesos argentinos. De sobremesa não poderíamos deixar de provar o sorvete de calafati, fruta que dá nome a cidade. Bom também! Depois do almoço e do sorvete ainda tiramos algumas horas para andar nas lojinhas e comprar as tradicionais lembrancinhas, antes de voltamos para nosso último pernoite no queridinho ypf.

Hora de se despedir de El Calafate levando na memória imagens inesquecíveis. Acabamos saindo tarde porque precisávamos pegar dinheiro no WU e foi bem difícil, devido as filas e pouca
disponibilidade.  Pegamos a conhecida Rota 40 e o visual no trecho é lindíssimo. Passa pelo Lago Argentino, Lago Wiedma com picos nevados se mostrando a cada km.

 No meio da tarde encostamos no Parador La Leona - km 615, ponto tradicional de parada dos viajantes. Eles têm no ambiente peças antigas que formam um pequeno museu e alguns posters com fotos de visitantes ilustres. Conta a lenda que o bandido do faroeste americano retratado em filmes “Butch Cassidy” se escondeu por ali após o assalto ao banco. O local fica isolado, no meio do nada, ao lado de um lindo rio. Tem estrutura com restaurante e local para pernoite.



Seguindo mais um trecho na rota 40, depois na 23 que contorna o lago Wiedma, totalmente absortos com a beleza do cenário, chegamos em El Chaltén. O visual da chegada é impactante! Não sei se pela surpresa (não tínhamos lido muito sobre) mas acho que dei o maior suspiro da viagem quando avistamos o conjunto de montanhas na chegada. A estrela da cidade é o majestoso Monte Fitz Roy, no entanto, o que faz a imponência do lugar é o conjunto de montanhas de rochas e gelo. O pórtico de entrada é uma parada obrigatória para registrar este momento da chegada.

Já na cidade fomos para o centrinho e nos instalamos no estacionamento de motorhome que fica ao lado do posto de informações turística e do ponto de embarque dos ônibus intermunicipais - e são muitos a todo o momento. Tem espaço para uns 10 equipamentos, com luz, descarte, água e localização privilegiada, sendo totalmente gratuito.

Ficamos seis dias na pequena e charmosa El Chaltén. Conseguimos encomendar mais uma peça da porta, veio de El Calafate pelo cargo/ônibus em dois dias, bem tranquilo. E mais uma vez José fica um dia inteiro tentando consertar a danada da porta que não fecha. Está ficando irritante e grave o problema.

Conseguimos mesmo assim, fazer passeios pelo entorno. Um dos dias fomos até a Cascata chorrillo e Laguna Condor, estrada de ripio, mas boa. Fomos parando, fotografando, observando encantados com a paisagem.

O dia seguinte repetimos o mesmo trajeto de carro, ideia era ir até o Glaciar Huemul, desistimos faltando 6 km porque a estrada estava muito molhada, lisa, com morros, achamos perigoso continuar. Voltamos e paramos na estrada para fazer parte do Sendero Laguna de Los três. Foram 2h de caminhada para chegar até um mirante e avistar o glaciar Piedra Brancas, mais 2 h para voltar. A trilha é linda, atravessa um vale, depois o Rio Elétrico e vai subindo pelo meio da mata de árvores lindas. A trilha completa, saindo da cidade, é de 13 km só de ida. Voltamos já estava anoitecendo - aqui anoitece em torno de 21h.

Bem próximo da cidade, com deslocamento caminhando desde o centrinho, tem outra trilha que fizemos e indico. Tem opção ir até os Miradores Los Cóndores e Las Águilas, com maior ou menor distância e dificuldade. Fomos nas duas e valeu muito, vimos os voos de ambos, traçando um bailado no céu e uma panorâmica da cidade - Até pouco tempo uma vila.

El Chaltén é uma referência mundial para os apaixonados por trekkings e são muitas as opções de trilhas, escaladas e esportes de aventura. A mais famosa é sem dúvida até a base do Monte Fitz Roy, não nos sentimos aptos a tal aventura, esta é para os profissionais e aventureiros.

Como vários dias estava frio e chovendo pouco caminhamos pela cidadezinha, o máximo foi ir com os parceiros Wilson e Vera, tomar uma cerveja e saborear uma tábua de frios em um dos aconchegantes bares do centrinho.

Hora de partir novamente, nos despedimos com um sol iluminando as montanhas em um belo espetáculo. Mais uma vez voltamos para a rota 40 e paramos para pernoitar no YPF de Gobernador Gregori. Antes de chegar na cidade de Perito Moreno - nosso próximo destino - encontramos uma das entradas do “Parque Nacional Patagônia”, ali tivemos uma aula sobre a luta pela conservação e reconstituição do sistema patagônico, ameaçado constantemente.

A cidade de Perito Moreno foi nossa opção de parada para organizar a sequência da viagem e tentar novamente uma oficina para consertar a porta da branquela. Ficamos três dias em função da tentativa do conserto. Encomenda peça novamente, entra fila dos serviços, acompanha apavorado o chapeador “papito” dizer: não sei o que estou fazendo...e depois sai com a porta, sim- melhor do que antes, mas sem saber quanto iria durar. Putz! A parte boa é que ficamos um dia no YPF, depois fomos para o Camping, simples, gostosos, visual bonito a beira de um lago, com diária de 1.100 pesos argentinos. A cidade é pequena e gostosa para caminhar nas ruas, feirinha, música na rua, casas antigas.

Depois desta parada estratégica seguimos em direção a fronteira com o Chile. Paramos em Los Antigos, cidade próxima a fronteira AR/CH e momento da decisão: vamos ou não enfrentar a temida Ruta7- Carreteira austral. Ficamos o dia na cidade buscamos informações, passeamos até os mirantes, caminhamos e chima na costaneira, conversamos, avaliamos. José queria continuar, eu queria desistir da carreteira. A noite enquanto comemos uma pizza com os parceiros comunicamos a decisão: Vamos enfrentar o desafio, com porta abrindo e tudo mais. Dormimos na cidade ao lado do YPF e da praça das cerejas – produção que faz sucesso na região - e na manhã seguinte pegamos o rumo.

continua, parte 4.

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