continuação, parte 2 - Patagônia Chilena, região austral
2 - Patagônia Chilena região Austral engloba localidades como lado ocidental da terra do Fogo, Puerto Natales, Punta Arenas, Estreito de Magalhães, Parque Nacional Torre Del Paine
No caminho paramos no Parque Nacional Pinguim Rei, tinha que agendar visita e não sabíamos. Fiquei na portaria chorando e me deixaram entrar sozinha com um grupo agendado. José e os parceiros ficaram nos motorhome almoçando e descansando. São lindos, enormes, mas não é possível aproximação, a avistagem é por binóculos e telescópios em uma plataforma.
Nosso primeiro pernoite no Chile foi em Cerro Sombrero, ao lado do posto de informações turísticas, com estrutura de banheiro (maravilhoso, calefação e limpíssimo) e internet. A vila foi a sede do acampamento principal da poderosa petrolífera mista (esgotados os poços de petróleo e redução dos subsídios foi decaindo) e por isso no passado era bem movimentada, com cinema, museu, piscina aquecida. Atualmente, quase abandonada, sobrevive com o esforço dos moradores locais, apostando no turismo e criação de ovelhas, lutando para manter as antigas estruturas e preservando a história. Ótimo local de parada antes da travessia do Estreito de Magalhães no Passo Juan Willian.
A travessia do estreito foi muito tranquila - este passo é o mais curto e rápido. Custa 18 mil pesos argentinos ou 9 mil pesos chilenos, aceitam ambas as moedas. Chegamos em Punta Arena-CH a tempo de almoçar no Mercado público e comer um delicioso salmão. Já achar local para ficar não foi tão fácil. Passamos em quatro opções citadas nos aplicativos de viajantes e nada, ou fechados (estacionamentos) ou sem estrutura (cabanas). Resultado: ficamos três dias na cidade dormindo no estacionamento do Mercado Unimarc. Muito bom!
Passeamos bastante de carro pela cidade, fomos até o Mirante do Cerro de La Cruz, que dá uma visão geral e bonita da cidade. No centro próximo ao mercado público tem praças de armas, monumento os ovejeiros, prédios históricos que valem um passeio a pé. A orla também é convidativa e nós aceitamos a convite e tomamos um bom chimarrão próximo do monumento às Malvinas.
Novamente na estrada nosso próximo destino é Puerto Natalis-CH. No caminho, por minha insistência, entramos em uma estância de ovelhas, queria muito conhecer e até acampar em uma. Uma parada rápida foi o máximo que tive de parceria. Não era aberta à visitação, mesmo assim, fomos bem recebidos pelo Dom Carlo, administrador, que nos mostrou o local da “esquila” - tosa- até cantei para ele a música “esquilador” do folclore gaúcho, o laboratório de inseminação artificial - são produtores premiados no Chile e exterior. Trocamos gentilezas, nós o presenteamos com o nosso licor de figo e ele com uma “marmelada de ruibarbo” (nossa beterraba).
Em Puerto Natales ficamos a primeira noite na orla ao lado de um restaurante indicado no Viva Sobre Rodas, bem tranquilo. A cidade é pequena e lotada de viajantes, que fazem aqui uma parada estratégica, se preparando para as diversas trilhas e maratonas da região. É local de encontros dos aventureiros do planeta. Tem uma estrutura boa e diversificada mesmo sendo pequena. Durante o dia fomos andar na cidade, fazer fotos no monumento Las Manos- O artista fez o mesmo monumento em Punta Del Leste - Uruguai, Antofogasta - Chile o de Puerto Natales. Não conhecemos o de Antofogasta porque quando passamos lá não sabíamos de sua existência. Outro monumento muito fotografado na cidade é El Milodon, uma estátua gigante que reproduz e lendário habitantes da região.
![]() |
| Las Manos - Puerto Natales |
Depois de descansar e apreciar o bonito visual da Puerto Natales, especialmente o pôr do sol nos Muelle histórico e se organizar para enfrentar a estrada de rípio, novamente lá vamos nós. Antes de chegar no parque tem parada obrigatória no “Monumento Natural Cuevas Del Milodon”. Fica a 30 km de Puerto Natales e conserva vestígios de vida humana de mais de doze mil anos atrás, em uma grande caverna de mais de 200 m de profundidade. Neste período os pesquisadores identificaram a presença do Milodon, um mamífero herbívoro pré-histórico, enorme, que habitou a região a cerca de 5 mil anos. Uma grande réplica na entrada é um convite para fotos criativas e divertidas. Ingresso custa 19 mil pesos chilenos.
E chegamos ao Parque Nacional torre Del Paine, também conhecida como Cordilheira Del Paine, já no meio da tarde. Pagamos o ingresso para três dias - tem opções de 1, 3 e 9 dias, usando o cartão de crédito tradicional, o Wise internacional não foi aceito. Valor: 82.291 pesos chilenos equivalente a R$ 532,00 em 21/02/2023. Na portaria de entrada o atendimento foi insuficiente, confuso, sem atenção, informações imprecisas. Para nossa sorte na sede administrativa foi o contrário, ótimo atendimento. Informaram os locais autorizados para pernoite, inclusive ali na sede, os pontos de visitação, vias de deslocamento, alerta sobre rápidas mudanças climáticas, enfim, muito bom. O parque é uma reserva de mais de 220 mil hectares, localizado no sul do Chile, na região de Magalhães e Antártica Chilena. O principal destaque é o complexo de montanhas, Cerro Paine, Torres del Paine e Cuernos del Paine. O lugar é um dos queridinhos do aventureiros do planeta que amam trekking e aventuras.
Ficamos no parque 5 dias. E foram maravilhosos, mesmo com clima não ajudando, devido aos fortes ventos e a chuva. Como estava frio acabamos acordando tarde quase todos os dias, até porque cedinho o cenário estava coberto de névoa. De início já fomos até o Hotel do Lago Grey saber sobre o passeio de barco pelos glaciais. Agendamos para dali a três dias que teria previsão de um clima melhor. Aproveitamos para explorar o entorno do hotel, que é bem bonito, com trilha pela vegetação até a beira do lago. Voltamos para pernoitar ao lado da Sede Administrativa e tinha passado recentemente um puma próximo, segundo Vitor, o simpático guarda parque.
Dentro do parque fomos em duas Cascatas do Salto Chico e do Salto Grande – lindas - água de um tom azulado jorrando fortemente. Ainda fizemos a trilha atrás do hotel/cascata, visitamos o Campimg Pehoé, subimos até o Mirante do Condor-130 h de caminhada por uma vegetação que sofreu queimadas e na chegada o prêmio: Um visual deslumbrante dos picos e lagos, com muitos guanacos pertinho de nós e condor voando próximos. Nosso segundo pernoite foi na parada "Podeto”, de onde saem barcos para passeios e é uma referência de parada para os viajantes.
No dia seguinte foi vez de conhecer e trafegar pelo parque até próximo ao Glacial grey. Nesta estrada de ripio, linda, as paisagens e paradas são encantadoras. Paramos na entrada do Mirante Los Cuernos - onde tomamos chimarrão olhando a cadeia de picos nevados, também no Lago Nordenskjold, Laguna Los cisne, Laguna Amarga, Lagoa Azul - onde paramos para fazer o almoço. E estrada é bem cheia de costeletas e desafia os carros a ficar com tudo no lugar, mas vale cada “solavanco” hahaah.
O nosso passeio no Lago até o Glaciar Grey que estava agendado foi cancelado, os ventos fortes não possibilitaram a saída do barco. O dinheiro foi devolvido no próprio cartão de crédito, sem as taxas. Aproveitamos que estávamos lá novamente e decidimos fazer a trilha até o mirante. Fomos até o ponto onde saem os barcos e tivemos de desistir, estávamos molhados e congelando, apesar das roupas e capas de chuvas. O solo de pedrinhas que o pé afunda foi um desafio à parte.
Outro ponto de pernoite que experimentamos foi na Laguna Amarga, tinham outros dois motorhome de europeus ao lado, apesar do frio e vento forte foi tranquilo. Este é outro ponto de referência dos viajantes e aventureiros, usado como ponto de apoio e para transporte. Tem estrutura de banheiro, banhos, e próximo tem um café- raridade por aqui.
Nã0 quero deixar de registrar os inúmeros arco íris que vimos a cada dia, em cada caminho, parecia que o céu se pintava para enfeitar ainda mais a paisagem maravilhosa. Um lugar para ficar na memória, no coração e despertar desejo de voltar.
Depois desta over dose de beleza, frio e ventos lá vamos nós pegar a estrada novamente. Decidimos voltar a Puerto Natales para tentar arrumar a porta lateral da Branquela que ainda continua abrindo. Passamos em quatro lugares e não conseguimos resolver. Paciência, tentaremos à frente.
Optamos em atravessar - pela quarta vez- a fronteira entre os dois países hermanos, no Passo Dorotéia/ Rio Turbo, recomendo, boa opção, tudo asfaltado. (tinha opção outro passo na outra saída do Parque que pegaria chão). Nesta aduana não perdi nenhum alimento. Ufa! Acho que é porque o ingresso na Argentina é bem mais leve, nem vistoriaram a Branquela, só documentação de saída do Chile e entrada na Argentina.
Neste dia, já em território argentino novamente, dormimos no caminho, na pequena “La Esperanza” em frente ao Hotel Patagônia, mais um local de referência para a parada dos viajantes da patagônia. Fica na beira do asfalto e oferece boa estrutura para alimentação, wifi, banheiros. Aproveitamos para comer e tomar uma cerveja geladinha com os parceiros, enquanto combinávamos a sequência da viagem.
...continua parte 3




Nenhum comentário:
Postar um comentário